construção da verdade no processo civil e a igualdade jurídica

Top PDF construção da verdade no processo civil e a igualdade jurídica:

VERDADE, PROVA E PROCESSO: ESBOÇO DE UMA TEORIA DA CONSTRUÇÃO DA VERDADE NO PROCESSO CIVIL BRASILEIRO

VERDADE, PROVA E PROCESSO: ESBOÇO DE UMA TEORIA DA CONSTRUÇÃO DA VERDADE NO PROCESSO CIVIL BRASILEIRO

, mas não se pode invariavelmente concluir que eles não possuam a pretensão de verdade. No âmbito dos Tribunais Superiores, constatam-se posições diversas sobre qual “verdade” deve ser refletida no processo civil. A dicotomia “verdade formal” versus “verdade real” e a problemática das “verdades adjetivadas” são imbróglios a serem superados pelos intérpretes do direito, devendo ser superados os termos usualmente empregados pelos processualistas. De fato, numerosos problemas presentes no Direito são de ordem linguística. Interessantes enunciados no novo Código de Processo Civil brasileiro trazem a positivação de ideias que podemos conectá-las à teoria discursiva da verdade de Habermas, como a primazia pela busca consensual dos litígios a partir da cooperação entre os sujeitos. No processo judicial, especialmente no processo civil brasileiro modernamente compreendido, a “verdade” deve ser entendida sem adjetivações. Ela é uma relação entre palavras, entre linguagens. Mas não deve ser somente um jogo de palavras. O procedimento para se pautar sua construção no processo é essencial, devendo haver um consenso verdadeiro e uma adoção recíproca de perspectivas em respeito à visão dos demais sujeitos do processo, onde estejam presentes a cooperação e o diálogo a fim de reconstruir fatos e interpretações de maneira mais consensual possível, o que leva em conta o respeito às normas válidas ao caso submetido ao julgador.
Mostrar mais

201 Ler mais

A construção da verdade no processo civil e a igualdade jurídica

A construção da verdade no processo civil e a igualdade jurídica

A problemática da igualdade jurídica, no campo do Direito, se destaca por certas características bastante peculiares. De um lado, tem-se a produção doutrinária 2 marcada pela lógica da repetição que decorre de uma tradição reprodutora de conceitos, categorias e estruturas, descoladas da realidade social brasileira 3 . Em geral, essa doutrina se contenta apenas em dar notícia (ainda que com argumentação bem apresentada e articulada) do debate que se passa no mundo ocidental, pretendendo-o incorporá-lo de forma automática, no Brasil, como se o seu registro em texto escrito, bastasse para nos “atualizar” e civilizar, colocando nossos autores em sintonia com o que se pensa alhures. De outro lado, em decorrência da reprodução, tem-se a naturalização de uma sociedade verticalizada e hierarquizada (Kant de Lima, 2004 e Amorim et al., 2005), isto é, onde a desigualdade se incorpora à sabedoria convencional (Mendes, 2003), como nos revela a equação: “igualdade é tratar os iguais na medida da sua igualdade e os desiguais na medida de sua desigualdade”. Paradoxalmente, essa mesma sociedade inscreve em seus instrumentos normativos (constituição ou lei) - e repete em seus manuais jurídicos - a consagração da igualdade jurídica, definidora de um estado democrático de direito e republicano, com o repúdio normativo à desigualdade.
Mostrar mais

20 Ler mais

O poder instrutório do julgador na fase recursal do processo civil em busca da verdade provável

O poder instrutório do julgador na fase recursal do processo civil em busca da verdade provável

Amparado nas premissas da verdade, processo e justiça, como linha de pesquisa, o presente trabalho dissertativo compreende uma análise crítica e reflexiva pioneira quanto ao poder instrutório do julgador na fase recursal do processo civil, em busca da verdade provável. A construção dissertativa aborda a temática a partir da evolução da dinâmica processual em seus aspectos dogmáticos e pragmáticos, vislumbrando a imprescindibilidade da iniciativa probatória do julgador como fator preponderante para que a prestação jurisdicional seja eficiente e justa. Do sincretismo ao formalismo valorativo, dos sistemas inquisitorial e adversarial ao modelo cooperativo na moderna sistemática processual, a pesquisa destaca a evolução do pensamento jurídico no cenário contemporâneo, notadamente pela prevalência da visão publicista e das diretrizes oriundas da constitucionalização do processo. Pautado nas facilidades tecnológicas procedimentais, critica-se o mecanicismo no trato dos processos em sua fase recursal, defendendo-se maior valorização da prova na fase recursal a partir da necessária primazia do mérito, com a priorização da realização das provas no próprio tribunal, o que encontra significativo respaldo normativo no Código de Processo Civil de 2015, que contempla inovadores paradigmas procedimentais, tornando perceptível a adoção de práticas pautadas na valorização da cooperação e da dialética processual, de forma a resguardar o enfrentamento da relação jurídica material e a efetivação da tutela jurisdicional com adequação às peculiaridades e complexidades de cada demanda, através de um processo justo e eficiente. A partir dos parâmetros normativos e do diálogo com o posicionamento doutrinário e jurisprudencial, e, sem o intuito de esgotar o assunto, a pesquisa objetiva contribuir para o fomento de novos debates e reflexões quanto ao tema em apreço. O trabalho contempla a defesa de uma nova visão sobre a prova na fase recursal a partir do novo regramento processual brasileiro, vislumbrando a atividade probatória do julgador como um poder e uma técnica capaz de contribuir para o alcance da verdade provável dos fatos que se referem à demanda, o que viabilizará, no processo, a efetiva atuação jurisdicional em busca da concretização dos direitos, das garantias fundamentais e da própria justiça material.
Mostrar mais

262 Ler mais

Verdade, Novo Código de Processo Civil e a Regra da Carga Probatória Dinâmica

Verdade, Novo Código de Processo Civil e a Regra da Carga Probatória Dinâmica

A verdade do direito, porém, não pode ser atingida apenas com a construção proce- dimental, fundamentada e dialógica da aplicação do ordenamento sem buscar-se a delimi- tação precisa da situação fática sob exame, condição não apenas para a mera incidência da norma ou estabelecimento do diálogo em derredor da tutela, mas também da própria im- plantação do arrojado projeto do NCPC (a uniformização de jurisprudência, a formação e a aplicação de precedentes requer definição precisa do suporte fático, tanto na constru- ção da razão de decidir, quanto na operação da distinção e da superação dos precedentes). Neste sentido se examinou uma das inovações da Lei 13.105/15 – a distribuição dinâmica da carga probatória – com escopo de, pela análise das hipóteses de cabimento e não cabimento da redistribuição diversa da carga probatória, buscar os parâmetros para concluir pelo condicionamento do acerto da decisão de impor a uma das partes o dever de efetivar prova contra seus próprios interesses no atendimento dos princípios da verda- de real e da cooperação, ou seja, de sustentar que a excepcionalidade da invocação pelo magistrado deste novo instituto esteja condicionada à finalidade de formar convicção, evitando o caminho fácil e perigoso da facilitação de obtenção de uma verdade formal e fictícia, descompromissada com a verdade real, e, por consequência, com a confirmação do ordenamento, finalidade primeira e última do direito processual.
Mostrar mais

40 Ler mais

A atividade jurisdicional no processo civil: um agir em busca da verdade real

A atividade jurisdicional no processo civil: um agir em busca da verdade real

Desta forma, no momento em que o juiz, ex officio, dispõe sobre o emprego de determinado meio de prova, a validade de sua atuação deve ser sempre valorada à luz da presença de outros objetivos que extrapolam o mero interesse de um dos litigantes, em uma análise que, não raro, transcende a dimensão das normas diretamente relacionadas à instrução processual. Trata-se de saber se a sua atuação é comprometida com a realização de outros escopos de ordem pública, como a necessidade de dar efetividade à tutela de interesses indisponíveis que estejam em jogo no debate dos autos, ou de reduzir desigualdades econômicas e sociais capazes de limitar a participação democrática das partes na construção conjunta do provimento jurisdicional, ou, ainda, de evitar que o processo seja utilizado para a obtenção de resultados não-albergados pelo ordenamento jurídico.
Mostrar mais

53 Ler mais

A Oralidade Processual e a Construção da Verdade Jurídica.

A Oralidade Processual e a Construção da Verdade Jurídica.

A prova oral é extremamente desvalorizada no processo civil, tanto porque a “mentira” é o pressuposto vigente no sistema quanto porque tal meio probatório é tido como subsidiário à escrita. Ou seja, os juízes pressupõem que as pessoas vão ao Judiciário mentir, por estarem, necessariamente, comprometidas com alguma das partes – “parciais”, portanto. Além disso, há um comportamento estereotipado que deve ser adotado por todos diante do juízo, sob pena de desconfiança. Se, por acaso, as testemunhas – ou mesmo as partes – forem a juízo e não confirmarem o que consta, por escrito, nos autos processuais, ou titubearem, ou gaguejarem quando perguntadas sobre os fatos que ensejaram a ação judicial, supõe-se que estão mentindo, e, conseqüentemente, desconsidera-se o seu depoimento. Assim, trata-se de uma prova ineficaz. É esta a concepção do campo.
Mostrar mais

30 Ler mais

Ativismo-cooperativo na produção de provas: garantia de igualdade das partes processo civil

Ativismo-cooperativo na produção de provas: garantia de igualdade das partes processo civil

Trabalha com a postura do juiz que, na visão da sociedade, ainda é distante e altaneira, afastada da realidade que o cerca, ou protagonista em excesso, desafiando críticas de jornalistas, sociólogos e mesmo no seio da própria magistratura. Essa postura mais se delineia no processo, no contato com as partes. Seja na audiência preliminar, seja na instrução, a gestão efetiva do processo depende do juiz: ouvindo, aconselhando, discutindo, atitude que a convenção denominou ativismo-cooperativo, na busca de uma verdade que não é absoluta, mas verdade, para julgar com justiça. Resgata a história do poder do juiz, suas causas, consequências e as mudanças de paradigma do convencimento judicial no tempo. Estuda a atitude do juiz por meio de pesquisa bibliográfica, na orientação de grandes nomes do Direito brasileiro e estrangeiro, como fonte do trabalho doutrinário. Realiza pesquisa empírica, com análise de processos findos, buscando encontrar sinais e indícios do ativismo-cooperativo, nas atitudes dos juízes das varas cíveis de Vila Velha, com a utilização de fichas, anotações, levantamento de dados, objetivando demonstrar que a justiça no processo depende da postura ativa e cooperativa dos juízes, cuidando da igualdade das partes e da celeridade processual, para cumprir o mandado constitucional da razoável duração do processo. Os resultados demonstram que a morosidade é a tônica dos processos examinados e, ponto positivo, que há juízes, embora em pequeno número, que trabalham com a prova de ofício e com a gestão do processo, dando voz e vez às partes em audiência. Questões relevantes ficaram sem resposta, em face do corte epistemológico da pesquisa. Há um longo caminho a percorrer, até que a teoria entre em sintonia com a prática, mas a pesquisa empírica demonstrou que há juízes preocupados com a justiça do processo e não apenas com a resolução do conflito e com a paz social. Há, portanto, evidentes sinais das atitudes procuradas.
Mostrar mais

158 Ler mais

Igualdade e processo civil : perfis conceitual, funcional e estrutural do direito fundamental à isonomia no processo civil do estado constitucional

Igualdade e processo civil : perfis conceitual, funcional e estrutural do direito fundamental à isonomia no processo civil do estado constitucional

A igualdade relaciona-se ao processo civil, nas mais diversas formas. O trabalho tem por objetivo contribuir para uma renovada compreensão da normatividade da isonomia em suas relações com o processo civil, a partir da análise dos seus perfis conceitual, funcional e estrutural. No seu plano conceitual, essa revigorada compreensão apresenta- se a partir de duas perspectivas. De uma perspectiva macro, busca-se demonstrar a passagem da igualdade perante a lei – formal - (que pressupõe a segurança jurídica pela completude e univocidade da legislação) à igualdade na lei – material – (que pressupõe a vedação às discriminações arbitrárias na formulação dos textos normativos) e à isonomia na interpretação e aplicação do direito (que pressupõe a segurança jurídica pelo respeito ao precedente). De uma perspectiva micro, busca-se demonstrar como a passagem da igualdade perante a lei à igualdade na lei influiu no processo civil. Assim, pretende-se apresentar a passagem da garantia da paridade de armas (entendida como simetria de posições das partes, de caráter estático) ao Direito Fundamental à Isonomia no Processo (entendido como equilíbrio dos sujeitos do processo, de caráter dinâmico). A isonomia, no plano funcional, ostenta duas finalidades distintas quando das suas relações com o processo civil: de um lado, a partir de uma perspectiva geral e objetiva, serve para todo o sistema, como um norte a ser seguido, agregando coerência institucional, com vistas a uma ordem jurídica isonômica; de outro lado, a partir de uma perspectiva particular e subjetiva, serve, em cada caso, como instrumento para que os sujeitos do processo possam desempenhar as suas capacidades de modo equilibrado, permitindo-se o exercício efetivo do contraditório entendido como potencialidade de influência, com vistas a uma decisão justa. Por fim, em seu perfil estrutural, a igualdade pode ser sistematizada a partir de três óticas: igualdade ao processo (imposição de que o direito preveja – e o judiciário atue para tanto - os meios necessários para que as partes possam chegar ao processo em posição equilibrada), igualdade no processo (imposição de que o processo seja dotado – e o judiciário as utilize - de técnicas processuais que permitam que os sujeitos do processo possam atuar em posição equilibrada) e igualdade pelo processo (imposição de que o processo seja dotado – e o judiciário as promova e respeite - de técnicas processuais voltadas a conferir congruência, aceitação e unidade ao direito).
Mostrar mais

284 Ler mais

A desconsideração da personalidade jurídica no processo do trabalho a luz do código de processo civil

A desconsideração da personalidade jurídica no processo do trabalho a luz do código de processo civil

Há no direito brasileiro, na verdade, duas teorias da desconsideração. De um lado, a teoria mais elaborada, de maior consistência e abstração, que condiciona o afastamen- to episódico da autonomia patrimonial das pessoas jurídicas à caracterização da manipulação fraudulenta e abusiva do instituto. Nesse caso, distingue-se com clareza a desconside- ração da personalidade jurídica e outros institutos jurídicos que também importam a afetação de patrimônio do sócio por obrigação da sociedade (por exemplo, a responsabiliza- ção por ato de má gestão, a extensão da responsabilidade tributária ao gerente etc.). Ela será chamada, aqui, de teoria maior. De outro lado, a teoria menos elaborada, que se refere à desconsideração em toda e qualquer hipótese de execução do patrimônio do sócio por obrigação social, cuja tendência é condicionar o afastamento do princípio da autonomia à simples insatisfação de crédito perante a sociedade. Trata- -se de teoria menor, que se contenta com a demonstração pelo credor da inexistência de bens sociais e da solvência de qualquer sócio, apara atribuir a este a obrigação da pessoa jurídica. (COELHO, 1999, p.35).
Mostrar mais

8 Ler mais

A prova por declarações das partes no Novo Código de Processo Civil: em busca da verdade material no Processo

A prova por declarações das partes no Novo Código de Processo Civil: em busca da verdade material no Processo

o conhecimento que têm em relação aos factos, o interrogatório livre das partes pode revelar-se um importante instrumento ao serviço da descoberta da verdade tida como essencial para uma decisão justa do litígio. 91 O problema é, aliás, particularmente importante nas situações em que, sendo evidente a posição de desvantagem em que se encontra uma das partes em litígio, a aplicação da máxima nemo debet esse testis in propria causa possa representar uma violação do princípio da igualdade de armas, previsto no artigo 6º, n.º 1 da Convenção Europeia dos Direitos do Homem 92 , entendido, em certo sentido, como uma exigência do princípio do processo equitativo, como entendeu o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem no caso “Dombo Beheer B.V. vs. Holanda” em 1993. 93 Retomaremos a análise deste Acórdão quando, no Capítulo seguinte, colocarmos a questão por ele tratada à luz do direito processual civil português. Na lição de CAPPELLETTI, a evolução, no sentido da substituição do instituto tradicional da confissão por um testemunho de parte 94 suscetível de ser, no seu conjunto, livremente apreciado pelo julgador, é também resultado de uma progressiva democratização do processo e da transformação dos princípios gerais orientadores dos sistemas probatórios. De uma forma geral, o paulatino decaimento de um sistema predominantemente escrito e de prova legal levou, desde logo, à expansão da prova testemunhal lato sensu, bastando, para tanto, recordar a progressiva abolição das regras de exclusão ou inabilitação de testemunhas a que fizemos já referência. 95
Mostrar mais

168 Ler mais

O papel do juiz na direção do processo civil no estado democrático de direito : a direção material voltada à construção da solução jurídica do caso concreto

O papel do juiz na direção do processo civil no estado democrático de direito : a direção material voltada à construção da solução jurídica do caso concreto

Justamente em razão desses vícios é que, depois do exame da evolução temporal e da exposição das razões que conduzem à procura de um parâmetro de comparação com um menor grau de inconsistência, se colhem da exposição de Mirjan Damaška, Professor Emérito da Yale Law School, em sua obra The Faces of Justice and State Authority (em tradução livre, “As Faces da Justiça e Autoridade Estatal”), 7 dois condicionantes que possibilitam entabular o cotejo entre os seus arquétipos processuais. De um lado, há a estrutura organizacional ou de autoridade (apparatus of government), discernindo-se dois ideais, um hierárquico (hiearchical ideal) e outro coordenado (coordenate ideal). De outro, existe a finalidade da atuação do Estado, ou seu papel perante a sociedade (functions of government), contrastando o escopos de resolução de conflitos (conflict-solving) e de implementação de políticas públicas (policy-implementing). E de cada um decorrem certas características que vão peculiarizar o respectivo processo judicial: do ideal hierárquico, a profissionalização do órgão decisório, a hierarquização da função judicial (com as correlatas revisibilidade das decisões, redução a escrito da cadeia de atos processuais e desdobramento procedimental em fases estanques) e o legalismo estrito; do ideal coordenado, os julgadores leigos e/ou políticos, o desenvolvimento em uma única instância e a discricionariedade judicial, notadamente sobre a formatação do procedimento; da finalidade de solução de conflitos, o caráter de disputa, com a condução do processo pelas partes e a exigência de neutralidade do juiz, donde a busca pela
Mostrar mais

38 Ler mais

O processo de construção da verdade no tribunal do júri de Recife (2009-2010)

O processo de construção da verdade no tribunal do júri de Recife (2009-2010)

Desta forma, através de uma situação de interação social em que participam técnicos, leigos, protagonistas e testemunhas a história ocorrida quando da execução do crime é novamente contada. Esta história precisa ser recontada para que aconteça um diálogo entre a versão jurídica, do que está contido nas peças jurídicas do processo, e a versão do que “realmente” ocorreu no contexto situacional da morte violenta em questão. Nesta interação social existe uma ordem ao qual o diálogo pode ser estabelecido entre acusadores e acusados em busca do entendimento de algumas questões, que de certa forma se aproximam da tipologia de motivações de homicídios exposta acima: quem matou a vítima; qual é o perfil do agressor; qual é o perfil da vítima; agressor e vítima se conheciam, considerando os seus papéis sociais na comunidade? Ou seja, parece existir um procedimento de constatação de uma suposta “realidade social” em que réu e vítima viviam, que visa produção de uma verdade sobre o outro que possa reestabelecer as regras de comportamento societário; a partir de um ponto de vista estabelecido em uma relação de poder com hierarquia de credibilidade entre os seus participantes. Ou seja, na busca da verdade real os acusadores possuem mais credibilidade do que os acusados.
Mostrar mais

398 Ler mais

A desconsideração da personalidade jurídica no código de processo civil: uma visão panorâmica

A desconsideração da personalidade jurídica no código de processo civil: uma visão panorâmica

considerando a construção jurisprudencial já existente. O CPC/2015 limita-se, como é próprio de um código de processo civil, a disciplinar as regras processuais concernentes ao pedido de desconsideração. Saber em que hipóteses a medida é cabível no direito material; a verificação de como ela se opera, todavia, compete ao direito processual. Por isso mesmo, estabelece o § 1º que a desconsideração deverá observar os pressupostos previstos em lei, vale dizer, nas normas de direito material. A doutrina tem se referido, ao analisar os requisitos para a desconsideração em diversos diplomas legais, a duas teorias principais: a) teoria maior, de abrangência genérica, que encontra previsão no artigo 50 do Código Civil e que exige, para a aplicação da medida, o desvio de finalidade da sociedade (teoria maior subjetiva) ou a confusão patrimonial (teoria maior objetiva); b) teoria menor, contemplada em previsões especificas, no artigo 28, caput e § 5º do Código de Defesa do Consumidor; artigo 4º da Lei nº 9,605/1998 (danos causados ao meio ambiente); e artigo 34, parágrafo único da Lei nº 12,529/2011 (infração da ordem econômica), e que se contenta com a demonstração de determinadas situações objetivas, independentemente de abuso da personalidade jurídica, como a falência, o estado de insolvência, o encerramento ou a inatividade da pessoa jurídica ou mesmo quando a sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos aos consumidores ou ao meio ambiente (ROQUE apud GAJARDONI, 2015).
Mostrar mais

39 Ler mais

A construção jurídica e local da verdade real pelo juiz: oralidade, documentalidade e sintetismo em um Juizado Especial Cível

A construção jurídica e local da verdade real pelo juiz: oralidade, documentalidade e sintetismo em um Juizado Especial Cível

O presente trabalho busca compreender como se estabelece o processo judicial e de que modo a busca pela verdade real (MENDES, 2011), uma verdade absoluta para a situação discutida nos autos, apreendida somente pelo magistrado. Estudos como os de Regina Mendes (2011), Bárbara Lupetti Baptista (2008; 2012), Cardoso de Oliveira (2010; 2011) e Kant de Lima (2010), firmados no âmbito da Antropologia Jurídica, deixam claro que o jurisdicionado tem papel mitigado no Judiciário; que a ação se pauta em uma lógica conflituosa, e não transacional; e que a sentença é uma decisão imposta unilateralmente pelo magistrado às partes, sendo que estas nem sempre creem que sua demanda foi reconhecida por ele, findando insatisfeitas. Os dados obtidos em um Juizado Especial Cível do Estado do Rio Grande do Norte, neste sentido, parecem demonstrar que o magistrado intenta compreender aquela verdade para, a partir disto, comprimir o número de atos instrutórios e otimizar a produtividade, de modo a dar vazão à grande demanda que lhe é imposta diariamente. Mais ainda, conduz à ideia de que tal verdade é fruto de uma construção in loco, graças às experiências diárias vivenciadas naquele contexto. A partir desta pesquisa empírica, acompanhou-se o trâmite que a lide passa, desde sua elaboração mediante atermação até a sentença de mérito, conduzindo à presunção de que todos os atos procedimentais convergem àquela procura. A principal consequência oriunda disto, finalmente, é a análise de uma metodologia instrutória que, embora pareça ser peculiar, única, termina por refletir as estruturas jurídicas na qual está inserida: as liberdades concedidas, que aparentemente igualam os atores do Judiciário, reiteram as relações de hierarquia de poder e conhecimento entre juízes, servidores e demais atores; e a aparente possibilidade de maior participação da parte na instrução visa, na verdade, selecionar discursos, conhecê-los e controlá-los.
Mostrar mais

132 Ler mais

NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL: REFLEXÕES SOBRE LIBERDADE, IGUALDADE E MUDANÇAS DE PARADIGMAS

NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL: REFLEXÕES SOBRE LIBERDADE, IGUALDADE E MUDANÇAS DE PARADIGMAS

O processo (falo aqui do processo jurisdicional, mas essa observação serve também ao processo legislativo) deve servir como mecanismo de controle da produção das decisões judiciais. E por quê? Por pelo menos duas razões: a primeira, porque, como cidadão, eu tenho direitos, e, se eu os tenho, eles me devem ser garantidos pelo tribunal, por meio de um processo; a segunda, porque, sendo o processo uma questão de democracia, eu devo com ele poder participar da construção das decisões que me atingirão diretamente (de novo: isso serve tanto para o âmbito político como para o jurídico). Somente assim é que farei frente a uma dupla exigência da legitimidade, a mediação entre as autonomias pública e privada. Sou autor e destinatário de um provimento. Por isso é que tenho direito de participar efetivamente do processo. (STRECK, 2015, p. 36)
Mostrar mais

17 Ler mais

A impossibilidade da igualdade jurídica no Brasil.

A impossibilidade da igualdade jurídica no Brasil.

Os pressupostos processuais são “aquelas exigências legais, sem cujo atendi- mento, o processo, como relação jurídica, não se estabelece ou não se desenvolve validamente” (Theodoro Junior, 1988:61). Eles são em geral classificados como sub- jetivos, quando dizem respeito aos sujeitos do processo (juiz e partes). São eles: a competência do juiz para a causa; a capacidade civil das partes; e, a representação da parte por advogado. Os pressupostos objetivos, regulam a forma processual e a regular constituição do processo, são eles: observância da forma processual prescrita para o pedido formulado; existência de mandato nos autos conferido ao advogado (esta exigência se confunde com a própria determinação de que a parte seja repre- sentada por advogado); inexistência de litispendência, coisa julgada, compromisso ou de inépcia da inicial 9 ; e, inexistência de qualquer das nulidades estabelecidas na
Mostrar mais

16 Ler mais

Negociação: ênfase no processo de compras na construção civil

Negociação: ênfase no processo de compras na construção civil

Em um contexto social cada vez mais competitivo conhecer aspectos sobre a negociação pode ser um diferencial para profissionais que a utilizam em maior ou menor escala. Conforme Martinelli (2002) até a década de oitenta era escassa a bibliografia sobre o tema, principalmente no Brasil. Hoje existem técnicas consagradas para se planejar, desenvolver e concluir uma negociação de sucesso em ambientes competitivos. Neste contexto, nota-se que as publicações atuais sobre o tema são voltadas principalmente para as áreas de relações internacionais, vendas, negociações coletivas de trabalho ou da área jurídica. Portanto infere-se que estes profissionais vêm se preocupando com sua preparação para as negociações das quais participam. Por outro lado segundo Wanderley (1998) uma mudança que vem ocorrendo nos últimos anos é que os compradores passaram a se preparar tão bem (ou melhor) que os vendedores.
Mostrar mais

42 Ler mais

Direito sucessório do companheiro(a) frente ao cônjuge sob a ótica do Código Civil: estudo acerca da colisão com o princípio da igualdade jurídica.

Direito sucessório do companheiro(a) frente ao cônjuge sob a ótica do Código Civil: estudo acerca da colisão com o princípio da igualdade jurídica.

O dever de lealdade funciona como gênero, em que a fidelidade é uma espécie, posto que, a fidelidade é elemento exclusivo do casamento. ―Seu conceito confunde-se com o de fidelidade, que por sua vez, não está adstrito ao campo das relações amorosas. Ser leal, assim como ser fiel no âmbito relacional, significa ser confiável‖ (MALUF; MALUF, 2016, p. 390). O dever de respeito é um dever inerente a todas as relações afetivas, sem este torna- se complicado a construção de um vínculo sólido e harmonioso; o dever de assistência ―pode ser traduzido não apenas na mutualidade material e de apoio alimentar mas também sob o prisma mais profundo, no auxílio espiritual e moral necessariamente existente entre os companheiros ao longo de toda união‖ (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2011, p. 440)
Mostrar mais

53 Ler mais

'O que está no mundo não está nos autos': a construção da verdade jurídica nos processos...

'O que está no mundo não está nos autos': a construção da verdade jurídica nos processos...

What makes it possible for police narratives about drug trafficking flagrants to be received as truth by jurists and civil servants, especially judges? What kind of legal truth is built when the witness is the officer himself who made the flagrant? In order to answer these questions, this study presents analyses of court proceedings, interviews with police officers, judges, prosecutors and defenders, field notes and direct observation of hearings of custody, instruction and judgment. The variety of data sources required the use of multimethod, with the central point the criminal justice system flow analysis. It was found that the police truth is the result of a selection process of what the police officer will consider appropriate to register and make official. In order to describe these arrests, the policemen make use of expressions, categories and language patterns to narrate their actions. This police vocabulary justifies the approach and imprisonment, and it becomes part of the law field. But what makes this possible? Initially, the issue of “public faith” seemed central to explain the acceptance of the police truth. However, we discovered that a repertoire of beliefs offers the support for police narratives: the belief in the police as part of the state, people believe in the policemen because he or she represents an institution of the state; belief in the police knowledge, it is believed the agents present their techniques, skills and strategies in order to make arrests; belief in the conduct of the police, it is believed that police officers work within the law; belief that the accused will lie to defend him or herself; belief that there is a relationship between crime and socio- economic profile; belief that judges have the role of defending society and the imprisonment is a way to give visibility to this. Beliefs such as these are present in the discourses of prosecutors and judges as being central to the proper functioning of the justice system. Believing dismisses knowing, there is no questioning on how the information is produced and acquired by police. Practices of violence, torture and threats are not investigated. As prosecutors and judges do not consider true the narratives of people arrested, especially those charged with drug trafficking, expressions such as “police violence”, “extortion”, “forged flagrant” do not appear in the deliberations of prosecutors and judges. Beliefs are central to the exercise of the power to arrest and punish of judges. The police truth is a truth that has a necessary value for the operation of the legal system. In order for judges to exercise their power to punish, a police truth is the central element for the establishment of a legal truth.
Mostrar mais

276 Ler mais

A possibilidade jurídica de alteração da filiação no registro civil de nascimento em benefício da verdade socioafetiva

A possibilidade jurídica de alteração da filiação no registro civil de nascimento em benefício da verdade socioafetiva

esfera mais íntima do seio familiar, devendo atender apenas em um segundo momento aos interesses do Estado. Como ressalta João Baptista Vilella, citado por Paulo Luiz Netto Lôbo2 no processo de refinamento cultural do matrimônio, constitui traço fundamental o encapsulamento da vida íntima na esfera interna da família. Assim, atribuir a paternidade ao marido da mulher não significa proclamar uma identidade biológica, pois a família não tem deveres de exatidão biológica perante a sociedade, pelo que, se a mulher prevarica e pare um filho que não foi gerado pelo seu marido, isso tendencialmente é matéria da economia interna da família. Pode ser um grave problema para o casal, como pode não ser um problema.
Mostrar mais

63 Ler mais

Show all 10000 documents...