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BENZO(A)PIRENO EM ALIMENTOS

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BENZO(A)PIRENO EM ALIMENTOS

Mariana de Morais Sousa 1

Vera Lúcia Viana do Nascimento 2

RESUMO

Os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) são compostos formados a partir da queima incompleta de material orgânico e compreendem uma importante classe de contaminantes alimentares, muitos deles potencialmente carcinogênicos como o benzo(a)pireno (BaP). Esse composto é contaminante de diferentes tipos de alimentos, tanto de origem animal como de origem vegetal, devido principalmente a fenômenos naturais (processos geoquímicos, atividades vulcânicas e biossíntese por algas) e antropogênicos (queimadas em florestas; atividades industriais como defumação, secagem direta com madeira e torrefação; e poluição ambiental como tráfego, sistemas de aquecimento, vazamentos de óleo). Devido a isso, esta pesquisa de compilação bibliográfica visa apresentar o composto químico Benzo(a)Pireno e suas implicações como substância tóxica para o organismo humano e sua relação com os vários tipos de alimentos. Constatou-se com a pesquisa uma maior necessidade de fiscalização por parte dos órgãos brasileiros em relação à presença desse composto em alimentos.

Termos para indexação: HPAs, produtos de origem animal e vegetal, toxicidade

1 Departamento de Hospitalidade e Lazer e Produção Alimentícia. Instituto Federal de Educação, Ciência e

Tecnologia do Piauí – IFPI. [email protected]

2 Departamento de Informação, Ambiente, Saúde e Produção Alimentícia. Instituto Federal de Educação,

Ciência e Tecnologia do Piauí – IFPI.

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BENZO(A)PYRENE IN FOODS

ABSTRACT

Polycyclic Aromatic Hydrocarbons (PAHs) are compounds formed from the incomplete burning of organic material and comprehends an important category of food contaminants, most of them are potentially carcinogenic like benzo(a)pyrene (BaP). This compound is contaminant for different kind of food (vegetable and meat products), mainly due to natural phenomena (geochemical processes, volcanic activity and biosynthesis by algae) and anthropogenic (fires in forests; industrial activities such as smoking, directly to wood drying and roasting, and environmental pollution as traffic, heating systems, oil leaks). For this reason, this bibliographic search compilation seeks to present the flavonol Benzo(a)Pyrene and its implications as toxic substance for the human body and its relation with the various types of food. With this research was found that there is a urgent need for monitoring the presence of PAHs compounds in foodstuffs by the Brazilian authorities.

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INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, a contaminação de alimentos por substâncias tóxicas tem sido objeto de intensas pesquisas. Dentre essas, destacam-se os estudos relacionados aos hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs), compostos químicos que têm sido detectados em alimentos e bebidas (Caruso, 2007).

Os HPAs são compostos orgânicos formados principalmente em processos de combustão incompleta de matéria orgânica e encontram-se amplamente distribuídos na natureza como contaminantes de solos, ar, água e alimentos (Camargo e Toledo, 2002b). Esses compostos são considerados importantes contaminantes devido a seu elevado potencial genotóxico, mutagênico e carcinogênico, sendo capazes de desencadear doenças degenerativas no ser humano, dependendo da susceptibilidade genética de cada indivíduo e frequência de exposição a esses compostos (Pereira Neto et al., 2000).

Essas substâncias são consideradas genotóxicas porque possuem uma ação nociva que afeta a integridade do material genético de uma célula (DNA), todavia não constituem necessariamente uma prova de periculosidade em relação à saúde. Vale ressaltar que desses compostos genotóxicos existem alguns que podem ser mutagênicos e/ou cancerígenos, especialmente aqueles capazes de causar uma mutação genética (alteração da molécula de DNA que não é reparada durante a divisão celular), contribuindo para o desenvolvimento de tumores (Ribeiro et al., 2003)).

Dentre os HPAs carcinogênicos, destaca-se o benzo(a) pireno (B(a)P), potente carcinógeno que tem sido utilizado por diversos pesquisadores como indicador da presença desses compostos em alimentos. No Brasil, já foram feitas várias pesquisas direcionadas à determinação desta substância tóxica em produtos cárneos, óleos, gorduras e derivados, relacionando-a com seus efeitos tóxicos no organismo humano (Camargo e Toledo, 2002a).

Segundo Bettin e Franco (2005), a contaminação de alimentos e bebidas por B(a)P ocorre por meio de duas fontes principais: fontes naturais (processos geoquímicos, atividades vulcânicas e biossíntese por algas) e fontes antropogênicas, que são decorrentes da ação humana (queimadas em florestas; atividades industriais como defumação, secagem direta com madeira e torrefação; e poluição ambiental como tráfego, sistemas de aquecimento e vazamentos de óleo).

Com base no exposto, este trabalho visa apresentar o composto químico do Benzo(a)Pireno e suas implicações como substância tóxica para o organismo humano e sua relação com os alimentos.

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BENZO(A)PIRENO

Propriedades físico-químicas

Dentre os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, o Benzo(a)Pireno é um dos mais conhecidos e estudados. Sua fórmula molecular é C20H12, apresentando peso molecular de 252,3. Possui a aparência de cristais amarelo-pálido em forma de agulhas; apresenta baixa volatilidade; pontos de fusão e ebulição de 178,1 e 310-312 °C (a 10 mmHg), respectivamente; pressão de vapor a 25°C é de 2,13 x 10-5 e a constante de Henry a 20°C, 1,86x10-5. Além disso, esse composto sofre foto-oxidação quando exposto à luz solar ou radiação fluorescente (Caruso, 2007).

Como os demais HPAs, o B(a)P é lipossolúvel, apresentando coeficiente de partição octanol/água (log/Kow) igual a 6,04 e solubilidade em água a 25°C de 3,8 µg/L. Dessa forma, em sistemas aquosos, o B(a)P tende a concentrar-se em sedimentos ou permanecer associado à matéria orgânica em suspensão (Pereira Netto et al., 2000).

Aspectos históricos

De acordo com Cunha (2007), pode-se considerar como o início da química dos HPAs o isolamento do B(a)P a partir do carvão, em 1931 e, subsequentemente, a sua síntese no mesmo ano. A identificação do B(a)P como uma nova substância química, em 1933, permitiu demonstrar que esta substância era um forte agente cancerígeno em animais.

As primeiras provas dos riscos ocupacionais e ambientais dos HPAs foram obtidas em 1922 pela demonstração de que extratos orgânicos de fuligem eram cancerígenos em animais e também pela atividade cancerígena do extrato de material particulado ambiental. Posteriormente, a atividade biológica dos HPAs foi também observada em extratos de material particulado ambiental (Cunha, 2007).

O B(a)P foi identificado em fuligem doméstica e posteriormente nesses materiais particulados ambientais. Em 1970, o B(a)P e outros HPAs foram caracterizados como um agente cancerígeno de distribuição mundial, em ambientes respiráveis e como constituinte de aerossóis urbanos. Neste mesmo ano foi reconhecido o excesso de carcinogenicidade dos extratos de partículas atmosféricas até então atribuído ao B(a) P, demonstrando que a atividade cancerígena não era somente devida a esta substância, mas também à presença de outras substâncias orgânicas ainda desconhecidas e também presentes no material orgânico policíclico de fontes de emissão primárias (Costa, 2001).

Também nos anos 70 foi introduzido um método muito sensível e eficaz para a determinação da mutagenicidade de substâncias químicas, por meio de ensaios envolvendo bactérias do gênero Salmonella que ficaria conhecido como ensaio de mutagenicidade ou

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“Teste de Ames – Salmonella” em homenagem a seus autores. A partir desta época, muita atenção tem sido dada à avaliação de HPA em matrizes ambientais e biológicas (Costa, 2001).

Fontes emissoras

O B(a)P pode ser emitido por fontes naturais e antropogênicas. A contribuição das fontes naturais é muito limitada, restrigindo-se à queima de florestas e emissões vulcânicas. As fontes antropogênicas representam a principal via de produção de HPAs (Costa, 2001) e estão representadas principalmente pelos processos tecnológicos como defumação, torrefação e secagem direta com madeira.

As mais importantes fontes de emissão de B(a)P na atmosfera são: fumaça, queima de carvão e madeira, produção de alumínio, ferro e aço, aquecimento doméstico e residencial (utilização de forno à lenha e lareiras), tráfego de veículos, incêndios florestais, incineração de resíduos (Cunha, 2007).

A formação desse contaminante tem sua origem na combustão incompleta da matéria orgânica, origem essa influenciada, principalmente, por fatores como condições de reações, processos tecnológicos utilizados, temperatura, pressão e quantidade de ar, sendo a sua formação favorecida principalmente pela queima da matéria orgânica em temperaturas variando de 500 a 900°C (Meire et al., 2007), ressaltando que a combustão a partir de 350°C já produz partículas de B(a)P (Evangelista, 2000).

Acredita-se que essa combustão envolva dois processos principais: a pirólise (decomposição dos compostos de alta massa molar em estruturas menores, a maioria radicais livres) e a pirossíntese (os compostos formados durante a pirólise se recombinam para formar estruturas relativamente estáveis, entre elas B(a)P).

Os compostos que formam os HPAs, de modo geral, são metano; outros, hidrocarbonetos, carboidratos, ligninas (presentes nas madeiras), peptídeos, dentre outros. No entanto, os compostos insaturados e as estruturas cíclicas podem favorecer também a sua formação (Evangelista, 2000). De acordo com Mastrsndea et al. (2005), esses compostos são liberados da zona de combustão na forma de vapor e devido a suas baixas pressões, a maioria deles se condensa sobre partículas ou formam, elas mesmas, partículas muito pequenas; eles são liberados na atmosfera na forma de vapor e são adsorvidos pelas partículas presentes nela, produzindo a disseminação de aerossóis que contém esses compostos, que podem ser transportados a longas distâncias.

TOXICIDADE, GENOTOXICIDADE E CARCINOGENICIDADE

O potencial tóxico do Benzo(a)Pireno foi evidenciado em 1951 quando foi aplicado na pele de ratos, produzindo compostos intermediários carcinogênicos que se

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ligavam a proteínas, DNA e RNA, mostrando ser um potente carcinógeno em modelos de câncer em animais experimentais (Silva et al., 2006). Uma vez ingerido, esse composto tóxico é absorvido rapidamente por diversos órgãos de ratos e camundongos, por ser altamente lipossolúvel, sendo o fígado o órgão que apresenta os maiores níveis desse composto (Meire et al., 2007).

A glândula mamária e tecido adiposo desses animais também poderiam ser considerados significativos depósitos para o Benzo(a)Pireno, mas pela rápida degradação por processos metabólicos são demonstrados níveis não significativos; quantidades relativamente altas dos metabólitos formados ficam concentradas no trato gastrointestinal como resultado da excreção hepatobiliar (Meire et al., 2007).

Figura 1. Representação esquemática do adulto formado pela interação de B(a)P com

DNA (Caruso, 2007).

Como pode ser observado na Figura 1, após absorção pelas células, o B(a) P é metabolicamente ativado, tornando-se reativo com grupos nucleofílicos presentes em macromoléculas celulares, formando adulto de DNA, que é considerado essencial na carcinogenicidade química desse hidrocarboneto (Caruso, 2007).

Conforme afirma Cunha (2007), apesar dos efeitos tóxicos do BaP serem bem documentados, pouco se sabe sobre o mecanismo de carcinogenicidade dessa substância. Acredita-se que as posições relativas dos seus anéis aromáticos tenham um papel

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importante na determinação do nível de sua ação carcinogênica. Costa (2001) afirma que os HPAs considerados como os carcinógenos mais potentes, como o benzo(a)pireno, possuem em sua estrutura química uma região formada por ramificação sequencial de anéis benzênicos, organização esta dos átomos de carbono que confere um alto grau de reatividade bioquímica.

De acordo com o grau de exposição, a toxicidade do benzo(a)pireno pode ser aguda (exposição em curto período de tempo, mas em elevadas concentrações) ou crônica (exposição longa, e com baixas concentrações). Esses dois tipos de toxicidade geram respostas diferentes nos organismos e na comunidade como um todo. Isso dependerá também da concentração absorvida na alimentação, hábitos de fumar, poluição do ar, dentre outros fatores (Cunha, 2007).

BENZO(A)PIRENO EM ALIMENTOS

A contaminação de alimentos por B(a)P pode ocorrer por diferentes formas, incluindo contato com o solo, ar e água contaminados e pelo emprego de algumas técnicas de processamento caseiro e industrial como secagem à lenha, defumação, tostagem e grelhagem (Phillips, 1999).

Existem muitos estudos sobre a ocorrência desse composto em diversos tipos de alimentos, incluindo óleos vegetais, margarinas, maionese, produtos lácteos, frutas, vegetais, produtos defumados, chás, café, cereais, água, alimentos de origem marinha, alimentos grelhados, entre outros (Tfouni, 2005).

No caso dos óleos vegetais, a presença desses compostos é atribuída à etapa de secagem à lenha dos grãos, uma vez que essa técnica contribui para a formação dos compostos e sua presença no produto final, devido à queima dessa matéria orgânica. Embora a desodorização (etapa de filtragem do óleo bruto para retirada de substâncias indesejadas) reduza os teores totais de HPAs, seu efeito não é substancial, sendo necessário o controle do óleo bruto ou a utilização de carvão ativo por parte das indústrias de beneficiamento de óleos para remoção dessas substâncias (Toledo e Camargo, 1998).

A ocorrência de B(a)P em frutas e vegetais se deve, principalmente, à poluição ambiental. Neste caso, o material particulado se deposita na superfície destes, onde são concentrados pela camada de cera através de adsorção superficial (Camargo e Toledo, 2002c). O nível de contaminação depende da localização da plantação e da área de superfície do alimento exposta à contaminação. As plantações situadas próximas a rodovias dão origem a produtos com maiores teores de B(a)P, devido a uma maior exposição aos poluentes (Camargo e Toledo, 2002a).

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não reduzirá de forma significativa a presença desses contaminantes nos alimentos in natura, pois essa cera, assim como os HPAs, é insolúvel em água. Para minimizar a presença desses contaminantes recomenda-se, nesse caso, retirar as cascas dos alimentos quando possível, entretanto, vale lembrar que alguns nutrientes são perdidos.

A contaminação de cereais se dá de maneira análoga à de frutas e vegetais, sendo a área de cultivo um fator muito importante. Outra via de contaminação dos grãos é a secagem dos mesmos pela aplicação de gases de combustão, com os teores de B(a) P variando em função do tipo de combustível utilizado e das condições de sua queima (Camargo e Toledo, 2002b).

A contaminação do café ocorre no processo de torrefação dos grãos. Quando se prepara a bebida no modo tradicional (café coado em processo direto), 20 a 30% dos HPAs totais presentes no pó de café são extraídos para a bebida, entretanto, quando o pó de café é fervido juntamente com a água antes da filtração, forma-se um complexo HPA-cafeína que facilita a passagem dos hidrocarbonetos para a bebida, resultando em um café com maiores níveis de HPAs (Camargo e Toledo, 2002b). O que implica dizer que o café preparado de forma tradicional é menos prejudicial à saúde, se for considerado os índices totais de HPAs.

O chá geralmente apresenta níveis superiores de B(a)P em relação ao café torrado; no entanto, apenas uma pequena quantidade é transferida para a bebida durante a infusão. A contaminação do chá se dá devido à poluição ambiental aliada à secagem direta das ervas, uma vez que em algumas regiões essa etapa ainda é feita de forma rudimentar, com a chama direta da combustão incompleta da madeira (Camargo e Toledo, 2002c). Isso mostra que a secagem das folhas para preparo de chá, se for feita ao sol, tem menores chances de contaminação por essas substâncias.

A presença de B(a)P nos produtos de origem marinha se deve principalmente à contaminação ambiental que ocorre através de derramamento ou vazamento de óleo, efluentes industriais, ou de deposição de B(a)P da atmosfera. Esses compostos são absorvidos e acumulados por organismos marinhos. Em geral, os peixes apresentam maior capacidade de metabolizar os B(a)P, apresentando menor acúmulo nos tecidos. Os moluscos, por sua vez, tendem a apresentar maiores níveis de B(a)P, pois são incapazes de metabolizá-los e excretá-los (Phillips, 1999).

Em produtos defumados as partículas de B(a)P são formadas pela queima incompleta da madeira utilizada no processo. Segundo Bressan et al. (2010), a defumação, de modo geral, é dividida em três etapas. A primeira consiste na secagem do alimento em estufa, que remove a umidade superficial do alimento e também contribui para o desenvolvimento da cor do produto. Na segunda etapa, a fumaça é aplicada enquanto a temperatura da câmara é elevada. E na etapa final, que corresponde ao cozimento, o

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alimento é cozido no próprio defumador. Nessas últimas etapas, o produto alimentício encontra-se em contato com a fumaça e consequentemente com componentes de HPAs que se concentram sobre os mesmos até um valor constante (Simko, 2002).

Segundo Azeredo (2001), o controle de alguns parâmetros importantes como temperatura, distância da fonte geradora e concentração de fumaça pode contribuir para uma diminuição significativa da contaminação de produtos defumados por B(a) P. Nos processos de defumação industrial mais modernos, a fumaça é gerada numa câmara separada e tratada antes de passar à câmara de defumação. Passagem por filtros eletrostáticos e “lavagem” da fumaça (formação de fumaça líquida) são algumas das técnicas utilizadas para diminuir ou até mesmo eliminar a contaminação da fumaça por B(a)P.

A quantidade de partículas de benzo(a)pireno formada também depende da madeira utilizada no processo de defumação. Segundo Noll e Toledo (1997), do ponto de vista toxicológico, há preferência pelo uso de madeiras duras, como carvalho, bétula, mogno e tipos de nogueira, pois as madeiras macias são mais ricas em lignina e mais resinosas, tendendo a formar mais compostos cancerígenos.

Quando os alimentos são preparados em contato com a chama, como acontece com as carnes de churrasco, a gordura da carne pinga sobre o fogo, sofre pirólise e então retorna à carne na forma de fumaça, carregando os HPAs que contaminam a carne. Quanto maior o teor de gordura da carne, maior a quantidade de HPAs presente no produto, consequentemente maior teor de B(a)P (Camargo e Toledo, 2002c). Por isso, métodos que utilizam baixas temperaturas são escolhas mais saudáveis, uma vez que reduz a formação dessas substâncias.

De acordo com Caruso (2007), vários estudos vêm sendo realizados com o objetivo de avaliar quais são os alimentos ou grupo de alimentos que mais contribuem na ingestão diária de B(a)P. Esses estudos revelam que a maioria dos alimentos supracitados apresenta partículas deste composto. Além disso, tem sido verificado que as fontes de exposição variam de acordo com o país e o respectivo hábito alimentar. E, além disso, as diferentes faixas etárias também podem influenciar em uma maior ou menor contaminação, sendo a população jovem/adulta uma das mais afetadas, devido a uma alimentação inadequada com grande consumo de fast foods (sanduíches, pizzas, salgados, entre outros), refrigerantes, carnes assadas na brasa, bebidas alcoólicas, entre outros.

No grupo dos fast foods, as pizzas são as mais contaminadas pelo B(a)P, principalmente se forem preparadas em fornos a lenha (Camargo e Toledo, 2002a). Além disso, esses alimentos levam em sua composição muita margarina e maionese que são fontes de B(a)P, por causa do óleo comestível (óleo de soja) em sua constituição (Camargo e Toledo, 2000) Os refrigerantes, em especial o guaraná, também estão propícios a essa contaminação, pois durante o processamento dos frutos do guaraná para obtenção dos

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produtos, a matéria-prima passa por diversas etapas, entre elas secagem, torrefação e em, alguns casos, defumação, processos estes que podem resultar na formação de HPAs (Camargo et al., 2006).

Segundo Galinaro e Franco (2009), até mesmo as bebidas alcoólicas, bastante consumidas pelos jovens e adultos, são veiculadoras de HPAs, inclusive B(a)P. A cachaça e o rum podem sofrer a contaminação por HPAs pela queima da cana-de-açúcar durante a colheita, por meio de adição de caramelo (utilizado para a correção da coloração da bebida envelhecida) no produto final ou durante o período de maturação (envelhecimento) em tonéis de madeira cuja parte interior foi submetida à queima durante sua confecção. Os autores ainda mencionam que em bebidas preparadas a partir do malte, como o uísque escocês, a contaminação pode ocorrer durante a secagem dos maltes germinados da cevada pelo processo de defumação, e que para os uísques de origem americana, a presença dos HPAs também pode vir a ocorrer com a passagem destas bebidas em filtros de carvão vegetal utilizados para a retirada de compostos indesejáveis.

A Tabela 1 apresenta a faixa dos níveis de Benzo(a)Pireno encontrados em alguns tipos de alimentos. Esses níveis variam em função de vários fatores, como técnica de processamento utilizada, local de plantação de alimentos, dentre outros.

Tabela 1. Níveis de Benzo(a)Pireno (B(a)P) reportados na literatura para

alguns alimentos. Alimentos B(a)P(µg/Kg) Alimentos defumados nd* – 66,90 Alface 0,1 – 31,7 Óleo de oliva nd – 164,4 Óleo de soja nd – 42,90 Óleo de girassol nd – 8,0 Óleo de milho 1,51 – 58,9 Peixes e frutos do mar <0,005 – 4,54 FONTE: Camargo e Toledo (2002c).

* nd – não detectado

Como observado na Tabela 1, alguns alimentos defumados não apresentaram partículas de B(a)P. Isso pode ter ocorrido porque o método de defumação convencional está sendo substituído cada vez mais pelo emprego de fumaça líquida, uma vez que ela diminui os problemas de poluição formados pela fumaça de lenha, reduzindo e/ou eliminando as partículas de B(a)P no processo de destilação-condensação (Gonçalves e Prentice-Hernández, 1998). Além disso, técnicas de controle da formação dos HPAs em geral, e a redução da contaminação de alimentos por esses compostos tem sido incluídos como prioritários pelo Comitê conjunto FAO/OMS de Peritos em Aditivos Alimentares - JECFA (Badolato et al., 2006).

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Conforme Tfouni et al. (2007), em 1991, o JECFA recomendou a elaboração de estratégias por parte das indústrias e dos consumidores a fim de minimizar a exposição humana aos HPAs e em 2005 recomendou algumas práticas de redução dos níveis de HPAs em alimentos durante os processos de secagem e defumação. E atualmente está sendo elaborado, no Âmbito do Códex Alimentarius, um Código de Práticas para a redução dessa contaminação.

A legislação brasileira vigente estabelece limite máximo de BaP apenas para água para consumo (0,7 µg/L) (Brasil, 2004) e para aroma de fumaça (0,03 µg/kg de produto final) (Brasil, 2007). Somente alguns países possuem limites estabelecidos para um número restrito de alimentos (Simko, 2002). Na Alemanha, Áustria e Polônia, o teor máximo permitido de B(a)P em carnes defumadas é 1µg/Kg e este valor tem sido usado como limite referencial para avaliar a contaminação de outros alimentos. Para óleos e gorduras, as indústrias alemãs recomendam seus próprios limites: a soma dos resíduos dos HPAs leves não deve exceder a 25 µg/Kg, enquanto que a soma dos HPAs pesados, que inclui o B(a)P, deve permanecer abaixo de 5 µg/Kg (Camargo e Toledo, 1998).

De acordo com decisão do Comitê Científico da Alimentação Humana, da Comunidade Européia (CE), os níveis de HPAs e de B(a)P nos gêneros alimentícios devem ser reduzidos a concentrações tão baixas quanto possível. Dessa forma, através do Regulamento (CE) nº 208, de 04 de fevereiro de 2005, este Comitê determinou que se utilizasse o Benzo(a)Pireno como marcador relativo à ocorrência de outros HPAs cancerígenos e determinou limites máximos para este contaminante para alguns tipos de alimentos. Tais valores estão apresentados na Tabela 2 (CEC, 2005).

Tabela 2. Níveis máximos de BaP em alguns tipos de alimentos (em µg/kg de

peso fresco), de acordo com o Regulamento (CE) nº 208, de 04 de fevereiro de 2005, da Comunidade Européia.

Produto alimentício B(a)P (µg/Kg de peso fresco)

Óleos e gorduras 2,0

Alimentos para lactentes e

crianças 1,0

Carnes defumadas e produtos

defumados à base de carnes 5,0 Partes comestíveis de peixes

defumados 5,0

Partes comestíveis de peixes 2,0

Moluscos bivalves 10,0

Crustáceos e cefalópodes 5,0 FONTE: Caruso (2007).

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CONCLUSÃO

O B(a)P e demais HPAs formados em processos de combustão incompleta de matéria orgânica, encontram-se largamente distribuídos na natureza como contaminantes de solos, ar, água e alimentos, possuindo elevado potencial genotóxico, mutagênico e carcinogênico, sendo capazes de desencadear doenças degenerativas no ser humano. Portanto, torna-se necessária uma maior fiscalização por parte dos órgãos brasileiros, uma vez que a legislação brasileira vigente estabelece limite máximo de B(a)P apenas para água para consumo e para aroma de fumaça, sendo necessária a utilização de legislações estrangeiras como limite referencial para avaliar a contaminação de outros alimentos.

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REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO EM AGROPECUÁRIA: Experiência do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão-IFMA Campus São Luis

Maracanã, no Assentamento Diamante Negro Jutay.

Expedito da Cruz Gomes Oliveira 1

RESUMO

O presente trabalho aborda a relação entre a formação profissional agropecuária e a educação do e no campo, pautada na pedagogia da alternância, no âmbito de assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra-MST. A abordagem tem a preocupação maior com a qualidade da formação profissional e a aplicabilidade dos conhecimentos adquiridos pelos educandos, levando o desenvolvimento agropecuário ao próprio assentamento e a assentamentos de outros companheiros, que lutam pela reforma agrária no país e pela legítima educação do campo. A parceria IFMA/MST com apoio financeiro do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária-PRONERA, possibilitou, de forma inédita neste instituto, que jovens e adultos oriundos de assentamentos obtivessem a formação de Técnicos em Agropecuária e, assim, pudessem não só permanecer em seu ambiente de origem, mas intervir de forma a alterar a situação de atraso tecnológico existente no setor primário do país. Com os resultados vislumbrados a partir das observações, análises e de levantamentos realizados até o momento, mostra ser este um modelo de proposta pedagógica capaz de uma nova prática da educação do campo.

Termos para indexação: Educação do Campo, Educação Profissional Agrícola, Pedagogia da Alternância.

1 Mestrando em Educação Agrícola PPGEA-UFRRJ. E-mail: [email protected]

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Figura 1. Representação esquemática do adulto formado pela interação de B(a)P com  DNA (Caruso, 2007).
Tabela  1.  Níveis  de  Benzo(a)Pireno  (B(a)P)  reportados  na  literatura  para  alguns alimentos
Tabela 2. Níveis máximos de BaP em alguns tipos de alimentos (em µg/kg de  peso fresco), de acordo com o Regulamento (CE) nº 208, de 04 de fevereiro de 2005, da  Comunidade Européia.

Referências

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