Constituição de Weimar

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A constituição de Weimar e o constitucionalismo do autoritarismo Português

A constituição de Weimar e o constitucionalismo do autoritarismo Português

fim, ao longo da década de 1920, se tinham tentado incrementar por toda a Europa para resolução da chamada “questão social”. Aí, Costa Leite ensinava também, dentro do que classificava como experiências modernas de “tendência neo-corporativa”, as inovações trazidas pelo capítulo V da Constituição de Weimar, “onde se traça e organiza constitucionalmente a nova estrutura económica da Alemanha”. Para o jovem professor, os eixos mais interessantes assentavam na possibilidade, criada pelo art.º 156.º, de habilitar o “governo alemão [a Confederação] a intervir quase discricionariamente na organização da vida económica do seu país; no estímulo à organização profissional, feito no art.º 159.º; na criação de instituições de seguros e previdência social, determinada pelo art.º 161.º; e, finalmente, o que classificava de “mais importante”, o art.º 165.º, que interpretava como estabelecendo uma “estrutura de organização trabalhista oficializada”, lançando as “bases de um sistema económico em que a harmonia entre empresários e trabalhadores é tentada pela estrita colaboração das suas classes que nos conselhos se apresentam revestidas dos mesmos direitos”. Destacava ainda a criação dos Conselhos Económicos (os Territoriais e o Federal) pelo legislador de Weimar, que reuniam representantes das organizações patronais e de trabalhadores. Das quatro experiências que trataria - Holanda, Alemanha, Espanha e Itália - mostrava aderir especialmente às soluções alemãs. Considerava a experiência holandesa tentada pelo partido católico um fracasso, repudiando inclusivamente a confessionalidade que permeava a estrutura erigida; sobre a experiência espanhola era exaustivo na descrição, mas parco na apreciação; por fim, não se mostrava seduzido pela organização corporativa do fascismo italiano, possivelmente por lhe encontrar uma “base essencialmente política, visto que apresenta, tanto no seu aspeto orgânico, como ainda na sua atividade funcional a marca inconfundível do fascismo”. Apreciava, no entanto, a criação da magistratura do trabalho e a proibição do lock-out e das greves. Maior empatia tinha pela experiência corporativa tentada pela República de Carnaro, com Gabriel d’Anunzio, em especial pela sua proposta bicameral para a organização parlamentar (uma câmara eleita por sufrágio individual, outra pelas corporações) 26 .
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100 Anos Constituição de Weimar

100 Anos Constituição de Weimar

Na realidade, Schleicher pretende dissolver o parlamento e governar com uma ditadura militar a prazo; mas o Presidente não concorda com uma ruptura tão aberta com a Constituição. E as Forças Armadas têm receio de não conseguir ganhar contra as tropas do NSDAP; os poderes económicos, latifundiários e empresários grandes, recusam Schleicher como sendo demasiado socialista. E o chanceler anterior a Schleicher o Franz von Papen pretende voltar a ser

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Entre o estado total e o estado social: atualidade do debate sobre direito, estado...

Entre o estado total e o estado social: atualidade do debate sobre direito, estado...

Uma concepção de democracia econômica que dava grande ênfase ao artigo 165 da Constituição de Weimar e à idéia da co-gestão entre os industriais e demais agentes econômicas era a do liberal-democrata Bruno Rauecker. Vide Bruno RAUECKER, Wirtschaftsdemokratie als nationale Aufgabe, Berlin, Sieben Stäbe- Verlags- und Druckerei Gesellschaft, 1929, pp. 7-10 e 59-60. Em sentido contrário, Hugo Sinzheimer, em 1928, avaliava que os Conselhos tiveram um bom resultado no aspecto social, com o aumento das garantias trabalhistas, mas não no aspecto econômico, como era a intenção da Constituição. A posição dos Conselhos, tanto no aspecto social, como no econômico, era, ainda, subordinada. O artigo 165 da Constituição não havia sido concretizado completamente, sem a efetivação das ligações entre os Conselhos de Fábrica e o Conselho Econômico. Deste modo, para Sinzheimer, os Conselhos não teriam o papel dos sindicatos na vida econômica e, nestas circunstâncias, só passariam a ser úteis como instituição fiscalizadora em uma economia controlada pelos sindicatos dos trabalhadores. Na sua opinião, discordando de Naphtali, os Conselhos não eram os portadores da democratização da economia, mas, modestamente, poderiam representar uma via transitória para os trabalhadores adquirirem capacidade de administração e de governo. Cf. Hugo SINZHEIMER, “Die Demokratisierung des Arbeitsverhältnisses” cit., pp. 172-174.
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Quem deve ser o Guardião da Constituição?  Luciana Rosa Becker, Adriana Fasolo Pilati Scheleder

Quem deve ser o Guardião da Constituição? Luciana Rosa Becker, Adriana Fasolo Pilati Scheleder

Nesse sentido, desde a Constituição de Weimar ressurgiu o interesse sobre as garantias especiais da Constituição e a demanda para que alguém as viesse proteger e, o Tribunal de Justiça do Reich se afirmou, por meio de seu Presidente, portanto, como o protetor da Constituição do Reich. Mas havia outras posições – como a defendida por Schmitt – sobre quem deveria ser o defensor da Constituição, que em determinadas circunstâncias vinham a se contradizer sobre o preenchimento de lacunas ou a delimitação de conteúdos da Constituição. Apesar da referida pluralidade de guardiões, o consenso se colocava sobre quem, ou o órgão que constituía uma ameaça para a Constituição: o legislativo. Ainda que não se possa limitar a questão a uma perspectiva judicial – era justamente o intento de Schmitt, suscitar o plano político ocultado pelo discurso liberal do século XIX. Na defesa contra leis e decretos anticonstitucionais pode-se encontrar o primeiro sinal da produção sobre o já instrumentalizado e apli cado abertamente: “controle de constitucionalidade”, de que dispõe as constituições democráticas. (2015, p. 1927)
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Quando Arendt assevera que houve uma ruptura da tra- dição, ocasionada pelo totalitarismo, ela chega a esta conclusão em razão de todas as formas tradicionais de governos não se encaixarem naquele contexto do totalitarismo nazista e bolche- vista, ou seja, essas últimas formas de governos são inéditas. No século XX, já se conheciam governos totalitários, tais como tirania, despotismo ou ditadura, mas nenhum desses se enqua- drava ao domínio nazista ou bolchevista. Arendt revela no tex- to A Grande Tradição, que o termo tirania, desde Platão, era utilizado para um governo considerado ilegal e de um único homem (ARENDT, 2011, p. 275). Porém, o nazismo e o bol- chevismo não foram governos ilegais; ao contrário, tanto os nazistas, que mantiveram a constituição de Weimar, quanto os bolchevistas, que substituíram a constituição existente por ou- tra, embora seu conteúdo jamais fora colocado em prática, foi uma maneira de mostrar ao mundo um desafio permanente aos critérios não totalitários, os quais, no entender de Hitler e Stálin, impunham o desamparo e impotência continuamente (ARENDT, 2012, p. 34). Assim, com o rompimento da tradi- ção, ou seja, com o rompimento com conceitos já consolidados, porém, incabíveis no contexto do século XX, na Alemanha nazista e na Rússia bolchevista, tudo passa a ser possível, isto é, não se pode prever ou evitar que tragédia semelhante à morte de seis milhões de pessoas possa ser evitada.
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ESTADO DE EXCEÇÃO E SUJEITOS VULNERÁVEIS NA REALIDADE BRASILEIRA

ESTADO DE EXCEÇÃO E SUJEITOS VULNERÁVEIS NA REALIDADE BRASILEIRA

Para Schmitt, o Presidente do Reich (império) teria legitimidade política para exercer o poder constituinte. O regime nazista apoderou-se dessa teoria e, por conseguinte, delegou a competência de sua Corte Constitucional para o Poder Executivo. Com isso foi plenamente instaurado o estado de exceção que concentrava amplos poderes na figura do Füher (líder). Entretanto, cumpre salientar que não houve nenhum tipo de modificação legal nesse aspecto, a Constituição de Weimar que contava com um amplo rol de direitos fundamentais continuou vigente durante o regime nazista, sendo que o Füher (líder) tinha poderes ainda maiores para editar Decretos com força de lei, aplicáveis ainda que houvesse conflito entre as normas existentes. Destaque-se ainda que nenhuma das normas antinômicas era excluída ou alterada, mas privilegiada a aplicação dos Decretos, a depender da situação fática. A partir disso, vê-se tratar-se de medida jurídica que não pode ser compreendida a partir do Direito.
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Ordem e revolução na República de Weimar

Ordem e revolução na República de Weimar

A Constituição de Weimar, em grande medida obra do jurista Hugo Preuss, foi aprovada na Assembléia Constituinte por uma coalizão sustentada por uma maioria Social-Democrata (37,86% dos votos) combinada ao Centro Católico (19,67%) e ao partido Democrático (18,56%). Na constituição se celebrava uma série de conquistas sociais, na primeira constituição de caráter fundamentalmente programático da história do Estado de Direito. Celebrava-se também um importante arcabouço legal em torno dos Direitos Fundamentais. Mas, além disso, instituía um importante mecanismo, visando a governabilidade do executivo frente a um possível impasse entre executivo e legislativo, que era o artigo 48. Esse artigo, conforme a argumentação de Carl Schmitt, abria uma brecha autoritária na constituição, que foi usada, como levantado no capitulo 4, 250 vezes, das quais 130 nos 4 anos iniciais da República. A possibilidade do uso deste estado de exceção como ferramenta de governabilidade abria o precedente autoritário ao chefe do executivo. Foi dessa maneira que Hitler, em 23 de março de 1933, recebeu plenos poderes do Reichstag, instalando um estado de exceção de 12 anos.
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Constituição Federal

Constituição Federal

Parágrafo único. A aposentadoria dos juízes de que trata este artigo regular-se-á pelas normas fixadas para os demais juízes estaduais. Art. 22. É assegurado aos defensores públicos investidos na função até a data de instalação da Assembléia Nacional Constituinte o di- reito de opção pela carreira, com a observância das garantias e ve- dações previstas no art. 134, parágrafo único, da Constituição. Art. 23. Até que se edite a regulamentação do art. 21, XVI, da Constituição, os atuais ocupantes do cargo de censor federal conti- nuarão exercendo funções com este compatíveis, no Departamento de Polícia Federal, observadas as disposições constitucionais. Parágrafo único. A lei referida disporá sobre o aproveitamento dos censores federais, nos termos deste artigo.
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A dor e a constituição psíquica.

A dor e a constituição psíquica.

O grau de cuidados insuficientes ou inadequados e a fase do desenvolvimento infantil em que ocorreram determinam a gravidade dos prejuízos decorrentes (Bowlby, 1988; Spitz, 1988). Quanto mais cedo ocorrer o trauma, mais devastadores serão seus efeitos (Shengold, 1999). Szejer e Stewart (1997) apontam que o odor conhecido da mãe, reencontrado após o nascimento, serve como referência tranqüilizadora ao bebê, que pode então sentir o parto não como uma ruptura, mas como uma mutação, uma forma de continuidade. Nos casos em que é abandonado pela mãe logo após o nascimento, o bebê sofre uma perda súbita de todas as suas referências sensoriais, o que dificulta a sua adaptação ao mundo, sendo essa experiência precoce determinante de uma falha na função protetora e integradora possivelmente decisiva na constituição psíquica. Considera-se que as privações ocorridas até 3 ou 5 anos de idade oferecem grande risco de danos psíquicos. Após esta faixa etária, a criança já desenvolveu recursos próprios, como a linguagem e a locomoção, que podem minorar os efeitos da privação (Bowlby, 1988, 1990). Quando as dificuldades tomam proporções excessivas, elas reativam o sentimento de desamparo infantil e o indivíduo se depara com uma impossibilidade de lidar com elas, refugiando-se em mo- delos relacionais que ilusoriamente representam proteção diante do sofrimento e da dor (Amendoeira, 1999).
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O direito na constituição da política

O direito na constituição da política

Por outro lado, a observação da prática do direito permite detetar processos de exclusão social, assimiláveis a violências, por parte da própria coletividade. É o tema do painel organizado por Sara Araújo et al., “Descolonizar o direito. A política na constituição de direitos e na criação de exclusões”; é o que pode suceder na relação com pessoas de outras culturas (Manuela Ivone Cunha), ou com determinadas zonas nas quais se deixa propositadamente instalar-se a desordem (Maria Vitória Costaldello Ferreira de Almeida); é o que acontece, mais radicalmente, pelo “encarceramento maciço” (Paula Sobral, neste volume). Estas exclusões, ao tornar partes da sociedade invisível, favorecem aparências de normalidade política, isto é de uma coletividade na qual os conflitos podem ter expressão e ser geridos por meios pacíficos. Mas a violência que se gera nas zonas invisibilizadas, intensificada pelo próprio processo de exclusão e invisibilização desta zonas, poderá ressurgir no meio do espaço social aparentemente preservado. O aprofundamento das discrepâncias entre espaços preservados e espaços de desordem produzida é posto em debate pelo conceito de “regime de abissalidade” (noção destacada por Boaventura de Sousa Santos na sua conferência de abertura, “’Pode o direito ser emancipatório?’ Revisitado” (Santos, no prelo); ver também Maurício Hashizume, sobre a hegemonia capitalista-colonial e a (in-)justiça global). 38 Tais processos de exclusão, nos quais se mobiliza o próprio direito, não apenas reduzem o âmbito da política possível, como tornam, nesse mesmo âmbito, mais precárias as condições da política.
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Constituição Material

Constituição Material

O segundo uso mais problemático é aquele exemplificado pela afirmação de que uma mesa é feita de um pedaço de madeira ou, para usar o exemplo mais conhecido, que uma estátua é feita de um pedaço de barro. Este último tipo de relação de constituição, que chamaremos de constituição individual, envolve na verdade, mais de um uso. Por um lado, nós estamos relacionando dois objetos materiais, a estátua e o pedaço de barro; mas nós também estamos empregando a noção de constituição substancial, pois dizemos do pedaço de barro que ele é de barro, isto é, que ele é feito de barro. (É importante distinguir en- tre este pedaço de barro e o barro deste pedaço de barro. O pedaço de barro é um objeto material; se nós o partimos em duas partes, por exem- plo, é natural dizer que ele deixa de existir. Por outro lado, o barro neste pedaço de barro é apenas uma certa quantidade de barro, que pode estar em diversos estados e em diversos níveis de aglutinação.) 3
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A FORÇA NORMATIVA DA CONSTITUIÇÃO

A FORÇA NORMATIVA DA CONSTITUIÇÃO

Por derradeiro, Hesse assevera que a Constituição jurídica está condicionada pela realidade histórica, ou seja, ela não pode ser separada da realidade concreta de seu tempo. A pretensão de eficácia das normas constitucionais somente pode ser concretizada e efetivada considerando os elementos da realidade. A Constituição jurídica, contudo, pode modificar a realidade, considerado tanto os fatores sociais quanto econômicos e políticos, em razão da sua força normativa. Salienta-se que essa força possui limites e nenhum poder do mundo pode modificá-los.

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A Constituição Austeritária

A Constituição Austeritária

Se essas anotações, afora excessos deterministas, tiverem um pouco de verdade, o estágio atual do constitucionalismo, como expressão e estratégia do capitalismo financeirizado, parece desvelar em sua crueza a prioridade do econômico sobre os outros (sub)sistemas normativos sociais, sequestrando a simbologia da Constituição como instrumento de convivência justa. As instituições da “velha” simbologia constitucional são substituídas ou complementadas por outras que mais se adequam a esse “novo” constitucionalismo, baseado na busca da eficiência econômica como legitimação em detrimento do processo democrático como legitimidade. Esse “projeto de significação” constitucional é, ao fim, uma rendição jurídico-política à lógica econômica, tendo como bandeira de triunfo a “Constituição austeritária”, com a centralidade movida dos direitos para o “Estado fiscal” e “autoritário”, e como substratos determinantes as demandas do capitalismo financeirizado.
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A constituição de cenários

A constituição de cenários

RESUMO: O artigo evidencia cenários das pesquisas em educação a distância (EaD), ambientes virtuais de aprendizagem, formação on-line e metodologias em constituição na cibercultura. Trata-se de metanálise resultante de revisão bibliográfica, estabelecendo estado do conhecimento. O estudo aponta fragmentação e composição frágil de um campo de conhecimentos na EaD, implicando a modalidade ao uso das tecnologias da informação e comunicação (TIC). Os trabalhos aludem ao uso instrumental das TIC nos contextos de formação. Sobre as metodologias, existe tendência multifacetada de abordagens com destaque às qualitativas. Por fim, a ideia da cultura digital, correlacionada à formação, denota movimento contrário à polarização do presencial, não presencial, a distância e/ou on-line, convergindo para a ideia de hibridizações.
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Nadir Lara Júnior Professor Doutor do PPG em Ciências Sociais da Universidade do Vale do Rio dos Sinos. e-mail: nadirlunisinos.br; nadirljhotmail.com Resumo

Nadir Lara Júnior Professor Doutor do PPG em Ciências Sociais da Universidade do Vale do Rio dos Sinos. e-mail: nadirlunisinos.br; nadirljhotmail.com Resumo

159 Também em outras pesquisas realizadas (LARA JUNIOR; PRADO, 2004; LARA JUNIOR, 2005; LARA JUNIOR, 2007) constatamos que os elementos formulados pela Teologia da Libertação, marxismo e religiosidade popular estavam presentes na constituição do movimento. No entanto, nos últimos anos se faz notar também a influência da Teologia Pentecostal, por meio das igrejas evangélicas (Congregação Cristã no Brasil, Universal do Reino de Deus, Deus é Amor, Renascer em Cristo, Assembléia de Deus entre outras). Portanto, propomos como objetivo destacar que o MST para se constituir como movimento social se usou basicamente de conteúdos discursivos vindos da política, religiosidade popular e religião para convocar seus participantes a construir um laço social e assim delimitar fronteiras políticas necessárias para sua constituição, e de tal forma, mostrar à sociedade como os brasileiros são capazes de construir seu campo da política de acordo com seus referenciais históricos, políticos, culturais e religiosos.
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Gestação e a constituição da maternidade.

Gestação e a constituição da maternidade.

A partir das categorias apresentadas neste estudo, pode-se pensar que no decorrer do período gestacional a mulher passa por diferentes mudanças, que interferem em seu mundo intrapsíquico e relacional. Altera-se significativamente a visão que ela tem de si mesma e de sua relação com o mundo. Os sentimentos que as gestantes apresentaram em relação às transformações físicas e emocionais refletem sua percepção de que já não são as mesmas, de que agora seu corpo e sua função no mundo mudaram. Pode-se entender este momento como um dos principais da maternidade – sem esquecer que antes disto, obviamente, ela nasceu mulher, foi filha e brincou de ser mãe - o que foi contribuindo para a constituição da maternidade, que também é fortemente influenciada por determinantes biológicos, psíquicos e culturais. Mas agora ela é a mãe, atenta para o seu mundo interno e se reorganiza, uma vez que já não mais se vê como única, e sim, com um bebê.
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As concepções clássicas de constituição

As concepções clássicas de constituição

A Constituição, para ser efetiva, requer também uma consciência geral, tanto daqueles a quem ela se dirige como daqueles que tem por missão defendê- la, de que o cumprimento da Constituição deve ser um compromisso, um desejo, um horizonte, o que Hesse chamou de “vontade de Constituição”, que se origina de três vertentes diferentes: a) a compreensão da necessidade e do valor de uma ordem normativa inquebrantável; b) que tal ordem normativa necessita de constante legitimação; c) que a eficácia desta ordem depende de vontade humana (HESSE, 1991, p. 19-20). Trata-se, pois, de uma espécie de entranhamento afetivo por parte do povo em relação à Constituição, que suscita um entusiasmo chamativo, público e representativo que o constitucionalista espanhol Pablo Lucas Verdú chamou de sentimento constitucional, que consiste na adesão interna às normas e instituições fundamentais de um país, experimentada com intensidade, mais ou menos consciente, porque se estimam (sem que seja necessário um conhecimento exato de suas peculiaridades e funcionamento) que são boas e convenientes para a integração, manutenção e desenvolvimento de uma justa convivência (apud BESTER, op. cit.).
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Constituição Verde, e Agora?

Constituição Verde, e Agora?

Nota-se, portanto, que a Constituição de 1988 elevou à condição de princípio da ordem econômica a defesa ambiental, a fim de que o não haja simplesmente o crescimento econômico, mas que ele seja acompanhado de desenvolvimento social e, ainda, que aconteça de forma sustentável, ou seja, por meio da proteção do meio ambiente, conforme os ditames do artigo 225, trazendo a tona também a importância do tratamento diferenciado àquelas atividades que degradam menos o meio ambiente e da avaliação do impacto ambiental no processo de produção. De acordo com o mandamento constitucional da ordem econômica, deve haver harmonia entre o processo produtivo e a proteção do meio ambiente.
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