• Nenhum resultado encontrado

BOLETIM_AMÉRICA_DO_SUL_OPSA_AGOSTO_2010

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "BOLETIM_AMÉRICA_DO_SUL_OPSA_AGOSTO_2010"

Copied!
27
0
0

Texto

(1)

| n.4 jul./ago. 2010 | | n.4 jul./ago. 2010 |

(2)

O

O Observatório Político Sul-Americano -Observatório Político SulAmericano -OPSA

OPSA é um núcleo de referência destinado aoé um núcleo de referência destinado ao

monitoramento e registro de eventos políticos monitoramento e registro de eventos políticos nos planos interno e externo dos países nos planos interno e externo dos países sul-americanos. Suas atividades principais americanos. Suas atividades principais envol-vem a coleta e sistematização de informações vem a coleta e sistematização de informações relativas aos processos políticos dos países da relativas aos processos políticos dos países da região, bem como a elaboração de análises região, bem como a elaboração de análises pontuais sobre aspectos e problemas das pontuais sobre aspectos e problemas das con- junturas do

 junturas doméstica e iméstica e internacinternacional da áonal da área.rea.

Coordenadora Coordenadora

Maria Regina Soares de Lima Maria Regina Soares de Lima

Ph.D. em Ciência Política pela Vanderbilt University Ph.D. em Ciência Política pela Vanderbilt University

Assistentes de Coordenação Assistentes de Coordenação Regina Kfuri Regina Kfuri Daniela Ribeiro Daniela Ribeiro Tatiana Santos Tatiana Santos Assistentes de Pesquisa Assistentes de Pesquisa

 Ana Carolina Vieira de Oliveira (Argentina)  Ana Carolina Vieira de Oliveira (Argentina)

Beatriz Thomaz Carvalho (Peru) Beatriz Thomaz Carvalho (Peru) Clayton Cunha (Bolívia) Clayton Cunha (Bolívia)

Daniel Oppermann (Indicadores) Daniel Oppermann (Indicadores) Eduardo Heleno Santos (Paraguai) Eduardo Heleno Santos (Paraguai) Fernanda Pernasetti (Equador) Fernanda Pernasetti (Equador) Fidel Flores (Venezuela) Fidel Flores (Venezuela)

Francisco Josué Medeiros de Feitas (Chile) Francisco Josué Medeiros de Feitas (Chile) Tatiana Santos (Colômbia)

Tatiana Santos (Colômbia) Silvia Lemgruber (Brasil) Silvia Lemgruber (Brasil) Suhayla Khalil (Uruguai) Suhayla Khalil (Uruguai)

O Boletim OPSA reúne análises sobre O Boletim OPSA reúne análises sobre acontecimentos de destaque na conjuntura acontecimentos de destaque na conjuntura política da América do Sul e tem periodicidade política da América do Sul e tem periodicidade bimestral. A publicação é composta por

bimestral. A publicação é composta por editorialeditorial e textos dirigidos a leitores que querem ter e textos dirigidos a leitores que querem ter acesso rápido a informações de

acesso rápido a informações de qualidade sobrequalidade sobre temas contemporâneos. As fontes utilizadas temas contemporâneos. As fontes utilizadas para sua confecção são resumos elaborados para sua confecção são resumos elaborados pelos pesquisadores do OPSA com base nos pelos pesquisadores do OPSA com base nos  jornais

 jornais de de maior maior circulação circulação em em cada cada um um dosdos países e documentos de autoria de países e documentos de autoria de pesquisadores ou agências independentes que pesquisadores ou agências independentes que complementam as informações divulgadas pela complementam as informações divulgadas pela imprensa.

imprensa.

Este Boletim, que seria elaborado com base nas Este Boletim, que seria elaborado com base nas informações dos meses de julho e agosto de informações dos meses de julho e agosto de 2010, traz, em caráter excepcional, 2010, traz, em caráter excepcional, informações referentes a setembro e início de informações referentes a setembro e início de outubro.

outubro.

O Boletim OPSA é publicado na segunda O Boletim OPSA é publicado na segunda sema-na do mês seguinte aos dois meses a que se na do mês seguinte aos dois meses a que se refere.

refere.

É permitida a reprodução deste texto e dos É permitida a reprodução deste texto e dos dados nele contidos, desde que citada a fonte. dados nele contidos, desde que citada a fonte. Reproduções para fins comerciais são Reproduções para fins comerciais são terminan-temente proibidas.

temente proibidas.

ISSN 1809-8827 ISSN 1809-8827

Instituto de Estudos Sociais e Políticos Instituto de Estudos Sociais e Políticos Universida

Universidade do Estado do de do Estado do Rio de JaneiroRio de Janeiro IESP-UERJ

IESP-UERJ

http://observatorio.iesp.uerj.br http://observatorio.iesp.uerj.br E-mail: observatorio@ iesp.uerj.br E-mail: observatorio@ iesp.uerj.br

(3)

A institucionalização do conflito político na América do Sul

Este Boletim examina três eventos políticos recentes na América do Sul quais sejam: o quase golpe no Equador, as eleições legislativas na Venezuela e as eleições gerais no Brasil. O que eles têm em comum é colocar em tela de juízo a tese huntingtoniana da fragilidade das instituições políticas latino-americanas tendo como resultante a crônica instabilidade na região. Segundo o clássico argumento do cientista político norte-americano Samuel Huntington, a fragilidade das instituições políticas da região seria responsável pela baixa institucionalização do conflito político que tenderia a transbordar para fora dos canais institucionais-legais com a mobilização de atores que apelariam para métodos extra-legais de modo a fazer valer suas crenças e interesses com conseqüências danosas para a estabilidade política latino-americana.

Cada um dos artigos revela facetas distintas da competição política na região apontando para um quadro distinto, sugerindo, ao contrário, que se estaria assistindo a um processo de gradual legalização do conflito político e a seu encaminhamento no interior das instituições políticas dos países

considerados. O caso do Equador é talvez o teste mais exigente desta hipótese, mas claramente a tentativa de levar o conflito às ruas e forçar uma saída extra-legal resultou em fracasso, onde se ressalta também a pronta resposta regional, por intermédio da Unasul, na preservação da normalidade constitucional. Esta é também uma novidade em que uma instituição regional age em conserto para garantir a normalidade democrática.

Na Venezuela, as últimas eleições legislativas trouxeram dois componentes também indicativos do processo de institucionalização política naquele país: por um lado, o alto grau de confiança dos eleitores venezuelanos em seu sistema político, demonstrado pelos índices significativos de comparecimento eleitoral; por outro, o processo em curso de organização das oposições que parecem ter abandonado a estratégia prévia de deslegitimar a competição eleitoral, que resultou em um tiro no pé nas eleições legislativas passadas, obtendo importante resultado parlamentar que certamente aumentará suas chances na próxima eleição presidencial. O processo venezuelano sugere que finalmente a oposição saiu da situação prévia de rejeição da política, seja por via passiva da abstenção seja por vias ilegais do golpe, e está disposta a

(4)

entrar no processo da disputa política institucionalizada.

Finalmente, o caso brasileiro também apresenta facetas significativas de institucionalização da competição política. Em primeiro lugar, caiu por terra o argumento falacioso e alarmista de que se estaria consolidando uma versão tupiniquim da “mexicanização” da política, atropelado pela vitória expressiva das oposições em dois dos principais colégios eleitorais, Minas e São Paulo. Por outro lado, os resultados das eleições presidências no primeiro turno sugerem um padrão bastante regular da competição política opondo os dois principais blocos políticos que representam projetos distintos de país. A despeito da votação surpreendente da candidata Marina Silva, os resultados eleitorais do primeiro turno de 2010 revelam um padrão de distribuição geográfica muito semelhante àquele observado no primeiro turno das eleições de 2006. Estes resultados podem ser interpretados como uma confirmação de que o Brasil estaria se tornando um país de classe média, tal como anunciado na revista The Economist,

em que a competição política se dá entre um bloco social-democrata, por um lado, e uma coalizão centro-direita, por outro, com uma porcentagem pequena de escolhas eleitorais mais radicais, à direita e à esquerda do espectro político.

Em O Equador, a crise e a via institucional  Fernanda Pernasetti

analisa os últimos acontecimentos no Equador sob o prisma das disputas políticas em cena no país. O artigo indica que os embates têm girado em torno da consolidação da nova ordem constitucional no país, projeto de governo da Aliança País e do presidente Rafael Correa. Os desdobramentos dos episódios de violência do último dia 30 seriam um indício de respeito à institucionalidade equatoriana e de ausência de espaço para tomadas de poder pela força.

Em a Eleição parlamentar na Venezuela: um balanço de duas faces

Fidel Pérez Flores analisa o resultado das eleições parlamentares na Venezuela, realizadas no dia 26 de setembro, por meio da avaliação de duas dimensões do recente processo eleitoral: a nova correlação de forças entre as principais organizações políticas e as implicações no debate sobre a vigência das instituições da democracia representativa. O artigo aponta, por um lado, que a participação de 67,5% da lista eleitoral demonstrou confiança dos venezuelanos no sistema eleitoral, principalmente se se coloca em perspectiva o fato de que na Venezuela o voto não é obrigatório. Por outro lado, o trabalho revela que o fortalecimento da oposição no Congresso – elegendo 65 dos 165 resultados – tende a alavancar suas

(5)

chances na próxima eleição presidencial, mas que o chavismo se mantém como a força política mais coesa do país.

A seguir, Silvia Lemgruber apresenta os resultados das eleições do dia 03 de outubro para a Presidência da República do Brasil, senadores e deputados estadual e federal. Destacam-se a realização de segundo turno no dia 31 de outubro para decidir o novo presidente do Brasil e a ampliação da participação dos candidatos da base governista no Congresso Nacional.

Maria Regina Soares de Lima

(6)

O Equador, a crise e a via institucional

Fernanda Pernasetti 

Analisar os últimos acontecimentos no Equador requer uma série de movimentos cuidadosos. Em primeiro lugar, os fatos precisam ser lidos sob o pano de fundo das disputas em cena no atual panorama político equatoriano. Estas, que giram em torno do projeto de governo da Aliança País e do presidente Rafael Correa, por sua vez, estão profundamente vinculadas ao momento de consolidação da nova ordem constitucional no país. Este último não pode ser compreendido sem se considerar alguns dos episódios da história recente do Equador e as características de alguns de seus setores sociais.

Na manhã do dia 30 de setembro, setores da Polícia Nacional e parte das Forças Aéreas equatorianas tomaram o 1º Regimento de Quito e o aeroporto internacional da cidade, em protesto contra as modificações feitas pelo Executivo à Lei do Serviço Público. Após reunião com ministros de Estado, o presidente Rafael Correa decidiu dirigir-se ao quartel para dialogar com os manifestantes, onde foi recebido com confusão e bombas de gás lacrimogêneo.

Vídeos que estão sendo analisados pelo Ministério Público mostram que parte dos manifestantes clamava pelo militar e ex-presidente Lúcio Gutiérrez, importante figura da oposição no país, centralizada no partido Sociedade Patriota (SP). Segundo declarações oficiais do governo, isso motivou que Correa fizesse um discurso exaltado, condenando a postura dos policiais amotinados e alardeando que se tratava de uma tentativa de golpe de Estado. Após seu pronunciamento, amplamente divulgado na mídia nacional e internacional, Rafael Correa foi levado ao Hospital Militar por conta dos efeitos das bombas de gás e por ter tido seu joelho recém-operado atingido por um dos policiais que protestavam. No trajeto, o veículo presidencial sofreu disparos e um dos policiais que fazia a escolta do presidente foi baleado e veio a falecer, fatos que também estão sendo investigados pelas autoridades competentes do país.

Em paralelo a isso, desde as 10 horas da manhã a sede do Legislativo encontrava-se cercada por policiais amotinados que impediam a entrada de parlamentares, principalmente governistas, e da imprensa. Apenas alguns membros de oposição como Gilmar Gutiérrez (SP), irmão do ex-presidente, tiveram acesso ao

(7)

edifício1. No fim do dia, uma operação

de forças militares que se mantiveram leais ao governo conseguiu retirar Rafael Correa do hospital em segurança. Nesse momento, representantes dos países membros da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) dirigiam-se a Buenos Aires, na Argentina, para uma reunião de emergência que visava condenar formalmente os acontecimentos no Equador, e pressionar qualquer tentativa de desestabilização da ordem constitucional. O mundo inteiro acompanhava o desenrolar dos acontecimentos no país andino, já em estado de exceção, e temia que se concretizasse um novo golpe de Estado no continente.

Segundo os policiais, os protestos se deveram ao veto parcial do presidente Correa à Lei do Serviço Público, prevendo cortes de bônus salariais, condecorações e gratificações, tanto da categoria quanto das Forças Armadas. Embora reconhecesse o desconforto de militares assentados em Quito e Lacatunga especialmente com relação ao tema das condecorações, o chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas, general Ernesto González, ratificou respaldo ao Estado de Direito equatoriano e a proteção ao presidente da República, e afirmou

1Do jornal El Comercio de 01/10/2010, “Escolta

legislativa cambió de objetivo y frenó a los oficialistas”.

que os militares cumpririam suas devidas funções durante a vigência do estado de exceção. González pediu, apenas, que as autoridades competentes revisassem a legislação que estaria acarretando os episódios de violência.

A análise da Lei de Serviço Público aprovada pelo Legislativo e das modificações que constam do veto presidencial, permite esclarecer alguns pontos anuviados pelo calor dos acontecimentos. Pelo conteúdo das derrogatórias do veto presidencial, ficam suspensas as entregas de bonificações por promoção a todos os servidores públicos, civis e militares. Entretanto, as condecorações e entregas de medalhas, assim como o pagamento de horas extras e os mais variados benefícios econômicos permanecem previstos na lei – tanto na versão da ANL quanto no veto presidencial – em seu artigo 115. A diferença entre os dois textos está no fato de que, na sugestão presidencial, esses valores e sua concessão passam a ser submetidos a resoluções emitidas pelo Ministério de Relações Trabalhistas (MRL, na sigla em espanhol). Segundo o artigo 51 do veto, cabe ao MRL administrar as remunerações do setor público e fixar as escalas de salários e receitos complementares, a partir da realização de estudos técnicos e estabelecimento de conselhos consultivos com as diversas

(8)

instituições do setor. Outros pontos que teriam suscitado polêmica foram o artigo 81, que estabelece a idade máxima para que os servidores públicos estejam ativos (70 anos), e a disposição transitória décima, que, em vista da racionalização do setor público, permite que as instituições estabeleçam sistemas de compra de renúncias obrigatórias de servidores, mediante pagamento de indenizações de até 175 salários básicos unificados, em efetivo ou em papéis do Estado.

Não obstante as questões pontuais envolvendo a Lei de Serviço Público, os acontecimentos do dia 30 não podem ser interpretados sem se levar em conta aspectos políticos referentes ao relacionamento entre Executivo e Legislativo, e entre Executivo e setores da sociedade civil equatoriana nos últimos meses. Após um ano da posse de Rafael Correa sob a égide da nova Constituição, em agosto de 2009, encontravam-se em debate no Legislativo três das leis consideradas mais relevantes para a consecução do atual projeto de governo, encaminhadas pelo presidente da República: além da Lei de Serviço Público, o Código de Ordenamento Territorial e Administrativo (Cootad) e a Lei de Educação Superior. Todas elas passaram por dois debates e duas votações, como de regra, no Legislativo, antes de serem encaminhadas para apreciação presidencial. Nesse momento, a julgar

pela complexidade e relevância dos temas ali contemplados, evidenciaram-se alguns rachas na base de apoio do governo, atingindo até mesmo o Movimento Aliança País, do presidente. Em todos os casos os governistas foram obrigados a buscar voto a voto a aprovação em primeira instância dos textos, que se mostrou sempre apertada, e configurou um cenário de mal-estar entre Executivo e Legislativo.

Os pontos fulcrais de discordância dos parlamentares com relação às propostas presidenciais dizem respeito à centralização de atribuições no interior do poder Executivo, em especial Secretarias e Ministérios.

No caso da Lei de Serviço Público, o principal foco de mal-estar na Assembléia concerne ao papel central que o Ministério das Relações Trabalhistas passa a desempenhar no setor– já que, vale lembrar, os parlamentares também são considerados servidores públicos. Durante todo o mês de setembro, marchas e protestos da União Nacional dos Educadores (UNE) e da Federação dos Estudantes Universitários do Equador (FEUE), até mesmo dentro da ANL, visando pressionar os parlamentares, questionavam basicamente a centralidade administrativa e de coordenação que a Lei de Educação Superior confere à Secretaria Nacional

(9)

de Educação Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, órgão cujo secretário é designado pelo presidente da República (artigos 42 e 182). A despeito desse ponto, o texto encontrou relativa acolhida entre reitores de universidades públicas, restando atritos com universidades privadas por conta da sua inclusão nos termos de regulação e obrigatoriedade de prestação de contas à Secretaria.

O código territorial, por sua vez, embora tenha encontrado poucas divergências dentro do Legislativo – que apoiou o veto presidencial em sua quase totalidade – descontentou, entretanto, importantes grupos de interesse do cenário político nacional, como o movimento indígena e setores sociais da província de Guayaquill, tradicional reduto da oposição no país. A legislação, que regula a divisão político-administrativa do país e sua divisão orçamentária, visa manter a soberania e unidade jurídica do Estado ao mesmo tempo em que o descentraliza. A lei amplia os recursos e as competências dos governos paroquiais (locais), de forma a reconhecer e premiar a melhora na prestação de serviços, ao mesmo tempo em que aumenta as exigências para conformação de regiões, que não devem exceder 20% do território nacional. Segundo a justificativa do Executivo, essa medida visa conter possíveis interesses separatistas de

indígenas das províncias amazônicas, que buscavam a criação de uma só região. Essas lideranças defendiam, ainda, que os dividendos gerados pelos recursos naturais permanecessem em suas respectivas províncias, o que foi rechaçado pelo governo, a partir da alegação de que haveria um grande desequilíbrio nas contas do Estado e na qualidade de vida de outras regiões do país se Quito e Guayaquill, por exemplo – que concentram importantes atividades econômicas – se valessem do mesmo argumento. Além da celeuma com os indígenas, o veto parcial ao artigo 172 do código territorial autoriza, ainda, que os governos autônomos descentralizados organizem loterias como fonte de financiamento, o que causou a insatisfação da Junta de Beneficiência de Guayaquill, entidade civil que até então realizava a única e grande loteria do país, com a qual mantém uma série de projetos sociais na província.

Por tudo isso, se discordâncias de setores da sociedade civil não eram novidade, já que por questões históricas o elevado grau de mobilização social tem se provado uma das características da sociedade equatoriana, era a primeira vez que o governo Correa enfrentava grandes resistências dentro do Legislativo, e de seu próprio movimento. Embora não conte com maioria absoluta na ANL, a Aliança País sempre teve o

(10)

apoio de membros do Partido Roldosista Equatoriano (PRE) e de parlamentares independentes do bloco Acordo para a Descentralização e a Equidade (ADE), o que lhe conferia uma maioria móvel, porém, cômoda. Nesse momento, as divergências com relação ao conteúdo das legislações exigiam maior necessidade de negociação.

Analisando o cenário, para Correa, a tarefa que se coloca é a de consolidação do Estado equatoriano, sob a égide da recentíssima Constituição de 2008. Nesse sentido, o histórico de instabilidade política vivido pelo país na década de 90, com crises econômicas e deposição de diversos presidentes, inegavelmente o faz buscar a ampliação do peso do Estado na cena política nacional e, dentro disso, o fortalecimento do papel do Executivo, em particular. E que ninguém o acuse de fazê-lo de outra forma que não declaradamente, como comprovam muitas das afirmações de seus enlaces semanais na rádio equatoriana.

Nessa perspectiva, cabe ao Legislativo, onde a oposição tem espaço considerável, exercer seu papel de balanceamento do equilíbrio de poderes, o que de fato estaria sendo visto com mais clareza nos desenvolvimentos desses últimos dois meses. Um outro dado relevante a ser considerado é que, no Equador, além

dos tradicionais três poderes do Estado, existe também a Função de Transparência e Controle Social do Estado, um poder cidadão composto de maneira independente dos partidos políticos, e que visa dar voz e representação aos interesses dos cidadãos e da sociedade civil organizada. Tendo isso em vista, é inegável que o presidente procura, diante de tantas forças a contrabalançarem sua influência, consolidar o papel do Executivo na nova ordem constitucional. Entretanto, até os acontecimentos do dia 30, as divergências e conflitos que se operavam na cena política equatoriana nada mais eram que parte da dinâmica própria e salutar, da democracia.

Não se pode negar, todavia, que um elemento crucial veio se somar a esse contexto por equívoco estratégico do próprio governo, e acabou por reforçar o diagnóstico da crise política que tanto interessava aos interessados na desestabilização do governo. Na quarta-feira, dia 29 de setembro, a ministra da Coordenação Política, Doris Soliz, anunciava, após diversas referências públicas ao tema, que o presidente cogitava lançar mão da chamada “morte cruzada”, caso as negociações no Legislativo acerca dos vetos presidenciais não evoluíssem. A morte cruzada sintetiza as disposições constitucionais que permitem que tanto o Executivo quanto o Legislativo

(11)

dissolvam um ao outro, com autorização da Corte Constitucional, mediante a convocação de novas eleições para ambos os poderes. Ao contrário do que se divulgou na mídia em geral, nesse ínterim, o presidente não “governaria por decreto”, mas poderia implementar, tão somente, decretos de urgência econômica, a serem revistos posteriormente pelo novo Legislativo (Constituição do Equador, artigo 148). O objetivo dessas medidas é proporcionar uma saída legal para um eventual cenário de congelamento total entre os dois poderes.

Analisando tal possibilidade em si, parece pouco provável que o Executivo efetivamente lançasse mão da morte cruzada, sob o risco de isolar-se politicamente ao gerar uma crise dentro de seu próprio movimento – que tem situação confortável na ANL, com quase metade das cadeiras –, além da possibilidade de não conformar um novo Legislativo tão favorável aos interesses do governo, caso conseguisse eleger-se de novo. Sem dúvidas, a defesa da morte cruzada parece muito mais viável como estratégia de dissuasão política do que como possibilidade real. Entretanto, uma vez propagada como mera “dissolução do Congresso pelo Executivo”, o discurso da morte cruzada serviu como uma luva para que a oposição acusasse o governo de

autoritarismo, inflando os setores interessados na desestabilização política do governo Correa. Importante ressaltar que, na semana anterior ao episódio de violência do dia 30, o jornalista Carlos Veras havia iniciado, em Guayaquill, uma campanha pública para a revogação do mandato presidencial de Rafael Correa, já que a constituição conta com mecanismos que prevêem essa possibilidade, mediante adesão dos eleitores.

Não é difícil imaginar, portanto, que num país com histórico de desestabilização, os setores reacionários afeitos à velha prática dos golpes de Estado vissem nesse cenário o momento político perfeito para a derrubada do governo de Rafael Correa. De fato, embora o número de vítimas no episódio varie entre 10 e 13 mortos, foram aproximadamente 244 feridos, o que denota a escalada da violência e a gravidade do episódio.

Uma vez que o formato clássico das tomadas de poder pela força seria prontamente condenado na região e pela comunidade internacional, um tema que por si só vale uma pesquisa mais aprofundada diz respeito a essa mudança no perfil dos setores golpistas da região. Esses setores agora precisam se valer de momentos políticos de instabilidade para tentar engendrar seus movimentos, dado

(12)

que mesmo regionalmente, o nível alcançado pela integração política, com a Unasul e seu Conselho de Defesa, por exemplo, atua cada vez mais no sentido de constranger suas possibilidades e atuação declarada.

Sendo assim, se felizmente as Forças Armadas não cederam aos protestos e não se voltaram contra a ordem constitucional, configurando um golpe de Estado clássico, o mérito é de suas lideranças e dos elementos externos que contribuíram para pressionar pelo respeito à manutenção da ordem constitucional no Equador. Reconhecendo esse fato, e, sobretudo, que nem todos os policiais estiveram envolvidos nos protestos do dia 30, o presidente Correa defendeu, em seu enlace semanal de rádio, dois dias após o episódio, que a punição firme dos responsáveis não afete a imagem e o respeito da população pela Polícia Nacional enquanto instituição que presta serviço fundamental ao Estado de Direito. O parlamentar Gilmar Gutiérrez (SP) pediu anistia para os policiais envolvidos.

Sem dúvida, enquanto protesto dos setores policiais por seus direitos, o episódio surtiu efeito, fazendo com que o governo revisasse sua postura. Embora as leis tenham entrado em vigência na segunda-feira, dia 4, por terem extrapolado o tempo hábil da ANL para apreciação do veto do

Executivo, nesse mesmo dia, o governo sinalizou que dialogaria com a oposição, que declarou que pretende reformar a legislação, e promoveu um aumento dos salários de parte dos policiais e de categorias das Forças Armadas. Segundo os ministros da Defesa, Javier Ponce, e do Interior, Gustavo Jalkh, esses aumentos estavam sendo analisados há mais de um ano e meio e, na segunda-feira anterior aos protestos policiais, o presidente já havia autorizado sua implementação. Na quarta-feira, dia 6 de outubro, um projeto de quatro artigos que reforma a Lei de Serviço Público foi apresentada à ANL por diversos parlamentares, em sua maioria de oposição. Seus temas são a aplicação da lei, a competência do Ministério das Relações Trabalhistas, a estabilidade dos servidores públicos e as indenizações por demissão.

Enquanto tentativa de golpe de Estado fracassado, o episódio do dia 30 mostra que há cada vez menos espaço para os que gostariam de lançar mão dessa alternativa, tanto do ponto de vista da nova institucionalidade equatoriana, quanto da solidez que está sendo galgada pelos processos de integração regional. Se isso não nos absolve do imperativo da vigilância constante, ao menos tranqüiliza.

(13)

O desfecho do triste episódio do Equador é de alívio pela sobrevivência do atual ordenamento constitucional. No que tange ao atual momento histórico de consolidação do Estado, após um processo de refundação em curso desde 2007, o país só tem a ganhar com a prevalência e o reforço da via institucional na resolução de conflitos. A mensagem é clara: com todas as suas limitações, a democracia é o caminho para a resolução das querelas. Nem a América do Sul, nem o mundo, vão tolerar o recurso a quaisquer outros meios.

Fontes

Banco de Eventos do OPSA Jornal El Comercio

Jornal El Universo

Proyecto de Ley Orgánica de Educación Superior; Objeción Parcial a la Ley Orgánica de Educación Superior; Proyecto de Ley Orgánico Del Servicio Público; Objeción Parcial a la Ley Orgánica Del Servicio Público; Objeción Parcial al Proyecto de Código Orgánico de Organización Territorial, Autonomía y Descentralización, disponíveis no site da Assembléia Nacional Legislativa do

Equador, em

www.asambleanacional.gov.ec, último acesso em 11/10/2010.

Eleição parlamentar na Venezuela: um balanço de duas

faces

Fidel Pérez Flores

Sobre a eleição pela qual foram escolhidos 165 deputados para a Assembléia Nacional da Venezuela no passado 26 de setembro é possível oferecer um balanço que destaque duas dimensões do processo. Uma delas diz respeito ao impacto sobre a nova correlação de forças entre as principais organizações políticas quando em 05 de janeiro de 2011 ocupem seus cargos os 67 deputados eleitos por partidos não governistas. A outra tem a ver com as implicações dessa eleição no debate sobre a vigência das instituições da democracia representativa no país governado por Hugo Chávez. Vejamos em primeiro lugar como a renovação do Legislativo deu um novo banho de legitimidade ao sistema eleitoral de um país onde as credenciais democráticas do Executivo são frequentemente questionadas.

Com uma participação de 11,8 milhões de cidadãos, ou 67,5% da lista eleitoral, os eleitores venezuelanos mostraram em grande número que confiavam o suficiente no seu sistema eleitoral para comparecer às urnas. Sendo que na Venezuela o voto não é obrigatório, esse dado cobra ainda maior relevância.

(14)

Principalmente no que diz respeito aos eleitores dos partidos da oposição, que cinco anos atrás foram chamados a boicotar essa mesma eleição por denúncias dos adversários do governo no sentido de que o caráter secreto do voto não estava garantido. Em 2010, partidos e cidadãos anti-governistas se encontravam entre os mais fervorosos promotores do voto, cientes da importância de atingir níveis elevados de participação para maximizar suas chances de representação.

O comportamento da coalizão opositora diante do processo também merece destaque. Apesar da vigilância e crítica permanente ao desempenho do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e dos desequilíbrios na composição de seu corpo de reitores principais, partidos e movimentos que desejam o fim do governo Chávez investiram recursos e capital político para construir um bloco unificado e concorrer pela via eleitoral a cargos legislativos sob o guarda-chuva da Mesa da Unidade Democrática (MUD). Isso mostra, por um lado, que ainda sem confiar plenamente na imparcialidade da diretoria do CNE, os opositores entendem que vale a pena participar no processo, porque o voto dos cidadãos pode ser respeitado e, por outro, que estão cada vez mais longe os tempos em que parecia viável passar por cima dos

mecanismos constitucionais para forçar a queda do presidente.

Desde 2006, a oposição já participou de quatro eleições consecutivas sem questionar de maneira significativa a legitimidade dos resultados: na eleição presidencial de 2006, o candidato perdedor Manuel Rosales reconheceu a vitória de Chávez; em 2007, a oposição comemorou a vitória em um referendo que impediu modificações substanciais à constituição; em 2008, os opositores foram tanto ganhadores e quanto perdedores em eleições estaduais e municipais, enquanto, em 2009, aceitaram não ter sido capazes de convencer a uma maioria de eleitores a rejeitar uma emenda constitucional que abriu as portas para a reeleição ilimitada de todos os cargos de eletivos. Em 2010, os 65 deputados eleitos pela MUD recompensaram a aposta eleitoral dos opositores e ficou mais difícil dar razão às vozes que proclamam de forma maniqueísta a vitória das tendências mais autoritárias na Venezuela e a morte da democracia. O que se observa é mais uma disputa em que atores diversos têm conseguido impor a vigência das garantias democráticas da constituição de 1999, como as de cunho eleitoral, em conjunturas cruciais.

É destacável também o fato de o presidente da República ter acolhido

(15)

sem maiores problemas o resultado da eleição, apesar de não ter conseguido sua meta de ganhar, no mínimo, 110 cadeiras. Em suas primeiras aparições públicas quis disputar com a oposição o direito de comemorar a vitória, mas nunca questionou o essencial: que 67 deputados foram eleitos por legendas que não apoiam seu governo. De forma análoga, em 2008, o presidente Chávez aceitou a derrota de seus candidatos em governos e prefeituras de estados e cidades relevantes do país, assim como em 2007 aceitou que nessa ocasião a maioria dos eleitores rejeitou sua proposta de reforma constitucional, que era tida como um motor essencial para alavancar seu projeto de país. Um sistema eleitoral confiável precisa de órgãos competentes que, no nível técnico, ofereçam garantias para que cada voto seja efetivamente contabilizado e determine quem ocupa os cargos em disputa. Mas sua credibilidade depende em muito também da confiança que nele depositam todos os atores políticos envolvidos no processo: eleitores, opositores e autoridades. O que temos observado até hoje é que um ator como o presidente Chávez tem sido capaz de reconhecer a validade do método eleitoral para barrar alguns de seus projetos mais emblemáticos, independentemente de se é por convicção ou por falta de opção.

É claro que não só de eleições vive uma democracia, seja ela representativa, participativa ou de qualquer outro tipo. É verdade também que continuam sendo razoáveis alguns dos questionamentos atuais sobre o comprometimento do presidente Chávez com a plena vigência de outras instituições também essenciais para o funcionamento adequado das garantias democráticas consagradas na constituição de 1999. A frequente utilização do judiciário para encurralar opositores, as expressões intolerantes contra os dissidentes, os embates contra a mídia militante de oposição, a perseguição do sindicalismo independente, o estreitamento do espaço para o debate, o dissenso entre os próprios partidários do governo e a cada vez mais aberta verticalização do processo decisório colocam o projeto político do presidente Chávez em contradição crescente com o ideal de participação protagonista do povo que diz representar. Porém, da perspectiva dos procedimentos mínimos para o bom funcionamento de um sistema pluralista e democrático, o processo de eleição parlamentar de 2010 mostrou mais uma vez que, apesar dos desequilíbrios em alguns aspectos da competição eleitoral, há espaço para que opositores concorram com razoável sucesso nos processos de eleição.

(16)

Velha pluralidade, nova representação

Apesar da notável capacidade do presidente Chávez para conseguir maiorias eleitorais expressivas desde sua primeira eleição em 1998, seus níveis de rejeição não são desprezíveis. A opção pelo boicote em 2005 afastou os partidos de oposição da possibilidade de ocupar na Assembléia Nacional, um espaço coerente com a sua força real nas preferências dos cidadãos, mas desta vez o resultado deu ao cenário parlamentar uma tonalidade mais coerente com a pluralidade de forças que se disputam o espaço político venezuelano. Durante o período de 2006-2011, o Legislativo venezuelano foi amplamente dominado pelas forças governistas, que sem problemas outorgaram poderes especiais ao Executivo para legislar em conselho de ministros entre 2007 e meados de 2008 e avançaram leis que retomaram parcialmente propostas que haviam sido derrotadas no referendo pela reforma constitucional de 2007. Agora, com as 65 cadeiras conquistadas pela MUD e as duas do Partido Pátria para Todos (PPT), os partidos não governistas dominarão 40% do espectro parlamentar.

Entretanto, não há uma correlação perfeita entre o voto popular considerado nacionalmente e a repartição das cadeiras entre as forças políticas. Como é a regra em

sistemas eleitorais mistos, a constituição venezuelana estipula que uma parte dos deputados deve ser eleita pelo método proporcional e outra pelo método majoritário. Na Venezuela, em torno de 30% das cadeiras são produto do primeiro e 70% do segundo. Como se vê, há menos deputados eleitos por critérios proporcionais e são maiores as chances de haver um descompasso entre a votação considerada em perspectiva nacional e o número de vagas efetivamente outorgadas às diferentes forças políticas. Foi o que ocorreu este ano. Somados, os votos da MUD e do PPT (5,6 milhões) superam a quantidade de votos a favor dos governistas Partido Socialista Unido da Venezuela e o Partido Comunista da Venezuela (5,4 milhões). As forças opositoras argumentam que a reforma da Lei Eleitoral realizada em 2009, que diminuiu de 40% para 30% a quantidade de deputados eleitos pelo método proporcional e permitiu a reconfiguração territorial das circunscrições eleitorais, possibilitou a atual sobrerrepresentação do PSUV. Simulações feitas com a votação nos estados mais populosos mostram que, efetivamente, as novas regras favoreceram ao PSUV na maioria das unidades da federação, embora no estado Zulia a MUD quem levou vantagem.

(17)

De qualquer maneira, a nova correlação de forças na Assembléia Nacional impede os representantes governistas de atingir o limiar de dois terços necessários para aprovar legislação orgânica ou de três quintos para outorgar poderes ao Executivo para promulgar leis em conselho de ministros. Assim, algumas iniciativas de legislação que segundo o governo seriam essenciais para continuar o processo de mudança do sistema econômico do país na transição ao socialismo terão que ser submetidas a um processo de negociação mais complexo ou simplesmente ficarão na gaveta. Também é possível que algumas dessas leis sejam aprovadas ainda no que resta do mandato da presente legislatura, mas isso certamente criaria novas frentes de confrontação com opositores fortalecidos e com voto na Assembléia a partir de janeiro.

A oposição tentará capitalizar essa nova força parlamentar para alavancar suas chances na próxima eleição presidencial, a ser realizada no segundo semestre de 2012. Em coalizão, as forças opositoras já provaram ser capazes de conquistar uma quantidade de votos muito similar à do PSUV, o que alimenta suas expectativas presidenciais. Adicionalmente, o governo lida com dificuldade com as crises econômica e de gestão que correm paralelas a sua queda gradual nas preferências

eleitorais. Agora muito melhor representada na arena parlamentar, a oposição terá a oportunidade de mostrar em que medida pode oferecer um projeto de nação mais estruturado e menos dominado pela simples rejeição ao presidente. Enquanto isso, e apesar de todos os avanços recentes pelo lado opositor, o chavismo se mantém como a força política mais forte e coesa do país, inclusive na Assembléia Nacional.

Monitor Eleitoral: resultado das eleições gerais no Brasil

Silvia Lemgruber 

No dia 03 de outubro foram realizadas eleições para a Presidência da República do Brasil, senadores e deputado estadual e federal. Cerca de 111 milhões de eleitores compareceram às urnas. O resultado oficial das eleições foi divulgado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski, no dia 05 de outubro. Segundo o resultado, Dilma Rousseff, candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) à Presidência da República, obteve 46,91% dos votos válidos, ao passo que o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), José Serra, obteve 32,61%, o que determinou a realização de segundo turno, previsto para o dia 31 de

(18)

outubro. Votos brancos somavam 3,13%, nulos, 5,51%.

Por sua vez, Marina Silva, candidata do Partido Verde (PV), obteve 19,33% dos votos, contrariando as últimas pesquisas eleitorais, que lhe atribuíam aproximadamente 15% das intenções de voto. Marina foi apontada pela imprensa como a grande responsável pelo segundo turno das eleições, tendo quebrado a polarização entre os dois primeiros candidatos. Seu desempenho nas urnas gerou grande expectativa com relação ao seu posicionamento e a um possível apoio político a um dos candidatos para o segundo turno. Entretanto, a candidata do PV propôs a realização de uma plenária do partido para decidir a questão.

No dia 17 de outubro, após convenção do PV, pelo qual disputou o primeiro turno das eleições presidenciais, a ex-senadora Marina Silva declarou sua neutralidade com relação ao segundo turno da disputa. Ainda durante a convenção, realizada em São Paulo, os integrantes do partido decidiram por 88 votos contra 4 que a legenda também se manteria neutra. Entre os integrantes do partido que votaram a favor da neutralidade estava o candidato derrotado ao governo do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, que havia anunciado um possível apoio ao candidato do PSDB, José Serra. Durante a convenção, Marina leu uma

carta aberta aos candidatos ao segundo turno na qual teceu duras críticas tanto ao PSDB como ao PT, aos quais censurou por levar até as últimas conseqüências uma disputa agressiva. O encontro do partido também foi pautado por referências a uma nova candidatura de Marina à disputa presidencial de 2014. Em declarações à imprensa, Marina negou que a neutralidade implicasse a omissão com relação à disputa presidencial e afirmou que continuará contribuindo para o segundo turno ao reafirmar suas idéias e propostas.

Marina havia apresentado, em 08 de outubro, a chamada Agenda por um Brasil Justo e Sustentável. Trata-se de um conjunto de propostas e compromissos programáticos a serem apresentados aos candidatos ao segundo turno da eleição presidencial. São dez compromissos, quais sejam: transparência e ética, reforma eleitoral, educação, segurança pública, mudanças climáticas, energia e infra-estrutura, seguridade social, proteção dos biomas brasileiros, gasto público e custeio da Reforma Tributária, política externa e fortalecimento da diversidade socioambiental e cultural. As propostas contidas na agenda foram formuladas a partir do próprio programa de governo da candidata, denominado “Juntos pelo Brasil que queremos”. Os dez compromissos contidos na agenda são subdivididos

(19)

em 42 propostas, interpretadas pela imprensa como supostas exigências para um eventual apoio a um dos dois candidatos. Ao apresentar o documento, Marina ressaltou que, com ele, pretende contribuir para o segundo turno das eleições, destacando pontos considerados fundamentais pelo seu programa de governo. Ao mesmo tempo, declarou que poderá tomar uma posição divergente à de seu partido com relação ao apoio político a Dilma ou Serra.

Com a renovação de dois terços do Senado, as eleições levaram a uma nova composição de forças na casa, caracterizada pelo crescimento das bancadas do PT e do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Este continua a ser o partido com o maior número de senadores, que passaram de 17 para 20. O PT, por seu turno, foi o partido que mais ganhou representantes na casa, em termos proporcionais, passando a ter 15 senadores a partir de 2011, ao contrário dos 8 atuais. Já a oposição perdeu senadores, com a redução dos representantes do Democráticos (DEM) de 13 para 6 senadores, e do PSDB, que perdeu 3 de seus 14 senadores. Caso eleita, a candidata do PT contará com aproximadamente 60 cadeiras.

O mesmo acontece com a composição da Câmara dos Deputados, na qual o

PT conseguiu eleger a maior bancada, composta por 88 deputados. O partido não conseguiu eleger deputados federais em apenas três estados do país. O PMDB vem em segundo lugar com 79 deputados, sendo seguido pelo PSDB, com 53 deputados eleitos.

O sucesso dos candidatos da base governista ao Congresso foi atribuído pela imprensa ao apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja popularidade atingiu seu ápice nos últimos meses de mandato. Segundo pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional de Indústrias (CNI) e realizada a menos de duas semanas antes da eleição presidencial, 77% da população considera a gestão de Lula como boa ou ótima. A pesquisa, divulgada no dia 1º de outubro, entrevistou 3.010 pessoas em 191 municípios brasileiros, sendo realizada entre os dias 25 e 27 de setembro. Sua margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

No que se refere às eleições para os estados, PT, PSDB e PMDB elegeram quatro governadores em primeiro turno cada.

Fontes

Estado de São Paulo

(20)

Painéis – julho e agosto de 2010∗∗∗∗

Argentina

Chanceler Timerman se reúne com Hillary Clinton em visita oficial a EUA.

11/08 – O chanceler da Argentina, Hector Timerman, viajou aos EUA com o objetivo de se reunir oficialmente com Hillary Clinton e outros funcionários do governo de Barack Obama. A reunião principal com a secretária do Estado, Hillary Clinton, se realizou em Washington. Finalizado o encontro, Clinton e Timerman ofereceram uma conferência de imprensa no Departamento de Estado onde ratificaram o bom momento da relação bilateral. Clinton elogiou o papel diplomático da Argentina na recente aproximação de posições entre a Colômbia e a Venezuela e assegurou que os EUA seguirão apoiando esses esforços. A secretária de Estado também afirmou que a Argentina e os EUA devem cooperar na luta contra o terrorismo. Timerman declarou que estava muito agradecido pela recepção do governo dos EUA e que a reunião bilateral mostra que não há conflito entre os dois países. O chanceler argentino se reuniu também com o assessor de segurança nacional para assuntos econômicos, Michael Froman, com quem conversou sobre a capacidade para absorver investimentos e sobre as projeções de crescimento econômico da Argentina.

Câmara de Deputados aprova projeto de aumento das aposentadorias.

20/08 – A Câmara de Deputados da Argentina aprovou um projeto de lei para elevar a renda dos aposentados. A proposta foi votada por legisladores de oposição ao governo de Cristina Kirchner. A medida estabelece o valor de base das aposentadorias em 82% do salário mínimo nacional. Depois de 12 horas de debate, com 136 votos a favor e 89 contra, os grupos opositores ao governo festejaram o triunfo legislativo. A proposta aprovada estabelece como única fonte de financiamento os recursos da Administração Nacional da Previdência Social, mais o superávit dos rendimentos anuais do Fundo de Garantia de Sustentabilidade do Sistema Previdenciário. O chefe do bloco legislativo do governo, Agustín Rossi, afirmou que os opositores não se importam com os aposentados e que querem prejudicar ao governo. O ministro de Economia, Amado Boudou, declarou que o projeto, tal como foi aprovado, não pode ser aplicado e que sua implementação alteraria as condições macroeconômicas do país. O projeto será discutido no Senado.

Bolívia

Confronto em Potosí deixa nove feridos.

15/08 – Um confronto entre camponeses e mineiros que bloqueavam uma estrada no departamento de Potosí, na Bolívia, deixou nove feridos, entre eles um mineiro que perdeu a mão por uma explosão de dinamite. Os camponeses tentavam romper o bloqueio e entraram em confronto com os mineiros. O departamento de Potosí foi tomado por protestos e bloqueios por problemas limítrofes com o departamento de Oruro e as demandas de construção de um aeroporto internacional, de uma fábrica de cimento, novas estradas e a reativação do complexo polimetalúrgico de Karachipampa. Os manifestantes exigiam a princípio negociar diretamente com o presidente da Bolívia, Evo Morales, a atenção de suas demandas, mas aceitaram se

∗ O primeiro painel do segundo semestre de 2010 foi publicado em 16 de agosto em virtude do recesso

(21)

reunir no dia 14/08 com uma equipe de ministros para negociar na cidade de Sucre. A comissão negociadora entre manifestantes e ministros não conseguiu chegar a um acordo com relação às estradas, mas conseguiu consenso sobre os outros pontos e ficou de levar os resultados da negociação ao Comitê Cívico Potosinista (Comcipo), que organiza os protestos, para a decisão sobre a aceitação das ofertas do governo ou a manutenção dos bloqueios.

Ex-governador de La Paz acusado de corrupção é preso em Lima.

20/08 – O ex-governador de La Paz (1996-1998), Luis Alberto “Chito” Valle, foi preso em Lima, no Peru, e será deportado para a Bolívia. Chito Valle, que é genro do ex-ditador Hugo Bánzer e fora indicado para governar La Paz durante o mandato democrático deste, estava foragido da justiça boliviana desde 31/03/2009 e enfrenta julgamento por supostos atos de corrupção durante sua gestão que teriam gerado prejuízos de US$ 17 milhões ao departamento. O ex-governador foi preso na zona nobre da capital peruana de La Molina a poucas quadras da Embaixada dos EUA e será deportado pelas autoridades peruanas. No dia 22/08, uma delegação composta por funcionários dos ministérios de Governo e de Transparência e Luta contra Corrupção viajou a Lima a fim agilizar os trâmites diplomáticos para a deportação de Chito Valle. A ministra de Transparência e Luta contra Corrupção, Nardi Suxo, declarou que serão investigadas todas as pessoas que mantiveram negócios de compra ou venda com o ex-governador a fim de apurar se não teriam atuado como laranjas, situação na qual poderiam ser condenadas de acordo com a Lei Marcelo Quiroga de Combate à Corrupção.

Brasil

Datafolha divulga pesquisa de intenção de voto.

14/08 – O jornal Folha de São Paulo divulgou pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República do Brasil realizada pelo instituto Datafolha. A pesquisa, encomendada pelo jornal e pela Rede Globo, ouviu 10.856 pessoas em 382 municípios do país e foi realizada entre os dias 09 e 12/08. De acordo com o resultado, a candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Rousseff, conta com 41% das intenções de voto, com oito pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado, o candidato José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Este conta com 33% das intenções de voto, sendo seguido pela candidata do Partido Verde (PV), Marina Silva, com 10%. Votos brancos e nulos somam 5%, ao passo que os eleitores indecisos perfazem 9% dos eleitores ouvidos. Computados apenas os votos válidos, as intenções de votos de Dilma sobem para 47%, o que deixa a candidata do PT a três pontos percentuais da vitória em primeiro turno. Por sua vez, Serra conta com 38% das intenções de voto. Ainda segundo a pesquisa, para 49% do eleitorado Dilma será a candidata vencedora das eleições de outubro.

Dilma Rousseff e José Serra assinam a Declaração de Chapultepec.

19/08 – Por ocasião do 8º Congresso Brasileiro de Jornais, realizado no Rio de Janeiro, os candidatos à Presidência da República do Brasil, Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), e José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), assinaram a Declaração de Chapultepec. O documento, elaborado em 1994 por ocasião da Conferência Hemisférica sobre Liberdade de Expressão, realizada no México, foi assinado pelo Brasil durante o governo Fernando Henrique Cardoso, em 1996, e estabelece a liberdade de imprensa e de expressão como condições fundamentais para a resolução dos conflitos entre as sociedades bem como direito inalienável dos cidadãos. Durante o evento,

(22)

promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) e que teve entre seus objetivos reforçar o compromisso dos candidatos com a liberdade de expressão, Dilma e Serra travaram debate sobre a liberdade de imprensa e expressão no país. Ao assinar o documento, o candidato do PSDB fez discurso em que acusou o governo Lula de cercear a liberdade de imprensa. A candidata do PT, por seu turno, defendeu as estratégias do governo voltadas para o tema.

Chile

Governo retira urgência e aprova no Senado primeiro projeto de reforma dos transportes.

11/08 – O Senado do Chile aprovou o primeiro de dois projetos que pretendem reformar os transportes no país. Este projeto altera o marco regulatório dos transportes chilenos, aumentando a capacidade do Estado de intervir no setor, e ainda precisa ser aprovado na Câmara. O segundo projeto, que prevê a injeção de U$ 450 milhões do sistema TranSantiago com o objetivo de modernizar os ônibus da capital e do interior, iniciou sua tramitação na Câmara e ainda não foi aprovado. O governo do presidente Sebastián Piñera só conseguiu aprovar o projeto após negociar com a oposição a retirada do caráter de urgência de ambos os projetos e não criticou o governo anterior da presidente Michele Bachelet no relatório sobre o setor que fez ao Congresso. A oposição busca negociar subsídios para as regiões mais pobres, de modo a minimizar o impacto das tarifas. O ministro dos Transportes, Felipe Morandé, comemorou a aprovação do projeto, justamente em uma área do governo que vem sendo bastante criticada pela oposição por terem sido promovido seis aumentos tarifários em 2010.

Piñera anuncia a criação do Ministério do Desenvolvimento Social.

19/08 – O presidente do Chile, Sebastián Piñera, anunciou a criação do Ministério do Desenvolvimento Social. O objetivo do novo órgão é o de cumprir as metas de erradicação da miséria anunciadas pelo presidente em 21/05. O mandatário chileno afirmou ainda que este novo ministério seria uma resposta aos dados divulgados pela pesquisa Casen em 14/07 que demonstraram um aumento de 15,1% no número de pessoas que vivem na pobreza em todo o Chile, o que não ocorria desde 1987. Segundo este levantamento, o número de pobres aumentou em mais de trezentos mil, e o de indigentes elevou-se em cem mil pessoas. O ministério deve ter uma estrutura dividida em duas subsecretarias, uma de gestão, que pretende enfocar a aplicação das políticas públicas, e outra que seria responsável por avaliar os resultados dos programas sociais do governo. O ministério deve ter ainda outras atribuições, como fazer parte do conselho político e elaborar um relatório anual para o Congresso sobre o andamento das políticas sociais chilenas. Por fim, foi comunicado ainda que a titularidade da nova pasta ficará a cargo de Felipe Kast, atual ministro de Planejamento e Cooperação.

Colômbia

Santos e Chávez se reúnem buscando restabelecimento de relações diplomáticas.

10/08 – Os presidentes da Colômbia e da Venezuela, Juan Manuel Santos e Hugo Chávez, respectivamente, se reuniram pela primeira vez desde a posse de Santos no início do mês. O objetivo do encontro foi discutir as relações diplomáticas entre os dois países e restabelecer o contato entre as duas nações, rompido desde o dia 22/07. A notícia sobre a reunião sobreveio em 07/08, após o encontro entre os

(23)

chanceleres dos dois países, a colombiana María Angela Holguín e o venezuelano Nicolás Maduro, e o secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Néstor Kirchner, realizado ao final da cerimônia de posse de Santos. Como resultado das negociações, os mandatários apresentaram uma declaração de princípios que visa promover mecanismos de cooperação entre os vizinhos. Além disso, cinco comissões de trabalho foram estabelecidas para fomentar a confiança mútua, favorecer a integração econômica e infra-estrutural e criar um sistema de consultas sobre temas de segurança. Também foi anunciado o nome do novo embaixador colombiano na Venezuela. José Fernando Bautista, ex-ministro das comunicações na gestão de Ernesto Samper (1994-1998), será o responsável pelo cargo.

Corte Constitucional suspende vigência do tratado de concessão de bases militares com EUA.

17/08 – A Corte Constitucional da Colômbia suspendeu, por 7 votos a 2, a vigência do tratado de concessão de bases militares com os EUA, declarando-o sem efeito até que ele seja avaliado pelo Congresso. O acordo assinado em 30/10/2009, havia sido entregue aos presidentes das duas casas do legislativo a título de notificação. Na época, o governo de Álvaro Uribe o considerou como uma formalização de tratados similares já em vigor e o convênio foi assinado sem passar por debates no Legislativo. O ministro do Interior e Justiça, Germán Vargas Lleras, declarou que a decisão não possui impacto imediato, tendo em vista que as atividades dos militares norte-americanos no país estão resguardadas por acordos anteriores. Além disso, a notificação oficial do Executivo sobre o parecer da Corte não é automática. O alto tribunal tem prazo de seis meses para fazê-lo. O presidente Juan Manuel Santos afirmou que sua equipe estuda a possibilidade de enviar o acordo ao Congresso como tratado. Se for a votação, o acordo poderá conseguir a aprovação, uma vez que o governo dispõe de ampla maioria tanto na Câmara como no Senado, mas ainda deverá passar por uma nova revisão judicial.

Equador

Congresso aprova legislação que regulamenta a divisão político-administrativa do país.

11/08- A Assembléia Nacional Legislativa (ANL) do Equador aprovou por ampla maioria o Código Orgânico de Ordenamento Territorial, Autonomias e Descentralização (Cootad), marco que passa a regular a organização político-administrativa do país. A nova lei define as competências e o orçamento destinado a municípios, conselhos provinciais e juntas paroquiais. Segundo o Cootad, tais entes seccionais, que compõem os chamados Governos Autônomos Descentralizados (GAD), receberão, ainda em 2010, US$ 2 bilhões advindos do governo central. A fórmula de divisão dos recursos, elaborada pela Escola Politécnica do Exército (Espe), obedecerá a velocidades diferentes para cada ente administrativo, segundo critérios como densidade populacional, esforço fiscal e necessidades básicas insatisfeitas. A rápida aprovação do Cootad foi atribuída às negociações entre base governista e setores de oposição ao longo do segundo debate sobre o projeto de lei, além da realização de uma consulta pré-legislativa aos povos e nacionalidades indígenas, montubios e afro-equatorianos, que debateu a questão das circunscrições territoriais durante os meses de setembro e dezembro de 2009, incorporando suas demandas.

(24)

Em visita ao Brasil, chanceler equatoriano procura impulsionar cooperação bilateral.

19/08- O ministro das Relações Exteriores e Comércio do Equador, Ricardo Patiño, reuniu-se com seu homólogo brasileiro, Celso Amorim, em visita a Brasília. No encontro foram discutidas questões comerciais, de infraestrutura bilateral e assuntos regionais. Amorim e Patiño debateram fórmulas para equilibrar o comércio bilateral, que aumentou em 70% com relação ao mesmo período de 2009, mas que apresenta amplo superávit brasileiro. Os chanceleres também abordaram temas como a televisão digital, o serviço postal e a criação do Eixo Multimodal Manta-Manaus, um projeto de conexão terrestre e fluvial que deve unir o porto de Manta, no Pacífico, à cidade de Manaus, com saída ao Atlântico, através da Amazônia. Em coletiva de imprensa, os ministros informaram que promoverão reuniões técnicas para impulsionar o projeto nas próximas semanas. Com relação à União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Amorim felicitou o Equador por sua gestão na presidência rotativa do bloco, especialmente pela condução de assuntos como a crise entre Colômbia e Venezuela. A viagem teve por objetivo retomar plenamente a confiança diplomática do Brasil, aproveitando os acordos realizados com a construtora brasileira Odebrecht, em julho desse ano, que sepultaram a crise bilateral de 2008.

Paraguai

Após quimioterapia, Lugo retorna às atividades e se encontra com presidentes de Bolívia e Uruguai.

14/08 – O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, reassumiu seu cargo, após ter realizado uma série de exames e uma sessão de quimioterapia no hospital Sírio e Libanês, em São Paulo. Em 05/08, os médicos paraguaios haviam diagnosticado um linfoma, um tipo de câncer que atinge o sistema responsável pelas defesas do organismo. Em seu retorno a Assunção, Lugo foi saudado pelo presidente interino, Federico Franco, pelos ministros e por correligionários. Ele declarou aos jornalistas que não esperem vê-lo abatido e frágil, mas sim renovado. Além de ter afirmado que o seu quadro é controlado e reversível, Lugo garantiu que a sua enfermidade não afetará os compromissos que mantém como chefe de Estado. Em 15/08, ele retomou a agenda presidencial e se reuniu com os seus homólogos Evo Morales, da Bolívia, e José Mujica, do Uruguai. Eles discutiram temas ligados à integração energética e logística dos três países, que fazem parte, desde 1963, do acordo tripartite conhecido como Urupabol. Os três mandatários participaram, ainda, do Fórum Social das Américas, realizado em Assunção.

Deputados aprovam pedido de cassação de mandato contra ministro da Defesa.

19/08 - A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou, com 62 votos a favor e 4 abstenções, pedido para a cassação do mandato do ministro da Defesa, Luis Nicanor Bareiro Spaini. Os legisladores acusam o representante do executivo por mal desempenho de suas funções. O pedido de impeachment do ministro foi formalizado após ele ter faltado, em 18/08, a uma convocatória, no qual seria consultado pelos deputados acerca do roubo de fuzis ocorrido no quartel general do exército paraguaio, em Assunção. Diante da repercussão no Congresso, o ministro Barreiro divulgou uma nota pelo qual afirmou que está sendo vítima de perseguição política que tem, como objetivo, enfraquecer e desintegrar os políticos próximos ao presidente da República. Para o ministro, o processo pelo qual foi indiciado é apenas um tubo de ensaio para o início do processo de impeachment do presidente Fernando Lugo. Ele justificou sua ausência alegando que a investigação acerca do roubo das armas estaria sob responsabilidade da Justiça Militar. Ele também acusou

(25)

os deputados de atenderem aos interesses do governo dos EUA. Após a tramitação na Câmara, o caso deverá ainda ser julgado pelo Senado.

Peru

Governo anuncia criação de comissão para solução e combate a conflitos sociais.

15/08 – O chefe do Escritório de Gestão de Conflitos da Presidência do Conselho de Ministros do Peru, Ronald Ibarra, anunciou a formação de uma comissão multi-setorial, formada por diferentes unidades de combate a conflitos sociais para solucioná-los e prevenir atos de violência. Ibarra afirmou que a desinformação é causa de muitos dos casos e pediu uma participação mais ativa e menos reativa dos governos locais e regionais. Quatro dias antes do anúncio, a Defensoria Pública havia divulgado, pelo Relatório de Conflitos Sociais n. 77, que ocorreram 248 conflitos sociais no país durante o mês de julho. A soma representa o triplo de registros apurados em julho de 2005. Do total, 168 estão ativos e 80 estão em estado de latência. Puno e Lima aparecem como os dois departamentos com maior concentração de enfrentamentos, com ocorrência de 21 conflitos em cada localidade. Na seqüência, figuram: Cusco, com 19 e Ancash e Cajamarca, com 18 conflitos registrados. A análise da motivação dos conflitos revela que 50% do total de casos estão relacionados a questões ambientais, 15% a assuntos de governo local e 9% a questões trabalhistas.

Congresso modifica Código Penal e torna penas mais rígidas em caso de reincidência.

19/08 – O Congresso do Peru tornou mais rígidas as penas e benefícios penitenciários a criminosos reincidentes. Por 84 votos a favor e nenhum contra, ficou estabelecido que, em caso de reincidência de delitos graves, o autor do crime terá sua pena aumentada em, no mínimo, dois terços do tempo máximo estabelecido na lei. A este respeito, o presidente Alan García defendeu prisão perpétua automática para todos os reincidentes. Além disso, García pediu que o Legislativo incluísse a pena de morte no rol de penas para reincidentes. O presidente justificou o pedido alegando que 80% da população pedem a aplicação da pena capital em casos de delitos considerados graves. O primeiro ministro, Javier Velásquez Quesquén, e o ministro da Justiça, Víctor García Toma, afirmaram que a pena de morte é inviável no país, signatário de Tratados Internacionais que proíbem tal punição. O Congresso também restringiu benefícios penitenciários tais como regime semi-aberto e liberdade condicional nestes casos. Com isso, havendo reincidência em crimes considerados graves, não há cancelamento da ficha penal do indivíduo, mesmo que já tenha cumprido sua sentença.

Uruguai

Comandante-em-chefe da Marinha renuncia ao cargo após denúncias de irregularidades envolvendo compra de armamentos.

10/08 – O comandante-em-chefe da Marinha do Uruguai, Oscar Debali, colocou seu cargo à disposição do ministro da Defesa, Luis Rosadilla, após denúncias de irregularidades nas compras de armamentos por parte da instituição. Em 09/08, foi decretada a prisão do capitão de navio Alvaro Bacqué, responsável pela área financeira do Ministério da Defesa, pelo delito de fraude. O crime está relacionado à acusação de manuseio irregular dos fundos militares e de “compras fantasmas” de aparatos bélicos. A situação foi agravada pela instauração de um processo contra

(26)

outro integrante da Marinha, Ernesto Menafra, que é sobrinho de Debali e está sendo acusado do crime de peculato. Os empresários Gustavo e Daniel Trocki, também envolvidos no escândalo das compras fictícias, se foram do país antes mesmo da instauração do processo. As investigações contam com o aval da oposição. Lacalle e Bordaberry expressaram seu apoio ao governo e afirmaram que o Poder Judiciário está atuando na questão e que não é conveniente que haja intervenções desde o âmbito parlamentar. O presidente da República, José Mujica, aceitou a renúncia de Debali e nomeou o contra-almirante Hugo Viglietti para o posto.

Mujica enfrenta segunda greve de seu governo.

19/08 – O presidente da República do Uruguai, José Mujica, enfrentou a segunda greve de seu governo, que teve início em 01/03. Organizada pela central operária PIT-CNT (Plenário Intersindical e Convenção Nacional dos Trabalhadores), essa segunda greve, diferentemente da primeira, foi apenas parcial para alguns setores, tendo início às 9h e sendo finalizada às 13h. Os sindicatos da Educação, pública e privada, por sua vez, decidiram paralisar por 24 horas as suas atividades. O protesto incluiu um ato na Praça Cagancha, centro da Capital, onde os dirigentes discursaram sobre suas reivindicações. Um dos temas da pauta de reivindicações se refere ao comprometimento de um percentual do PIB para gastos com educação. O governo propôs manter um orçamento de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação, mas os sindicalistas pedem 6%. Dois dos principais líderes do Pit-Cnt, Juan Castillo e Fernando Pereira, negam que se trate de uma greve contra o governo. Para eles, esta é uma mobilização propositiva. Essa postura vai contra o posicionamento de determinados grêmios estatais, mais radicais, que não participaram da oratória promovida pelos coordenadores da central sindical.

Venezuela

Ministério de Finanças determina liquidação do Banco Federal.

10/08 – O Ministério de Planejamento e Finanças da Venezuela decidiu extinguir o Banco Federal, sob intervenção governamental desde junho de 2010, por considerar que não contaria com os ativos suficientes para voltar a operar normalmente. O Banco Federal era propriedade de Nelson Mezerhane, que também possui uma participação de 20% das ações de Globovisión, uma rede privada de televisão que mantém uma linha editorial crítica ao governo. O presidente Hugo Chávez deixou claro que o governo confiscaria todas as propriedades de Mezerhane no intuito de garantir o ressarcimento dos clientes do banco. Jorge Giordani, ministro de Planejamento e Finanças, anunciou que a extinção do banco se faria em duas etapas. A primeira consiste na indenização imediata dos clientes com depósitos de até 30 mil bolívares (o equivalente a US$ 6,6 mil) e na segunda, com a liquidação dos ativos do grupo financeiro, seriam indenizados os clientes com depósitos maiores a esse valor. O governo avalia a possibilidade de adquirir algumas das agências do Banco Federal para expandir a cobertura do sistema financeiro público.

Juiz retira parcialmente restrições impostas a jornais sobre notícias de violência.

19/08 – O juiz de primeira instância para a proteção de crianças e adolescentes de Caracas, William Paez, retirou parcialmente a proibição ditada contra os jornais da Venezuela, dois dias antes, no sentido de impedir durante um mês a publicação de imagens cujo conteúdo possa ser considerado violento. A medida foi ditada depois que o jornal El Nacional, na sua edição de 13/08, publicou na capa a foto de

Referências

Documentos relacionados

de lôbo-guará (Chrysocyon brachyurus), a partir do cérebro e da glândula submaxilar em face das ino- culações em camundongos, cobaios e coelho e, também, pela presença

5 “A Teoria Pura do Direito é uma teoria do Direito positivo – do Direito positivo em geral, não de uma ordem jurídica especial” (KELSEN, Teoria pura do direito, p..

• Quando o navegador não tem suporte ao Javascript, para que conteúdo não seja exibido na forma textual, o script deve vir entre as tags de comentário do HTML. <script Language

Nos filmes de Wes Anderson o design de produção não se restringe só ao filme, mas também está presente em seus produtos relacionados como pôsteres, capas e menus de DVD,

Tendo como parâmetros para análise dos dados, a comparação entre monta natural (MN) e inseminação artificial (IA) em relação ao número de concepções e

AGUARDANDO DEFINIÇÃO DA DESCRIÇÃO DA MERCADORIA, FOTOS E LIBERAÇÃO DO SEGURO PARA REMOVER A CARGA 24/08 - LIBERADO PELO SEGURO.. DTA REGISTADA - AGUARDANDO REMOÇÃO

²Universidade de São Paulo - USP [email protected] Resumo Este artigo tem como finalidade conceituar o Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), seua importân- cia

Um tratamento de câncer infantil em que os cui- dadores são acompanhados pelo serviço de psicologia, pode tornar o tratamento um processo menos ambiva- lente de se vivenciar,