Corpo e cultura popular

Top PDF Corpo e cultura popular:

O corpo transparente: visualização médica e cultura popular no século XX.

O corpo transparente: visualização médica e cultura popular no século XX.

coletiva, ultrapassando rapidamente a esfera biomédica de origem. De modo singular as imagens do interior do corpo transitam entre o conhecimento especializado e a fantasia popular, a pesquisa cien- tífica e os processos de divulgação, que incluem a arte e a cultura popular. Os raios X entraram em seguida no terreno da ficção: no romance de H. G. Wells The invisible man, de 1897, o protagonista descobre um raio análogo aos “raios Roentgen”, capaz de tornar seu corpo invisível, e no romance de W. S. Harris Life in a thousand worlds, publicado em 1905, os cientistas são capazes de “seguir o curso de um pensamento em um cérebro vivo depois de este ter sido tornado visível por uma luz mais potente que os raios X” (citado em Kevles, 1998, p. 118), antecipando os sonhos e anelos das neurociências mais recentes. Após a Primeira Guerra Mundial, a transparência da carne, fornecida pela tecnologia, tornou-se um lugar comum, e encontramos os raios X ocupando um espaço nas esferas culturais e políticas: desde a análise da liberação feminina, presente no romance de 1923 Black oxen, à investigação de desvio sexual, como mostra um estudo realizado em 1935 em Nova York com um grupo de homens e mulheres homossexuais que se sub- meteram aos raios X para provar que não eram perigosos. Mas é no terreno da avant-garde artística que as imagens causam um pro- fundo impacto com seu ideal de transparência, que deixa marcas tanto na arquitetura transparente da escola Bauhaus alemã, quanto nas vanguardas soviética e italiana. No Technical manifesto of futurist painting, de 1910, o porta-voz dos futuristas italianos, Umberto Boccioni, inquire: “Quem pode ainda acreditar na opacidade dos corpos ... quando nossa sensibilidade aguçada e multiplicada nos permite perceber as revelações obscuras dos fenômenos mediúnicos? Por que deveríamos continuar criando sem levar em conta nossos poderes perceptivos que podem dar resultados análogos aos dos raios X?” (apud Kevles, 1998, p. 130).
Mostrar mais

19 Ler mais

Corpo-mídia ou corpo-suporte?: representações do signo corpo em publicidades de perfumes

Corpo-mídia ou corpo-suporte?: representações do signo corpo em publicidades de perfumes

Posteriormente, encontramos as leituras que Bakhtin (1993) fez de Rabelais acerca do corpo grotesco. Na cultura popular da época, o corpo era tido como a relação entre a terra, o homem e os animais, numa ligação inseparável. O corpo grotesco não era um corpo fechado, mas estava em processo permanente de trocas com o ambiente, completando-se nele. A morte era entendida como um eterno retorno. A terra provinha o corpo de suas necessidades e, por fim, o absorvia, num processo natural. As representações do corpo eram marcadas pelo exagero na organicidade mesma do corpo: em comer, excretar, deglutir, transar...onde os orifícios apareciam como canais de mediação (interior/exterior). Outra característica marcante do corpo medieval é o rebaixamento: a região do ventre e a boca ocupando uma posição hierárquica superior. O rebaixamento tem relação direta com a capacidade de gestação humana, a criação, e representa a transposição de tudo que é espiritual ao plano do corporal. Enquanto isso, a noção da cultura oficial matinha- se ligada aos preceitos da Igreja, que considerava o corpo um local pecaminoso.
Mostrar mais

144 Ler mais

Cultura popular: práticas e representações.

Cultura popular: práticas e representações.

Além disso, uma parte signiicaiva dos estudos de folclore realizados no país até a década de 1970 – aliás, levados a efeito no mais das vezes por pesquisadores sérios, cultos, eruditos, sensíveis e profundos – seguem o paradigma modernista; o material coletado e documentado servindo, especialmente, para futura reelaboração por aris- tas eruditos que o elevariam à condição de arte de estatura universal. Em seus pressu- postos vige a questão da idenidade nacional, brasileira, e isso direciona seu foco para o “objeto folclórico”, em detrimento de seus produtores e da diversidade sociocultural do país. Daí porque, neste ensaio, é dada preferência à noção de cultura popular, em sua vertente tradicional. Estudar a cultura popular implica estar atento para a proximi- dade entre a esfera material da existência e a esfera espiritual ou simbólica, para a in- dissociabilidade de necessidades orgânicas e necessidades morais, do corpo e da alma. Cultura popular implica modos de viver, e seu estudo requer atenção aos laços que atam os processos simbólicos às condições concretas de sociabilidade da vida popular.
Mostrar mais

30 Ler mais

Transformações na linguagem do teatro de animação: a criação do espetáculo teatral

Transformações na linguagem do teatro de animação: a criação do espetáculo teatral

Destacar as principais transformações ocorridas no Teatro de Animação nas últimas décadas constitui um desafio importante para compreender a diversidade de práticas que ocorrem atualmente neste campo artístico. O teatro de animação brasileiro sofreu visíveis transformações nos últimos anos. Deixou de ser arte destinada exclusivamente para crianças e superou a visão de cronistas, historiadores e viajantes pelo interior do País que, no século XVIII, viam o teatro de bonecos popular como "uma ingênua diversão do povo" (BORBA FILHO, 1987, p.56).
Mostrar mais

9 Ler mais

Teoria em ato: o que pode e o que aprende um corpo?.

Teoria em ato: o que pode e o que aprende um corpo?.

No intuito de retomar a célebre pergunta feita por Spinoza – “O que pode um corpo?” –, o artigo sustenta sua problemática em torno da questão “O que pode e o que aprende um corpo?” Nesse sentido, procura-se percorrer algo que no texto é designado como uma teoria em ato. Para tanto, num primeiro momento, busca-se elucidar as possibilidades teóricas e os locais de fala utilizados operacionalmente para produzir tal construção. Apoia- se a noção de um corpo fendido, ou seja, um corpo que se abre para outras possibilidades de ser corpo, distantes das comumente instituídas (corpo autônomo, consciente, racional) e, desse modo, produz uma teoria em ato que não mais reconhece a clássica separação corpo versus mente (alma, pensamento). Em seguida, associa-se à referida questão-problema a prática do corpo-sem- órgãos, cunhada pelo dramaturgo francês Antoni Artaud em sua conferência radiofônica de 1947 (Pour en finir avec le jugement de dieu) e retomada por Deleuze e Guattari em sua ampla produção filosófica com o intuito de, desse modo, propor a ação de pensar como fluxo que atravessa os atos de ler e escrever em meio à vida enquanto esteiras de criação e invenção, ao passo que não somente representam, mas produzem realidades.
Mostrar mais

12 Ler mais

A participação das crianças e suas culturas em festas comemorativas: relatos de uma pesquisa com crianças

A participação das crianças e suas culturas em festas comemorativas: relatos de uma pesquisa com crianças

No Brasil, o carnaval mantém a característica de ser uma festa de rua, que ocorre no verão. Nosso carnaval, com variadas características e especificidades regionais, é um evento internacionalmente conhecido e há mais de um século exportado como símbolo de uma suposta identidade nacional, em que pesem as diferenças e as pluralidades de significados que os festejos carnavalescos adquirem nas diferentes localidades, para os diferentes sujeitos, festeiros de origens étnicas, culturais, religiosas, sociais, idades e referências identitárias extremamente complexas e heterogêneas (Delgado, Müller e Schueler, 2006). Torna-se importante compreender a relação entre cultura de massa e cultura popular e as diferentes manifestações do carnaval. Certamente que há uma transformação do popular em nacional para poder convertê-lo à neutralidade homogênea do típico (Chauí, 1993), mas também me interessa compreender como as crianças reinterpretam aquilo que é veiculado pela mídia.
Mostrar mais

19 Ler mais

Nacional-popular — Outubro Revista

Nacional-popular — Outubro Revista

Resumo: o artigo trata da evolução do conceito de nacional-popular nos Quaderni del carcere de Antonio Gramsci. Argumenta-se que foi por meio dessa obra que o conceito entrou no vocabulário político italiano, consolidando-se. O adjetivo nacional-popular foi precedido na redação dos Quaderni pelo substantivo composto povo-nação, revelando uma marcada inspiração na obra de Vincenzo Gioberti. Interpretes insistiram que o conceito remetia a cultura do populismo russo, divergindo, entretanto a respeito do período de desenvolvimento dessa cultura que teria sido mais marcante para o conceito. O artigo considera que essa era uma pista falsa e desenvolve uma hipótese alternativa: a de que o conceito de nacional-popular teve como inspiração principal os debates realizados na União Soviética a respeito da questão nacional, o quais atingiram seu ápice em 1923.
Mostrar mais

22 Ler mais

Movimento operário, cordões industriais e poder popular no Chile — Outubro Revista

Movimento operário, cordões industriais e poder popular no Chile — Outubro Revista

Nos cordões, a assembleia de fábrica era a instância máxima de decisão democrática, na qual o exercício da democracia direta delega- va mandatos revogáveis, tornando mais livres as resoluções votadas. Ainda que, com frequência, se repetissem os mesmos dirigentes sin- dicais nos mandatos estes podiam ser revogados e a revogabilidade era exercida a cada dois meses. A unidade de ação entre a experiência de classe e a consciência de classe criou novas formas de socializa- ção popular dentro da classe operária, formas mais dinâmicas, demo- cráticas e que recuperavam a independência de classe ou autonomia político-sindical perdida pela CUT – cuja estrutura organizacional se tornara obsoleta devido a essas novas articulações/coordenações dos trabalhadores (Castillo, 2009, p.18). Estas eram centros de formu- lação das táticas políticas a serem seguidas para defender o governo da Unidade Popular, ainda que não sem um apoio crítico, devido a entrega das empresas privadas à Área de Propriedad Social (APS). A legitimidade de um cordão industrial dependia de sua capacidade para assumir responsabilidades e atividades que nem o governo nem a CUT davam conta, como foi o abastecimento direto da produção à população e sua defesa perante a sabotagem patronal.
Mostrar mais

27 Ler mais

As Relações entre a Cultura Popular e as Benzedeiras

As Relações entre a Cultura Popular e as Benzedeiras

Pelo fato de situar-se entre o espaço da medicina popular e o espaço religioso, a benzedeira ocupa-se com os problemas reais e práticos da vida das pessoas, por isso sua presença dá força e segurança à comunidade. As pessoas recorrem a ela porque confiam em suas habi- lidades, seus conhecimentos relacionados à medicina caseira, e por isso acessível, e a outros setores de seu cotidiano. Em outras palavras, a eficácia da benzedura se dá em grande parte porque essa se insere no quadro dos saberes designados pela sociologia como saberes do senso comum, do conhecimento próprio da realidade de todo dia (LEMOS, 2010, p. 14).
Mostrar mais

8 Ler mais

Ascensão e queda de uma cultura popular

Ascensão e queda de uma cultura popular

O local onde se encontra(va) o museu de Arte Popular está carre- gado de significados incutidos nas edificações existentes: o mosteiro dos Jerónimos, o museu de Marinha, o Centro Cultural de Belém, a praça do Império, o padrão dos Descobrimentos, o jardim Vasco da Gama e o de Afonso de Albuquerque. Neste último encontra-se uma coluna com a estátua do conquistador quinhentista, que lembra uma sentinela colocada frente ao palácio de Belém, onde reside o presidente da República. Trata- se de um conjunto urbanístico identificador da nação que foi sendo ela- borado desde finais de oitocentos (ampliação dos Jerónimos), decidida- mente assumido e expandido pelo regime salazarista (os dois museus referidos de Arte Popular e de Marinha), confirmado pela democracia desde os anos 1970 (pelo Centro Cultural de Belém). Os espaços a que me refiro foram concebidos com desafogo e assim são mantidas as áreas ajardinadas.
Mostrar mais

26 Ler mais

Gil Vicente e a cultura popular

Gil Vicente e a cultura popular

Pela minha parte, optei, numa perspetiva mais tradicional, por convocar um conjunto de géneros que ostentam o rótulo do «popular» de modo a observar a íntima relação que estabelecem com o texto vicentino e tentar entender o seu funcionamento quando incorporados num texto dramático independente dos mesmos. É claro que Gil Vicente não se furtou às prefe- rências dadas, na sua época, à cultura tradicional; nem podia. A sua relação com um «público» obrigou-o, sem dúvida, a dar uma especial atenção ao gosto dos seus destinatários que, pela vastíssima documentação que conhe- cemos da corte dos Reis Católicos, nos traduz um enorme encantamento pela literatura tradicional ou tradicionalizante. Como sabemos, uma enorme viragem, na corte destes monarcas, deu-se nos campos da literatura e da música: os cancioneiros passam a estampar nas suas páginas numerosos romances e vilhancicos.
Mostrar mais

42 Ler mais

A Cultura Popular no Tempo dos Almanaques

A Cultura Popular no Tempo dos Almanaques

O mesmo convite amável me chega agora da parte da Profa. Ivoni Richter Reimer, desta vez para participar de um número que festeja os 25 anos de nossa querida Revista. Como minha participação naquele segundo número foi sobre cultura popular, é também sobre ela ou com ela que quero me inserir na festa de agora. Mais do que lembrar minha história na Revista, quero continuar falando de como esse campo de pesquisa deve ao sonho de Gil Barreto, sonho sonhado com suas mãos sempre realizadoras. Não trato aqui das cul- turas populares de modo geral, mas de um de seus muitos fragmentos, que assim me torno plenamente inserido nos anseios que fizeram nascer a nossa Fragmentos. Quem não se lembra dos saudosos almanaques Sadol, Capivarol e Fontoura, que em meados do século XX eram distribuídos nas farmácias e respondiam por grande parte da comunicação das populações do interior com o mundo lá de fora? Pois bem! Eles tiveram importância capital na reprodução e preservação das culturas populares. Faço aqui esse registro como minha forma pessoal de “soprar velinhas” nesta importante comemoração.
Mostrar mais

7 Ler mais

JU L I E TA tradução tradução, memória e cultura popular , memória e cultura popular

JU L I E TA tradução tradução, memória e cultura popular , memória e cultura popular

discussão do conflito entre o vanguardismo e o regionalismo na América Latina. Na visão do pensador venezuelano, vanguardismo está relacionado com o fenômeno da evolução urbana, “que absorve e desintegra as culturas rurais” (p.212). A cultura modernizada da cidade propicia a penetração de modelos estrangeiros, percebidos como “mais prestigiosos por virem glorificados de suposta ‘universalidade’” (p.212). Apropriando-se do conceito antropológico de transculturação, Rama o transpõe para o plano da literatura e das operações culturais resultantes do contato entre culturas diferentes. O crítico venezuelano indica criadores culturais como Alejo Carpentier que “manejam de um modo imprevisto e original as contribuições da modernidade” (p.213) ao mesmo tempo que resgatam expressões culturais regionais. Segundo Rama, Carpentier, “ao escutar as dissonâncias da música de Stravinski, descobre e valoriza os ritmos africanos que no povoado negro de Regla, perto de Havana, vinham sendo ouvidos há séculos sem que lhes prestassem atenção” (p.214). Nota-se aqui como a presença de traços de cultura popular em uma expressão artística conceituada torna problemática a divisão entre culturas popular e erudita, apontando, neste intercâmbio surpreendente de influências, o revigorar de uma tradição qualificada como regional.
Mostrar mais

10 Ler mais

Arte-educação e identidade cultural: um devir criança e o Cacuriá

Arte-educação e identidade cultural: um devir criança e o Cacuriá

influências dos negros, bem como dos europeus, transformou sobremaneira o cenário cultural nacional. Em nosso caso específico, as manifestações maranhenses passaram por um processo onde a mescla possibilitou que nos espaços da corrente popular, modificações substanciais se operassem, como por exemplo, o ritmo e a coreografia utilizados no ensejo das festas, tornando-as exuberantes devido a multiplicidade proporcionada pelos encontros. Como dissemos, há aí uma mistura de índios (estes que já são uma grande mistura), europeus (mistura mais complexa ainda) e negros (mais um punhado de misturas). Podemos tomar como exemplo, vivo e marcante desta influência, as mesclas: elencamos o maracatu, o bumba-meu-boi, o lundu, o cateretê, o jongo, o Cacuriá, o samba, entre outros, enquanto manifestações presentes na e da corrente popular. A cultura brasileira não cresceu como árvore, desenvolveu-se como rizoma. Um rizoma é diferente de uma árvore e de suas raízes, um rizoma conecta um ponto qualquer a outro ponto qualquer e cada um de seus traços não remete necessariamente a traços de mesma natureza. A cultura brasileira é um rizoma. Alguns dos instrumentos de percussão utilizados nos festejos culturais brasileiros, em suas mais diversas naturezas, são de origem africana: todos os tipos de percussão estilo “cilindro”, dos atabaques usados em religiões Afro-Brasileiras ao surdo e tamborim das baterias das escolas do samba, ao agogô e a cuíca.
Mostrar mais

53 Ler mais

A construção do corpo de Evita no romance Santa Evita, de Tomás Eloy Martínez

A construção do corpo de Evita no romance Santa Evita, de Tomás Eloy Martínez

Em Santa Evita, o corpo morto é um corpo de desejo. Ela está fixa em seu caixão, mas a sensualidade de seu corpo faz com que os homens, se apaixonem ao primeiro olhar e, em alguns casos, o corpo se converte num intenso objeto de desejo sexual para as personagens. Nesse sentido, o corpo embalsamado continua sendo uma deidade, mesmo para seus inimigos, pois se converte num objeto sexual e num objeto para apreciar, que, graças a seu estado de impotência, o homem pode manejar com total satisfação, ao mesmo tempo em que são, também, controlados por ele. Segundo Hall (2005), em termos freudianos, as teorias de nossas identidades, nossa sexualidade e a estrutura de nossos desejos são formados com base em processos psíquicos e simbólicos do inconsciente, que funcionam de acordo com uma “lógica” muito diferente daquela da lógica da Razão. Isto questiona o conceito do sujeito cognoscitivo e racional, provido de uma identidade fixa e unificada. Para começar a fazer a análise do corpo de desejo sexual, vamos considerar alguns trechos do romance com significados sexualmente explícitos, em que palavras e imagens são misturadas para formar um todo dedicado à atração que emanava da “Salvadora dos Pobres”, através de seu corpo embalsamado. Colocada nesse contexto, é difícil interpretar as imagens de Evita e seu corpo embalsamado simplesmente como representação de uma vítima, uma escrava sexual ou objeto transformado em fetiche.
Mostrar mais

171 Ler mais

A questão da cultura popular: as políticas culturais do centro popular de cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE).

A questão da cultura popular: as políticas culturais do centro popular de cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Portanto, vários são os problemas que emergem das abordagens que to- maram o “manifesto do CPC” como um fim em si mesmo, isto é, que não pro- curaram analisar a correspondência entre um suposto projeto estético e polí- tico elaborado por Carlos Estevam Martins e a produção artística veiculada pelo CPC. Um exemplo representativo dessa perspectiva de análise é a cole- ção O nacional e o popular na cultura brasileira, cujo primeiro volume, Semi- nários, escrito por Marilena Chauí, é o mais significativo entre os seis exem- plares publicados sob a coordenação do Núcleo de Estudos e Pesquisas da Fundação Nacional das Artes — Funarte. Marilena Chauí é perspicaz ao iden- tificar nos estudantes, artistas e intelectuais o público alvo do CPC. Entretan- to, uma educação política e estética voltada principalmente para a formação da própria intelectualidade não é entendida como um dos principais objeti- vos do CPC, mas como um “desvio” dos objetivos promulgados pela entida- de. Segundo a autora, “visto que ‘ser povo’ é uma ‘opção’, o ‘Manifesto’, dei- xando de lado o ‘povo’, entabula um diálogo inter pares com outros intelectuais e artistas”. 70
Mostrar mais

36 Ler mais

Representações da ciência e da tecnologia na literatura de cordel.

Representações da ciência e da tecnologia na literatura de cordel.

Além do seu potencial didático, de formação crítica e mudança de hábito, destacamos ainda o potencial da convergência da ciência e do cordel para maior aproximação entre as culturas popular e científica, de modo a contribuir para a construção de uma percepção social em que esses mundos aparentemente distantes estejam mais naturalmente integrados, sem um descaracterizar o outro. De um lado, o poeta que decide escrever sobre ciência se aproxima desse meio para reunir subsídios para a sua poesia. Nesse processo, é levado a refletir sobre diferentes aspectos relativos ao tema e registra seu ponto de vista sobre ele. Em alguns casos, se aproxima da comunidade científica e se sensibiliza com o movimento da popularização da ciência, como aconteceu com Gonçalo Ferreira da Silva. Do outro, o público leitor se depara com motes científicos, por vezes impenetráveis, de uma maneira saborosa, por meio de uma linguagem acessível e uma cadência contagiante. Nesse processo, transita pelo universo da ciência e do cordel sem precisar atravessar uma ponte.
Mostrar mais

21 Ler mais

RITOS DE PASSAGEM: UMA CARTOGRAFIA ANIMADA PARA O CORDEL

RITOS DE PASSAGEM: UMA CARTOGRAFIA ANIMADA PARA O CORDEL

Para esclarecer melhor essa condição de entrelaçamento textual sobre a transmissão da cultura popular, retomamos a tese de Bakhtin e Volochínov (2006) sobre o realismo grotesco no contexto fabuloso Rabelais, representante alegórico de um determinado tempo que para Bakhtin trata-se como um tempo cíclico, como que a vida biológica, comum, tempo que enfrenta todos os componentes da vida cotidiana. O romance de Rabelais traduz a estética da criação do cronotopo, tempo no espaço, tempo este dotado de vitalidade e criação inventiva, de ritos e espetáculos para deflagrar os desejos e vontades do velho mundo, que denominaremos aqui como a poesia cordelista. Fazendo uma (re)contextualização dessa defesa de Bakhtin, é no ato da morte do velho que o novo renasce em ato natural. Com essa representação da imagem rabelaisiana, podemos inferir que na ideia de cultura contemporânea preexiste a transmissão da oralidade.
Mostrar mais

19 Ler mais

Gênero e corpo na cultura brasileira.

Gênero e corpo na cultura brasileira.

Por outro lado, em 2004, dois jovens brasileiros morreram por usar anabolizantes bovinos. Um deles injetou um anabolizante usado ilegalmente na engorda rápida de gado. Policiais prenderam quatro jovens em Goiânia com 74 frascos de anabolizantes – alguns deles para uso animal. O material, fabricado na Argentina, seria vendido em academias de ginástica para praticantes de musculação. Um trabalho interessante sobre a obsessão masculina em responder a um ideal de ser homem, ancorado em um corpo musculoso, na performance sexual e no tama- nho do pênis, é O complexo de Adonis (Pope, Phillips & Olivardia, 2000). Seus autores afirmam que milhões de homens nos Estados Unidos estão sacrificando aspectos importantes de suas vidas para se exercitarem compulsivamente nas aca- demias. Milhões de dólares são gastos em suplementos alimentares e esteróides anabolizantes, que causam câncer, hepatite e outras doenças graves. Além destas drogas perigosas, os distúrbios alimentares são cada vez mais freqüentes neste uni- verso. Os autores revelam que mais de um milhão de norte-americanos, especial- mente adolescentes e meninos, desenvolveram o distúrbio dismórfico corporal, representado por uma preocupação excessiva com supostas falhas na aparência, como o tórax pequeno ou o pênis pequeno. Basta, segundo os autores, uma rápida olhada na internet para descobrir o exagero de técnicas de aumento de pênis hoje comercializadas, sendo a indústria do aumento do pênis uma parte significativa da crescente indústria da imagem corporal masculina, estimulando e aumentando as inseguranças dos homens a respeito dos seus corpos. O estudo destaca que estes homens, meninos e adolescentes, sofrem silenciosamente, em segredo, não con- versam sobre seus problemas, uma vez que, em nossa sociedade, os “homens de verdade” não devem demonstrar preocupação com a aparência, pois podem ser considerados afeminados ou gays.
Mostrar mais

16 Ler mais

REPOSITORIO INSTITUCIONAL DA UFOP: Corpo e movimento: corpo e cultura

REPOSITORIO INSTITUCIONAL DA UFOP: Corpo e movimento: corpo e cultura

O corpo ou o seu processo de “redescoberta” em ato, já nas últimas décadas do século XIX, influenciou também, de modo decisivo, muitas outras manifestações culturais que começavam a tomar vida. Em uma atmosfera atravessada por ideias evolucionistas, por um retorno idílico e concreto à natureza, por um corpo ressiginificado, dentre muitos outros elementos, surgiram importantes movimentos e iniciativas que configuraram os percursos futuros das práticas corporais. Foi então que ocorreram o renascimento dos Jogos Olímpicos (1894) e a celebração dos esportes modernos, bem como a afirmação dos métodos ginásticos como elemento integrante de um projeto político de educação, com dimensões físicas, morais, higiênicas e estéticas. Também naquele período surgiram o Escotismo (1906), na Inglaterra, e outros movimentos sociais, como o alemão Wandervögeln (“pássaros migradores”), que propunha o contato profundo com a natureza, através de práticas, como o nudismo, e de maior relação com campos, florestas e rios, um movimento que reivindicava uma reforma do ser humano a partir de inspiração nacionalista e burguesa.
Mostrar mais

148 Ler mais

Show all 10000 documents...

temas relacionados