Análise do discurso - História

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RELAÇÕES ENTRE LÍNGUA E O REAL DA HISTÓRIA NA ANÁLISE DO DISCURSO

RELAÇÕES ENTRE LÍNGUA E O REAL DA HISTÓRIA NA ANÁLISE DO DISCURSO

Nesse texto, pretendemos lançar o olhar para o que, no campo da AD, considera- se como “Língua” em sua interface com o dizer. Para tanto, optamos ter como ponto norteador o livro “A língua inatingível: o discurso na história da linguística”, de Gadet e Pêcheux (2004). Dada a natureza deste trabalho, elaboraremos também aproximações com a obra Semântica e Discurso: uma crítica à afirmação do óbvio, de Pêcheux (1995), e o capítulo “A semântica e o corte saussuriano: língua, linguagem e discurso”, de Haroche, Pêcheux e Henry (2007). Mostraremos as considerações desses autores sobre alguns conceitos chaves à fundação da Linguística e que foram (re)significados de modo singular na AD, a saber, a relação entre significantes, entre significados, entre significante e significado, levando-se em consideração, sobretudo, os sujeitos que empregam o dizer. Dar relevância ao sujeito implica em considerar as relações sociais que são travadas, relações essas que podem ser de lutas, de embates e de insurreições contra exercícios de poder. Assim, nessa perspectiva, trazer o sujeito – seja como analista, seja como objeto de análise, para a análise desvela a historicidade e a ideologia que o constitui e o interpela a se posicionar enquanto tal. Poderemos dizer que, para a AD, é extremamente relevante considerar o porquê de o que foi dito por um sujeito em um dado momento não foi dito – e não poderia ser dito – de outra forma.
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HISTÓRIA DAS IDEIAS LINGUÍSTICAS E ANÁLISE DO DISCURSO: O CORTE EPISTEMOLÓGICO

HISTÓRIA DAS IDEIAS LINGUÍSTICAS E ANÁLISE DO DISCURSO: O CORTE EPISTEMOLÓGICO

Falar do passado é tentar estabelecer elos com a memória, tentando evitar que essa recuperação da memória se reduza a um acúmulo de informações sobre o passado. Estamos, na verdade, construindo aqui um “gesto de inter- pretação” sobre fatos que são, por sua própria natureza, lacunares, e, portan- to, devem ser lidos de forma não-linear. Importa produzir o efeito de presen- tificação de um passado que vem revelar nuances da história de um homem [Pêcheux] que, muitas vezes, se confunde com a própria história da teoria do discurso, que vem funcionar nos estudos da linguagem, tal como são concebidos hoje no Brasil. Nos interessa abordar um pouco da história da fundação da Análise do Discurso (AD), levando em conta que a recuperação de traços de memória revela também os esquecimentos, os silenciamentos, as lacunas, as saturações. Estamos lançando um olhar sobre essa história, trata-se de um ponto de vista que, seguramente, poderia ser outro e ainda assim estaria revelando traços importantes da história da fundação da Teoria do Discurso, tal como foi pensada naquela época (PETRI, 2006, p. 1-2).
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A ANÁLISE DE DISCURSO E A CONSTITUIÇÃO DE UMA HISTÓRIA DAS IDEIAS LINGUÍSTICAS DO BRASIL

A ANÁLISE DE DISCURSO E A CONSTITUIÇÃO DE UMA HISTÓRIA DAS IDEIAS LINGUÍSTICAS DO BRASIL

Para o presente trabalho, limitei-me a traçar algumas considerações gerais sobre o papel e os efeitos da Análise de Discurso, na linha dos trabalhos produzidos a partir de Michel Pêcheux, na França, e de Eni Orlandi, no Brasil, para a institucionalização de uma perspectiva discursiva da História das Ideias Linguísticas no espaço brasileiro. Farei um percurso sobre/entre alguns temas e questões de pesquisa caros à História das Ideias Linguísticas no Brasil, lembrando, aqui e ali, publicações que trabalham com essa área a partir dessa perspectiva discursiva. A esse respeito, é importante salientar que o conjunto das obras que citarei no decorrer desse trabalho não poderia ser exaustivo (o que seria impossível), mas tão somente ilustrativo.
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Análise do discurso sobre o "bom" professor de História no Brasil contemporâneo: uma questão de cidadania...

Análise do discurso sobre o "bom" professor de História no Brasil contemporâneo: uma questão de cidadania...

Tendo a perspectiva pós-estruturalista como orientação teórico-metodológica, mais especialmente a partir do uso de ferramentas das teorizações foucaultianas, esta Dissertação tem como objetivo investigar as condições de possibilidade para a emergência e a consolidação do discu rso sobre o “bom” professor de História no Brasil atual. Para tanto, lança-se um olhar de inspiração arqueogenealógica sobre esse discurso, analisando seu atravessamento em eventos que envolvem os processos de elaboração da Constituição Brasileira de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96, os Parâmetros Curriculares Nacionais para a disciplina de História no Ensino Fundamental, bem como a circulação de matérias sobre a disciplina escolar de História publicadas na Revista Nova Escola no período de 1992 a 2002. Como um dos principais resultados da análise, tem-se que a prática de significação da cidadania liberal no Brasil contemporâneo preparou um campo de possibilidades tanto para a emergência quanto para a consolidação do referido discurso, que se situa no entremeio de diversos focos dispersos e descontínuos de poder que atravessavam as discussões sobre o que seria um cidadão brasileiro na Nova República. Com base nisso, tem-se, como outros resultados da pesquisa, que o conceito de cidadania e a ideia de formação cidadã são os fios condutores de três eixos do discurso sobre o “bom” professor de História, instituindo-se que um “bom” professor dessa disciplina escolar no Ensino Fundamental deve formar: o cidadão crítico-moral; o cidadão competente; e o cidadão patriota. Conclui-se que a recorrência de enunciados desse discurso vai tecendo uma rede de significados e práticas que atuam na construção de um modelo de ser professor de História inventado em meio às novas demandas da sociedade brasileira pós- ditadura civil-militar, sem necessariamente considerar o seu processo de construção, permeado em si mesmo por uma variedade de atravessamentos de poder.
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Linguagem, subjetividade e história: a contribuição de Michel Pêcheux para a constituição da análise do discurso

Linguagem, subjetividade e história: a contribuição de Michel Pêcheux para a constituição da análise do discurso

A lingüística da enunciação foi também essencial para a Análise do Discursos, embora sejam poucas as referências a seus precursores, Benveniste e Jakobson, na AAD-69. A fenda aberta no estruturalismo pelo reconhecimento da enunciação foi fundamental para que se reincorporasse aos estudos lingüísticos a noção de subjetividade. Pêcheux, no entanto, contesta a noção de linguagem como sistema fechado em si mesmo, de Saussure, e a perspectiva individual e subjetiva de enunciação, de Benveniste, considerando a língua numa perspectiva histórica e social.

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Análise do discurso e ensino de história - trajetória e sentidos

Análise do discurso e ensino de história - trajetória e sentidos

Desde há muito tempo, os historiadores – que haviam aprendido que ‘a história se fazia com documentos’ – tinham empreendido o caminho dos arquivos; aliás, Michelet vangloriava-se de ter sido um dos primeiros a tomar tal iniciativa. Quando se impõe, aos poucos, com os Annales, uma história econômica e social, com base em contagens e na constituição de séries, que recorre ao tratamento estatístico dos dados e do computador, os pesquisadores vão frequentar os arquivos com uma assiduidade cada vez maior. Mas o conteúdo do que é procurado nesses centros é algo diferente: registros paroquiais, atos notariais e séries demográficas. Os historiadores modernistas são os pioneiros dessa ‘nova arquivística’. Aprofunda-se a distância entre arquivo e acontecimento, assim como entre arquivo e memória. O arquivo, por si só, não diz nada, ou quase nada. Sem ser dado, mas produzido, ele se torna, de fato, um objeto de segunda ordem: abstrato. Como escreve, na época, Michel de Certeau: ‘Ele suprime o questionamento genealógico do qual havia surgido para se tornar a ferramenta de uma produção ’ (p. 233).
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A DISCURSIVIDADE DO CLIQUE NA PRODUÇÃO DE SENTIDOS E SUJEITOS

A DISCURSIVIDADE DO CLIQUE NA PRODUÇÃO DE SENTIDOS E SUJEITOS

Na obra althusseriana, a materialidade está relacionada aos modos de produção em uma formação social histórica concreta, sendo ao mesmo tempo a “‘base’ (Basis: Marx) da luta de classes; e, simultaneamente, […] a sua existência material” (ALTHUSSER, 1978 [1973], p. 28) e interessa à medida que se configura como um ponto de compreensão da sociedade e dos movimentos da história. A consideração da materialidade pela Análise de Discurso apresenta outro objetivo: compreender a constituição dos sentidos. Por isso, o Materialismo Histórico não é a única disciplina que compõe o quadro da AD e nem mesmo é retomado sem reformulações. Ela se apoia ainda em dois campos: na Linguística e na Teoria do Discurso, sendo essas três regiões “de certo modo, atravessadas e articuladas por uma teoria da subjetividade (de natureza psicanalítica)” (PÊCHEUX; FUCHS, 2010 [1975], p. 160).
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O Discurso da Análise: Ensaio Epistemológico sobre as Doutrinas do Discurso

O Discurso da Análise: Ensaio Epistemológico sobre as Doutrinas do Discurso

o segundo enunciado se esclareceria por um terceiro que, por sua vez, seria dependente do primeiro da série. Por exemplo, podemos esperar que a linguagem seja explicada pela história e que a história, por sua vez, seja esclarecida pelo sujeito 2 . Isso aconteceria em uma amostra de jogo ideal, pois são possíveis diversas variações. Inclusive, o preenchimento da primeira posição é livre, assim como o preenchimento das demais. Seria possível começar com uma outra amostra, na qual o sujeito preenchesse a primeira posição e fosse sucedido por qualquer dos outros saberes e suas derivações, indistintamente. Poderia até mesmo acontecer de um saber ser articulado às derivações do seu próprio arco semântico, antes de se articular com um outro saber qualquer. Derivações no sentido que a história poderia se passar por arquivo, narrativa etc., a linguagem poderia ser substituída por língua, idioma etc. e o sujeito poderia ser trocado por agente, pessoa etc. Há uma completa falta de ordem e de um caminho definido entre os enunciados da cadeia do discurso da análise, o que permite a cada vez uma interpretação diferente segundo o repertório cultural e a experiência levada em consideração. O que fica do movimento e da dinâmica do discurso da análise é que um enunciado se articula em um outro enunciado mais explícito. O discurso da análise nada indica, seu enunciado se remete senão para outro enunciado.
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OBJETOS PARADOXAIS NA HISTÓRIA DAS IDEIAS LINGUÍSTICAS: UMA PESQUISA SOBRE O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL

OBJETOS PARADOXAIS NA HISTÓRIA DAS IDEIAS LINGUÍSTICAS: UMA PESQUISA SOBRE O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL

Tal como iniciada por Auroux na França, a História das Ideias Linguís- ticas (HIL) conduziu à reflexão sobre o papel dos instrumentos linguísticos no desenvolvimento das civilizações, procurando considerar o impacto da história do desenvolvimento das ciências e ideias relacionadas à linguagem e seus desdobramentos na estrutura das línguas, das relações sociais e dos acontecimentos históricos. Por outro lado, a Análise do Discurso Francesa (AD), fundamentada nas ideias de Pêcheux, desde seus primórdios já se con- frontava epistemologicamente com as bases do conhecimento linguístico, ao questionar suas fronteiras e ao propor que o conhecimento científico não se dissocia do político e do ideológico. A interface entre essas disciplinas, que se dá com o projeto de Orlandi, no Brasil, permitiu o desenvolvimento de uma análise crítica da constituição da língua nacional brasileira, a qual aponta os reflexos do discurso colonizador (MARIANI, 2004) na formula- ção dos instrumentos linguísticos aqui produzidos e o peso ideológico das
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Do sistema à ação, do homogêneo ao heterogêneo: movimentos fundantes dos conceitos de dialogismo, polifonia e interdiscurso.

Do sistema à ação, do homogêneo ao heterogêneo: movimentos fundantes dos conceitos de dialogismo, polifonia e interdiscurso.

Das três posições constituem-se, então, dois polos opostos que deram a tônica dos debates/embates da linguística moderna, os quais refletem uma dissociação fundadora entre o lógico e o retórico, que sempre esteve presente na história da reflexão ocidental: o lógico, observado desde as perspectivas platônica e aristotélica, centra-se na problemática da linguagem enquanto representação – concreta ou mental –, colocando a questão das condições de verdade do enunciado através de uma análise da proposição; o retórico, propriedade dos sofistas, não reconhecendo a condição de representação da linguagem, volta-se para o estudo da força persuasiva do discurso, para a apreensão da linguagem como discurso produtor de efeitos, como poder de intervenção no real.
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Análise de Discurso na pesquisa sobre ensino e aprendizagem

Análise de Discurso na pesquisa sobre ensino e aprendizagem

Bakhtin sugere, assim, que a distorção que o sujeito opera na compreensão da realidade não pode ser explicada exclusivamente pela história individual de um psiquismo, como pretende a psicanálise, e busca as conexões esclarecedoras da verdade do sujeito nos sistemas ideológicos sedimentados no contexto social a que este se encontra submetido. A análise do discurso é uma técnica de pesquisa que apresenta uma grande gama de variações e abrangências: “são várias as correntes de análise que se apresentam, se entrecruzam no momento atual, em torno da disciplina que se convencionou chamar: ‘Análise do Discurso’” (MACHADO, 2001, p. 39).
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A história e o discurso da lei : o discurso antecede à história

A história e o discurso da lei : o discurso antecede à história

Gilberto Freyre é o grande teórico da família brasileira — seus estudos sobre o tema são uma grande fonte de referência. Destaca-se que não se relaciona com nenhuma escola ou com alguma tradição historiográfica específica; no entanto, foi, certamente, o mais importante estudioso da cultura brasileira, abordando de maneira poética o espaço, os cheiros, as cores e até os barulhos do mundo da casa-grande e do complexo familiar. Através de sua fluidez conceitual, elaborou e difundiu um poderoso sistema ideológico em torno da família patriarcal que eliminou as contradições do processo histórico brasileiro em nome de uma pretensa harmonia social. Também foi o pioneiro em explorar toda uma rica documentação para o estudo da vida sexual e da família na Colônia, como os ‘livros de assentos’, onde o cabeça do casal registrava não só as despesas da casa mas também as efemérides. A respeito disso, Gilberto Velho, ao tratar da obra de Gilberto Freyre, declara: Não pretendo, nem tenho condições de fazer uma análise exaustiva da obra de Freyre. Quero apenas chamar a atenção para alguns pontos que mais me impressionam. Fundamentalmente, trata-se de um senhor pesquisador, que consultou fontes primárias, examinou documentos, percorreu jornais, diários, procurando informações de todas as maneiras. Sua percepção da importância de dados, que para muita gente seriam considerados pouco relevantes, levou-o a fazer hipóteses estimulantes e originais sobre moral, sexualidade, família, religião, numa época em que a maioria desses tópicos era tabu ou menosprezado. (...) Estudou a cultura, procurando identificar as maneiras, os modos peculiares à sociedade brasileira 199 (grifo do autor).
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REPOSITORIO INSTITUCIONAL DA UFOP: A religião nacional : a experiência brasileira em Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro.

REPOSITORIO INSTITUCIONAL DA UFOP: A religião nacional : a experiência brasileira em Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro.

A tarefa de escrever uma história nacional estaria pautada, sobretudo, na necessidade de consolidação de um espaço e de uma estrutura para o ser nacional como fonte e objeto da experiência. Fernandes Pinheiro insere-se em um quadro notório de estabilização dos caminhos e rumos que a nação brasileira tomou. Isso significa dizer que, como conceito organizador de uma experiência, a nação, a partir de um determinado período, instaura-se como uma realidade existente, capaz de dotar de sentido e configurar os limites da experiência daqueles homens. Assim, procuraremos mapear as obras de Fernandes Pinheiro a fim de responder a seguinte questão: qual a sociedade nacional projetada em seus textos? Nota-se que, no argumento de Fernandes Pinheiro, a sociedade que queria progredir precisaria acreditar em suas instituições. Assim, reconhecemos que a necessidade de afirmação do presente, a partir de uma leitura específica do passado, encontra o seu lugar no desafio de sustentação do Estado Imperial que precisa se edificar moralmente perante seus pares e se justificar incessantemente junto à sociedade que o abriga, ao passo que encontra-se em um momento de transformação vital, em que a própria história precisa abarcar realidades mais amplas e, por sua vez, distintas daquela que, uma vez, a orientava. A atuação de Fernandes Pinheiro aponta para o rompimento, ainda que tímido, com a visão institucionalizada da religião a partir do repertório possibilitado pela própria religião. Por outro lado, a tensão presente na diferenciação entre a história mestra da vida e o conceito moderno oferecem elementos para esse uso consciente da religião, no sentido de construir aquilo que chamaremos aqui de religião nacional, base para crença capaz de tornar objetos ausentes em realidades sensíveis aptas a fomentarem o repertório para a formação de um gosto nacional. O imaginário nacional precisava estar amparado na crença em sua existência sensível.
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Bernardo Mançano Fernandes, Leonilde Servolo de Medeiros e Maria Ignez Paulilo (Orgs.)

Bernardo Mançano Fernandes, Leonilde Servolo de Medeiros e Maria Ignez Paulilo (Orgs.)

Para o estudo da dinâmica dos confl itos internos no assentamento, a posição expressa por Raffestin (1993) é fundamental. Esse autor faz a crítica da geografi a política clássica de Ratzel, entre outros, para se contrapor à noção de que o poder refere-se exclusivamente ao Estado. Com base no princípio de que a verdadeira geografi a só pode ser uma análise dos pode- res, segue a defi nição foucaultiana de poder: 1) algo que não se adquire e é exercido a partir de inúmeros pontos; 2) é imanente a todas as relações; 3) vem de baixo e não há oposição entre dominante e dominado; 4) tem intencionalidade e não subjetividade; 5) onde há poder há resistência, e esta não é exterior àquele. A partir disso, o autor coloca que o poder não é infl uência nem autoridade e que, portanto, está ligado à manipulação dos fl uxos de energia e informação, como duas variáveis inversamente proporcionais. Para Raffestin, território é um conceito que se diferencia da noção de espaço. Aquele é resultado da ação de um ator social que, quando se apropria de um espaço, o territorializa. Porém, o conceito de território não é sufi ciente sem o de rede, que o complementa. Junto ao território, nos lugares do poder, há nodosidade, centralidade e marginalidade. Ou seja, há lugares que apresentam densidades mais fortes ou mais fracas de relações, como aspecto das redes. Segundo Raffestin, do território surgem tessitura, nó e rede; portanto, deve-se levar em conta esse conjunto de superfícies, pontos e linhas. Podemos apoiar-nos nesse geógrafo para entender um as- sentamento de reforma agrária como um território (dentro de outro maior) em que os lotes são nós (pontos), e as redes são as linhas que unem os pontos, ligando fragmentos (gerando e/ou gastando energia e informação) e, assim, compondo tessituras.
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História das agriculturas no mundo   Do neolítico à crise contemporânea   Marcel Mazoyer e Laurence Roudart

História das agriculturas no mundo Do neolítico à crise contemporânea Marcel Mazoyer e Laurence Roudart

Nas regiões áridas, ou aridifi cadas em consequência de seu próprio desma- tamento ou do desmatamento das regiões periféricas, a vegetação torna-se rara, o solo desprovido de matéria orgânica se torna esquelético, e os cultivos pluviais se tornam impraticáveis. Só continuam cultiváveis as zonas bene- fi ciadas por um aporte exterior de água. Essas zonas privilegiadas formam oásis verdejantes mais ou menos extensos, abastecidos em água seja pelos grandes rios que se alimentam nas regiões chuvosas afastadas, seja pelos cursos de água que descem das montanhas vizinhas que recebem uma maior pluviometria, ou pelo ressurgimento de lençóis subterrâneos abastecidos em água pelo exterior ou, ainda, pelos lençóis fósseis. Cultivar esses oásis e vales não era tarefa fácil: exigia frequentemente manejos hidráulicos pré- vios, às vezes simples, mas às vezes também gigantescos. É nesse tipo de ambiente que, desde a mais alta Antiguidade, as novas formas de agricultura não pluvial (cultivo em áreas de inundação e cultivos irrigados), baseados em tais manejos, geraram as primeiras grandes civilizações hidroagrícolas da história. Assim, no sexto milênio, os povos cultivadores e criadores do Saara, da Arábia e da Pérsia, expulsos pela seca que começava a se abater nessas vastas paragens, recuaram rumo aos vales aluviais baixos do Indo, do Tigre, do Eufrates e do Nilo. Vindos de todas as regiões, esses povos tão diversos, que desde tempos imemoriais levavam seu gado para pastar nesses vales, começaram a cultivar as margens. Em seguida foi preciso realizar os ordenamentos necessários para proteger esses cultivos das cheias intem- pestivas, assegurar uma provisão de água sufi ciente ou, em caso contrário, para evacuar todo excesso de água prejudicial.
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Organizadores e colaboradores

Organizadores e colaboradores

Doutor pela Albert-Ludwigs-Universität in Freiburg/Br. Livre- docente pela Johannes-Gutenberg-Universität de Mainz. Professor de Filologia Românica (Linguística) na Ludwig-Maximilians- Universität, em Munique. Desde 2013 é CEO do Instituto da Cultura Alemã e da História da Europa do Sudeste (IKGS). Tem interesse nas áreas: variedades diacrônicas e sincrônicas, formação do romance em línguas nacionais e integração metodológica e prática das novas mídias para a investigação linguística.

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A relação entre os participantes no quadro Bate-papo do programa Vida e Saúde (RBSTV/RS).

A relação entre os participantes no quadro Bate-papo do programa Vida e Saúde (RBSTV/RS).

No exemplo, a fala se sobrepõe e, após a breve observação de Laura Medina, o Médico-Psiquiatra Cláudio Martins segue explicando os sintomas da ansiedade. A própria imagem reflete essa sobreposição, essa fala concomitante (sublinhado na Figura 1). Os movimentos das mãos são indicativos de que tanto a entrevistadora quanto o entrevistado estão falando ao mesmo tempo. O olhar e o movimento do corpo/cabeça, ombros também são reveladores do acompanhamento das falas dos participantes e da consequente sobreposição de suas conversas nesse fragmento. Aqui, a contribuição da análise multimodal torna-se imprescindível. Para O'Halloran (2011), a ADM inclui a interação entre os participantes: a linguagem falada, os sistemas semióticos (incluindo o olhar, a postura corporal e o gesto) e os efeitos da gramática televisiva (incluindo o ângulo da câmera e o tempo de duração do quadro). Nesse exemplo, interessa
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Nadir Lara Júnior Professor Doutor do PPG em Ciências Sociais da Universidade do Vale do Rio dos Sinos. e-mail: nadirlunisinos.br; nadirljhotmail.com Resumo

Nadir Lara Júnior Professor Doutor do PPG em Ciências Sociais da Universidade do Vale do Rio dos Sinos. e-mail: nadirlunisinos.br; nadirljhotmail.com Resumo

Faço essa referência apenas para indicar uma das ciladas comuns na interpretação dos textos católicos brasileiros que tratam das questões sociais, levando a equívocos de interpretação tanto de bispos quanto de intelectuais comunistas, ainda que por razões opostas. Marxistas que conhecem mal o próprio marxismo, porque trabalham com ele numa perspectiva economicista e evolucionista ainda muito próxima do comunismo da Segunda Internacional, têm muita dificuldade para ler corretamente os textos católicos que trate de questões sociais. Exatamente porque deixam de lado a dimensão propriamente religiosa que perpassa tais textos, fazendo deles uma leitura materialista vulgar. Por razões opostas, o mesmo se pode dizer do católico que, sem conhecer o método de Marx e sem reconhecer no conhecimento que dele resulta um conhecimento científico, acaba fazendo uma leitura religiosa, e não científica, do materialismo. Frequentemente, encarando a análise materialista como análise ‘religiosa’ por ser, supostamente, uma análise ‘anti-religiosa’ materialista. (MARTINS, 1989, p. 30-31).
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Open Tipologia de enfermeiras terapeutas comunitárias na perspectiva Weberiana

Open Tipologia de enfermeiras terapeutas comunitárias na perspectiva Weberiana

Introducción: La enfermería psiquiátrica y salud mental comunitaria es un área de conocimiento que ha sufrido cambios estructurales a lo largo de su trayectoria histórica. Estas modificaciones se percibe tanto en la práctica como en términos de conocimientos y promover cambios en la identidad y el papel de las enfermeras que trabajan en este ámbito. Por lo tanto, la terapia comunitaria Integrativa (TCI) para establecer una tecnología tener cuidado que se ha propagado a través de la red de Atención Primaria de Salud (ABS) del país y contribuido a la práctica de la enfermera ser más competentes y humanizarse. Objetivo: Analizar los cambios en las prácticas de las enfermeras que trabajan en ABS, de la implementación de TCI, teniendo en cuenta la aparición de un nuevo tipo de enfermera que consolida los avances en el campo de la enfermería comunitaria en el ámbito de la salud mental. Metodología: El estudio se basa en conocimiento cualitativo y la interpretación. Se lleva a cabo con 14 enfermeras que llevan a cabo las ruedas del TCI en la Estrategia de Salud de la Familia en Campina Grande- PB, Patos-PB y Santa Luzia-PB. El material empírico se producían por medio de los dos grupos focales, realizado en el mes de 2014 Mayo en Santa Luzia y Joao Pessoa, tener dos entrevistas fueron realizadas individualmente. El corpus se analizaron por medio de la teoría del análisis del discurso de línea Francesa de Eni Orlandi. El estudio se realizó de acuerdo con las normas de la resolución 466/ 2012 que involucra seres humanos, y que ha sido aprobado en abril 24, 2014, en caso 19482313.7.0000.5188. Resultados: Se identificaron dos bloques discursivos: Visiones paradigmáticas de las enfermeras terapeutas Comunidad antes de la capacitación y formación de visiones paradigmáticas: Tipología de enfermera terapeuta Comunidad, por lo tanto, respectivamente, han sido prácticas que se han identificado
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A INFLUÊNCIA DO DISCURSO PUBLICITÁRIO UTILIZADO PARA A MODA INFANTIL NO PROCESSO DE ADULTIZAÇÃO PRECOCE DE CRIANÇAS DO SEXO FEMININO

A INFLUÊNCIA DO DISCURSO PUBLICITÁRIO UTILIZADO PARA A MODA INFANTIL NO PROCESSO DE ADULTIZAÇÃO PRECOCE DE CRIANÇAS DO SEXO FEMININO

 Coleção Outono/Inverno de 2017: o discurso publicitário teve a duração de 51 segundos. Foi um casal de modelos vestindo vários looks da referida marca, (são dez no total, sendo seis femininos e quatro masculinos) e durante todo esse período é tocada uma música de rock bem agitada. O cenário é um beco que dá para um bar. A decoração é feita com jornais de estampas variadas e colados na parede de tijolinho, tem poça d’água no chão, um aparelho telefônico no estilo de “orelhão” e uma escada de acesso a algum lugar. O casal de modelos dança de um jeito bem sensual, às vezes sorrindo e fazendo “caras e bocas”.
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