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MÍDIA LOCAL, MERCADO E SERVIÇO: A Crítica de cinema como diferenciação

MÍDIA LOCAL, MERCADO E SERVIÇO: A Crítica de cinema como diferenciação

Este texto, especificamente, resulta de pesquisa sobre a crítica de cinema da Folha da Manhã, jornal diário editado em Campos dos Goytacazes, localizada a 300 km da capital Rio de Janeiro. Com aproximadamente 600 mil habitantes e um histórico importante de relacionamento com a sétima arte, a cidade conta hoje com dois cinemas. O referido jornal, fundado em 1978, é uma referência regional e único na cidade a publicar críticas de cinema, feita por jornalistas e colaboradores locais, regular- mente, há pelo menos 30 anos. Ainda que não estejamos falando de uma cidade de interior cuja de- morafia está dentro da faixa contemplada pelo programa Cinema Perto de Você, citado acima, nem mesmo de uma cidade que está recebendo cinema pela primeira vez graças à inauguração de algum complexo pelos investimentos exclusivos da iniciativa privada, nossa intenção com a pesquisa é verificar a natureza da apreciação cinematográfica nela produzida e veiculada por um jornal local, o perfil dos críticos e sua qualificação, bem como propor uma discussão sobre a crítica cinematográfica — forma como comumente são tratados dois gêneros distintos, a crítica, propriamente dita, e a rese- nha, cujas aproximações e distanciamentos serão discutidos mais abaixo — enquanto especialização, serviço e estratégia do mercado de mídia local e regional. Especialização na medida em que demanda bagagem teórica e/ou prática específica; serviço pois atende demandas do público por notícias, infor- mação e intepretação de fatos determinados e estratégia porque, enquanto exclusividade de uma de- terminada mídia entre todas as outras que disputam o mesmo mercado, dota essa mesma mídia de um valor diferenciado, principalmente quando, como no caso aqui em questão, a crítica cinematográfica feita pelo jornal do interior não é “importada” dos grandes veículos ou oferecida por uma agência, mas produzida exclusivamente para o público frequentador das salas de cinema da cidade. A análise tem o potencial de nos ajudar a entender como tal serviço seria estruturado em cidades do interior e jornais que nelas operam, independente do porte.
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Paulo Emílio Salles Gomes: a compreensão da realidade brasileira através da crítica de cinema.

Paulo Emílio Salles Gomes: a compreensão da realidade brasileira através da crítica de cinema.

Expondo as contradições e ambiguidades conidas na produção do cinema como condições próprias da vida cultural brasileira, Paulo Emílio Salles Gomes buscava ressaltar que a tarefa do intelectual em um país como o Brasil é trans- formar a realidade social em problemas. Seguindo uma observação de Antonio Candido, é possível dizer que, nos anos 1970, Paulo Emílio Salles Gomes desem- penhou um papel cultural próximo àquele efetuado por Mário de Andrade, que consisia em formular ideias extremas e radicais a respeito da cultura nacional. No curso do ímpeto valoraivo do cinema brasileiro, Paulo Emílio Salles Gomes airmou a valorização do cinema nacional em detrimento das itas estrangeiras (posição que defendeu ao extremo, quando disse que não mais iria ver ilme que não fosse nacional). Seu intento era fazer com que os brasileiros, assisin- do ao cinema nacional, pudessem refazer o contato com a realidade brasileira, de modo que a visão das imagens locais pudesse ser transformada em con- templação e relexão, passos fundamentais para uma possível teorização dos problemas nacionais. A visualização de quem somos seria o primeiro passo que poderia desencadear impulsos pedagógicos e catáricos que poderiam permi- ir uma reconstrução valoraiva da sociedade brasileira. Um processo que seria novamente interrompido pelas forças sociais que reairmavam a presença do golpismo, do autoritarismo e do eliismo na história brasileira.
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The Persistence of Hollywood

The Persistence of Hollywood

The Persistence of Hollywood é o mais recente livro de Thomas Elsaes- ser, reconhecida autoridade na área da crítica de cinema e dos estudos fílmicos, nomeadamente no campo das pesquisas sobre o cinema germânico e no que concerne ao debate da dicotomia entre autor e indústria. Incidindo sobre o contexto norte-americano, será este último tópico o fino fio condutor desta obra, de 2012. Estrutura- do de acordo com uma lógica de compilação, quase ao jeito de um best of, o livro aqui em apreço reúne, por um lado, uma série de tex- tos já anteriormente publicados, agora revisitados pelo autor, e, por outro, secções inéditas que tentam atar as pontas soltas e conferir alguma estrutura ao resultado final.
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Brasil em Tempo de Cinema como método de análise fílmica de Jean-Claude Bernardet

Brasil em Tempo de Cinema como método de análise fílmica de Jean-Claude Bernardet

Sem separar a produção entre cinema artístico, de gênero ou comercial, Brasil em tempo de cinema examina a filmografia brasileira como um todo orgânico e como resultado de um trabalho coletivo. Em conjunção à voga do estruturalismo e da linguística, não se frisa a trajetória individual ou autoral do cineasta, mas o conjunto de filmes como estatuto socialmente construído (Stam, 2003). Como método de trabalho, Bernardet utilizava formas de análise da literatura e da composição dos personagens para estabelecer comparações com a estrutura fílmica. Havia uma vontade de intervir no debate, que tem relação direta com o ambiente cultural daqueles anos. após a eclosão do Cinema novo, críticos como Bernardet e Gustavo Dahl afastaram-se da discussão centrada na autoria e deram preferência aos filmes que abriam um diálogo com a realidade brasileira. Esse desejo de intervir na sociedade através da ação dos textos trouxe uma metodologia para a crítica de cinema, unificando critérios estéticos e políticos.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS ISABELLA MITIKO IKAWA BELLINGER

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS ISABELLA MITIKO IKAWA BELLINGER

Há de se considerar também, dentro dos fatores conjunturais que se associam e marcam este momento da crítica de cinema dos estudantes, as transformações em O Diário de S. Paulo. Em abril de 1968 com a morte de Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados (grupo do qual o jornal paulistano fazia parte), intensifica-se uma crise interna, que já havia começado antes, a partir do afastamento de Chateaubriand por motivos de saúde. Esta crise era, sobretudo em relação a sua sucessão. Alguns aspectos da situação dos Diários Associados podem ser observados através da passagem dos alunos pelo ODSP. No final de 1968 há uma reformulação, aumenta-se o número de imagens, há maior apelo visual, os textos em geral diminuem de tamanho, cria-se um caderno policial, que noticia casos de violência doméstica, tragédias familiares, numa concepção sensacionalista. O esporte também ganha mais espaço nas publicações. Uma das suposições que se pode traçar com essas mudanças é a tentativa de solucionar a crise do jornal, no entanto não se pode desconsiderar que a instauração do AI-5 em dezembro possui ecos nesta mudança de ODSP. Porém, como as mudanças começam em novembro de 1968, a tese de que as alterações fazem parte de um plano para sair da crise existente no jornal ganha mais enlevo.
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Natalia Aly Menezes.pdf

Natalia Aly Menezes.pdf

Sabe-se que o cinema, como todas as demais artes, sofreu e sofre influência dos avanços tecnológicos, influências estas que inevitavelmente modificam sua linguagem. Hoje, a interferência mais óbvia e visível que se tem das mídias digitais para/com o cinema encontra-se nas possibilidades de efeitos especiais que essas “ferramentas” trazem à sétima arte. No entanto, meu objeto de pesquisa não seguiu em tal direção, mas voltou-se para questões relativas ao futuro do cinema, às possibilidades de linguagem introduzidas pelas mídias digitais e, principalmente, para as novas criações perceptivas em ambientes imersivos interativos. Esta questão, apesar de corresponder a um “estado” da cinematografia atual e de ter sido conceituada a partir da explosão, seguida da consolidação dos aparatos digitais no século XXI, na realidade, já vem sendo estudada e experimentada desde a década de 1970/80, nos trabalhos teóricos de pesquisadores como Lev Manovich, Bill Seaman, Arlindo Machado, Peter Weibel, Peter Lunenfeld, Jeffrey Shaw, entre outros que serviram de base para as discussões realizadas. As tendências, que não são poucas, daquilo que vem recebendo várias designações na direção de um possível cinema do futuro, foram discutidas no capítulo 2. Entre elas, aquela que estudei mais de perto foi a da imersão e das novas condições narrativas por ela introduzida, objeto de estudo do capítulo 3. Como base para esses dois capítulos, o capítulo 1 discorreu sobre as raízes das tendências presentes. Estas se encontram no cinema experimental e seus desdobramentos que vieram desembocar na contemporaneidade naquilo que, entre outros nomes, está sendo chamado de cinema do futuro.
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ENTRE ESPELHOS, CÂMERAS E LABIRINTOS: JORGE LUIS BORGES E O CINEMA

ENTRE ESPELHOS, CÂMERAS E LABIRINTOS: JORGE LUIS BORGES E O CINEMA

O que fica unânime entre os críticos do crítico Borges é sua ausência de teoria do cinema quando analisa os filmes. Contudo, esta falta é compensada pela absoluta capacidade de perceber o cinema como um produto estético essencialmente narrativo, com suas peculiaridades intransferíveis, mas que ainda precisa narrar algo sobre alguém. Neste sentido, é conveniente que olhemos para alguns ensaios de Borges, que tratam da arte narrativa como um todo, e também, à guisa de exemplo breve, para duas obras de Alain Resnais que são tipicamente borgianas.
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“Brasil mostra a tua cara”: rock nacional, mídia e a redemocratização política (1982-1989)

“Brasil mostra a tua cara”: rock nacional, mídia e a redemocratização política (1982-1989)

Em 1981, ainda com a banda punk Aborto Elétrico, Renato Russo escreveu um texto para um show que a banda realizou na Sala Funarte, em Brasília. No texto, o roqueiro buscava justificar-se sobre as referências e influências estrangeiras do conjunto, especialmente para defender-se das críticas e acusações de que a banda era americanizada: “Vocês lavaram o nosso cérebro jogando cultura alienígena nas nossas cabeças, com a televisão (alguém se lembra do National Kid?), sistema babaca, poluição e outras brochuras tais. E além do mais, o que vocês esperam de quem nasceu ouvindo Stones, Dylan, Beatles e Caetano cantando em inglês?” (Apud BRYAN, 2004, p.130). As palavras de Russo estavam em consonância as dos demais roqueiros já citados acima. Mas mesmo assumindo as referências culturais estrangeiras, os roqueiros não deixaram de disparar e refletir sobre os “enlatados” e ao consumismo internacionalizado. A Blitz compôs, em 1983, por exemplo, uma canção denominada “Trato Simples”. Com ironia e sarcasmo, a canção trata de uma negociação entre a dívida de um país – provavelmente o Brasil - com os Estados Unidos e seus produtos culturais. Estava afinada com o clima econômico brasileiro, pois no início da década o Brasil renegociava sua dívida com o FMI: “Eu sou o Sam e sim/ Eu sei quem é você/ Estou por trás/ No fim do fundo vou te ver/ Juro que os juros estão mais baixos, pode crer/ E ainda leva uns seriados de TV/ (É pegar ou largar)/ Assine aqui/ Me dê o sim/ Confie em mim /"I need you, I need you". A crítica entre consumismo de produtos culturais e a TV pode ser vista também com a canção “Televisão”, dos Titãs: “A televisão me deixou burro, muito burro demais/ Agora todas as coisas que eu penso me parecem iguais/ O sorvete me deixou gripado pelo resto da vida”. A própria Legião Urbana gravaria uma canção denominada “Geração Coca- Cola”, em 1984-5:
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Desemprego executivo: a crítica ao terceiro espírito do capitalismo no cinema contemporâneo.

Desemprego executivo: a crítica ao terceiro espírito do capitalismo no cinema contemporâneo.

Palavras-chave: Trabalho; Desempre- go executivo; Terceiro espírito do capi- talismo; Cinema; Colarinhos-brancos. Este artigo analisa alguns filmes que apre- sentam a mesma temática – o fenômeno do “desemprego executivo” – dialogan- do com textos que lançam luz sobre a ampliação da insegurança salarial e um ethos particular no universo corporativo. Em especial, parto da idéia de “espírito do capitalismo”, tal como formulada por Boltanski e Chiapello, que inclui as cren- ças que justificam a ordem capitalista e legitimam os modos de ação coerentes com tal ordem, mas também as críticas ao sistema em determinado período. Uma safra recente de filmes engrossa a crítica ao terceiro espírito do capitalismo, de- nunciando os constrangimentos impostos aos trabalhadores, mas com um novo en- foque: a ansiedade dos escalões executi- vos, cuja segurança e possibilidade de re- produção se vêem abaladas no contexto de um capitalismo flexível e globalizado.
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Cinema para ler: da importância da imprensa cinematográfica

Cinema para ler: da importância da imprensa cinematográfica

Através das páginas de Monterde é possível compreender os principais debates em torno do cinema, particularmente o espanhol. Uma das preocupações mais recorrentes nessa contenda é a da transposição de características culturais próprias dos espanhóis para o seu cinema nacional, idiossincrasias essas que são associadas aos conceitos de españolidad vs españolada – este último muitas vezes depreciativo. O aparecimento do sonoro parece ter acentuado os filmes da vertente da españolada, pois propiciava-se a temas tipicamente espanhóis, desde o folclore, às touradas e a formas de expressão musical específicas, como a zarzuela. O sonoro, que tanta tinta fez correr nos meios da imprensa, imiscuiu-se, assim, na proliferação de filmes que recorrem à españolada, situação que, à época, não foi sempre pacífica nem vista com bons olhos por parte da crítica.
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O cinema como experiencia crítica

O cinema como experiencia crítica

Introdução: O Projeto Tela Crítica é um projeto pedagógico de extensão universitária que busca utilizar a análise de filmes para discutir conteúdos temáticos da sociologia. Através da análise da forma e do sentido do filme, procura-se apreender sugestões heurísticas interessantes capazes de propiciar uma consciência crítica da sociedade global. Além de desenvolver dinâmicas de análises criticas do filme, o projeto Cinema como Experiência Critica busca incentivar a produção de filmes independentes que tratem do mundo do trabalho (com a Mostra CineTrabalho) e promover a produção de conteúdos audiovisuais através das Oficinas de Vídeo Tela Crítica.
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O lugar da psicanálise nos escritos cinematográficos de Kracauer: da “massa” ao espectador

O lugar da psicanálise nos escritos cinematográficos de Kracauer: da “massa” ao espectador

Então, ao contrário do que tais pesquisadores se esforçaram por provar, talvez seja a hora de se procurar estabelecer uma visão axiologicamente mais matizada da teoria fílmica de Kra- cauer. É lícito aventar que o problema com sua Theory of Film não se limita a uma questão de misreading e de assincronia entre o momento de seu lançamento e a zeitgeist intelectual vigente. Alguns de seus problemas talvez se devam, na verdade, à visão teórico-cinematográfica proposta por Kracauer, por demais presa a discussões e a práticas cinematográficas em desuso no início de uma era marcada pela rápida diversificação vanguardista que se seguiu ao neo-realismo italiano e atingiu o ápice nos anos 60. Se assim fora, o livro não apenas soava, mas era realmente passé no momento de seu lançamento. Ou talvez, devido à própria natureza crítica provocadora do autor – fragilizado e doente, aos 71 anos de uma vida marcada por grandes traumas - seus textos funcionassem melhor quando os temas tratados ofereciam tensas implicações sociopolíticas e davam vazão a polêmicas de amplo espectro – algo que, devido tanto à obrigatoriedade de sistematização e didatismo que uma teoria do cinema demanda quanto ao interesse social consideravelmente menor que desperta, não se poderia esperar da teoria cinematográfica de Kracauer, não obstante sua notável contribuição anterior aos estudos de cinema, através de análises que promoveram a confluência entre a psicologia de massas, a crítica social e a análise fílmica.
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A força perceptiva do olhar como multiletramento por meio das telas do cinema / The perceptive strength of the look as multiliteracy through the cinema screens

A força perceptiva do olhar como multiletramento por meio das telas do cinema / The perceptive strength of the look as multiliteracy through the cinema screens

Nesta medida, uma vez mais, destacamos que cinema e literatura, bem como as linguagens midiáticas podem nos propiciar reflexões significativas com vistas a transformar práticas pedagógicas diante do cenário atual. Retomando a intenção neste artigo, que é ressignificar a formação continuada de professores(as) por meio do cinema na sala de aula, é também deixar-se impregnar pela leitura imagética, uma vez que um filme é capaz de projetar narrativas fílmicas que se abrem aos conceitos de igualdade, liberdade, emancipação do indivíduo e mobilidade social.
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Novembro, 2012 Tese de Doutoramento em Filosofia Filosofia do Cinema: Processos de Criação de uma Nova Imagem do Pensamento Susana Isabel Rainho Viegas

Novembro, 2012 Tese de Doutoramento em Filosofia Filosofia do Cinema: Processos de Criação de uma Nova Imagem do Pensamento Susana Isabel Rainho Viegas

pensamento 106 . Por esta razão, os primeiros escritos sobre cinema estão assim delimitados pela psicologia Gestalt. Se o interesse de Merleau-Ponty pela pintura começou por ser um interesse pela percepção do mundo e pela estrutura ontológica do “estar no mundo”, o seu interesse pelo cinema começa por se centrar na percepção. Mas qual o verdadeiro alcance de termos um ponto de vista exterior a nós quando tocamos ou quando vemos? Para a fenomenologia, corpo e mundo coexistem numa relação contígua. O que o cinema vem revelar é precisamente esta situação ontológica: estar no mundo é viver no mundo e ver é ter (capacidade háptica da visão). No cinema há um retorno de quem vê como visível. Em O visível e o invisível, encontramos uma exposição do fenómeno da simultaneidade entre percipere (percepcionar) e percipi (ser percepcionado) 107 . A reversibilidade é a derradeira verdade, um encontro entre ver e ser visível que podemos analisar no solilóquio silencioso de um close-up. Esta relação de cruzamento recusa a identificação dos dois intervenientes porque há um espaço entre o passivo e o activo, entre tocar e ser tocado, entre ver e ser visível. Ou seja, ainda que o processo seja dialéctico, não há uma síntese final. O cinema é o meio pelo qual o Outro, o mundo e o Eu se encontram numa relação na qual o olhar alcança o outro, toca-lhe. Este acto reflexivo entre o olhar do espectador e o rosto da personagem do filme é simultâneo: no cinema, o espectador compreende a experiência do outro não apenas pelas expressões faciais e corporais, pelo argumento e montagem mas também num modo reflexivo. Ele compreende toda a experiência, ele compreende-se como visível. A visibilidade de uma expressão é como um espelho que permite uma relação mais estreita com o outro, é uma relação quiasmática.
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Realism: strategy and factor of identity in contemporary cinema

Realism: strategy and factor of identity in contemporary cinema

Surrealism aims to represent the forces of the uncounscious, including dreams. The fantastical coutertendency in European cinema further emerges through magic realism, which has Latin American novelistic roots and combines historical realism with mith and fantasy. Although the heritage film, Second World War film and comedy may be considered pan-European genres, contemporary European films borrow extensively from international neo-noir, Hollywood thrillers and Vietnam war films. These, togheter with stylistic influences like MTV, mofify the realist impulse. (CHAUDHURI, 2005, p. 17) O Surrealismo estaria presente tanto em obras como "Delicatessen" (1991), de Marc Caro e Jean-Pierre Jeunet, na França, quanto em obras de paises que pertenceram ao bloco comunista, como a República Checa, em obras como as de Jan Svankmajer - Alice (1988), Faust (1994), Conspirators of Pleasure (1996), Little Otik (2000) and Lunacy (2005), este último baseado em Edgar Allan Poe - mesmo porque sintomaticamente, esta tendência se revelou nestas regiões como uma saída ao controle dos partidos comunistas. Outro exemplo, este mais inclinado a um realismo mágico, é o da obra de Emir Kusturica,
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Cinema e o ensino do Direito: elementos para uma reflexão acerca das possibilidades de crítica a partir do uso do cinema como recurso pedagógico no ensino jurídico

Cinema e o ensino do Direito: elementos para uma reflexão acerca das possibilidades de crítica a partir do uso do cinema como recurso pedagógico no ensino jurídico

encarado como algo raro, uma atividade extraclasse com um ‘sabor de festa’. É instrumento, é ferramenta de trabalho e só deve ser usado se, de fato, trouxer contribuição efetiva à aula. [...]. O aspecto fundamental da utilização de qualquer recurso audiovisual é impedir a passividade do aluno frente a ele. [...]. Após a projeção, continua o aproveitamento do material projetado: desde o simples interrogatório, até técnicas mais dinâmicas de ensino. O trabalho em grupo para analisar o conteúdo do filme; um estudo dirigido para verificar a compreensão e reforçar pontos importantes; um problema a ser resolvido pela classe em grupo ou individualmente; projetos, pesquisas, leituras adicionais, um sem limite de técnicas renovadas para fixar, desenvolver, ampliar as informações trazidas pelo material audiovisual. Outras formas do cinema educativo podem ser pensadas, com o filme: servindo como elemento importante na apresentação dos relatórios de grupos de alunos, como um clímax de atividades anteriores; servindo de motivo para painel, debate; sendo utilizado para estudo individual, resolvendo casos de heterogeneidade em ritmo de aprendizagem dos alunos, conhecimentos anteriores, problema de perda de informações, devido a faltas.
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REVISÃO CRÍTICA-ONÍRICA DO TERRITÓRIO CHAMADO AMAZÔNIA NO SONHO REAL DE MEIAS-VERDADES CHAMADO CINEMA

REVISÃO CRÍTICA-ONÍRICA DO TERRITÓRIO CHAMADO AMAZÔNIA NO SONHO REAL DE MEIAS-VERDADES CHAMADO CINEMA

A “Amazônia”, nascida como uma criatura da imaginação de um povo que projetava as suas obssessões num território já habitado por diversas outras etnias, é um fantasma que carrega consigo profundas e conflituosas questões. O cinema, nos séculos XX-XXI, reatualiza e reconfigura, de forma mais ingênua ou mais crítica, várias destas questões. Este trabalho propõe formas de abordagem crítica dessa memória. Como artista- pesquisador, que experimenta diretamente o audiovisual e que acredita na potência epistemológica do cinema, parte significativa desta pesquisa ensaia-se dentro dessa linguagem, tendo como método a “remontagem”, o “remix”. Outra parte, não menos significativa, ensaio por meio da palavra. Apresentando a trajetória e as buscas metodológicas do autor durante a sua própria revisão crítica, este trabalho aposta num processo pedagógico de constantes revisões individuais integrado à proposição de ações culturais que estimulem exercícios coletivos contínuos de reflexão histórica, política e estética acerca deste território que ainda chamamos “Amazônia”. Como propositor de um trabalho dentro da linha de História, Crítica e Educação em Artes, antes de pesquisador ou artista, apresento-me enquanto cineclubista, e apresento este texto como ponto de partida para uma educação como prática da liberdade.
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Experiência sensível e sociabilidade no IPPMG: quando o cinema vai ao hospital

Experiência sensível e sociabilidade no IPPMG: quando o cinema vai ao hospital

Em um ambiente hospitalar cercado pela busca incessante de conservação da vida e onde pessoas e tecnologias se revezam num esforço sem fim em prol dos pacientes que ali estão, qual a importância do sensível e da estética em face de tantas provações? Seria mero entretenimento, fuga inevitável da realidade ou experiência transformadora? Qual o lugar da comunicação nesse cenário? Estas são algumas das questões que o presente artigo pretende abordar. Para isso, com o olhar da comunicação, procura- se analisar o projeto Cinema e Hospital, realizado desde 2011 no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG). Sob o comando da equipe do Cinema para Aprender e Desaprender, o Cinead, a iniciativa Cinema e Hospital visa construir a experiência do cinema para crianças internadas no IPPMG, tanto por meio da exibição e produção de filmes, como através de atividades que tenham como cerne a linguagem cinematográfica.
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XVIII Encontro da Socine, ou o Novíssimo Cinema Latino-Americano

XVIII Encontro da Socine, ou o Novíssimo Cinema Latino-Americano

Márcia Juliana Santos (USP) iniciou a sessão “Cinema no Bra- sil: História e Historiografia”, apresentando pesquisa sobre filmes de não-ficção paulistas produzidos nos anos 1930 e 1940. Em princípio a pesquisadora discorreu sobre vários curtas-metragens documentais do período, para então apresentar uma visão crítica que problematiza a historiografia do cinema brasileiro, por esta considerar as duas dé- cadas em questão como praticamente desprovidas de produção cinematográfica no estado de São Paulo. Em seguida, Ana Lucia Loba- to de Azevedo (UFPA) analisou os cinejornais produzidos por Líbero Luxardo em Belém do Pará nas décadas de 1940 e 1950. O foco foi direcionado para a última edição do cinejornal, que traçava um perfil do político Magalhães Barata, analisando questões narrativas e for- mais, bem como a inserção desse tipo de produção cinematográfica no contexto da época. Fechando a sessão, houve a apresentação do trabalho “A ‘Educação Rural’ de Humberto Mauro”, por parte da pes- quisadora Sheila Schvarzman (UAM). Aludindo a uma série de filmes produzidos pelo INCE (Instituto Nacional do Cinema Educativo) en- tre 1952 e 1959, dirigidos por Humberto Mauro, a investigação projeta o contexto e os objetivos desses filmes, inseridos na lógica da Campanha Nacional de Educação Rural que pretendia incentivar a fixação da população rural no campo. Para este fim, o governo brasi- leiro recebeu auxílio dos Estados Unidos, tanto para o treinamento de técnicos audiovisuais que atuariam na educação rural, como na trans- ferência de tecnologias para a modernização da agricultura.
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Um quase manifesto contra a especialização

Um quase manifesto contra a especialização

Tenho pena que a obrigação de escolher (para o livro não ter 1000 páginas…) não tenha trazido até às 500 publicadas coisas como estas: as pateadas (ao Nacional e a outros teatros); o Anfitrião que fizemos em 69, mais as suas tournées; a curta passagem pelo Ateneu Cooperativo logo a seguir, esse Cervantes na SNBA mais os embates com os mundos das políticas; algumas férias e passeios (há uma fotografia, é verdade) com projectos dentro; os demolidores textos sobre espectáculos, filmes, textos (1971-72) na Crítica (referida na p. 528); os complicados 74-75 onde cada um estava no seu lugar; bem mais tarde, a escrita a várias mãos dos textos para a primeira campanha das europeias do PSR (1987).
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