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As classes sociais já não contam? Advocacia e reprodução social

As classes sociais já não contam? Advocacia e reprodução social

A advocacia — outras profissões sê-lo-iam também — é precisamente um exemplo de que “os sistemas estruturados de desigualdades e distinções sociais não deixaram de ser, entre outros, elementos constitutivos fundamentais das nos- sas sociedades” (Costa e outros, 2000: 46). A advocacia funciona como meio de transmissão de posições privilegiadas na estrutura social. Observando — como fi- zemos e instamos a fazer — não tanto a desigualdade que se regista no acesso ao grupo profissional, mas as suas hierarquias internas, é indubitável que ele conti- nua a ser objecto de um jogo social que não se resume às regras da prática jurídica. É para o espaço das classes sociais, para as suas lógica e esferas de acção que temos de nos dirigir também. Só aí encontramos a chave explicativa que nos permite ver que à constituição do grupo profissional dos advogados não é alheia a preservação in- tergeracional das posições sociais das classes dominantes. Como prescindir então do conceito de classe social, um dos conceitos mais plásticos e com maior valor heurístico criados pela ciência sociológica?
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Classes sociais e voto partidário em Portugal, 1987-2011

Classes sociais e voto partidário em Portugal, 1987-2011

Para Beck (2007) as consequências do desenvolvimento são um conjunto de “riscos” e “perigos” que nunca foram anteriormente vistos. São efeitos não limitáveis no tempo, pois futuras gerações serão afetadas, nem limitáveis no espaço, pois abrangem vários países. Estes perigos devem ser enfrentados com a radicalização da racionalização da modernidade (a racionalização entendida por Weber, a crescente capacidade de opções técnicas, já não dá conta da incalculabilidade das consequências). Para Beck a sociedade industrial tem como princípio a distribuição de bens e é estruturada por classes sociais; na modernidade reflexiva, o princípio é a distribuição dos males (riscos) e a individualização. No entanto, a “modernidade reflexiva” é ainda uma sociedade industrial, pois é principalmente a indústria, em conjugação com a ciência, que está envolvida na criação dos riscos societais. Os “riscos” são definidos como uma maneira sistemática de se relacionar com os azares e inseguranças induzidas e introduzidas pela própria modernização e são politicamente reflexivos. Os especialistas técnicos têm um papel importante na definição dos discursos e agendas relacionados com os riscos. O principal risco é aquele que é obscuro e inacessível em relação à maior parte da população. As questões da credibilidade do discurso assumem importância. Beck vai atribuir, assim, crucial importância aos quadros intelectuais e científicos em relação à definição das agendas relacionadas com os riscos.
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Classes sociais e a desigualdade na saúde

Classes sociais e a desigualdade na saúde

18 valores mais baixos verificados na categoria dos operários, com 69,8 anos em Beja e 67,9 anos em Lisboa. A diferença de médias entre estas duas categorias revela uma importante desigualdade na variação da longevidade, em média de 13,8 anos em Lisboa e de 11,5 anos em Beja. Por outro lado, os EDL , apesar de constituírem uma população cujo poder económico, institucional e profissional engloba posições de privilégio na estrutura das classes sociais (Almeida, Machado e Costa, 2006a), apresentam, aqui e em média, uma longevidade inferior à dos PTE . Em sintonia com resultados de outras investigações, este estudo revelou igualmente níveis de escolaridade nos EDL consideravelmente mais baixos do que nos PTE . 10 Ainda que, e de forma objectiva, se verifique a presença de pouca informação nos processos clínicos, sobretudo sobre os níveis de escolaridade da população englobada na categoria dos PTE , as profissões destes indivíduos, que incluíam professores do ensino primário, secundário e universitário, advogados, engenheiros e enfermeiros, entre outras, permite inferir que se trata de uma população que, no seu conjunto, apresenta níveis de escolaridade relativos mais elevados em comparação com as restantes classes sociais. Ainda no domínio dos recursos escolares, e no que diz respeito à categoria dos EDL , verificou-se que a informação disponível sobre a escolaridade incluía um alargado número de pessoas sem escolarização ou apenas com a antiga “4.ª classe”. Esta característica diferenciadora pode significar que, se por um lado, maiores recursos económicos traduzem um aumento do poder de compra e facilitam o acesso a uma maior diversidade de bens e de outros recursos, por outro lado, maiores níveis de escolaridade, como analisa Prus (2007), permitem uma maior aquisição e melhor interpretação da informação relacionada com a saúde, que deste modo se traduz em ganhos na longevidade. Finalmente, a figura 2 ainda revela que, apesar das assimetrias verificadas ao nível das composições sociais originárias de cada hospital, as classes sociais surgem como que tendencialmente transversais relativamente aos seus contextos de origem. Ou seja, as diferentes classes sociais, por si só, são mais explicativas da desigualdade na longevidade do que os diferentes contextos hospitalares de origem. A associação entre a longevidade e as classes sociais é mais forte (eta 2 = 12,3%) do que a associação entre a longevidade e a origem hospitalar (eta 2 = 0,7%). 11
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Capital simbólico e classes sociais.

Capital simbólico e classes sociais.

O problema das classes sociais oferece uma oportunidade particu- larmente favorável para captar a oposição entre as duas perspectivas: o antagonismo aparente entre os que querem provar e os que querem negar a existência de classes, que revela concretamente que as classi- icações são objeto de luta, esconde uma oposição mais importante, concernente à teoria mesma do conhecimento do mundo social. Os que negam a existência de classes adotam, em função de seus propósi- tos, o ponto de vista da física social, e só querem ver nas classes sociais conceitos heurísticos ou categorias estatísticas arbitrariamente im- postas pelo pesquisador, que introduz assim a descontinuidade numa realidade contínua. Os que querem provar a existência de classes so- ciais procuram fundar sua existência na experiência dos agentes — es- forçando-se para estabelecer que os agentes reconhecem a existência de classes diferenciadas segundo seu prestígio, que podem atribuir indivíduos a essas classes em função de critérios mais ou menos explí- citos e que pensam a si mesmos como membros de classes.
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A sociologia das classes sociais na investigação sociológica em Portugal

A sociologia das classes sociais na investigação sociológica em Portugal

Almeida, Costa e Machado (1994) e Machado e Costa (1998) procuram caracterizar as principais continuidades e mutações ocorridas na estrutura social portuguesa entre 1960 e 1990, bem como o modo como os processos de recomposição socioprofissional verificados implicaram causas e consequências na estrutura de classes e mobilidade social da sociedade portuguesa. No espaço social rural observa-se o fortíssimo declínio dos assalariados agrícolas a partir dos anos 60 e a progressiva redução do campesinato. Em contraponto, assistiu-se ao aumento continuado dos empregados executantes dos escritórios, comércio e serviços. Os quadros técnicos assalariados das empresas, dos serviços públicos e da administração estatal registam taxas de crescimento bastante significativas a partir de meados dos anos 70 – acompanhando e protagonizando processos sociais de escolarização superior, de desenvolvimento do Estado- providência e de modernização económica e cultural. A partir dos anos 80 observa-se um grande aumento do grupo profissional dos directores e quadros dirigentes, sobretudo graças ao crescimento de um número elevado de PME. Os fracos recursos escolares dos patrões portugueses e a escolarização superior dos profissionais técnicos e de enquadramento indicia a existência de duas lógicas distintas de mobilidade social ascendente por parte das classes sociais superiores em Portugal. A actividade empresarial, por um lado, e os estudos universitários, por outro, têm constituído duas vias institucionais importantes, mas bastante dissociadas, destas trajectórias sociais. Contudo, apesar de a mobilidade social ascendente ter caracterizado a estrutura social portuguesa entre 1960 e 1990, persistem formas de pobreza tradicional e surgem situações de nova pobreza, o que configura trajectos de reprodução duradoura de condições sociais desfavorecidas e processos de mobilidade social descendente.
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Valorização de beleza e inteligência por adolescentes de diferentes classes sociais.

Valorização de beleza e inteligência por adolescentes de diferentes classes sociais.

RESUMO. Participaram do estudo 180 adolescentes (90M e 90F) com idades variando entre 15 e 17 anos, alunos do ensino médio, pertencentes a diferentes classes sociais. Foram comparados gêneros e classes sócio-econômicas a respeito dos valores de beleza e de inteligência que adolescentes atribuem a si próprios e, numa situação hipotética e de forma mutuamente exclusiva, qual desses atributos foram mais valorizados para si mesmos e para possíveis parceiros. Os resultados mostraram que os rapazes de classe alta atribuíram-se maiores notas de inteligência. Adolescentes de ambos sexos pertencentes à classe baixa gostariam de possuir um maior nível de inteligência em detrimento da beleza, enquanto que adolescentes de classe alta preferem o equilíbrio entre beleza e inteligência. As moças valorizam mais a inteligência em seus parceiros que os rapazes, os quais valorizam mais a beleza em suas parceiras.
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AS CLASSES SOCIAIS NOS CONTOS CENSURADOS DE RUBEM FONSECA

AS CLASSES SOCIAIS NOS CONTOS CENSURADOS DE RUBEM FONSECA

RESUMO: O objetivo deste ensaio é analisar a luta entre as classes sociais nos contos de Rubem Fonseca, tomando-se como objetos de análise alguns contos presentes no livro Feliz Ano Novo e o conto “O Cobrador”, presente na obra homônima. Nossa hipótese é que os contos de Fonseca foram censurados não apenas pelo tom violento de suas narrativas, mas também pelo novo paradigma de luta de classes que o autor evidencia: a classe oprimida passa a buscar o que lhe foi negado pela sociedade não por meio de mobilizações coletivas ou por movimentos sindicais, mas sim por meio da violência inconsequente e da vingança individualista.
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CLASSES SOCIAIS E O COMPORTAMENTO DAS CLASSES C E D: UM LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO

CLASSES SOCIAIS E O COMPORTAMENTO DAS CLASSES C E D: UM LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO

um grupo pretensamente aberto, mas de fato semifechado. Através da sua abertura legal e da semi- abertura de fato, a classe diferiria tanto das castas quanto das ordens ou estados aos quais cronologicamente sucedia; 2) as classes sociais são fortemente solidárias em decorrência da sua condição ocupacional, econômica e legal; 3) a pobreza estaria intimamente inter-relacionada com as ocupações manuais (qualificadas e semiqualificadas) e à comparativa inferioridade (jurídica e de fato) no que diz respeito aos direitos e privilégios; por sua vez, a riqueza estaria relacionada com as ocupações criadoras, intelectuais e com um status privilegiado; 4) para constituir uma classe genuína, os indivíduos deveriam estar organizados ou quase-organizados para que surgisse uma consciência de classe entre os membros, composta de significados, valores e normas do grupo; 5) a característica específica da classe social é a justaposição das ligações ocupacionais, econômicas e do vínculo de pertencer ao mesmo estrato; 6) pessoas com ocupações, posições econômicas, direitos e deveres essencialmente análogos tornam-se semelhantes de várias maneiras, tanto no comportamento quanto física, mental e moralmente. O fato de pertencer à mesma classe social geraria muitas semelhanças importantes, o problema estaria em como indicar as bases objetivas, a natureza e o limite das similaridades. Sorokin [1947, (1976)] destacava o para o fato de a atenção para diferenças muito detalhadas obscurecer a semelhança de condições entre os membros da mesma classe e a sua diferença para com os das outras classes. De um ponto de vista macroscópico, ele distinguia as seguintes classes na sociedade ocidental dos dois ou três últimos séculos: a) a classe proletária; b) a classe camponesa; c) a classe em decadência dos grandes senhores de terra; d) a classe capitalista. Todas essas classes seriam constituídas pelos três vínculos primários. Para esse autor, nenhuma teoria adequada de estrutura, diferenciação e estratificação social poderia negligenciar esse tipo de grupo com múltiplas vinculações.
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Análise de redes sociais, classes sociais e marxismo.

Análise de redes sociais, classes sociais e marxismo.

Palavras-chave: Análise de redes sociais; Classes sociais; Marxismo; Análise estru- tural; Banqueiros na América Latina. A perspectiva da Análise de Redes So- ciais, também conhecida como análise estrutural, constitui atualmente um es- paço para o qual confluem várias disci- plinas e tradições intelectuais com dife- rentes enfoques teóricos e reúne autores e instituições com interesses muito di- versos. Avaliada como uma metodolo- gia específica para o estudo das relações sociais, este trabalho examina os alcan- ces e os limites desta perspectiva para analisar as classes sociais e a pertinência de sua relação com a tradição teórica marxista. A partir de revisão bibliográ- fica e dos resultados de pesquisas em- píricas próprias sobre os banqueiros na América Latina, considera-se que existe um caminho promissor na relação entre a análise ancorada no marxismo e o en- foque de redes sociais, concebida espe- cialmente como uma metodologia para o exame de dados relacionais, tradição tão cara à concepção marxista.
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Classes sociais e voto partidário nos distritos de Lisboa e de Setúbal

Classes sociais e voto partidário nos distritos de Lisboa e de Setúbal

Avançaria, agora, para correntes alternativas que apresentam, também, as questões relacionadas com as classes sociais. Segundo Savage, “os argumentos acerca da individualização de Beck, acerca da intersecção entre individualidade, estrutura e agência de Giddens, e sobre a construção da subjectividade individual de Rose têm um papel muito mais central na reflexão sociológica do que há algumas décadas atrás” (Savage, 2000: 7). Giddens refere que a “política de classe” perdeu importância face à crescente mobilização das pessoas, que apresentam o objectivo de melhorar as suas oportunidades de vida. Para Beck, “a classe perde a sua base subcultural e não é mais vivenciada” (Beck, 1992: 98). Para Postone, não existe espaço para uma teoria desenvolvida de classes, visto ser o sistema capitalista como um todo que exerce pressão sobre os seus membros. As classes seriam o efeito de processos estruturais e teriam pouca força independente. Para autores como Marcuse ou Habermas as classes trabalhadoras são estruturadas muito fortemente pelo capitalismo, o que dificulta que sejam elas a mudá-lo. Gramsci critica a abordagem económica determinista e centra o seu modelo na construção dos discursos. Críticas à noção de consciência de classe começam, também, com o impacto do feminismo e das questões relacionadas com a etnia. Os valores culturais seriam relativamente autónomos de determinantes económicos. Devine refere que muitos dos indivíduos nas suas pesquisas viam-se a si próprios como “normais”. Heath et al. (cit. em Savage, 2000) referem que existe, para além do eixo esquerda-direita (mais sugerido por Wright) um outro eixo: o eixo libertário-autoritário, que não corresponderia exactamente aos lugares de classe.
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A dinâmica das classes sociais no pensamento de Florestan Fernandes

A dinâmica das classes sociais no pensamento de Florestan Fernandes

O início desse item nos coloca a necessidade de uma pequena digressão. Se no item anterior demarcamos os principais traços que caracterizaram o desencadeamento do processo de revolução burguesa, aqui nos cabe apresentar como Florestan concebe o amadurecimento desse processo na forma de um capitalismo particular. Para o nosso autor, é necessário adiantar, a Revolução Burguesa somente se concretiza definitivamente como processo histórico na década de 1960, por meio do golpe militar de 1964. Ali o “poder burguês” próprio do capitalismo dependente se consolida definitivamente, alçando sua predominância sobre toda sociedade através de formas específicas de dominação de classe, que analisaremos mais detidamente nos itens seguintes. Para chegar ao âmago desse processo, e com isso alcançar as principais características da análise das classes sociais feita pelo nosso autor, é necessário primeiro que façamos uma breve discussão acerca da diferença específica entre o capitalismo dependente e os capitalismo clássicos. Como é sabido, Florestan se vale também do conceito de “subdesenvolvimento” para procurar esclarecer essa diferença no âmbito das relações econômicas. Tal conceito ganhou grande repercussão entre as décadas de 1940 e 1960, por meio de diversas vertentes de pensamento teórico e de atuação política que refletiam a realidade sócio- econômica dos países que não conseguiam atingir o patamar de reprodução e acumulação capitalista próprio dos países centrais 74 . Para nós, é necessário compreender nesse momento que a concepção acerca da condição de subdesenvolvimento contém uma problemática intrínseca a qual Florestan busca responder em suas formulações.
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Classes sociais e classes socioeconômicas: um estudo sobre os estratos sociais na região metropolitana de Salvador entre 2003 a 2010

Classes sociais e classes socioeconômicas: um estudo sobre os estratos sociais na região metropolitana de Salvador entre 2003 a 2010

Para melhor entendermos o perfil das classes sociais na RMS - visto que a renda familiar não retrata concretamente a reali- dade social - observaremos o universo delas por meio dos aspectos sócio-ocupacionais (nível de escolaridade, tipo de ocupação, grau de instrução do chefe de família, den- tre outros). Desse modo, perceberemos que as famílias bem mais dotadas dos recursos que estão associados ao conceito de capital cultural - como elevado nível de escolarida- de, por exemplo – são as que estão melho- res situadas na pirâmide social. Dito isso, vale ressaltar que no sistema capitalista o capital cultural é de fundamental importân- cia para assegurar às classes sociais impor- tantes privilégios. Assim, a capacidade fi- nanceira que uma família tem em poder comprar o tempo dos seus filhos, para que estes possam dedicar-se plenamente aos
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Centralidade e imaterialidade do trabalho: classes sociais e luta política.

Centralidade e imaterialidade do trabalho: classes sociais e luta política.

Resumo Os debates sociológicos, surgidos nos anos 1970 e nas décadas seguintes, que se estruturam em resposta à suposta crise do marxismo, partem de um pressuposto comum, a saber, a ineficácia da teoria marxista e de suas categorias analíticas fundamentais para compreender a realidade heterogênea das socie- dades contemporâneas. O diagnóstico é simples: os conceitos de classe social, trabalho e luta de classes não dariam mais conta da dinâmica social de final do século XX e início do XXI. O objetivo central dessa perspectiva, no entanto, concentra-se não em loca- lizar o problema, mas em generalizá-lo a toda biblio- grafia marxista. Se, por um lado, a crítica às concep- ções de classe social, de trabalho e de luta política restrita à fábrica é fundamental, por outro, não pode ser considerada como momento de superação da pro- blemática teórica marxista. Neste ensaio, tenho a in- tenção de explicitar o ponto de partida e os limites das teses sobre a não centralidade do trabalho e sobre o trabalho imaterial como força produtiva central na medida em que farei uma leitura das classes sociais, do trabalho e da luta política diferente daquela criti- cada pelas teses que compõem esses debates. Palavras-chave centralidade e imaterialidade do tra- balho; classe social; luta política e marxismo.
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Classes sociais e voto partidário nos Distritos de Lisboa e de Setúbal

Classes sociais e voto partidário nos Distritos de Lisboa e de Setúbal

Avançaria, agora, para correntes alternativas que apresentam, também, as questões relacionadas com as classes sociais. Segundo Savage, “os argumentos acerca da individualização de Beck, acerca da intersecção entre individualidade, estrutura e agência de Giddens, e sobre a construção da subjectividade individual de Rose têm um papel muito mais central na reflexão Sociológica do que há algumas décadas atrás” (Savage, 2000: 7). Giddens refere que a “política de classe” perdeu importância face à crescente mobilização das pessoas, que apresentam o objectivo de melhorar as suas oportunidades de vida. Para Beck, “a classe perde a sua base sub-cultural e não é mais vivenciada” (Beck, 1992: 98). Para Postone, não existe espaço para uma teoria desenvolvida de classes, visto ser o sistema capitalista como um todo que exerce pressão sobre os seus membros. As classes seriam o efeito de processos estruturais e teriam pouca força independente. Para autores como Marcuse ou Habermas as classes trabalhadoras são estruturadas muitos fortemente pelo capitalismo, o que dificulta que sejam elas a mudá-lo. Gramsci critica a abordagem económica determinista e centra o seu modelo na construção dos discursos. Críticas à noção de consciência de classe começam, também, com o impacto do feminismo e das questões relacionadas com a etnia. Os valores culturais seriam relativamente autónomos de determinantes económicos. Devine refere que muitos dos indivíduos nas suas pesquisas viam-se a sí próprios como “normais”. Heath et al (in Savage, 2000), referem que existe, para além do eixo esquerda-direita (mais sugerido por Wright) um outro eixo: o eixo libertário-autoritário, que não corresponderia exactamente aos lugares de classe.
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Fatores de motivação de trabalhadores das classes sociais C, D e E.

Fatores de motivação de trabalhadores das classes sociais C, D e E.

Interessante também notar que as classes sociais mais desfavorecidas economicamente não acham que seja somente ou mais importante no trabalho receber salário e meios da sustentação da sua estrutura física (planos de saúde, equipamentos de proteção, férias, folgas , etc..). A constatação é clara de que o trabalhador também deseja igualmente receber um clima organizacional adequado para suas necessidades de interação com seus pares e com a sua chefia, bem como, perceber que existe possibilidade de aprendizado e crescimento na organização. Basicamente, se quer de tudo, talvez devido à carência no atendimento destas necessidades em nossa estrutura social, o sujeito na empresa quer ter tudo o que não pode conseguir fora dela.
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Fatores Condicionantes do Empreendedorismo: Redes Sociais ou Classes Sociais?.

Fatores Condicionantes do Empreendedorismo: Redes Sociais ou Classes Sociais?.

Nesse contexto, algumas das contribuições de Barber (1995) podem ser de grande utilidade. Constatou-se que existem, no segmento pesquisado, ações e transações econômicas movidas por valores associados à lealdade mútua (reciprocidade) e à solidariedade (redistribuição). Muitas das iniciativas econômicas poderiam, então, estar imersas, não apenas em uma rede de relações sociais (como proposto por GRANOVETTER, 1973, 1985a, 2005a, 2008) mas, também, em um contexto de valores de lealdades mútuas (reciprocidade) e redistribuição (solidariedade), que fazem de tais ações mais do que um simples processo de decisão racional. Assim, a maior contribuição de Barber, para o presente trabalho advém, não da defesa de outras estruturas sociais (como classes sociais) para a compreensão do comportamento humano, mas sim, da ênfase do autor de que seria possível, no mundo contemporâneo, a coexistência dos três tipos de interações econômicas (transferência de um bem entre mãos) – reciprocidade, redistribuição e mercado. Observa-se que todas elas foram identificadas no segmento pesquisado. A reciprocidade, por exemplo, encontra-se presente quando um empreendedor recorre a um amigo para transformá-lo em consumidor/cliente. A redistribuição ocorre, por exemplo, quando um pai transfere recursos materiais para um membro de sua família. A transação (mercado) pode ser observada no contexto de transações de natureza mais impessoal, via canais formais de acesso ao cliente (internet, feiras, catálogos, etc.). Esses temas, aqui apenas esboçados, merecem ser explorados em futuras pesquisas.
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Classes sociais e estilos de vida na sociedade brasileira

Classes sociais e estilos de vida na sociedade brasileira

Essa breve análise da literatura sobre a relação entre classe e gênero permite revelar um dilema no modo de conceber tal relação. As disputas acerca da escolha metodológica da unidade de análise dos estudos de estratificação social (família x indivíduo) exprimem, de forma mais geral, dilemas teóricos, referentes aos mecanismos que possivelmente estruturam a ordem de estratificação social, conformando as chances de vida de conjuntos de indivíduos e/ou as práticas cotidianas dos agentes sociais. Na perspectiva analítica de Pierre Bourdieu, vimos que esse dilema teórico tem a ver com a importância que se confere às propriedades objetivas do espaço social e seu impacto sobre a sociabilidade cotidiana. Em um polo desse debate, afirma-se que o volume e a composição do capital são as propriedades primárias do espaço social, quer dizer, têm maior peso funcional que as demais propriedades objetivas, relacionadas com o gênero, idade, etnia, etc. Isso implica que cada classe ou fração de classe teria representações distintas acerca dos comportamentos legítimos de homens e mulheres, jovens e idosos, etc. (BOURDIEU, 2008; FEATHERSTONE, 1987). Em outro polo, encontram-se autores que argumentam que gênero, idade, etc. são propriedades que regulam as práticas sociais segundo lógicas próprias, quer dizer, que não se reduzem à lógica de classe (SILVA, 2005; BENNETT et al., 2009).
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Classes sociais e família: nota para a pesquisa empírica

Classes sociais e família: nota para a pesquisa empírica

Discute-se a ausência de referência empírica imediata do conceito de classe social e também as determinações da família enquanto estrutura de reprodução de agentes sociais.. Sugere-se [r]

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Classes sociais e estudantes universitários: Origens, oportunidades e orientações

Classes sociais e estudantes universitários: Origens, oportunidades e orientações

Em contrapartida, as áreas de estudo habitualmente menos cotadas nessa escala de prestígio são aquelas em que os estudantes de sectores sociais mais desfavorecidos estão presentes em valores acima da média: os filhos de empregados executantes, especialmente os de sexo masculino, nas ciên- cias sociais; os filhos de operários, nas ciências naturais e matemática; os filhos de assalariados executantes pluriactivos, também nas ciências sociais. Entre os dois sectores de classe liderantes há, contudo, variações impor- tantes. Assim, enquanto os filhos de EDL relegam as ciências sociais para as últimas escolhas, juntamente com as ciências naturais e a matemática, os filhos de PTE, apesar de serem os que mais conseguem entrar nos cursos mais exclusivos, como as ciências médicas e as engenharias, demonstram, ao mesmo tempo, um nível razoável de procura das ciências sociais, dei- xando antes para o fim da lista a economia e gestão e o direito, justamente aquelas que os filhos de EDL mais procuram.
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Classes sociais, votos e poder: um espaço camponês

Classes sociais, votos e poder: um espaço camponês

Não haverá dúvidas, por um lado, sobre a necessidade de ter em conta as virtualidades inscritas nas diferentes situações de classe das fracções camponesas, capazes de contribuir para a e[r]

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