Corpo e Escrita

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Corpo e escrita: linhas e entrelinhas da produção de conhecimento em sala de aula

Corpo e escrita: linhas e entrelinhas da produção de conhecimento em sala de aula

CORPO E ESCRITA: Linhas e entrelinhas da produção de conhecimento em sala de aula” trata-se de uma investigação etnográfica, com base em experiência vivenciada enquanto educadora da Escola Municipal Professor Amadeu Araújo, localizada na periferia do município de Natal-RN, a partir da qual são tecidas reflexões acerca dos textos escritos por alunos que apresentam distorção idade/nível de ensino, em processo de alfabetização. Apresentamos como objetivo inicial: discutir a produção escrita dos alunos como um processo corporal, considerando-se o registro das experiências vividas bem como as impressões por eles apresentadas, durante o processo pedagógico. Optamos inicialmente por uma concepção fenomenológica, com base em Merleau-Ponty e por uma compreensão de cognição corporalizada, por compreender o corpo em sua complexidade, como fenômeno que se concretiza a partir da sua relação com o mundo e com o Outro. Os registros analisados foram produzidos entre o ano de 2000 e 2005 envolvendo escritos de 106 alunos, constituindo um universo de 136 textos, a partir do qual, delimitamos um corpus de 27 textos. A relevância com relação à temática e a recorrência em que foram detectados constituíram-se em elementos que possibilitaram uma sistematização metodológica, definindo-se as seguintes unidades de análise: Corpo, escrita e cotidiano; corpo, escrita e sexualidade; corpo, escrita e fruição poética; corpo, escrita e outras histórias. Utilizamos como técnicas de pesquisa, a observação participante, com base nas ações e interações corporais manifestadas durante a experiência; a análise de documentos que consistiram nos textos dos alunos e em fontes secundárias, dentre estas, os registros dos diários de classe, relatórios e projetos desenvolvidos, bem como relatos da minha prática pedagógica, enquanto pesquisadora inserida no processo investigativo. A experiência desenvolvida evidenciou uma escrita escolar capaz de expressar nuances da complexidade humana, demonstrando que a aprendizagem se concretiza na ação corporal, transversalizada pelas diversas formas de linguagem e apontando para a relevância de um trabalho pedagógico capaz de articular o diálogo entre a escrita e as inscrições corporais dos alunos, enquanto sujeitos de aprendizagem.
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Corpo e escrita

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O romance O Deus das Pequenas Coisas, da escritora indiana Arundhati Roy (1997), enfoca os encontros e contatos de personagens que desafiam os dis- cursos autoritários e cujos corpos funcionam como fronteira de mediações culturais e sociais. Por meio da construção discursiva de personagens excluídas da estrutura social vigente, Roy cria um contexto de diálogos interculturais no qual o corpo se torna não apenas o mediador dessa interação, mas também o meio através do qual a transgressão de códigos culturais e sociais é intermediada. Os personagens de Roy, tanto os masculinos como os femininos, questionam a inscrição cultural do corpo. As questões de corporealidade adquirem, assim, um significado outro determinado por restrições e limitações sociais que, na narrativa de Roy, abre espaço para leitu- ras desestabilizadoras. Esse é, sobretudo, um romance sobre a resistência do e por meio do corpo, sobre as transgressões das leis naturais do amor que regem “quem pode amar quem”. A primeira lei do amor a ser transgredida é relacionada aos cos- tumes indianos baseados em pressupostos culturais, sociais e históricos. Ammu, a personagem central, comete o ato derradeiro de transgressão social ao se relacionar afetiva e sexualmente com Velutha, o intocável pária (o carpinteiro que é também o Deus das Pequenas Coisas) que trabalha para sua família. A rejeição de Ammu das leis do amor que regem a sociedade indiana estratificada em castas não é tolerada pela família e ela paga o preço com seu corpo e sua vida por meio da “histerização do corpo”, um conceito antigo usado para descrever estados de depressão e insanidade femininos diante das intolerâncias sociais, principalmente com relação à sexualida- de. Como a citação a seguir indica, a ordem dos acontecimentos na vida de Ammu segue a lógica perversa que acompanha a mulher transgressora:
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Espaço, corpo e escrita em Al Berto: á procura do vento num jardim d'agosto

Espaço, corpo e escrita em Al Berto: á procura do vento num jardim d'agosto

... neste jardim quente, há caminhos de junquilhos em papel que nos conduzem para além da paisagem circular ao jardim, há descaminhos também... estátuas d‟areia molhada povoam a relva sequiosa de sono/ flores felpudas em murmúrios de sol tímido, tecidos líquidos, manjares adolescentes/ o momento vindo, caímos da vagina ferida, tudo acorda com lentidão/ foi ontem, foi hoje que acariciei o ventre peludo duma árvore... foi amanhã, há dez anos, vinte, que a luz entrou no corpo em minúsculas partículas (...) nos lagos reflecte-se a expressão cansada d‟homens-vegetais, e, subitamente expande-se no sexo o licor espesso 135
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Corpo e escrita: a elaboração da AIDS em Caio Fernando Abreu e Hervé Guilbert

Corpo e escrita: a elaboração da AIDS em Caio Fernando Abreu e Hervé Guilbert

positivismo, a ciência tornou-se uma ferramenta indispensável para policiar os indivíduos e orientar seus comportamentos em âmbito público e privado. Nesse contexto, a sexualidade foi elencada como a principal fonte de perversões e distúrbios mentais. Caberia ao conhecimento científico analisar os hábitos sexuais e categorizá-los segundo padrões de moral e higiene. Em outras palavras, a ciência passou a reger a sexualidade. Hervé Guibert, no texto em questão, situa erostimo e ciência lado a lado. Ele elenca uma série de materiais clínicos que serão utilizados para analisar o corpo estirado na mesa, ocorre que, desta vez, a ciência está a serviço do erotismo, de modo que a sala de dissecção transforma-se num palco de fetiches. No lugar de remediar e controlar o prazer sexual, este ambiente médico o exacerba – entramos novamente no domínio do excesso e do performático. Do excesso porque o corpo se encontra naquele estado de paroxismo que nos fora anunciado na introdução, trata-se de um organismo que, apesar de sua aparência mórbida, está em ebulição. Cada etapa da autópsia traz a tona um novo espasmo ou um líquido que estava contido em suas entranhas: “À l'intérieur, dédales compliqués, poches à crever, membranes, souterrains, glottes anales. Le sentir défoncé, troué par le fer intrumental. Le faire dégorger, baver, cracher. L'entendre chier le sperme à toute gargouille, spasmodier” (GUIBERT, 2009, p. 17). Do performático porque há um evidente desejo em converter a experiência clínica numa experiência estética. O desafio é este: “Ne pas resssembler à une souris blanche, avoir de l'élégance jusque sur la tablette de liège” (GUIBERT, 2009, p. 17). O corpo é reafirmado como um espaço de criação artística, “j’ai le cul lyrique” (GUIBERT, 2009, p. 16), diz o narrador, enfatizando o fato de que seu corpo biológico, ao ser dramatizado, transforma-se em um corpo literário.
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Políticas e poéticas da transgressão: corpo e escrita em Ana Miranda, Arundhati Roy e Jeanette Winterson

Políticas e poéticas da transgressão: corpo e escrita em Ana Miranda, Arundhati Roy e Jeanette Winterson

Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais como requis[r]

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A escrita por imagens: as ilustrações literárias de Poty Lazzarotto para Corpo de Baile, de João Guimarães Rosa

A escrita por imagens: as ilustrações literárias de Poty Lazzarotto para Corpo de Baile, de João Guimarães Rosa

Sentara-se, naturalmente, diante de Iô Liodoro, na mesma cadeira. E tudo realizara de vezinha, tênuemente – como se temesse destruir um bom encanto. O que se sentia fruir, a mais, era o quieto agrado com que aquela noite recomeçava no ponto certo a anterior, como os momentos da vida sabiam bem emendar-se. (...) Ela compreendeu. Um tanto, atordoou-se, o sangue alargava-lhe o rosto, mas inclinou a cabeça, disfarçando. Iô Liodoro saia de seu caráter? – ela pensava. Tinha sido depois de um tempo, quando inutilmente conversavam. Iô Liodoro. Tomou-a de vista – foi súbito. Seus olhos intensos pousavam nela. Ela não temeu; se admirava. Sentia-o: o que nada havia a temer; e o quente de prazer que de seu corpo subiu provinha-lhe de saber-se em toda a segurança, bôa parte. (...) A voz dêle mudara, sôbre trim de titubeios, sob um esfôrço para não tiritar. (...) “Êle me espia com cobiça...” Seus olhos inteiravam-na (ROSA, 1956, p. 779-780).
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O corpo e as dificuldades de aprendizagem de leitura e escrita de escolares : entrelinhas com a psicomotricidade

O corpo e as dificuldades de aprendizagem de leitura e escrita de escolares : entrelinhas com a psicomotricidade

Quando liberadas para brincar, correram para brincar com o material, algumas crianças de forma isolada, tímidas, inibidas, retraídas, sem interagir com outros, então intervir-me no jogo para que os alunos se soltassem deixando meu corpo disponível, porém a maioria dos meninos preferiu fazer seu jogo individualizado, não permitindo que eu fizesse parte do seu jogo. Percebi que um aluno estava muito passivo e tímido no seu espaço, enquanto os outros corriam pelo espaço arremessando a bola, outra hora chutando, mas em todo tempo estavam em movimento com seu corpo. Busquei jogar bola com o aluno que estava isolado, com intuito de ele se movimentar, então apareceram mais dois alunos que se juntaram a nós, contudo o discente permitiu a brincadeira dentro do seu espaço, sem muitos movimentos, ou seja, parado no mesmo lugar.
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Corpo – escrita no balé: para repensar o corpo doce da bailarina da caixinha de música em uma pesquisa em educação e arte

Corpo – escrita no balé: para repensar o corpo doce da bailarina da caixinha de música em uma pesquisa em educação e arte

Esta pesquisa busca pensar, por meio do corpo-escrita, questões referentes aos papéis de gênero construídos no mundo do balé, mais especificamente ao corpo edificado para a bailarina clássica ao longo do tempo. O corpo-escrita é um texto que a bailarina escreve com os movimentos de seu corpo, tecendo tramas corporais subjetivas que são capturadas pelo olhar do expectador, estabelecendo assim, um jogo vivencial sensível e potente de criações. Como as mulheres predominam na prática do balé seu corpo foi representado por meio das relações de poder estabelecidas pela sociedade e pela cultura. A fim de possibilitar uma problematização e uma maior aproximação do balé com os assuntos da contemporaneidade, foi proposto um processo de criação coletiva para as doze bailarinas e para o bailarino da Royale Companhia de Dança sobre a temática “mulheres na ditadura militar brasileira” a fim de investigar questões relativas aos papéis de gênero e propiciar reflexões referentes ao empoderamento feminino. Tendo a autoetnografia como suporte na caminhada, foram realizadas, de março a novembro de 2016, pelas bailarinas e pelo bailarino pesquisas bibliográficas sobre a temática, exposições e discussões de filmes, bem como oficinas de criação que originaram o espetáculo #emmemoriadelas, apresentado em dezembro no Theatro Treze de Maio, na cidade de Santa Maria-RS. Todo o processo foi registrado por meio de anotações no diário de campo, fotografias e filmagem do referido espetáculo. Então, pode-se concluir que, no contexto proposto pela pesquisa e pelos relatos alcançados, as ações artísticas e educativas desenvolvidas pela ONG Royale Escola de Dança e Integração Social propiciaram, por meio do processo de criação coletiva do espetáculo #emmemoriadelas, o empoderamento feminino no balé, contradizendo o corpo doce da bailarina da caixinha de música e pontuando novos caminhos para a educação e para a arte.
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Dança: escrita metafórica do corpo como linguagem que traz a memória traçada

Dança: escrita metafórica do corpo como linguagem que traz a memória traçada

Como destaque para os entendimentos e usos de linguagem, que neste artigo se propõem pensar, selecionamos duas compreensões: a primeira trata de linguagem (em grifo) e está relacionada a qualquer manifestação de linguagem, seja em sua forma verbal ou não verbal (texto, fala, dança, pintura, música), estendendo-se, ainda, para a linguagem não humana (linguagens dos pássaros, por exemplo) e de todo e qualquer “objeto bio- lógico”. (DAWKINS, 2001) A arquitetura de um prédio, a cidade, uma praça, uma cabana, o cenário e o figurino de uma dança evidenciam mo- dos de linguagem e denotam a presença humana. Por isso, a partir de Richard Dawkins, os consideramos “objetos biológicos”. Como segunda compreensão temos linguagem (sem grifo) e se refere a sua forma ver- bal. A noção que apresentamos é a que a escrita metafórica do corpo na dança é uma operação que envolve a linguagem verbal e a linguagem não verbal e muitas outras linguagens (gestos, sensações, emoções, movi- mentos). Dessa forma, não é nosso objetivo estabelecer uma relação inter ou transdisciplinar ou comparativa entre dança, linguagem e linguagem, mas buscar compreensões sobre as mesmas lá de onde emergiram, na- quilo do qual emergiram: o corpo, ou seja, o corpo em movimento.
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Inscrição do espaço-corpo na escrita: o território fronteiriço de Assionara Souza

Inscrição do espaço-corpo na escrita: o território fronteiriço de Assionara Souza

Na rua: a caminho do circo (2015), seu quarto livro e principal objeto de estudo desta pesquisa, apresenta 86 minicontos entrelaçados pelos espaços. Sob o contexto da montagem de um circo, Assionara apresenta diversos personagens em espaços distintos – a casa, a calçada, a kitinet, o Sebo Confraria, o Café Subúrbia, a Panificadora Exemplar, o circo etc. –, num emaranhado de entrelaces incômodos. No miniconto “Atrás da vidraça” (SOUZA, 2015, p. 64), por exemplo, há a relação espaço-corpo num contrabalanço psicológico e poético: o personagem, “corpo sem corpo”, faz o trajeto até a farmácia, como se em redoma atrás de uma vitrine abafada, e num sufoco sente falta de ar.
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O corpo-escrita de Agda: prelúdios niilistas em Hilda Hilst

O corpo-escrita de Agda: prelúdios niilistas em Hilda Hilst

à sua matéria já gasta elementos revigorantes, detentores dos alabastros da beleza que possam deter o processo de ruína ou de coisificação do discurso. Alguns elementos de vitalidade são anexados ao discurso gasto. Porém, essa tentativa, uma tentativa de mascaramento, encobre somente por alguns instantes o desgaste do discurso, que é a extensão do corpo-velho de Agda: “você pode me fazer a bainha desta saia? E se der tempo coloca um friso dourado aqui, olha já comprei, fica bem não é?” (p. 18). O processo inicial de renovação do discurso dá-se em pequenas estruturas do corpo da escrita. E se notarmos bem, o início do processo está no adorno, no enfeite, e não na modificação do corpo. E se o corpo da personagem não se modifica, o processo de coisificação do discurso não para, posto que ainda teremos o processo de desgaste. É necessário o abandono completo dos valores anti- gos: a perda do tempo, a perda de pessoas próximas e a perda das memórias antigas. O primeiro texto deverá ruir para que dessas ruínas nasça o segun- do texto, “pois não se pode construir o universo sem ter a possibilidade de destruí-lo.” (BLANCHOT, 2007, p. 107)
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As inscrições de um corpo – considerações sobre uma Oficina de Escrita com toxicômanos num centro de recuperação.

As inscrições de um corpo – considerações sobre uma Oficina de Escrita com toxicômanos num centro de recuperação.

Como vimos, na nossa cultura as formações imaginárias são predominantes, produzindo sujeitos alienados que dispensam o pensamento e a construção de uma significação para a sua condição subjetiva, para o seu conflito psíquico. Diante disso, a Oficina de Escrita se apresentou como uma forma de construção de narrativas que elaborassem algum sentido para o lugar desses sujeitos. Assim, as maneiras de contar, de procurar dar significações aos atos, são formas de construirmos um lugar num espaço e tempo. Isso não é algo natural, é uma construção que se coloca desde que os humanos se movimentam no mundo da linguagem. As narrativas são formas organizadoras da experiência humana e, em cada tempo, apresentam especificidades próprias. Se a toxicomania pode ser pensada como um ato de alienação, uma vez que não produz pensamento e sentido, a escrita é uma forma de construção de uma significação para essa experiência em que um sujeito fala, e não uma droga! Se vivemos um momento em que não há um sentido a priori que legitime as experiências do sujeito, é necessário criar lugares onde se construam sentidos para os atos. Para isso, é imprescindível romper as fronteiras da instância íntima, entendendo que o conflito que ali opera nada mais é do que produto e representante dos conflitos de uma cultura.
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O Apocalipse da escrita em  A fúria do corpo , de João Gilberto Noll

O Apocalipse da escrita em A fúria do corpo , de João Gilberto Noll

Na sua miserável errância pelas ruas da Cidade, o nar- rador se mostra ciente da possibilidade da chegada do dia do descanso final, porém, intenta que a sua realização so- mente se dará no porvir. Entre o seu momento presente e a estabilização tão ansiada por ele e sua companheira, há o movimento constante e inclemente imposto pela escrita, ao qual, por fim, eles não poderão renunciar. Pois, além do espaço no qual se desenrola a ação do enredo, a cidade da obra, marcada com maiúscula, é a Cidade, personagem que interfere no desenrolar da narrativa, sujeitando todos os outros personagens às condições impostas na vivência do mundo urbano. Espaço literário que é a própria expressão da linguagem, a Cidade toma corpo e se desenvolve à re- velia da voz elaboradora do narrador, propiciando o ritmo errante e frenético da narrativa, com seu entrecortado de ruas e movimento intenso.
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Escrita e escuta de corpo inteiro: a lalíngua de água viva

Escrita e escuta de corpo inteiro: a lalíngua de água viva

Rosa é a flor feminina que se dá toda e tanto que para ela só resta a alegria de se ter dado. Seu perfume é mistério doido. Quando profundamente aspirada toca no fundo íntimo do coração e deixa o interior do corpo inteiro perfumado. O modo de ela se abrir em mulher é belíssimo. As pétalas têm gosto bom na boca – é só experimentar. (...) As encarnadas são de grande sensualidade. As brancas são a paz do Deus. É muito raro encontrar na casa de flores rosas brancas. As amarelas são de um alarme alegre. As cor-de-rosa são em geral mais carnudas e têm a cor por excelência. As alaranjadas são produto de enxerto e são sexualmente atraentes.
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O corpo na escrita diarística de Lúcio Cardoso e Walmir Ayala

O corpo na escrita diarística de Lúcio Cardoso e Walmir Ayala

O sexo como hábito, como prática higienista, dentro de uma rotina e da normalida- de não interessa mais ao diarista, para ele valeria mais o sexo pelo sexo – esse mesmo que anteriormente mostrei que ele relegava a um segundo plano –, o sexo como uma “posição sem leis”, libertina. Uma posição um tanto dúbia – e faz parte da escrita dia- rística, sobretudo aquela mantida durante muitos anos a fi o, a mudança de opinião sobre um determinado assunto –, mas que encontra eco num outro trecho do diário, em que Cardoso parece não estar tão disposto a renunciar à carne: “Não importa que uma dialética trágica e destruidora pareça associar-se tão frequentemente à vida sexual. A carne é coisa a que não se renuncia. Deve-se arriscar o corpo também e não apenas o es- pírito. Não me importa o que acontecer. Tudo será apenas “consequência”.” (CARDOSO, 2012, p. 104, s.d.). No lugar da renúncia, nessa entrada domina o convite a ousar não somente através do espírito, mas também do corpo, pouco importando o preço a pagar por esse ato. Para Lúcio Cardoso, em síntese, a posição dominante é a de que o sexo só serve se vem acompanhado de algo mais elevado, que sirva a um apuramento da experiência do sujeito. O sexo e a sexualidade interessam pouco à escrita, melhor é que permaneçam na esfera íntima e que cedam lugar a assuntos considerados, senão mais nobres, de maior interesse para a posteridade e para a constituição de um perfi l de intelectual. Esse é um claro compromisso com a ideia, sobre a qual tratei anteriormen- te, de que há, entre os escritores contemporâneos, uma grande preocupação de que a sexualidade não esteja presente de forma gratuita na escrita autobiográfi ca, que seja justifi cada e legitimada por sua participação num tipo de experiência mais elevada, que contribua para a composição da identidade do sujeito que escreve. Desse modo, não é de se estranhar a ausência de grandes incursões por uma escrita da sexualidade por parte de Cardoso, talvez ele o fi zesse se julgasse que houvesse algo signifi cativo a contar. Como parece não haver algo que se adeque a seus modelos, o diarista desenvol- ve no lugar disso sua teoria de que o sexo por si mesmo é algo inferior e que é melhor que não seja mencionado. Por outro lado, tudo isso pode ser também motivado por uma impossibilidade de comunicar por escrito suas experiências sexuais. Se a relação afetiva entre duas pessoas do mesmo sexo já choca, o que se diria no Brasil dos anos de 1950 e 1960 sobre descrições bastante plásticas de suas relações físicas? Nesse ponto, pode-se pensar também numa possível tentativa, ainda que não declarada, de retirar a atenção da relação homossexual concebida apenas como física, já que paira sobre o ho- mossexual um espectro de imoralidade. Calar-se sobre certos aspectos sobre os quais há expectativa é, em certa medida, uma tentativa de mudar essa imagem, de ampliar a forma como o senso comum concebe as relações homoeróticas.
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As mulheres na escrita dos homens: representações  de corpo e gênero na imprensa do Recife nos anos vinte.

As mulheres na escrita dos homens: representações de corpo e gênero na imprensa do Recife nos anos vinte.

Portanto, analisando todas essas questões, este trabalho pretendeu entender a interferência da imprensa na construção de uma pretensa feminilidade considerada moderna. O corpo, representado lado a lado com o gênero, apresentou- se em muitos casos como uma linguagem, procurando emitir entendimentos do feminino e do masculino. Um corpo construído como forte, ágil, flexível para responder não apenas aos ideais estéticos da publicidade e do cinema, mas para colaborar na construção de uma nação que se desejava saudável e fértil. Porém, médicos e políticos investiram não apenas em discursos sobre os corpos de homens e mulheres, mas procuraram instituir leis, como a obrigatoriedade do exame médico pré-nupcial, como forma de atingirem seus objetivos. Entendemos que essa história do corpo – nesse trabalho apontamos só alguns fragmentos- deve estar articulada com a história da medicina e com uma história cultural do corpo, analisando e comparando representações, mas, além disso, políticas públicas e práticas médicas. Compreendermos nesse trabalho que as descobertas sobre o corpo e sobre as representações em torno dos corpos de homens e mulheres nos conduzem por valores e práticas algumas vezes desconhecidos, mas, no mais das vezes, por entendimentos tão atuais e presentes no nosso cotidiano que nem imaginávamos construídos socialmente.
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Explorando o (in)visível e uma possível cegueira: um corpo e uma escrita abertos à uma educação estética

Explorando o (in)visível e uma possível cegueira: um corpo e uma escrita abertos à uma educação estética

da unidade, diminuindo o espaço entre um eu superior e um eu inferior. Na Índia, o yoga está nas tradições há mais de 6.500 anos a.C. as quais o definem como um caminho que se abre diante de nós na busca de nossa verdadeira natureza. Sua origem histórica pode ser verificada em escrituras antigas como Yoga Sutra, Bhagavad Gita, Katha Upanishad e na tradição védica (Rg Veda, Sama Veda, Atharva Veda e Yajur Veda), sendo também um dos seis sistemas ortodoxos da filosofia hindu. Tais definições podem soar estranhas a nós, ocidentais. Yoga é uma ciência e filosofia do oriente que tentamos assimilar com nossos valores ocidentais os quais, às vezes, reduzem o yoga como religião ou algo místico, ou, ainda, apenas a uma prática de posturas físicas. Ao pensarmos em yoga nos vem à cabeça apenas as posturas (asanas) que são executadas e o alongamento intenso que elas podem proporcionar ao corpo do praticante. Na realidade, uma prática de yoga atua na mente e no corpo por meio do equilibrio dos centros de energia (chakras) localizados ao longo de nosso corpo sutil e que estão ligados cada um a uma glândula de nosso corpo físico. Assim, os benefícios do yoga estão associados à saúde física e mental, sendo recomendado até mesmo em tratamentos médicos. O yoga mostra-nos que somos mais do que um corpo e que devemos ter consciência disto.
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A IMAGEM DO CORPO E A ESCRITA DA IDENTIDADE: A RELAÇÃO ENTRE CORPORALIDADE E AUTORIA FEMININA  NA OBRA DE ELIANE BRUM

A IMAGEM DO CORPO E A ESCRITA DA IDENTIDADE: A RELAÇÃO ENTRE CORPORALIDADE E AUTORIA FEMININA NA OBRA DE ELIANE BRUM

Em seus textos, Eliane Brum constrói uma narrativa que desafia os modelos tradicionais do jornalismo e da própria literatura. Em muitos deles, encontramos personagens e cenários emergindo pela voz autoral da jornalista, como é o caso dos textos publicados em A menina quebrada (2013), nos quais a autora se coloca a narrar suas próprias experiências, marcando sua posição em relação aos temas abordados. Na apresentação da obra, que denominou de “Um percurso de des(identidades)”, a jornalista conta que escreve “porque a vida me dói, porque não seria capaz de viver sem transformar dor em palavra escrita. Mas também não é só dor que vejo no mundo. É também delicadeza” (BRUM, 2013, p. 13). Dentre os mais de sessenta textos que compõem a obra, publicados originalmente no site da jornalista entre junho de 2009 e janeiro de 2013, muitos dos quais sobre questões de gênero, tomamos para análise “Por que a imagem da vagina provoca horror?”, publicado em 18 de junho de 2012. Nele, a partir do relato da reação de horror da sua faxineira diante de uma reprodução da obra A origem do mundo, do pintor francês Gustave Courbet, Eliane passa a problematizar não apenas a sua posição a respeito do assunto, como também, nas entrelinhas, instaura uma discussão mais profunda acerca das relações entre o corpo e a condição feminina.
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A Fúria do Corpo, de João Gilberto Noll, sob o Signo da Santíssima Trindade: Errância, Sexo e Escrita

A Fúria do Corpo, de João Gilberto Noll, sob o Signo da Santíssima Trindade: Errância, Sexo e Escrita

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O corpo que escreve: considerações conceituais sobre aquisição da escrita.

O corpo que escreve: considerações conceituais sobre aquisição da escrita.

Tiriba (2008), em seus estudos baseados em Foucault e Maturana sobre o papel do corpo dentro da escola, traz o questionamento de como a escola tem tentado controlar o corpo das crianças, muitas vezes impedindo-as de se expressar e fazer suas próprias leituras e escritas de mundo. A respeito disso, a autora discorre sobre as filas, a forma de sentar-se hegemonicamente correta, a necessidade de higienizar o corpo, a distribuição do tempo escolar e as diversas práticas em sala de aula que impõem e padronizam a forma como esse corpo deve se revelar, modelando a subjetividade.
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