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Os dados pessoais e os arquivos

Os dados pessoais e os arquivos

Entretanto, em 23 de Janeiro de 1993, fora publicado o Decreto-Lei n.º 16/93, que definiu – mediante autorização legislativa conferida pela Lei n.º 18/92, de 6 de Agosto – o regime geral dos arquivos e do património arquivístico. Neste diploma – designadamente no respectivo artigo 17.º, a propósito da “Comunicação do património arquivístico – se recorre à noção de “dados pessoais”, sem contudo a definir especificamente. É, pois, de pressupor que o legislador terá adoptado, nesta sede, o conceito de “dados pessoais” antes delineado na Convenção n.º 108 do Conselho da Europa (obviamente dele conhecida, apesar de ainda não incorporada formalmente na ordem jurídica interna) e na Lei n.º 10/91.
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Marketing compliance, proteção e gestão de dados pessoais implementação do regulamento geral de proteção de dados

Marketing compliance, proteção e gestão de dados pessoais implementação do regulamento geral de proteção de dados

O marketing compliance provém da obrigação dos profissionais que exercem esta atividade terem de obedecer a diversas limitações legais, como é o caso das normas jurídicas que regulamentam vários domínios ligados ao marketing como o consumo, a publicidade, entre outros. Até ao dia 25 de maio de 2018 encontrava-se em vigor a diretiva 95/46/CE, transposta para Portugal através da Lei de Proteção de Dados Pessoais, que já prossupunha que os profissionais de marketing, entre outros, exercessem algum compliance no desempenho das suas funções, no entanto, as implicações de não exercer esse cumprimento não eram verdadeiramente significativas levando a que estes profissionais cometessem infrações baseadas na avaliação do custo-benefício das mesmas. Com o alerta para o início de produção de efeitos do RGPD que revogou a anterior diretiva e que impõe medidas bastante mais apertadas, pode considerar-se que o conceito de marketing compliance se irá impor em grande força.
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O USO DOS DADOS PESSOAIS NAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE COMBATE À COVID-19

O USO DOS DADOS PESSOAIS NAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE COMBATE À COVID-19

A anonimização, que consiste na aplicação de medidas técnicas para impossibilitar a associação direta ou indireta dos dados ao indivíduo, e a pseudoanonimização que geralmente remove identificadores e os substitui por um código chave único são estratégias de proteção de dados previstas em algumas leis. Em geral, dados anonimizados não são considerados dados pessoais ou o são com algumas ressalvas, enquanto dados pseudoanomizados são tidos como dados pessoais pelo potencial de reidentificação dos indivíduos através da utilização do código chave, ainda que disponham potencialmente de um nível maior de segurança. Em virtude da possibilidade de identificação dos dados, mesmo anonimizados, são necessárias combinações de vários procedimentos para preservar a privacidade dos indivíduos, particularmente quando ocorre integração entre bases de dados (2020, p. 6).
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A regulamentação de proteção de dados pessoais no Brasil e na Europa: uma análise comparativa

A regulamentação de proteção de dados pessoais no Brasil e na Europa: uma análise comparativa

O texto atual da Diretiva 95/46/CE reafirma em seu artigo 28º que os Estados devem criar uma autoridade de controle com total independência em suas funções que será responsável pela fiscalização da aplicação das medidas de proteção de dados pessoais estabelecidas. Tais autoridades devem ter poderes de inquérito, intervenção - inclusive em processos judiciais no caso de violações das disposições de proteção de dados pessoais - e de levar infrações ao conhecimento das autoridades judiciais. Na proposta de reforma são oferecidos mais detalhes sobre as características da autoridade no sentido de garantir sua total independência. Determina- se, por exemplo, que seus membros não podem desempenhar outras atividades (remuneradas ou não) e que devem ter autonomia na indicação de seu próprio pessoal, que responde exclusivamente ao diretor. O texto também detalha que a autoridade deve dispor de recursos humanos, técnicos e financeiros apropriados e estar esteja sujeita a um controle financeiro que não afete a sua independência, possuindo orçamento anual próprio16.
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Acesso a dados pessoais de saúde contidos em ficheiros dos hospitais públicos: ponderação entre o direito de acesso à informação e aos documentos administrativos e o direito à protecção de dados pessoais: quem e como decide?

Acesso a dados pessoais de saúde contidos em ficheiros dos hospitais públicos: ponderação entre o direito de acesso à informação e aos documentos administrativos e o direito à protecção de dados pessoais: quem e como decide?

Outra questão que tem levantado dissensão no seio da União Europeia é a aplicação do regime de protecção de dados às pessoas já falecidas. O Grupo de Trabalho do Artigo 29º, no seu Parecer nº 4/2007, de 20 de Junho, sobre o conceito de dados pessoais 19 , afirma que “A informação relativa a pessoas mortas, em princípio, não deverá assim ser considerada como dados pessoais sujeitos às regras da Directiva, uma vez que, efeitos do Direito Civil, os mortos já não são pessoas singulares.” Mas na medida em que existe informação que não perde a confidencialidade, na medida em que os dados pessoais de uma pessoa falecida podem revelar informação sobre terceiros ainda vivos e, ainda, na medida em que os Estados-membros alarguem a protecção dos dados pessoais as titulares já falecidos, os dados pessoais das pessoas desaparecidas continua a merecer protecção, no caso português, por via do Código Civil (C.C.) e da LPD. Após a morte do titular, os herdeiros exercem o direito de acesso em nome próprio, porque houve transmissão dos direitos de personalidade. Mas os direitos à (reserva das) intimidade e à vida privada não se transmitem, não respeitam aos sucessores, embora estes tenham meios de defesa dos direitos pessoais do falecido (R. Gonçalves, 2003) e exerçam direitos próprios previstos no artigo 71º do C. C. Neste caso, para o exercício destes direitos da pessoa falecida constantes do nº 1 do artigo 71º do C.C. ou para exercício de direitos próprios com os quais os dados pessoais dos falecidos se relacionam, as pessoas mencionadas no nº 2 deste artigo 71º têm legitimidade para requerer o acesso (R. Gonçalves, 2002). Mas, “O parecer prévio da CADA sobre a verificação do «interesse directo, pessoal e legítimo» do requerente perante dados pessoais do falecido só pode encontrar justificação nos casos em que as posições e interesses dos sujeitos («terceiro» interessado e falecido a quem dizem respeito) não coincidem, ou não se confundem”. Dessa não coincidência de posições resultaria divergência ou conflito de interesses, tendo então a intervenção da CADA por função dirimir ou clarificar esse «conflitos» de interesses, entre quem pretende ter acesso à informação e a pessoa a quem os dados «respeitam» (R. Gonçalves, 2003) .
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A proteção dos dados pessoais de pagamento utilizados no comércio eletrónico, em Portugal

A proteção dos dados pessoais de pagamento utilizados no comércio eletrónico, em Portugal

comércio eletrónico, este instrumento de pagamento não foi criado para ser utilizado remotamente, a partir daí, o uso que foi fornecido com pagamentos remotos, teve impacto na perda de confidencialidade dos dados pessoais nele contidos e das operações realizadas, e outros elementos associados a ele, como os dados pessoais do titular, incluindo o numero de cartão de credito, a data de expiração e o chamado número segredo que cada detentor pode ter, afetando assim a vida privada do titular do cartão e colocando até mesmo seus ativos em risco, quando estes dados são utilizados indevidamente por pessoas não autorizadas, embora, o direito do titular do cartão de crédito de pedir a anulação da cobrança feita persistirá quando nenhuma operação for autorizada por ele. Nas palavras de MARIA RAQUEL GUIMARÃES “Não se pode, porém, mitificar um risco que é afinal comum a toda a desmaterialização dos meios de pagamento” (RUIZ Miguel, C., [et al.];- op. cit., p.165). O cartão de crédito, se diferencia do cartão de débito, principalmente pela alínea de crédito concedido no contrato associado ao cartão de crédito, portanto, será um empréstimo numerário, com a particularidade de que o montante emprestado não é definido exatamente, mais o importante é que não exceda do limite máximo estabelecido no contrato. Para INFANTE PERZ, o cartão de crédito é um Documento privado de caráter mercantil, cujo conteúdo essencial são os dados identificadores do documento, da entidade emissora e de seu proprietário, distribuídos sobre um suporte rígido de material plástico, ao qual, em alguns casos, é incorporada uma fita magnética para leitura por meio de eletrónico, cujo objetivo é permitir ao seu proprietário realizar diversas transações comerciais, utilizando-o como meio ou ordem de pagamento. (DAVARA RODRÍGUEZ., Miguel Á. Op. Cit., p. 343)
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APLICATIVOS DE SERVIÇOS PARA SAÚDE E PROTEÇÃO DOS DADOS PESSOAIS DE USUÁRIOS

APLICATIVOS DE SERVIÇOS PARA SAÚDE E PROTEÇÃO DOS DADOS PESSOAIS DE USUÁRIOS

Embora essas soluções sejam bastante interessantes, a sua grande maioria não oferece condições mínimas de segurança jurídica para a utilização, pois não são transparentes em seus termos de uso e políticas de privacidade, oferecendo riscos para os seus usuários, pois a apresentação é confusa ou até mesmo inexistente, embora o Brasil não possua uma legislação específica que proteja as operações que envolvam tratamento de dados pessoais, ainda mais dados sensíveis de saúde, seria no mínimo razoável que essas empresas se preocupassem minimamente com as questões relativas ao processo de tratamento dos dados pessoais de seus usuários diante da natureza intrínseca que eles possuem, no sentido de serem comercializados pelos seus proprietários com laboratórios, hospitais ou até mesmo empresas do ramo farmacêutico, tudo isso sem o consentimento do dono dessa informação, que é o usuário final.
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A Janela de Johari como ferramenta de análise da privacidade de dados pessoais

A Janela de Johari como ferramenta de análise da privacidade de dados pessoais

A JANELA DE JOHARI APLICADA NO CONTEXTO DE PRIVACIDADE DE DADOS Expandindo sua aplicação e a adaptando para o contexto de privacidade de dados, a Janela de Johari pode servir como base para discussões a respeito das relações estabelecidas entre qualquer pessoa que produz dados, indicado na janela como ‘eu’, e determinado sistema, indicado na Janela como ‘outro’. Todas as relações possíveis entre uma pessoa que gera uma série de dados e um sistema que tem (ou não) ciência sobre esses dados são passíveis de serem explicitadas em um dos quadrantes da Janela. Como apresentado anteriormente, a análise da proteção de dados pessoais não pode ser realizada de maneira individualizada para cada dado. Isso seria custoso do ponto de vista de elaboração de requisitos, uma vez que a busca exaustiva de todos os dados que seriam contemplados no sistema seria uma longa tarefa. Portanto, é necessário um meio de criarmos uma estrutura que inclua todos os dados que estarão envolvidos no sistema.
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O regime sancionatório da proteção de dados pessoais: paradigma ou paradoxo?

O regime sancionatório da proteção de dados pessoais: paradigma ou paradoxo?

Handbook…, op. cit., pág. 18. Estes dois direitos diferem na sua formulação e no seu escopo. Enquanto o direito à reserva da vida privada consiste na proibição geral de interferência, sujeita a critérios de interesse público que podem justificar a interferência em certos casos, a proteção de dados pessoais é vista como um direito moderno e ativo, estabelecendo um sistema de processos a adotar para proteger os indivíduos sempre que os seus dados pessoais são tratados, consoante EUROPEAN UNION AGENCY FOR FUNDAMENTAL RIGHTS AND COUNCIL OF EUROPE – Handbook…, op. cit., pág. 19. Assim, o direito à privacidade diz respeito a situações em que um interesse privado ou a «vida privada» de um indivíduo foram comprometidos, sendo certo que o conceito de «vida privada» tem sido amplamente interpretado na jurisprudência, abrangendo situações íntimas, informações sensíveis ou confidenciais, informações que poderiam prejudicar a perceção do público contra um indivíduo e até aspetos da sua vida profissional e comportamento público, estando a avaliação da concreta interferência ou não na «vida privada» dependente do contexto e factos do caso concreto. Em contrapartida, qualquer operação que envolva o tratamento de quaisquer dados pessoais pode pertencer ao âmbito de aplicação das regras do direito à proteção de dados pessoais e desencadear a proteção adequada que este direito confere, independentemente da sua relação com a privacidade ou do seu impacto na privacidade, de acordo com PALMA, Maria Fernanda – O Direito Penal da proteção de dados. Revista Anatomia do Crime. Almedina. N.º 8, julho-dezembro de 2018. Pág. 11. Neste sentido, o tratamento de dados pessoais pode infringir o direito à reserva da vida privada, mas não é necessário demonstrar uma interferência na vida privada para que as regras de proteção de dados pessoais sejam acionadas, sendo, por isso, mais amplo o direito à proteção de dados pessoais do que o direito à reserva da vida privada, cfr. EUROPEAN UNION AGENCY FOR FUNDAMENTAL RIGHTS AND COUNCIL OF EUROPE – Handbook…, op. cit., pág. 20. Assim, pode concluir-se que o direito à privacidade não adquire uma relação sinónima com o direito à proteção de dados pessoais, assumindo-se este último como uma posição jurídica complexa, relacionada com qualquer tipo de informação pessoal, independentemente da sua natureza privada, cfr. PINHEIRO, Alexandre Sousa – Privacy e Protecção de Dados Pessoais…, op. cit., pág. 771.
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Proteção de dados pessoais: um direito relevante no mundo digital

Proteção de dados pessoais: um direito relevante no mundo digital

1) O artigo 25, parágrafo 6º da Directiva 95/46 / CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 24 de Outubro de 1995, relativa à protecção das pessoas no que diz respeito ao tratamento de dados pessoais e à livre circulação desses dados, em sua versão alterada pelo Regulamento (CE) n.º 882/2003, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 29 de setembro de 2003, entendida à luz dos artigos 7, 8 e 47 da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, deve ser interpretado no sentido de que uma decisão adotada ao abrigo dessa disposição, como a Decisão 2000/520 / CE da Comissão, de 26 de julho de 2000, sob a Directiva 95/46, relativa à adequação da proteção assegurada pelos princípios de porto seguro para proteger a privacidade e das perguntas mais frequentes, emitidas pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos da América, para o qual a Comissão Europeia constata que um país terceiro assegura um nível adequado de proteção, não impede que uma autoridade de controle de um Estado-Membro, a que se refere o artigo 28 desta diretiva, em sua versão modificada, examine o requerimento/reclamação de uma pessoa referente à proteção dos seus direitos e liberdades em relação ao tratamento de dados pessoais que lhe dizem respeito e que tenham sido transferidos de um Estado-Membro a esse país terceiro, quando essa pessoa alega que o Direito e as práticas em vigor não lhes garantem um nível adequado de proteção.
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AS TRANSFERÊNCIAS TRANSATLÂNTICAS DE DADOS PESSOAIS: O NÍVEL DE PROTEÇÃO ADEQUADO DEPOIS DE SCHREMS

AS TRANSFERÊNCIAS TRANSATLÂNTICAS DE DADOS PESSOAIS: O NÍVEL DE PROTEÇÃO ADEQUADO DEPOIS DE SCHREMS

A High Court lembra que a Constituição irlandesa exige que qual- quer ingerência nos direitos a respeito da vida privada e à inviolabilidade do domícilio seja proporcionada e respeite os requisitos previstos pela lei. Por isso, este Tribunal entende que o acesso massivo e indiscrimi- nado a dados pessoais é contrário ao princípio da proporcionalidade e aos valores fundamentais protegidos pela Constituição da Irlanda. Segundo este entendimento, para que as intercepções das comunicações eletrôni- cas sejam consideradas conformes com a Constituição irlandesa devem estar sujeitas ao cumprimento de uma série de requisitos cumulativos, tais como: apresentar provas de que as intercepções têm caráter seletivo; que a vigilância de certas pessoas ou de certos grupos de pessoas se justifica objetivamente no interesse da segurança nacional ou do combate à crimi- nalidade e de que existem garantias adequadas e verificáveis.
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O direito à autodeterminação informativa dos contribuintes e a proteção dos dados pessoais em matéria tributária

O direito à autodeterminação informativa dos contribuintes e a proteção dos dados pessoais em matéria tributária

No entanto, é de uma importância indubitável a delimitação do conceito de “terceiro” face à sua aplicabilidade no âmbito desta relação material. Este conceito indeterminado de terceiros vertido no artigo 35.º da CRP, face à ambiguidade que lhe é imanente e que prejudica a determinação do âmbito e pressupostos da aplicação da norma consagrada no referido preceito, tem vindo a ser objeto de um estudo alargado pela doutrina, sempre com vista a um perfeito funcionamento do preceito constitucional à luz dos valores axiológicos que se encontram inerentes à proteção dos dados pessoais. Nas palavras de BACELAR GOUVEIA 19 , neste conceito de terceiros “deve ser excluído, portanto, o conjunto de pessoas cuja profissão se relaciona com as diversas operações inerentes ao processamento automatizado desses dados e através da qual tomam conhecimento do seu conteúdo, bem como os responsáveis pelos ficheiros”. Já para GOMES CANOTILHO e VITAL MOREIRA 20 a noção de terceiros “deve abranger todas as pessoas, devendo o pessoal informático que a lei ou os códigos deontológicos considerem responsável pelo ficheiro estar sujeito a um dever de sigilo profissional”.
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A PROTEÇÃO DE DADOS PESSOAIS COMO DIREITO FUNDAMENTALEA [IN]CIVILIDADE DO USO DE COOKIES

A PROTEÇÃO DE DADOS PESSOAIS COMO DIREITO FUNDAMENTALEA [IN]CIVILIDADE DO USO DE COOKIES

A Corte afirmou que o moderno processamento de dados pessoais configura uma grave ameaça à personalidade do indivíduo, na medida em que possibilita o armazenamento ilimitado de dados, bem como permite a sua combinação irrestrita, de modo a formar um retrato completo da pessoa sem a sua participação ou conhecimento. Nesse contexto, entendeu que o elenco de dados classificados como sensíveis não resguardaria adequadamente o indivíduo diante da nova realidade tecnológica, pelo fato de não existir dado pessoal sem importância, não sendo possível subtrair nenhuma categoria de dados à disciplina jurídica, visto que as modernas tecnologias informáticas tornam possível extrair de dados aparentemente insignificantes informações mais delicadas. Argumentou, ainda, que a Constituição alemã protege o indivíduo contra o tratamento indevido de dados pessoais por meio do direito fundamental ao livre desenvolvimento da personalidade, segundo o qual o indivíduo tem o poder para determinar o fluxo de suas informações na sociedade111 . Dessa forma, atendendo ao direito neonato, estabeleceu-se que os indivíduos devem possuir o poder de controlar a legitimidade do recolhimento, da divulgação e da utilização dos seus dados pessoais.
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Panorama brasileiro sobre a proteção de dados pessoais: discussão e análise comparada

Panorama brasileiro sobre a proteção de dados pessoais: discussão e análise comparada

No Art. 13 igualmente se faz diferenciação entre os meios físicos e escritos. Contudo, uma crítica deve ser feita ao inciso VII – mesmo que esteja nos moldes do Art. 43 do CDC – pois, como em outras partes do Anteprojeto é necessário rever a metodologia de diferenciação ou determinar os casos em que a comunicação pode ser processa- da de forma totalmente eletrônica. Acerca da di- ferenciação, convém esclarecer que algumas leis não distinguem se a comunicação deve ser feita em formato eletrônico ou por escrito. Tal se dá no presente caso, no qual se observa que o inciso em referência se limita a afirmar que a comunicação deve ser feita por escrito para o titular, no caso de inadimplemento de obrigação, sem diferenciar o que pode ser considerado como “por escrito”. Cumpre observar no Art. 14 (o qual traz boas condutas sobre o tratamento das informações pessoais), que o inciso V (que dispõe sobre o tempo de armazenamento dos dados pessoais) recai sobre a mesma problemática enfrentada atualmente pelos tribunais, tanto pela doutrina, como pelo Projeto de Lei nº 2.126/2011: ao de- terminar que os dados não devam ser conserva- dos por período de tempo superior ao necessário para as finalidades que justificaram sua coleta, o texto repassa para a Autoridade de Garantia (AG) ou para as instituições cabíveis a determinação deste prazo.
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O  DE BANCOS DE DADOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL BRASILEIRA E A  DOS DADOS PESSOAIS  José Renato Gaziero Cella

O DE BANCOS DE DADOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL BRASILEIRA E A DOS DADOS PESSOAIS José Renato Gaziero Cella

Compartilhar essas informações tem um grande potencial de fragilizar os sistemas de proteção de dados pessoais passíveis de ser implantados, na medida em que uma possível vulneração permitirá o acesso indevido a todos os dados relevantes, inclusive dados sensíveis, do cidadão. Ainda, são disponibilizadas às autoridades estatais informações que não lhes seria legítimo aceder, com a elevação de exercício de controles nem sempre utilizados de forma adequada (CELLA, ARNS DE OLIVEIRA, 2015).

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As diretivas comunitárias de proteção de dados pessoais e a sua aplicação em Portugal:barreiras e facilitadores

As diretivas comunitárias de proteção de dados pessoais e a sua aplicação em Portugal:barreiras e facilitadores

de marketing, assume neste aspeto em particular um papel preponderante para que, de uma forma apelativa consigam explicar às pessoas e numa linguagem acessível o que realmente irão fazer com os seus dados pessoais. O excesso de informação na minha opinião é contraproducente. A omissão de informação ou uma informação deficiente também não é solução. Tem que haver um equilíbrio, prestar a informação que é necessária, de forma clara e criativa, que cative as pessoas, por exemplo e em linha com as opiniões do grupo de trabalho do artigo 29.º, dar a informação por camadas. À medida que se vai fazendo o registo, a informação é prestada e as pessoas podem ir fazendo as suas escolhas de forma esclarecida, passo a passo, mas de forma a que a pessoa no meio do processo não desista do serviço ou produto. Nesta medida, a resposta à pergunta é: é um facilitador, mas é essencial assegurar que a informação é prestada de forma clara, simples e apelativa, para permitir que as pessoas tomem decisões esclarecidas.
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A proteção de dados pessoais e privacidade do utilizador no âmbito das comunicações eletrónicas.

A proteção de dados pessoais e privacidade do utilizador no âmbito das comunicações eletrónicas.

No entanto, Comissão Nacional de Proteção de Dados dispõe ainda de outras competências, tais como i) competência consultiva relativa à emissão de parecer obrigatório em relação quer a disposição legais, quer a atos de direito comunitário ou internacional (artigo 23.º, n.º 1); ii) competência decisória que se traduz, entre outras, na autorização prévia do tratamento de dados sensíveis explicitado no artigo 7.º, de dados relativos a suspeitas de atividades ilícitas, infrações penais, contraordenações, decisões que apliquem penas, medidas de segurança, coimas e sanções acessórias, de dados pessoais obtidos através da interconexão de dados sobre crédito e solvabilidade (conforme artigos 8.º, n.º 2, 9.º, 23.º, n.º1, alínea b), c) e d) e 28.º), na autorização prévia para prossecução de finalidades não determinantes da recolha (artigo 23º, n.º 1, alínea b)); iii) competência regulamentar pode ser autorizada a simplificação ou isenção da notificação, sendo o ato autorizado publicado no Diário da República, juntamente com a especificação das finalidades, a categoria de dados a tratar e a categoria dos destinatários (artigo 27.º, n.º 1 e 2) emitir diretivas sobre o tempo de conservação de dados pessoais para determinados setores de atividades (artigo 23.º, n.º 1 alínea f)), emitir diretivas sobre medidas de segurança para determinados setores de atividades (artigo 23.º, n.º 1 alínea l)) 61 .
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O direito à privacidade: uma reflexão acerca do anteprojeto de proteção de dados pessoais

O direito à privacidade: uma reflexão acerca do anteprojeto de proteção de dados pessoais

No Brasil, há o Código do Consumidor de 1990 que versa sobre os bancos de dados nas relações de consumo e legislação complementar, autorizando quebra de sigilo ban- cário, em situações excepcionais, sem autorização judicial. Porém, inexiste legislação específi ca da tutela dos dados pessoais e, conforme assinala Doneda (2006, p. 358), a tutela de dados pessoais possuiria um caráter instrumental, derivado da proteção da privacidade, mas seria limitada por essa. Conforme entrevista concedida por Daniel Doneda, um dos responsáveis pela elaboração do anteprojeto, a lei tem por objetivo garantir direitos ao cidadão sobre seus dados pessoais, além de determinar o modo de tratamento desses dados pela iniciativa privada e entidades públicas. Além disso, os dados pessoais devem ser tratados, pelas entidades públicas e privadas, sob o viés dos princípios da fi nalidade, transparência, segurança e responsabilidade.
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A PROFISSÕES DA SAÚDE E O TRATAMENTO DOS DADOS PESSOAIS: BOAS PRÁTICAS E A CONFORMIDADE

A PROFISSÕES DA SAÚDE E O TRATAMENTO DOS DADOS PESSOAIS: BOAS PRÁTICAS E A CONFORMIDADE

Diante de um cenário cada vez mais digital, o prontuário digitalizado deverá estar em conformidade com a Lei de proteção de Dados pessoais, com a Lei 13.787, visto que contudo são complementares pois qualquer desses diplomas legais tutelam de forma geral a relação dos princípios da segurança informação diante das liberdades, direitos e garantias fundamentais individuais de seus titulares. Assim, fica transparente que a adequação é algo que deve ocorrer não só os estabelecimentos médicos, mas em todos que realizam o tratamento de dados. E é muito importante ver isso não como uma penali- dade, mas como um investimento pela tutela dos titulares e credibilidade diante do valor agregado pela proteção dos dados dos pacientes.
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SEGURANÇA DE DADOS PESSOAIS NA INTERNET SOB A ÉGIDE DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS

SEGURANÇA DE DADOS PESSOAIS NA INTERNET SOB A ÉGIDE DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS

A sociedade digital é essencialmente colaborativa e prevalece o compartilhamento de dados, informações e conhecimentos, com acessibilidade gradual e crescente. Mas o tratamento de dados pessoais deve respeitar um dos pilares dessa sociedade, que é o respeito à privacidade, que tem relação direta com vários níveis de proteção (proteção da imagem, honra e reputação, proteção da vida privada e intimidade, proteção de informações pessoais, proteção de comunicações e proteção do domicílio). Muitos serviços na internet cobram dados e informações dos usuários, mas o Marco Civil dificulta a vida de quem quer usar, de modo indevido, os dados alheios, fazendo com que seja essencial a concordância prévia do usuário por meio de uma ciência quanto à Política de Privacidade. Não se pode olvidar que a Constituição Federal, no artigo 5º, incisos X e XII, protege a intimidade, a privacidade e os dados, além do que o Código Civil, no artigo 21, define que a vida privada é inviolável. Cabe ao Judiciário, quando solicitado, adotar as providências necessárias para evitar ou interromper qualquer comportamento que viole essas proteções.
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