Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761
Como os riscos de ordem técnica são considerados no mercado da construção:
uma análise quantitativa e qualitativa da situação atual Brasileira
How technical risks are considered in the construction market: a quantitative
and qualitative analysis of the current Brazilian situation
DOI:10.34117/bjdv6n9-616
Recebimento dos originais: 27/08/2020 Aceitação para publicação: 28/09/2020
Victor Iglesias Quitério Santiago
Mestrando em Engenharia Civil do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, na Área de Concentração em Gestão, Produção e Meio Ambiente.
Instituição: Universidade Federal Fluminense - UFF
Endereço: Rua Passos da Pátria, 156, Campus da Praia Vermelha, São Domingos, CEP 24210-240, Niterói, (RJ), Brasil.
E-mail: [email protected]
João Alberto Neves dos Santos
Doutor em Engenharia de Produção pela PUC-Rio, Professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil.
Instituição: Universidade Federal Fluminense - UFF
Endereço: Rua Passos da Pátria, 156, Campus da Praia Vermelha, São Domingos, CEP 24210-240, Niterói, (RJ), Brasil.
E-mail: [email protected] RESUMO
O artigo tem como objetivo apresentar uma avaliação a respeito de como os profissionais técnicos assimilam fatores relacionados a riscos técnicos nas atividades por eles desenvolvidas. Para isso, é realizada uma análise quantitativa e qualitativa sobre o tema. Inicialmente é realizada uma análise quantitativa das respostas de um survey que trata o tema “riscos de ordem técnica”, no qual participaram 105 profissionais de engenharia, arquitetura e outras áreas relacionadas a riscos. Em seguida, apresenta-se uma análise qualitativa dos resultados realizada através da consulta aos referenciais teóricos. Por fim, a convergência dos resultados das análises permite maior entendimento a respeito das motivações e considerações de riscos técnicos na indústria da construção brasileira.
Palavras-chave: risco técnico, engenharia civil, projetos, planejamento ABSTRACT
The article aims to present an assessment of how technical professionals assimilate factors related to technical risks in the activities they develop. For this, a quantitative and qualitative analysis is carried out on the subject. Initially, a quantitative analysis of the answers of a survey on the topic of "technical risks" is carried out, in which 105 professionals from engineering, architecture and other areas related to risks participated. Next, a qualitative analysis of the results is performed by consulting the theoretical references. Finally, the convergence of the analysis results allows a
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761 better understanding of the motivations and considerations of technical risks in the Brazilian construction industry.
Key-words: technical risk, civil engineering, projects, planning
1 INTRODUÇÃO
A Engenharia Civil é uma área que, por características muito específicas, apresenta fatores de risco muito diferentes de outras atividades. Em grande parte, isto acontece porque cada projeto que se inicia é tratado como um projeto praticamente novo, não havendo, muitas vezes, parâmetros de repetição nos empreendimentos. Por sua vez, os empreendimentos são mais suscetíveis a fatores de risco diferentes de outros, como aspectos ambientais, legais e estruturais, só para citarmos alguns. Adicionalmente para destacar este aspecto, devemos citar que na engenharia civil, quase sempre, o local onde se desenvolve o projeto em questão é um ambiente diferente do local onde se desenrola a obra, fato que por si só faz surgir incertezas que podem condicionar a qualidade final do projeto. (DE OLIVEIRA, 2018).
A complexidade envolvida em um projeto de construção civil deve ser contemplada pelo planejamento e dimensionada ao longo das etapas, desde a fase inicial até seu encerramento. Destacando que é comum surgirem divergências entre as estimativas projetadas e o que efetivamente foi realizado. Assim, deve-se considerar todos os potenciais eventos de risco que possam gerar dispersões e afetar os resultados desejados. (FREITAS, 2018)
Em países como o Brasil a execução de serviços de engenharia, principalmente em obras de menor porte, é feita de maneira artesanal, com pouco ou nenhum processo de industrialização. Tal fato potencializa riscos de vários aspectos quando se trata do setor, visto que há maior dificuldade no dimensionamento e previsão de etapas quanto ao consumo de insumos e ferramentas devido à falta de padronização e treinamentos em geral.
As evidências de riscos técnicos são tão abrangentes que seu reconhecimento ocorre em áreas que vão além do universo de construtores e incorporadores. O jurista Hely Lopes Meirelles cita que “A construção, por sua própria natureza, e mesmo sem culpa de seus executores, comumente causa danos à vizinhança, por recalques do terreno, vibrações do estaqueamento, queda de materiais e outros eventos comuns na edificação. Tais danos hão de ser reparados por quem os causa e por quem aufere os proveitos da construção. Daí a solidariedade do construtor e do proprietário pela reparação civil de todas as lesões patrimoniais causadas a vizinhos, pelo só fato da construção” (BRAGA, 2008). Apesar do reconhecimento do jurista a respeito de alguns
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761 riscos presentes na construção, o fato da alta recorrência de acidentes e embates judiciais traz uma naturalização a ocorrência de problemas dessa ordem de grandeza.
Apesar da literatura científica apresentar boa quantidade de material que aborde casos onde a gestão de riscos contribui para minimizar os resultados indesejados, poucas empresas utilizam essa ferramenta para superar os cenários desfavoráveis para sua sobrevivência (FREITAS, 2018). Em busca do entendimento a respeito de quais os riscos que as empresas de construção consideram em seus empreendimentos, foi realizada uma pesquisa com profissionais do setor.
O presente artigo apresenta inicialmente uma análise quantitativa aplicada as respostas de um survey que, dentre outros assuntos, tratava do tema Risco Técnico em obras civis. Nessa fase inicial, por meio de amostra não probabilística, 105 profissionais que atuam direta e indiretamente com gerenciamento de riscos responderam ao questionário que tratou de diferentes categorias de riscos na construção civil. Das categorias existentes no questionário, foi utilizada a de “Risco Técnico” para elaboração deste artigo. Os dados obtidos foram analisados com o auxílio do software IBM SPSS, em que, através da análise do Alpha de Chronbach, do critério Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e da Esfericidade de Bartlett, foram verificadas a confiabilidade, a validade e a objetividade desses dados, respectivamente. A partir da aceitação dos resultados iniciais foi realizada a análise fatorial exploratória, sendo verificada a significância dos fatores a partir do teste t-student, mantendo por fim aqueles que foram considerados representativos.
Em seguida, é apresentada uma análise qualitativa a respeito dos resultados com objetivo de compreender o porquê de determinados riscos serem considerados de maior importância pelos participantes da pesquisa.
A proposta desse trabalho é entender a relevância dos fatores considerados por profissionais na área de gerenciamento de riscos quando se trata da perspectiva técnica.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
De acordo com Gomes (2012), os riscos são problemas futuros que podem ser evitados ou mitigados, em contraposição com os problemas presentes que têm que ser imediatamente enfrentados. Nesta perspectiva, o risco é uma “medida” composta por uma probabilidade de um acontecimento perigoso e receado, com uma determinada magnitude de impacto, e a intensidade das consequências do evento (efeitos, danos, prejuízos, etc.). Observa-se no conceito utilizado por Gomes (2012) o risco como previsível, receado, em que o tratamento e prevenção podem ser calculados através de avaliações prévias.
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761 Ainda segundo Gomes (2012), tendo em conta que o risco não pode ser totalmente eliminado, é necessário geri-lo. A gestão de riscos é geralmente definida como o processo de tomada de decisão integrando os resultados obtidos da avaliação do risco de modo a deduzir as medidas preventivas adequadas à situação e, em seguida, implementá-las, esperando a ocorrência de determinados eventos. O procedimento pode ser dividido em um conjunto de atividades que englobam avaliação, análise, aceitação, tratamento e comunicação dos riscos.
Presente nas áreas de conhecimento englobadas pela gestão de projetos, o gerenciamento de riscos visa contribuir com melhorias na percepção e no entendimento das equipes para a correta identificação dos potenciais eventos de risco existentes nos processos. Incentiva ainda ações proativas que busquem reverter ameaças em oportunidades, dentro do espectro das incertezas presentes. (FREITAS, 2018)
A subjetividade que caracteriza a gestão do risco, torna-a num processo difícil de gerir, uma vez que, cada pessoa vê o risco à sua maneira e em função dessa percepção toma uma atitude. Assim, para determinada pessoa ou organização um risco pode ser insustentável, enquanto para outra pessoa ou organização esse mesmo risco facilmente é absorvido. Por isso, é impossível definir uma atitude exata para lidar com o risco. Cada empresa, deve estabelecer a sua estratégia e em função dela adotar a atitude que melhor permitirá obter os objetivos definidos. Mesmo assim, existem certos conselhos gerais que podem ajudar na definição da melhor atitude face ao risco. (SILVA, 2009)
Tradicionalmente, a gestão do risco tem sido aplicada instintivamente, em que a avaliação dos riscos é efetuada recorrendo à experiência e sem a adoção de uma estratégia pensada e comum a todo o ramo da construção. Cada profissional, com base em sua experiência prática, gere e aplica o problema dos riscos da forma que entende mais eficaz. (GODFREY, 1996).
Mahendra et al. (2013), destacam uma categorização ampla dos riscos mais recorrentes na indústria da construção civil, sendo eles: Técnicos, de Construção, Físicos, Organizacionais, Financeiros, Sócio-políticos e Ambientais. Dos riscos de ordem técnica, destacam-se: Projeto incompleto, especificação inadequada, investigação inadequada do local, mudança de escopo, procedimentos de construção e disponibilidade insuficiente de recursos. A respeito de riscos de construção, destacam-se: Produtividade do trabalho, conflitos trabalhistas, condições locais, falhas nos equipamentos, mudanças no projeto, padrão muito alto de qualidade e novas tecnologias.
Mesmo com a ampla disponibilidade de material resultante de pesquisa científica, a abordagem prática dos fatores de risco por parte de profissionais de engenharia ainda se mostra muito ineficiente. Tal fato é exemplificado por de Oliveira (2018) ao afirmar que as empresas de
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761 construção civil têm dificuldades de mensurar os riscos envolvendo o desenvolvimento de seus projetos, fato este baseado no grande número de variáveis envolvidas no desenvolvimento de cada empreendimento.
Apesar da dificuldade na mensuração de riscos explicitada por De Oliveira (2018), Ferreira et all (2013) indicam a importância de considerar a probabilidade de ocorrências de riscos durante a execução de todo projeto, visto que não há projeto que não sofra algum grau de incerteza que causará algum impacto. Logo, mostra-se necessário um controle proativo dos riscos que utilize processo de gestão de riscos.
Para aferição da noção de percepção de riscos em determinado setor, pesquisas estatísticas podem ser realizadas a fim de se obter uma amostra de dados que, quando validos, confiáveis e significantes, representam uma determinada população.
Confiabilidade é o grau em que uma variável ou conjunto de variáveis é consistente com o que se pretende medir. Uma forma de confiabilidade é teste/reteste, pelo qual a consistência é medida entre as respostas para um indivíduo em dois pontos no tempo. O objetivo é garantir que as respostas não sejam muito variadas durante períodos de tempo, de modo que uma medida tomada em qualquer instante seja confiável. Uma segunda medida de confiabilidade, mais comumente usada, é a consistência interna, a qual avalia a consistência entre as variáveis em uma escala múltipla. A ideia da consistência interna é que os itens ou indicadores individuais da escala devem medir o mesmo construto, e assim serem altamente intercorrelacionados (HAIR et al., 2009). Ainda segundo Hair et al. (2009), o Alpha de Cronbach é o coeficiente de confiabilidade que avalia a consistência da escala inteira mais amplamente utilizado por pesquisadores.
Validade é a extensão em que uma medida ou um conjunto de medidas representa corretamente o conceito do estudo – o grau em que se está livre de qualquer erro sistemático ou não-aleatório. A validade se refere a quão bem o conceito é definido pela(s) medida(s), enquanto confiabilidade se refere à consistência da(s) medida(s) (HAIR et al., 2009).
A avaliação da significância geral fornece ao pesquisador a informação necessária para decidir se deve proceder com a interpretação da análise ou se uma reespecificação se faz necessária. O teste de esfericidade de Bartlett é um teste estatístico da significância geral de todas as correlações em uma matriz de correlação. Ele fornece a significância estatística de que a matriz de correlação tem correlações significantes entre pelo menos algumas das variáveis. (HAIR et al., 2009).
Quando variáveis estão correlacionadas, o pesquisador precisa de maneiras para gerenciar essas variáveis: agrupando variáveis altamente correlacionadas, rotulando ou nomeando os grupos,
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761 e talvez até criando uma nova medida composta que possa representar cada grupo de variáveis. O objetivo principal da análise fatorial exploratória é definir a estrutura latente entre as variáveis na análise. Como técnica de interdependência, a análise fatorial tenta identificar agrupamentos entre variáveis (ou casos) com base em relações representadas em uma matriz de correlações. É uma poderosa ferramenta para melhor compreender a estrutura dos dados. Quando ela funciona bem, acaba apontando para relações interessantes que podem não ser óbvias a partir dos dados originais, ou mesmo a partir da matriz de correlação. (HAIR et al., 2009).
3 METODOLOGIA
Os dados foram obtidos a partir de um estudo mais abrangente que abordava diferentes riscos que impactam direta e indiretamente as obras de construção civil. O estudo teve por objetivo a identificação dos principais fatores de avaliação de risco para empresas de construção civil no Brasil. A pesquisa foi realizada inicialmente para fornecer dados necessários ao desenvolvimento da tese de doutorado “Análise de Riscos em Empreendimentos de Construção Civil no Brasil: Um Método de Aferição” do pesquisador Nylvandir Liberato Fernandes de Oliveira através do programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal Fluminense.
O estudo foi feito através de survey fechado com a participação de 105 profissionais divididos com as seguintes características:
Tabela 1 - Características dos participantes da pesquisa
DESCRIÇÃO QUANTIDADE
Formação Profissional:
- Engenheiros e Arquitetos:
- Outras áreas relacionadas a risco:
77,4% 22,6% Formação Acadêmica: - Graduação: - Pós Graduação: - Mestrado: - Doutorado: - Pós – Doutorado: 20,8% 26,4% 44,3% 4,7% 3,8% Tempo de atuação profissional, relacionado a
Engenharia ou Arquitetura: - Até 2 anos: - De 3 a 10 anos: - De 11 a 20 anos: - 21 anos ou mais: 15,1% 20,8% 18,9% 45,3% Grau de conhecimento sobre o tema: "Análise de
Risco": - Muito bom - Bom 14,2% 34,9% 24,5%
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761 - Regular - Pouco - Muito Pouco - Nenhum 12,3% 9,4% 4,7% Quantas obras e projetos de construção civil você já
conduziu ou participou? - até 10 - de 11 a 20 - de 21 a 30 - de 31 a 40 - 41 ou mais
- nunca conduzi ou participei de nenhum projeto
27,4% 17,9% 9,4% 2,8% 23,6% 18,9% Fonte: De Oliveira (2018) – Adaptado
As categorias de riscos foram divididas em blocos no questionário, sendo eles: riscos políticos, legais, econômicos, financeiros, sociais, de mercado, em decorrência de problemas ambientais de ou causas naturais, contratuais e de ordem técnica. Para este estudo foi considerada a categoria relativa aos Riscos de Ordem Técnica.
Foram realizados os seguintes questionamentos a respeito dos fatores riscos de ordem técnica no questionário:
Tabela 2 - Fatores de Risco Técnico presentes no formulário 9 – RISCOS DE ORDEM TÉCNICA
9.1 – POUCA EXPERIÊNCIA DA EQUIPE PROJETISTA – Em
consequência à pouca experiência da equipe projetista envolvida na sua concepção, a empresa deve considerar em seus projetos, o risco de ocorrer(em):
9.2 – DEFICIÊNCIAS E FALHAS DE COMUNICAÇÃO ENTRE PARTES ENVOLVIDAS (PROJETISTAS, EMPREITEIROS, DONO DA OBRA,
SUBEMPREITEIROS, CHEFES DE CANTEIROS, TRABALHADORES ETC) – Como consequência de troca de informações, orientações ou qualquer tipo de comunicação deficiente entre partes envolvidas (projetistas, empreiteiros,
subempreiteiros, dono da obra, chefe de canteiros, trabalhadores etc.), a empresa deve considerar em seus projetos, o risco de ocorrer(em):
9.3 – ATRASOS NA REGULAMENTAÇÃO OU APROVAÇÃO DO PROJETO - Por atrasos na regulamentação ou na sua aprovação, a empresa deve considerar em seus projetos, o risco de ocorrer(em):
9.4 – ERROS DE PROJETO - Devido a erros concebidos na sua concepção, a empresa deve considerar em seus projetos, o risco de ocorrer(em):
9.5 – SUCESSIVAS ALTERAÇÕES AOS PROJETOS - Devido a sucessivas alterações ocorridas no projeto, a empresa deve considerar em seus projetos, o risco de ocorrer(em):
9.6 – INFORMAÇÕES INCOMPLETAS - Por receber informações incompletas relativas ao projeto contratado, a empresa deve considerar em seus projetos, o risco de ocorrer(em):
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761 9.7 – ELEVADA COMPLEXIDADE DO PROJETO - Devido a elevada
complexidade envolvida, a empresa deve considerar em seus projetos, o risco de ocorrer(em):
9.8 – DEFICIÊNCIAS NAS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS A ELABORAÇÃO DA PROPOSTA DA OBRA - Devido a deficiências nas
informações apresentadas para a elaboração da proposta, a empresa deve considerar em seus projetos, o risco de ocorrer(em):
9.9 – FALTA DE EXPERIÊNCIA EM PROJETOS SEMELHANTES - Devido à falta de experiência em projetos semelhantes, a empresa deve considerar em seus projetos, o risco de ocorrer(em):
9.10 – RISCOS DE SINISTROS EM PONTOS CRÍTICOS DA FASE DE EXECUÇÃO - Por erros na fase de execução, a empresa deve considerar em seus projetos, o risco de ocorrer(em):
9.11 – RISCOS EM OBRAS DE RECUPERAÇÃO OU DE REFORMA SUCESSIVAS - Causados por obras de recuperação ou de reformas excessivas, a empresa deve considerar em seus projetos, o risco de ocorrer(em):
Fonte: Autor
Para cada pergunta (Fator de Risco), havia respostas (Eventos de Risco) no qual o participante indicava a relevância da opção em relação ao questionamento. O grau de relevância foi dividido em uma escala Likert de 1 a 5, da seguinte forma:
Tabela 3 - Escala Likert adotada DISCORDO COMPLETAMENTE DISCORDO NEM CONCORDO E NEM DISCORDO CONCORDO CONCORDO COMPLETAMENTE 1 2 3 4 5 Fonte: De Oliveira (2018)
Obtidos os dados dos questionários, a partir da utilização do software IBM SPSS foram realizados testes estatísticos a fim de se propiciar uma análise quantitativa dos dados. As etapas da análise são apresentadas em mais detalhes na análise de resultados.
Após a análise quantitativa dos resultados, foram analisados qualitativamente os riscos considerados de maior importância pelos participantes com base nos referenciais teóricos do assunto.
Por fim, a partir da relação das análises quantitativa e qualitativa, são abordadas causas e consequências que estruturam e justificam os resultados encontrados.
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761 4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
Inicialmente foi realizada a avaliação de confiabilidade através da correlação entre as respostas de cada evento de risco relacionado a um fator de risco utilizando o Alfa de Cronbach.
Tabela 4 - Resultados Alpha de Cronbach Fatores de Risco Nº de Eventos de Risco Alpha de Cronbach 9.1 5 0,88 9.2 5 0,93 9.3 3 0,83 9.4 6 0,93 9.5 5 0,90 9.6 4 0,86 9.7 6 0,91 9.8 4 0,86 9.9 8 0,94 9.10 11 0,96 9.11 5 0,88 Fonte: Autor.
O Alpha de Cronbach é uma medida de confiabilidade que varia de 0 a 1, sendo os valores de 0,60 a 0,70 considerados o limite inferior de aceitabilidade (HAIR et al.,2009). Como pode-se observar, todos os valores do coeficiente foram superiores a 0,7, sendo o menor calculado em 0,83, indicando alta confiabilidade dos resultados apresentados.
Satisfeitas a verificação da confiabilidade, foi realizado o teste de Medida Kaiser-Meyer-Olkin de adequação de amostragem e esfericidade de Bartlett, a fim de se verificar a adequação da aplicação da análise fatorial.
Tabela 5 - Resultados de teste KMO e Esfericidade de Bartlett
Item KMO Esfericidade de Bartlett
Qui-quadrado aprox df Sig.
9.1 0,82 300,59 10,00 0,00 9.2 0,87 477,80 10,00 0,00 9.3 0,66 141,63 3,00 0,00 9.4 0,88 557,53 15,00 0,00 9.5 0,85 302,47 10,00 0,00 9.6 0,77 215,89 6,00 0,00 9.7 0,83 435,59 15,00 0,00 9.8 0,80 260,31 6,00 0,00
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761
9.9 0,92 679,00 28,00 0,00
9.10 0,93 1252,35 55,00 0,00
9.11 0,83 290,85 10,00 0,00
Fonte: Autor.
O índice de KMO, também conhecido como índice de adequação da amostra, é um teste estatístico que sugere a proporção de variância dos itens que pode estar sendo explicada por uma variável latente. O índice pode variar de 0 a 1, em que valores iguais ou próximos a 0 indicam que a soma das correlações parciais dos itens avaliados é bastante alta em relação à soma das correlações totais (HONGYU,2018). Conforme explicitado por Hongyu (2018), a regra para interpretação dos índices de KMO segue:
Tabela 6 - Intervalos de Interpretação de Índice KMO
Inaceitável Medíocre Bons Ótimos Excelentes Inferior a 0,5 entre 0,5 e 0,7 entre 0,7 e 0,8 entre 0,8 e 0,9 superior a 0,9 Fonte: Autor.
Excetuando-se o item 9.3, que apresentou índice KMO igual a 0,66, os outros apresentaram resultados iguais ou superiores a 0,77, considerados de bons a excelentes para análise fatorial. Visto isso, os resultados do item 9.3 foram desconsiderados na análise fatorial.
O Teste de esfericidade de Bartlett é um teste estatístico da significância geral de todas as correlações em uma matriz de correlação. Um teste de esfericidade de Bartlett estatisticamente significante (sign. < 0,05) indica que correlações suficientes existem entre as variáveis para se continuar a análise (HAIR et al.,2009). Observa-se a partir dos resultados apresentados valores inferiores a 0,01, indicando correlações suficientes para se proceder a análise fatorial exploratória. Validadas a confiabilidade e adequação a análise fatorial, extraiu-se as estatísticas da amostra e aplicou-se o teste t de Student para valor 4.
O poder de um teste estatístico é definido como a probabilidade de rejeitar a hipótese nula, dado que a mesma é falsa. Na prática, é importante que se tenham testes com nível de significância próximos do nível de significância nominal e que o poder seja alto, mesmo em situações de amostras pequenas. Na suposição de amostras provenientes de uma distribuição Normal, hipóteses da forma H0 : µ = 0 versus H1 : µ ≠ 0 podem ser avaliadas a partir da estatística t-Student. (BARROS e MAZUCHELI, 2005).
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761 Dos resultados obtidos em cada um dos itens, foram separados aqueles que tiveram média de pontuação acima de 4, indicando concordância com base na escala Likert de referência da pesquisa, e com significância abaixo de 0,05 no Teste t-student, indicando alta confiabilidade do resultado.
Tabela 7 - Resultados Relevantes da Análise Estatística
Estatísticas de uma amostra Teste t-student na amostra - Valor do teste = 4
9.x - Questionamentos (Fatores de Risco)
9.x.x - Respostas (Eventos de Risco)
N Mé dia De svio pa drã o E rro padrã o da médi a t d f S ig. (2 extre mi da de s) D ife re n ça média 95% Intervalo de confiança da diferença I nferior S uperior 9.1 – Pouca experiência da equipe
projetista
9.1.1 Erros no projeto materialmente realizado. 1 05 4 ,20 , 924 , 090 2 ,218 1 04 0 ,029 0 ,200 0 ,021 0 ,379 9.1.2 Atrasos no cronograma de realização do projeto. 1 05 4 ,18 , 852 , 083 2 ,175 1 04 0 ,032 0 ,181 0 ,016 0 ,346 9.1.3 Aumentos nos custos do projeto.
1 05 4 ,22 , 855 , 083 2 ,626 1 04 0 ,010 0 ,219 0 ,054 0 ,384 9.1.5 Perdas materiais na obra, devido
à erros produzidos por falhas no projeto. 1 05 4 ,21 , 885 , 086 2 ,427 1 04 0 ,017 0 ,210 0 ,038 0 ,381 9.2 – Deficiências e falhas de
comunicação entre partes envolvidas
9.2.1 Prejuízos no projeto. 1 05 4 ,19 , 845 , 082 2 ,311 1 04 0 ,023 0 ,190 0 ,027 0 ,354 9.2.3 Conflitos entre partes envolvidas
no projeto. 1 05 4 ,20 , 801 , 078 2 ,557 1 04 0 ,012 0 ,200 0 ,045 0 ,355 9.2.4 Atrasos no cronograma de realização do projeto. 1 05 4 ,19 , 786 , 077 2 ,484 1 04 0 ,015 0 ,190 0 ,038 0 ,343 9.4 – Erros de projeto 9.4.1 Atrasos no cronograma de realização do projeto. 1 05 4 ,22 , 772 , 075 2 ,908 1 04 0 ,004 0 ,219 0 ,070 0 ,368 9.4.2 Aumentos nos custos do projeto.
1 05 4 ,19 , 822 , 080 2 ,376 1 04 0 ,019 0 ,190 0 ,031 0 ,349 9.4.5 Prejuízos. 1 05 4 ,22 , 832 , 081 2 ,698 1 04 0 ,008 0 ,219 0 ,058 0 ,380 9.4.4 Danos à sua imagem afetada por
produzir a obra com erros de projeto.
1 05 4 ,17 , 860 , 084 2 ,043 1 04 0 ,044 0 ,171 0 ,005 0 ,338 9.5 – Sucessivas alterações aos
projetos 9.5.1 Atrasos no cronograma de realização da obra. 9 7 4 ,33 , 718 , 073 4 ,527 9 6 0 ,000 0 ,330 0 ,185 0 ,475
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761 9.5.2 Aumentos nos custos do projeto.
1 05 4 ,33 , 675 , 066 5 ,063 1 04 0 ,000 0 ,333 0 ,203 0 ,464 9.5.3 Conflitos entre partes envolvidas
no projeto. 1 05 4 ,22 , 832 , 081 2 ,698 1 04 0 ,008 0 ,219 0 ,058 0 ,380 9.5.5 Prejuízos. 1 05 4 ,18 , 757 , 074 2 ,450 1 04 0 ,016 0 ,181 0 ,034 0 ,327 9.6 – Informações incompletas 9.6.1 Atrasos no cronograma de realização da obra. 1 05 4 ,19 , 695 , 068 2 ,810 1 04 0 ,006 0 ,190 0 ,056 0 ,325 9.6.2 Aumentos nos custos do projeto.
1 05 4 ,22 , 734 , 072 3 ,060 1 04 0 ,003 0 ,219 0 ,077 0 ,361 9.8 – Deficiências nas informações
necessárias a elaboração da proposta da obra 9.8.2 Atrasos no cronograma de realização do projeto. 1 04 4 ,17 , 769 , 075 2 ,296 1 03 0 ,024 0 ,173 0 ,024 0 ,323 9.8.4 Erros no projeto materialmente
realizado. 1 03 4 ,17 , 720 , 071 2 ,464 1 02 0 ,015 0 ,175 0 ,034 0 ,315 Fonte: Autor.
A partir dos resultados encontrados para os eventos descritos, optou-se por agrupá-los de acordo com os seguintes assuntos:
a. Inconsistência no Produto Entregue: relativo à opção “erros no projeto materialmente realizado”
b. Temporal: relativo as opções de atrasos no cronograma de projetos e da obra. c. Financeiro: relativo ao aumento nos custos do projeto e prejuízos
d. Relacionamento: relativo a conflitos entre as partes envolvidas no projeto e danos à imagem da empresa por conta de obras com erros de projetos.
Tabela 8 - Consolidação de Resultados em Grupos de Análise
Fonte: Autor. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Produto Entregue Temporal Financeiro Relacionamento
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761 Como resultado, dos itens em que na média houve concordância a respeito da preocupação com riscos de ordem técnica (média maior ou igual a 4 na escala Likert), observa-se maior ênfase dos participantes do questionário para fatores relacionados diretamente ao financeiro (8 eventos), seguidos de fatores relacionados ao prazo (6 eventos), relacionamento com stakeholders (3 eventos) e, por fim, a qualidade do produto entregue (2 eventos).
5 DISCUSSÃO
Considerando que o questionário completo comtemplava blocos específicos para riscos de ordem econômica e financeira, seria plausível esperar que o bloco de riscos de ordem técnica indicasse eventos mais relevantes relacionados aos processos de projeto, construção e qualidade do produto entregue, visto que são impactados diretamente pelas decisões técnicas adotadas.
No entanto, os resultados da pesquisa indicam que riscos relacionados a custo e prazos sobrepõem outras preocupações, como as relacionadas a sinistros, relações humanas, qualidade do produto entregue e imagem da empresa.
A exemplo, a baixa pontuação obtida para relevância dos “RISCOS DE SINISTROS EM PONTOS CRÍTICOS DA FASE DE EXECUÇÃO” (fator de risco 9.10) evidencia a forte descrença na possibilidade de acidentes durante a execução, fato este de caráter exclusivamente técnico e operacional.
Corroborando com os resultados quantitativos da análise estatística, na pesquisa científica também se observa-se a tendência para maior relevância de indicadores relacionados a cronograma e custos quando se trata de construção civil.
5.1 PERSPECTIVA DE CUSTOS E PRAZOS
Produtos imobiliários e obras em geral tendem a ter valores maiores que produtos com maior rotatividade e liquidez no mercado. O alto valor agregado ao produto final relaciona-se a quantidade de capital investido em forma de material, mão de obra, projetos, dentre outros. Também vale destacar que são produtos com cronograma de fabricação mais longo. O alto custo associado e os prazos mais longos de desenvolvimento do produto tornam evidentes a maior preocupação por parte dos profissionais da área com os fatores financeiros e temporal, visto que esses impactam significativamente no resultado das empresas no mercado.
De acordo com trabalho realizado por Freitas (2018), existe um consenso de que os indicadores mais relevantes para a análise dos resultados de um projeto são associados aos
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761 cronogramas e aos custos. Tal evidência aponta o modo como empresas de engenharia civil avaliam o desempenho dos projetos desenvolvidos.
Na maioria das vezes o risco é tratado com viés mais generalista, englobando recursos financeiros e variações temporais que não são determinadas com base em uma análise específica para determinado projeto. Em muitos casos, essas provisões são claramente insuficientes para cobrir as consequências dos riscos que ocorrem durante a realização do projeto. Então, na maioria dos casos, os projetos terminam com custos excedentes e atrasados. (SERPELLA et. al, 2014)
5.2 PERSPECTIVA DO PRODUTO ENTREGUE E RELACIONAMENTO
Majid (2006) indica a qualificação de projetos como bem-sucedidos na construção como sendo aqueles que apresentam sua conclusão dentro do cronograma estabelecido, cumprem os orçamentos definidos e atendem todas as especificações definidas entre as partes interessadas. Neste conceito, observa-se que a qualidade do produto entregue também aparece como um dos parâmetros a serem avaliados, em que o atendimento aos requisitos acordados entre as partes consta como critério de aceitação.
Apesar da extensa bibliografia que trata custos, prazos e qualidade do produto final como parâmetros de avaliação de desempenho por profissionais e empresas do setor de construção civil, conceitos relacionados ao relacionamento entre os stakeholders ainda não são tão frequentemente adotados.
No que tange aos relacionamentos entre profissionais responsáveis pelo planejamento e execução da obra, destacam-se problemas relacionados a comunicação, qualificação profissional, integração de projetos, dentre outros, como pode ser observado nas respostas do questionário do presente artigo.
Freitas (2018) aborda a comunicação no âmbito profissional para criar relacionamentos e facilitar o sincronismo dos processos entre organização e os indivíduos. A ampliação das dimensões da comunicação organizacional possibilita elevados ganhos de produtividade e otimização dos processos na construção civil.
O gerenciamento das informações e do conhecimento de um projeto de construção é uma parte essencial de uma iniciativa de gerenciamento de risco de projeto bem-sucedida. Uma abordagem de gestão do conhecimento pode ser uma estrutura interessante e útil para melhorar as deficiências do processo de gestão de risco. (SERPELLA et. al, 2014)
De acordo com Muller e Saffaro (2011), os projetos, apesar da evidente importância, apresentam falhas como incompatibilidades entre as diferentes partes funcionais da edificação,
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761 insuficiente detalhamento das informações e deficiências na comunicação das decisões do projetista. Essas falhas resultam em uma parcela significativa dos problemas enfrentados durante a construção e o uso do edifício.
5.3 INTEGRAÇÃO COMO FORMA DE REDUÇÃO DE RISCOS
Aliando-se a baixa qualificação dos profissionais com falhas e deficiências dos projetos, potencializa-se a ocorrência de riscos de caráter meramente técnico operacional durante o planejamento e execução da obra. No entanto, apesar das causas originarem-se em motivações técnicas, os problemas gerados pelas insuficiências refletem-se em números, seja por meio de custos superiores aos previstos por conta de desperdícios e retrabalhos, assim como os atrasos de entrega gerados na obra.
Em contrapartida ao ambiente contraproducente de obras resultado de motivações técnicas, existem fatores que minimizam problemas operacionais, tais como uma gestão integrada dos projetos com a participação de todos os agentes envolvidos no planejamento e execução do empreendimento.
Silva et al (2019) abordam a necessidade de integração mínima entre as equipes da obra para racionalização dos processos de implementação do projeto. A falta de integração resulta, dentre outros fatores, da falta de comunicação entre os envolvidos e as incompatibilidades na obra. Dentre as formas de se reduzir problemas de comunicação e interação dos envolvidos no planejamento e execução dos projetos, métodos como a Engenharia Simultânea surgem a fim de se otimizar processos através de cooperação dos agentes.
O conceito de projeto simultâneo inclui a consideração antecipada e global das repercussões das decisões de projeto face à eficiência dos processos produtivos e à qualidade dos produtos gerados, levando em conta aspectos como construtibilidade, habitabilidade, manutenibilidade e sustentabilidade das edificações (MELHADO, 1999).
De acordo com Feitosa e Sakamoto (2020), a Engenharia Simultânea conduz os desenvolvedores a considerar todos os elementos do ciclo de vida do projeto, desde a concepção até a entrega aos usuários, compreendendo a qualidade, os custos, a programação e a satisfação das necessidades e requerimentos dos usuários. Tem como linha condutora a execução em que todos os setores da produção trabalhem de forma integrada, o que traz melhor aproveitamento dos recursos e diminui os riscos de erros no processo definido.
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761 6 CONCLUSÃO
Os resultados apresentados na pesquisa quantitativa corroboram com o observado nos referenciais teóricos, prevalecendo preocupações com custos e prazos frente aos outros indicadores das obras.
No entanto, como pode ser observado, os indicadores de custos e prazos, muitas vezes, apenas refletem problemas técnicos e de comunicação entre os envolvidos no desenvolvimento dos projetos.
Uma vez entendido que custos e prazos são consequências de outros fatores, mudanças estratégicas na cadeia produtiva podem gerar resultados mais eficientes do que apenas tratar os problemas finais dos resultados. Conforme apresentado por Godfrey (1996), o custo real do risco é muito maior do que o aparente.
Para que mudanças na cadeia produtiva sejam feitas de forma mais efetiva quanto a geração de melhores indicadores financeiros e de prazos, é necessário que sejam realizadas avalições e estudos prévios a execução dos projetos. Dessa forma, permite-se mapear os potenciais riscos, organizar as equipes de trabalho e, consequentemente, gerar projetos e planejamentos mais fiéis a futura execução.
Custos relacionados a prevenção de riscos técnicos, como maior investimento em estudos, planejamento e projetos, geram economia e prazos mais assertivos, visto a menor necessidade de retrabalhos, menor ociosidade da mão de obra e desperdícios de materiais. No entanto, a relação direta da economia gerada pelas medidas preventivas não é fácil e diretamente calculada.
Unindo-se a descrença de riscos de sinistros na execução de obras, a falta de cultura de investimento em planejamento e projetos, o caráter temporário das relações contratuais advindas das mudanças frequentes de localização dos canteiros e mão de obra em que se predomina a baixa qualificação profissional, muitas empresas de construção no Brasil perpetuam a não consideração de forma relevante de riscos técnicos em suas obras.
Como resultado, o setor de construção civil passa a absorver os custos advindos de riscos técnicos não estudados, e os interpreta como fatos correntes e normais no setor de construção, desconhecendo na prática os benefícios que poderiam ser gerados se fossem adotadas medidas preventivas.
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 9, p. 72342-72359, sep. 2020. ISSN 2525-8761 REFERÊNCIAS
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