Arte e política

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Arte e políticA: A consolidAção dA Arte como Agente nA esferA públicA

Arte e políticA: A consolidAção dA Arte como Agente nA esferA públicA

Com efeito, a temática da arte política parece ter caído no gosto das principais instituições de arte a partir de junho de 2013. Desde então houve uma sucessão de exposições que abordaram a aproximação entre processos artísticos e ativismo político em importantes eventos de arte no país. De julho a setembro de 2014, no Rio de Janeiro, a exposição ArteVida, concebida pelos curadores Adriano Pedrosa e Rodrigo Moura, mobilizou quatro espaços exposi- tivos da cidade. A mostra dividiu-se nos seguintes módulos: Corpo (localizada na Casa França-Brasil), Arquivo (Biblioteca Parque Estadual), Política (Museu de Arte Moderna) e Parque (Escola de Artes Visuais do Parque Lage). Embora tives- se enfoque histórico, trazendo obras produzidas entre as décadas de 1950 e 1980, incluía discursos de teor político e referia formas de engajamento políti- co e social para tratar da relação entre arte e vida. A exposição se dava num momento em que novas formas de pensar o engajamento político da arte vi- nham sendo elaboradas e postas em prática. Era, de certo modo, uma fonte de inspiração histórica para os acontecimentos presentes, para a arte que vem sendo feita hoje. Essa exposição pretendia lançar um panorama da arte crítica produzida naquela época, e por mais que não tenha abordado as recentes ma- nifestações artísticas e ativistas, deu grande destaque para a relação de arte e política na produção brasileira.
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Arte e política no romantismo alemão

Arte e política no romantismo alemão

Esta dissertação investiga a relação entre arte e política no pensamento do Romantismo alemão e, mais especificamente, no período chamado de Primeiro Romantismo (Frühromantik), tomando por base a obra de dois autores, Friedrich Schlegel e Novalis (Friedrich von Hardenberg). A arte ou a poesia, que é como os românticos chamam o princípio de criação que determina toda a atividade propriamente artística, atravessa como um elemento fundamental o pensamento primeiro romântico, formando a partir disso uma compreensão que se dirige ao problema do político. O trabalho busca interpretar essa relação, partindo do pensamento poético-filosófico dos autores, para desenvolver, então, as consequências disso em sua filosofia política e em sua filosofia do Estado. Leva-se em conta, para isso, tanto as perspectivas surgidas da revolução idealista e da crescente importância da arte neste período, quanto o horizonte histórico determinado pela Revolução Francesa, que cria um espaço ao mesmo tempo de crise e de abertura de possibilidades para um novo projeto de vida política e social. Assim, a partir de um imperativo estético e hermenêutico, o Romantismo formula uma solução conduzida pelo princípio poético para as questões políticas que surgem neste momento decisivo da Modernidade. No projeto de uma nova mitologia, os românticos articulam uma forma de legitimação e integração da comunidade orientada pela constituição de uma simbologia poética e de um imaginário coletivo, que busca reverter o diagnóstico da época moderna como um momento de dissolução da vida comum nos limites da esfera privada, bem como proporcionar, através do constate processo criativo, o rejuvenescimento da própria cultura. O ideal de formação (Bildung), por sua vez, é pensado pelo Primeiro Romantismo como uma política superior, isto é, uma via
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Nise da Silveira: imagens do inconsciente entre psicologia, arte e política.

Nise da Silveira: imagens do inconsciente entre psicologia, arte e política.

A crermos em Eurípedes, os mitos dionisíacos apresentam certas caracte- rísticas que indicam a negação da esfera privada e da esfera pública, do oikos e da polis. Inversamente à religião oficial que se prende ao ideal da sophrosyne, ao controle harmônico do indivíduo dentro de certas normas, o dionisismo aparece como uma libertação. Basta lembrar que nas Bacantes, o cosmos retorna ao caos a fim de que tudo possa renascer. O ra, no contato inicial com a obra de N ise da Silveira o meu próprio trabalho de pesquisa reordenou-se, transitando entre a estética da recepção e a psicanálise da criação artística, composição esta que dura até hoje. N esse sentido, falar da doutora N ise é lembrar a potência de sua obra. É registrar a força dessa mulher tímida, inteligente e obstinada, conforme a definiu Graciliano Ramos que a conheceu no cárcere junto com O lga Prestes. N ão bas- tasse ser mulher e nordestina, médica e psiquiatra, foi também uma antipsiquiatra precoce, com idéias socialistas em pleno Estado N ovo. E foi dessa configuração muito singular que certamente resultou a obra que a tornou conhecida no Brasil e no exterior: o Museu de Imagens do Inconsciente. Como definir esse Museu ? Costuma-se dizer que o Museu de Imagens do Inconsciente se constituiu desde o princípio como um núcleo de pesquisa da esquizofrenia – núcleo lidera- do por sua criadora que, em última análise, utilizou a expressão plástica como um meio de acesso à interioridade dos esquizofrênicos e levou ao conhecimento do grande público as obras de seus pacientes. Essa caracterização é realista. N o entanto, é bastante acanhada se quisermos apreender a complexidade simbólica do campo que esse museu inaugura, complexidade que surge se tomadas em consideração as milhares de imagens que aí foram elaboradas, desde a sua funda- ção, em 1952 . N essa direção, a trilogia do cineasta Leon H irszman intitulada Im agens do inconsciente faz uma apresentação sintética e muito sensível desse cam- po de sentidos que abre a passagem entre o hospício e o mundo das imagens, campo que articula psicologia, arte e política numa única trama cultural.
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A permanência e a ruptura : arte e política em Hannah Arendt.

A permanência e a ruptura : arte e política em Hannah Arendt.

O presente trabalho assume por escopo a exposição da relação entre arte e política no pensamento de Hannah Arendt, tendo em vista apresentar o modo tal qual esta autora a visualiza por meio da articulação dos conceitos de ruptura e de permanência. Para tanto, recorre-se a obras como A condição humana (1951), Entre o passado e o futuro (1968), Homens em tempos sombrios (1968) e A vida do espírito (1978), na medida em que esses escritos parecem condensar traços fundamentais dessa discussão, dados como via efetiva de aproximação dessa problemática. Um primeiro capítulo concentra-se no enfoque do quadro geral entorno do qual Arendt compõe sua teia reflexiva, isto é: aquele constituído pelas questões políticas que emergem nos eventos do século XX. Afere-se o diagnóstico de um contexto amplo de crise extraído da compreensão de um inegável esgarçamento da tradição política e moral ocidental. Fissuradas as categorias políticas e morais tradicionais orientadoras de ação e pensamento, experimenta-se a radicalidade da incapacidade de julgar, vinculada à inacessibilidade do passado que reverbera na própria opacidade do presente. Em face da constatação da crise dada como sinônimo de obscurecimento do mundo, à qual arte e política – dimensões por excelência pautadas na permanência – não passam incólumes, transita-se a um segundo capítulo cuja reflexão atém-se à ideia de cultura diante da perda da tradição; percorre-se o tema da cultura em uma sociedade de massas, articulando-o a conceitos como filisteísmo e entretenimento. O terceiro momento, assumindo o tema da ruptura encadeado pelos capítulos anteriores, evidencia a reabilitação da aparência como horizonte capaz de demonstrar a relação existente entre arte e política contemporânea, chegando, portanto, ao ponto central de nossa proposta.
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Downtown scene: arte e política no espaço urbano

Downtown scene: arte e política no espaço urbano

Como práticas artísticas os artistas da Downtown Scene percorreram o campo das artes visuais como um todo, principalmente as linguagens da performance, da música e da arte urbana (PALLAMIN, 2000). Essas linguagens, em certa medida, se conectavam a prática dos happenings, produzidos nos anos 1960 por alguns artistas que inluenciariam a Downtown Scene, como Alan Kaprow, Joseph Beyus, Carolee Schneemann e Claes Oldenburg. Essas produções através de seu caráter crítico, efêmero e espontâneo possibilitaram o surgimento de ações mais experimentais nos espaços urbanos, motivando posteriormente outros artistas a problematizarem questões presentes na cidade. Esse caráter experimental também estava presentes em artistas como John Cage e Robert Rauschenberg que inluenciariam diretamente alguns artistas da Downtown Scene como Laurie Anderson, Trisha Brown e Gordon Matta-Clark. Esses “acontecimentos” espontâneos aliados às questões críticas foram essenciais para promover uma cissão aos modelos tradicionais de produção artística, possibilitando transformações nessas práticas.
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Esculpindo para o Ministério: arte e política no Estado Novo

Esculpindo para o Ministério: arte e política no Estado Novo

deputado federal pelo Partido Republicano Mineiro (1903), sendo reeleito diversas vezes; ministro da Agricultura, Indústria e Comércio (1914), durante a gestão de Venceslau Brás; e ministro da Fazenda (1915), voltando, em 1918, à Câmara Federal. Chefiou a representação brasileira na Conferência de Paz de Versalhes, ao término da Primeira Guerra Mundial. Nomeado por Epitácio Pessoa, foi o único civil a ser ministro da Guerra no período republicano. Em 1922, enfrentou os levantes tenentistas, tendo sido responsável pela prisão de Hermes da Fonseca e pelo fechamento do Clube Militar. Com o fim de seu mandato, se afastou da vida política, por ser contrário à eleição de Arthur Bernardes, passando a se dedicar a atividades intelectuais. Em 1930, apoiou a candidatura de Getúlio Vargas e atuou no novo governo em questões legislativas e financeiras dos estados e municípios. Em 1933, foi eleito deputado federal pelo Partido Progressista mineiro com a maior quantidade de votos até então conquistados por um deputado. Publicou diversos trabalhos entre eles: As Minas do Brasil e Sua Legislação (3 v., 1904-1905), A Política Exterior do Império (3 v., 1927-1933), considerada sua obra mais importante, Formação Histórica do Brasil (1930) e Conceito Cristão do Trabalho (1932). Ver verbete Pandiá Calógeras, CPDOC/FGV. Disponível online: http://www.fgv.br/cpdoc/busca/Busca/BuscaConsultar.aspx Acesso em: 24/5/2014.
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Brasil em Jogo: Futebol, arte e política em campo

Brasil em Jogo: Futebol, arte e política em campo

Essa é uma discussão pertinente ao coletivo Mapas e Hipertextos, posto que suas proposições artísticas são efeito de um processo de percepção dos contextos sociais, políticos, econômicos e culturais do cotidiano, enfatizando suas contradi- ções e idiossincrasias, buscando também formas menos hierárquicas de convívio em contraposição a um regime meritocrático e de forças opressoras. Dessa maneira, e no contexto específico em que vivíamos, seria incoerente tanto não aceitarmos aquele atravessamento, quanto não agirmos a partir daquilo que estávamos sentindo diante da iminência de um golpe e de todas as consequências políticas e sociais dele. Nossa intenção era discutir uma possível ação artística que, além de criar resistência àquilo que estava em andamento na política por uma perspectiva ativista, também evidenciasse o lugar da criação artística contextual. Depois do compartilhamento de pontos de vista e exposição de nossas angústias, um dos integrantes do coletivo, Everton Lampe, sugeriu desenvolvermos uma ação usando as estratégias de um jogo de futebol. Tal escolha nos pareceu pertinente, uma vez que a exploração da estru- tura futebolística e suas inúmeras camadas de sentido nos abriam múltiplas possibi- lidades de criação.
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Arte e política: o quadro normativo e a sua reversão.

Arte e política: o quadro normativo e a sua reversão.

poder de determinar a sua própria recepção, o que permite ao quadro normativo estender-se tanto à ação — supostamente passiva — do receptor, quanto à obra em sua imanência. Superar esse quadro impõe então escapar de ambas as aporias. Impõe não apenas compreender a relação entre obra e receptor como uma interação dinâmica, mas também entender que a sua participação na constituição da valência política de cada indivíduo se dá em uma interação dinâmica com uma pletora incontrolável de elementos. Cumpre ademais entender que a experiência estética tensiona a semântica e prescinde da atenção característica da ação consciente (pelo contrário, uma alta dose de desatenção lhe é inerente, na medida em que estar “alerta” é apenas um dos estados mentais possíveis no decurso do evento). Aqui, mesmo a noção de “comunicação” — que se poderia cogitar adequada — revela-se problemática, pois a princípio não existe a bipartição entre um “pólo emissor” e um “pólo receptor”: o receptor está lançado em um processo de interação que se inicia na co-presença da obra, nascendo daquele encontro, e não de algo — de uma possível intenção de comunicação da obra — que o precedesse. Naquilo que nos interessa, a tensão final reside em que, mesmo se subtraindo à racionalidade, a experiência estética nem por isso a afeta menos — e a política, dentro da contingência desta dinâmica, existe como possibilidade, e prescinde do filtro da razão; ela é, acima de tudo, um fato não-hermenêutico.
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Cultura e Natureza, Arte e Política na Amazônia Acreana

Cultura e Natureza, Arte e Política na Amazônia Acreana

As palavras nunca são inocentes e seu emprego está a serviço de uma interpretação do mundo, que é sempre política, ou, como nos ensina Hall (2003), apresenta-se sempre no cam- po de uma luta ideológica. Marques escolhe palavras ásperas para interpretar a obra de Matias. Aspereza essa que, afinada com a perspectiva amazonialista da autora, é por demais reducionista e “encapsuladora” da realidade social em que se estabelece e mantém interlocução a produção artística de Matias, a quem considera “ingênuo” ou provido de um “senso pré-estético”. Em outras palavras, alguém incapaz de julgar, definir, ter preferências, opiniões e escolhas próprias, estabelecer juízos acerca das cores, sons, formas, palavras. Não obstante, se não era isso o que a autora queria dizer, talvez sua intenção fosse compartilhar a tese euclidiana do seringueiro como um ser “primitivo” e de “inteligência atrofiada” (CUNHA, 1967, p. 52).
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Modernismo cafécomleite: intelectuais, arte e política, 19221945

Modernismo cafécomleite: intelectuais, arte e política, 19221945

Ao considerar, portanto, os anos de 1922 a 1930 como uma transição, um interlúdio para o período "revolucionário", firmavam- se a determinação da política sobre as artes e o comp[r]

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A dialética entre arte e política na filosofia de herbert marcuse

A dialética entre arte e política na filosofia de herbert marcuse

Uma cultura que cultiva a satisfação e não simplesmente o anseio por satisfação, não poderá ser afirmativa. Aconteceria, por isso, uma mudança radical na linguagem artística, cuja manifestação de beleza não seria concebida como ilusão real, mas representaria as expressões reais e as alegrias derivadas dela. “Uma antevisão de tais possibilidades só pode ser obtida pela contemplação de algumas estátuas gregas, pela música de Mozart e do último Beethoven. Contudo, talvez a arte como tal se torne desprovida de objeto (Gegenstand) ”. (MARCUSE, 2006, p. 129). Possivelmente a fruição da beleza deixe de ser um artifício da arte. Quiçá a arte imaginária perca seu significado. Há muito tempo, foi reservado o museu para ser o local no qual a arte foi depositada. Tal processo não se edificou como escolha aleatória, mas extremamente calculada, pensada, organizada para que a arte que não participasse do cotidiano; mas capaz de proporcionar a elevação consoladora nos contempladores para além deste mundo, considerada mais digno, mais prazerosa, porém fosse restrita aos dias festivos.
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Futebol, arte e política: a catarse e seus efeitos na representação do torcedor.

Futebol, arte e política: a catarse e seus efeitos na representação do torcedor.

Seu intuito é compreender como se deu a passagem do elemento catártico, originado nos domínios do teatro, para o universo esportivo na vida contemporânea. Para isto, analisa-se a maneira[r]

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A associação entre arte e política

A associação entre arte e política

Jacques Rancière – Podemos fazer o vazio significar várias coisas. Há artistas que organizam retrospectivas de suas obras, e o que vemos? Nada. Há apenas guias que falam. Há muitas possibilidades. Podemos conceber uma exposição sobre o tema do vazio no modernismo duro. Ou então imaginar uma exposição pós-moderna desencantada “mostrando o vazio porque a arte contemporânea é vazia”. Ou ainda criar uma exposição em termos conceituais, em que efetivamente substituímos as obras pelo discurso sobre as obras, e assim por diante.

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História  vol.25 número2

História vol.25 número2

Neste dossiê sobre Cultura e Política estão reunidos trabalhos que buscam refletir sobre o cruzamento entre história cultural e história política. Temas como identidade política, cultura política e a relação, sempre controversa, entre arte e política no Brasil, na América Latina e no mundo são abordados nos artigos que os leitores terão oportunidade de apreciar neste volume.

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ARTE, DANÇA E POLÍTICA(S).

ARTE, DANÇA E POLÍTICA(S).

Primeiramente, será explorada a noção de política e contextualizada brevemente na própria história da palavra e do conceito o sentido que carregam a partir das relexões do ilósofo Michel Foucault (1978/2008). Em seguida, o argumento da busca do sentido político será retomado a partir da obra de Zygmunt Bauman (2000) e da situação de incerteza e de risco na sociedade contemporânea. É nesse cenário que a arte contemporânea habita e cria para si novas maneiras de “contar” a experiência individual e coletiva que vivemos. As Obras Escolhidas de Walter Benjamin (1996), sobre Magia, Técnica, Arte e Política, ajudam a sustentar o argumento de que a arte é narradora das experiências vividas coletiva e individualmente, e que a criação de novas práticas estéticas constituem-se como maneiras políticas de fazer e de contar o mundo. A exploração da noção de política será inalizada com as ideias de Jaques Rancière sobre estética e política, desenvolvidas na obra Partilha do Sensível (2005a), que auxilia a pensar sobre a especiicidade da dança e a entender a potência política do corpo em movimento. Complementando o trabalho, é feito um breve levantamento e análise de pesquisas, textos
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Artivismo: Arte + Política + Ativismo: sistemas híbridos em ação

Artivismo: Arte + Política + Ativismo: sistemas híbridos em ação

Na história recente do século XX, mais precisamente a partir da década de 90, nota-se que para designar arte e política, passou-se a utilizar também, termos como ativismo, arte ativista, e arte política 4 . Mais recentemente, outro termo surgiu, causando polêmica entre artistas e estudiosos, além de bastante confusão também entre o público leigo: o Artivismo. Em um artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, em 06 de abril de 2003, denominado “A Explosão do A(r)tivismo” 5 , de autoria de Juliana Monachesi 6 , ela nos fala das aproximações que ela percebe entre os grupos coletivos daquele momento e os artistas situacionistas 7 das décadas de 1960 e 1970; cita Artur Barrio, Cildo Meirelles e Hélio Oiticica, entre outros, sugerindo a ideia de que os grupos estariam passando por um processo que ela chama de “revival” ao fazerem uso de estratégias e apropriações, utilizando para isto, os mesmos procedimentos adotados por estes e outros artistas dos períodos que os antecederam (Mesquita, 2011, p.237), o que causou forte reação por parte dos grupos citados e pelos que haviam sido deixados de lado também. Para responder ao artigo, criaram, por sua vez, o I Congresso Internacional de Ar(r)ivismo 8 , fazendo com que isto provocasse um debate maior sobre o papel político de suas ações e sobre o olhar da mídia sobre eles, por entenderem que a matéria não correspondia em quase nada, ou totalmente, com suas agendas, intenções encontrando-se, em verdade, distante de suas ações. Além disto, houve também uma discussão gerada sobre a cooptação dos grupos e sua adequação às instituições como prestadores de serviços. Meses depois, foi editado e publicado nos Anais do Congresso, um Manifesto 9 que lançou um olhar bastante crítico e certeiro às mídias e aos mercados tradicionais, apresentando também, textos com forte autocrítica de seus participantes e
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A DIMENSÃO POLÍTICA DA ARTE NA OBRA DE HERBERT MARCUSE

A DIMENSÃO POLÍTICA DA ARTE NA OBRA DE HERBERT MARCUSE

Malgrado tudo, afirmará Marcuse, a alienação não é a única característica da arte. Segundo o filósofo, durante períodos inteiros da civilização, a arte esteve completamente integrada em sua sociedade. As artes egípcia, grega e gótica são exemplos dessa integração; Bach e Mozart são também amiúde citados como provas do lado “positivo” da arte. Contudo, ressalva o filósofo frankfurtiano, “o lugar da obra de arte numa cultura pré-tecnológica e bidimensional é muito diferente do que numa cultura unidimensional” 14 . Ou seja, o que importa aqui à Marcuse é mostrar a diferença na experiência da arte em uma cultura unidimensional e noutra em que a ordem do capital não se imponha como a única possível e desejável, açambarcando toda a tentativa de lhe desafiar o domínio. Para tanto, o fator decisivo para que aquela diferença possa ser estabelecida está na existência de uma lacuna entre realidade artística e realidade social. O rompimento com a segunda caracteriza, conforme os exemplos marcusianos, os ritos e estilos criados ao longo dos séculos para que o salão de exposição, o concerto, a ópera e o teatro evoquem outra dimensão da realidade. Também um templo ou uma catedral, independentemente do quão fechado ou familiar fossem ao povo que vivia em seu derredor, permaneciam em contraste aterrador ou engrandecedor com a vida cotidiana do escravo, do camponês e, inclusive, com a de seus senhores. Portanto, ainda que os exemplos oferecidos possam remeter à situação de privilégio cultural, eles também, e eis o crucial para Marcuse, “garantiam um campo protegido no qual verdades feitas tabus podiam sobreviver com integridade abstrata – afastadas da sociedade que as suprimia” 15 .
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Política, planejamento e gestão em saúde: balanço do estado da arte.

Política, planejamento e gestão em saúde: balanço do estado da arte.

Entende-se como política de saúde a resposta social (ação ou omissão) de uma organização (como o Esta- do) diante das condições de saúde dos indivíduos e das populações e seus determinantes, bem como em relação à produção, distribuição, gestão e regulação de bens e serviços que afetam a saúde humana e o ambiente. Política de saúde abrange questões relati- vas ao poder em saúde (Politics), bem como as que se referem ao estabelecimento de diretrizes, planos e programas de saúde (Policy). Assim, a palavra políti- ca na língua portuguesa expressa tanto as dimensões do poder quanto as diretrizes. Apesar disso, enquanto disciplina acadêmica, a política de saúde abrange o estudo das relações de poder na conformação da agen- da, na formulação, na condução, na implementação e na avaliação de políticas. 11 Portanto, política de saú-
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Arte-política na margem: entrevista com Antonio Jardim

Arte-política na margem: entrevista com Antonio Jardim

apresenta quando ele é pólis, ou seja, na dinâmica de uma determinada organização. O problema é quando o real é pólis, quando ele é travesti- do ou coberto por um invólucro que nós chamamos político. Na ver- dade, política é a con-vivência que estabelecemos em um determinado modo de organizar e ordenar o real. A política não é a única coisa do real. A música é uma coisa do real ao mesmo tempo em que a política é uma coisa do real. O problema é que, como acontece com a lingua- gem, por exemplo, dentre tantas outras coisas, a política passou a ser uma coisa de uma espessura muito pequena, ou seja, a política não tem densidade. Política é, para o pensamento representativo e medíocre, a participação política enquanto mera adesão ao lado esquerdo, ao lado direito, ao centro, ao meio, ao embaixo, ao em cima. E política, no meu entender, não é isso. Política é um modo de se estar na pólis. O modo de se estar na pólis é que é o defi nidor de política. Aí se pode dizer que o modo de estar na pólis ganhou uma maneira específi ca que é o modo político-partidário. Sim, mas aí há uma redução da pólis ao político- partidário. Tanto é assim que se faz a distinção entre esquerda e direita. Diga-se de passagem, distinção esta cada dia mais difícil de ser feita. A esquerda e a direita não são opostas, nem, tampouco, contraditórias. Ou seja, eu não posso optar pela minha mão esquerda em detrimento da minha mão direita. Eu tenho uma mão esquerda e uma direita. Não tenho que anular a esquerda para afi rmar a direita, nem anular a direita para afi rmar a esquerda. Quando isso vira política, parece que se faz na verdade uma lógica que é tão perversa quanto imbecil, porque é a lógica adjetiva, aquela em que alguém propõe uma contradição que, na verdade, é invenção barata.
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Arte, Crítica, Política, de Nuno Crespo (org.)

Arte, Crítica, Política, de Nuno Crespo (org.)

O livro, organizado por Nuno Crespo, surge no âmbito do trabalho do grupo de investigação “Arte, Crítica, Política” do Instituto de História da Arte (fcsh- -unl) e “resulta da necessidade de pro- longar a discussão” ocorrida durante um colóquio realizado em junho de 2014. Na apresentação, o organizador expli- cita uma tomada de posição: “Este livro, de alguma forma, insurge-se contra o putativo fim da crítica e a sua substitui- ção por sistemas institucionais, culturais e artísticos imunes a qualquer juízo e disputa, mostrando como o enfraque- cimento da palavra crítica implica um fechamento político do campo artístico ao debate, ao pensamento e à sociedade” (pp. 11-12).
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