Camilo Pessanha

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O processo de represendatação do eu na Clepsidra de Camilo Pessanha

O processo de represendatação do eu na Clepsidra de Camilo Pessanha

(ABAB/ ABAB / CDE /CDE). Essas rimas alternadas colocam o plano do passado e do coletivo em contraposição ao do presente e ao do indivíduo. A primeira estrofe tem os seguintes pares antitéticos: “Planeta/ poeta” e “Pais/ jamais”. O único substantivo que não vem absolutizado nesse esquema de rimas é “poeta”. Esse poeta já nasce maldito, “viu a luz um poeta/ Que melhor fora não a ver jamais”, porque mesmo seu nascimento tendo se dado no mesmo espaço de seus “Pais” e “Avós”, o tempo em que nasce o eu poeta já não é mais o do mito, o tempo da grandeza dos “Pais” e “Avós”. Logo, aquele “Reino”, onde nasceram seus ancestrais, não é o mesmo de onde nasce o poeta. A temporalidade marcada do eu poético, que nascera apenas “há quatro lustros”, redimensiona o sujeito para a temporalidade natural do mundo que é, em relação ao tempo mítico dos antepassados, decadente. Por essa razão o sujeito preferiria nunca ter visto a luz do mundo: é melhor não nascer do que nascer à sombra de uma idade de ouro. A rima alternada em “pais” e “jamais” acentua esse efeito. O eu lírico de Camilo Pessanha, diferentemente, visita a “Ilha” junto com os navegadores. A tragédia pessoal do sujeito poético, no soneto de Pessanha, é contemporânea da tragédia coletiva.
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Camilo Pessanha e o Tao Te Ching: um capítulo

Camilo Pessanha e o Tao Te Ching: um capítulo

sua nova ótica, tornou-se, de algum modo, tributária das ciências naturais, da antropologia e, em última instância, das ciências “exatas”, deixando de ser a orientadora espiritual da opinião pública, e surgindo como aceitação histórica do mundo. Uma literatura, desonrando o belo nome de Naturalismo, penetrava em todos os ambientes, por meio de romances e folhetins sem número, levando a descrenças e o terror do mundo “natural”. Uma convicção íntima, moral e otimista havia sido destronada juntamente com a Igreja Católica, tal como a raiz da árvore frutífera se vai, ao roçarmos com violência as ervas daninhas. Baseadas na idéia do “fatalismo”, as doutrinas materialistas eram incapazes de servir de incentivo à vida. A idéia, inteiramente mecânica, que se tinha do mundo, destruía a noção de liberdade e, por conseguinte, a de responsabilidade. Na luta pela vida, uma lei inexorável parecia confirmar que os fracos devem sucumbir aos golpes dos fortes, e bania, dessa forma, o reinado autêntico da paz, da solidariedade e da fraternidade. Penetrando os espíritos, as teorias materialistas só podiam acarretar a indiferença, o egoísmo, o desespero e a desmoralização – esta que vemos, patente, em absolutamente tudo o que Camilo Pessanha escreveu (DENIS, 1946, p. 91).
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Ao oriente do oriente transformações do orientalismo em poesia portuguesa do início do século XX . Camilo Pessanha, Alberto Osório de Castro e Álvaro de Campos

Ao oriente do oriente transformações do orientalismo em poesia portuguesa do início do século XX . Camilo Pessanha, Alberto Osório de Castro e Álvaro de Campos

Não se encara, com efeito, a poesia como registo especular das construções histórico-culturais e ideológicas em torno do Oriente 51 , mas como o lugar de uma profunda reelaboração de discursos acerca do Oriente. O facto de a poesia reflectir – não no sentido especular, mas no sentido activo da palavra – sobre a relação com um Oriente-Império é o que une, a níveis diferentes, estes três autores. Ressalve-se, desde logo, as diversas vias pelas quais Camilo Pessanha e Alberto Osório de Castro, enquanto magistrados coloniais, exploram aquilo a que o império lhes deu acesso mediante o confronto in loco, filtrado pela sua condição social, à textualidade chinesa no primeiro e às tradições indiana e indonésia no segundo. A produção dos autores em questão articula relações com a política colonial, muito evidentes em Alberto Osório de Castro, ainda que assaz indirectas em Camilo Pessanha (mesmo tendo em conta a prosa). De facto, as marcas que a escrita de ambos exibe da inscrição histórico-social dos autores empíricos não basta para explicar a forma surpreendente como os seus textos laboram com a tópica orientalista. Já um poeta como Fernando Pessoa pensa estas questões de forma exterior a qualquer enquadramento oficial, o que, de igual modo, não chega para explicar a insistência do autor, reflectida num poema como «Opiário» de Álvaro de Campos, num imperialismo de perfil espiritual, cultural e literário. O imperialismo de Fernando Pessoa-Álvaro de Campos é apenas possível de ser equacionado num domínio imperial transcendente aos seus correlatos materiais.
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Telégrafo e fonógrafo: metáforas modernas da fragmentação em António Nobre e Camilo Pessanha / Telegraph and Phonograph: Modern Metaphors of Fragmentation in António Nobre and Camilo Pessanha

Telégrafo e fonógrafo: metáforas modernas da fragmentação em António Nobre e Camilo Pessanha / Telegraph and Phonograph: Modern Metaphors of Fragmentation in António Nobre and Camilo Pessanha

Resumo: A partir da obra Os meios de comunicação como extensões do homem (1964), de Marshall McLuhan, o presente artigo pretende demonstrar como a noção de fragmentação da informação suscitada pelas inovações tecnológicas do século XIX – particularmente, pelo advento do fonógrafo e do telégrafo – se relaciona com as mudanças no comportamento humano, sobretudo no que diz respeito à própria percepção de si, e como esta nova percepção se manifesta nas novas formas artísticas oitocentistas que marcam o início da Modernidade, em especial, no simbolismo e no impressionismo. Em seguida, para demonstrar esta teoria, são analisados dois poemas simbolistas: o soneto 12, de António Nobre, centrado na imagem do telégrafo, e “Fonógrafo”, de Camilo Pessanha, através dos quais se espera mostrar como estas duas invenções modernas podem ser lidas como síntese metafórica da fragmentação do sujeito poético, manifesta por imagens, sintaxe e ritmo igualmente fragmentados, resultantes das mudanças de paradigmas artísticos, suscitados, por sua vez, pela mudança da percepção provocada pelas inovações tecnológicas.
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A clepsidra e o labirinto: figurações do exílio em Camilo Pessanha e Mário de Sá-Carneiro

A clepsidra e o labirinto: figurações do exílio em Camilo Pessanha e Mário de Sá-Carneiro

Nascido em Coimbra em 1867, Camilo Pessanha estudou Direito e formou-se em 1891. Antes disso já iniciara a sua vida literária, escrevendo poemas e colaborando com alguns periódicos, como a revista O Intermezzo e o jornal de província O Novo Tempo. 26 Mudou-se para Macau, colônia portuguesa na China, em 1894, para trabalhar como professor do ensino secundário. Como tantos outros, viciou-se em ópio ao viver no Oriente, fato relacionado à sua morte em 1926. Ainda em Macau, passa a trabalhar, a partir de 1900, como Conservador do Registro Predial, ao passo em que continuou publicando alguns poemas, sempre em periódicos. Desta forma, não deixou um volume propriamente dito com sua obra poética; este ficou a encargo do amigo João de Castro Osório, que recolheu alguns dos poemas que Pessanha guardava, memorizados, e publicou, em 1920, a primeira edição de Clepsidra. Várias outras edições seriam lançadas futuramente, com algumas modificações (ortográficas, por exemplo) e alguns textos adicionados à primeira edição 27 . Além deste relativamente parco volume, publicou-se na década de 1940 um conjunto de artigos que Pessanha escreveu acerca da cultura chinesa, o qual se intitula China.
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Camilo Pessanha por António Osório ou o Romance do Ensaista?

Camilo Pessanha por António Osório ou o Romance do Ensaista?

É, portanto, acerca da relação entre Camilo Pessanha e Ana de Castro Osório que nos fala António Osório. Mas só à primeira vista estamos na dimensão da biografia. Num segundo momento, precisamente por detrás da preocupação de biografar, entramos em territórios menos demarcados, mais ténues quanto a uma catalogação fácil dos modos narrativos usa- dos para contar o amor de Camilo Pessanha. Tributo à memória do amor entre o poeta e a mulher idealista e culta, responsável pelo “salvamento” da Clepsydra, não nos deixemos porém enganar aquando desta leitura. Não fosse, justamente, o modo de contar de António Osório e o livro, com esta história lá dentro, seria simples propalar de episódios íntimos e não é isso, em rigor, o que acontece. Escrito com pudor, mas também com orgulho, com sentido de res- ponsabilidade e dever cultural, O Amor de Camilo Pessanha vem juntar-se aos melhores estudos publicados sobre a figura do nosso maior simbolista, com o valor acrescido de trazer à colação um caso humano, tanto mais importante quanto é certo esse caso humano ser uma das possí- veis razões para a realização de uma poesia marcada pela impossibilidade de fixar a realidade, como se em cada poema de Pessanha aflorassem apenas imagens transitórias, testemunhos de uma “imagem que se forma ou a recordação que se conserva dela” e que o poeta não consegue manter viva, como apontou Esther de Lemos. Precisamente captar uma imagem de Camilo Pessanha por intermédio deste seu episódio de vida parece ser o objectivo final deste livro, ainda que se ramifique num outro, o qual nos parece ser o de esboçar (termo talvez impróprio) uma narrativa a um tempo romance e ensaio.
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As imagens de Portugal na poesia de Camilo Pessanha

As imagens de Portugal na poesia de Camilo Pessanha

A poética de Camilo Pessanha foi um dos anúncios das mudanças pelas quais Portugal estava passando. Todavia, observando mais detidamente o livro Clepsydra, verificamos a presença do pessimismo que marcou o período de 1890 a 1910 em Portugal. O pessimismo português acompanhou os postulados de Schopenhauer e Hartmann, mas com especificidades próprias, que lhe deram um matiz distinto. Segundo Bernard Martocq, o pessimismo teria duas formas. A primeira seria filosófica e metafísica, sendo o resultado um produto da razão, que formaria um sistema coerente. Já a segunda seria psicológica e literária. O pessimismo português teve como principal influência a primeira. O principal interlocutor entre as idéias de Schopenhauer e Hartamann e o pessimismo português foi Antero de Quental, como nos assinala Bernard Martocq: “(...) assurément, les noms des deux porte-paroles officiels du pessimisme sont souvent cités à cette époque, mais il faut préciser qu’ils le sont d’autant plus qu’ils sont peu lus. Il ný a guère qu’Antero, la tête la plus philosophique de sa génération, qui ait eu une connaissance assez détaillée de ce probléme.” 8
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Transcendência e Vontade na "Clepsidra" de Camilo Pessanha

Transcendência e Vontade na "Clepsidra" de Camilo Pessanha

Seguindo a didática do heterônimo pagão ter-se-á uma fórmula inserida dentro de um universo poético que mapeia o percurso do eu lírico que quer libertar-se da dor causada pela passagem das horas e do esvaziamento do ser. Isto não significa que o eu lírico na poética de Reis tenha se libertado da vontade, pelo contrário, é a inquietude desse desconcerto que faz com que a cada poema Reis busque um modo de trazer alívio para a questão da finitude. Ou seja, existem maneiras para se tentar burlar o desconcerto. Mas o desconcerto, como parte fundamental da poética camiliana, persiste em Camilo Pessanha, pois é isto o que define a Clepsidra: O rio do tempo que corre irrefreável, diante dos olhos cansados de ver.
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Leituras de Camilo Pessanha por estudantes chineses

Leituras de Camilo Pessanha por estudantes chineses

portuguesa de Macau. Pessanha chegou à colónia em 1894, ao que tudo indica procurando esquecer no exílio a sua paixão não correspondida por Ana de Castro Osório, e ali veio a desempenhar várias funções de relevo, quer como docente do liceu local, quer como jurista, cujo talento até os adversários reconheciam. A imagem do poeta alucinado e andrajoso,

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Paisagens de negação: a ambiência e a melancolia como reflexo da negação em Paisagens de inverno, de Camilo Pessanha

Paisagens de negação: a ambiência e a melancolia como reflexo da negação em Paisagens de inverno, de Camilo Pessanha

Resumo O objetivo desse artigo é analisar os poemas Paisagens de inverno (I e II) de Camilo Pessa- nha numa tentativa de aproximar o conceito de paisagem, aplicado por Fernando Pessoa em sua obra poética, como reflexo do ambiente negativo/melancólico inerente nos dois poemas supraci- tados. Para tal propósito, iremos nos ancorar em dois principais textos teóricos que afiançam nosso estudo. São eles: Atmosfera, Ambiência, Stimmung: sobre um potencial oculto na literatura, de Hans Gumbrecht e Melancolia, de Luiz Costa Lima.

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A recepção de Vieira por Garrett, Camilo e Teófilo

A recepção de Vieira por Garrett, Camilo e Teófilo

Como podemos notar, nesta análise de Teófilo o aspecto duplo que caracterizou a apreciação crítica de Vieira feita por Camilo e por Garrett acaba por aparecer de forma totalmente transmutada. Não se trata mais de ver características positivas e negativas na obra do autor dos Sermões, mas em mostrá-lo como um ser duplo e dúbio, que critica posturas que, na visão de Teófilo Braga, o próprio Vieira acaba por assumir em sua obra. Este caráter dúbio é, por sinal, o mais importante traço com que Teófilo pinta o seu retrato de Vieira, traço que acaba por irmanar a obra e o homem: seja enquanto jesuíta, seja como homem político, seja como escritor, o autor dos Sermões é recorrentemente visto como alguém “sempre fértil de expedientes e com lábia”. 34
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agregation danis bois Rapport

agregation danis bois Rapport

(orgs), Sujeito sensível e renovação do eu: as contribuções da fasciaterapia e da somato-psicopedagogia , Centro Universitário São Camilo, Paulus. (Brasil), pp[r]

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Pela 'rugosidade da vida': a solidão e a escrita como rotas de fuga em Juliano Pessanha

Pela 'rugosidade da vida': a solidão e a escrita como rotas de fuga em Juliano Pessanha

o corpo intacto. Esse corpo-só seria lavado das complica- ções do mundo e cravado num lar monástico que impede qualquer abertura ao outro em sua outridade. A solidão de que fala Gilles Deleuze é, ao contrário, uma solidão que não se dissimula numa reclusão altamente conectada às redes de comunicação. Ela é, sim, um modo de escape que Pessanha constrói para, a partir daí, deixar brotar outras modalidades de encontro.

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A VERDADE É O qUE CAMILO DEIxOU ESCRITO

A VERDADE É O qUE CAMILO DEIxOU ESCRITO

256 Por outro lado, José Augusto guardou o coração de Fanny “e não o hímen” (Costa 70) res- gatando para si – resgatando-o da corrupção da morte – aquilo que nenhum homem teria tocado, no sentido literal. Paradoxalmente, o destino do coração de Fanny é também ele objecto de esclarecimentos contrários. Camilo afirma que dele terá sido depositária “uma se- nhora” com quem Fanny Owen “conviveu na Foz” (Castelo Branco, No Bom Jesus 143). Sobre o corpo de Fanny, o novelista indica que terá estado no jazigo dos Rochas Pintos, no cemitério da Lapa, no Porto (Castelo Branco, No Bom Jesus 144). Hugo de Magalhães, descendente de José Augusto, assegura que o coração de Fanny foi mudado da capela do Lodeiro para ser depois colocado no “jazigo da família em Amarante, bem guardado e fora de vistas, sob uma laje de granito”. (Azevedo, À sombra 38) Por sua vez, Manoel de Oliveira reclama a autentici- dade do facto que, segundo o realizador, é “histórico, existe, é verdade. Não é uma invenção”. Numa terceira versão da história, Oliveira explica como “o coração estava em formol no Hos- pital da Trindade. Mas alguém lhe pegou e não se deu ao trabalho de o voltar a meter no frasco”. (Baercque e Parsi 61) E assim se perdeu o paradeiro do coração de Fanny, pelas ironias do desejo e do destino dos homens.
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Resistência do morangueiro (Fragaria híbridos) à Mycosphaerella fragariae (TUL.) LIND. (Ramularia tulasnei SACC.).

Resistência do morangueiro (Fragaria híbridos) à Mycosphaerella fragariae (TUL.) LIND. (Ramularia tulasnei SACC.).

Trata-se da doença mais freqüente nas plantações de morangueiro do Estado de São Paulo (CAMARGO, 19 73), podendo ocasionar a morte das plantas (PESSANHA, ΙΑΜΑΜΟΊΌ & SCARANARI, 197[r]

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ESTÁGIO SUPERVISIONADO E INVESTIGATIVO EM FÍSICA: ambiente de validação do diálogo como saber docente.

ESTÁGIO SUPERVISIONADO E INVESTIGATIVO EM FÍSICA: ambiente de validação do diálogo como saber docente.

A maior importância que o licenciando Camilo atribui ao diálogo em detrimento às atividades experimentais nos possibilita compreender que o teste e a validação de saberes docentes são um processo contínuo, não único e nem momentâneo podendo ocorrer diversas vezes para uma mesma temática (estratégia de ensino no nosso caso) na trajetória profissional do professor. A possibilidade da designação de um saber como de ação pedagógica por um professor não ocorre em experiências pontuais, mas sim através de contínuos processos (inter) disciplinares de teste e validação dos saberes docentes. A análise aqui apresentada também nos situa o estágio investigativo como um processo de formação contínuo que pode sedimentar saberes já desenvolvidos, como o diálogo no caso do Camilo, ou iniciar processos de teste e validação para novas temáticas, como as atividades experimentais. Essa característica do estágio supervisionado de envolver a sedimentação de saberes, bem como o teste e validação deles em situações de regência docente possibilita entendermos esse espaço na formação inicial de professores como um momento de elaboração de saberes experienciais e de desenvolvimento da pesquisa interdisciplinar.
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Dois exercícios dramáticos de Camilo Castelo Branco

Dois exercícios dramáticos de Camilo Castelo Branco

Este ensaio vai destacar, do não desprezível, pelo menos em número de produções, corpus dramatúrgico de Camilo dois brevíssimos textos æ O tio egresso e o sobrinho bacha- rel, («capítulo de um romance maçador», que no final traz a data de 1849, texto publi- cado originalmente n’O Nacional, número 219, de 24 de setembro de 1849, embora com título distinto daquele por que depois ficou conhecido, e, mais tarde, na Gazeta de Portugal, número 186, de 26 de junho de 1863) e o «conto moral» Dois murros úteis, cuja ação transcorre no Porto em 1849 (primeira publicação em O Nacional, números 222 e 231- 232, de 27 de setembro de 1849 e 08 e 09 de outubro do mesmo ano e, depois, na Gazeta de Portugal, números 192 e 193, de 09 e 10 de julho de 1863), os quais poderíamos cha- mar de «exercícios teatrais». Os dois textos, mais tarde, foram inseridos em Noites de Lamego, 1863, basicamente um volume de contos e crônicas a abrigar dois textos teatrais.
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Vá para fora cá dentro – Camilo em tempos de crise

Vá para fora cá dentro – Camilo em tempos de crise

Como se sabe, a figura do “brasileiro de torna-viagem” torna-se um dos alvos favoritos de Camilo. Jacinto do Prado Coelho (2001, p. 401) observa mesmo que “os retratos do “brasileiro”, do negociante, do barão, são casos especiais, geralmente não passam de caricaturas grotescas”. Esta consideração, aliás, peca por eufemismo. Camilo nunca encapota a repugnância que nutre pelos emigrantes que regressam ricos do Brasil. Todavia, não vejo motivo para continuarmos a reproduzir um juízo estereotipado que nos instrui a tratar como idênticos os diversos casos de portugueses que tiveram sucesso nas suas aventuras além-fronteiras. Assim, o brasileiro que pretendo sublinhar nas páginas seguintes não é propriamente a figura ridícula, infame e perversa que surge nas novelas de Camilo, mas a que nela sobrevive apesar de Camilo. Parece-me, nesse sentido, que o topos do “brasileiro” remete para uma experiência cultural ainda hoje passível de ser ouvida. Por um lado, a agenda moral de Camilo insiste que tem de haver alguma coisa errada com a corja de gente que ergue altares ao negócio e ao lucro e identifica nos homens de negócio regressados do Brasil um modelo paradigmático dessa falta de escrúpulos. Por outro lado, também temos boas razões para argumentar que o processo de autocriação de Camilo, que se apresenta sob a forma de uma ofensiva vital culminada com a subscrição terapêutica do seu próprio Brasil, partilha com esse topos uma série de aspetos. Construir o seu Brasil em São Miguel de Seide foi a consequência normal de quem toda a vida lutou como um condenado para superar as crises de uma existência sujeita a uma sucessão de ameaças. Sou mesmo tentado a garantir que aí reside uma das forças atuantes do seu discurso, sobretudo se o virmos como resposta à pletora de motivos geopolíticos, económicos e mediáticos que, nos nossos dias, se encarrega de estagnar focos de rebeldia e energias democráticas.
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Avaliação dos fatores de risco individuais e familiares para desnutrição energético protéica em crianças com até 60 meses de idade, em Berilo, MG

Avaliação dos fatores de risco individuais e familiares para desnutrição energético protéica em crianças com até 60 meses de idade, em Berilo, MG

PESSANHA (2002) avaliou o estado nutricional e fatores de risco para DEP em 422 crianças menores de dois anos nos municípios de Carbonita, Datas e São Gonçalo do Rio Pret[r]

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O discurso histórico em O Regicida de Camilo Castelo Branco

O discurso histórico em O Regicida de Camilo Castelo Branco

Como já pudemos observar, quando o narrador afirma que irá se abster de descrever minuciosamente episódios históricos em sua ficção para "não defraudar historiadores que não têm, q[r]

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