O impacto da abertura comercial sobre o setor de papel e celulose
Texto
(2) scola de Administração tJIoe Empresas da São Paulo Da t a. {j\4. S P-OOO 06 625-0.
(3) .,.,. À Fernanda, à minha mãe. e em memória. de meu pai..
(4) FUNDAÇÃO ESCOLA. GETÚLIO. DE ADMINISTRAÇÃO. LEONARDO. O IMPACTO. VARGAS. DE EMPRESAS. DE ALBUQUERQUE. DA ABERTURA. DE SÃO PAULO. LIMA. COMERCIAL. SOBRE. O SETOR DE PAPEL E CELULOSE. Dissertação. apresentada. de pós-Graduação. ao. da FGV/EAESP. requisito. para obtenção. de mestre. em Economia. Orientador:. SÃO PAULO 1993. Curso. de. como. título. de. Empresas. Prof. Gesner. Oliveira.
(5) íNDICE. INTRODUÇÃO. ..•.......•.............•.........•....•...•. 1. CARACTERIZAÇÃO 1.1. Definição. DO SETOR DE PAPEL E CELULOSE. Estrutura. 2. do setor. ..•.........•...•...•....••. 4. internacional. 1.5. A competitividade. de papel e celulose. internacional. o. 2. CARACTERIZAÇÃO. Apêndice. DO PROGRAMA. 1 do Capítulo Federal. ligadas. 2 do Capítulo. •. •. •. DE ABERTURA. 2 - Relação. à abertura. •..... 7. das empresas. brasileiras. Governo. 2. do setor. 1.4. O mercado. Apêndice. ....•... 2. do setor. 1.2. Classificação 1.3.. 1. •. •. •. •. •. •. •. COMERCIAL. de medidas comercial. 2 - A questão. •. •. •. •. ••. .• 12. do •.......•. tributária. PROCESSO. 16. no. comércio exterior 3. DESEMPENHO. 9. 20. DO SETOR DE PAPEL E CELULOSE. DE ABERTURA. COMERCIAL. AO LONGO DO. .•.................•.•.. 22. 3.1. A exportação. de papel. e celulose. ••••••••••.••.... 22. 3.2. A importação. de papel. e celulose. •.......•........ 24. 3.3. A importação. de matérias-primas,. equipamentos. setor. pelo. 3.4. Os indicadores 3.5.. máquinas. e 29. de desempenho. .•.••.••..•.•.•.•.... Investimentos. 3.6. A abertura 4. ANÁLISE. 35. comercial. SUBJETIVA. 32. e a questão. tecnológica. DO IMPACTO DA ABERTURA. SOBRE O SETOR DE PAPEL E CELULOSE. .... 35. COMERCIAL. ............•.....•.. 40.
(6) 4.1. Questionários. e entrevistas. com executivos. das. ..... . .. ..... .. . .. . .... .... . . ... . . . . . . . .. ... . 40 .. .............. . ... . ... . .. ...... . . 40 Metodologia . ............... . ................... 42 Resultados. empresas 4.1.1. 4.1.2.. 4.2. Entrevistas sindicais celulose CONCLUSÕES. com representantes. de trabalhadores. de entidades. das indústrias. de papel e. ....... ... .. . . .. . ... . . ......... . . ............. 85. . ... .. ..... . . . . .... .... ... . .. .. .. .. . . .. ..... 88. . ... ..... ... .. ..... ... . .. . ... . ...... . . . . . ... .. .. 94 .... .. .................... ... ........... 152 BIBLIOGRAFIA. ANEXO.
(7) AGRADECIMENTOS. Ao. professor. Gesner. Oliveira, pela. importância da. Aperfeiçoamento. de. orientação recebida. À. Nivel. Coordenadoria. de. Superior do Ministério. da Educação. Pessoal. de. (CAPES), pela. bolsa de estudos. Associação Nacional dos Fabricantes de Papel e Celulose (ANFPC), principalmente ao Or. Marcello Pillar e pelas aos senhores Natal, Francisco e Marlene, À. informações recebidas sobre o setor estudado. A. todas. celulose. que. as. pessoas. participaram. ligadas da. ao. setor. pesquisa,. de. pelo. papel. e. interesse. mostrado. Aos amigos e colegas da FGV, pelo ambiente acadêmico propicio à realização deste estudo. Aos. funcionários. e estagiários da FGV, pelo apoio. imprescindivel. À. Fernanda,. à. minha. familia. e. a. incentivaram para a realização do mestrado.. todos. que. me.
(8) 1. INTRODUçAO. o. programa de abertura comercial pode gerar mudanças. estruturais significativas na economia brasileira. Surge daí a necessidade da realização de estudos de impactos setoriais para avaliação implementação desse programa.. e. acompanhamento. da. o. presente trabalho pretende contribuir para a avaliação e o acompanhamento da implementação do programa de abertura comercial ao investigar o seu impacto sobre um setor que apresenta competitividade internacional e é exportador, o setor de papel e celulose.. os. A pesquisa concentrou a atenção em dois aspectos: i) efeitos sobre o setor das medidas de política. comercial. e. industrial. ligadas. abertura. à. comercial,. divulgadas a partir de março de 1990; ii) as expectativas e o comportamento esperado das empresas quanto à continuidade da implementação do programa. Metodologicamente, baseada fontes. tanto. em. primárias,. dados quanto. a. presente. objetivos, em. dados. pesquisa. coletados de subjetivos.. esteve outras Para. a. obtenção destes últimos foi realizada pesquisa subjetiva através. de. questionários. enviados. para. as. empresas do. setor e de entrevistas com executivos e representantes sindicais dos trabalhadores. Esta dissertação está dividida em quatro capítulos. No primeiro é caracterizado o setor de papel e celulose. No segundo descreve-se o programa de abertura comercial. No terceiro analisa-se o desempenho econômico do setor ao longo do processo de abertura. No último apresentados e analisados os resultados subjetiva.. capítulo são da pesquisa.
(9) 2. 1. CARACTERIZAÇÃO 1.1. Definição. DO SETOR DE PAPEL E CELULOSE. do setor. A cadeia produtiva de papel e celulose, mostrada na Figura 1, é constituída de atividades que vão desde a plantação de uma floresta até a confecção de artefatos de papel. No presente trabalho I optou-se pela utilização da definição do setor que considera como pertencentes a ele apenas as empresas que produzam celulose, pasta de alto rendimento e/ou papel, ficando excluídas da pesquisa as empresas que tenham conversão do papel. Nos. Fluxogramas. somente. 1. e. atividade. florestal ou. do. estão. 2. Anexo. de. mostrados. esquemas bastante simplificados dos processos produtivos da celulose e do papel.. 1.2. Classificação. do setor. Embora a cadeia produtiva de papel e celulose seja um complexo com articulações internas muito fortes e poucas relações externas, como observado em UNICAMP (1990), as diversas etapas produtivas apresentam características suficientemente distintas para serem diferentemente impactadas pela abertura comercial. No presente trabalho será utilizada uma classificação do setor por empresa, escolhida por representar diferentes características de fornecedores e clientes dentro da cadeia produtiva de papel e celulose. Ela divide as empresas do setor em 3 sub-setores: 1) PAPEL; 2) PASTAS. (celulose. 3) INTEGRADAS. e pastas. de alto rendimento);. DE PAPEL E PASTAS..
(10) FIGURA 1 CADEIA PRODUTIVA DE PAI'U E CELULOSE FLORESTflS PLANIflDflS. I --. CARGAS PROD. QUIHICOS NilO-DF-OBRA AGUA ENERGI A. I. MADEIRA. rI. I. I. OUTRAS FIBRAS L '-----'-1 __. INSUMOS -.oi. j~----------------~. ------------I-----------------------------------í----,-------------------------------------------. I. l. ____________. -----------------------------. p~n~L~fE ALTO RENDIMENTO 1. ,. TRANSFORHACAO PRIMARIA. I ----------. _. PAPEL. TRANSFORHACAO SECUNDARIA. CONVERSA0 USO JNIERHEDIARIO. TRANSFORHACAO TERCIARIA. .---------1-----------------,-----------------1--------FIBRAS RECICLADIlS ------. .... I, I. I. -- -----------------j-----------------i. ! --------CONSUMIDOR. FONTE: ADAPTADO DE IPT (1992). PRODUTO .FINAL.
(11) 4. As. relações. cliente/fornecedor. existentes entre as. empresas dos sub-setores podem gerar divergências quanto a aspectos relacionados com o comércio exterior, como já ocorreu. em. congelamentos. fornecedoras externo. do. de que. celulose as. de. preços,. preferiam. empresas. quando. atender. nacionais. empresas o. mercado. fabricantes. de. papel. A classificação das empresas segundo os 3 subsetores acima está mostrada na Tabela l-A no Anexo. A Tabela 1 mostra o número de empresas que fazem parte de cada sub-setor e os seus volumes de produção em 1991. TABELA 1 COMPOSICAO DOS SUB-SETORES - 1991. DrsCRIMINACAO. NUMERO DE EMPRESAS. PAPEL. PRODUCAO (t) CELULOSE P.A.R.. TOTAL. PAPEL PASTAS INTEGRADAS DE PAPEL E PASTAS. 111 35. 1 360 956 35 716. 6 895 1 783 018. 13 534 35 526. 1 381 385 1 854 260. 57. 3 517 441. 2 556 607. 382 536. 6 456 584. TOTAL. 203. 4 914 113. 4 346 520. 431 596. 9 692 229. 1.3. Estrutura. do setor. o setor de papel e celulose no Brasil, dentro de uma caracteristica mundial, é bastante concentrado. Os quatro maiores. grupos. produtores. de. celulose são responsáveis. por 55% da produção brasileira e os 8 maiores grupos por aproximadamente. 80%. Esses valores caem para 39% e 57%. quanto considerada a produção de papel (1). Essa. caracteristica. mundial. de. concentração. é. causada por fatores tecnológicos que fazem com que a escala eficiente seja alta e reforçada pela necessidade 1 - Tabelas 2-A e 3-A..
(12) 5. de volumosos investimentos unidade produtiva. Observando. para. a. instalação. de. uma. a. tendência mundial e dentro das diretrizes governamentais da época de tornar o pais, além de auto-suficiente, exportador de papel e celulose, o BNDES, que é a principal instituição financiadora dos empreendimentos no setor, começou a exigir escala minima de produção. para. a. concessão de. financiamentos para. a. implantação de novas unidades, a partir de 1968 (2). Essa politica fez com que a auto-suficiência e a expansão das exportações ocorressem com o aumento da concentração. O setor é composto hoje, por um lado, por um grupo de. unidades. ponta,. que. de. produção. com. são as maiores. tecnologia. industrial. de. responsáveis pelo volume. de. exportações de papel e celulose. Algumas dessas unidades, inclusive, foram implantadas tendo como objetivo maior o mercado externo. Por outro lado, existem empresas de pequeno e médio porte que são voltadas principal ou exclusivamente para o mercado interno, as quais estão menos. atualizadas. do ponto. como um dos seus pontos centros consumidores.. de vista. tecnológico e têm. fortes a proximidade dos. seus. A estrutura da capacidade de produção do setor, com a distribuição das unidades produtivas entre classes de capacidade em t/dia pode ser vista na tabela abaixo. Nela podemos observar a grande diferença de escala existente entre as empresas.. 2 - BNDES (1991a)..
(13) 6. TABELA. 2. ESTRUTURA. DA CAPACIDADE. DE PRODUCAO. DE PAPEL E PASTAS. NO BRASIL. (1990). -------------------------------------------------------------------. CAPACIDADE (t/DIA). FABRICAS DE PAPEL. FABRICAS PASTAS. DE. -------------------------------------------------------------------. o 50 100 200 300 400 500 MAIS DE. 50 100 200 300 400 500 600 600. 102 41 27 9 3. 8 8 9 3. O. TOTAL. 1 5. 2 9. 188. 39. ------------------------------------------------------------------FONTE:. JAAKKO. POYRY. ENGENHARIA. LTDA.. Quanto à origem do capital, as empresas do setor são predominantemente do tipo privada de capital nacional, que correspondia em 1991 a aproximadamente 82% do capital. O capital estrangeiro correspondia a 15%, sendo o restante de origem estatal (3). A dimensão do mercado consumidor interno e o fato da expansão da produção para exportação ser relativamente recente tornam ainda modesta, embora já significativa, a participação brasileira na produção mundial - o pais era em 1992 o 110. produtor de papel e o 80. de celulose (4). Do lado da demanda pelos produtos do setor, a estrutura do consumo de papel no Brasil está mostrada na tabela abaixo.. 3 - Tabela 4-A. 4 - GAZETA MERCANTIL (1992)..
(14) 7. TABELA 3 CONSUMO DE PAPEL. POR SETOR. ------------------------------------------------------------. PARTICIPACAO NO CONSUMO (%). SETORES. -----------------------------------------------------------DE CAIXAS FABRICANTES EDITORAS DE JORNAL DE SACOS FABRICANTES GRAFICAS ARTEFATOS DE PAPEL EMBALAGENS COMERCIAIS CONSUMO DOMESTICO DIVERSOS. DE PAPELAO. 24 17 16 14 11 6 5 7. ONDULADO. E INDUSTRIAIS. 100. TOTAL. -----------------------------------------------------------FONTE:. IPT. (1992). 1.4. O mercado. internacional. de papel e celulose. Com a abertura comercial, as empresas brasileiras do setor estarão sujeitas a uma maior interação com o mercado internacional, tanto devido ao aumento das suas exportações quanto à possivel maior concorrência externa, com as. importações. de papel. então,. conhecermos. a. oferta. e e. celulose. É a. demanda. importante, no. mercado. internacional. Do. lado da oferta de celulose de fibra longa, os. maiores exportadores mundiais são o Canadá, os Estados Unidos e os paises escandinavos. Estados Unidos, Brasil, Canadá. e. Portugal. são. os. principais. exportadores. de. celulose de fibra curta. É importante observar que, no entanto, a maior parte. da produção de celulose dos paises da América do Norte é destinada à própria América do Norte. Essa produção corresponde a 50% da produção mundial. Segundo UNICAMP (1990), liA América do Norte destina sua produção de celulose para o mercado interno, aparecendo no mercado.
(15) 8. mundial quando as condições de preços e principalmente as relações cambiais são favoráveis". Os. países. escandinavos. exportam. celulose. para. o. mercado europeu e as exportações brasileiras desse produto são voltadas principalmente para a América do Norte, Europa Ocidental e Japão. Do. lado. da. demanda. de. pastas,. os maiores. países. importadores são Estados Unidos, Alemanha, Japão, Itália, Reino Unido. e França.. Com exceção dos Estados Unidos,. esses países têm um volume de produção de papel bem acima do valor para o qual suas produções de celulose seriam suficientes. O caso dos Estados Unidos configura exemplo de significativo comércio intra-industrial. Há uma tendência especializarem mais na. dos países produção de. desenvolvidos papel do que. se de. pastas. Exemplo dessa tendência é o caso do Japão, que tem uma participação importante no nicho mercadológico dos papéis especiais e faz uso intensivo de reciclados (5 ).. Na. oferta. mundial. de papel, os principais exportadores são os países escandinavos, o Canadá e os Estados Unidos. É. interessante. observar. que. a. despeito. disso,. os. Estados Unidos são o maior país importador líquido de papel (6), devido ao intenso comércio intra-industrial deste produto. Na. demanda. internacional. de. papel,. os maiores importadores, além dos Estados Unidos, são a Alemanha e o Reino Unido. Quanto ao grau de concentração da indústria, a despeito de não dispormos de dados por empresas, é notado que existem empresas que conseguem exercer poder de 5 - Ver UNICAMP (1990). 6 - Tabela 5-A..
(16) 9. mercado a nível mundial, vide as frequentes reclamações de "dumping " nos diversos países. Existe eficientes. a. tendência. terem maior. das. empresas. volume. mais. modernas. de produção, de. e. forma a. ganhar economia de escala. Confirmando esta tendência, observa-se que nos paises onde a indústria de papel e celulose é mais desenvolvida existem unidades produtivas com maior escala de produção (7). Nota-se, atualmente, a nível global, a ocorrência de um processo de fusões e aquisições de empresas, além do aumento da integração vertical, resultados dessa tendência. Quanto à formação do preço internacional, em uma das entrevistas realizadas com executivos do setor, levantouse a seguinte constatação: "A fixação dos preços internacionais é feita a partir dos ofertantes canadenses e escandinavos, que determinam o patamar para a celulose de fibra longa. Esta, por sua vez, influencia diretamente o preço da celulose de fibra curta, normalmente estabelecido em um nível mais baixo. A celulose, sendo o componente mais significativo do custo de fabricação do papel, é fator determinante. na fixação de preços desse. produto, os quais apresentam tendência cíclica, com oscilações em função de variações na oferta e demanda.". 1.5.. A. competitividade. internacional. das. empresas. brasileiras. Embora esteja competição através. crescendo a tendência mundial de diferenciação dos produtos. de do. setor, com o fator qualidade adquirindo maior importância, tanto o papel quanto a celulose podem ser considerados como produtos do tipo "corrunodity".. 7 - Tabela 5-A..
(17) 10 Segundo 1PT (1992), "os fatores-chave para a competição são os custos de produção e o preço de venda, em decorrência de: · tecnologia básica madura; · mercados consolidados com crescimento lento; · baixa lealdade do consumidor para celulose; · ciclos alternando capacidade ociosa e escassez de oferta." As empresas brasileiras têm competitividade comparável aos países de ponta na produção do papel e da celulose devido aos menores custos de produção da madeira no país. É alta a taxa de crescimento de eucaliptos e de outras árvores no país - devido à abundância de sol e ao nível adequado de chuvas - e há uma relativa abundância de terras para o plantio. As. empresas. brasileiras. inovaram. com. o. desenvolvimento da tecnologia de produção da celulose de fibra curta a partir do eucalipto, fator imprescindível para o aumento das exportações, tanto desse tipo de celulose, quanto de papel produzido a partir dele. Ainda. segundo. 1PT. (1992),. "apenas a título de comparação, no Brasil o custo da madeira para se produzir uma tonelada de celulose de fibra curta é de cerca de US$ 50 a US$ 60, com o tempo de maturação das árvores oscilando entre seis e sete anos. Este mesmo custo está estimado em US$ 75 em Portugal (tempo de maturação de doze anos), US$ 130 na França (tempo de maturação de trinta a quarenta anos) e US$ 160 na Suécia (tempo de maturação de sessenta anos)". Além das vantagens comparativas do país, contribuiu o desenvolvimento da produção nacional a convergência de outros dois fatores essenciais os. para. incentivos fiscais para as atividades de reflorestamento.
(18) 11 e o esquema de apoio financeiro do aliados à competência empresarial (8).. o. Sistema. BNDES. Por ser competitivo internacionalmente e exportador, setor de papel e celulose já foi vitima do. protecionismo do Governo brasileiro. Em 1988, devido ao não reconhecimento de patentes farmacêuticas pelo Brasil, as autoridades de comércio dos Estados unidos impuseram sanções às importações de papel para imprimir e escrever brasileiro, na forma de uma sobretaxa de 100%. As represálias só foram eliminadas em junho de 1990, num acerto diplomático entre os dois paises. Durante o periodo em que ficou fora do mercado norte-americano, as empresas brasileiras deixaram de vender, pelo menos, US$ 190 milhões (9). De acordo com UNICAMP (1990), os pontos criticos ou ameaças ao setor no Brasil são: lia)o risco de perda da vantagem de custo da madeira face a novos processos desenvolvidos no Canadá, de alto rendimento em fibra; b) a necessidade de minimizar a agressão ao meio ambiente em todas as fases do processo produtivo; c) as restrições _ rapidamente. crescentes - ao conteúdo quimico dos papéis. comercializados nos paises mais desenvolvidos da Europa; d). os. preços. elevados. dos. equipamentos. fabricados. no. Brasil; e) a precariedade, a médio e longo prazos, das disponibilidades de energia elétrica em diversas regiões brasileiras outros. e. paises. seu. alto. custo,. concorrentes. do. quando Brasil;. comparado. ao. de. f) as precárias. condições da infra-estrutura de transporte e de instalações portuárias, especialmente no tocante à qualidade dos serviços prestados e seus custos. 11. 8 - BNDES (1991a). 9 - GAZETA MERCANTIL (1990), VEJA (1988a) e VEJA (1988b)..
(19) 12 2. CARACTERIZAÇÃO. DO PROGRAMA. DE ABERTURA. COMERCIAL. Desde meados da década de setenta a economia brasileira tem sido uma das mais fechadas do mundo. Ao longo dos. anos oitenta. se fortaleceu a opinião de que. seria necessária uma maior abertura do pais ao comércio internacional. Em 1988, foi realizada uma reforma tarifária que reduziu as tarifas nominais e que teve como consequência a eliminação da redundância tarifária. O ponto fundamental das restrições não-tarifárias, no entanto, ficou intocado e a tarifa média ficou ainda elevada. Em 1989, houve outra redução geral de alíquotas, porém, no seu conjunto não se liberalizante de impacto.. configurou. nenhuma. medida. administração que tomou posse em 1990 teve como uma das suas prioridades a implementação de um programa que efetivamente abrisse a economia brasileira. O A. programa de abertura comercial estava sendo implementado através de medidas que mostravam a intenção de promover mudanças estruturais na economia, tornando-a mais competitiva. Entre os objetivos daquele programa de abertura estavam: a). modificar. a. alocação. de. recursos. direção daqueles bens comerciáveis mostrasse mais eficiente; b) aproximar o vetor de internacionais, reduzindo oligopólios e monopólios;. preços o. na. economia,. em. cuja. produção. se. internos. poder. de. dos. preços. mercado. de. c) modernização do parque industrial, mediante o acesso a novas tecnologias e bens de capital importados; d) incentivo ao investimento estrangeiro. Esse programa de abertura comercial teve sua divulgação inicial através da Medida Provisória 158, de.
(20) 13 15/03/90, que estabelecia: a) a eliminação dos regimes especiais de importação, apesar de terem sido mantidos os contratos Befiex já existentes, alguns regimes especiais de importação. (como os da área Suframa) e as reduções. tarifárias. bilaterais. ou. âmbito. Gatt. Aladi;. do. e. da. multilaterais. percentuais do Adicional Marinha Mercante - AFRMM.. b) a. ao. dos. redução. Frete. para. acordos em. 50%. Renovação. no dos da. Um aprofundamento ocorreu com a introdução de novas medidas em 26/06/90, com a divulgação do documento oficial "Diretrizes Gerais para a Política Industrial e de Comércio Exterior", sendo as principais a divulgação das metas de continuidade da política de abertura comercial, a redução do escopo de aplicabilidade da lei do similar e a eliminação dos programas de importação por empresa a partir de 01/07/90. (10) Outras início. medidas. de. acelerado. 1991, de. como. a. reduções. medidas. foram. medidas. relacionadas. desde março capítulo.. acompanharam. de. o. Plano. divulgação tarifárias. divulgadas com. de. abertura. 1990 está mostrado. 2,. no. cronograma mais. (11).. isoladamente. a. Collor Ainda O. outras. resumo. das. comercial. tomadas. no Apêndice. 1 deste. As medidas tomadas reduziram as restrições nãotarifárias (burocráticas e quantitativas) às importações e implicaram. em uma. redução progressiva. dos níveis de. proteção prevista. tarifária, com continuidade inicialmente até 1994 (posteriormente foi antecipada a conclusão do processo para 1993, para adequar os níveis tarifários ao acordo do Mercosul). O aumento da exposição da indústria brasileira à competição internacional estava ocorrendo de forma gradual. A Tabela 4 mostra o cronograma de redução tarifária. 10 - CEBRAP (1991). 11 - CEBRAP (1991)..
(21) 14 TABELA 4 O CRONOGRAMA. TARIFÁRIO. BRASILEIRO. ------------------------------------------------------------. ANO. 1989. 1990. 1991. 1992. 1993(*). 40 32.2 19.6. 20 25.3 17.4. 20 21.2 14.2. 20 17 .1 10.7. 1994(*). ------------------------------------------------------------. MODA MÉDIA ERRO PADRÃO. 40 35 20. 20 14.2 7.9. -----------------------------------------------------------Fonte:. Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento Valores previstos pelo Programa de Abertura antecipados para 01/10/92 e 01/07/93, respectivamente.. (*). As. Comercial,. reduções de aliquotas previstas para o inicio de. 1993 e 1994 foram respectivamente antecipadas outubro de 1992 e julho de 1993 e confirmadas.. para. No programa estava planejada a manutenção de tarifas de importação diferenciadas, porém agrupando os setores de forma a permanecerem poucos níveis diferentes de tarifas. As categorias de tarifas previstas eram: TABELA NÍVEIS. 5 TARIFÁRIOS. PLANEJADOS. ------------------------------------------------------------. TARIFA. TIPO DE BEM. ------------------------------------------------------------. 0%. Sem produção nacional Nítida vantagem comparativa "Commodities" com pequeno valor. 5%. Produtos. 10-15%. Com insumos. 20%. Manufaturados. 30%. Química fina, trigo descascado, biscoitos, bolachas, massas alimentícias, toca-discos, vídeo-cassetes, aparelhos de som. 35%. Automóveis,. 40%. Produtos. que jã estavam. com 5%. com tarifas. de 0%. em geral. caminhões,. motos. de informãtica. ------------------------------------------------------------. Fonte:. Ministério. da Economia,. Fazenda. e Planejamento. Reforçando o programa de abertura, observou-se, também, a tendência de reconstituição do sistema de.
(22) 15. incentivos às exportações. Dentre as medidas tomadas em fevereiro de 1992, destacaram-se o restabelecimento parcial dos incentivos à exportação com a isenção do IPI para matérias-primas utilizadas em exportáveis e a ampliação do Programa de Financiamento às Exportações (PROEX ) (12). As medidas de politica comercial visando a abertura da economia seriam acompanhadas por medidas de politica industrial, com os seguintes objetivos: a) aumentar a competitividade da indústria nacional, para fazer frente à maior concorrência externai b) aumentar a importância dos setores nacionais competitivos do ponto de vista internacional.. mais. Essas diretrizes seriam implementadas com o auxilio de mecanismos como o Programa de Competitividade Industrial (PCI), o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade (PBQP) e o Programa de Apoio à Capacitação Tecnológica da Indústria (PACTI), principalmente através de. uma. politica. de. financiamento. dirigida. para. investimentos necessários à reestruturação da indústria e à capacitação tecnológica das empresas.. das. Quanto ao setor de papel e celulose, como resultado reduções gerais de aliquotas do Imposto de. Importação,. as. aliquotas. evolução mostrada. dos. na Tabela. seus. produtos. tiveram. a. 6-A. É importante observar. que em outubro de 1992 as aliquotas já tinham alcançado os valores finais previstos pelo programa, não estando planejada nenhuma redução adicional para julho de 1993. A Tabela 7-A apresenta a evolução das aliquotas de algumas matérias-primas utilizadas pelo setor e a Tabela 8-A mostra a evolução para as máquinas e equipamentos.. 12 - CEBRAP (1991)..
(23) 16 Apêndice Federal. 1 do Capítulo ligadas. 2 - Relação. à abertura. de medidas. do Governo. comercial. Fontes: CEBRAP (1991) e jornais DCI, Folha de São Paulo, Gazeta Mercantil e O Estado de São Paulo. 1990 Março. Revogação das isenções e reduções de Imposto de Importação e IPI, de caráter geral ou especial, que beneficiavam bens de procedência estrangeira, ressalvadas algumas hipóteses de isenções e reduções. Eliminação da proibição de importação de urna lista de cerca de 1.200 produtos, através da revogação do Anexo "C" dos comunicadores 204, 208 e 235 da CACEX. Eliminação da exigência de anuência prévia do órgão da Administração Federal para importação de produtos específicos, exceto para sangue humano, produtos que causem dependência física, armas e munições, material nuclear, herbicidas e pesticidas para desfolhagem e bens para informática. Criação do Departamento de Comércio Exterior (DECEX), ligado à Secretaria Nacional de Economia do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, que assumiu as funções da Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil (CACEX) e algumas das funções da Comissão de Política Aduaneira e de outros órgãos relacionados com o comércio exterior. Fim da política das mini-desvalorizações cambiais. A taxa de câmbio passa a ser flutuante, influenciada pelo Banco Central. Dilatação do prazo para a contratação de câmbio de exportação: passa de 10 para 20 dias após o embarque da mercadoria. Aumento da alíquota sobre o lucro de exportação de 18% para 30% (fim da tributação diferenciada do lucro) e instituição dos 10% de Contribuição também para os exportadores. Redução em 50% e Adicional de Frete (AFRMM) .. prev1sao de extinção em para Renovação da Marinha. Previsão de extinção Portuária (ATP).. em. 1991. do. Adicional. 1991 do Mercante. da. Tarifa.
(24) 17 Junho. Divulgação das Diretrizes Gerais para a Politica Industrial e de Comércio Exterior (PICE), onde são esboçados o Programa de Competitividade Industrial (PCI) e o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade (PBQP) . Divulgação das metas abertura comercial.. de. continuidade. da. politica. de. Redução do escopo de aplicabilidade da lei do similar. Eliminação dos programas partir de 01/07/90. Criação (GEPS).. dos. Grupos. de. importação. Executivos. de. por. Politicas. empresa. a. Setoriais. Redução do indice minimo de nacionalização para obtenção de crédito FINAME. Redução de importações.. controles. administrativos. sobre. as. Setembro. Divulgação de medida provisória lançando o Programa de Apoio à Capacitação Tecnológica da Indústria (PACTI). Novembro. Divulgação do Programa Produtividade (PBQP).. Brasileiro. de. Qualidade. e. 1991 Janeiro. Inicio de operação do FINAMEX, linha de financiamento para o pré-embarque de mercadorias: financiamento da produção que deve ser quitado quando a mercadoria ficar pronta para o embarque. Fevereiro. Aceleração moderada do cronograma de redução tarifária. Redução das aliquotas do Imposto de Importação de vários produtos, entre eles, papéis (Portaria 89 a 117 Ministério da Economia - 20 de fevereiro de 1991). Divulgação (PCI).. do. Programa. de. Competitividade. Industrial. Isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de uma lista de 950 equipamentos e alteração do regime de.
(25) 18 depreciação acelerada 1991).. (Lei 8.191, de 27 de fevereiro de. Extinção da exigência de prazo minimo para pagamento das importações brasileiras. Março. Eliminação do Imposto de Importação para as mercadorias sem produção interna. Fim da obrigatoriedade externo para importação.. de. obtenção. de. financiamento. Abril. Inicio de operação do FINAMIN: linha de financiamento de máquinas e equipamentos à importação. Maio. Autorização para que qualquer banco que opere em câmbio possa emitir guias de exportação (operação em caráter experimental em três cidades: Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador). Junho. Autorização do pré-pagamento das exportações de qualquer produto das empresas privadas, até um ano antes do embarque, a taxas de juros livres. 1992 Fevereiro. Ampliação do Programa de Financiamento à Exportação (PROEX): a) Garantia de pagamento das equalizações das taxas de juros; b) Alteração dos prazos de financiamento; c) Alteração das taxas de juros, que passam a ser regidas pela LIBOR; d) Ampliação das listas de produtos financiáveis. Isenção de IPI para insumos nacionais (matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem) destinados a compor os produtos manufaturados a serem exportados ("draw-back" verde-amarelo). Permissão de remessa de moeda estrangeira para pagamento de despesas relacionadas com exportações. Ampliação do Regime de Tributação importações por via postal.. Simplificada. para.
(26) 19 Antecipação do cronograma de redução das allquotas Imposto de Importação, de 01/01/93 para 01/10/92 e 01/01/94 para 01/07/93. Adoção de medidas contra. práticas. desleais. de comércio.. do de.
(27) 20. Apêndice. 2. do. Capitulo. 2. A. questão. tributária. no. comércio exterior Segundo carga. fiscal. efeitos. de. e. de. tarifa. Assim,. em. do. da. importações. tarifária,. ao. daquele. importação, 62%. ao. IPI e do. ICMS. reduz. os. manter. um. CIF, e da. pela. que paga. pode-se. preço. elevada. definido. um bem de capital. IPI na. cascata. sobre. diverso. para. superior. em. lia manutenção. reforma. muito. e 8% de. final. cálculo. pela. proteção. reforma.. preço. (1992),. para-fiscal. visados. nivel dita. FUNCEX. 20%. estimar. um. função. do. incidência. de. em. taxas adicionais." Ainda. segundo. vigoravam citado. os. o mesmo. seguintes. trabalho,. cálculos. em fevereiro. na. de 1992. importação. bem. acima:. I. - Preço CIF. 11. - Imposto de Importação. 111. - IPI (8% x (I + 11». IV. - ATP. V. - AFRMM. VI. - Outras. VII. - ICMS (18% x (I + 11 + ••. VI». VIII. - Taxa de expediente. 100 (20%). 20 9,6. (50% custo tarifa. portuária). 1,5. (25% do frete). 3,0. despesas. 1,5 24,4. (1,8% FOB)(13). 1,6. Total FUNCEX carga. do. (1992). tributária. competitividade. também. é. bastante. brasileira. A desoneração. observa. que. expressiva,. no mercado. aplica-se. preço. apenas:. FOB equivalente. exportação. a. dificultando. a. internacional.. - ao IPI;. 13 - Supondo. na. a 90.. 161,6.
(28) 21. - ao ICMS que incide sobre produtos manufaturados, limitada a isenção à capacidade de recuperação do tributo que incidiu sobre os insumos utilizados na sua produção; - ao Finsocial/PIS na exportação apenas dos produtos manufaturados, e sem retroagir. Saliente-se, neste ponto, que depois de entrar em vigor a Constituição de 1988 e até o final de 1992 estava incidindo ICMS sobre as exportações de celulose, em vários Estados brasileiros, pois considerava-se que esse produto era do tipo semi-manufaturado. Pareceres técnicos de. entidades. de. pesquisa. nacionais. e. internacionais. mostraram que a celulose é produto manufaturado, por ser resultado de transformações quimicas significativas madeira, a sua principal matéria-prima.. da.
(29) 22 3.. DESEMPENHO DO SETOR DE PAPEL E CELULOSE AO LONGO DO. PROCESSO DE ABERTURA COMERCIAL. 3.1. A exportação. de papel. e celulose. As exportações brasileiras de papel e celulose vem apresentando tendência sistemática de crescimento desde o inicio da década de 70, sendo que desde 1979 o Brasil é exportador liquido de papel e celulose. Em 1991, as exportações. dos. produtos. do. setor. foram. de. aproximadamente US$ 1.240 milhões e as importações de US$ 350 milhões. Anteriormente. ao programa de abertura comercial, a. última mudança de patamar das exportações brasileiras de papel e celulose tinha ocorrido em 1988. Nesse ano, as exportações em dólares cresceram 72% em relação ao ano anterior, ficando bem acima da média histórica do setor (14). Em. 1989,. exportações,. ocorreu. uma pequena diminuição nas gerada pelo crescimento da demanda interna. naquele ano, principalmente de papel para embalagem. Ao longo do atual processo de abertura comercial, a partir de 1990, foram observadas duas ocorrências: a) o crescimento das exportações das empresas com o objetivo de manter a atividade econômica na situação recessiva que o pais atravessava (15); b) a maturação de investimentos em projetos que têm como principal alvo o mercado externo, como a ampliação da Aracruz e a implantação da Celpav. e. da. Bahia. Sul. Esses. dois. fatores. levaram ao. crescimento das exportações globais do setor em termos de toneladas. No entanto, esse esforço foi anulado em termos de dólares, devido à queda dos preços internacionais, a qual já vinha ocorrendo desde 1990 e se acentuou em 1991.. 14 - Tabelas 9-A e lO-A. 15 - IPT (1992)..
(30) 23 A queda nos preços de exportação foi particularmente importante no caso da celulose de fibra curta branqueada, o maior produto de exportação do setor. Assim, mesmo com um aumento de 37% no volume exportado de celulose entre 1989 e (16) .. 1991, houve queda de. 15% em termos de dólares. interessante observar que mesmo sendo a recessão mundial a principal causa da diminuição dos preços dos É. produtos do setor, a própria expectativa da ampliação da capacidade produtiva de celulose de fibra curta no Brasil contribuiu para que a diminuição de preços se acentuasse para esse produto (17). As exportações de que é o segundo maior cresceram 10% em termos em termos de dólares no. papéis para imprimir e escrever, produto de exportação do setor, de volume entre 1989 e 1991 e 2% mesmo período.. As exportações de papel para embalagem, terceiro maior produto de exportação, cresceram 32% em termos de volume e 14% em termos de dólares no período. Produtos cornopapéis sanitários e papelão, com baixa relação valor agregado/volume ocupado, têm dificuldade para participar do comércio internacional devido ao custo do frete. A maior parte produtos, senão quase a mercado interno.. da produção nacional desses totalidade, é destinada ao. Favorecendo o desempenho exportador do setor, salvo em alguns casos isolados, os preços internos dos produtos durante o período estudado se mantiveram abaixo dos preços externos, confirmando a tendência de longo prazo, o que está mostrado na tabela abaixo.. 16 - Tabelas 9-A e lO-A. 17 - ANFPC (1992a)..
(31) 24. TABELA PRECOS. 6 DE PAPEL. E CELULOSE. NOS MERCADOS. INTERNO. E EXTERNO,. BRASIL,. 1989/92 (*) (EM USS/t). ---------------------------------------------------------------------------------PRODUTO. 1989 (Dez.). 1990 (Dez.). 1991 (Dez.). Int./ Ext.. Int./ Ext.. Int./ Ext.. 1992 (Jun.) Int./ Ext.. ---------------------------------------------------------------------------------CELULOSE FIBRA CURTA FIBRA LONGA FIBRA LONGA. BRANQUEADA BRANQUEADA NAO-BRANQ.. PAPEL DE IMPRIMIR E ESCREVER CARTAO PARA EMBAL.DUPLEX JORNAL KRAFTLINER (PAP.ONDULADO) KRAFT (SACO DE PAPEL) PAPEIS SANITARIOS. 413/ 479/ - /. 780 810 660. 600/ 650/ - /. 660 887 660. 430/ 415/ - /. 550 600 600. 477/ 556/. 940/1 770/ 510/ 425/ 485/ 1 000/1. 050 800 547 520 530 100. 1 000/1 810/ 590/ 520/ 595/ 1 000/1. 100 810 630 560 565 000. 800/. 850. 750/ 900. 440/ 340/ 400/ 1 200/1. 520 460 480 300. 400/ 400/. 200/ 400/. 80 350. 110/ 250/. 140 420. 80/ 180/. 150 450. RECICLAGEM APARAS DE PAPo ONDULADO APARAS BRANCAS. -. /. -. /. -. /. -. /. FONTE:. GAZETA. SAO FOB-FABRICA,. PARA PAGAMENTO. A VISTA. E SEM ICMS.. MERCANTIL. 3.2. A importação. de papel e celulose. A redução das alíquotas do Imposto de Importação dos produtos do setor, compreendidos nos capítulos 47 e 48 da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias. (NBM), entre 1989. e 1991, alterou a moda dessas alíquotas de 30% para 20% (18). No mesmo período as importações brasileiras de papel e celulose cresceram 20% em volume e 13% em dólares. No entanto, em 1990 ocorreu uma pequena queda, motivada pela menor importação naquele ano de papel de imprensa e celulose (19).. o. crescimento das importações de papel foi maior para aqueles produtos do tipo "trans-commodity", onde a 18 - Tabela 6-A. 19 - Tabelas 12-A e 13-A.. 440 450. 1 200/1 400. 60/ 170/. ---------------------------------------------------------------------------------(*) - OS PRECOS. 600 580. 140 400.
(32) 25 diferenciação qualidade. é. importante. fortalece-se. na. competição. e. o. fator. em. relação ao fator preço na decisão de comprar. Os maiores crescimentos de importações foram os de papéis para fins sanitários, celulose para dissolução, papéis para embalagem e papéis para fins especiais. O produto mais importado do setor continua sendo o papel de imprensa, aproximadamente 30% do total importado em dólares.. Depois. da diminuição de. sua importação em. 1990, o valor importado em 1991 voltou a ser praticamente o mesmo. do. que. o de. líquido. de. papel. de. 1989. O país imprensa,. rígida e as variações na variações nas importações.. a. demanda. ainda é importador produção são. nacional. atendidas. é. por. Em 1992, houve denúncia de "dumping" no país, cometido pelos produtores da América do Norte e Escandinávia, que estariam descarregando seus estoques acumulados devido à recessão mundial no mercado brasileiro. É importante lembrar que este tipo de papel tem alíquota zero de Imposto de Importação devido imunidade tributária definida em norma constitucional.. que. à. As importações de papéis para imprimir e escrever, são o segundo maior produto importado do setor,. tiveram crescimento entre 1989 e 1991 de 52% em termos de volume e 17% em dólares. (20). Também para este tipo de. produto, os que forem destinados à impressão de livros, jornais e periódicos têm importação livre de tarifa por norma constitucional. A maior parte das importações de papéis para imprimir e escrever é utilizada na impressão de revistas que requerem um produto com acabamento superficial de qualidade diferenciada. Os papéis para fins especiais, terceiro tipo de produto mais importado do setor, tiveram um crescimento 20 - Tabelas 12-A e 13-A..
(33) 26 nas importações de 76% em termos de volume e de 48% em dólares durante o período (21). Fazem parte desta categoria papéis que requerem um maior conteúdo tecnológico e que são muitas vezes feitos sob encomenda: papéis para carbono, papel heliográfico, para impregnação, papéis abrasivos, filtros, papel térmico para "fax", papel para cabos elétricos, cópias sem carbono, etc. A evolução das alíquotas desses produtos pode ser vista na Tabela 6-A no Anexo. Nota-se que todos sofreram redução de alíquota no período. A importação de celulose, refletindo a queda dos preços internacionais, mesmo aumentando 5% em termos de volume, diminuiu. 29% em termos de dólares entre 1989 e. 1991. O tipo de celulose mais longa branqueada.. importado é o de. fibra. Os papéis para fins sanitários tiveram aumento de importação de 5.966'8 em termos de volume e 8.341% em dólares (22). Isso ocorreu por ser a importação desses produtos até 1989 praticamente nula e a partir dai crescerem as importações de produtos como lenços absorventes. Nota-se, no entanto, que as importações de papéis para fins sanitários são dificultadas pela baixa relação. valor. agregado/volume. ocupado. desse. tipo. de. produto, o que também ocorre para papel para embalagem. Por este motivo, desses produtos.. são pequenas as quantidades importadas. As importações de celulose para dissolução cresceram 150% em volume e 103% em dólares e as de papel para embalagem 61% em volume e 51% em dólares. As importações de papel e celulose ficaram em 1991 acima da média histórica até então (23), sendo que isto aconteceu em plena importações tendem a. situação diminuir.. 21 - Tabelas 12-A e 13-A. 22 - Tabelas 12-A e 13-A. 23 - Tabelas 12-A e 13-A.. recessiva, Também se. quando as tomarmos a.
(34) 27. relação importações de papel e celulose sobre o PIB para a década de 80, observamos que o valor para 1991 só é comparável ao de 1980, um ano depois de o pais ter se tornado exportador liquido dos produtos do setor (24). Mesmo crescendo entre 1989 e 1991, a importação de papel e celulose é pequena quando considerada sua participação no consumo aparente brasileiro, a qual era de 5% em volume em 1989 e 6% em 1991, segundo dados primários da ANFPC (para papel, celulose, pastas de alto rendimento, celulose para dissolução e aparas). Neste. ponto. é. interessante. verificarmos. redução de aliquotas do Imposto de afetando o nivel de proteção do setor.. como. Importação. a. está. Na falta de um estudo para o setor definido nesta pesquisa, baseamo-nos. em HAHN. (1992). Naquele trabalho,. feito. setores. da. existe. para o. de. diversos papel. e. papelão,. economia. que. no. brasileira,. entanto. também. engloba os produtores de artefatos de papel, papelão e de fibras não associados à produção destes. Não corresponde, portanto, exatamente ao setor objeto de estudo do presente trabalho. Naquela pesquisa foi observado que para todos os anos do programa de abertura comercial entre 1990 e 1994, a tarifa nominal do setor, ponderada pelo valor da produção, somada aos custos de transporte e ao AFRMM seria superior à. tarifa implicita, que é a tarifa que. iguala o preço da oferta internacional ao preço da oferta interna para uma dada demanda. Os valores seriam os seguintes:. 24 - Tabela 15-A..
(35) 28. Tarifa. implícita. Tarifa. nominal. 14,4. 1990. 23,13. 1991. 12,94. 1992. 10,14. 1993. 8,66. 1994. 8,51. Custos de transporte. 6,7. AFRMM. 3,4. Na mesma pesquisa, foi proteção efetiva ao longo comercial.. calculada a do programa. evolução da de abertura. A proteção efetiva é melhor indicador do grau de proteção decorrente de urna determinada estrutura tarifária do que a proteção nominal, pois leva em conta as alíquotas. dos insumos que entram na produção do bem.. Porém, a proteção. efetiva. não tem muito sentido. em termos. absolutos; mais relevante é a sua posição relativa conjunto de níveis de proteção efetiva associados diferentes setores foram os seguintes:. da. economia.. Os valores. no aos. encontrados. TABELA 7 PROTEÇÃO EFETIVA (MÉDIA PONDERADA PELO VALOR DA PRODUÇÃO). -----------------------------------------------------------------------Setor Papel e papelão. Média Simples da Ind. de Transf.. Desvio padrão. 42,2. 45,1. 52,5. 104,6 104,5 104,6 104,6. 46,7 38,8 31,0 24,6. 33,2 29,6 25,6 20,9. -----------------------------------------------------------------------Implícita Proteção efetiva 1991 1992 1993 1994. -----------------------------------------------------------------------A proteção praticamente não. efeti va do setor papel e papelão se altera ao longo do programa de.
(36) 29. abertura. comercial,. ficando. sempre. acima. da. tarifa. implícita e da média da proteção efetiva dos setores da indústria de transformação. Foram também calculados os níveis de proteção efetiva (média ponderada) para dois sub-setores de Papel e papelão: Sub-setor Celulose e pasta mecânica Implícita. -33,3. Proteção efetiva 1990. 3,6. 1991. -2,1. 1992. -2,4. 1993. -2,2. 1994. -2,0. Sub-setor Papel, papelão e artefatos de papel Implícita Proteção efetiva. 65,9. 1990. 31,9. 1991. 18,3. 1992. 14,3. 1993. 12,3. 1994. 12,4. Dividindo-se em sub-setores, a proteção efetiva de Celulose e pasta mecânica fica sempre acima da tarifa implícita e a de Papel, papelão e artefatos de papel sempre abaixo, mostrando vulnerável às importações.. 3.3.. A. importação. equipamentos. pelo. de. que. esse. sub-setor. matérias-primas,. é. máquinas. mais. e. setor. A importação de matérias-primas pelo facilitada com a redução de alíquotas do. setor ficou programa de.
(37) 30 abertura comercial. Essa redução foi significativa para alguns dos produtos, como pode ser visto na Tabela 7-A no Anexo, que mostra a evolução das alíquotas para principais matérias-primas, com exceção da madeira.. as. Observa-se, no entanto, que mesmo aumentando a importação de matérias-primas pelo setor, o impacto da redução. de. alíquotas. de. matérias-primas. deverá. ser. limitado. Para os produtores de celulose e pastas de alto rendimento ou para as empresas integradas, a madeira representa de longe o maior fator no custo de produção, sendo outras matérias-primas secundárias e, para os produtores principal demais.. de. de. papel,. as. matéria-prima,. pastas sendo. ou. as. também. aparas. são. secundárias. a as. Com o programa de abertura comercial, as alíquotas importação das máquinas e equipamentos de base. mecânica utilizados exclusivamente pelo setor, código NBM 8439, incluindo as peças de reposição, passaram de 45% em 1989 para 30% em 1991 e 20% em outubro de 1992, sem nova redução. até. o. final. do. programa.. Outras. máquinas. equipamentos utilizados pelo setor também reduções de alíquotas significativas (25).. as. e. tiveram. Até 1991, embora tenham crescido em relação à 1989, importações dessas máquinas e equipamentos de uso. exclusivo do setor ainda eram muito pequenas frente aos volumes de investimento e de custo de manutenção. Elas passaram de aproximadamente US$ 22,5 milhões em 1989 para US$ 44,8 milhões em 1991, segundo estatísticas da Receita Federal conta. (26). Esses valores são pequenos se levarmos em. que:. a). os. investimentos. realizados. no. período. 1989/1991 foram de US$ 1,7 bilhão, segundo dados da ANFPCi b) a estimativa de investimento necessários para a implantação de urna fábrica de celulose de grande porte é de. aproximadamente. 25 - Tabela 8-A. 26 - Tabela 16-A.. US$. 1. bilhão,. sendo. que.
(38) 31 aproximadamente 40% deste total é gasto com equipamentos e material (27). É. importante. equipamentos. fazer. eletrônicos. a. ressalva. de. que,. controle. de. no. entanto,. processo. não. estão computados nas estatisticas de importação citadas acima. Infelizmente, não dispomos de dados de importação desses. produtos. para. as. empresas. do. setor.. Segundo. executivos, a importação desses equipamentos está sendo importante. Um. dos. equipamentos. motivos. das. importações. de base mecânica. de. máquinas. e. serem pequenas é que os. fornecedores são, para grande parte deles, os mesmos no Brasil e no exterior. Porém, eles costumam ser mais caros no pais do máquinas e. que. lá. fora.. Segundo. UNICAMP. (1990),. "as. equipamentos. fabricados no Brasil são equivalentes aos disponiveis no exterior, até porque os fabricantes, cá e lá, são os mesmos. No entanto, por alegada insuficiência de escala de produção, os preços dos equipamentos fabricados no Brasil são 35% a 45% superiores aos produzidos no exterior". Mesmo. assim,. os fornecedores brasileiros ainda conseguem exportar parte de sua produção. De acordo com UNICAMP (1990), a Voith, importante fornecedora de máquinas de papel e de outras máquinas para o setor, tem exportado parcela. significativa de sua produção para o. Canadá, EUA, África do Sul, Áustria e diversos paises da América Latina. Outra explicação para as importações de máquinas e equipamentos de base mecânica serem pequenas é o fato de ser priorizada a compra de produtos nacionais para obtenção de financiamentos mais acessiveis do BNDES. Um terceiro motivo é a combinação dos custos de transportes com a carga tributária na importação, que. implica em custos adicionais em relação à compra de 27 - Tabela 17-A..
(39) 34. TABELA 8 DESEMPENHO. DO SETOR. DE PAPEL. Indicador. Cresc.. das vendas. 1986. 1987. 1988. 1989. 1990. 1991. 1,6 0,3. 23,5 7,9. 7,2 1,1. -2,3 0,6. -28,0 -21,6. -7,0 -7,0. 6,3 14,4. 10,7 8,5. 9,6 6,0. 15,4 9,7. 2,6 5,1. -3,3 -2,0. 6,5 5,0. 8,3 2,7. 7,6 1,7. 6,7 2,3. 3,2 0,8. -6,1 -1,0. 1,16 1,26. 1,09 1,12. 1,12 1,16. 0,89 1,09. 0,74 1,00. 0,64 0,98. 21,2 46,3. 25,2 40,6. 28,8 45,1. 30,4 43,1. 36,4 46,5. 28,1 37,1. 1,11 1,62. 1,35 1,92. 1,32 2,23. 1,43 2,42. 1,15 2,41. 0,72 1,62. (em %). Papel e celulose Mediana dos setores Rentabilidade patrimônio. E CELULOSE. do (em %). Papel e celulose Mediana dos setores Rentabilidade das vendas (em %) Papel e celulose Mediana dos setores Liquidez. geral. Papel e celulose Mediana dos setores Endividamento. geral. Papel e celulose Mediana dos setores. (em %). produtiv~ade Papel e celulose Mediana dos setores. Fonte:. Exame. Melhores. e Maiores. 1991 e 1992.. Obs. : Crescimento das vendas = vendas do último exercício sobre as do anterior, jã descontada a inflação (em %) Rentabilidade do patrimônio = lucro líquido depois do imposto de renda sobre o patrimônio líquido (em %) Rentabilidade das vendas = lucro líquido depois do imposto de renda sobre vendas (em %) Liquidez geral = ativo circulante mais o realizãvel a longo prazo sobre o total do exigível Endividamento geral = total do exigível sobre o total do ativo (em %) Produtividade = receitas operacionais sobre o total do ativo, deduzidos investimentos em outras companhias.
(40) 35. 3.5. Investimentos Nos. anos. diferenciou devido. recentes, de. outros. ao fato. foram. como. segundo. escrever. (US$ 434 milhões). 1992. para de. US$. bilhões. 4,6. o. investimentos. resultaram. da. em. Aracruz. projetos. a. e. em execução de. para. celulose. em. US$ 1. imprimir de fibra. de papel. 3.6. A abertura. à. estavam. para para. setores. e. curta. empresas e o ano. em execução bilhões,. curta. imprimir. os investimentos. recente. diminuição. economia. dos. brasileira. financiamentos. dessa. ao. setor.. BNDES (1991),. 1990. foram. Segundo Sistema. e. de imprensa.. os. pelo. em. sendo. fibra. para. para da. 1992. de. papel. papel. outros. em. de. celulose. Com a. aprovadas. aprovadas. das. de US$ 6,1. BNDES.. acessível. operações. não. de cerca bilhões. demandam. mais. investimento. de financiamento. de. também. importante. produtiva. no período. Eles. dezembro. ainda. bilhões. fonte. é. fonte,. ela 18%. BNDES em 1989 e 16%. destinadas. a. empresas. do. e celulose.. comercial. questão. desempenho. investido. capacidade. papel. de. referentes. e US$ 0,3. setor. A. são. US$ 0,4. A maior. setor. terem. em investimentos. entre. que. 1992,. branqueada,. das. se. brasileira. realizados. e para. o período. dezembro. das. celulose. Sul e da Inpacel.. para. e estudos. em projetos. ficou. e. (US$ 238 milhões).. setor. que. da. bilhão.. implicavam. As intenções. do. empresas. a ANFPC, os. principalmente. escrever. de suas. da Bahia. bilhão,. 2000,. economia. ampliação. de. do. da. a. dezembro. branqueada. setores. US$ 1,7. da Celpav,. Ainda. papel. investimentos. de. emprendimentos implantação. setor. em ampliação. a ANFPC, os. 1989/1991. de. de várias. significativamente Segundo. o. externo. e a questão. tecnológica. tecnológica. está. do. de. papel. de. domínio. conhecermos. setor o. grau. relacionada e. com. celulose. da. tecnologia. o É.
(41) 36 pelas empresas brasileiras - fator que influencia a poder de resposta das empresas às mudanças de ambiente que está ocorrendo. com. a. abertura. comercial. e. as. áreas. consideradas prioritárias em inovação tecnológica, para conhecermos os desafios que se apresentam às empresas brasileiras de ponta. De forma geral, podemos iniciar dizendo que a produção de papel e celulose utiliza tecnologia básica madura, o que facilita a difusão da tecnologia.. o. grau de domínio da tecnologia pelas empresas brasileiras· do setor varia de acordo com as etapas do processo. produtivo.. florestal,. é. bastante. principalmente. reflorestamento "no. Ele. campo. de. técnicas de. em. eucaliptos.. florestal,. o. alto. na. produção. biotecnologia. Segundo UNICAMP. Brasil. tem. a. de. (1990),. vanguarda. nas. seleção e de propagação das espécies e na. formação e exploração das florestas de eucaliptos". Na. fabricação. da. celulose,. de. pastas. de. alto. rendimento e de papel, embora importante na tecnologia de processos, geradores. o e. grau. de. domínio. detentores. de. é. menor.. tecnologia. Os. são. principais as. empresas. fabricantes de equipamentos para o setor. Nesse caso, as pesquisas. envolvendo. países de origem filiais no Brasil. Segundo brasileiros florestal. e. equipamentos. dessas. são. empresas. realizadas. nos. multinacionais. com. UNICAMP. (1990), os produtores " detêm boa posição no domínio da tecnologia da. tecnologia. de. processos,. tanto. na. fabricação da celulose quanto na do papel, especialmente utilizando fibra curta de eucalipto. Todavia, uma parcela significativa da tecnologia está incorporada nos equipamentos produtivos e, neste caso, o seu domínio é exercido externamente, por alguns poucos grandes fabricantes de equipamentos.".
(42) 37. Como os mais importantes desses grandes fabricantes de equipamentos. têm filiais no Brasil e incorporam nos. seus equipamentos o que existe de mais moderno possivel, as empresas do setor conseguem manter o estágio tecnológico da indústria no pais bastante parecido com o do exterior, mesmo sem desses equipamentos.. ter. de. recorrer. a. importações. Situação diferente ocorre com equipamentos de controle de processo. Esses equipamentos, que segundo UNICAMP (1990), "são tecnologias desenvolvidas no exterior, frequentemente em um contexto mais amplo do que o determinado pelo setor de celulose e papel, abrangendo, de modo geral, as indústrias de processo", ainda não têm produção adequada no pais, sendo mais importados. Então, na produção florestal e na tecnologia de processos, as empresas do setor conseguem adotar postura ativa. no. desenvolvimento. tecnologia de processos,. tecnológico.. Com. exceção. da. na fabricação de celulose, de. pastas de alto rendimento e de papel, as empresas apenas tem. a. opção. equipamentos tecnologia.. de. se. novos. modernizar das. através. empresas. que. da. compra. de. desenvolvem. a. Na Tabela 25-A do Anexo estão detalhados os principais pólos geradores e detentores de tecnologia, as formas de difusão e comércio de tecnologia e os indices de nacionalização verificados por itens do processo produtivo. Mesmo tecnológico. tendo das. postura ativa no desenvolvimento etapas citadas, de acordo com UNICAMP. (1990), "as atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) são relativamente modestas entre os fabricantes de papel e celulose". A despeito da tecnologia básica utilizada na produção do papel e da celulose ser madura, o segredo industrial e a legislação de patentes dos diversos paises.
(43) 38. têm criado nichos de desenvolvimento tecnológico de produtos com maior grau de diferenciação, fazendo com que empresas brasileiras adquiram tecnologia de produtos especificos de empresas estrangeiras. De acordo com UNICAMP (1990), "para algumas aplicações - por exemplo, papéis de segurança (moeda), papéis quimicos. (autocopiativos) e papéis térmicos (fax). , a tecnologia é adquirida no exterior mediante associação e/ou licenciamento do fabricante nacional. Alguns fabricantes de papéis absorventes e higiênicos também são exterior" .. licenciados por detentores de tecnologia do. Relacionados com a questão tecnológica, existem fatores que estão influenciando a atuação das empresas do setor.. o. primeiro é a questão da qualidade. Tanto para manter o mercado interno como para ampliar a participação no mercado. internacional,. as caracteristicas funcionais. como maior resistência e melhor estabilidade dimensional devem ser incrementadas. Segundo IPT (1992), "As indüstrias brasileiras, principalmente aquelas voltadas à exportação, requisitos,. estão que. procurando. também. englobam. atender. estes. novos. a adoção de medidas. e. exigências normalizadas, conhecidas como normas ISO-9000 Sistemas de Qualidade. iniciando sua implantação".. Várias. fábricas. já. estão. o. segundo é a questão ambiental. Segundo IPT (1992), liA atenção com meio ambiente tem gerado barreiras à entrada de celulose e de papéis brasileiros no mercado internacional, devido à origem da matéria-prima usada (madeira) necessitando-se provar que os produtos não se originam de madeiras de matas nativas e quanto à presença de compostos organo-clorados no produto final, já que a maior parte das indüstrias brasileiras cargas de cloro consideradas muito altas.". ainda. utiliza.
(44) 39 Na tabela abaixo consideradas prioritárias. estão mostradas as áreas em inovação tecnológica no. setor. TABELA 9 ÁREAS CONSIDERADAS. PRIORITÁRIAS. EM INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. --------------------------------------------------------------------------------. ÁREAS. DESDOBRAMENTOS. --------------------------------------------------------------------------------. Garantia da Qualidade custos compatíveis. a. Implantação da Série ISO-9000 Seleção, plantio e manejo adequado Controle de processo Desenvolvimento de especificações e normas técnicas. Otimização do processo sulfato e processos alternativos. Melhoria do índice de recuperação de produtos químicos Melhoria na eficiência energética de equipamentos Novos processos alternativos (organosolv, deslignificação estendida etc.) Aprimoramento e melhoria do desempenho de equipamentos Novos equipamentos (ultra-lavagem, novos sistemas de secagem e de evaporação de licor negro etc.). Preparação ambiente. Reflorestamento com preservação e aumento/manutenção das áreas de matas nativas Tratamento de efluentes apropriado à biodegradação de organo-clorados Biopolpação e biobranqueamento Incremento no aproveitamento de papéis usados Destinamento de papéis usados Substituição crescente de cloro no branqueamento. do meio. Papel. Utilização de cargas alternativas e novos processos de colagem Aumento da retenção de finos Novos processos na seção de secagem Acabamento superficial. Polpação de alto rendimento (PAR). Melhoria da eficiência energética dos equipamentos de refino Utilização de PAR em formulação de papéis convencionais e especiais. Recursos. Atualização continuada Cursos de formação nas áreas de celulose, papel e impressão Acervo bibliográfico atualizado Elaboração de livros técnicos, monografias especializadas. humanos. --------------------------------------------------------------------------------. FONTE:. IPT (1992).
(45) 40 4.. ANÁLISE. SUBJETIVA. DO. SOBRE O SETOR DE PAPEL. 4.1. Questionários empresas. IMPACTO. DA. ABERTURA. COMERCIAL. E CELULOSE. e. entrevistas. com. executivos. das. 4.1.1. Metodologia Foram. enviados. questionários. para. todas. as. 203. empresas cadastradas na ANFPC que tinham participado do levantamento anual do setor, feito por aquela entidade em 1991. Os contatos nas empresas para a realização da pesquisa foram indicados pela ANFPC, sendo os mesmos que costumam. participar. de. questionários, na sua diretores, gerentes. estudos. feitos. por. ela.. Os. maioria, foram respondidos por comerciais, de planejamento. econômico, de controladoria ou por assessores destes. Em algumas empresas de menor porte, os questionários foram respondidos por sócios dirigentes. Em 5 das empresas, a resposta ao questionário foi obtida juntamente com entrevistas com os executivos, que fizeram comentários adicionais e detalharam as respostas. As 19 perguntas do questionário foram elaboradas com base. nos questionários utilizados em 3 pesquisas relacionadas com a abertura comercial brasileira, sendo duas delas realizadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em 1991 e 1992 e· a outra pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) (30). Os questionários foram respondidos novembro de 1992 e 15 de fevereiro de 1993.. entre. A representatividade constatadas nas Tabelas satisfatória para pesquisa. Para o. 5. de. das respostas pode ser 10 e 11 abaixo, sendo todos os sub-setores estudados nesta conjunto do setor, 25% das empresas. 30 - Ver CNI (1991), CNI (1992) e CEBRAP (1991)..
(46) 41 responderam. ao. questionário,. sendo. essas. empresas. responsáveis por 69% da produção total do setor em 1991. TABELA 10 EMPRESAS QUE RESPONDERAM AO QUESTIONÁRIO DISCRIMINACAO. NUMERO DE EMPRESAS. PAPEL PASTAS INTEGRADAS DE PAPEL E PASTAS. 25. TOTAL. PAPEL. PRODUCAO (t) CELULOSE P.A.R.. TOTAL. 478 634 35 716. O 1 735 044. 3 042. 4. O. 481 676 1 770 760. 21. 2 426 642. 1 672 441. 310 356. 4 409 439. 50. 2 940 992. 3 407 485. 313 398. 6 661 875. TABELA 11 EMPRESAS QUE RESPONDERAM AO QUESTIONARIO (EM %) DISCRIMINACAO. NUMERO DE EMPRESAS. PAPEL. PRODUCAO (t) CELULOSE P.A.R.. TOTAL. PAPEL PASTAS INTEGRADAS DE PAPEL E PASTAS. 23 11. 35 100. O. 22. 97. O. 35 95. 37. 69. 65. 81. 68. TOTAL. 25. 60. 78. 73. 69. No sub-setor Pastas, as empresas que responderam ao questionário são quatro grandes empresas que produzem celulose, não ficando representadas na pesquisa, portanto, as empresas que produzem apenas pastas de alto rendimento.. o. resultado da pesquisa subjetiva deve estar influenciado pelo fato das últimas reduções de alíquotas de Imposto de Importação previstas para os produtos do setor de papel. e celulose terem ocorrido no início de.
(47) 42 outubro. de respondidos.. 1992,. antes. dos. questionários. serem. 4.1.2. Resultados A seguir, serão mostradas as respostas das empresas às questões, para o conjunto do setor e segundo classificação com os 3 sub-setores. As respostas foram tabuladas de duas formas, a primeira considerando o número de empresas e a segunda considerando a responsáveis.. produção. pela. qual. as. empresas. são. Para a análise das respostas, no caso de divergências entre as duas formas de tabulação, deu-se maior importância à empresas.. que. leva em conta a produção. das.
(48) 43. 1). Importou. em. 1991. (pode. assinalar. mais. de. uma. alternativa): EM % DAS EMPRESAS PAPEL. PASTAS. INTEGRADAS DE PAPEL E PASTAS. TOTAL. INSUMO. 24,0. 100,0. 52,4. 42,0. EQUIPAMENTO. 16,0. 100,0. 42,9. 34,0. 0,0. 0,0. 0,0. 0,0. BEM FINAL. PARA REVENDA. EM % DA PRODUCAO PAPEL. PASTAS. INTEGRADAS DE PAPEL E PASTAS. TOTAL. ---------------------------------------------------------------------INSUMO. 49,2. 100,0. 88,6. 88,8. EQUIPAMENTO. 42,7. 100,0. 62,5. 71,0. 0,0. 0,0. 0,0. 0,0. BEM FINAL. o o. PARA. REVENDA. setor importa insumos e equipamentos.. A resposta a essa questão mostra que é significativo número de empresas do setor que importam insumos e. equipamentos e nulo o número de empresas que importam bem final para revenda. Nota-se a tendência das empresas maiores serem mais do tipo que importa insumos e equipamentos do que as empresas menores. Dentro dos sub-setores, o que têm maior participação de empresas que importam insumos e equipamentos é o de pastas, pastas.. seguido. pelo. sub-setor. Integradas. de. papel. e.
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