Demarcação da terra indígena

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A medida do decidir: atuação do STF nos processos de demarcação territorial pós-julgamento da Terra Indígena Raposa Serra do Sol

A medida do decidir: atuação do STF nos processos de demarcação territorial pós-julgamento da Terra Indígena Raposa Serra do Sol

Após seis anos do reconhecimento da legalidade da demarcação contínua da terra Indígena Raposa Serra do Sol, arrefecido o debate midiático, algumas considerações sobre os desdobramentos jurisprudenciais daquele julgamento já podem ser feitos com maior clareza. Por essa razão, neste artigo, nosso olhar se dirigirá às respostas dadas pelo Supremo aos casos posteriores ao da Raposa Serra do Sol. O objetivo é compreender se a afirmação de Lassale (2001) sobre a aplicabilidade das normas constitucionais (aqui entendido como reconhecimento de direitos) dependeria mesmo de um ambiente disposto a receber determinada decisão. A esse entender, as análises de algumas decisões tendem a concordar com Carrió (1986), quando afirma que, a despeito dos Tribunais serem compreendidos como a instância garantidora dos direitos das minorias os casos concretos não validam essa apresentação. Ao contrário, sua atuação contramajoritária restaria facilitada quando não mais existissem maiorias adversárias na arena política. A constatação faz surgir um questionamento que, percebemos, tem estado presente nos recentes estudos sobre os Tribunais Superiores (WERNECK VIANNA et al., 1999; VIEIRA, 2002), não apenas o brasileiro, mas que aqui poderia ser expressa da seguinte maneira: seria o Supremo Tribunal Federal um ente organicamente político?
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“Anna Pata, Anna Yan – nossa terra, nossa mãe”: a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol e os direitos territoriais indígenas no Brasil em julgamento

“Anna Pata, Anna Yan – nossa terra, nossa mãe”: a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol e os direitos territoriais indígenas no Brasil em julgamento

158 responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade; (ix) o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade responderá pela administração [r]

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JURISDIÇÃO CONSTITUCIONAL E AS COMUNIDADES INDÍGENAS: O CASO RAPOSA SERRA DO SOL À LUZ DA CRÍTICA AO ATIVISMO JUDICIAL

JURISDIÇÃO CONSTITUCIONAL E AS COMUNIDADES INDÍGENAS: O CASO RAPOSA SERRA DO SOL À LUZ DA CRÍTICA AO ATIVISMO JUDICIAL

Em 1979, foi instituído o Grupo de Trabalho (GT), para que fosse definida a área a ser demarcada pela FUNAI através da Portaria 509/1979. Esse GT concluiu seus estudos entendendo que a delimitação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol deveria abarcar 1.350.000A hectares. A proposta de demarcação da Terra Indígena, porém, não foi aprovada pelo presidente da FUNAI. Em 1983, foi publicado o Decreto nº 88.118/83, que alterou a metodologia para demarcação de terras indígenas. O processo, que anteriormente ocorria sob a competência da FUNAI, tanto no que concerne à iniciativa, no que tange às coordenadas do procedimento, passou a ser manejado por duas instâncias. A primeira tinha a competência para expedir parecer conclusivo a respeito da delimitação da área defendida pela FUNAI. Essa instância seria formada por representantes do Ministério do Interior, Ministério Extraordinário para Assuntos Fundiários, Fundação Nacional do Índio, além de haver a possibilidade de requisitar a colaboração de órgãos estaduais e federais que fossem convenientes ao procedimento. A segunda instância era composta por representantes do Ministério de Estado do Interior e Ministério Extraordinário para Assuntos Fundiários, tendo a função de emitir a decisão final a respeito dos limites a serem reconhecidos e demarcados. Ao final, se aprovada, tal decisão deveria ser levada ao Presidente da República para que constituísse o perímetro a ser demarcado, por meio de Decreto.
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Os direitos humanos e fundamentais dos povos indígenas e os juízes: olhares presentes na jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos e do Supremo Tribunal Federal MESTRADO EM DIREITO

Os direitos humanos e fundamentais dos povos indígenas e os juízes: olhares presentes na jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos e do Supremo Tribunal Federal MESTRADO EM DIREITO

Em um dia normal a plateia não tem mais do que cinquenta pessoas para uma lotação máxima de 376 pessoas. Mas esse é um grande dia, em que será julgado o caso que envolve a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. A plateia aguardava ansiosa o início do julgamento. A primeira fileira sempre reserva seus lugares para o Advogado-Geral da União e os advogados das partes dos processos a serem julgados. O procurador-geral do Estado de Rondônia, o senador Mozarildo Cavalcanti, o ex-ministro do STF, Francisco Rezek, e outros advogados eram os representantes do Estado de Roraima e dos fazendeiros contrários à demarcação. A favor da demarcação, a advogada indígena Joênia Wapixana, representante dos povos indígenas da Raposa Serra do Sol, advogados do Conselho Indigenista Missionário, procuradores da República do Ministério Público Federal, procuradores da Funai, representantes da Advocacia-Geral da União. Ministros, senadores, deputados, prefeitos, funcionários públicos, integrantes das forças armadas, ONGs, todos queriam acompanhar de perto a sessão. O caso, com repercussão nacional, atraiu uma grande quantidade de ilustres convidados. A figura mais festejada era a senadora Marina Silva, ex-
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Ecologia global contra diversidade cultural? Conservação da natureza e povos indígenas no Brasil: O Monte Roraima entre Parque Nacional e terra indígena Raposa-Serra do Sol.

Ecologia global contra diversidade cultural? Conservação da natureza e povos indígenas no Brasil: O Monte Roraima entre Parque Nacional e terra indígena Raposa-Serra do Sol.

O PNMR existe no papel há cerca de 10 anos. Apenas entre o segundo semestre de 1999 e o início de 2000 o IBAMA iniciou o processo de implementação do Parque Nacional. Neste caso, o quadro geral da sobreposição UC-TI é enriquecido por fatores locais específicos que precisam ser analisados numa perspectiva histórica. Na época do decreto de criação do Parque Nacional, em 1989, o processo de demarcação da Terra Indígena estava em andamento. Duas pequenas áreas indígenas distintas tinham sido preliminarmente identificadas na região, das quais uma, a Área Indígena Ingarikó, tinha sido demarcada em 13 de Junho de 1989. A área do Parque Nacional tinha sido demarcada às margens da Área Ingarikó, e o decreto de criação do Parque foi assinado apenas 15 dias depois, em 28 de Junho de 1989. Porém, o processo de reconhecimento da terra indígena continuou nos anos seguintes, atravessando ásperos conflitos políticos e legais, terminando em 1998 com a demarcação da área contínua Raposa-Serra do Sol. Não reconhecendo a eficácia da demarcação da Terra Indígena por falta do decreto de homologação, o IBAMA age com independência na implementação do PNMR. Seguin- do esta linha de pensamento, o Plano de Manejo define a UC como « área pretendida pela FUNAI », e percebe a possível homologação da TI como ameaça.
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A FIXAÇÃO DO MARCO TEMPORAL NO JULGAMENTO DA RAPOSA SERRA DO SOL E SUA REPERCUSSÃO NA DESCONSIDERAÇÃO DOS DIREITOS  INDÍGENAS NO BRASIL  Daize Fernanda Wagner

A FIXAÇÃO DO MARCO TEMPORAL NO JULGAMENTO DA RAPOSA SERRA DO SOL E SUA REPERCUSSÃO NA DESCONSIDERAÇÃO DOS DIREITOS INDÍGENAS NO BRASIL Daize Fernanda Wagner

O caso tornou-se objeto de polêmica por conta da amplitude dos assuntos sobre os quais se manifestaram os Ministros, indo muito além do pedido inicialmente formulado pelo autor da ação popular. Nessa direção, utilizando-se de técnica de decisão peculiar, o STF acabou delimitando vários aspectos relacionados ao exercício do usufruto daquele território pelos indígenas. Ao final, o pleno do STF reconheceu, por maioria, a legalidade da demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, em formato contínuo, tal como estabelecido na Portaria n. 534/2005, do Ministério da Justiça. Todavia, além disso, criou as denominadas condicionantes ou salvaguardas institucionais e, além delas, estabeleceu os marcos temporal e da tradicionalidade da ocupação para o reconhecimento da posse indígena. “No caso em exame, entregou-se o que não havia sido pedido. Decidiu-se sobre o que as partes não haviam discutido no decorrer de tão longa tramitação processual.” (SILVEIRA, 2015, p. 38)
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DIREITO AO DESENVOLVIMENTO DAS COMUNIDADES INDÍGENAS: O DIREITO AO TERRITÓRIO INTERPRETADO PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NO JULGAMENTO DA TERRA INDÍGENA RAPOSA SERRA DO SOL

DIREITO AO DESENVOLVIMENTO DAS COMUNIDADES INDÍGENAS: O DIREITO AO TERRITÓRIO INTERPRETADO PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NO JULGAMENTO DA TERRA INDÍGENA RAPOSA SERRA DO SOL

RESUMO: O presente artigo pretende analisar o contexto do direito ao desen- volvimento das comunidades indígenas, bem como o direito ao território e a utilização dos recursos naturais, tentando compreender os motivos desta re- percussão na atualidade. Para tanto, será necessário um aprofundamento te- órico no que diz respeito às comunidades indígenas, especialmente no julga- mento da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, e o entendi- mento do Supremo Tribunal Federal quanto à interpretação dos direitos origi- nários dos índios sobre suas terras que tradicionalmente ocupam, que são re- conhecidos pela Constituição Federal de 1988 como direitos originários, ao próprio advento do Estado brasileiro.
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O sistema médico Sanumá-Yanomami e sua interação com as práticas biomédicas de atenção à saúde.

O sistema médico Sanumá-Yanomami e sua interação com as práticas biomédicas de atenção à saúde.

Em suma, no ano de 1991, dois fatos marca- ram a relação dos Yanomami com o Estado bra- sileiro: a demarcação da Terra Indígena Yanoma- mi e a criação do Distrito Sanitário Yanomami (DSEY). De acordo com Mendes 15 , a proposta de distritalização dos serviços de saúde visava criar unidades operacionais e administrativas base- adas em um modelo de atenção voltado para o controle preventivo e gestor da saúde de deter- minado grupo. Mesmo diante desses dois even- tos marcantes para os Yanomami, o desenvolvi- mento de políticas e a garantia de direitos ainda é uma luta política constante. Assim, os anos se- guintes à instalação do DSEY transcorreram em meio a uma crise contínua na sua gestão, com denúncias de corrupção, falta de apoio político para os servidores em áreas indígenas e planeja- mento das ações. Em meados da década de 1990, a FUNASA passou a firmar convênios com ONGs e outras entidades, objetivando desencadear a assistência à saúde dos Yanomami.
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Hist. cienc. saudeManguinhos  vol.17 número2

Hist. cienc. saudeManguinhos vol.17 número2

de Ponta Porã, Mato Grosso do Sul. Tal perícia foi solicitada para compor os autos do litígio judicial, no qual os proprietários de terras incluídas no perímetro identificado e delimitado como terra indígena em processo administrativo conduzido pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e, posteriormente, demarcadas pelo Ministério da Justiça e homologadas pelo presidente da República, contestam a demarcação da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, no município de Antônio João. Trata-se de uma área na fronteira entre Brasil e Paraguai, identificada e delimitada pela Funai como sendo de ocu- pação tradicional de uma comunidade indígena, que recebe o mesmo nome da área em questão e pertence à etnia kaiowa.
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Os instrumentos de bordo: expectativas e possibilidades do trabalho do antropólogo em laudos periciais

Os instrumentos de bordo: expectativas e possibilidades do trabalho do antropólogo em laudos periciais

O que me parece preocupante é que a contribuição mais importante que um antro- pólogo pode dar ao processo de definição de uma terra indígena é usualmente desvalori- zado face à sedução (algumas vezes marca- damente ideológica e simplificada) de fazer história. Estou me referindo ao que anterior- mente chamei de “uma identificação positi- va” (Oliveira & Almeida, 1988) – isto é, um inquérito, conduzido através do trabalho de campo e das técnicas próprias da Antropolo- gia, sobre os usos que os índios fazem do seu território, bem como sobre as representações que sobre ele vieram a elaborar. O que inclui desde as práticas de subsistência (como co- leta, caça e agricultura) até atividades rituais (como o estabelecimento de cemitérios ou outros sítios sagrados), passando por formas sociais de ocupação e demarcação de espa- ços (como a construção de habitações e a de- finição de unidades sociais como a família, a aldeia e a “comunidade política” mais abran- gente). Por sua vez as representações sobre o território devem ser investigadas em todas as dimensões e repercussões que possuem, isso atingindo não só o domínio do sagrado (onde entram as relações com os mortos, as divindades e os poderes personalizados da natureza), mas também as classificações so- bre o meio ambiente e suas diferentes formas de uso e de apropriação, ou ainda as concep- ções sobre autoridade, poder político, rela- ção com outros povos indígenas e a presença colonial do homem branco.
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Amazônia indígena: conquistas e desafios.

Amazônia indígena: conquistas e desafios.

uma população de aproximadamente 208 mil indivíduos. São povos com as mais diver- sas situações de relação e contato com as sociedades não indígenas, marcadamente oci- dentais e européias. Ali vivem desde povos resistentes (também chamados ressurgidos) até os povos livres (isolados, que não têm contato algum com as sociedades nacionais). Este texto aborda a presença indígena na região, o movimento indígena e a relação dos povos com o Estado brasileiro, responsável pela demarcação das terras tradicionalmente indígenas. Aborda-se também a relação com os setores que têm interesses econômicos na região e com setores militares, contrários à demarcação de terras em faixas de fron- teira. O texto apresenta, como exemplo desses conflitos, a não-homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.
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Educação ambiental no âmbito da escola diferenciada da Terra Indígena Lagoa da Encantada, raz  Ceará

Educação ambiental no âmbito da escola diferenciada da Terra Indígena Lagoa da Encantada, raz Ceará

O grande problema de nós aqui... Vou dizer pra você com toda franqueza. Se nós resolvesse esse problema, nós estava salvo. Problema da mãe terra. Desde a década de 84 que eu venho buscando. Esse é o grande problema do povo Jenipapo Kanindé e não é nada pequeno. Esse problema não é nada pequeno. Essa causa não é nada pequena. Esse problema é essa causa é impossível, é do povo Jenipapo Kanindé. Se o nosso pai, o nosso pai do céu, nosso senhor Jesus Cristo, nosso pai Tupã... O nosso deus dos deuses... Do sol, da lua, que tudo são deus pra nós, as estrela, os trovão, os relâmpago, que tudo são deus pra nós. Esse deus dos deus, dos encantado, das mata, das água... Esse nosso deus tão poderoso, que é o deus de tudo, se ele pusesse as mãos sobre o povo Jenipapo Kanindé... E fizesse os homem da terra entender que nós precisamos de viver uma vida digna, livre, sã e salvo, e esse homem terminasse de concluir a nossa demarcação, o registro da nossa terra, nós estava são e salvo e livre pro resto da vida. Porque o que causa mais dentro de todos os problema que se vê lutando, entre água, entre comida, entre... Tudo! Agora engloba tudo. Essa é a única coisa que nós necessitamos. Se acontecesse isso pra nós, pronto! Nós estava livre, até pra eternidade porque (INAUDÍVEL), mas nós sabia que nós estava sossegado. Nós sabia que estava livre. Esse é o grande problema da nossa vida (MC 6).
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Open Terra indígena x terra de usina: legislação  e fundiária e os conflitos na TI Potiguara MonteMorPB

Open Terra indígena x terra de usina: legislação e fundiária e os conflitos na TI Potiguara MonteMorPB

A história recente do contato dos índios com a sociedade nacional no Brasil tem sido marcada por conflitos socioambientais e fundiários em decorrência do confronto com grandes projetos governamentais de desenvolvimento e com o apoio às empresas privadas, visando a exploração dos recursos naturais, provocando uma contínua desterritorialização dos indios. A presente pesquisa tem como objetivo principal analisar os conflitos socioambientais e fundiários na Terra Indígena (TI) Potiguara Monte Mor no Litoral Norte da Paraíba, provocados pela presença de usinas sucroalcooleiras neste território e de uma Área de Proteção Ambiental (APA) sobreposta à Terra Indígena. A realização da pesquisa envolveu diferentes procedimentos metodológicos, desde a pesquisa bibliográfica a respeito da legislação ambiental e indigenista brasileira do século XVII ao século XXI; e documental sobre os processos administrativos autuados pelo IBAMA entre 1990 e maio de 2012 e as formas de resolução extra judicial de conflitos através de ações do Ministério Público Federal – MPF e outros atores sociais; a pesquisa de campo que visou realizar um mapeamento dos conflitos socioambientais e fundiários na TI Potiguara Monte Mor/PB identificado os atores sociais envolvidos; e, por fim, foi gravado um vídeo com o intuito de identificar de forma participativa os problemas ambientais através de uma pesquisa-ação com a presença de professores e alunos da Escola Cacique Domingos na TI Potiguara Monte Mor, verificando problemas ambientais como o desmatamento e a disposição inadequada do lixo, o que ocasionou a realização de atividades de campo com os Potiguara na Aldeia Jaraguá com a realização do plantio de mudas nativas na nascente de rio com fonte de água mineral e a coleta de lixo na aldeia. A metodologia do mapeamento dos conflitos foi desenvolvida com base em Little (2006) através da etnografia dos conflitos, para tanto, baseou-se numa pesquisa de cunho qualitativo com entrevistas semi estruturadas, de caráter exploratório com viés descritivo. Na análise de conteúdo de Bardin (2004) teve como resultado a visibilidade dos conflitos socioambientais e fundiários na TI Potiguara Monte Mor e a pesquisa-ação através da produção do vídeo possibilitou a sensibilização da comunidade para a gestão territorial ambiental com autonomia a partir da reterritorialização. Finalmente, a pesquisa aduz sobre o uso efetivo das políticas públicas previstas pela PNGATI (2012) na busca por soluções desses conflitos, além da necessidade na conclusão do processo demarcatório da TI com a homologação da demarcação pela União.
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Evidências e significados da mobilidade territorial: A Terra Indígena Kaiabi (Mato Grosso/ParÃ

Evidências e significados da mobilidade territorial: A Terra Indígena Kaiabi (Mato Grosso/ParÃ

A pesquisa na T.I. iniciou em maio de 2008, como parte do projeto “Arqueo- logia, Etnoarqueologia e História Indígena. Um Estudo sobre a Trajetória de Ocupação Indígena em Territórios do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul: a Terra Indígena Kaia- bi e a Aldeia Lalima”. A proposta do projeto é o estudo arqueológico e etno- arqueológico das trajetórias históricas e culturais das diferentes populações indígenas que ocuparam e ocupam os territórios atuais da Aldeia Lalima/MS e da T.I. Kaiabi/MT. O objetivo é vis- lumbrar os processos de continuidade, mudança e ruptura nas trajetórias destas populações, bem como a dialética entre passado e presente, incluindo as inter- pretações indígenas sobre este tema. Durante a apresentação do projeto e a negociação da pesquisa, a principal questão levantada pelos Kaiabi foi re- lativa à possibilidade da pesquisa gerar dados úteis à demarcação da área, cujo processo ainda está em andamento. Segundo os Kaiabi, muitos estudos ha- viam sido feitos sobre sua questão fun- diária, porém até aquele momento não havia resultados concretos, tampouco o retorno das informações outrora co- letadas sob encomenda de órgãos go- vernamentais. Esclarecemos que a nos- sa pesquisa era distinta das realizadas oficialmente para a demarcação da ter- ra, mas que seus resultados poderiam ser úteis aos interesses Kaiabi.
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Territorialidade e demarcação de terras indígenas no Tocantins: o histórico dos Karajá do Norte

Territorialidade e demarcação de terras indígenas no Tocantins: o histórico dos Karajá do Norte

Mesmo após a Constituição de 1934 ter garantido a posse da terra aos indígenas, os estados federados tratavam as terras indígenas como devolutas, sendo esta questão resolvida apenas com o Estatuto do Índio em 1973. Situação que ocorreu com a Terra Indígena Xambioá, que iniciou a demarcação pelo SPI, perante o Insituto de Desenvolvimento Agrário de Goiás (IDAGO), cuja aldeia era localizada no Município de Filadélfia, ainda Estado do Goiás, em 30 de março de 1963. Posteriormente, o terreno passaria para o Município de Araguaína, Estado do Tocantins. O termo dado como título de domínio foi assinado pelo Inspetor, Governador do Estado, pelo Secretário de Estado da Agricultura, Indústria e Comércio. “O Título do Imóvel foi registrado no Cartório do 1º Oficio e Registro de Imóvel Anexos na comarca e município de Araguaína, no dia 30 de março de 1963, foi transcrito sob o n° 1.576, fls. 96-97 do livro 3-D de Transcrição das Transmissões” (MELO, 1996: 98). Extinto o SPI, essa área indígena Xambioá, teve seu processo continuado pela FUNAI, que passou a gerenciar a política indigenista a partir de 1967.
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TERRITORIALIDADE E MEIO AMBIENTE DA TERRA INDÍGENA PITAGUARY, CEARÁ- BRASIL: REFLEXÕES ACERCA DAS POSSIBILIDADES DO MAPEAMENTO PARTICIPATIVO NA ALDEIA DE MONGUBA

TERRITORIALIDADE E MEIO AMBIENTE DA TERRA INDÍGENA PITAGUARY, CEARÁ- BRASIL: REFLEXÕES ACERCA DAS POSSIBILIDADES DO MAPEAMENTO PARTICIPATIVO NA ALDEIA DE MONGUBA

A comunidade 1 indígena Pitaguary está localizada na Região Metropolitana de Fortaleza (Figura 1), especificamente nos municípios de Maracanaú e Pacatuba sendo constituída por cinco aldeias: Aldeia Nova, Santo Antônio, Olho D` Água, Horto e Monguba cuja situação de suas terras foram reconhecidas, no dia 03 de julho de 2000, por meio do relatório oficial da FUNAI possuindo 1.735 hectares (GALDINO, 2007). Destaca-se a existência de uma decisão judicial em caráter liminar que proibia a demarcação que foi cassada em 15 de maio de 2003. A comunidade indígena espera que esse processo demarcatório tivesse continuidade, com vistas à legitimação da identidade cultural, do território e do uso tradicional da sua terra. A Figura 1 apresenta a localização geográfica da TI Pitaguary.
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A SOBREPOSIÇÃO DE MUNICÍPIO EM TERRA INDÍGENA E A PROTEÇÃO FEDERATIVO-CONSTITUCIONAL

A SOBREPOSIÇÃO DE MUNICÍPIO EM TERRA INDÍGENA E A PROTEÇÃO FEDERATIVO-CONSTITUCIONAL

apesar de reconhecer sua sobreposição na TISM, porém excluindo a sede ou o núcleo urbano do município dos limites territoriais da TISM. Com isto o conflito sob o aspecto jurídico e político entre a União e o Estado de Roraima, poderia ser mitigado. Neste ponto, mais uma vez, cita-se o precedente no julgamento da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em que foi excluída a sede do Município de Uiramutã e fixados os limites territoriais do Município de Normandia 26 , fora da área indígena. Tal decisão foi tomada, por conta da preexistência dos municípios quando se iniciou o processo de demarcação e homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Interessante esclarecer que, neste processo questionava-se a demarcação e homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e não os atos legislativos de criação dos municípios de Uiramutã e Normandia. Também é a solução defendida pelo Estado de Roraima 27 , e a que tem sido aceita pela população não índia e parte da população indígena, contrariando os órgãos de representação das comunidades indígenas 28 .
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Assalariamento na Terra Indígena Mangueirinha: estratégias Guarani e Kaingang

Assalariamento na Terra Indígena Mangueirinha: estratégias Guarani e Kaingang

Eu percebo assim também que a diferença da cultura deles (dos Kaingang) é a questão de mistura. Existe uma história pra isso, não foi perdido por acaso assim... Não é porque o índio não quer falar mais a língua, não! Existe uma história, aqui na Terra Indígena Mangueirinha, de que os fazendeiros moravam aqui e começaram a se misturar, né. E na época, quando foi feita a demarcação de terra, tinha alguns não indígenas que falavam que também tinham direitos e o governo na época não conseguiu dar o direito que eles tinham, os posseiros, né (os não índios). Tinha aqueles bem pobrezinhos, às vezes pior que o índio, o que o governo fez na época, não podia fazer um despejo e falar você tem que sair daqui, porque o coitado morava no mato também, e o índio também aceitou, né. Não porque ele queria, mas ele não percebeu que mais tarde poderia ser prejudicado, e foi o que aconteceu, né... Aqueles não indígenas que morava no paiolzinho no mato queria ficar. Daí o índio bonzinho disse ‘tudo bem, quer ficar, fique’. Depois a piazadinha cresceram, e o índio casou com aquele filho do branco e onde foi misturando, e aconteceu que hoje já não falam mais a língua, então foi em função da história... Às vezes, as pessoas dizem ‘ele não é mais índio, ele perdeu a língua’, não é bem assim, a gente tenta explicar, que não foi bem assim, por exemplo, os alemão, os polonês, os italiano que vieram aqui pro Brasil, alguns ainda falam a língua, mas os jovens, a geração nova já não falam mais. Foi o que aconteceu com os Kaingang aqui de Mangueirinha. Aqui, as crianças aprendem falar o Guarani em casa, vendo os pais falar, daí na escola aprende a escrita. (Cacique Guarani).
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A cerâmica arqueológica na terra indígena Kaiabi (MT/PA)

A cerâmica arqueológica na terra indígena Kaiabi (MT/PA)

O material cerâmico aqui analisado foi coletado na Terra Indígena Kaiabi, no baixo Teles Pires, em Mato Grosso e Pará, como parte de uma pesquisa diretamente vinculada ao projeto “Arqueologia, Etnoarqueologia e História Indígena: um estudo sobre a trajetória de ocupação indígena em territórios do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul: a terra indígena Kayabi e a aldeia Lalima”, coordenado pela Profª Drª Fabíola Andrea Silva e realizado entre 2006 e 2010 1 . Este projeto, feito de maneira colaborativa com os indígenas, teve como principal objetivo contribuir para a recuperação das histórias de ocupação indígena dos territórios onde estão a T. I. Kaiabi (MT/PA) e a Aldeia Lalima (MS), assim como das trajetórias históricas e culturais das populações que ainda ocupam estes territórios nos dias de hoje (SILVA et al., 2006: 8). Outra preocupação do projeto foi explicitar o modo como as populações atuais se relacionam com as ocupações passadas, considerando sua interpretação sobre esse processo de ocupação territorial. Além disso, foi feita uma reflexão sobre a prática arqueológica em terras indígenas e suas implicações para as populações que nelas habitam, e que convivem e se relacionam com os vestígios arqueológicos (BESPALEZ, 2009; STUCHI, 2010; POUGET, 2010; SILVA, 2009; SILVA et al., 2010).
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Tudo é macaco, mas cada um deles funciona diferente : as contradições da política de extensão indígena - o caso dos Jaminawa - AC

Tudo é macaco, mas cada um deles funciona diferente : as contradições da política de extensão indígena - o caso dos Jaminawa - AC

Aliados a esses danos têm-se outros efeitos relevantes, que estão ocultos e muitas vezes nunca avaliados nessas intervenções; um deles é o que se passa internamente com essas populações, considerando suas diferentes configurações e visões de mundo, próprios de suas culturas, onde a separação dos parentes que ficam espalhados em diferentes países com legislações distintas, vai além da perda física. Pior ainda é a perda de referências por se encontrar fora da realidade simbólica e cultural indígena, porque chefe e pajé, por exemplo, têm outra racionalidade de escolha e de significado junto ao seu povo, pois “os guardiães têm muita importância dentro da tradição, são os agentes ou mediadores essenciais de seus poderes causais. Lidam com o mistério nas suas habilidades de arcano” (GIDDENS,1997:83), o que é diferente das razões de escolha de um chefe de Estado ou de uma autoridade religiosa católica, por exemplo.
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