Crianças negras

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PRECONCEITO RACIAL EM FOCO: UMA ANÁLISE DAS RELAÇÕES ESTABELECIDAS ENTRE CRIANÇAS NEGRAS E NÃO NEGRAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

PRECONCEITO RACIAL EM FOCO: UMA ANÁLISE DAS RELAÇÕES ESTABELECIDAS ENTRE CRIANÇAS NEGRAS E NÃO NEGRAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

e as crianças de quatro e seis anos em uma creche municipal em São Paulo. A autora analisa a formação do corpo docente, o pertencimento étnico das profissionais que atuam com as crianças e como estas veem seus alunos negros e os tratam durante as atividades em sala e no parque. Identifica que o silenciamento é uma postura adotada pelas profissionais que, diante de conflitos nos quais o componente raça é evidenciado, calam-se, desviando a atenção dos alunos para outra situação. Utilizou referências diversas, dentre elas o conceito de preconceito de Crochík. A pesquisa teve como proposição analisar o tratamento entre as crianças e a autora percebeu que a etnia é elemento evidenciado em momentos de conflitos, e há por parte de algumas crianças brancas um sentimento de superioridade sobre as negras. Cavalleiro (1998) propôs pesquisa qualitativa e observou três turmas de crianças de quatro a seis anos e suas professoras durante as diversas atividades do cotidiano escolar, em um período de oito meses. Na busca de identificar as características da socialização ocorrida entre as crianças, da presença ou não de preconceito nessa relação, procurou analisar a função da família nesse processo e verificou que esta geralmente também se cala frente ao preconceito sofrido pelos filhos e os acarinha com o objetivo de minimizar “dores”. Concluiu, ainda, que as crianças brancas demonstram sentimento de superioridade em relação às negras, como já destacado, e que em momento de conflitos utilizam as diferenças étnicas como forma de ofensa. Por fim, identificou que as professoras tratam as crianças negras com diferença: o contato físico e afetivo é menor e, em muitos momentos, se calam diante das ofensas relacionadas à cor da pele, talvez por não saber o que fazer ao ver uma criança branca tratando a negra de forma ofensiva ou por acreditarem que é importante não fomentar mais problemas na sala de aula. O silêncio é a forma encontrada por brancos e negros de ignorar ações racistas permeadas de vergonha, sentimento de inferioridade e dor para as crianças negras.
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Educação jesuítica e crianças negras no Brasil colonial

Educação jesuítica e crianças negras no Brasil colonial

de propriedade da Companhia de Jesus, nos quais as crianças negras prepara- vam-se para a catequese. O princípio educativo que embasava as atividades pedagógicas desses colégios do bê-á- bá estava consubstanciado no famoso Ratio studiorum. A sua característica fun- damental era a organização de um pro- cesso de ensino-aprendizagem fundado na concepção mnemônica do ensino. Podemos perceber tal princípio educa- tivo na parte destinada às "Regras co- muns aos professores das classes inferi- ores". Neste caso, dois exemplos são ilustrativos: a "Regra nº 19 – Exercício de memória" recomendava que "os alunos re- citem as lições de cor aos decuriões (...). Aos sábados recite-se em público o que foi aprendido de cor numa ou várias se- manas; terminado um livro, poderão esco- lher-se alguns que da cátedra o recitem desde o princípio, não sem prêmio". Já a "Regra nº 25 – Repetição" não deixava dúvidas quanto ao processo de estu- do dos alunos para as aulas subse- qüentes: "do mesmo modo faça-se a repetição da lição do dia e da véspera" (Companhia de Jesus, 1952, p. 184-185).
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As crianças negras vistas pela sociologia da infância no brasil: uma revisão de literatura

As crianças negras vistas pela sociologia da infância no brasil: uma revisão de literatura

Este artigo analisa as dissertações e teses relacionadas as pesquisas sobre crianças negras e relações raciais através de levantamento realizado na base de dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD-ibicit) e em sites de congressos: Congresso de Pesquisadores/as Negros/as – COPENE, entre outros. Escolhemos os estudos com crianças de até seis anos de idade e catalogamos nesse levanta- mento as produções acadêmicas relacionadas ao tema que envolvem crianças negras e relações raciais pro- duzidas no Brasil a partir da década 1990 até o ano de 2015. A partir da pesquisa realizada é possível afirmar que, ainda de maneira tímida, a junção destas áreas vem ganhando algum espaço, não sem tensão e críti- ca, críticas estas produzidas a partir de questões como a categoria idade, as relações de poder e a interseccio- nalidade.
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Cultura negra na sala de aula: pode um cantinho de africanidades elevar a auto-estima de crianças negras e melhorar o relacionamento entre crianças negras e brancas?

Cultura negra na sala de aula: pode um cantinho de africanidades elevar a auto-estima de crianças negras e melhorar o relacionamento entre crianças negras e brancas?

Santos I. (2001) enfatiza, e a intervenção realizada nesta pesquisa mostrou, que o racismo deixa de ser um problema do discriminado para se tornar um problema de todos, assim, tratar a discriminação racial na escola não significa de modo algum, ajudar a criança negra a ser forte para suportar o racismo, numa tentativa de superar problemas de auto-estima, a pretensão do trabalho foi permitir que as crianças negras e brancas se conhecessem e instaurassem novas formas de relação e pudessem, dessa forma, construir uma imagem positiva de si mesma e das outras pessoas. Neste sentido, o Cantinho de Africanidades trouxe influências positivas no que diz respeito à identidade e auto-estima das crianças brancas, na medida em que passaram a dar demonstrações que não mais se sentiam superiores e melhores que as negras e essas, a não sentirem-se desvalorizadas e inferiores. E assim, uns e outros passaram, gradativamente, a entender que a igualdade requer ter reconhecidas e valorizadas o que uns e outros tem de diferente.
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Comunidades de aprendizagem: contribuições da perspectiva dialógica para a construção positiva das identidades das crianças negras na escola

Comunidades de aprendizagem: contribuições da perspectiva dialógica para a construção positiva das identidades das crianças negras na escola

A presente pesquisa, intitulada Comunidades de Aprendizagem: contribuições da perspectiva dialógica para a construção positiva das identidades das crianças negras na escola, foi dedicada a compreender, a partir da perspectiva dialógica, quais práticas de sala de aula contribuem para a constituição positiva das crianças negras e o respeito às diferenças e quais práticas precisam ser superadas do ponto de vista da professora da sala investigada, das crianças e dos seus familiares. Nesse sentido, traçamos como objetivos: sistematizar os conceitos de identidade e de diversidade na perspectiva dialógica; investigar quais subsídios a professora possuía para lidar com a questão da diversidade, bem como entender como a diversidade étnica e racial são percebidas pela professora, crianças e familiares; e compreender a partir das falas da professora e das coordenadoras da escola como a proposta de Comunidades de Aprendizagem e sua base teórica contribuem para a construção positiva das identidades. Para atender a tais objetivos, pautamos- nos nas bases teóricas que regem a proposta de Comunidades de Aprendizagem, cuja abordagem centra-se na ação comunicativa de Habermas e na dialogicidade de Freire, bem como toma como princípio orientador das suas ações a aprendizagem dialógica, desenvolvida por Flecha. Além destes autores, tomamos como base outros/as teóricos/as da sociologia e da antropologia que nos ajudaram a compreender a questão das relações étnicas e raciais. Pautamo-nos, ainda, em autores/as do Centro Especial de Investigação em Teorias e Práticas Superadoras de Desigualdades (CREA) e do Núcleo de Investigação e Ação Social e Educativa (NIASE), uma vez que tais grupos de pesquisa desenvolvem trabalhos com base na perspectiva dialógica. Comunidades de Aprendizagem é uma proposta que surgiu de experiências vivenciadas na Espanha
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Crianças negras entre a assimilação e a negritude

Crianças negras entre a assimilação e a negritude

cultura de seus grupos originários. Enquanto isso, os movimentos sociais - notadamente Movimento Negro, dos Povos Indígenas, dos Sem-Terra – lutam para que a escola participe da reapropria- ção da sua cultura, situada na sua história. Entretanto, professo- res, gestores de escolas, secretarias de educação ainda não conse- guem, ou não se dispuseram a deles se aproximar, de maneira a organizarem formas de colaboração. Essa distância tem levado a que se avalie o insucesso escolar de muitas crianças negras, erra- damente, atribuindo-o desde a falta de preparo, capacidade, até à falta de acesso a livros, jogos eletrônicos, passeios, viagens. A falta de diálogo entre escola, famílias, comunidades, movimentos sociais tem levado a imaginar equivocadamente que as vivências de crianças negras fora da escola muito pouco ou em nada podem contribuir para aprendizagens escolares 13 .
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O estigma da raça: crianças negras, educação básica e racismo

O estigma da raça: crianças negras, educação básica e racismo

branco é o que as crianças [nossos estudantes/sujeitos] passam a reivindicar para si na ausência de uma identidade que as possa fortalecer. Muitas outras questões derivam dessa situação como as de identidade, pertencimento e as lutas de libertação. Contudo, uma questão nos interessa em especial para este artigo e perpassa o nosso foco específico da persistência da discriminação e do preconceito na nossa sociedade: como num círculo vicioso, a alienação do negro brasileiro devido à inferiorização de sua cultura Expropriada, ela faz parte da cultura nacional – pertence a todos os brasileiros, brancos e não brancos – e da própria ideologia nacional dominante, cuja retórica oficial se expressa através das próprias contribuições negras no Brasil, para negar a existência do racismo e reafirmar a proclamada democracia racial (MUNANGA, 2009, p. 18).
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Crianças negras na história: Fontes e discursos sobre a breve infância permitida pelo escravismo oitocentista brasileiro

Crianças negras na história: Fontes e discursos sobre a breve infância permitida pelo escravismo oitocentista brasileiro

Debret (...) disse que as crianças cativas, até os seis anos, viviam na tal igualdade familiar. E, como Graham, acha- va que a maneira como na casa senhorial se tratavam as crianças cativas, à semelhança de membros da família, de iguais, findava por estragá-las para a escravidão. Eram dei- xadas livres nos primeiros anos, “a comer, beber e correr”. É fácil perceber como os dois europeus tinham dificuldade em compreender realmente o que se passava na vida das crianças escravas. Afinal, pode-se comer e beber de muitos modos, assim como se pode correr de muitas coisas. De todo modo, eles chamaram a atenção para o papel cumpri- do pela infância no escravo adulto que conheceram. Todo crioulo havia sido uma criança escrava, e uma infância escravizada produzia um adulto peculiar (FLORENTINO; GÓES, 2005, p. 220).
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A escolarização de crianças negras paulistas (1920-1940)

A escolarização de crianças negras paulistas (1920-1940)

Com base nos jornais da imprensa negra paulista, que tratavam das aspirações por educação e instrução profissional, nas pesquisas etnológicas realizadas pelo Departamento de Cultura da[r]

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Pobreza, raça e cor da pele: Percepções e relações entre crianças nos espaços escolares

Pobreza, raça e cor da pele: Percepções e relações entre crianças nos espaços escolares

Apresentam-se resultados de pesquisa cujo objetivo foi analisar o que falavam e como agiam menino(a)s pobres e/ou negro(a)s acerca do tratamento desigual, modelado por dis- criminações através de chacotas, xingamentos, apelidos depreciativos, separações, entre outros, vivenciados na escola. Essas crianças eram aluno(a)s do 5º ano do ensino funda- mental, em uma escola pública localizada em cidade de médio porte, no interior do Estado de São Paulo. Visou-se a empreender uma análise das práticas de diferenciação de classe e raciais que hierarquizam, discriminam e excluem determinadas crianças, realizadas por adultos e/ou pelas próprias crianças. O estudo, do tipo etnográfico, fez uso de relatos, de questionário sobre denominação e classificação de cor/raça, respondido pelas crianças em sala de aula, levantamento socioeconômico, observações das relações vivenciadas em dife- rentes ambientes da escola e de entrevista semiestruturada com as crianças e professora. Entre outros resultados, confirmou-se que as crianças negras, pretas e pardas, pobres e com história de fracasso escolar sofrem maiores discriminações na escola, por parte da professora e das demais crianças. Além disso, constatou-se que mesmo entre aquelas que são pobres e/ou negras, ocorre a construção de fronteiras para a distinção que cada um faz de si em relação aos demais. Portanto, a pesquisa proporcionou reconhecer a diversidade de posições em relação ao reconhecimento que fazem quanto a sua identificação de raça e classe. Ao verificarmos como as ações das crianças são mediadas pelas práticas educativas escolares, defendemos que em tais espaços sejam constituídas as condições de possibilida- de para que elas possam falar – e serem ouvidas – sobre as suas dúvidas e desejos, sobre o que fazem e por que razões o fazem, nas relações entre elas. Enfim, proporcionar emergir suas curiosidades, imaginação e inventividade para, quem sabe, ver irromper algo novo em nosso mundo que prima pelo inacabamento.
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GRITOS SEM PALAVRAS: RESISTÊNCIAS DAS CRIANÇAS PEQUENININHAS NEGRAS FRENTE AO RACISMO.

GRITOS SEM PALAVRAS: RESISTÊNCIAS DAS CRIANÇAS PEQUENININHAS NEGRAS FRENTE AO RACISMO.

Dandara e as outras crianças negras gritavam cotidianamente suas insatisfações frente aos processos de discriminação racistas, contudo, a colonização adultocêntrica tenta impedir que percebamos as resistências à racialização. Muitas vezes acreditamos que um choro possa somente expressar a vontade de dormir de um menino pequenininho ou uma menina pequenininha, ou mesmo uma pequena rebeldia desnecessária, ao invés de representar uma insatisfação frente a uma ação racista que a toca. O adultocentrismo não permite olhar e ouvir o que as crianças pequenininhas querem nos transmitir, nos deixando amarrados em padrões de linguagens e de comportamentos que muitas vezes não correspondem à “intempestividade” da própria infância. Dentro desse contexto, as culturas infantis são fetichizadas como meros elementos reprodutores do mundo adulto, e a infância se torna assim um espaço de simples cópia, destituído da possibilidade de produção de cultura e ressignificação do mundo.
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EDUCAÇÃO E RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS EM UMA TURMA DO 5º ANO DE UMA ESCOLA MUNICIPAL DE ITAPETINGA-BA: O QUE DIZEM AS CRIANÇAS?

EDUCAÇÃO E RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS EM UMA TURMA DO 5º ANO DE UMA ESCOLA MUNICIPAL DE ITAPETINGA-BA: O QUE DIZEM AS CRIANÇAS?

Queremos ressaltar outros aspectos revelados por essa pesquisa, também discutidos por outras pesquisadoras como Gaudio e Rocha (2013), Trinidad (2011), Cavalleiro (2014) e Fazzi (2006). As interações entre as crianças são mediadas por concepções hegemônicas de beleza, que se expressam em um ideal de corpo magro, branco e cabelos lisos. As crianças, tanto brancas quanto negras, ao indicarem os padrões de beleza hegemônicos na nossa sociedade, expressaram falas e atitudes de negação em relação às características físicas das crianças negras. É nesse sentido que as crianças negras recalcam suas identidades; por outro lado, as crianças brancas constroem para si uma ideia de superioridade racial. Contudo, esse processo de “captura” não ocorre de forma total, na medida em que as crianças reagem a ele: através das brigas, dos xingamentos, calando-se, “inventando” novos corpos (pintando o cabelo, alisando-o, etc.), mas sempre resistindo.
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Efeitos do racismo da trajetória escolar de crianças: uma revisão sistemática

Efeitos do racismo da trajetória escolar de crianças: uma revisão sistemática

Todas estas discussões demandam uma reflexão séria a ser realizada pelas escolas, desde cedo, dado o papel crucial que desempenham na construção das identidades, da socialização e do desenvolvimento das crianças. São necessárias e urgentes intervenções na escola destinadas a melhorar o bem-estar e o contato entre as crianças e os professores, motivando atitudes positivas em relação à diversidade e diferença, visando à redução do racismo e do preconceito na escola. É fundamental o fortalecimento da construção positiva da identidade das crianças negras, a partir do rompimento com os ideais e padrões de branquitude. Para isso, é preciso fornecer aos professores e aos alunos informações sobre as características culturais dos distintos grupos e sobre as bases do racismo. É essencial ter atenção à implementação da Lei nº 10.639/03 e ampliar o alcance de seus efeitos para outros grupos vulneráveis. Estudos futuros de revisões podem centrar-se na forma como as escolas já vêm atuando e construindo estratégias de redução do racismo.
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Autoconceito de Crianças Quilombolas: Por entre as vozes das avós e dos/as professores/as

Autoconceito de Crianças Quilombolas: Por entre as vozes das avós e dos/as professores/as

Este artigo tem como objetivo investigar sobre a constituição do autoconceito de crianças negras moradoras do quilombo Toca de Santa Cruz, localizado no município de Paulo Lo- pes/SC, Brasil. Para a obtenção dos dados fez-se um recorte do trabalho de Botega (2006) o qual analisou e observou as crianças negras no contexto do quilombo e de uma escola estadual durante um ano letivo. Neste artigo o foco será sobre as implicações das vozes das avós e dos professores na constituição do autoconceito das crianças negras. Na pes- quisa utilizou-se a abordagem etnográfica para coletar os dados, foram feitas observações participantes em duas salas de aula, nos intervalos e aulas de Educação Física, entrevistas semiestruturadas com três professores/as e construído um livro no qual pesquisadora e crianças negras entrevistavam suas avós no espaço do quilombo. Os resultados obtidos apontam para uma valorização da escola e das crianças por parte das avós e, um discurso que evidencia as dificuldades de aprendizagens e a igualdade racial diante dos conflitos por parte dos professores. Ficou evidente que as crianças negras criam estratégias para convi- verem no espaço da escola, observadas em suas atitudes cotidianas. Assim, o autoconceito se constitui a partir das interações nos contextos sócio-educativos, entre eles, o da escola e do quilombo.
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DO SILÊNCIO DO LAR AO SILÊNCIO ESCOLAR: RACISMO, PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

DO SILÊNCIO DO LAR AO SILÊNCIO ESCOLAR: RACISMO, PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Com base na sua experiência em uma escola de educação infantil por mais de quatro anos, Eliane Cavalleiro conclui que desde muito cedo o racismo está presente na vida de uma pessoa. Na escola em que foi feita a pesquisa, as crianças tinham entre quatro e cinco anos de idade e, nessa faixa etária, crianças negras já apresentavam uma identidade negativa em relação ao grupo étnico ao qual pertenciam, do mesmo modo em que crianças brancas revelavam um sentimento de superioridade, assumindo em diversas situações atitudes preconceituosas e discriminatórias, sentimentos estes que na maioria das vezes já traziam de casa e era reforçado na escola, dificultando a socialização, pois devido as diferenças étnicas, acabam por excluir crianças negras de diversas atividades do cotidiano escolar.
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A inclusão de crianças africanas negras no Brasil: Trajetórias curriculares antirracistas em construção

A inclusão de crianças africanas negras no Brasil: Trajetórias curriculares antirracistas em construção

As escolas que atendem às crianças africanas contabilizam, em média, ser esse o 4º ano desde a sua chegada em maior quantidade, reconhe- cendo a relação com os Jogos Olímpicos do Rio, embora essa não te- nha sido a principal causa. A presença de africanos negros na sala de aula traz à tona problemas inerentes à xenofobia que se mescla ao ra- cismo, revelando ainda questões de alteridade e conflitos identitários, visto que as crianças africanas, ou mesmo as crianças descendentes de africanos nascidas em solo brasileiro, são agredidas verbalmente e fi- sicamente por outras crianças negras que fazem menção à cor da pele e tipo de cabelo. O preconceito atribuído aos africanos não vem pas- sando despercebido pelos professores que, via projetos pedagógicos e ações cotidianas, intervêm com uma pedagogia a favor das diferenças manifestadas não apenas pelos imigrantes/refugiados, mas pelos alu- nos de modo mais amplo.
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Educação e branquitude:  uma discussão com professores da educação básica

Educação e branquitude: uma discussão com professores da educação básica

A narrativa da professora Tati, quando refere que “traria uma escova para dar de presente” para sua aluna negra, a fim de que penteasse seus cabelos, revela suas próprias representações negativas sobre os cabelos crespos, historicamente desvalorizados e estigmatizados no convívio social dentro e fora da escola. Neste sentido, Duarte (2012) sugere que as representações que as professoras brancas constroem de crianças negras são elaboradas a partir das representações racializadas que circulam e são legitimadas na sociedade brasileira e que constituem o significado de ser negro e de ser branco, acionados nos episódios de conflitos étnico-raciais na escola. Duarte ressalta ainda, que na escola, circulam representações racializadas subliminares que contribuem para naturalizar como verdades padrões estéticos brancos. De acordo com a autora, alguns professores, ainda que sem intenção explícita, tratam as crianças não brancas de forma diferente e desigual.
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Creche e racismo

Creche e racismo

A impossibilidade das crianças negras reconhecerem, no es- paço da creche, referências do patrimônio cultural afro-brasileiro gera um vazio, um buraco, que é preenchido por toda ideologia racial branqueadora (BENTO, 2012). Em sua pesquisa de mes- trado, Rosa (2009) mostrou como muitas vezes as instituições de educação infantil não possuem elementos que representem a diversidade racial existente em nossa sociedade. Como exemplo, a pesquisadora expôs que muitas creches não apresentam pentes adequados para pentear os cabelos dos meninos e das meninas pequenininhos/as negros/as, limitando as crianças negras aos cuidados inadequados, construindo a ideia de que seus cabelos são ruins e por isso não é possível penteá-los adequadamente por pentes usuais. Esse processo não é simples despossessão, mas também humilhação: um atentado contra o ser.
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Dandara dos Palmares: uma proposta para introduzir uma heroína negra no ambiente escolar

Dandara dos Palmares: uma proposta para introduzir uma heroína negra no ambiente escolar

Resumo: Várias protagonistas negras, como Dandara dos Palmares, foram excluídas da História oficial do Brasil contada em nossas escolas, resultante não só do racismo, dentre vários fatores, mas também do machismo e do sexismo ainda existente em nossa sociedade. Como uma de suas consequências está a falta de identificação das meninas afrodescendentes com personagens femininas negras. Assim, este artigo tem por objetivo apresentar uma proposta de atividade pedagógica a partir da divulgação da trajetória dessa grande heroína do Quilombo dos Palmares e baseada no livro As Lendas de Dandara, da escritora e cordelista Jarrid Arraes. O trabalho tem como intuito valorizar os feitos e a memória de Dandara, contribuindo para a construção da identidade das crianças negras enquanto afrodescendentes, bem como para a inclusão da diversidade étnico-racial nas salas de aula.
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Conflitos e tensões na produção da inclusão escolar de crianças pobres, negras e mestiças, Brasil, século XIX.

Conflitos e tensões na produção da inclusão escolar de crianças pobres, negras e mestiças, Brasil, século XIX.

RESUMO: O objetivo central deste texto é discutir o processo de inclusão das crianças pobres, negras e mestiças na escola elementar a partir da prerrogativa constitucional de extensão da escolarização a todos os cidadãos brasileiros, com ênfase nos estudos sobre a província de Minas Gerais. Com base em larga investigação documental (relatos de governo, legislação, ofícios e correspondências diversas, mapas estatísticos de população, registros de frequência escolar) e bibliográfica (Norbert Elias, Georges Rudé, Bronislaw Geremek, Georges Duby, Maria Beatriz Nizza da Silva), foi possível analisar as tensões e os conflitos para a efetivação da obrigatoriedade escolar, devido às condições materiais e especificidades culturais da população. Tais conflitos manifestaram-se de distintas maneiras, indicando embates entre famílias, professores e gestores do ensino. A hipótese levantada é a de que a precariedade do desenvolvimento da escola pública no Brasil, ao longo do século XIX, esteve associada à também precária condição de vida da população. Esse fato interferiu no entendimento quanto às possibilidades de escolarização das crianças pobres, negras e mestiças e quanto à qualidade de sua inserção social.
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