Africanos - diáspora

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A ideia de pós-colónia em cientistas sociais africanos na diáspora

A ideia de pós-colónia em cientistas sociais africanos na diáspora

Este artigo tem como objectivo analisar a ideia de pós-colónia em textos de intelectuais africanos situados em academias euro-americanas 3 . De algum modo, poderemos inserir estes intelectuais como emergentes das elites modernas africanas. Esta é a forma como têm sido abordados, salientando-se a sua escassez, o seu nascimento associado ao encontro com o Ocidente e o lugar de destaque que os escritores têm neste grupo. A eles tem sido atribuída a tarefa de reflectir e de transmitir as suas ideias sobre as idiosincrasias dos seus locais de origem e de vivência 4 . A estas circunstâncias, classicamente tomadas quando se trata de abordar as elites intelectuais africanas, alia-se o facto de os cientistas sociais que oferecem o corpus deste artigo viverem em situação de diáspora. Aliás, é comum que os teóricos do pós-
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Construindo vidas na diáspora. Os africanos da cidade do Desterro, Ilha de Santa Catarina (Século XIX).

Construindo vidas na diáspora. Os africanos da cidade do Desterro, Ilha de Santa Catarina (Século XIX).

Pensar a cultura em termos de processo e, portanto, que está sempre em transformação torna possível encontrar nas experiências dos africanos da diáspora evidências de uma gama de vivências complexas nas quais estão expressos valores culturais ressignificados e reinventados. E, aqui, retomo a referência ao africano Kunta. Assim como ele, outros africanos possuíam histórias de família, recordações das comunidades ou reinos em que viviam, bem como das guerras travadas, dos rituais, das relações de parentesco e, na diáspora, reinventaram sua vida. Desde o sequestro violento na África, ao longo da travessia transatlântica e a trágica chegada ao Brasil escravocrata, onde foi submetido a um regime de trabalho e vida incompreensível para nós, homens e mulheres do século XXI, o africano vivenciou forte processo de transculturação, reinventando suas identidades e criando suas vidas dentro das possibilidades existentes. Em outras palavras, o tráfico atlântico, o desenraizamento e a escravidão dos africanos destruíram os vínculos que estes possuíam na África, mas não a consciência que permitiu a reinvenção das identidades e o estabelecimento de novas estratégias de sobrevivência no contexto da diáspora. Este artigo pretende visibilizar e analisar algumas dessas experiências e vivências estabelecidas por africanos numa cidade portuária ao Sul do Brasil: Nossa Senhora do Desterro, Capital da Província de Santa Catarina. 1
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Etnias de africanos na diáspora: novas considerações sobre os significados do termo 'mina'.

Etnias de africanos na diáspora: novas considerações sobre os significados do termo 'mina'.

O termo “ mina” , quando usado como designação étnica de africanos escravizados nas Américas, entre os séculos XVI I e XI X, tem sido geral- mente interpretado como relativo a pessoas trazidas da chamada Costa do Ouro (para os portugueses, Costa da Mina). A Costa do Ouro corresponde, grosso modo, à atual Gana, região de povos falantes das línguas akam ( fante , twi , etc.), que predominavam nesta área da costa e em sua imediata hinterlândia. Este uso do termo “ mina” gerou uma interpretação conven- cional de que eles falariam a língua akam . Em artigo recente, a historiadora americana Gwendolyn Midlo Hall questionou esta interpretação, sugerindo que a maior parte dos chamados “ minas” nas Américas vinham da Costa dos Escravos, que corresponde, segundo a designação atual, ao trecho da costa que vai do sudeste de Gana – passando pelo Togo – até o Benim, ao longo do qual se concentram os povos de línguas genericamente denominadas “ gbe” – antes conhecidas como “ ewe” – que, segundo Hall, seria a língua fa- lada pelos “ minas” . Atualmente, considera-se que a língua gbe abarca, além do ewe , o adja e o fon . Dada a força numérica da presença “ mina” nas Améri- cas, como corretamente observa Hall, esta revisão altera substancialmente a compreensão da formação étnica dos povos africanos nas Américas 1 .
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Da cupópia da cuíca: a diáspora dos tambores centro-africanos de fricção e a formação...

Da cupópia da cuíca: a diáspora dos tambores centro-africanos de fricção e a formação...

Matamba na decoração deste tambor de fricção da prancha de Praetorius pode indicar que este tambor do século XVII poderia pertencer à parafernália de insígnias de poder de algum nobre daquele reino, ou de sua orquestra de corte, ou ainda de algum outro nobre proveniente de algum dos reinos vizinhos, também referidos por Heintze. Por outro lado pode ser que o instrumento fosse usado ritualmente como uma representação exterior do poder político real, na ausência da presença física do mandatário. Se tomarmos como exemplo alguns dos usos dos tambores fricção na cultura Kuba, como veremos mais adiante, perceberemos que ambas as possibilidades podem ser verdadeiras. Como de fato, não conhecemos seu contexto de origem étnica, a inteireza do motivo gráfico e muito menos o seu significado simbólico, o mais provável, é que o referido motivo tivesse ainda um significado outro, que no momento infelizmente nos escapa por completo. Ainda sim, a presença deste motivo gráfico desconhecido neste tambor de quatrocentos anos atrás, que como vimos pode ser parte de um complexo sistema de escrita, demonstra a continuidade histórica destas tradições de escrita simbólica na cultura material dos instrumentos musicais da região, uma vez que o padrão Kuba, referido por Heintze, como um possível desdobramento estético ao longo do tempo do já referido motivo geométrico original pertencente à realeza de Matamba, também se encontra no motivo gravado na decoração, do já citado, tambor de fricção kwey ankaan dos kuba (Ver fig. 1). Além disso, sob um ponto de vista mais amplo, pode ajudar também a iluminar o sentido atlântico da história dos diversos padrões gráficos recriados por africanos e afro-descendentes no Brasil, como forma de escrever suas culturas também na materialidade dos corpos de seus instrumentos musicais, ou ainda em outros suportes materiais de grande valor simbólico e ritual. 144
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Living on the edge of African dreams: new identities for African and African diaspora Caribbean students in Brazil / Vivendo na fronteira de sonhos africanos: novas identidades para estudantes africanos e caribenhos da diáspora afro-caribenha no Brasil

Living on the edge of African dreams: new identities for African and African diaspora Caribbean students in Brazil / Vivendo na fronteira de sonhos africanos: novas identidades para estudantes africanos e caribenhos da diáspora afro-caribenha no Brasil

Among the reasons for choosing to come to Brazil for their education, students mentioned already having a family member here, the quality of higher education in Brazil being superior t[r]

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PENSANDO A DIÁSPORA ATLÂNTICA

PENSANDO A DIÁSPORA ATLÂNTICA

Ira Berlin (1999 apud Ferreira, 2006) sublinhou o papel dos crioulos atlânticos africanos que ao dominarem a língua e transitarem por entre a cultura europeia tornavam-se sujeitos cosmopolitas bem municiados para percorrer diferentes contextos. Os “crioulos atlânticos tinham em parte ou integralmente caracteristicas culturais da África, Europa e Américas” sendo “parte destes lugares que se integravam no litoral atlântico”. Neste sentido, torna-se relevante investigar práticas culturais que estavam ali conectadas. Não podemos deixar de destacar, também como um exemplo da complexidade destas interações culturais, a importância no Brasil de biografias como as de Alufá Rufino de Reis, Santos e Carvalho (2010) por nos dar a conhecer a trajetória de um indivíduo que transitou neste mundo atlântico e que foi capaz de integrar e ser integrado em diferentes lugares e culturas. É também o caso de destacar a experiência de libertos retornados a África que construíram ali um estilo de vida brasileiro (Cunha, 2012) ou, ainda, outros casos de formação de comunidades atlânticas nas quais havia uma interação marcada pela reciprocidade, enfim, é preciso pensar também como a África lidou com a influência americana. Ao centrar as análises na circulação de pessoas, no contato de diferentes linguas e culturas, abre-se a possibilidade de se recuperar as redes tecidas em diferentes partes do atlântico como afirma Hall (2005). Este processo diaspórico, inclusive, pode a rigor ser pensado tanto antes como após o tráfico.
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Cartografia da diáspora Áfica-Brasil

Cartografia da diáspora Áfica-Brasil

A África é o continente mais importante no suporte e na manutenção da estruturação do mun- do nos últimos cinco séculos, particularmente na formação do Novo Mundo, a América. O Brasil, por sua vez, é a unidade política contemporânea que registra as maiores estatísticas de importação forçada de contingentes populacionais africanos ao longo dos séculos XVI a XIX. Dessa forma, o território africano é um componente fundamental para uma compreensão mais apurada das questões que envolvem o papel da população de ascendência africana na sociedade brasileira. Por isso, o Brasil continental, plurirracial, multicultural e com uma historicidade em processo de reconstrução e uma diversidade étnica com conflitos, tem ainda, o desafio de assumir decisivamente a nação multiétnica resultante destes séculos de “conivência” com a África. Estes são pontos estruturais que preconizam a busca de equilíbrio na sociedade brasileira e no seu território e, sobretudo um tratamento ético. Por isso mesmo, se fazem necessário, interpretações mais consistentes das origens das suas populações nos primórdios da suas formações; de um melhor entendimento e representação da dinâmica desta diáspora no espaço e uma melhor configuração da sua identidade territorial ancestral.
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CARTOGRAFIA DA DIÁSPORA ÁFRICA – BRASIL

CARTOGRAFIA DA DIÁSPORA ÁFRICA – BRASIL

Dessa forma, um dos grandes desafios das pesquisas territoriais destinadas à diáspora africa- na está no silêncio das estatísticas do tráfico e na identificação da referência territorial, portanto, do lugar de origem dos grupos de africanos que entravam no Brasil. Entretanto, tomando como premissa as indicações conhecidas dos sítios e regiões da dinâmica das rotas do tráfico no Brasil ao longo dos quatro séculos do comércio de populações africanas (Anjos, 2000); os mapeamentos realizados por Castro (2001) sobre a fala das distintas sociedades da África no Brasil e os espaços onde se instalaram os ciclos econômicos colônias (Anjos, 2006), foi possível ser feito um cruza- mento dessas variáveis territoriais e inferir sobre a expressão etnográfica da África Sub-Saariana no Brasil dos séculos XVI até o XIX. Alguns contextos historiográficos e territoriais são relevantes:
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A REPRESENTAÇÃO DA DIÁSPORA EM UM DEFEITO DE COR

A REPRESENTAÇÃO DA DIÁSPORA EM UM DEFEITO DE COR

O padre que Kehinde menciona é o padre Heinz. O sacerdote cedera a cozinha de sua casa para Kehinde produzir os cookies. O dinheiro arrecadado com a venda desse biscoito e a fortuna encontrada no fundo da estátua de Oxum possibilitam a alforria de Kehinde e de seu filho Banjokô, que nasce depois de a protagonista ser violentada pelo “sinhô” José Carlos. Além desse, ela terá um filho chamado Luiz. Esse filho é fruto de uma relação que teve com o português Alberto e ainda criança fora, supostamente, vendido pelo próprio pai. A venda aconteceria no período que Kehinde vai para o Maranhão para realizar o seu aprimoramento como vodúnsi. Na tentativa de localizá-lo, ela desloca-se para várias cidades. A primeira parada é na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Tal cidade recebia muitos negros escravizados, vindos das mais diversas regiões. Os escravizados que desembarcavam no Rio de Janeiro ficavam expostos, antes de 1830, no mercado do Valongo, na paróquia de Santa Rita: “[n]a origem, Valongo era o nome da rua onde se localizavam as casas usadas como depósito dos africanos até serem vendidos para negociantes ou particulares” (KARASCH, 2000, p. 75). O local era muito frequentado. Pelo Valongo passavam não apenas escravizados, comerciantes, vendedores e compradores, mas viajantes estrangeiros.
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DIÁSPORA E OS ESPAÇOS MNEMÔNICOS EM “SAGA DE AGOTIME, MARIA MINEIRA NAÊ”

DIÁSPORA E OS ESPAÇOS MNEMÔNICOS EM “SAGA DE AGOTIME, MARIA MINEIRA NAÊ”

O último verso expressa que, embora isolada e escravizada, o renascer num novo era algo inevitável e uma certeza. Agotime encontrou-se com os Nagôs e através dos ancestrais africanos, teve conhecimento que seu povo, os “Negros- Minas” tinham sido levados para São Luís. A Rainha faz, num “ritual de fé”, “a prece pro seu povo encontrar” (DÉO, CARUSO, CLEBER E OSMAR, 2001). E, por meio da religiosidade e da memória dos seus e de suas práticas, ressignificaria os seus costumes, fazendo surgir uma ‘nova’ África em solo brasileiro/maranhense, como pode-se discutir contemporaneamente como encontro diaspórico. Assim, conforme a Comissão de Carnaval da Beija-Flor, responsável por pensar enredo e todo o desfile,
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Representações da diáspora na escrita de Orlanda Amarílis

Representações da diáspora na escrita de Orlanda Amarílis

contemporaneidade principalmente através do choque entre as tradições e a globalização dos costumes, entre as diferentes violências decorrentes do sistema colonial e dos processos tardios de independência e de entrada “forçada” e inevitável no mundo globalizado. Isso acontece não só pela real importância da ancestralidade nas culturas africanas, mas também por ser esta a imagem exclusiva de África que por tantos séculos vem sendo exportada para o mundo ocidental: uma África cultural e politicamente atrasada, embora valorizada por seus exotismos. Em decorrência desse lugar que ocupa no mundo, a produção literária dos países africanos foi por muito tempo desconsiderada. Com a valorização dos hibridismos e das falas das minorias, no entanto – valorização contraditoriamente decorrente dos mesmos processos de globalização que secundarizam a África nas relações comerciais e econômicas –, as literaturas africanas começaram a conquistar espaço no ambiente acadêmico. Jean- Paul Sartre já identificava, no prefácio que escreveu ao livro Os condenados da terra, de Frantz Fanon esse movimento de valorização das vozes antes excluídas da produção de conhecimento: “Numa palavra, o Terceiro mundo se descobre e se exprime por meio da voz”. 13
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Os africanos de uma vila portuária do sul do Brasil : criando vínculos parentais e reinventando identidades. Desterro, 1788/1850

Os africanos de uma vila portuária do sul do Brasil : criando vínculos parentais e reinventando identidades. Desterro, 1788/1850

Um outro exemplo disto pode ser evidenciado a partir da configuração da propriedade de Manoel Silveira de Sousa que possuía 9 escravos: 3 africanas e 1 crioula e 5 homens africanos. Uma de suas escravas, Rita, de nação conga, foi batizada juntamente com mais três africanos, Joanna e Mathias, ambos também de nação congo, e o Miguel, de nação moçambique, em 1815. Dois anos depois de sua inserção na vila, em 1817, Rita batiza sua primeira filha, a pequena Joaquina e, em 1819, o Mathias, ambos filhos legítimos. Entretanto, o pai das crianças e, portanto, companheiro de Rita, não foi nenhum dos que chegaram com ela em 1815, mas sim um outro africano: Manoel, um preto da costa que já havia sido traficado e batizado um ano antes da sua chegada, em 1814. Junto com o Manoel, que no registro do batismo aparece como sendo de nação cabinda, foram registrados João, de nação congo e Luis de nação cabinda. O que a história da trajetória desses africanos, particularmente de Rita e Manoel, que acabaram unindo suas vidas na diáspora indicam é que diante do contexto no qual foram inseridos houve a possibilidade de uma escolha. Rita, poderia ter preferido por companheiro um dos que chegaram com ela ou outro que já se encontrava na vila, como por exemplo, João que era da “mesma nação”. Por sua vez, também o Manoel
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A Política Externa de Cabo Verde e a sua Diáspora

A Política Externa de Cabo Verde e a sua Diáspora

47 Não obstante, os Estados Africanos trazem uma realidade que encerra uma pluralidade de estatalidades 122 – statehoods. Tal como enfatiza, Clapham podemos falar de graus de estatalidade – degrees of statehood. Robert Jackson contribui para este debate com a noção de Quase-estado, conceito que descreve aqueles Estados que, apesar do reconhecimento por outros Estados e pelas Instituições Internacionais dentro do SI, carecem de características credíveis e substanciais dentro daquilo que é a visão clássica Positiva do Direito Internacional. 123 No cerne da sua teorização, Jackson substancializa que os Estados consolidados gozam de uma soberania positiva, na medida em que têm governos que exercem um domínio efectivo sobre as suas pessoas e territórios e são capazes de se defender isoladamente ou com aliados contra ameaças externas. 124 Ao invés, os quase-estados gozam de uma soberania negativa, visto que a sua soberania assenta essencialmente no reconhecimento internacional. Tais Estados, normalmente, são incapazes de se defenderem militarmente contra ameaças externas de qualquer Estado industrializado que possua arsenais modernos. 125 Geralmente, não têm um total controlo do seu território, sendo que o seu Sistema Político é fraco e instável. Existem porque os Estados dominantes da Ordem Mundial assim o consentem.
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Terra Prometida, exílio e diáspora: apontamentos e reflexões sobre o caso judeu.

Terra Prometida, exílio e diáspora: apontamentos e reflexões sobre o caso judeu.

Por sua vez, em sua análise sobre os diferentes tipos de lealdade entre as diásporas judaicas e o Estado de Israel, Sheffer (2012, p. 77) observa a trans- formação ocorrida entre os judeus da diáspora e os israelenses, salientando que ambos experimentam problemas básicos relacionados com as lealdades recíprocas. Segundo o sociólogo israelense, o aumento das críticas dos judeus da diáspora a Israel e a fragilização da lealdade com o Estado de Israel são resultado das políticas implementadas pelos últimos governos do país com os palestinos. A desidentifi cação com o Estado de Israel (também conhecida como processo de dessionização) têm outras causas. Entre elas destaca-se o fato de as novas gerações serem mais resistentes a desenvolver um vínculo com a terra-mãe, a identifi cação dos judeus com seus países de residência, a estabilidade econômica e política que atingiram nesses contextos nacionais e a ausência de antissemitismo nos países ocidentais, 21 lugar no qual no qual
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Mulheres caribenhas escrevem a migração e a diáspora.

Mulheres caribenhas escrevem a migração e a diáspora.

Nesse texto de reflexões semiautobiográficas, Brand pondera sobre os significados de migração, perda e recuperação, deslocando-se habilmente entre ilha e centro metropolitano, mundo rural e urbano, mar e terra firme. Um final feliz nunca é alcançável porque a diáspora parece sempre gerar perdas, permanecendo em estado de inauspi- ciosa tensão com a (im)possibilidade de recuperação. A identidade caribenha que Brand recupera tem que estar sempre pronta para o processo de contínua autoinvenção. Ao se descrever, Stuart Hall sugere os termos “desloca- mento e disjunção” como elementos constitutivos de sua identidade como sujeito diaspórico caribenho. Para Hall, entretanto, há uma decisão clara de permanecer no lugar de destino diaspórico e participar como um elemento de resistência e apoio à segunda geração em seu processo de adaptação. Na verdade, como tem sido bem documentado nos Estados Unidos (algumas vezes de modo negativo por pessoas como Harold Cruse, em seu livro The Crisis of the Negro Intellectual: A Historical Analysis of the Failure of Black Leadership (1967)), os caribenhos tiveram participação ativa no período crítico da luta dos afro-americanos nos Estados Unidos por justiça e direitos humanos. Os caribenhos se consi- deravam legítimos integrantes dessa luta por acreditarem fazer parte de uma comunidade negra global e, particular- mente, por se verem alvo do racismo estadunidense.
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Poesia, diáspora e migração: quatro vozes femininas / Poesía, diáspora y migración: cuatro voces femeninas

Poesia, diáspora e migração: quatro vozes femininas / Poesía, diáspora y migración: cuatro voces femeninas

Se considerarmos as quatro autoras em perspectiva, podemos observar que para Evaristo e Clifton o escrutínio do arquivo da diáspora parece crucial para a definição de um discurso afirmativo e de assunção da voz de um sujeito que se localiza temporal e geograficamente no seu contexto cultural. Já para Brand e Agnant, duas poetas que vivenciaram a experiência migratória, além da consciência do legado da diáspora negra, a trajetória de dispersão parece inevitável e inclusive necessária para a construção de um novo sujeito, capaz de jogar um novo olhar sobre a sociedade civil contemporânea, fomentado pela práxis poética, civil e política.
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A migração de haitianos para o Brasil e os usos da razão

A migração de haitianos para o Brasil e os usos da razão

Tirando partido das abordagens descritas, entre outras contribuições fundamentais para o entendimento das dinâmicas associadas à diáspora haitiana, propomos três passos para alcançar uma maior compreensão sobre uma dimensão deste fenómeno na atualidade – a migração de haitianos para o Brasil: a) abordar as migrações haitianas a partir de uma perspetiva historicista, dando conta da importância estrutural que estas assumem no funcionamento da sociedade haitiana; procuramos perceber, também, como o “governo humanitário”, que se dedica à “gestão dos indesejáveis” (Agier, 2012) no próprio Haiti, e o “regime global de controlo da mobilidade”, através da construção e hierarquização da diferença (Moulin, 2012), interferem na produção de fluxos migratórios, tal como o nosso caso de estudo; b) compreender o contexto das politicas migratórias brasileiras na atualidade, traçando a sua evolução desde o projeto de embranquecimento da população através da miscigenação dos imigrantes europeus (Seyferth, 2002); para além disso, dar conta de exemplos da racialização dos critérios de aceitação dos migrantes (Gomes, 2003; Lesser, 1995) e das relações raciais no Brasil vis-a-vis o dogma da “democracia racial” brasileira (Hasenbalg, 1996); c) com base em informações recolhidas sobre o fluxo de haitianos para o Brasil e em textos académicos e não-académicos escritos sobre este tema, propomos analisar esta migração a partir das abordagens de Fassin sobre biopolitics of otherness (biopolítica da alteridade) (Fassin, 2001), pensando na complexidade das relações de poder e também na forma como a humanitarian reason (razão humanitária) (Fassin, 2012) é eficazmente invocada no contexto da agenda neoliberal, nomeadamente, pelas organizações humanitárias no Haiti, bem como nas relações entre o Brasil e o Haiti e os haitianos no Brasil.
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VIRGEM DO ROSÁRIO E SÃO BENEDITO: IRMANDADES NEGRAS NA CAPITANIA DOS GOYAZES

VIRGEM DO ROSÁRIO E SÃO BENEDITO: IRMANDADES NEGRAS NA CAPITANIA DOS GOYAZES

subestimada (GOMES; TEIXEIRA NETO, 1993 apud MIRANDA, 2011). Os escravos provinham dos portos de Belém, São Luís, Salvador e Rio de Janeiro. Analisando os batismos de adultos entre 1794 e 1827, Karash (2000 apud MI- RANDA, 2011) descreveu três grandes grupos de africanos: do Oeste Africano Sudaneses (Mina, Nagô, também chamados de Iorubas e Buça), da África Central (Angola, Rebolo ou Libolo, Benguela, Cabinda, Congo, Manjolo ou Munjolo, Moucumba) e do Leste da África (Moçambiques). Com base nessa informação, não surpreende que, nas listas de membros na Irmandade de Nos- sa Senhora do Rosário dos Pretos, feitas por Karash (2000), compareçam 12 africanos, sendo 9 angolanos, 2 minas e 1 conguinho. A maioria dos membros é listada com nome e sobrenome, evidenciando sua condição de negros criou- los, escravos, livres ou forros. Aparentemente as identidades étnicas se mistu- ram, visto que temos registro de Congo, Angola e Nagôs na mesma Irmanda- de. Essa mistura também é perceptível nos registros da irmandade do Rosário e São Benedito, no Rio de Janeiro, região de onde vieram muitos escravizados para a capitania dos Goyases (KARASH, 2000 apud MIRANDA, 2011). Tais especificidades étnicas são mantidas no registro oral das tradições negras na região, e estas podem ser observadas atualmente nas festividades populares de Nossa Senhora do Rosário, em Catalão, e em uma Congada goiana, a Congada da Vila João Vaz, por sua ligação próxima às Congadas catalinas.
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Vínculos sonoros na diáspora: Investigando a teia de afetos entre migrantes e o rádio expandido

Vínculos sonoros na diáspora: Investigando a teia de afetos entre migrantes e o rádio expandido

A relação de “pertencimento” a uma nação – ou a um grupo étnico, uma comunidade de gosto – é, portanto, socialmente construída e pode ser entendida também a partir das múltiplas mediações e de complexos processos de subjetivação. Em torno da “identidade nacional” brasileira dos sujeitos em condição de diáspora, articulam-se diversos mediadores, desde as esferas do poder público, do mundo do trabalho, das relações interpessoais, até o campo cultural, passando pelos meios de comunicação. Nesse contexto, o rádio expandido, multiplataforma, com oferta planetária via internet, desempenha papel que consideramos relevante investigar.
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Apresentação - Escrevivências de Mulheres Negras em Diáspora

Apresentação - Escrevivências de Mulheres Negras em Diáspora

negras em Diáspora vêm se constituindo enquanto potências em seu cotidiano, apontando de que modo os silenciamentos proferidos pelo ocidente eurocêntrico têm sido ressignificados, tanto no Brasil como em Cuba, e atrelados à ficção e à história nas narrativas das autoras citadas.

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