Brasil - Poesia

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Manifesto antropófago e Manifesto da poesia pau-brasil

Manifesto antropófago e Manifesto da poesia pau-brasil

Uma única luta - a luta pelo caminho. Dividamos: poesia de importação. E a Poesia Pau-Brasil, de exportação. Houve um fenômeno de democratização estética nas cinco partes sábias do mundo. Instituíra-se o naturalismo. Copiar. Quadro de carneiros que não fosse lã mesmo, não prestava. A interpretação no dicionário oral das Escolas de Belas Artes queria dizer reproduzir igualzinho...Veio a pirogravura. As meninas de todos os lares ficaram artistas. Apareceu a máquina fotográfica. E com todas as prerrogativas do cabelo grande, da caspa e da misteriosa genialidade de olho virado - o artista fotográfico.
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Poetas-tradutores e o cânone da poesia traduzida no Brasil (1960-2009)

Poetas-tradutores e o cânone da poesia traduzida no Brasil (1960-2009)

Da primeira fase modernista, aparecem em nossos registros de tradução de poesia entre 1960 e 2009 os poetas Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida e o mineiro Abgar Renault. Incluí igualmente Christóvam de Camargo, jornalista e poeta de quem não obtive maiores informações sobre a sua atuação. Nos anos 1960, Bandeira e Almeida já estavam em sua última década de vida e tinham atrás de si uma trajetória de destaque nas letras nacionais. Segundo pontua Bosi, apesar de ter participado das atividades da Semana de Arte Moderna, a poesia de Guilherme de Almeida (1890-1969) não é propriamente das suas fileiras, uma vez que as suas referências estéticas eram outras. Mas, com os modernistas, diz Bosi, o poeta teve “um interlúdio nacionalista” e escreveu alguns poemas em verso livre (BOSI, 2006, p.372). Ademais, Almeida foi um dos editores da revista Klaxon (porta-voz do movimento modernista) e apresentou a conferência "Revelação do Brasil pela poesia moderna" em vários Estados para divulgar os ideais estéticos do movimento. Guilherme Almeida foi agraciado com o título honorífico de “O príncipe dos poetas” e também foi o primeiro modernista a ser admitido na Academia Brasileira de Letras. Sua estreia na poesia ocorreu em 1916, com Mon Coeur Balance e Leur Ame, peças teatrais escritas em colaboração com Oswald de Andrade. Ele escreveu cerca de dez livros de poemas entre 1925 e 1961. Além disso, foi responsável por introduzir o haicai no Brasil nas décadas de 1930 e 1940, adaptando-o 48 . Traduziu poesia e drama principalmente entre as décadas de 1930 e 1940. Sua tradução de poesia mais celebrada é a de Flores da Flores do Mal, de Baudelaire (José Olympio, 1944). No âmbito poético, traduziu ainda Paralelamente a Paul Verlaine (1944), Eu e você, de Paul Géraldy (Cia. Editora Nacional, 1932); duas obras do poeta indiano Tagore, a antologia Poetas de França (1936), entre outros. Na bibliografia de tradução de poesia entre 1960 e 2009, Guilherme de Almeida aparece com Festival e Os Frutos do Tempo (Les Fruits du Temps) – ambas de Simon Tygel, poeta belga nascido em 1922 e radicado no
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A gênese da Poesia Pau-Brasil: um escritor brasileiro na França

A gênese da Poesia Pau-Brasil: um escritor brasileiro na França

Nota-se, portanto, nos trechos amputados, o início de um movimento de reconstrução geral da arte brasileira. Percebe-se que aí estão as bases fundamentais da Poesia Pau-Brasil: “Temos a base dupla e presente – a floresta e a escola. [...] Acertar o relógio império da literatura nacional. Ser regional e puro em sua época”. 23 Percebe-se também o germe de sua “Antropofagia”, um pensamento de devoração crítica do legado universal: falar a diferença (o nacional) num código universal. Por isso, acredito que Oswald, provavelmente aconselhado pelo Mário, tenha extirpado essas passagens de seu texto, tendo em vista a reformulação dessas idéias em outro documento, a fim de causar maior impacto no público. De fato, logo depois, em 18 de março de 1924, Oswald de Andrade lança, no Correio da Manhã, o “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”. 24
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A poesia dos trigais: Geraldino Brasil e Van Gogh

A poesia dos trigais: Geraldino Brasil e Van Gogh

A sextina é um gênero poético complexo, sendo, na história da literatura, uma das estruturas poéticas menos conhecidas e estudadas; embora tenha sido produzida com alguma prolixidade, ninguém se dedicou com tanto afinco a essa forma poética quanto o poeta alagoano Geraldino Brasil.Esta pesquisa então se estende por duas veredas principais: a história deste gênero poético, e a relação que envolve a metalinguagem como objeto de ligação entre a temática das artes literária e visual, especificamente a poesia e a pintura, na interação entre as séries temáticas de algumas telas de Van Gogh e as quindecies de Geraldino Brasil. Analisamos então quatro livros de sextinas do poeta, para em seguida utilizarmos Bakhtin no que concerne a idéia de dialogismo, intertextualidade e alusão, e como esses recursos podem ser utilizados dentro de uma perspectiva intersemiótica e metalingüística com a finalidade de atestar a relação baseada na influência temática das séries nas telas de Van Gogh e as sextinas de Geraldino Brasil.
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Sopapo Poético: sarau de poesia negra no extremo sul do Brasil.

Sopapo Poético: sarau de poesia negra no extremo sul do Brasil.

Pâmela Amaro Fontoura, Julio Souto Salom e Ana Lúcia Liberato Tettamanzy Apresentamos o Sopapo Poético, sarau de poesia negra que acontece em Porto Alegre desde 2012. Entendemos que nesse evento ocorre um encontro de duas tendências: a recente difusão dos saraus periféricos em São Paulo e outras cidades do Brasil com a tradição da poesia negra brasileira, especialmente a produzida desde a década de 1970. Esse encontro ocorre em um contexto específico que condiciona a atuação do movimento negro gaúcho: Porto Alegre, significativa “cidade letrada” e capital do Rio Grande do Sul, estado marcado por uma identidade regional racializada no mito do gaúcho europeizado. Descrevemos o funcionamento do sarau, desenvolvido em três momentos: a roda de poesia, com participação espontânea da audiência; a apresentação do Sopapinho, onde as crianças são levadas ao centro da roda; e o homenageado da noite, que combina o relato de trajetória com a performance artística. Entre os homenageados, destacamos duas figuras relevantes para a estética do sarau: o poeta Oliveira Silveira e o sopapeiro Giba Giba. Analisando as intervenções poéticas nas suas dimensões textual e performática, somos levados a pensar na íntima ligação entre o estético e o político que se constrói no sarau. As ideias de Paul Gilroy sobre a política cultural diaspórica no Atlântico negro servem para compreender o contexto de conflito e as formas de elaboração da identidade cultural afro-gaúcha.
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A poesia acadêmica no Brasil: o caso Rocha Pita

A poesia acadêmica no Brasil: o caso Rocha Pita

Essa produção poética, praticada por Sebastião da Rocha Pita e por seus colegas acadêmicos, sob regras e prescrições retóricas, sempre foi avaliada pelos críticos e historiadores de literatura como sem inspiração, sem espontaneidade e inútil. De fato essa poesia não possuía espontaneidade e nem era feita a partir de grandes momentos de inspiração dos poetas, pois, na academia, os temas eram dados e os acadêmicos apenas exercitavam a difícil tarefa de compor versos sobre um assunto que lhes era proposto. Quanto a validade dessa produção poética que sempre fora vista como algo inútil, é preciso não se esquecer que cada época conta com os seus valores e com regras próprias do tempo. Isso não foi diferente na primeira metade do século XVIII, no Estado do Brasil, em que a literatura, como hoje conhecemos, “não era a arte dos escritores, era o saber dos letrados, aquilo que lhes permitia apreciar as belas letras”. 16 Isso demonstra que a poesia
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A formação do Brasil pelo aluno de poesia Oswald de Andrade

A formação do Brasil pelo aluno de poesia Oswald de Andrade

Os poemas do Primeiro caderno são apresentados como pertencentes a um caderno escolar. Tanto há o intento de se passar essa impressão que, na primeira página, temos as seguintes informações: Escola: Pau-Brasil, Classe: primária, Sexo: masculino, Professora: a Poesia. Notemos que existem dados significativos aí. Primeiro, é dito claramente que, para a escritura do caderno, o aluno está imbuído das idéias difundidas no "Manifesto Pau-Brasil" (1924) redigido e divulgado por Oswald de Andrade, isto é, por ele próprio. Esse manifesto é um dos textos mais conhecidos dos primeiros anos do Modernismo brasileiro por ser aquele onde explicitamente é proposta a elaboração de uma literatura efetivamente nacional, estando nele, por exemplo, o aforismo: “A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos.” (ANDRADE, 1995 , p. 41).
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Quase pintura: poesia e visualidade em Pau Brasil, de Oswald de Andrade

Quase pintura: poesia e visualidade em Pau Brasil, de Oswald de Andrade

Se escaparmos da cópia européia não devemos permanecer na incultura. Ser brasileiro não significa ser bárbaro. Os escritores que no Brasil procuram dar de nossa vida a impressão de selvageria, de embrutecimento, de paralisia espiritual, são pedantes literários. Tomaram atitude sarcástica com a presunção de superioridade intelectual, enquanto os verdadeiros primitivos são pobres de espírito, simples e bem-aventurados. O primitivismo dos intelectuais é um ato de vontade, um artifício como o arcadismo dos acadêmicos. O homem culto de hoje não pode fazer tal retrocesso, como o que perdeu a inocência não pode adquiri-la. Seria um exercício de falsa literatura naqueles que pretendem suprimir a literatura. Ser brasileiro não é ser selvagem, ser humilde, escravo do terror, balbuciar uma linguagem imbecil, rebuscar os motivos da poesia e da literatura unicamente numa pretendida ingenuidade popular, turvada pelas influências e deformações da tradição européia. 8
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A poesia pau-brasil: desconstruindo o Brasil de José de Alencar em "Iracema"

A poesia pau-brasil: desconstruindo o Brasil de José de Alencar em "Iracema"

No segundo bloco de poemas, intitulado “Poemas de Colonização”, percebe-se a referência ao processo de colonização para criticar a exploração do negro. Oswald vale-se dos elementos populares, incorporando mitos e lendas do Brasil relacionados à cultura negra. Utiliza uma linguagem simples e assim aproxima a poesia da fala, daí tomando como exemplo o poema “Scena”, no qual o termo “coa” representa “com a”. Nesse sentido, é possível perceber a evidente valorização de variações linguísticas do português falado: “A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica.” (ANDRADE, 1972, p. 204), que vai de encontro à erudição da língua. O folclore, fatos históricos, étnicos e econômicos, a culinária e a língua compõem o grupo de matéria prima para a poesia Pau Brasil: “A poesia existe nos fatos. Os cesebres de açafrão e de ocre nos verdes da favela.” (ANDRADE, 1972, p. 203).
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O Brasil e a poesia africana de língua portuguesa

O Brasil e a poesia africana de língua portuguesa

SCRIPTA, Belo Horizonte, v. 15, n. 29, p. 69-84, 2º sem. 2011 Ao longo da pesquisa, voltamo-nos para antologias consagradas (como No reino de Caliban, de Manuel Ferreira), antologias recentes (como Antologia da nova poesia angolana, organizada por Francisco Soares) e livros de autoria individual (no caso de poetas que consideramos manter uma relação de intensa proximidade com o Brasil, como José da Silva Maia Ferreira, José Craveirinha, Ruy Duarte de Carvalho, Paula Tavares, Ondjaki, Virgílio de Lemos, entre outros). Apesar de termos buscado consultar fontes diversificadas, temos consciência de que nosso mapeamento pode (e deve) ser ampliado, uma vez que o diálogo com o Brasil ainda se mantém vigoroso nos países africanos de língua oficial portuguesa, como pudemos verificar.
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Poesia eletrônica no Brasil: Alguns exemplos

Poesia eletrônica no Brasil: Alguns exemplos

Há um número considerável de pequenos estudos das relações da poesia com os meios eletrônicos (rádio, televisão, vídeo, holo- grafia, luz néon, videotexto, computador, Internet, web) no Brasil, a maior parte deles nos meios universitários. Em outros países, há livros e artigos espalhados em periódicos impressos e eletrônicos. Alguns poetas, na maioria das vezes professores universitários, se propõem a teorizar suas produções em artigos, espécies de manifestos, ou explica- ções em entrevistas.

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Tecno-arte-poesia no Brasil

Tecno-arte-poesia no Brasil

A primeira metade do século XX apresenta uma série de poemas tipográficos que exploram a espacialidade das palavras e tratam, temática e iconicamente, da tecno-arte-poesia. O poema “Amar”, de Oswald de Andrade e Ignacio da Costa Ferreira (Ferrignac ou Ventania), 6 datado de 27 de julho de 1918, mostra uma intervenção criativa no carimbo; na verdade, toda a obra, que é um caderno, com duzentas páginas, é uma criação coletiva e colaborativa de Oswald de Andrade e seus amigos. Dentre vários poemas tipográficos de Mendes Fradique (pseudônimo de José Madeira de Freitas) há: o poema com a letra x, que se parece com uma vinheta, em Grammatica portugueza pelo methodo confuzo (1928) – o que o autor explica, por meio do nonsense, que o “X é o coringa do alfabeto; póde substituir todas as lletras” –, estabelecendo uma comparação com o “x”, a incógnita, das equações matemáticas; e “Tapete persa”, de Feira livre... (Anthologia nacional pelo METHODO CONFUSO) (1923), que está entre os primeiros poemas visuais no Brasil e parodia avant la lettre a pintura “A traição das imagens – Isto não é um cachimbo”, de René Magritte, de 1929. “Máquina-de- escrever”, de Mário de Andrade, em Losango cáqui (1926), explora as características facilitadoras da máquina de escrever para produzir um poema com bastante espacialidade. Também há a apropriação temática dos textos publicitários por Paulo Mendes de Almeida, em Cartazes (1928); e, com temática semelhante e também do mesmo ano, “Poema do arranha-céu”, em Martim Cererê (1944), de Cassiano Ricardo. Dentre alguns artistas e poetas brasileiros que refletem traços dadaístas, como Oswald de Andrade e Flávio de Carvalho, temos as fotomontagens de Jorge de Lima, que apareceram no Jornal Fronteiras, de Recife, em 1938, 7 com o nome de “composições fotográficas”, e na Revista Renovação, também de Recife, em 1941, 8 denominadas de “poesia foto-plástica”. Um conjunto de quarenta
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Bartleby do Brasil: O gesto interrompido na poesia de Paulo Henriques Britto

Bartleby do Brasil: O gesto interrompido na poesia de Paulo Henriques Britto

Acontece com a linguagem algo semelhante: Bartleby e os poemas de PHB nos ensinam, retirando desse verbo todo salvacionismo possível, que é facultado à poesia “preferir não”. Esse é, possivelmente, um de seus condões mais fundamentais. Ao se dispensar de um real, ao abandonar o farol das ideias, a linguagem poética empresta à episteme um caminho profundo e paralelo de compreensão. Ao reter esse real para vandalizá-lo e profaná-lo, os textos que estudamos neste artigo multiplicam as dimensões dos signos. Mas essa passagem ocorre de uma maneira tão intensa e delicada que, se não tivermos o instrumental adequado, não enxergamos a curva da linguagem que esconde sua característica de opacidade, de elisão, e sobretudo o significado intrínseco desse silêncio. E aí seríamos condenados a ver apenas um real objetificado, com o valor das contingências sendo levado tão pouco a sério quanto as estatísticas sobre prêmios de loterias. A linguagem poética, este gesto que interrompe o reino de um real mesquinho, prefere não aprender essa estúpida lição.
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O Brasil do século XVI na poesia novilatina do escocês George Buchanan

O Brasil do século XVI na poesia novilatina do escocês George Buchanan

Uma  superficial  análise  intertextual  logo  nos  mostra  a  dependência  do  Autor  relativamente  a  duas  obras  que,  por  gosto  pessoal  e  atividade  profissional,  deveria  conhecer  de  memória:  a Bíblia e a Eneida, de Virgílio. Assim, a inicial invocação do Anjo  destruidor  imediatamente  nos  remete  para  os  versículos  24‐25  do  capítulo  19  do  Gênesis,  onde  lemos:  Fez  pois  o  Senhor  da  parte  do  Senhor  chover  sobre  Sodoma  e  Gomorra  enxofre  e  fogo  vindo  do  céu.  E destruiu  estas  cidades  e  todo  o  país  em  roda:  todos  os  habitadores  das  cidades e toda a verdura da terra. Por outro lado, nas estrofes 9 e 10  encontramos  um  evidente  reflexo  dos  conhecidos  episódios  de  Polifemo e os Ciclopes e de Cila e Caríbdis, presentes no canto III  da Eneida, nos versos 616‐627 e 420‐431, respectivamente. Segundo  Buchanan,  os  indígenas  do  Brasil,  ainda  que  acostumados  a  alimentos  semelhantes  aos  dos  Ciclopes,  sentir‐se‐iam  nauseados  com  a  presença  dos  novos  colonos,  enviados  para  solo  brasílico  para aqui continuarem em condições quase privilegiadas a prática  do  pecado  nefando.  Seria  o  momento  oportuno,  prossegue  ele, 
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Cultura popular e poesia social brasileira: identidades e resistência no Brasil contemporâneo

Cultura popular e poesia social brasileira: identidades e resistência no Brasil contemporâneo

A não figuração na esfera dos bens simbólicos nacionais, a reboque da exclusão social que sofrem seus produtores instaura uma forte tensão na poesia brasileira atual. Tendo de um lado, a produção canônica que goza do status de alta literatura, que é produzida e acessada pelas camadas mais abastadas da sociedade com valor de capital cultural a ser consumido. De outro, está a produção popular entendida por seus produtores como forma de entretenimento e resistência coletiva, a qual reproduz os valores e visões de mundo das classes populares. Porém, sob a visão das elites culturais, é vista pejorativamente como uma expressão menor, um sub- gênero da cultura nacional produzida por sujeitos sociais desprovidos de senso es- tético.
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A Transcriação de Poesia Através de Diferentes Mídias no Brasil

A Transcriação de Poesia Através de Diferentes Mídias no Brasil

O programa Jornal de Vanguarda, veiculado pela TV Bandeirantes em 1988 e 1989, contava com a participação de Paulo Leminski, que apresentava variedades relativas à língua, cultura e poesia. Além de performances poéticas, Leminski também levou para a TV alguns videopoemas, parte deles transcriações de poemas impressos de sua autoria, como Metamorfose. Durante os anos 80, Julio Plaza transcriou poemas de Paulo Leminski, Bashô e outros, para videotexto. No início dos anos 90, Augusto de Campos transcriou seu poema Cidade para uma versão animada em seu Macintosh pessoal. 3 Em 1993 foi a vez de Arnaldo Antunes, em parceria com Célia Catunda, Kiko Mistrorigo e Zaba Moreau, realizar o projeto Nome, um trabalho de vídeo e computação gráfica que contém a transcriação de poemas que já haviam sido publicados anteriormente pelo poeta.
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Representações do Brasil na poesia rosiana

Representações do Brasil na poesia rosiana

O lirismo romântico percorre os textos por meio de um processo de conciliação que Rosa mantém com eixos temáticos exaltativos à sua terra, conforme colocação de Bosi (1983; p.37). A postura do escritor mineiro também se dá pela condição de recusa a uma ideologia de catástrofe que se instaura por conta do subdesenvolvimento da nação brasileira, segundo afirmação de Antonio Candido (1986; p.142). Também tomamos por subsídio o que Roberto Schwarz (1987; p.128) chama de mística terceiro-mundista, fator que evidencia o nacionalismo vinculado à temática da tradição popular nos poemas modernos do diplomata mineiro. O referido autor considera que a mística terceiro- mundista permite o surgimento de uma literatura que se volta à temática rural, de crendice popular, de preservação dos mitos e lendas folclóricas, dados que observamos nos poemas de Guimarães Rosa. A fauna e a flora brasileiras, as lendas folclóricas do caboclo d’água e da Iara, e a crença religiosa de tradição popular e africana revelam o Brasil cantado pelo poeta mineiro.
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POESIA CONTEMPORÂNEA E CRÍTICA DE POESIA

POESIA CONTEMPORÂNEA E CRÍTICA DE POESIA

Do ponto de vista histórico, no Brasil, a questão se apresentou de forma mais aguda na Poesia Concreta. Como se sabe, nessa prática se atacou a última determinação formal do poético: o verso. Poesia não se definia mais pelo corte, nem pela elocução, nem pela lin­ guagem figurada. Ou melhor: essa seria a poesia do passado. Sua antagonista e sucessora, a Poesia Concreta, se proporia como rup­ tura com o conjunto dos procedimentos que definiam seja a prática clássica, seja a moderna ou modernista, em nome da maior adequa­ ção ao tempo e à cultura marcada pelos mass media. Uma ruptura radical, mas que busca sua justificação no cerne da tradição moder­ nista e que nunca abdica da reivindicação do nome de poesia e do estatuto de literatura.
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Revolução e Poesia

Revolução e Poesia

A investigadora Soraia Simões explica que “o RAP, como qualquer domínio da música popular, é um produto da vida quotidiana” (2017, p. 6) e é neste sentido que é interessante observar em que contexto histórico e político ele é produzido e recebido. É sabido que a década de 1985-95 foi marcada pelo regime político de Aníbal Cavaco Silva, pela entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia e pelo afl uxo massivo de imigrantes vindos principalmente de Angola, Cabo Verde e Brasil à procura de trabalho. Neste processo de mudança do tecido social e urbano da capital portuguesa, assiste-se por um lado ao fortalecimento da extrema-direita e a atos de violência racista, e por outro ao surgimento de numerosas associações em defesa da população imigrante e excluída (como o SOS Racismo, por exemplo) e de práticas de resistência alternativas.
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Poesia concreta: a crítica como problema, a poesia como desafio

Poesia concreta: a crítica como problema, a poesia como desafio

Pensando ainda em seu impacto no espaço da crítica e da própria apreensão da poesia como arte da linguagem, é preciso pensar a articulação que a poesia concreta estabelece em nível internacional, ao adquirir também uma dimensão de linguagem “transnacional”. Uma afirmação recorrente entre poetas e críticos ligados à poesia concreta ou a outros experimentalismos é a transnacionalidade da linguagem poética, pois muitos poemas concretos e visuais evidenciam que essa é uma forma de poesia que, em geral, não necessita ser traduzida. Evidentemente, isso se torna mais verdadeiro na medida em que a propensão visual do poema possa ser mais explorada que os recursos idiomáticos do texto. Esse fato talvez seja indicador do sucesso internacional dessa poesia, que se alastrou, rapidamente, por várias partes do mundo. No Brasil, embora os próprios poetas concretos tenham organizado, na edição de Teoria da poesia concreta, uma sinopse de sucessos internacionais do movimento, não são comuns estudos que abordem a poesia concreta por este viés. A exceção, nesse caso, é Philadelpho Menezes, cujos trabalhos teórico-criativos foram sempre um diálogo com a poesia concreta, neoconcreta, poema-processo e outras poéticas visuais – trabalhos que tiveram o mérito de perspectivar os experimentalismos poéticos nacional e internacionalmente. Isso pode ser verificado percorrendo-se as páginas de A crise do passado (2001), um estudo instigante sobre as poéticas da modernidade, da Renascença aos nossos dias, e Poética e visualidade (1991), um dos raros estudos sobre visualidade na poesia brasileira.
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