Bahia - guerra

Top PDF Bahia - guerra:

A idade de ferro da Bahia : guerra, açucar e comercio no tempo dos flamengos, 1624-1654

A idade de ferro da Bahia : guerra, açucar e comercio no tempo dos flamengos, 1624-1654

5 entre 1630 ou 1635 até 1670, há “uma série de ganhos e perdas de curta duração causados pelo conflito” 11 . A queda acentuada na produção pernambucana sob o jugo holandês (que mesmo em seu ápice dificilmente teria ocupado mais da metade da capacidade dos engenhos) levanta os preços em Amsterdam e faz da Bahia o maior produtor. Ademais, esta teria recebido algo como sete ou oito mil homens livres e quatro mil escravos de Pernambuco durante a década de 1630 12 . Mas a Bahia não desfruta da nova liderança sem seus agravos: o esforço de guerra drena o excedente que se poderia usar na formação de capital fixo, enquanto as queimadas e razias lesavam a capacidade instalada. Ao mesmo tempo, o corso continua a assolar o comércio oceânico. Depois de 1654, os holandeses levam as técnicas de produção açucareira para o Caribe e o Brasil perde sua condição de produtor monopolista. Inglaterra e França fecham o seu consumo para o açúcar português; até 1710, sua quantidade nos mercados europeus cairia em 40%. Em suma, Stuart Schwartz afirma que, com exclusão do início da concorrência antilhana, as descontinuidades e transformações dessa época são efêmeras, peculiaridades de um tempo de guerra: “o período holandês foi, em termos de desenvolvimento político e social no Nordeste, um hiato histórico” 13 .
Mostrar mais

177 Ler mais

CARAMURUS DA BAHIA: A TÓPICA NATIO E PROCEDIMENTOS DESCRITIVOS NA COMPOSIÇÃO DE RETRATOS SATÍRICOS DO CORPUS POÉTICO ATRIBUÍDO A GREGÓRIO DE MATOS E GUERRA

CARAMURUS DA BAHIA: A TÓPICA NATIO E PROCEDIMENTOS DESCRITIVOS NA COMPOSIÇÃO DE RETRATOS SATÍRICOS DO CORPUS POÉTICO ATRIBUÍDO A GREGÓRIO DE MATOS E GUERRA

Se a cor vermelha predomina, a visualização totalizante do silvícola americano não deveria ser tarefa dificultosa ao se ler cada poema, pois já se faziam presentes, no século XVII, imagens da América, pintada como índia, nos tratados de pintura, emblemas e divisas, assim como também em baralhos produzidos nesse século, em que cada naipe cor- respondia a um continente – Ásia, Europa, África e América. Antes de nos determos nas prescrições para a pintura da América presentes em tratados de iconologia e de pintura, é preciso atentar para o sentido da cor predominante na figuração dos Caramurus no soneto atribuído a Gregório de Matos e Guerra. Como já se demonstrou, o vermelho predomina, pois se faz presente na “camisa de urucu”, no “mantéu de arara” e no “penacho de guarás”. Sabemos que os Caramurus da Bahia são as gentes principais, como se afirma não apenas nas didascálias, mas também em um dos sonetos do tríptico: “de paiaiá tornou-se aba- eté”; as cores das vestes, nos séculos XVI e XVII, tanto no âmbito do uso da corte quanto na representação pictórica portavam significação prevista em tratados de civilidade e tratados de pintura. Serenella Ba- ggio (1986, p. 91-92) afirma, citando, dentre outros, Lomazzo, que os tons de vermelho, carmesim e púrpura estavam destinados às gentes
Mostrar mais

62 Ler mais

"Você já foi à Bahia?": a presença militar norte-americana em Salvador na Segunda Guerra Mundial

"Você já foi à Bahia?": a presença militar norte-americana em Salvador na Segunda Guerra Mundial

Foi em meio ao longo e complexo processo de transferência da impressionante e inter- minável quantidade de tropas, armas e equipamentos norte-americanos para o Brasil (ocorrido de maneira bem mais intensa após a nossa declaração de guerra) que se procedeu uma das pri- meiras e mais importantes decisões tomadas pelo alto comando dos EUA em terras tupiniquins. Afinal, que cidade nordestina sediaria a 4ª Esquadra do Atlântico da US Navy, em deslocamento desde o Caribe e sob a batuta do almirante Jonas H. Ingram? Quando de suas primeiras incur- sões ao Recife (foco inicial dos nossos aliados), registradas a partir de maio de 1941, o referido oficial teve a oportunidade “de aprender o máximo possível sobre a Bahia, que ficava a aproxi- madamente 400 milhas ao sul” da capital pernambucana. Segundo o próprio Ingram, exceto por um único item, Salvador era “muito superior ao Recife como base naval em todos os aspectos”, especialmente por conta de sua bela e imensa baía natural – “em comparação àquela pobre” em Pernambuco – e das excelentes docas de que dispunha. Nem todos estes atributos reconhecidos pelos ianques, contudo, foram capazes de suplantar a principal deficiência ou desvantagem por eles atribuída à baía de Todos os Santos: a sua posição geográfica. 21 “Situada um pouco longe
Mostrar mais

52 Ler mais

DO ÍNDIO GENTIO AO GENTIO BÁRBARO: USOS E DESLIZES DA GUERRA JUSTA NA BAHIA SEISCENTISTA.

DO ÍNDIO GENTIO AO GENTIO BÁRBARO: USOS E DESLIZES DA GUERRA JUSTA NA BAHIA SEISCENTISTA.

Beneficiando da benevolência dos sucessivos governadores-gerais, a concessão dessas sesmarias continentais vinha ao encontro da busca de prestígio social que imperava na Bahia seiscentista. Eram assim procura- das tanto por homens diretamente envolvidos nas expedições, como Gar- cia d’Ávila ou Antonio Guedes de Brito, quanto por outros sem nenhuma experiência da guerra dos sertões, a exemplo de Bernardo Vieira Ravasco. Conjuntamente com os pedidos de confirmação de sesmarias, deparamo-nos com um número significativo de pedidos de privilégios associados a estas terras. Oficiais da câmara e gente da governança procuravam, assim, novos privilégios, pretendendo obter jurisdições e títulos honoríficos, pedindo o senhorio poderes de donatário ou ainda cargo de alcaide-mor das vilas que prometiam erigir. 120 É o caso de Lourenço de Brito Correa, pedindo licença
Mostrar mais

34 Ler mais

Guerra e pacto colonial : exercito, fiscalidade e administração colonial da Bahia (1624-1654)

Guerra e pacto colonial : exercito, fiscalidade e administração colonial da Bahia (1624-1654)

Nos idos de outubro, a notícia da nova imposição e do acordo com a Câmara chegou a Portugal. No trâmite com a Coroa, alguém levantou o assunto: quanto haveriam de se comprometer os colonos com a defesa da soberania metropolitana? Teriam, governador e exército, força para impor os “meios que são necessários”, caso o povo da Bahia recuasse? O rei Filipe já havia escrito, de Madri, uma ordem aos donatários para que acudissem pessoalmente, imediatamente, ao serviço militar de suas capitanias, e ao governo de Portugal escreveu que se tratasse dos meios “para que os moradores das terras acudam a fazê-lo, como é justo que seja, sendo o dito para sua própria defesa”. Era preciso que a colônia recebesse o maior número possível de armas, com o que pudessem concorrer com a situação. O monarca enfatizava o recado a se passar aos donatários de capitanias, “pois na paz gozaram, por longos tempos, os direitos e aproveitamentos delas”. Na Bahia, confiava no julgamento do governador, um veterano da guerra de Flandres, para fazer o que fosse necessário. 2 Dias depois, em resposta à correspondência de Salvador, Filipe encomendou seus agradecimentos, mas com uma lembrança: “lhes convém ajudar nisso com tudo o que puderem, e devem fazer quando eu hei por bem que tudo que há de minha Real Fazenda desse Reino se gaste nos socorros daquele Estado, e mando fazer pedidos de empréstimos em Portugal para continuar os socorros e haver armadas assim nessa Coroa como nesta para se lhes levar fazendas e trazer seus açúcares e mercadores com seguridade, e a mesma imposição [dos vinhos] se deve pedir às mais capitanias para sustento de seus presídios e fortificação enquanto durar a ocasião. E porque a principal coisa de que se deve tratar é de haver com que se sustentarem os presídios do Estado do Brasil sem dependência desse Reino, como era antes que os inimigos o infestassem, e (...) com muito maior razão devem seus moradores fazer agora maiores esforços para a ajuda de sustentar o presídio de que depende suas defesas e consideração de suas fazendas”. 3
Mostrar mais

299 Ler mais

Em outra coisa não falavam os pardos, cabras, e crioulos: o "recrutamento" de escravos na guerra da Independência na Bahia.

Em outra coisa não falavam os pardos, cabras, e crioulos: o "recrutamento" de escravos na guerra da Independência na Bahia.

Ao distinguir cuidado s a m en te en tre o rec rut a m en to de escravos e o de l i bertos e hom ens de cor livre s , dem on s tro a natu reza essen c i a l m en te re s tri t a da iniciativa de Labatut no sen ti do de rec rutar escravo s , que tod avia con tri- bu iu para de s e s t a bilizar o regime escravista (como também fez o con f l i to no s eu sen ti do m ais am plo). Essa distinção é essen c i a l , pois o rec rut a m en to de l i bertos n ão se diferen c i ava do rec rut a m en to de hom ens livre s , en qu a n to o rec rut a m en to de escravos tocasse na questão fundamental do direi to de pro- priedade dos senhores.A segunda parte do artigo analisa os esforços pós-guer- ra de re s t a u rar a ordem social na Bahia e de re s t a bel ecer a dem a rcação en tre e s c ravo e soldado, ob s c u recida de uma forma inacei t á vel pela guerra . Ta n to du ra n te a guerra qu a n to depois del a , veremos os esforços impre s s i on a n te s dos escravos no sentido de resistir à dominação dos senhores quando se apro- veitaram das oportunidades novas decorrentes da guerra. Todavia,a indepen- dência bra s i l ei ra veio sob a direção da classe sen h orial e escravista que re s o l- veu , com êxito, o probl ema do rec rut a m en to escravo e se manteve no poder du ra n te m ais duas gera ç õ e s . A con clusão co l oca o caso baiano no con tex to mais amplo das Américas.
Mostrar mais

18 Ler mais

A Bahia e o Prata no Primeiro Reinado: comércio, recrutamento e Guerra Cisplatina, (1822-1831)

A Bahia e o Prata no Primeiro Reinado: comércio, recrutamento e Guerra Cisplatina, (1822-1831)

As relações entre a Bahia e a região platina, estabelecidas desde o século XVI, basearam-se, ao longo da colonização ibérica na América, no contrabando. Nas primeiras décadas do século XIX, em que se deram as independências sul-americanas, o comércio entre a Bahia e o Prata alargou-se e tornou-se lícito, realizado em grande parte por estrangeiros. No bojo do processo de construção dos Estados Nacionais, a Guerra Cisplatina – travada entre Brasil e a República das Províncias Unidas, atual Argentina – afigurou-se como marco fundamental para a conformação do espaço político platino, fragmentando, pelo surgimento do Uruguai como Estado autônomo, o território do antigo Vice-Reinado do Rio da Prata. A Guerra fora impopular no Brasil e acarretara a interrupção do comércio entre a Bahia e a região platina, pelo bloqueio brasileiro ao porto de Buenos Aires e pela atuação dos corsários portenhos. O elemento principal de impopularidade da Guerra fora o recrutamento forçado, que ocasionara distúrbios por toda a Bahia. Os baianos que foram remetidos para lutar no conflito sofreram com as doenças, má alimentação, frio, falta de pagamento dos soldos e com os renhidos combates. Muitos pereceram nos campos do Sul, enquanto outros desertavam, deixando constantes vazios nas fileiras dos corpos da Bahia que tomaram parte da Guerra. Para suprir as demandas geradas pelo esforço de guerra, passara a Província baiana por uma crise na segurança pública, pelo envio das tropas e oposição popular ao recrutamento, bem como dificuldades financeiras com os obstáculos ao comércio e despesas com as crescentes necessidades militares.
Mostrar mais

195 Ler mais

O PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DO BRASIL NA BAHIA E NO PIAUÍ: GUERRA, RESISTÊNCIA E VITÓRIA (1822-1823)

O PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DO BRASIL NA BAHIA E NO PIAUÍ: GUERRA, RESISTÊNCIA E VITÓRIA (1822-1823)

A Batalha de Pirajá, ao mesmo tempo em que fundamenta sua importância na história das guerras de independência do Brasil ao evidenciar a capacidade brasileira em resistir a cercos, também enxergou a necessidade de superar o aumento da fome e de efetivos, dependendo do mar para a manutenção das tropas e da própria guerra. De dezembro de 1822 a julho de 1823, a Ilha de Itaparica foi a mais atacada pelas canhoneiras portuguesas, resistindo com o apoio maciço do povo, das fortificações e das trincheiras bem artilhadas no entorno, provocando muitas baixas do lado inimigo. No dia 7 de abril, a esquadra comandada por Cochrane chega a Baía de Todos os Santos, atacando a esquadra inimiga no dia seguinte e iniciando o cerco por mar a Salvador. Labatut continuou a avançar com o Exército Pacificador pelo interior da Bahia, expulsando portugueses e seus simpatizantes e promovendo um verdadeiro cerco terrestre no entorno da capital. Vendo tantos reveses e percebendo estar perdendo o controle da província, Madeira de Melo, em 9 de maio, declara Salvador em Estado de Sítio e expulsa quase 10.000 civis da cidade. Com poucos víveres, resistiria por pouquíssimo tempo à entrada dos patriotas na cidade (MORGADO, s.d., p. 73-6).
Mostrar mais

17 Ler mais

Uma experiência do front: a guerra de Canudos e a Faculdade de Medicina da Bahia.

Uma experiência do front: a guerra de Canudos e a Faculdade de Medicina da Bahia.

Disseminação de varíola, sífilis, impaludismo, bronquite, inanição... pestes aliadas às feridas causadas por armas de fogo assaltaram nossas vistas no momento em que adentramos nas enfermarias onde professores e alunos lutavam para minorar a dor dos que ainda sobreviviam. Os hospitais não pareciam o local do viver, mas sim do morrer. 16 Soldados alucinados e delirantes corriam de um lado a outro do hospital procurando o que comer e o que beber. Fome, peste e guerra, ‘trinômio medieval’ que se reproduziu na Bahia dos últimos meses de 1897. E, ao finalizar a primeira parte do trabalho, presenciamos um encontro tenso entre os professores da Faculdade de Medicina e os membros do Comitê Patriótico da Bahia. A guerra emanava um ambiente constrangedor em que ninguém queria sentir-se ameaçado, muito menos, os médicos.
Mostrar mais

56 Ler mais

A Guerra do Atlântico na Costa do Brasil: rastros, restos e aura dos U-boats no litoral de Sergipe e da Bahia (1942-1945)

A Guerra do Atlântico na Costa do Brasil: rastros, restos e aura dos U-boats no litoral de Sergipe e da Bahia (1942-1945)

de sobrevivência ou talvez, pela própria pressão da água, largou-se da embarcação e sentiu que seu corpo retornava à superfície, onde, ainda por instinto de sobrevivência, agarrou-se a uma defensa desprendida do navio, e nela permaneceu até ser resgatado, semi-inconsciente, dois dias depois, por um navio petroleiro. 55 A chegada de sobreviventes e destroços flutuantes nas praias de Porto Seguro evidencia que não se pode renegar a contribuição das populações litorâneas da Bahia no esforço de guerra do Brasil. Afinal, elas: 1 – acudiram os sobreviventes desesperados; 2 – recolheram e sepultaram os mortos; 3 – apropriaram-se dos objetos salvados; 4 – sofreram com a desnaturalização do seu mar; 4 – adotaram o sistema de segurança passiva (toque de recolher, blecaute, etc.); 5 – vigiaram a costa baiana e os suspeitos de espionagem (integralistas, quintas-colunas e estrangeiros); 6 – atribuíram poderes sobrenaturais aos submarinos inimigos.
Mostrar mais

358 Ler mais

Da Guerra à Paz: o nascimento de um ator social no contexto da "nova pobreza" urbana em Salvador/Bahia.

Da Guerra à Paz: o nascimento de um ator social no contexto da "nova pobreza" urbana em Salvador/Bahia.

A “nova pobreza”, desde a perspectiva que privilegia a agência, também estaria associada ao surgimento de novas formas de ação e de atores sociais caracterizados pela melhor inserção no [r]

18 Ler mais

Fiscalidade e administração fazendária na Bahia durante a guerra holandesa

Fiscalidade e administração fazendária na Bahia durante a guerra holandesa

aceitar essa explicação, revogando a provisão que criava aquele cargo. No que toca à tributação, tal “suavidade” não se referia apenas a compensações que a Coroa oferecia para os moradores da Bahia em conjunto, pois, ainda que não houvesse alternativa ao sustento do exér- cito, senão pela riqueza da capitania, não estava excluída a redistribuição da carga fi scal entre setores sociais específi cos. Nesse sentido, a Câmara se destacava como espaço político, por sua maior permeabilidade à es- trutura de poder e às tensões que dela resultavam. Desse modo, o Sena- do foi importante como meio de confronto e composição política entre setores do senhoriato colonial pelos rumos da fi scalidade. Em última instância, o objetivo da Coroa e de seus ofi ciais, ao abrirem o processo decisório à Câmara, era não estimular e não se comprometer, desnecessariamente, com os embates produzidos pela carga tributária, salvo quando fosse de seu interesse imediato.
Mostrar mais

26 Ler mais

A Guerra dos Mundos

A Guerra dos Mundos

Tradução de A guerra dos mundos, The war of the worlds, de H. G. Wells; obra em domínio público. A edição em língua portuguesa é publicada pela Editora da Universidade Federal da Bahia, 2015. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou transmitida de nenhuma forma e por nenhum meio, eletrônico ou mecânico, inclusive fotocópia, gravação ou por qualquer sistema de recuperação de armazenagem de informação sem a permissão da EDUFBA.

82 Ler mais

A Guerra Terceirizada: As Empresas Privadas de Segurança e a “Guerra ao Terror”

A Guerra Terceirizada: As Empresas Privadas de Segurança e a “Guerra ao Terror”

Na questão da “Guerra ao Terror”, pode-se dizer que a presença das empresas privadas de segurança serviu para atender vários interesses dos Estados Unidos. O fato das empresas privadas de segurança atuar numa espécie de “vácuo jurídico” permitiu que os Estados Unidos e a sua coalizão pudessem investigar e punir os supostos terroristas e apoiadores, mesmo que essa perseguição violasse os Direitos Humanos e o Direito Internacional, como por exemplo, a proibição da tortura. Os relatos de abusos na prisão de Abu Ghraib demonstram esse fato, já que as empresas privadas também foram utilizadas nos interrogatórios de prisioneiros. Jeremy Cloward (2008) afi rma que a Blackwater possui laços estreitos com o governo federal americano. Entre outras coisas, a empresa fez contribuições regulares ao Partido Republicano e ao governo Bush. Para o autor, este é o ponto inicial para começarmos a entender o porquê e como os serviços do governo foram transferidos da esfera pública para os interesses privados (Cloward 2008, p.02). Aliás, dois congressistas democratas pediram ao GAO (US Government Accountability Offi ce), para investigar se a Agência para o Desenvolvimento Internacional dos EUA e o Pentágono estão contornando e/ou burlando procedimentos de contratação do governo para privilegiar as empresas com ligações na administração Bush (Johnston 2006, p. 43).
Mostrar mais

14 Ler mais

“Multiperspectividade” e controvérsias no documentário “Guerra do Paraguai – a nossa grande guerra”

“Multiperspectividade” e controvérsias no documentário “Guerra do Paraguai – a nossa grande guerra”

Resumen: El documental “Guerra do Paraguai: a nossa grande guerra” (RUAS, 2015) cubre la historia de la Guerra de Paraguay, mezclando testimonios de intelectuales y figuras públicas con la narración de los hechos, ilustrada por la dramatización/reconstrucción de las escenas narradas. Al analizar esta producción, este artículo reflexiona acerca de las formas en que la industria cultural difunde producciones que se apropian de cuestiones históricas e instituyen nociones y significados que se comparten socialmente. El concepto central es la multiperspectividad expresada en el trabajo y el problema identificado se relaciona con el hecho de que esto se inclina hacia un relativismo simplista y crea una visión negativa de la nación paraguaya en el proceso histórico en cuestión, además de explicitar las inclinaciones ideológicas en el debate histórico.
Mostrar mais

18 Ler mais

LITERATURA DE GUERRA: A PRIMEIRA GRANDE GUERRA EM PROUST E REMARQUE

LITERATURA DE GUERRA: A PRIMEIRA GRANDE GUERRA EM PROUST E REMARQUE

No capítulo em questão, o Narrador acabara de retornar a Paris, em 1916 — estava em sua residência em Combray por motivos de saúde — e busca inteirar-se dos fatos da guerra, que iniciara em 1914. As primeiras impressões narradas referem-se à atitude dos pa- risienses em relação às artes e, em especial, em relação à moda das mulheres, que se modi- fica em função da guerra. As mudanças baseavam-se no “civismo”: seja pela presença de peças que evocam trajes militares, por ornamentos baseados em peças das campanhas napo- leônicas no Egito ou pelo fato de serem evitados luxos excessivos, inadequados num perío- do de austeridade. Os costureiros de 1916 explicavam a necessidade do cultivo das artes e da elegância, ainda que coerentes com o momento. Proust “cita”, a propósito, um cronista da época:
Mostrar mais

8 Ler mais

A contabilidade em ambiente de guerra: o caso português da guerra do Ultramar

A contabilidade em ambiente de guerra: o caso português da guerra do Ultramar

Todas as situações atrás descritas faziam prever que mais tarde ou mais cedo o conflito militar, ou seja, a luta pela independência das colónias Portuguesas estaria eminente, sobre esta premonição de guerra. Telo (2012) considera que, ao contrário do que normalmente se pensava, o começo da luta armada em Angola foi precedido de múltiplos avisos e mesmo de informações precisas das mais diversas origens, tanto nacionais como externas. Ela já era esperada desde 1956, a independência dos povos vizinhos das colónias e o encrudescer do sentimento de independência e liberdade geravam sinais evidentes de que alguma coisa de muito grave iria ocorrer a curto prazo. A PIDE 13 , que estava bem organizada e tinha grande eficácia na fronteira Norte de Angola, avisa logo em Julho de 1960 que são de esperar distúrbios, tendo em conta o afluxo de largos milhares de refugiados por uma fronteira permeável e sem controlo possível com as forças existentes. A polícia alerta, nomeadamente para o facto de estar a ser distribuída na zona propaganda anticolonialista, capaz de alavancar o sentimento de insurreição contra os portugueses, sendo que os próprios meios de comunicação locais começam também a ter um papel importante na transmissão desse mesmo sentimento anticolonialista, servindo mesmo de fonte de
Mostrar mais

196 Ler mais

UMA GUERRA FRIA GLOBAL: 1950-1958. Guerra fria.

UMA GUERRA FRIA GLOBAL: 1950-1958. Guerra fria.

Esse fato facilitava a campanha do Kremlin para obter amigos e apoio, tanto quanto a nódoa de imperialismo, racismo, arrogância e contínuo controle dos recursos nativos pelo Ocidente [r]

24 Ler mais

A Guerra Fiscal está morta. Vida longa à Guerra Fiscal!

A Guerra Fiscal está morta. Vida longa à Guerra Fiscal!

A  modulação de efeitos  é polêmica em nosso sistema jurídico porque colide com a teoria da nulidade das normas produzidas em desacordo com a Constituição, base teórica do nosso controle[r]

2 Ler mais

Da guerra justa à guerra dos extremos: a difícil recondução ao humanismo

Da guerra justa à guerra dos extremos: a difícil recondução ao humanismo

13 Grotius (2004) acreditava que o povo deveria tolerar os excessos dos governantes como se fosse apenas mais um tributo a ser pago, além disso, compreendia que determinados povos possuíam uma vocação para a submissão. O teórico tinha muita influência no período em que escreveu seu Direito à guerra e à paz, e por isto suas opiniões tinham o poder de influenciar o modo como os Estados agiam na época, sua visão bastante pragmática, que conferia uma autorização à violência que decorresse de razão justa, afetou o comportamento dos soldados e comandos na guerra, tornando-os virulentamente mais agressivos. Porém, em um nível moral recomendava a razoabilidade e a proporção da força, buscando modos de resolução pacificas no campo das relações internacionais, idealizando o que seria o germe do direito internacional moderna, defendendo, inclusive que os acordos e compromissos firmados entre os Estados publicamente, deveriam ter força vinculante, sendo arbitrados por um terceiro isento, como por exemplo, uma organização internacional responsável por intermediar os conflitos interestatais.
Mostrar mais

27 Ler mais

Show all 7717 documents...