Cangaço - narrativas

Top PDF Cangaço - narrativas:

Mulheres a ferro e fogo: reflexões sobre a musealização do cangaço.

Mulheres a ferro e fogo: reflexões sobre a musealização do cangaço.

Tal situação é evidenciada na expografia do Museu do Cangaço de Triunfo (PE), que de- dicou um espaço para a apresentação de fotografias das mulheres ferradas por José Baiano. Fundado em 1975, o museu é dedicado à memória do cangaço com cerca de 500 peças como fotografias, armamentos e indumentárias. Os argumentos apresentados com relação ao Memorial de Sergipe também podem ser aqui estendidos. Todavia, nesta exposição as memórias sobre as mulheres violentadas por José Baiano são evidenciadas em um espaço próprio, a partir de três fotografias emolduradas: duas fotos do rosto marcado de Maria Marques (uma jovem e outra ido- sa) e uma foto de Olindina Marques, identificada como vítima do episódio de Canindé (Figura 4). Nesse caso, é importante reconhecer as narrativas conflituosas em torno da identifi- cação dessas mulheres. Conforme constatamos anteriormente, existem divergências em torno dos nomes das vítimas do cangaceiro ferrador. A fortuna crítica sobre o cangaço destaca Maria Marques, Anízia e Isaura. O Museu do Cangaço de Triunfo identifica Olindina Marques e existem trabalhos que informam os nomes de Antônia Marques e Balbina da Silva. Além de
Mostrar mais

18 Ler mais

Imagens do Sertão: a violência-resposta legitimada no cangaço

Imagens do Sertão: a violência-resposta legitimada no cangaço

Assim, em Pedra Bonita, o cangaceirismo não é uniforme, pelo contrário, comporta gradações que vão do simples e puro bandidismo, representado pelo bando de Luís Padre, a sua representação mais alta, o cangaceirismo justiceiro, aí representado pelos seus maiorais. Estes maiorais do cangaceirismo são apenas citados, evocados em Seara Vermelha, sobre eles não se contam histórias desencontradas, os juízos de valor sobre eles emitidos são do narrador e aparecem como modelos do cangaceirismo de vingança e justiceiro, como os predecessores genealógicos de Lucas Arvoredo, alçado a condição de destemido chefe de bando, metamorfoseado em espécie de “rebelde primitivo” e apropriado como pré-figuração das possibilidades de rebeldia exigidas para a configuração do modelo do integrante do Partido Comunista. Não há em Pedra Bonita uma explícita apropriação do cangaceirismo, ele é como que desnudado diante do leitor; o cangaço faz-se narrativa romanesca que, englobando um feixe de pequenas narrativas, recobre o percurso do cangaço, do Cabeleira a Lampião, nos seus cerca de 170 anos de história.
Mostrar mais

12 Ler mais

O cangaço no sertão d’Os desvalidos

O cangaço no sertão d’Os desvalidos

possibilita compreender como o cangaço, especificamente o cangaço associado ao bando de Lampião, viabiliza a representação de perspectivas estéticas e narrativas que evidenciam este cronotopo. Registros históricos e jornalísticos da perspicácia de Lampião para imprimir medo e respeito à população citadina são encontradas com certa facilidade. A imagem desse cangaceiro ocupava constantemente as páginas dos jornais, pois ele conseguia ser notícia enquanto gerava o fato social para atrair a atenção da população e dos governantes. O interesse por esse assunto foi um dos responsáveis pela utilização de mecanismos de persuasão e de despistamento por parte de Lampião para conseguir dinheiro, armas, joias, enfim, tudo de que necessitasse. Por exemplo, pode-se citar uma referência feita por Djacir Menezes que, ao descrever a repercussão do cangaço no Nordeste, apontou Lampião como “o rei dos sertões do norte. A audácia do bandido não teve limites. Assediou cidades. Conferenciou com prefeitos. Deu entrevistas aos jornais” (1937, p. 217). Essa sequência de atividades demonstra a diversificação das ações efetivadas por Lampião e de como a sua presença tornou-se influente. Conferenciar com prefeitos e dar entrevistas aos jornais são, por si sós, ações que implicam certo destaque social, de modo que a propaganda em torno de seu nome era uma das responsáveis por tal prestígio. Em todo caso, a ambivalência circundava o nome de Lampião: ações boas e ruins eram executadas com a mesma presteza.
Mostrar mais

156 Ler mais

A REPRESENTAÇÃO DO CANGAÇO EM JOSÉ LINS DO REGO

A REPRESENTAÇÃO DO CANGAÇO EM JOSÉ LINS DO REGO

Resumo: José Lins do Rego integra um projeto estético-literário denomina- do Romance de 30, cujas atenções voltam-se para a construção de uma literatura que conte o Brasil a partir do elemento regional. Transitando en- tre a zona açucareira e os sertões paraibanos, a obra do escritor é repleta de diversas problemáticas sociais ligadas ao Nordeste, como o fenômeno de banditismo rural denominado cangaço, presente em alguns momentos de Lins do Rego. Partindo disso, procura-se, aqui, estudar a(s) representa- ção(ões) do cangaço na obra reguiana, tratando o acontecimento histórico como elemento estético da obra em questão. Os três romances estudados são Menino de Engenho, Fogo Morto e Cangaceiros, havendo entre cada um o distanciamento temporal de pelo menos uma década. Ao final desta leitura, é possível perceber que o cangaço enquanto tema dos romances do paraibano é progressivo, ganhando espaço dentro dos enredos; não se po- dendo esquecer que, enquanto aspecto estético, dialoga intimamente com a estrutura das narrativas.
Mostrar mais

18 Ler mais

A castração real no cangaço: nota prévia a estudo de caso

A castração real no cangaço: nota prévia a estudo de caso

Como o título sugere, narra um episódio de castração cometido pelo famoso cangaceiro Virgínio Fortunato, no município de Buíque, Pernambuco, situando-o não num contexto jurídico-criminal[r]

8 Ler mais

Imagens e memórias do cangaço:  reavivamento nas artes e na religiosidade popular

Imagens e memórias do cangaço: reavivamento nas artes e na religiosidade popular

Não escapando do espaço restrito da produção de um artigo, torna-se necessário fazer um recorte, em relação ao reavivamento do cangaço nas artes, que me permita trazer o fato histórico da morte de Virgolino Ferreira da Silva e Maria Gomes de Oliveira, vulgos Lampião e Maria Bonita (personagens que não morreram jamais), no ano de 1938, na grota do Angico, no município de Poço Redondo, Estado de Sergipe; quando aconteceu o desfile das cabeças cortadas de onze cangaceiros, incluindo as de Virgolino e Maria. O espetáculo macabro, acompanhado pela mídia impressa de todo o Brasil, representou a tentativa de vitória dos heróis do Estado Novo contra o banditismo rural, ou da tecnologia das armas e da amplificação da modernidade contra os mitos do sertão, incluindo o da invulnerabilidade de Lampião.
Mostrar mais

20 Ler mais

A presença feminina no cangaço: práticas e representações (1930-1940)

A presença feminina no cangaço: práticas e representações (1930-1940)

A socióloga Maria Isaura P. de Queiroz salienta que há indícios da existência do cangaço independente no século XVIII, cujo principal expoente, teria sido o cangaceiro Cabeleira, imortalizado pela literatura no romance de Franklin Távora em 1876. No século XIX destaca-se João Calangro, de acordo com ela, a emergência desses bandos estava diretamente associada aos períodos críticos de seca, e se dissolviam quando a situação se normalizava. QUEIROZ, Maria Isaura P. de. Os Cangaceiros. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1977, p. 59-66. Em fins do século XIX cresce a prática do cangaço independente, cuja emergência não se vincula aos ciclos das secas, mas a vingança da honra. O cangaceiro Jesuíno Brilhante (Jesuíno Alves de Melo Calado) é um exemplo claro deste tipo de cangaço. Representa o típico bandido social, ou seja o “ladrão nobre” ou “Robin Hood” – conforme definição de Eric Hobsbawm. Outro cangaceiro deste período foi Antônio Silvino (Manoel Baptista de Moraes) que também ingressou no cangaço com o intuito de vingar uma afronta sofrida, ou seja, o assassinato de seu pai por inimigos políticos. Este cangaceiro também se enquadra na definição de bandido social. Foi preso em 1914, condenado a 32 anos de reclusão na Penitenciária de Recife, local em que cumpriu mais de 20 anos da pena em função do indulto recebido do presidente Getúlio Vargas em 1937. Silvino faleceu em 1944, aos 69 anos de idade. Sobre esse assunto consultar FERREIRA, Vera. De Virgolino a Lampião. São Paulo: Idéia Visual, 1999, p. 41.
Mostrar mais

242 Ler mais

PALAVRAS-CHAVE: A Morte Comanda o Cangaço, Subgêneros Cinematográficos,

PALAVRAS-CHAVE: A Morte Comanda o Cangaço, Subgêneros Cinematográficos,

Os filmes sobre o cangaço fizeram muito sucesso durante as décadas de 1950 a 1990 e ainda são apreciados por um grande número de pessoas. O boom dos filmes de cangaço tem início com o filme O cangaceiro (BRA/1953) dirigido por Lima Barreto com diálogos da escritora Rachel de Queiroz (não obstante, desde 1920 já se faziam filmes com essa temática). Foram produzidos cerca de 50 filmes em torno de 70 anos, o que faz o cangaço se consolidar como subgênero cinematográfico: o nordestern. Esses filmes foram influenciados pelos filmes de faroeste norte-americanos – os westerns. Dentre os vários filmes produzidos neste subgênero, escolhemos trabalhar com o filme A Morte Comanda o Cangaço (BRA/1961) do diretor Carlos Coimbra. Sendo assim, no presente artigo tivemos como objetivo analisar, no filme A Morte Comanda o Cangaço (BRA/1961) os elementos do gênero western. Destarte, conseguimos perceber elementos claros do western presentes em A Morte Comanda o Cangaço. Como, por exemplo, os diálogos curtos, a paisagem agressiva, os planos abertos, o duelo no final, a presença do mocinho fazendo justiça com as suas próprias mãos. Mas, também, elementos peculiares: a substituição dos cowboys pelos vaqueiros e cangaceiros, o duelo à mão armada com grandes punhais e facões, além da música, entrando em cena, o xaxado. Concluímos, pois, que o filme apropria-se dos exemplares clássicos do faroeste norte-americano apresentando, contudo, características que lhes são únicas.
Mostrar mais

15 Ler mais

Cangaço e memória

Cangaço e memória

S obreviventes de anos e anos de perseguições, silêncios e sim ulações, m uitos leram os depoim entos publicados por chefes volantes com o O ptato G ueiros, João B ezerra e, acim a de tu[r]

6 Ler mais

Sentidos da memória: a experiência do cangaço em Paulo Afonso - BA

Sentidos da memória: a experiência do cangaço em Paulo Afonso - BA

histórico. O experimentar da narrativa, antes de se configurar como uma representação daquilo que um dia existiu, tornou-se um viver, um viver do cangaço, mas um outro cangaço. O que argumento é que o carnaval dos Cangaceiros de Paulo Afonso é um cangaço vivido e entendido de modo particular, diferente daquele que existiu nos séculos XIX e XX, mas que guarda vínculos com ele. Desse modo, não estamos no âmbito daquilo que simboliza e metaforiza ou até mesmo mimetiza algo, estamos no âmbito daquilo que é efetivamente vivido e sentido como tal. Isto, porque, de um modo ou de outro, as memórias e histórias trazidas pelos primeiros membros do grupo tornaram-se familiares, tornaram-se suas, viraram novas, nasceram outras, enfim se autonomizaram em relação ao cangaço histórico, tornando-se cangaço de Paulo Afonso. Ao longo dos anos, a brincadeira, ainda que referida assim por cangaceiros e volantes, cruzou a linha tênue com a realidade, tornando suas fronteiras borradas, até que desaparecidas. Quero dizer que, se se vestir como outra pessoa ou outro ser durante um período festivo é entendido como uma brincadeira, pois a ideia é fingir ser algo que não o é, o mesmo não é válido para os Cangaceiros de Paulo Afonso. A ideia de cópia não se aplica, pois, os sujeitos considerados não fingem ser os cangaceiros históricos, ainda que guardem vínculos com o cangaço e se sintam afetados por ele. Não é possível dizer que Lampião é um símbolo ou uma imitação de quem foi Lampião, ainda que lhe deva muito. Lampião é Lampião, assim como Canarinho é Canarinho e não é Lampião. A partir do momento em que essa brincadeira deixa de ser mimetização – se é que um dia já o foi –, ela deixa de ser um faz de conta. Se assim o fosse, quando algum acontecimento grave, como uma briga ou um desentendimento, ocorre, cangaceiros e volantes não reagiriam como cangaceiros e volantes.
Mostrar mais

170 Ler mais

O protagonismo feminino no cangaço de Lampião (1930 - 1940)

O protagonismo feminino no cangaço de Lampião (1930 - 1940)

A mulher cangaceira também não deixou sua vaidade e feminilidade de lado. Usavam lenços de seda, alianças, correntes de ouro, medalhões incrustados com rubis ou esmeraldas. Carregavam bornais, cantis, cartucheiras e armas. Embora não fosse cobrada sua participação ativa nos combates com a volante, todas as mulheres do bando sabiam atirar e andavam sempre armadas, para sua proteção pessoal em casos de imprevistos. Exemplo disso é a aparição de Durvinha no documentário de 1937,Lampião, o rei do Cangaço, nele Durvinha aparece sorrindo e segurando uma arma em posição de atirar. Este documentário é um registro de imagens feito pelo jornalista Benjamin Abrahão que conseguiu de Lampião a permissão para acompanhar o bando entre os anos de 1936 e 1937 registrando um pouco do cotidiano dos cangaceiros na Caatinga (ALBUQUERQUE, 2007).
Mostrar mais

25 Ler mais

Patrimônio e região: uma leitura do cangaço como patrimônio cultural nordestino

Patrimônio e região: uma leitura do cangaço como patrimônio cultural nordestino

A questão do Patrimônio tem se tornado ao longo destas últimas décadas, uma questão bastante discutida e ressignificada com o passar dos anos. Desde o Estado Novo, em 1937, esta questão vem ganhando caráter de importância para a historiografia nacional e também regional, apresentando-se como um desafio que pode ser constituído pela forma de preservar de diversas maneiras o passado e a cultura do país contextualizada nas dimensões regionais. Nesta perspectiva, optei por apresentar uma reflexão de ordem teórica sobre o cangaço situando-o como um movimento social concreto ocorrido no século passado, no contexto da região Nordeste.
Mostrar mais

25 Ler mais

Na terra, no inferno e no céu:    o cangaço na literatura de cordel (1905 – 2001).

Na terra, no inferno e no céu: o cangaço na literatura de cordel (1905 – 2001).

É importante destacar que tradição deve ser entendida diferencialmente de costume, nas sociedades ditas tradicionais. As tradições implicam em práticas de um passado distante ou próximo, que geralmente ocorre a repetição. Já o costume, tem como função de dar a determinada ação, a continuidade histórica. Um bom exemplo para esse termo é o uso de acessórios na qual os cangaceiros utilizam. A espingarda, a faca, o punhal, o revólver, são nada mais que objetos utilizados de costume na tradição da luta, da caça. Acrescenta ainda que o costume não pode ser tido como invariável. Ele faz jus a tradição. Se há costumes no cangaço, tais devem ser associados as práticas tradicionais já existentes. “Consideremos que a invenção de tradições é essencialmente um processo de formalização e ritualização, caracterizado por referir-se ao passado, mesmo que apenas pela imposição de repetição” (HOBSBAWM, 1997. p. 12). As tradições surgem então, no intuito de difundir, guardar, reproduzir práticas, e transmitir para o futuro, próximo ou distante, as ações que eram realizadas no passado. As tradições surgem quando ocorrem transformações na sociedade. As tradições, segundo o autor, podem ser consideradas como “novas”, quando por incapacidade de utilizar ou adaptar as “velhas”.
Mostrar mais

87 Ler mais

O Cangaço na figura de lampião: a imagem de um cangaceiro memorizada nos folhetos de cordel.

O Cangaço na figura de lampião: a imagem de um cangaceiro memorizada nos folhetos de cordel.

Boa alpercata nos pés Pra lhe ajudar no serrado Tinha a calça de bom pano Paletó de brim escuro No pescoço um lenço verde De xadrez e bem seguro Por um anel de brilhante Que se via faiscante Por ter um metal mais puro Usava óculos também Pra encobrir um defeito Moléstia que Lampião Sofre no olho direito, Mesmo assim enxerga tudo Pois no sertão tem estudo Faz o que quer a seu jeito Nos versos que seguem João Martins de Athayde descreve a posição do cangaceiro diante do repórter e como Lampião narra a sua trajetória no mundo do cangaço. O poeta destaca um ponto crucial da vida de Lampião: como ele construía sua própria imagem de homem honrado e valente. A partir dos versos de Athayde podemos entender como Lampião divulgava a sua imagem a sociedade através dos veículos de comunicação:
Mostrar mais

70 Ler mais

Filmes de cangaço : a representação do ciclo na decada de noventa no cinema brasileiro

Filmes de cangaço : a representação do ciclo na decada de noventa no cinema brasileiro

Numa perspectiva te6rica mais contemporanea, os generos nao sao percebidos como formas isoladas, homogeneas e continuas (visao ahist6rica), mas subsistemas que sofrem[r]

138 Ler mais

“Novo Cangaço” no Pará: A Regionalização dos Assaltos e seus Fatores de Incidência.

“Novo Cangaço” no Pará: A Regionalização dos Assaltos e seus Fatores de Incidência.

Por fim o fator estrutural, pois a escassez de contingente policial, que não é exclusividade do Estado do Pará, nessas localidades certamente é um implicador a inviabilizar uma reação direta e eficaz, ficando os profissionais de segurança pública a mercê da grave ameaça empregada pelos criminosos, além da facilitação de deslocamento proporcionada pela malha viária, de vias oficiais e clandestinas, a exemplo dos chamados ramais (vias de acesso não pavimentadas, geralmente de terra batida tipo piçarra, que são construídas sem autorização legal). Outrossim, a Delegacia Especializada no enfrentamento a esta modalidade criminosa fica sediada no extremo norte estadual, em Belém, capital do Estado, contando com um número pequeno de policiais integrantes da equipe, de maneira que o deslocamento para algumas cidades recorrentemente vítimas do “Novo Cangaço” demora via terrestre em torno de 15 a 18 horas, como a cidade de Santana do Araguaia, que segundo a DRRBA foi assaltada por esta modalidade seis vezes entre 2010 a 2015, e a ocorrência de outros eventos de “Novo Cangaço” dificultam, e na maioria das vezes impede, o bom prosseguimento na investigação anterior, pois como dito são poucos policiais para investigar muitos crimes, e o clamor social por uma resposta do Estado é muito grande.
Mostrar mais

81 Ler mais

ENTRE O CHAPÉU ESTRELADO E O PUNHAL: o imaginário do cangaço em terras brasileiras

ENTRE O CHAPÉU ESTRELADO E O PUNHAL: o imaginário do cangaço em terras brasileiras

Mas, quem eram esses cangaceiros? Bandidos celerados ou homens corajosos tentando cumprir a lei de fazer justiça pessoal com as próprias mãos? Frederico Pernambucano de Mello (2004, p.88) afirma que “houve cangaços dentro do cangaço”. Há pelo menos três formas básicas desse fenômeno: 1) o cangaço-meio de vida; 2) o cangaço de vingança; 3) e o cangaço-refúgio. A primeira forma, frequente na segunda metade do século XIX e primeira metade do século XX, caracteriza-se por seu sentido existencial, como modalidade profissional de vida que teve em Antônio Silvino (precursor que iniciou sua atuação em 1895 e terminou em 1914) e Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião 3 (atuante de 1918 a 1938), e Corisco, o Diabo Loiro – seus principais representantes. O segundo tipo encontra a ação guerreira totalmente voltada para o objetivo da vingança como traço definidor mais forte. Foi o cangaço nobre, das gestas fascinantes de Sinhô Pereira e Luís Padre, chefes cangaceiros do período de 1916-1922. Na terceira forma, o cangaço representa um esconderijo, espécie de abrigo nômade das caatingas para homens perseguidos.
Mostrar mais

15 Ler mais

As marcas do cangaço em Pedra Bonita, de José Lins do Rego

As marcas do cangaço em Pedra Bonita, de José Lins do Rego

O protagonista também se tornou um menino medroso e atormentado por visões ruins. Em certa ocasião, o personagem não conseguia mais dormir sozinho, tinha medo do escuro, e começou a ter alucinações. Antônio Bento agora era filho único, ficou com toda herança deixada pelos pais, as terras e o gadinho, e, sobretudo com a tradição de sua coragem, de seu valor, pesando em suas costas. Viveu solitário, isolado do mundo, tratando de suas reses, só no Araticum com uma mulher para lhe fazer a comida. Toda vizinhança comentava daquela solidão, pois se tratava de um homem muito jovem. ―Homem tinha que ter a família, a sua mulher, os seus filhos. Assim como vivia ele, era melhor que fosse para o cangaço‖ (REGO, 1980, p. 97).
Mostrar mais

25 Ler mais

A geografia do cangaço: o território de Lampião expresso pela Geografia Cultural

A geografia do cangaço: o território de Lampião expresso pela Geografia Cultural

Nosso material foi obtido através de compras e consultas a acervos públicos (bibliotecas). Logo em seguida, fizemos a leitura e transcrição de dados através de fichamentos, começando pela referência do documento – com todos os dados: autor, título, volume, ano, página etc. A partir deste momento redigimos nosso texto, nos subsidiando nas idéias de autores como Paul Claval (1999, 2001 e 2002), Roberto Lobato Corrêa (2007), Rogério Haesbeart (2004, 2005, 2006 e 2007), Eric Hobsbawm (1975), Milton Santos (1988, 2002 e 2008), Claude Raffestin (1993) e José Américo de Almeida (1977), Rui Facó (1978), entre outros autores que fazem referência ao cangaço, a geografia cultural e mesmo a idéia de território (s).
Mostrar mais

46 Ler mais

Memórias do cangaço: visões desse movimento no município de Uiraúna.

Memórias do cangaço: visões desse movimento no município de Uiraúna.

Sinforoza Claudino de Galiza, e quem nos relata que, apesar de toda valentia apresentada pelo "bando", quando chegava perto dos piquetes eles baixavam a guarda e retornavam de [r]

37 Ler mais

Show all 3020 documents...