Recebido em 20/08/2020 | Aceito em 25/09/2020 | Publicado em 01/10/2020
Os saberes museais dos mediadores
The mediators museal knowledge
Anatóli Nascimento Berdnikoff
Universidade Federal do ABC [email protected]
http://orcid.org/0000-0003-0764-0150
João Rodrigo Santos da Silva
Universidade Federal do ABC [email protected]
http://orcid.org/0000-0002-8342-8875
Resumo
Os saberes museais, são saberes relacionados aos espaços de educação não formal, desde os seus aparatos e o conhecimento científico atrelado a eles, bem como as interações/comunicações que ocorrem dentro dos museus. Neste artigo foi realizado estudo envolvendo sete mediadores de um espaço de educação não formal, com o objetivo de analisar seus discursos relativos aos saberes utilizados na visitação, e suas concepções sobre o museu e a formação de mediadores. Para tanto, os mediadores foram acompanhados em visitas de grupos escolares ao local, e entrevistados. A partir dos dados coletados e dos referenciais teóricos sobre saberes docentes e de museus, foram construídos os Saberes dos Mediadores Museais. Estes saberes remontam significados oriundos das falas provindas de entrevistas e das visitas mediadas, possibilitando novos significados para seus discursos. O estudo sugere uma nova classificação de saberes museais através da análise dos discursos dos mediadores, o que pode promover uma reflexão no uso de metodologias e práticas de ensino-aprendizagem utilizada em museus bem como o uso de tais saberes para a formação de profissionais tanto nas universidades como nestes espaços.
Palavras-chave: Saberes museais. Educação não formal. Mediadores. Museus. Discurso. Abstract
Museal knowledge, are knowledges related to non-formal education spaces, from their objects and the scientific knowledge attached to them, as well as the interactions/communications that occur within museums. In this article, a study involving seven mediators from a non-formal education space was carried out, in order to analyze their speeches related to the knowledge used in visits and their conceptions about the museum and the training of mediators. For this, the mediators were accompanied on visits
of school groups in the museum and interviewed. From the collected data, and theoretical references on teaching and museal knowledge, the Knowledge of Museal Mediators was built. These knowledges go back to meanings coming from the speeches of the interviews and mediated visits, enabling new meanings for their speeches. The study suggests a new classification of museal knowledges, through the analysis of mediators’ speeches, which can promote a reflection in the use of methodologies and teaching-learning practices used in museums, as well as the use of such knowledges for the training of professionals both in universities and in these spaces.
Keywords: Museal knowledge. Non formal education. Mediators. Museums. Discourse.
Introdução
Os espaços de educação não formal atendem a uma premissa educacional organizada e sistemática fora dos quadros do sistema formal de ensino, e, que suprem algumas carências de recursos pedagógicos da escola (BIANCONI; CARUSO, 2005). Os primeiros museus de ciência, denominados “gabinetes de curiosidades”, surgidos no século XVI na Europa, abarcavam coleções científicas de objetos da natureza e artefatos históricos, provindos das navegações (MARANDINO; SELLES; FERREIRA, 2009, p.154), porém não eram acessíveis à visitação pública, ficando restrito somente a um público seleto (CAZELLI; MARANDINO; STUDART, 2003).
No início de sua existência, os centros de ciência foram dando espaço ao público geral, porém este ainda era reduzido a especialistas da área, alunos universitários e cientistas, sendo que o público leigo pouco usufruía do espaço (CHAGAS, 1993). Este fato se devia, em grande parte, à uma atmosfera museal que não era atraente para o público inexperiente, sendo que a rigidez de seus espaços e exposições, e a não contextualização das exposições tornava essa visita pouco didática (CHAGAS, 1993).
No entanto, segundo Marandino, Selles e Ferreira (2009), só a partir do século XX que as exposições temáticas nos museus de História Natural se proliferaram, e as exposições exibidas ao público tomaram uma maior dimensão estética, comunicacional e educacional. Ao longo do tempo, esse tipo de museu começou a abrir suas portas para estudantes, que começavam a interagir com seus materiais e com outros visitantes, bem como para oficinas pedagógicas como ferramentas educativas. Deste modo, a ida ao museu significava uma dimensão diferenciada da experiência da aprendizagem (CHAGAS, 1993; TRILLA, 2008; MORAIS; SIMÕES NETO; FERREIRA, 2019).
A educação não formal ocorre em ambientes interativos construídos coletivamente (centros culturais, jardins botânicos, zoológicos, museus), a partir de diretrizes de grupos, na qual a participação dos indivíduos é optativa e pode também ser constituída por disciplinas, currículos e programas, porém não oferecem graus ou títulos oficiais (GASPAR, 2002).
Como um espaço de educação não formal, os museus e centros de ciência são espaços educacionais que possibilitam o contato do público com seu acervo (histórico, científico, artístico, pedagógico, educacional, cultural), através da interação pela observação, manipulação, leitura, ou pela intervenção de profissionais mediadores, para uma melhor interação com o espaço. Assim, os museus e centros de ciência têm um grande desafio, de não apenas exibir suas exposições, mas de assegurar que estes objetos estabeleçam uma legítima comunicação com os visitantes (MORA, 2007). As últimas tendências nas visitas aos museus e centros interativos de ciências, de acordo com Mora (2007), são estabelecidas através de uma experiência questionadora, na qual o visitante torna-se um construtor de ideias, a partir de uma possibilidade maior de união entre a ciência e o cidadão comum.
Visto o papel didático de um museu de ciência e seu potencial interativo com as questões científicas, o museu, atualmente, estimula, planeja e prepara grande parte de sua visitação para o recebimento de escolas e centros educacionais. Além de suprirem, de certa forma, algumas carências da escola, como falta de laboratórios, recursos audiovisuais, entre outros (VIEIRA; BIANCONI; DIAS, 2005). Tendo em vista a visitação de turmas escolares - e apesar da importância pedagógica que o museu propõe - nem sempre o momento da visita é bem aproveitado pelos professores e alunos, pelo motivo de haver falta de planejamento e por desconhecimento da aplicabilidade social e científica desses locais, ou mesmo pelo fato de tais instituições não oferecerem apropriadas atividades para o público escolar (MARANDINO; SELLES; FERREIRA, 2009).
Um dos profissionais do museu - os mediadores - contribuem para que exista uma melhor relação da exposição com o público. São eles que, por meio de ações e estratégias, dialogam com os diferentes públicos, expondo sentidos e ajudando na compreensão de novas perspectivas da exposição (MARTINS et al., 2013).
Os diversos espaços museológicos e centros de ciência denominam seus profissionais de educação de variadas formas, como: “guias”, “monitores”, “educadores”, “mediadores”, “comunicadores de ciência”, “ajudantes” entre outras. No entanto utilizamos o termo “mediador”, tomando por referência Rodari e Merzagora (2007, p. 9), que definem mediadores como “todo o pessoal provedor de conteúdo que trabalha em contato direto com visitantes em museus de ciência, como facilitadores, guias, animadores, funcionários encarregados de laboratórios didáticos ou shows de ciência etc.”, que possuem o potencial de estabelecer um diálogo com os visitantes.
O termo mediação, realizada por educadores em exposições, de acordo com Martins e colaboradores (2013) é o processo que envolve a transformação da exposição através do mediador, com intuitos educacionais, sendo este um agente ativo no diálogo entre a exposição e o visitante. Assim, os mediadores possuem um grande potencial em estabelecer uma conversação com os visitantes de museus, pois eles estabelecem diálogos com o público, logo podem colocar interpretações dos novos modelos de comunicação da ciência. (RODARI; MERZAGORA, 2007). Em um estudo exploratório sobre o termo mediação, Pinto e Gouvêa (2014, p.67-68) retratam que “a mediação acontece quando passamos de uma esfera de comunicação humana (da ciência) para outra (da divulgação
da ciência)” e que esta é pensada e organizada desta forma, mesmo que abarque diferentes contextos e campos de ação.
Os mediadores funcionam como um elo entre o conteúdo científico e o público, tornando estes profissionais indispensáveis nas visitações das escolas nesses espaços, pois o tipo de abordagem realizada por eles pode interferir na compreensão dos conteúdos abordados durante a visitação. Daí a importância da discussão do papel e intervenção desses profissionais nos espaços não formais de educação (ARAÚJO; LUZ; SOUSA, 2014). Mais importante do que o mediador dominar os fundamentos científicos dos objetos da instituição, é eles poderem conceder orientações ao público quanto ao uso das exposições e como melhor explorá-las (JOHNSON, 2007).
Sendo breve o tempo de visitação em um museu, é essencial saber trabalhar com as estratégias de comunicação, pois o tempo gasto em uma exposição é determinado pela própria exposição e pelo trabalho do mediador. Deste modo, o processo ensino-aprendizagem em museus abrange uma complexidade de saberes que perpassam apenas o conhecimento intelectual ou técnico de seus objetos. Para que exerçam plenamente sua função, os mediadores museais contam com saberes provenientes de experiências pessoais, profissionais, escolares, acadêmicas, intelectuais, culturais, dentre outros.
É neste sentido que Queiróz e colaboradores (2002) criaram categorias (os saberes
da mediação), que se confluem, como um território didático-cultural comum, com os saberes docentes, citados por Tardif (2012), que são utilizados pelos professores em sala
de aula, sendo: os saberes da formação profissional; os saberes disciplinares; os saberes curriculares; os saberes experienciais; os saberes pessoais; os saberes da formação escolar anterior; os saberes provenientes de programas e livros didáticos usados em seu ofício. Os autores (QUEIRÓZ et al, 2002) também se utilizam dos ideais de Schön (1997), que discute o profissional docente como um agente reflexivo e criativo, sendo, deste modo, o mediador, da mesma maneira que o professor, um profissional que utiliza da reflexão para sua ação.
Nos saberes da mediação, de Queiróz e colaboradores (2002), as categorias criadas discutem aspectos da mediação encontrados no campo da educação formal, e outras do próprio reduto da educação em museus, visto que, os autores classificam os saberes da mediação em três grandes categorias: A) Saberes compartilhados com a escola; B)
Saberes compartilhados com a escola no que diz respeito à educação em ciência; C) Saberes mais propriamente de museus.
Posteriormente, Queiróz e colaboradores (2003) trabalharam com os saberes da mediação, desta vez voltados para a relação museu-escola, através de professores do ensino fundamental e médio da educação básica, que atuaram como mediadores de exposição exibida no MAST (Museu de Astronomia e Ciências Afins) para seus próprios alunos.
A utilização dos saberes da mediação também foi realizada por Soares (2003), que investigou tais aspectos em mediadores do Espaço Biodescoberta do Museu da Vida/Fiocruz, localizado na cidade do Rio de Janeiro – RJ. Caffagni (2010) faz uso de tais
saberes ao explorar como, através da mediação, se faz o uso de analogias - recurso didático utilizado para explicar e relacionar os conceitos para favorecer e facilitar sua aprendizagem - sendo tal recurso muito utilizado não só pelos mediadores, mas também pelos professores. Em outro estudo, Costa (2015) apresenta dados que indicam o quanto a mediação é importante e os relaciona com alguns saberes como linguagem, o saber de conteúdo, o saber de conexão, dentre outros. Costa (2015) ainda ressalta as visões dos professores e expectativas quanto às visitas escolares relacionando-as a alguns saberes museais.
Segundo Queiróz e colaboradores (2002, p.78), “o mediador pode colaborar para tornar uma visita significativa”. Assim, os saberes museais, dentro do discurso de seus mediadores, podem aprimorar a interpretação, compreensão e relação dos aparatos contidos em museus, com o público. Ao considerar tais saberes, e que o profissional de museu é um agente em constante transformação e dotado de saberes provindos de diversos lugares, Gomes e Cazelli (2016) discutem a construção dos saberes dos mediadores através das formações tidas por esse profissional nos museus (saberes da
formação de mediadores). Dentro do trabalho do mediador de um espaço de educação
não formal, os saberes a eles relacionados se dão quase que exclusivamente através de sua experiência e tempo, pois não há uma formação acadêmica própria para estes profissionais, deste modo o próprio ambiente fornece possibilidades para um trabalho criativo (OVIGLI, 2009).
As pesquisas oriundas da educação em ciência contribuem substancialmente para a construção desse conhecimento (MARANDINO, 2005). Deste modo, a análise das ações dos mediadores têm se destacado em estudos acadêmicos mais recentes, como Borges (2019), que apresenta a relevância da mediação na Exposição Permanente do Palácio Tiradentes (RJ); Dantas, Alves e Maia (2020), que abordam a contribuição de centros de ciências e museus, evidenciando o papel da mediação; Géra, Amado e Bitencourt (2020), que versam sobre o papel dos mediadores, em exposição realizada na biblioteca central do campus Goiabeiras da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES); Nascimento, Campos e Vaillant (2020), que conduzem um estudo exploratório sobre mediadores atuantes em quatro Centros de Ciência, de Educação e Cultura do município de Vitória – ES. Assim, o estudo e compreensão da construção das visitas pelos mediadores e seus saberes, bem como as falas utilizadas por eles torna-se importante para a contribuição das ações guiadas em espaços de educação não formal de ensino. Neste sentido, partimos das seguintes questões: quais saberes dos mediadores são utilizados? Em quais momentos? Existe alguma relação entre as formações e os saberes? Considerando tais questões, esse trabalho tem como objetivo apresentar um estudo de caso sobre um grupo de mediadores de um determinado espaço de educação não formal e a identificação de seus saberes.
Metodologia
Esse trabalho foi desenvolvido em um espaço educacional que se caracteriza como um espaço interativo de ciências e divulgação científica, situado na região metropolitana de
São Paulo. Por apresentar características específicas, o espaço se apresenta como o único da região que incorpora atividades escolares, e não se vê como um museu em si, apesar de ter uma estrutura pensada e construída como um centro de ciências. Deste modo, esta pesquisa se enquadra como um estudo de caso.
Segundo Lüdke e André (1986, p. 18) um estudo de caso “visa à descoberta, enfatizando uma interpretação no contexto estudado, buscando retratar uma realidade de forma completa e profunda e usando uma variedade de fontes de informação”. Procuram representar os diferentes pontos de vista presentes em uma situação social, utilizando-se de uma linguagem mais acessível que os outros métodos de pesquisa, e também permitem uma generalização naturalística. Diante disso, foi adotado o estudo de caso como método de pesquisa para o presente estudo, que tem por objetivo investigar um fato contemporâneo e ativo no seu contexto (YIN, 2015).
A coleta dos dados deu-se do período de junho a novembro de 2016, e os mediadores escolhidos para o estudo possuíam de 2 meses a 2 anos de tempo de serviço no local, e na época da coleta dos dados cursavam graduação em Engenharia Mecânica, Ciência e Tecnologia, e Licenciatura em Física, oriundos de duas universidades da região.
As coletas foram realizadas em visitas conhecidas como visitas focadas, na qual um grupo escolar realiza a visita através de uma sequência expositiva já pré-estabelecida pelo espaço. A visita escolhida tem um cunho biológico de conhecimento relacionado aos animais e suas relações - sejam elas de conservação, ecológicas, pela diversidade de grupos, pelos registros e distribuição geográfica ou geológico. Assim, os mediadores estão relacionados a essas visitas escolares em aparatos relacionados ao conhecimento zoológico.
Denominaremos cada mediador pelas letras A, B, C, D, E, F e G. Para a transcrição, identificamos se foi realizada a partir dos relatos da visita com o grupo escolar (Visita
Mediada), ou se foi tirada a partir de entrevista realizada com o mediador (Entrevista). Além
do espaço ter permitido a realização da coleta de dados, todos os mediadores assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), consoante exigência do Comitê de Ética e Pesquisa.
Para este artigo fizemos a compilação dos resultados dos sujeitos amostrais, a fim de que pudéssemos demonstrar qualitativamente um panorama geral das categorias construídas, e qual seu modo de operação e funcionamento na análise das falas transcritas. Para a análise dos dados, foi tomado como ponto de partida os Saberes da Mediação, criados por Queiróz e colaboradores (2002). A partir dessas categorias criamos os Saberes dos Mediadores Museais, acrescidas dos Saberes Docentes, de Tardif (2012), e dos Saberes Museais de Formação, de Gomes e Cazelli (2016), resultando em quatro grandes categorias e suas subcategorias, descritas e ilustradas a seguir (Figura 1):
Saberes de Conteúdo:
mediada;
● Saber da História da Ciência e da Humanidade: Ter conhecimento do conteúdo relativo à história da ciência relativa à exposição a ser mediada, assim como saber estabelecer um vínculo da temática da exposição em um contexto histórico-social;
● Saber de Visão Científica: Conhecer os diferentes aspectos e hipóteses científicas e não científicas que dizem respeito à construção do conhecimento científico.
Saberes de Comunicação Museográfica:
● Saber de Analogia/Metáforas: Saber utilizar-se de analogias e metáforas como ferramenta para a transposição dos conhecimentos contidos na exposição;
● Saber de Interação (diálogo): Realizar interações com os visitantes através do diálogo, formulação de perguntas, brincadeiras, estabelecendo uma relação de proximidade com ele, escutando-o e valorizando o que ele sabe;
● Saber de Linguagem: Saber adequar a linguagem aos diferentes tipos de público, para uma melhor transposição dos conhecimentos contidos na exposição;
● Saber da Utilização de Recursos Pedagógicos: Saber utilizar-se de recursos pedagógicos além dos contidos na exposição, como contos, uso de objetos, figuras, mapas, entre outros;
● Saber de Manipulação: Deixar o visitante manipular os aparatos do espaço, propondo formas de uso adequadas dos mesmos.
Saberes Museais:
● Saber da Instituição: Conhecer a instituição na qual trabalha: sua história, arquitetura, equipes, simbologias, curadores, entre outros aspectos;
● Saber de Conexão: Saber conectar os diferentes aparatos museológicos, fazendo correlações entre tais;
● Interação com professores: Lidar com os professores que acompanham as visitas de seus alunos ao museu.
Saberes de Formação de Mediadores:
● Formação por pares: Concepções da aquisição de conhecimentos através de outros mediadores da instituição;
● Formação para a mediação: Concepções da aquisição de conhecimentos através das formações profissionais realizadas pela instituição.
Figura1: Esquema ilustrativo com as categorias e suas subcategorias.
Fonte: Os autores
Resultados e discussão
Abaixo relacionamos cada categoria dos Saberes dos Mediadores Museais com suas respectivas subcategorias e análise. Apresentaremos os dados com um ou dois relatos mais relevantes de cada categoria e subcategoria, haja vista a necessidade de exemplificação e apresentação dos resultados. Isso não indica quantos mediadores realmente apresentaram cada subcategoria, mas apresenta uma síntese do trabalho como um todo.
Saberes de Conteúdo:
Este saber está relacionado ao domínio do conteúdo das exposições. Tal domínio abrange saberes, vindos da família, da formação acadêmica e/ou profissional, dentre outras fontes. É importante que o mediador tenha conhecimento sobre os conteúdos da exposição, assim como debatê-los, principalmente no que tange a uma abordagem social e cultural da ciência e da tecnologia, sugerindo conteúdos apoiados em temáticas atuais (CAZELLI et
al., 1999). Costa (2007, p. 30), relata que os mediadores (o que ele chama de
“explicadores”) não possuem “superpoderes”, e que não importa quão abrangente seja sua formação, não é possível que o mediador conheça as informações sobre todos os temas e exposições contidos em um centro de ciências. Temos 3 subcategorias.
O Saber da Exposição deve ser entendido mais do que o conteúdo técnico, e neste sentido é importante que o mediador saiba debater os assuntos gerados através dos temas de cada exposição. Um exemplo de tal questão pode ser observado na seguinte fala:
SABERES DE CONTEÚDO Saber da Exposição Saber da História da Ciência e da Humanidade Saber de Visão Científica SABERES DE COMUNICAÇÃO MUSEOGRÁFICA Saber de Analogias/ Metáforas Saber de Interação Saber de Linguagem Saber da Utilização de Recursos Pedagógicos Saber de Manipulação SABERES MUSEAIS Saber da Instituição Saber de Conexão Interação com os professores SABERES DE FORMAÇÃO DE MEDIADORES Formação por Pares Formação para a Mediação Saberes dos Mediadores Museais
Mediador D (Visita Mediada): “Esse tubarão aqui, esse tubarão fêmea, ela tem o
hábito de ficar sempre na parte mais baixa (do aquário, no leito), e ela tem hábito noturno, ela gosta de ficar mais ativa à noite, então é muito raro ver elas movendo de dia tá.”
Do mesmo modo, esta categoria relacionada ao que é exposto nos permite revelar erros e imprecisões conceituais, como no trecho abaixo, no qual o mediador discorre equivocadamente sobre o pterossauro Anhanguera, como sendo uma espécie pertencente ao grupo dinosauria:
Mediador G (Visita Mediada): “E aquele dinossauro ali, vocês sabem o nome daquele
dinossauro? A gente chama de Anhanguera, vocês já ouviram falar de Anhanguera? Esse aqui é um dinossauro que ele quase voava, a gente fala que ele planava, tá vendo que ele tem essas asas?”
Neste trecho é possível a identificação de ideias prévias – ideias previamente concebidas que alunos e mesmo educadores trazem para o ambiente de ensino (TEODORO, 2000, p. 23), que podem ser construções pessoais, resistentes a mudanças, porém que não possuam coerência com o ponto de vista científico (COLL et al, 1998), e podem estar em evidência em mediações de mostras expositivas em museus.
O Saber da História da Ciência e da Humanidade foi considerado neste estudo como um saber de conteúdo, haja vista que a História da Ciência mostra as transformações, descobertas e avanços de ideias ao longo do tempo (MARQUES, 2015), e pode ser uma ferramenta para se ensinar ciências, sendo possível, deste modo, alfabetizar cientificamente os cidadãos para soluções de problemas sociocientíficos da sociedade (OLIVEIRA et al, 2014).
Ao abordar o assunto relacionado à extinção do tubarão-lixa, o mediador relata uma prática histórico-cultural na sociedade oriental, que sustentou a ameaça de extinção de algumas espécies de tubarão:
Mediador A (Visita Mediada): “Esse tubarão-lixa está ameaçado de extinção. Sabe o
que alguns povos fazem? Eles caçam esse tubarão, eles tiram a barbatana (...) fazem uma sopa com essa barbatana, ou alguma coisa assim, e devolvem o tubarão no mar. O tubarão vai conseguir nadar sem barbatana? Ele vai afundar, morrer de fome, morrer sangrando.”
O discurso acima tem a possibilidade de alertar aos visitantes que práticas provindas de culturas podem ser prejudiciais ao meio ambiente e à preservação de espécies. Visto o papel de um centro científico como propagador de ideais de preservação do meio ambiente, vemos que tal saber histórico pode ser utilizado para propagação desses ideais.
O Saber de Visão Científica explicita o conhecimento variável e alternativo às principais concepções praticadas no contexto científico aceito. Este saber torna-se importante para desmistificar a ciência como absoluta, e tornar o visitante consciente de que a ciência é construída através de teorias e hipóteses que podem ser refutadas. No trecho a seguir, o mediador levanta algumas hipóteses em relação à extinção dos dinossauros:
extintos então? Uma das teorias é a de que caiu um meteoro aqui na Terra, e esse meteoro levantou uma fumaça bem preta assim, e quando tem uma fumaça preta, a gente não consegue respirar né. Então há a teoria de que os dinossauros não conseguiram respirar também, por isso ele morreram. Outra teoria é a de que choveu... quando a gente tá com o céu muito poluído, e tem chuva, acontece um negócio que a gente chama de chuva ácida. A água reage com outros elementos e quando cai na pele ela acaba queimando e machucando a gente. E tem uma teoria também que diz que essa chuva, uma espécie de chuva ácida, mataram os dinossauros também.”
No livro organizado por Valente e Cazelli (2015), diversos autores relacionam o conhecimento científico e sua construção com os museus de ciências e como esses acessos aos espaços podem favorecer não só na divulgação científica, mas também ao contexto da ciência, ao conhecimento científico e produção da ciência.
Saberes de Comunicação Museográfica
O conteúdo das exposições e experimentos de um espaço de educação não formal deve ser transposto/transformado até que seja acessível ao público (QUEIRÓZ et al., 2002). E o mediador é a ponte entre o conhecimento contido no aparato, e o visitante. Para que esta comunicação seja realizada, o mediador usa de recursos, como analogias e metáforas, diferentes tipos de linguagens e interações dialógicas, recursos pedagógicos, dentre outros. Temos 5 subcategorias relacionadas a estes saberes.
O Saber de Analogias/Metáforas retrata o uso dessas formas de linguagens no ensino. As analogias podem ser ferramentas de grande valor no processo ensino-aprendizagem, pois possuem a capacidade de tornar uma informação mais fácil de constatar, trabalhando de forma que um conceito não familiar possa se tornar familiar (DUIT, 1991). No trecho que segue, o mediador faz a analogia da dentição do Tubarão Mako (Isurus axyrinchus) com uma catraca de ônibus:
Mediador E (Visita Mediada): “Essa daqui é a boca do tubarão (...) Mako... Ó quando
cai o nosso dente a gente não tem que esperar ele nascer de novo? E se caiu o de leite, e cair o outro, a gente fica sem dente, não é? Depois que cai os de leite, nascem os permanentes, se ele cair também, aí a gente fica sem dente, a gente tem ir lá no dentista pra ele colocar um. Agora o tubarão não. Quando cai um, já tem um outro esperando pra nascer, é um sistema de catraca, sabe lá no ônibus, quando a gente passa na catraca? Quando passa uma, já vem outra logo atrás não é? Pra substituir, então é assim que funciona, ó, e essa daqui é bem afiada.”
Faz-se importante o conhecimento das analogias para sua utilização em visitas em museus, pois segundo Caffagni (2010) que fez um estudo sobre a utilização desse recurso de linguagem com mediadores do centro de ciência “Estação Ciência” (SP), podem existir formas inadequadas, que possuem potencialidade de atrapalhar a função didática. É neste caso que vemos a importância da utilização de analogias e metáforas, sem deixar de levar em conta que são necessários estudos e formações acerca da utilização desse recurso em museus e centros de ciência.
O Saber de Interação (Diálogo) está intrínseco na relação do mediador com o visitante. A interação percebida para esta categoria é relacionada por diálogos, formulação de perguntas ou brincadeiras, ouvindo o visitante e estabelecendo uma interação mais rica e multilateral, como constatado a seguir:
Mediador F (Visita Mediada): “Pessoal, o que vocês sabem sobre os pinguins?” Crianças respondendo que os pinguins têm nadadeira.
Mediador F: “Tem nadadeira.”
Crianças dizendo que os pinguins comem peixe. Mediador F: “Come peixe.”
Crianças dizendo que os pinguins vivem na água.
Mediador F: “Vivem na água... olha, agora eu tenho uma dúvida: vocês me falaram
que tem nadadeira, que vive na água... pinguim é peixe?”
Esta categoria reforça a importância citada por Oliveira (2009), o qual afirma a importância de o educador aprender a ouvir e trocar informações com os alunos, o que não se encerra apenas nas respostas dos alunos, mas na possibilidade de fazer com que o aluno se expresse da maneira como enxerga o mundo.
O Saber de Linguagem se refere à transformação da linguagem para os diferentes públicos, assim como o uso de terminologias e maneiras de transmissão do conhecimento por parte do mediador. Na transcrição que segue, o mediador utiliza-se de simplificação nos termos para adaptação da linguagem de acordo com a idade dos visitantes:
Mediador B (Visita Mediada): “Então pessoal, ela pega carona com o tubarão porque
ela é um peixe muito preguiçoso, então ela cola nele e aí quando ele vai comendo vai caindo uns farelinhos de comida pra trás e aí a rêmora vai lá e ó...come tudo sem precisar fazer nada. Mas ela não prejudica ele em nada, ela não faz nada pra ele, tá certo?”
A análise da linguagem torna-se importante para que se entenda como a comunicação funciona, e o que a faz suceder ou não. Lemke (1990) cita que a comunicação em ciência não é uma tarefa fácil, pois os professores pertencem/pertenceram à uma comunidade na qual as pessoas discursam através de uma linguagem científica, e por outro lado, os estudantes não. Costa (2015), apresenta como um dos resultados de sua pesquisa, que a linguagem acessível facilita a comunicação entre os mediadores e estudantes, e isso é bem visto pelos professores que acompanham as visitas mediadas com seus alunos, pois consideram estes, aspectos de acesso, democratização e popularização da ciência.
O Saber da Utilização de Recursos Pedagógicos indica a utilização de recursos pedagógicos que não estejam atrelados às exposições do museu. Como exemplo, ao falar sobre os hábitos de vida e preservação dos pinguins, o mediador relata uma pequena história sobre o motivo de o pinguim ter morrido, usando como material didático uma tampinha plástica para exemplificar o fato:
Mediador D (Visita Mediada): “Quando ele (o pinguim) chegou, ele já estava meio
comendo direito, ele estava com os hábitos um pouquinho diferentes. Ele acabou morrendo, só que quando o pessoal abriu, eles conseguiram ver o estômago do pinguim, e eles encontraram uma coisa, deixa eu mostrar pra vocês... (mediador mostrando a tampinha) isso aqui, eles encontraram uma tampinha dentro do estômago dele, uma tampinha no estômago do Bob. Como uma tampinha vai parar no estômago de um pinguim?”
A utilização de recursos didáticos pode motivar o processo de ensino-aprendizagem, tornando-o mais divertido, porém é necessário que o mediador seja precavido em utilizar-se de tais recursos, pois é necessário haver um propósito claro, domínio e organização das ideias em torno da temática, para não haver erros conceituais (SOUZA, 2007).
O Saber de Manipulação se refere à possibilidade de manipular os objetos ou aparatos pelo público. Os museus e centros de ciência contemporâneos trabalham com a proposta da manipulação dos objetos pelo seu público. Ao manusear objetos, o aluno desenvolve sua criatividade, coordenação motora e habilidades o que auxilia no processo ensino-aprendizagem (SOUZA, 2007).
Nas visitas analisadas para o presente estudo, foram constatadas a manipulação dos seguintes aparatos: “Sítio paleontológico”, “Carrinho de Fósseis”, “Carrinho das Serpentes”, “Carrinho de Animais Marinhos” e “Pinguinário”. No gráfico seguinte apontamos quantos mediadores deixaram manipular, não deixaram, ou não utilizaram cada aparato citado.
Gráfico 1: Aparatos manipuláveis e sua utilização pelos mediadores nas visitas.
Fonte: Os autores
A atração “Sítio Paleontológico” (contendo réplicas de fósseis enterradas) é utilizada por todos os mediadores para sua manipulação pelos visitantes. O segundo aparato mais manipulado pelos visitantes é o “Carrinho das Serpentes” (contendo peles de serpentes que passaram por ecdise), no qual apenas um mediador não deixa manipular. O “Carrinho de Fósseis” (contendo réplicas de fósseis) e o “Pinguinário” (contendo pinguim taxidermizado), é o terceiro aparato mais manipulado, no qual quatro dos sete mediadores
7 6 4 4 2 0 1 2 3 2 0 0 1 0 3 0 1 2 3 4 5 6 7 8 Sítio Paleontológico Carrinho das Serpentes Carrinho de Fósseis Pinguinário Carrinho de Animais Marinhos Aparatos manipuláveis
deixam manipular. O aparato menos manipulado foi o “Carrinho de Animais Marinhos” (contendo mandíbulas de tubarão, dentre outros), no qual apenas dois mediadores fazem o uso manipulado dos objetos contidos nele (Gráfico 1).
Apesar de ser uma opção do mediador deixar com que o visitante manipule os objetos ou não, observamos que o fato de todos os mediadores deixarem as crianças manipularem o Sítio Paleontológico remete a um experimento que é livre para o manuseio aos finais de semana, desta forma torna-se de praxe que os mediadores automaticamente deixem livre esse aparato para manipulação. Os demais aparatos contêm objetos de menor tamanho, mais frágeis e delicados, como a pele da serpente, a mandíbula de tubarão, o pinguim taxidermizado, dentre outros. Tais dados relatados na nossa pesquisa abrem espaço para a protagonização dos sujeitos aprendentes - quer como mediadores, quer como estudantes, corroborando com os apontamentos de Queiróz (2015).
Saberes Museais
Esta categoria, baseada no trabalho de Queiróz e colaboradores (2002), se relaciona com os saberes provenientes da instituição museal, na qual articulamos três subcategorias. O Saber da Instituição: se refere aos conhecimentos relacionados ao espaço de educação não formal. No trecho seguinte, o mediador relata à uma criança o significado do nome do espaço:
Mediador F (Visita Mediada): “Deixa eu te contar: [cita o nome do espaço] na
mitologia grega significa detentora do conhecimento, eram as mulheres mais inteligentes da Grécia.”.
No momento transcrito, o mediador usa de uma simplificação do momento lendário da história de Roma, o qual inspirou o nome do espaço. Podemos perceber que o mediador tem conhecimento da existência de uma narrativa envolvendo o nome da instituição, porém sem ter domínio do conteúdo.
Tomando este exemplo, constatamos que, a discussão de fundamentos que remetem à história e aspectos do local, pois não raro o visitante possui curiosidade sobre o tema, e a discussão da simbologia, arquitetura, funcionamento, entre outros aspectos do local geram maior aproximação e empatia do museu com o visitante, e consequentemente, a aproximação do visitante com a ciência.
O Saber de Conexão está relacionado com diferentes aparatos em um museu. O mediador, no trecho a seguir, realiza a conexão entre o Tanque de Observação/Berçário, e o Aquário:
Mediador B (Visita Mediada): “Daqui a pouco a gente vai ali no Berçário que é onde
tem os peixinhos bebês. (...) ali ó, vocês estão vendo aquele aquário circular? É o Berçário, é ali que ficam todos os bebês peixinhos. Antes deles virem pra cá a gente deixa eles ali. Por que? Porque se eles ficarem aqui, eles são muito pequenininhos e aí os peixes maiores vão acabar comendo eles. Então, a gente deixa eles ali primeiro, para eles poderem crescer... mas ali são muito pequenos, você vai ver, bem pequenininho.”
museais e os coloca em uma perspectiva educacional, corroborando com os estudos de Valente, Cazelli e Almeida (2015) que enfatizam a aprendizagem através dos objetos e suas relações com o conhecimento e a história da ciência.
O Saber da interação com professores indica se existe alguma troca entre os mediadores e os professores. O estabelecimento de um diálogo que conflua ideias, projetos e práticas pedagógicas entre o professor e o mediador que recebe a turma trazida pelo professor, contribuem significativamente para o percurso da visita ao museu, além de contribuir de forma significativa para um melhor aproveitamento do espaço para a aprendizagem dos conceitos.
No entanto, foram constatadas poucas interações mediador-professor, e quando existiam, se limitavam a breves comentários, para tirar alguma dúvida pessoal, ou para o auxílio na organização da turma. A atuação e diálogo entre professor e mediadores no intuito de uma melhor tomada didático-pedagógica, relacionando conceitos vistos pelos alunos em sala de aula com os aparatos do museu não foi constatada. Deste modo reiteramos a importância de planejamentos e preparo tanto da escola, quanto do museu, em receber estes profissionais, através de diálogos e projetos pré-programados.
Em alguns trechos constatamos que os mediadores não se sentiam confortáveis ao diálogo com os professores, dando respostas rápidas e diretas aos seus comentários e questões:
Professor dando sugestão sobre o que poderia ser melhorado no experimento “Mapa da cidade”:
Mediador B (Visita Mediada): “Podia.” Professor dando outra sugestão. Mediador B: “É.”
Mediador B: “Pessoal vamos prestar atenção nele (no outro mediador) agora.” Segundo Queiróz e colaboradores (2002), nem sempre é fácil para o mediador lidar com a presença do professor ou outra figura de autoridade, por isso muitas vezes os mediadores desconsideram suas intervenções.
Saberes de Formação de Mediadores
Um dos saberes de formação de mediadores está relacionado a uma Formação por
Pares. No espaço ocorre uma construção própria na produção dos saberes, na qual o
conhecimento é gerado através dos hábitos passados de mediador para mediador, fato que é denominado Formação por Pares por Gomes e Cazelli (2016), e que podemos constatar no relato abaixo descrito:
Mediador A (Entrevista): “As formações sobre os experimentos, as áreas aqui iam
acontecendo conforme o tempo, então muita coisa você tinha formação, mas também tinha coisa que você tinha que aprender ali com o pessoal mais antigo, ou conversando com seu monitor, com seu educador, que sabe explicar tudo né, pra você já, saber como falar, pra
você já ter o que pesquisar, já ter o que falar, até você ter a formação, né, sobre essa matéria, entendeu, então muita coisa aqui, claro, muita coisa a gente aprendeu, mas muita coisa a gente teve que, ir conversando, e dialogando com o pessoal, tendeu?”
Esta afirmação prevaleceu no discurso dos mediadores analisados, o que significa que a formação predominante concebida, foi relacionada a uma necessidade de se fazer captar as informações contidas nos experimentos, através das informações dadas pelos mediadores com mais tempo de profissão no local, ou seja, houve Formação por Pares entre os profissionais educativos, na qual não apenas as informações foram transmitidas, mas igualmente e consequentemente, os modos, interações, trejeitos e mesmo erros conceituais também podem ser passados despropositadamente.
Outro tipo de formação está relacionado à Formação para a Mediação. Este saber trata do entendimento de como são realizadas e recebidas as formações pelos mediadores, com a tentativa de compreender a associação das formações com a atuação dos mediadores. Sendo referentes às formações fornecidas pela instituição de educação não formal, foi constatado que os profissionais do museu receberam a Formação para a Mediação ao ingressarem no parque, e/ou ao longo de sua função, no entanto é relatado que as formações não são suficientes para o conhecimento dos conceitos contidos nos objetos do espaço, e por conta da demanda de escolas agendadas:
Mediador E (Entrevista): “Aqui, a gente começou o treinamento em junho. (...) a
gente ficou um mês em treinamento, (...) e a partir de julho a gente começou a atender pro público mesmo.”
Mediador A (Entrevista): “Existe uma preparação sim, só que, quando nós entramos,
pela quantidade de escolas que vinham, essa preparação não dava pra ser tão contínua.”
Grande parte dos mediadores deste estudo tiveram uma formação inicial para a mediação, e sentiam a necessidade desse tipo de formação ao longo de seu tempo de função. Contudo a formação inicial não é constante para todos os mediadores que ingressam nos museus e centros de ciência. Uma hipótese para esse fato conflui com as ideias de Carlétti e Massarani (2015), que relatam que a falta de formação inicial para mediadores museais se deve muito provavelmente à alta rotatividade dos profissionais de museus, visto que se torna inviável para o museu realizar uma formação inicial com cada mediador ingressante.
Para que servem esses saberes?
Em relação às categorias dos Saberes dos Mediadores Museais, os Saberes de Conteúdo trazem a evidência de que o mediador precisa saber lidar de diversas maneiras com os conteúdos expostos. É necessário ponderar que, pelo fato de um centro de ciência possuir grande quantidade de áreas e conteúdos, temos clareza de que o mediador não domine todos os temas ou se aprofunde teoricamente em todos. Contudo, reiteramos para a relevância de que o mediador seja preparado para encaminhar o visitante a referências dos conteúdos da área (sejam livros, websites, ou mesmo um mediador com mais
experiência e domínio da área) como uma forma de aproximar o conhecimento científico do exposto, e, neste sentido, os saberes de formação poderão auxiliar no preparo deste mediador.
A criação da categoria dos Saberes de Comunicação Museográfica se deu a partir da observação, nas coletas e análise dos dados, da transposição didática dos conhecimentos no espaço museológico, os quais abrangeram múltiplas características, sejam elas através de analogias, contos, utilização de aparatos pedagógicos, adaptação de linguagem, entre outros métodos que permitiram a criação de suas subcategorias (com auxílio das referências e autores citados). Observamos que tais métodos possuem uma característica singular, pois um museu, por possuir seu acervo a partir de diferentes composições e disposições, tendo sua própria equipe pedagógica e curadores, permite que seus aparatos sejam abordados de uma maneira única.
Os espaços não formais de educação possuem uma pedagogia própria, que é referente a uma série de aspectos: seus aparatos, sua conformação e disposição, sua equipe, e o método utilizado para a formação de seus profissionais. Tudo isto confere uma instituição, que mesmo com temáticas semelhantes umas das outras, possui um modus
operandi totalmente distinto das demais. Deste modo, ao discutirmos a questão da
transposição didática utilizada no museu, o conhecimento científico necessita ter uma especificidade própria para os aparatos do museu. Portanto, por sua especificidade, o museu gera sua própria pedagogia, sua própria cultura, pois ela vai formar um novo saber ensinado, de acordo com sua conformação pedagógica, assim como cita Gohn (2006, p. 31): “na educação não formal, as metodologias operadas no processo de aprendizagem parte da cultura dos indivíduos e dos grupos”.
No processo de atuação educativa em museus - e formação de mediadores - são debatidos os conteúdos que o mediador precisa obter, porém nem sempre é levado em conta a importância dos aspectos próprios do museu. Por isso, destacamos o conhecimento por parte dos mediadores, da própria instituição, da relação com seus aparatos e da interação com os professores que lá visitam, o que permitiu a criação da categoria dos Saberes Museais. Embora perceba-se que os profissionais encontram-se em um processo de construção de concepções sobre suas carreiras e anseios profissionais, os mediadores observados mostraram-se competentes na realização de suas funções, embora com “vícios de mediação”, que fazem com que a mediação seja, por vezes, muito semelhante entre os mediadores, fato este que pode estar relacionado à Formação por Pares tida pelos mediadores.
Visto um perfil de visitantes atrelados a grupos escolares, muitos alunos passam a visitar o espaço com uma frequência consideravelmente grande (uma, duas, três ou mais visitas ao ano). É importante que cada profissional do museu trabalhe com diferentes didáticas, interações e apresentações dos experimentos. Cada indivíduo discente possui suas peculiaridades no que tange ao processo de aprendizagem, por isso a visita a um museu se torna mais rica e completa a partir de diferentes formas de interações, e pontos de vista, sustentando um processo pedagógico mais rico. Este é um dos motivos pelo qual as formações dadas pela instituição (Formações para a Mediação) se traduzem em
treinamentos relevantes para este tipo de interação. Tais ações auxiliam em uma tomada criativa e reflexiva sobre a atuação dos mediadores diante de sua função. Para Bizerra e Marandino (2011), a inserção de mediadores nas instituições museais é cada vez mais significativa. E assim, as pesquisas sobre a formação desses profissionais torna-se tema relevante. Um mediador que esteja bem formado, que tenha noção do que é ciência e da importância de sua divulgação, torna-se um profissional com um embasamento diferenciado para sua profissão e instituição (FORNAZIERI; MAGALHÃES JÚNIOR, 2008).
Salientamos que, mesmo diante de formações bem fundamentadas, nem sempre o profissional de museu irá fazer uso de todos o Saberes dos Mediadores Museais, visto que nem todas as visitas constituem oportunidades para seu uso integral, pois cada grupo de visitantes possui sua particularidade e características próprias. Portanto a não constatação de alguns Saberes dos Mediadores Museais não significa sinônimo de obstáculo para uma mediação bem realizada pedagogicamente. Compreendendo estes fatos, é desejável que o mediador tenha conhecimento de cada um desses Saberes, e condições formativas e perceptivas de saber utilizá-los nos momentos apropriados, para que haja uma mais rica, pedagógica e interativa visita de grupos nos museus e centros de ciências.
São os mediadores museais que se aproximam e traduzem os elementos do espaço visitado aos seus visitantes - que neste estudo são estudantes em formação - para uma melhor clareza e percepção dos conteúdos contidos no ambiente. Lopes (1999), em seu trabalho, discute as relações entre o conhecimento escolar e os saberes sociais e científicos, e aponta que é necessário que esta discussão seja trabalhada no âmbito museológico, levando a um processo de análise da construção social e histórica do conhecimento divulgado pelo museu através de seus mediadores.
Considerações finais
É importante que o mediador seja capaz de realizar sua profissão com uma perspectiva que não seja acabada em si só, sem uma reflexão histórica e temporal. A reflexão e o diálogo devem ser constantemente utilizados, problematizando não apenas os aspectos contidos na exposição, mas também as questões da sociedade e tecnologia atuais, para um diálogo mais efetivo com seus visitantes. Deste modo, as categorias aqui abordadas – os Saberes dos Mediadores Museais - permitem uma discussão em torno dos porquês das atitudes e discursos dos mediadores em um centro de ciência, além do papel desses agentes nesses espaços.
Este estudo permite uma integração de saberes já apontados em outros trabalhos científicos e propõe uma forma unificada de reconhecer os saberes museais. Além disso, este trabalho propõe que as ações formativas de mediadores apontem para tais saberes, e os reconheçam na construção desse sujeito-mediador, que atua nos diferentes espaços de educação não formal.
Salientamos aqui que os Saberes dos Mediadores Museais não se traduzem em diretrizes. Os mediadores, ao fazerem utilização desses saberes, saem da perspectiva de mediação automática - pela mera transmissão de conhecimentos - para uma mediação
pedagogicamente mais consciente e didática. Deste modo, os Saberes dos Mediadores Museais auxiliam nesta perspectiva de conhecer a ação do mediador.
Vale ressaltar que não existe um saber primordial para estes espaços, parece incoerente - ou um tanto quanto inocente - dizer isto, mas é importante frisar que os saberes utilizados, tanto na formação de mediadores quanto nos espaços de educação não formal, são saberes próprios que encontram-se na historicidade do conhecimento científico atrelado aos aparatos, na proposta do espaço, nas ações dos educadores e, na identidade que aquele espaço possui.
Referências
ARAÚJO, J. H. L.; LUZ, J. R. D.; SOUSA, R.A. Parque da Ciência: como professores e alunos do ensino básico utilizam esse espaço? Revista Areté, Manaus v.7, n.13, p.85-95, jan./jun. 2014.
BIANCONI, M. L.; CARUSO, F. Educação não-formal. Ciência e Cultura. São Paulo, v. 57, n. 4, dez. 2005.
BIZERRA, A.; MARANDINO, M. Formação de mediadores museais: contribuições da Teoria da Atividade. Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, v. 1, p. 1-12. 2011.
BORGES, P. L. D. Mediação em foco: estudo de caso da Exposição Permanente do Palácio Tiradentes. In: PEREIRA, Denise (org.). A transversalidade da prática do profissional
de história 2. Ponta Grossa – PR, Atena editora, p. 31-37, 2019.
CAFFAGNI, C. W. A. O estudo das analogias utilizadas como recurso didático por
monitores em um Centro de Ciências e Tecnologia de São Paulo. Dissertação de
mestrado – Universidade de São Paulo, Faculdade de Educação, São Paulo, 2010.
CARLÉTTI, C; MASSARANI, L. Mediadores de centros e museus de ciência: um estudo sobre quem são estes atores-chave na mediação entre a ciência e o público o Brasil.
Journal of Science Communication, v. 14(02), 2015.
CAZELLI, S. et al. Tendências Pedagógicas das Exposições de um Museu de Ciência. In:
Atas do II Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Valinhos, São
Paulo, Setembro, 1999.
CAZELLI, S.; MARANDINO, M.; STUDART, D. Educação e Comunicação em Museus de Ciências: aspectos históricos, pesquisa e prática. In: GOUVÊA, G.; MARANDINO, M.; LEAL, M. C. (Org.). Educação e Museu: a construção social do caráter educativo dos museus de ciências. Editora Access/Faperj, Rio de Janeiro, p.83-106, 2003.
CHAGAS, I. Aprendizagem não formal/formal das ciências: relações entre museus de ciência e as escolas. Revista de Educação, Lisboa, v. 3, n. 1, p. 51-59, 1993.
COLL, C. et al. Os conteúdos na reforma: ensino e aprendizagem de conceitos, procedimentos e atitudes. Porto Alegre. Artes Médicas, 182 p., 1998.
COSTA, A. G. Os ‘explicadores’ devem explicar? In: MASSARANI, L.; MERZAGORA, P. R.; RODARI, P. (Orgs.). Diálogos & Ciência. Rio de Janeiro: Museu da Vida/Casa Oswaldo Cruz/Fiocruz, p. 8-21, 2007.
COSTA, A. F. Mediação humana em Museus de C&T: Vozes, ouvidos, sinais e gestos em favor da educação e da democratização dos museus. In: VALENTE, M. E.; CAZELLI, S. (Org.) Educação e Divulgação da Ciência. Rio de Janeiro: MAST, p.117-143, 2015. DANTAS, L. F. S.; ALVES, T.R.S.; MAIA, E.D. A Importância dos Centros e Museus de Ciências: a contribuição de suas atividades. International Journal Education And
Teaching - PDVL, v. 3, n. 2, p. 167-184, 2020.
DUIT, R. On the role of analogies and metaphors in Learning Science. Science Education, v. 75, n.6, p.649-672, 1991.
FORNAZIERI, C. Z. M.; MAGALHÃES JÚNIOR, C. O. Museu de ciências e sua importância na formação de professores. EDUCERE - Revista da Educação, Umuarama, v. 8, n. 1, p. 31-39, jan./jun. 2008.
GASPAR, A. A educação formal e a educação informal em ciências. In: MASSARANI, L.; MOREIRA, I. C.; BRITO, F. (org.). Ciência e Público: caminhos da divulgação científica no Brasil. Rio de Janeiro: Casa da Ciência – Centro Cultural de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fórum de Ciência e Cultura, 2002.
GÉRA, A.S.; AMADO, M.V.; BITTENCOURT, A.S. O papel dos mediadores em exposições: percepções dos visitantes na exposição “o admirável corpo humano”. Brazilian Journal of
Development, v. 6, n. 9, p. 69323-69332, 2020.
GOHN, M. G. Educação não-formal, participação da sociedade civil e estruturas colegiadas nas escolas. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação. Rio de Janeiro, v.14, n.50, p. 27-38, jan./mar., 2006.
GOMES, I.; CAZELLI, S. Formação de Mediadores em Museus de Ciência: Saberes e Práticas. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências. Belo Horizonte, v. 18, n. 1, p. 23-46, 2016.
JOHNSON, C. Capacitação de mediadores em centros de ciências: Reflexões sobre o Techniquest. In: MASSARANI, L.; MERZAGORA, P. R.; RODARI, P. (Orgs.). Diálogos &
Ciência. Rio de Janeiro: Museu da Vida/Casa Osvaldo Cruz/Fiocruz, p. 32-38, 2007.
LEMKE, J. L. Talking Science: language, learning, and values. Norwood: Ablex Publishing Corporation, 1990.
LOPES, A. R. C. Conhecimento escolar: Ciência e cotidiano. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1999.
LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. São Paulo. Editora Pedagógica e Universitária – EPU, 1986.
MARANDINO, M. A pesquisa educacional e a produção de saberes nos museus de ciência.
MARANDINO, M.; SELLES, S. E.; FERREIRA, M.S. Ensino de Biologia: histórias e práticas em diferentes espaços educativos. 1. ed. São Paulo: Cortez, 2009.
MARQUES, D. M. Formação de professores de ciências no contexto da História da Ciência.
História da Ciência e Ensino: construindo interfaces. v. 11, p. 1-17, 2015.
MARTINS, L.C. et al. Que público é esse? Formação de públicos de museus e centros culturais. São Paulo: Percebe. 2013.
MORA, M. C. S. Diversos enfoques sobre as visitas guiadas nos museus de ciências. In: MASSARANI, L.; MERZAGORA, P. R.; RODARI, P. (Orgs.). Diálogos & Ciência. Rio de Janeiro: Museu da Vida/Casa Oswaldo Cruz/Fiocruz, p. 22-27, 2007.
MORAIS, C. S.; SIMÕES NETO, J. E.; FERREIRA, H. S. Oficina pedagógica de aprendizagem: uma proposta de ferramenta didática para museus de ciências. Revista de
Ensino de Ciências e Matemática - REnCiMa, v. 10, n.3, p. 204-222, 2019.
NASCIMENTO, F.; CAMPOS, C.; VAILLANT, F. Mediação em centros de ciências e educação de Vitória-ES (Brasil): um estudo exploratório. INTERFACES DA EDUCAÇÃO, v. 11, n. 31, p. 93-117, 2020.
OLIVEIRA, C. M. A. Do discurso oral ao texto escrito nas aulas de ciências. 2009. Tese de Doutorado - Universidade de São Paulo, Faculdade de Educação, São Paulo, 2009. OLIVEIRA, A. D. et al. A utilização da história da ciência e da investigação no ensino de ciências em espaços de educação não formal. Cadernos de História da Ciência. Laboratório de História da Ciência. Instituto Butantan, v.10, n.2, São Paulo: Laboratório de História da Ciência, 2014.
OVIGLI, D. Os saberes da mediação humana em centros de ciências: contribuições para a formação inicial de professores. Dissertação de Mestrado - Universidade Federal de São Carlos, Faculdade de Educação, São Carlos, SP, 2009.
PINTO, S. GOUVÊA, G. Mediação: significações, usos e contextos. Ensaio Pesquisa em
Educação em Ciências, vol. 16, n. 2, maio-agosto, p. 53-70, 2014.
QUEIRÓZ, G. R. P. C. et al. Construindo saberes da mediação na educação em museus de ciências: o caso dos mediadores do museu de astronomia e ciências afins. Revista
Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências. v. 2, n. 2, p. 77-88, 2002.
QUEIRÓZ, G. R. P. C. et. al, Saberes da Mediação na relação Museu-Escola: Professores Mediadores reflexivos em Museus de Ciências. IV Encontro Nacional de Pesquisa em
Educação em Ciências. p.1-14. 2003.
QUEIRÓZ, G. R. P. C. Tempos de mediação: a protagonização abrindo caminhos para a emancipação. In: VALENTE, M. E.; CAZELLI, S. (Org.) Educação e Divulgação da
Ciência. Rio de Janeiro: MAST, 2015.
RODARI, P.; MERZAGORA, M. Mediadores em museus e centros de ciência: Status, papéis e treinamento. Uma visão europeia. In: MASSARANI, L.; MERZAGORA, P. R.; RODARI, P. (Orgs.). Diálogos & Ciência. Rio de Janeiro: Museu da Vida/Casa Oswaldo Cruz/Fiocruz, p. 8-21, 2007.
SCHÖN, D. Formar professores como profissionais reflexivos. In: NÓVOA, A. (Org.). Os
professores e a sua formação. 3. ed. Lisboa: Dom Quixote, p. 79-91, 1997.
SOARES, J. M. Saberes da mediação humana em museus de ciência e tecnologia. Dissertação de mestrado – Universidade Federal Fluminense, Faculdade de Educação, Niterói, 2003.
SOUZA, S. E. O uso de recursos didáticos no ensino escolar. I Encontro de Pesquisa em
Educação, IV Jornada de Prática de Ensino, XIII Semana de Pedagogia da UEM: “Infância e Práticas Educativas”. Arq Mudi. 2007.
TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. 16 ed. Petrópolis: Vozes, 2012. TEODORO, S. R. A história da ciência e as concepções alternativas de estudantes
como subsídios para o planejamento de um curso sobre atração gravitacional.
Dissertação de Mestrado. Universidade estadual Paulista, Faculdade de Ciências, Bauru - SP, 2000.
TRILLA, J. A educação não-formal. In: GHANEM, E.; TRILLA, J.; ARANTES, V. A. (org.).
Educação formal e Não-Formal: pontos e contrapontos. São Paulo: Ed. Summus, p.
15-58, 2008.
VALENTE, M. E.; CAZELLI, S. (Org.) Educação e Divulgação da Ciência. Rio de Janeiro: MAST, 2015.
VALENTE, M. E.; CAZELLI, S.; ALMEIDA, R. Os instrumentos científicos do MAST na perspectiva educacional e de divulgação da ciência. In: VALENTE, M. E.; CAZELLI, S. (Org.) Educação e Divulgação da Ciência. Rio de Janeiro: MAST, p. 284-310, 2015. VIEIRA, V.; BIANCONI, M. L.; DIAS, M. Espaços não-formais de ensino e o currículo de ciências. Ciência e Cultura, v. 57, n. 4, p. 21-23, out./dez., 2005.