• Nenhum resultado encontrado

Produção de mudas de Romã em diferentes substratos (1)

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Produção de mudas de Romã em diferentes substratos (1)"

Copied!
5
0
0

Texto

(1)

Produção de mudas de Romã em diferentes substratos

(1)

Lucas de Assis Moraes

(2)

, Cássio Macêdo Gomes

(2)

, Walter Esfrain Pereira

(4)

,

Josevan de Andrade Silva

(2)

, Samuel Inocêncio Alves da Silva

(3)

, Diogo Danilo de

Sousa Freitas

(2)

(1) Trabalho executado no Centro de Ciências Agrárias – Universidade Federal da Paraíba, localizado em Areia-PB.(2)

Graduando do curso de Agronomia, CCA/UFPB, Areia-PB (E-mail: [email protected])(3) Doutorando

em Ciência do Solo, Programa de Pós Graduação em Ciência do Solo/CCA/UFPB, Areia-PB; (4)Prof. Doutor do Departamento de Ciências Fundamentais e Sociais, CCA/UFPB, Areia-PB

RESUMO: A romãzeira vem apresentando grande importância na indústria farmacêutica, pelo seu grande potencial medicinal, além de ser muito utilizada como planta frutífera e ornamental, adaptada às regiões de clima árido, no entanto existem poucos estudos com essa frutífera. Assim, objetivou-se avaliar a altura e o diâmetro do caule em mudas de romãzeira cultivadas em diferentes substratos constituídos por solo, esterco bovino e serragem. O delineamento foi inteiramente casualizado com sete tratamentos, com quatro blocos e três mudas por unidade experimental. Os sete tratamentos em ambiente protegido constituídos por diferentes proporções de solo (SO), esterco (E) e serragem (SE),sendo eles: T1= 20%SO, 40%E, 40%SE; T2= 38%SO, 22%E, 40%SE; T3=43%SO, 40%E, 17%SE; T4= 60%SO, 00%E, 40%SE; T5=60%SO, 19%E, 21%SE; T6=64%SO, 36%E, 00%; T7=80%SO, 13%E, 07%SE. Aos 50 dias após o transplantio foi avaliado altura de mudas e diâmetro do caule. Os dados foram submetidos a análise de variância e de regressão apropriadas para experimentos com mistura. O aumento da proporção de serragem aos substratos resultou em menor crescimento do diâmetro do caule, enquanto o solo proporcionou maior crescimento das mudas. O melhor substrato estimado para a formação de mudas de romãzeira é constituído por 80% de solo, 5,5% de serragem e 14,5% de esterco bovino.

Termos de indexação: Punica granatum L., fruticultura, substrato.

INTRODUÇÃO

A romã (Punica granatum L.) é um arbusto lenhoso, ramificado, da família Punicaceae, nativa da região que abrange desde o Irã até o Himalaia, a noroeste da Índia, cultivada mundialmente em regiões de clima tropical e subtropical (Batista et al., 2011).

A região do Nordeste brasileiro apresenta potencial para expansão e cultivo da mesma, pois seu cultivo estar ligado a regiões de clima subtropical, temperado quente ou até tropical, exigindo altas temperaturas na época de maturação dos frutos (Robert et al., 2010), suportando bem a seca, apesar de necessitar de umidade e arejamento ao nível das raízes para produzir frutos de boa qualidade (Paiva et al., 2015). As propriedades nutricionais e também medicinais presentes, tanto na planta, quanto nos frutos são relatados em diversos trabalhos em várias partes do mundo (Werkman et al., 2008).

O uso de mudas sadias e vigorosas normalmente resulta em bom desenvolvimento inicial das plantas e precocidade na produção (Barros, 2011). Os substratos utilizados para a produção de mudas devem cumprir suas funções fundamentais a fim de proporcionar condições adequadas à germinação e a um bom desenvolvimento do sistema radicular (Ramos et al., 2002). Já Fronza & Hamann (2015) define o substrato na produção de mudas frutíferas, como um meio sólido onde são proporcionadas condições físicas e químicas para o desenvolvimento do sistema radicular de estruturas vegetais propagadas, tendo como função principal prover suporte ao propágulo.

Com isso o objetivo do trabalho foi avaliar a altura e o diâmetro do caule em mudas de romãzeira cultivadas em diferentes substratos constituídos por solo, esterco bovino e serragem.

(2)

Caracterização da área experimental

O experimento foi instalado em ambiente protegido do Departamento de Solos e Engenharia Rural (DSER), pertencente ao Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba (CCA/UFPB), Campus II, localizada no município de Areia, microrregião do Brejo Paraibano, apresentando coordenadas geográficas de 6º58’12’’ de latitude Sul e 35º 42’ 15’’ e longitude Oeste e altitude de 619 m.

O clima da região é classificado segundo Köeppen do tipo AS‟ (quente e úmido), com estação chuvosa no período outono – inverno, apresentando as maiores precipitações nos meses de junho e julho. A umidade relativa do ar varia entre 75% em novembro a 87% nos meses de junho/julho, a precipitação anual é de aproximadamente 1300 mm (Gondim & Fernandes, 1980).

Condução do experimento

O solo utilizado foi coletado na profundidade de 20 cm do perfil do Latossolo Vermelho Amarelo (Embrapa, 1999). O esterco e serragem foram obtidos do Setor de Bovinocultura do CCA - UFPB e de uma serraria localizada na cidade de Areia - PB, respectivamente. Ambos foram peneirado em malha de 2 mm e a serragem uniforme conforme o tamanho, procedendo-se posteriormente com o enchimento dos recipientes utilizando 0,5 kg da mistura desses substratos de acordo com os tratamentos. Na semeadura foram utilizadas bandejas plásticas com areia lavada. As sementes de romã foram advindas de pomar doméstico localizado em João Pessoa - PB. Para a escolha das sementes foi retirados o envoltório que recobre as mesmas. Aos 40 dias após a semeadura foram selecionadas mudas que apresentassem o mesmo porte em relação à característica altura. A partir deste momento, as mudas, que estavam sendo cultivadas nas bandejas de plásticos, foram transplantadas para os sacos de mudas. O enchimento dos sacos e mistura dos substratos foi realizado um mês antes do transplantio. A irrigação das mudas foi controlada, aplicando o mesmo volume de água para todos os tratamentos, afim de que todas as plantas tenham as mesmas condições.

Tratamentos e amostragens

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado com sete tratamentos com quatro blocos e três mudas por unidade experimental. Os percentuais dos materiais na composição volumétrica dos substratos em mudas de romãzeira foram: T1 – 20% Solo, 40% Esterco e 40% de Serragem, T2 – 38% Solo, 22% Esterco e 40% de Serragem, T3 – 43% Solo, 40% Esterco e 17% de Serragem, T4 – 60% Solo, 00% Esterco e 40% de Serragem, T5 – 60% Solo, 19% Esterco e 21% de Serragem, T6 – 64% Solo, 36% Esterco e 00% de Serragem e T7 – 80% Solo, 13% Esterco e 07% de Serragem. Aos 50 dias após o transplantio foram avaliadas as seguintes variáveis: altura das mudas: medida a partir do colo da muda até a gema apical, utilizando-se de uma régua graduada, em cm. E diâmetro do caule: determinado com paquímetro com capacidade de 15 cm, em mm.

Análise estatística

Os resultados foram submetidos a análise de variância e de regressão apropriadas para experimentos com misturas (Cornell, 2001).As análises estatísticas foram realizadas com o software Design Expert 7.0 Trial ( Stat. Ease Inc., Minneapolis,MN).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Verificou-se efeito significativo nas misturas duplas para esterco e solo em altura, e esterco e serragem no diâmetro. Também foi observado significância a 1% de probabilidade no diâmetro para o esterco quando adicionado na mistura (Tabela 1).

O aumento da proporção de solo mais esterco bovino aumentou a altura, no entanto, percentuais elevados de ambos reduzem a altura das mudas (Figura 1). Os dados corrobora até certo ponto com os resultados obtidos por Silva et al. (2016) ao estudar diferentes níveis de substrato com esterco bovino, que obteve aumento satisfatório na altura de mudas de romã, porém não foi observada redução com o acréscimo da matéria orgânica.

A maior altura de plantas (17,80 cm) foi observada no substrato contendo em sua composição 38% de solo, 40% de serragem e 22% de esterco (Figura 1). Isso provavelmente deve ter ocorrido devido ao maior percentual de serragem que se encontrava no substrato, proporcionando maior retenção de água e aumento no espaço poroso, juntamente com esterco, este dando aporte de nutrientes, contribuindo para um

(3)

maior crescimento inicial das mudas. Já o substrato contendo 20% de solo na sua composição apresentou o menor valor para essa variável.

Tabela 1. Quadro de análise de variância de altura de mudas (AL) e diâmetro do caule (DC) das mudas de romãzeira após 50 dias após o transplantio.

FV

GL

Quadrados medios

AL

DC

Blocos

3

17,89

ns

0,0008

ns

E

1

83,30

ns

0,0004**

SE

1

102,40

ns

0,007

ns

E*SO

1

137,81*

0,0007

ns

SE*SO

1

0,001

ns

0,0002

ns

E*SE

1

108,57

ns

0,03**

Resíduo

18

29,23

0,0003

CV (%)

46,69

37,67

AL= altura de mudas, DC= diâmetro do caule, SO= Solo, SE= serragem, E= esterco, ns= não significativo, **;* = significativo a 1 e 5% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F.

Altura = 0.059263 S - 0.90259E + 0.22951Se+ 0.019287 * S * E + 0.010268*E* Se; CV= 46,69%; R2 = 86,65%.

Figura 1. Altura de mudas de romãzeira aos 50 dias após o transplantio, em função da proporção dos componentes do substrato.

A estimação da maior altura foi obtida com a combinação de 80% de solo, 5,5% de serragem e 14,5% de esterco bovino, na qual as plantas atingiriam uma altura média de 16,12 cm respectivamente. Os resultados concordam com os verificados por (Pereira et al., 2008), que estudando os efeitos de fertilizantes no crescimento inicial de romãzeira, observou altura média de 21,7 cm, quando avaliadas aos 70 dias de transplantio.

Para o substrato composto com maior percentagem de solo, houve o aumento do diâmetro do caule. No entanto, para a serragem, com o aumento da sua proporção houve um decréscimo do diâmetro do caule, já o comportamento do esterco foi benéfico até determinado ponto, posteriormente influenciou negativamente (Figura 2). A maior média estimada (0,17 cm) foi obtido do substrato composto por 80% de solo, 5,5% de serragem e 14,5% de esterco.

(4)

Diâmetro do caule = 2.2*10-³S - 3.4*10-4E - 1.1*10-3Se + 8.8*10-5* E * Se; CV = 37,67%; R2= 77,38 %

Figura 2. Diâmetro do caule de mudas de romãzeira aos 50 dias após o transplantio, em função da proporção dos componentes do substrato.

O valor médio (0,12 cm) verificado neste experimento, diferem aos encontrados por Pereira et al. (2016) ao avaliar o crescimento de mudas de romã sobre o efeito de doses de nitrogênio, as mudas apresentaram um valor de 0,15 cm no diâmetro do colo aos 20 dias após o transplantio.

Em relação ao esterco, os resultados encontrados discordam de (Mendonça et al., 2010), que trabalhando com doses de esterco bovino em mudas de pinheira (Annona squamosa L.), observou que não houve decréscimo para o diâmetro do caule com o aumento das doses. E Silva et al. (2008) constataram que a utilização de esterco bovino incrementou o diâmetro do colo da planta, corroborando em parte com os resultados deste trabalho.

O comportamento da serragem foi semelhante ao encontrado por Loureiro et al. (2016) que avaliando diversos substratos, observaram que o substrato com serragem não carbonizada apresentou a menor espessura do caule e uma das menores profundidades de sistema radicular.

CONCLUSÕES

Maiores proporções de solo no substrato influencia no crescimento das mudas de romãzeira.

O melhor substrato estimado para a formação de mudas de romãzeira é constituído por 80% de solo, 5,5% de serragem e 14,5% de esterco bovino.

A presença de serragem influencia negativamente no diâmetro do caule das mudas de romãzeira.

REFERÊNCIAS

BARROS, C. M. B. Substratos e adubação foliar com biofertilizante na produção de mudas de maracujazeiro e mamoeiro. Paraná: UNICENTRO, 2011. 71p. Dissertação (Mestrado em Agronomia).

BATISTA, P. F.; MAIA, S. S. S.; COELHO, M. F. B.; BENEDITO, C. P.; GUIMARÃES, I. P. Propagação vegetativa de romã em diferentes substratos. Revista Verde, 6:96-100, 2011.

CORNELL, J. A. Experiments with mixtures: designs, models, and the analysis of mixture data, 3.ed., Wiley: New York, 2001. 680p.

(5)

FRONZA, D. & HAMANN, J. J. Viveiros e propagação de mudas. Santa Maria: Rede e-Tec Brasil, 2015. 142 p.

GONDIM, A. W. A. & FERNANDES, B. Probabilidade de chuvas para o Município de Areia – PB. Agropecuária técnico, Areia, 1:55-63, 1980.

LOUREIRO, F. L. C.; OLIVEIRA, J. A.; UCHÔA, C. N. Desenvolvimento de mudas de mamoeiro sob diferentes substratos orgânicos. In: CONGRESSO TÉCNICO CIENTÍFICO DA ENGENHARIA E DA AGRONOMIA, Foz do Iguaçu, 2016. Anais. Foz do Iguaçu: CONTECC, 2016.

MENDONÇA, J. D. J.; FERNANDES, P. L. O.; MORAIS, F. A.; COSTA, M. E.; MELO, I. G. C.; GOES, G. B.; VERAS, A. R. R. Doses de esterco bovino na produção de mudas de pinheira. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 21., Natal, 2010. Anais. Natal: EMPARN, 2010.

PAIVA, E, P.; ROCHA, R. H. C.; PRAXEDES, S. C.; GUEDES, W. A.; SÁ, F. V. S. Crescimento e qualidade de mudas de romãzeira ‘WONDERFUL’ propagadas por estaquia. Revista Caatinga, 28:64-75, 2015.

PEREIRA, E. C.; FARIAS, W. C.; MENDONÇA, V.; SILVA, R. M.; COSTA, J. M.; MEDEIROS, F. M. Adubação nitrogenada na produção de mudas de romã. Agropecuária Científica no Semiárido, 12:22-28, 2016.

PEREIRA, E. O.; SOUZA, M. F.; MARTINS, M. Q.; SOBREIRA, J. M.; JUNIOR, O. S. P.; COELHO, R. I. Influência dos diferentes níveis de adubação de NPK no crescimento inicial de mudas de romã (Punica granatum L.). In: Encontro Latino Americano de Iniciação Científica, 12., Encontro Latino Americano de Pós-Graduação, 8., Encontro de Iniciação Científica Júnior, 2., São José dos Campos, 2008. Anais. São José dos Campos: UNIVAP; 2008.

RAMOS, J. D., CHALFUN, N. N., PASQUAL, M., & RUFINI, J. C. Produção de mudas de plantas frutíferas por semente. Informe Agropecuário, 23:64-72, 2002.

ROBERT, P.; GORENA, T.; ROMERO, N.; SEPULVEDA, E.; CHAVEZ, J.; SAENZ, C. Encapsulation of polyphenols and anthocyanins from pomegranate (Punica granatum) by spray drying. International journal of food science & technology, 45:1386-1394, 2010.

SILVA, E. C.; COSTA, C. C.; SANTANA, J. B. L.; MONTEIRO, R. F.; FERREIRA, E. F.; SILVA, A. S. Avaliação de diferentes tipos de substratos na produção de mudas de melancia. Horticultura Brasileira, 27:3142-3146, 2009.

SILVA, S. I. A. & RAPOSO, W. C. Adubação orgânica e mineral em mudas de romãzeira. 1. ed. Saarbrucken: Novas Edições Acadêmicas, 2017. 53p.

WERKMAN, C.; GRANATO, D. C.; KERBAUY, W. D.; SAMPAIO, F. C.; BRANDÃO, A. A. H.; RODE, S. M. Aplicações terapêuticas da Punica granatum L. (romã). Revista Brasileira Plantas Medicinais, 10:104-111, 2008.

Referências

Documentos relacionados