Certeau - Apropriação

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Passado histórico, presente historiográfico: considerações sobre "História e Estrutura" de Michel de Certeau

Passado histórico, presente historiográfico: considerações sobre "História e Estrutura" de Michel de Certeau

José Carlos Reis, em um livro recente, lembra-nos de passagem do ceticismo europeu sobre a capacidade de compreensão de seus autores célebres pelos estrangeiros (REIS 2011). Mas mesmo à revelia dos mais conservadores, campos historiográficos mais ou menos independentes florescem em outras partes do mundo, apropriando-se daquilo que dizem pensadores europeus, e também pensadores locais, para produzir suas próprias narrativas. Rompe-se assim o monopólio do sentido caro a quem ainda deseja saber “exatamente o que se passou”, mas incapaz de dar conta da significação plural a que um texto pode proporcionar: basta lembrarmos de A invenção do cotidiano, obra na qual Certeau argumenta fortemente contra a ideia de uma “significação ortodoxa” ou do “sentido literal”. Penso que esse movimento não pode ser desconsiderado, tratado como simples desvio. Em fidelidade crítica ao pensamento de Certeau, é preciso considerar essas apropriações como uma tomada de posição política e uma mudança nos termos da relação de poder entre a intelectualidade europeia e os pensadores “marginais”. Em analogia à apropriação no cotidiano, penso que esse florescimento às margens da celebridade intelectual tão caras à França, Alemanha ou Inglaterra indica o fim, ou ao menos o enfraquecimento de um monopólio (ou de uma bipolaridade entre Europa e América do Norte) sobre o capital simbólico do pensamento.
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MANEIRAS DE PENSAR O COTIDIANO COM MICHEL DE CERTEAU

MANEIRAS DE PENSAR O COTIDIANO COM MICHEL DE CERTEAU

Ainda que cercado por múltiplas perspectivas de análise, considerando seus interlocutores, a originalidade da obra de Certeau está justamente no como ele inverte a forma de interpretar as práticas culturais contemporâneas, recuperando as astúcias anônimas das artes de fazer – esta arte de viver a sociedade de consumo. Na perspectiva da racionalidade técnica, o melhor modo possível de se organizar pessoas e coisas é atribuir-lhes um lugar, um papel e produtos a consumir. Certeau, ao contrário, nos mostra que “o homem ordinário” inventa o cotidiano com mil maneiras de “caça não autorizada”, escapando silenciosamente a essa conformação. Essa invenção do cotidiano se dá graças ao que Certeau chama de “artes de fazer”, “astúcias sutis”, “táticas de resistência” que vão alterando os objetos e os códigos, e estabelecendo uma (re)apropriação do espaço e do uso ao jeito de cada um. Ele acredita nas possibilidades de a multidão anônima abrir o próprio caminho no uso dos produtos impostos pelas políticas culturais, numa liberdade em que cada um procura viver, do melhor modo possível, a ordem social e a violência das coisas. 3
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Religião entre o Instituído e as Vivências Cotidianas: chaves de leitura a partir de Michel de Certeau e Veena Das

Religião entre o Instituído e as Vivências Cotidianas: chaves de leitura a partir de Michel de Certeau e Veena Das

Aqui seria, pois, necessário uma revisão crítica dos estudos que articulam religiosidade e cultura popular, o que não será possível no espaço deste artigo. Anoto ape- nas, como indicativo de uma possível linha de reflexão, um alerta a partir de um texto provocativo de Michel de Certeau (2005), com o sugestivo título de “A beleza do morto”. Nele o autor demonstra como discursos sobre a “cultura popular” podem ser uma construção a partir de um lugar social hierarquizado que seleciona do popular aquilo que é palatável aos agentes deste discurso. Assim fazendo, esta apropriação seria também uma forma de matar o popular, transformando-o no rosto folclórico da cultura hegemônica, um processo ve- rificável, inclusive, nos estudos acadêmicos da cultura popular. Referindo-se aos estudos do folclore francês e aos usos políticos dos resultados destes estu- dos, o autor afirma: “O burlesco dá o alcance da derrota do povo, cuja cultura é tanto mais ‘curiosa’ quanto menos temíveis são os seus sujeitos” (CERTEAU, 1995, p. 57).
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Teoria da História – a escrita, o lugar do morto e do assombro: diálogos com Michel de Certeau

Teoria da História – a escrita, o lugar do morto e do assombro: diálogos com Michel de Certeau

esta construção não é apenas um jogo. Sem dúvida, em toda sociedade, o  jogo é um teatro onde se representa a formalidade das práticas, mas tem  como condição de possibilidade o fato de ser distinto das práticas sociais  efetivas.  Pelo  contrário,  o  jogo  escriturístico,  produção  de  um  sistema,  espaço de formalização, tem como “sentido” remeter à realidade de que  se distinguiu em vista de mudáde encontre‐la. Tem como alvo uma eficácia  social.  Atua  sobre  a  sua  exterioridade.  O  laboratório  da  escritura  tem  como  função  “estratégica”:  ou  fazer  que  uma  informação  recebida  da  tradição  ou  de  fora  se  encontre  aí  coligada,  classificada,  imbricada  num  sistema  e,  assim,  transformada;  ou  fazer  que  as  regras  e  os  modelos  elaborados  neste  lugar  excepcional  permitam  agir  sobre  o  meio  e  transformá‐lo.  A  ilha  da  página  é  um  local  de  passagem  onde  se  opera  uma  inversão  industrial:  o  que  entra  nela  é  um  “recebido”,  e  o  que  sai  dela é um “produto”. As coisas que entram na página são sinais de uma  “passividade” do sujeito em face de uma tradição; aquelas que saem dela  são  as  marcas  do  seu  poder  de  fabricar  objetos.  No  final  das  contas,  a  empresa  escriturística  transforma  ou  conserva  dentro  de  si  aquilo  que  recebe do seu meio circunstancial e cria dentro de si os instrumentos de  uma apropriação do espaço exterior. (CERTEAU, 1998, p. 225 – 226).   
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Cara ou coroa? Um jogo entre a teoria das ações de Certeau e a das masculinidades de Connell

Cara ou coroa? Um jogo entre a teoria das ações de Certeau e a das masculinidades de Connell

A articulação táticas-estratégias demonstra duas dimensões de usos das ações em um “jogo” que se estabelece entre duas partes ativas: busca conhecer não só as estratégias das ações desenvolvidas pelo grupo que atribui a função inicial das ações, mas também busca elucidar a apropriação ou as maneiras de utilizar dos grupos que recebem a incidência das ações. Isso dá nova dimensão para análises acerca de práticas, pois as ações clandestinas subvertem o plano estratégico dos mais fortes, que são baseados num poder legitimador. Nas palavras de Certeau “Os conhecimentos e as simbólicas impostos são o objeto de manipulação pelos praticantes que não seus fabricantes” (CERTEAU, 1994, 95), nota-se que o autor transfere o valor decisivo das ações para os sujeitos que se utilizam delas, e não aos formuladores, uma vez que os sujeitos tem uma margem, ainda que reduzida, para se opor ou fazer outra utilização das estratégias sem necessariamente questionar diretamente a legitimidade delas. Compreendido esse breve exposto acerca da teoria de Certeau, passemos para o outro lado da moeda: a teoria das masculinidades de Connell.
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Diálogos com Michel de Certeau: reflexões sobre  o  consumo

Diálogos com Michel de Certeau: reflexões sobre o consumo

Na Introdução Geral, o item um, intitulado A Produção dos Consumidores, divide-se em subtítulos, o primeiro deles O uso ou o consumo, apresenta uma análise das representações que a televisão traz, do tempo que os indivíduos despendem em frente ao aparelho, daquilo que surge a partir destas ocasiões, ou seja, a “fabricação” com ares poéticos desenvolvida com o que é depreendido nas horas de consumo. Esta situação pode ser estendida para a apropriação do espaço urbano, a aquisição dos produtos no supermercado e as informações lidas nos jornais.
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Entre golpes e dispositivos: Foucault, Certeau e a constituição dos sujeitos

Entre golpes e dispositivos: Foucault, Certeau e a constituição dos sujeitos

A análise procura aproximações e distanciamentos entre alguns dos principais conceitos abordados por Michel de Certeau e Michel Foucault, construindo uma proposta que os aproxime no estudo da constituição dos sujeitos. Foi considerada a obra A invenção do Cotidiano: 1. Artes de fazer observada a partir de contribuições de Foucault associadas à análise do discurso e à constituição moral do sujeito. As discussões apontam para uma analítica na qual discursos e práticas cotidianas são contemplados, criando reposicionamentos nos jogos de verdade constituídos a partir das produções estratégicas e táticas. Mecanismos de governo passam a ser analisados em sua capacidade de “apropriação” dos saberes locais. Os objetos constituídos nas relações de poder (instituições, mecanismos, discursos) – e não apenas seus usos – são considerados na medida em que interferem na utilização dos saberes socialmente constituídos. A partir de tais contribuições, apresenta-se uma proposta analítica que encontra nas práticas cotidianas e discursivas suas bases.
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Educação e apropriação da realidade local.

Educação e apropriação da realidade local.

Qualquer cidade tem hoje líderes comuni- tários que podem trazer a história oral do seu bairro ou da sua região de origem, empresários ou técnicos de diversas áreas, gerentes de saúde o[r]

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APROPRIAÇÃO DE CUSTOS: ORSE X APROPRIAÇÃO IN LOCO

APROPRIAÇÃO DE CUSTOS: ORSE X APROPRIAÇÃO IN LOCO

Azevedo (2011) salienta que a apropriação de custos possibilita a empresa cons- truir um grande banco de dados de composições de custos referentes a seus próprios serviços, mais adequados a sua realidade e a condição dos seus funcionários, resul- tando assim, em uma orçamentação cada vez mais precisa e sem sustos ao final da obra. As empresas que não têm o hábito de realizar a apropriação de custos dos seus serviços geralmente fazem a orçamentação da obra com base em índices e compo- sições de custos unitários de terceiros, que nem sempre estão dentro da realidade adequada ao mercado local ou da empresa. Neste caso o processo de orçamentação passa a ser uma mera previsão de custos, às vezes pouco precisas.
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Tempo do evento, poética da história: maio de 1968 segundo Michel de Certeau e Cornelius Castoriadis

Tempo do evento, poética da história: maio de 1968 segundo Michel de Certeau e Cornelius Castoriadis

A reflexão sobre a relação pedagógica, particularmente no ensino universitário, foi tema fundamental das manifestações de maio, fazendo parte de uma contestação mais ampla do próprio lugar do saber nas sociedades de capitalismo avançado. O teor burocrático e hierárquico das instituições acadêmicas contraditava com as justificativas do avanço científico, expressando a “incoerência” da relação entre a forma como um saber justificava seu estudo sobre os fatos humanos e as relações dentro da comunidade acadêmica. Ao invés de uma construção do saber como “interrogação mútua”, entre professores e estudantes, ou mesmo entre os próprios estudantes, o que se podia encontrar eram “trocas definidas em termos de produções: objetos de pensamento, resultados de exames, cérebros ulteriormente utilizáveis”. Nesse campo fechado das universidades, tornava-se surpreendente que a criação tivesse alcançado maior valor apenas no quadro de violência que condicionou as manifestações, o que tornava urgente redefinir as práticas pedagógicas, de modo a “permitir a cada um existir, ser diferente por sua relação com os outros, poder criar (e tornar-se outro ele mesmo) numa colaboração definida como um processo inventivo” (CERTEAU 1994c, p. 85).
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A ética da apropriação

A ética da apropriação

Salienta-se, desse modo, que as escolhas dos tradutores são ideologicamente comprometidas, fato ignorado quando se trata a tradução como mera substituição de significados de uma língua pelos de outra língua. Como sustenta Rajagopalan (2003), a nomeação, um ato supostamente de referência neutra, um ato referencial, pode disfar- çar uma avaliação, um julgamento de valor, e isso implica a grande responsabilidade do tradutor ao fazer seu trabalho. Assim, o que pode, por um lado, ser classificado co- mo uma violência etnocêntrica, por outro, pode ser analisado como apropriação ética.
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O dever de não apropriação das oportunidades societárias

O dever de não apropriação das oportunidades societárias

No que respeita à terceira questão, parece-nos manifestamente claro que o dever de não apropriação de oportunidades societárias tem a vantagem prática de regular casos insuscetíveis de serem convenientemente solucionados com recurso a outros mecanismos, mesmo por aplicação do dever de não concorrência. Será o caso, por exemplo da apropriação pelo administrador de uma oportunidade de negócio que ofereceria relevantes ganhos sinergéticos à sociedade. Com efeito, nesta situação não é possível a aplicação do dever de não concorrência, inexistindo na ordem jurídica outros deveres que sejam suscetíveis de ser aplicados ao caso, salvo a aplicação direta do dever geral de lealdade. Pelo exposto, não temos dúvidas em afirmar que o dever de não apropriação tem um campo de aplicação próprio no âmbito do nosso sistema jurídico, sendo assim de toda a utilidade e sentido, a receção deste dever no seio da ordem jurídica portuguesa.
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Apropriação da apropriação: Um estudo sobre a produção de .My Collection

Apropriação da apropriação: Um estudo sobre a produção de .My Collection

Neste capítulo, vamos definir melhor o conceito de apropriação; examinaremos, também, alguns casos que acontecem nas artes plásticas, principalmente os relacionados diretamente com a produção de my collection. Para isso, considero necessário, mesmo que sucintamente, descrever alguns mecanismos de manipulação da sociedade pela classe detentora do poder. O modo como essa dominação acontece é de fundamental importância para compreendermos o conceito de apropriação, pois, como veremos a seguir, a apropriação da linguagem realizada pelo mito é o principal mecanismo usado por essa classe para manter seu poder. Antes, considero necessário demonstrar que a burguesia é, até os dias de hoje, a classe que domina, mantendo o poder através de um processo denominado por Roland Barthes de eliminação da denominação.
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FONTES ORAIS NA ESCRITA DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO À LUZ DE MICHEL DE CERTEAU E WALTER BENJAMIN

FONTES ORAIS NA ESCRITA DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO À LUZ DE MICHEL DE CERTEAU E WALTER BENJAMIN

This paper aims to present aspects of research experience with oral sources. It also emphasizes the potential of this methodology in the Education History writing. It investigated childhood practices and ways to understanding and meaning them through the memory of fifteen interviewees aged between 70 and 89 years old. In their childhood, these elderlies were students in public schools of the urban nucleus of Florianopolis city, Santa Catarina State, from 1930 to 1950. Michel de Certeau was the theoretical contribution to think the narrative as art of saying, the childhood practices and the everyday. According to Walter Benjamin, the concepts of narrator, experience and history guided the reflections about the elderlies as narrators, as well as the capacity to narrate in our time.
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As regras por detrás do jogo: a operação historiográfica de Michel de Certeau na obra de Wlamyra R. Albuquerque

As regras por detrás do jogo: a operação historiográfica de Michel de Certeau na obra de Wlamyra R. Albuquerque

Apesar desses componentes se encontrarem diluídos nos textos historiográficos, apresento como proposta deste artigo tornar visível tal universo submerso. Proponho, assim, mapear os pressupostos teóricos ventilados por Michel de Certeau em uma obra historiográfica específica. Por meio desse procedimento, será possível identificar o grau e a intensidade do historiador na construção do conhecimento histórico, que permeia todo o caminho da pesquisa e, até muitas vezes, antes dela. Compreendendo essa unidade divisível, pretendo utilizar o livro O jogo da dissimulação: abolição e cidadania negra no Brasil, de Wlamyra Ribeiro de Albuquerque (2009), para demonstrar a viabilidade e pertinência das propostas de Certeau em sua operação historiográfica, cujo conteúdo remete ao esforço de legitimação do próprio produto histórico. 4
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A apropriação do parque da juventude pelos skatistas

A apropriação do parque da juventude pelos skatistas

Nesse contexto, alguns movimentos culturais são evidenciados, muitos deles trazendo estranhamento, preconceitos, conflitos, e disputas espaciais. Dentre as práticas mais comuns dos grandes centros urbanos, caracterizadas pela necessidade de apropriação do espaço, podemos destacar a pichação, o grafite, a prática de danças de rua e aquelas modalidades classificadas na categoria dos esportes radicais, tais como o patins in line 1 , o parkour 2 e o skate. Nessa conjuntura, destacamos o skate, o qual apresenta-se como uma prática cultural, cada vez mais popular nos aglomerados urbanos e com grande repercussão nos meios de comunicação. A prática do skate evoluiu em relação a técnicas e equipamentos, atingindo alto grau de performance e avanço tecnológico. Possui diferenciadas maneiras de ser praticado, podendo ser vivenciado nos tempos/espaços de lazer, utilizado para fins de deslocamento ou de modo profissional. Sua prática competitiva é responsável pela espetacularização que o envolve atualmente e movimenta a crescente indústria dos chamados esportes radicais. No entanto, essas formas não necessariamente aparecem isoladas umas das outras, ao contrário, estabelecem relações entre si.
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Apropriação - Prática contemporânea e representação

Apropriação - Prática contemporânea e representação

“Se a fotografia foi inventada em 1839, não foi descoberta até à década de setenta do século XX” (CRIMP, org.1993, ed.1997, p.93). Em “The end of painting” Crimp afirma: “o apetite pela fotografia na década passada (1970) foi insaciável. Artistas, críticos, coleccionadores, curadores de exposições e estudantes de escolas de arte apropriaram-se da fotografia para fugir à sua inimiga – a pintura” (op. cit.). Apropriando-se da retórica da fotografia, não significa que estes artistas passem a ser aquilo a que comummente designaríamos de fotógrafos, pois a sua abordagem ao medium é sempre prioritariamente conduzida pela crítica à sua hegemonia visual e privilegiada na construção de representações modelo, e não por uma aproximação à técnica como meio de construção de imagens novas a partir da sua exploração. Crimp reconhece o valor de Robert Longo, Barbara Kruger e Richard Prince, na censura da representação, ao desenvolverem programas de crítica normativa e estandardizada dos media, adoptando a fotografia e a metodologia da apropriação como elementos prescritivos para inscrever a “nova pintura” no território da pós-modernidade (GUASCH, 2000, p.345). A imagem apropriada (fotograma, fotografia, desenho, etc.) devia ser submetida, segundo Craig Owens, a uma série de manipulações que a esvaziariam da sua ressonância e significação, tornando-a opaca: “As imagens destes artistas solicitam, frustrando simultaneamente, o nosso desejo de que a imagem seja directamente transparente quanto ao seu significado. Em consequência, parecem estranhamente incompletas: ruínas ou fragmentos que têm de ser decifrados” (op. cit.).
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Apropriação de texto: um jogo de imagens

Apropriação de texto: um jogo de imagens

vive Volange enquanto Valmont a seduz e mata. Eu dava por acabada sua paixão por mim. Qual a origem deste repentino recrudescer? E com tanta força juvenil! Tarde demais,[r]

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Apropriação de magia e discurso publicitário

Apropriação de magia e discurso publicitário

história do diabo da inflação dentro da outra, como um episódio ou um parêntesis de um enredo que levava a narrativa a assumir uma conotação institucional, de reforço[r]

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A apropriação em El Aleph Engordado

A apropriação em El Aleph Engordado

Porém, quando essa mesma narração passa a ser escrita por Katchadjian que não assume a função de narrador, a voz de Borges é falsificada e sua ficcionalização reafirmada. O Borges narrador criado por Katchadjian (assim como Daneri e a obra como um todo) também é engordado, dizendo e pensando coisas que não dizia antes. Quando o narrador Borges é engordado e passa também ao estado extravagante, sua narrativa se aproxima da de Daneri e dessa forma a construção antitética e complementar perde espaço na nova narrativa. Como esse é um dos principais fios condutores do conto, sua leitura se torna vertiginosa, pois o narrador, agora despersonalizado e afastado de sua identidade nominal, não é reconhecido e não possui um duplo complementar. O engorde, nesse caso, desloca o debate da autoria do âmbito narrativo, contrastando não mais os personagens da narração, mas sim os próprios escritores e seus procedimentos de apropriação textual. não mais Borges e Daneri, agora Borges e Katchadjian.
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