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Crescimento econômico, desenvolvimento financeiro e transferência de recursos via intermediação financeira: a experiência brasileira

Crescimento econômico, desenvolvimento financeiro e transferência de recursos via intermediação financeira: a experiência brasileira

Patrick (1966) também contribuiu para essa literatura, identificando dois padrões possíveis na relação causal entre o desenvolvimento financeiro e o crescimento econômico. O primeiro é chamado de “demand-following”, o que significa que a criação de instituições financeiras modernas, os seus ativos e passivos financeiros, e outros serviços financeiros é uma resposta à demanda por estes serviços por parte de investidores e poupadores do lado real da economia (Patrick, 1966, p. 174). Esta abordagem implica que o sistema financeiro pode, assim, apoiar e sustentar os setores de ponta no processo de crescimento. Aqui, uma expansão do sistema financeiro é induzida como consequência do crescimento econômico real. O segundo padrão é denominado “supply-leading”, o que significa que a criação de instituições financeiras e a oferta de seus ativos, passivos e serviços financeiros antecede sua demanda, especialmente a demanda de empresários nos setores mais modernos, geradores de crescimento. O padrão “supply-leading” tem duas funções: de repasse de recursos dos setores tradicionais (que geram baixo crescimento) para setores modernos (que geram alto crescimento), e para promover e gerar incentivos para os empresários nestes setores modernos (Patrick, 1966, p. 175). Além disso, Gurley e Shaw (1955) e Goldsmith (1969) argumentam que os mercados financeiros mais desenvolvidos promovem o crescimento econômico através da mobilização de poupanças e facilitando o investimento.
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Desenvolvimento financeiro e restrição financeira nas decisões de investimento da...

Desenvolvimento financeiro e restrição financeira nas decisões de investimento da...

Nas duas especificações do modelo estimado confirmou-se o importante papel desempenhado pelo desenvolvimento financeiro nas decisões de investimento de firmas classificadas como financeiramente restritas. Como esperado, as variáveis de desenvolvimento financeiro apresentaram-se significantes apenas para esse grupo de firmas ao se controlar os resultados pela variável Log(PIB) , como mostra a tabela 4. Esse resultado indica que, mesmo considerando a reduzida taxa de crédito em relação ao PIB para a economia brasileira e o incipiente mercado de ações do país, o desenvolvimento financeiro possui um importante papel nas decisões de investimento de firmas financeiramente restritas, estimulando os investimentos empresariais. Como maiores níveis de desenvolvimento financeiro estão associados a uma maior disponibilidade de crédito na economia, menores custos de captação de recursos externos far-se-iam presentes em consequência dessa maior oferta. Isso permitiria às firmas financeiramente restritas reduzirem seu grau de restrição financeira diante da possibilidade de captação de recursos externos a um custo mais baixo. De acordo com La Porta et al . (1997) um maior desenvolvimento financeiro também estaria associado a uma melhora das políticas legais que garantem os direitos de proteção a investidores e credores. Dessa forma, espera-se que maiores níveis de desenvolvimento financeiro também estejam relacionados à elaboração de contratos mais eficientes e a uma redução dos problemas de assimetria de informações. Assumindo-se que a existência de informações assimétricas no mercado de crédito e de capitais é uma das principais causas do grande hiato entre o custo do capital interno e externo, um maior desenvolvimento financeiro, ao abrandar os problemas de informação, reduziria o custo dos recursos externos. Ainda, considerando que as decisões quanto à alocação eficiente de capital por parte das firmas está diretamente relacionado às suas decisões de investimento, os efeitos do desenvolvimento financeiro sobre os investimentos empresariais também se refletiria em uma melhora na alocação de capital da economia ao permitir que firmas financeiramente restritas invistam de acordo com suas oportunidades de crescimento.
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Desenvolvimento financeiro e crescimento económico no Senegal usando um modelo vectorial com mecanismo de correcção do erro: uma análise diferenciada do crédito público e privado

Desenvolvimento financeiro e crescimento económico no Senegal usando um modelo vectorial com mecanismo de correcção do erro: uma análise diferenciada do crédito público e privado

Em Gregorio e Guidotti (1995), os resultados são diferentes, concluindo-se por uma relação positiva entre o desenvolvimento financeiro e o crescimento do PIB per capita a longo-prazo. Esta relação é particularmente forte nos países com rendimento médio e baixo. Em segundo lugar, as descobertas sugerem que o efeito da intermediação financeira no crescimento económico deriva da eficiência do investimento mais do que do seu volume. Em terceiro, na América Latina encontrou-se uma significante correlação negativa entre o desenvolvimento financeiro e o crescimento económico que é devido à liberalização financeira que ocorreu na região entre 1970 e 1980, que subsequentemente entrou em colapso. Para se explicar a relação empírica entre o desenvolvimento financeiro e o crescimento económico de longo-prazo utiliza-se como indicador do primeiro o rácio do crédito bancário ao sector privado pelo PIB nominal. As conclusões neste artigo sustentam a hipótese do efeito do desenvolvimento financeiro no crescimento da economia ser principalmente transmitido através de um aumento na produtividade marginal do capital.
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Um modelo de crescimento económico com desenvolvimento financeiro

Um modelo de crescimento económico com desenvolvimento financeiro

2.1. Desenvolvimento financeiro e crescimento económico: considerações teóricas Os mercados financeiros são um fator chave na produção de um forte crescimento económico porque contribuem para eficiência económica, desviando fundos financeiros de usos improdutivos para usos produtivos. As origens desse papel dos mercados financeiros remontam ao trabalho seminal de Schumpeter (1911). Em seu estudo, Schumpeter ressalta que o sistema bancário é o fator crucial para o crescimento económico devido ao seu papel na alocação de poupança, ao incentivo à inovação e ao financiamento de investimentos produtivos. Os primeiros trabalhos, como Goldsmith (1969), McKinnon (1973) e Shaw (1973) apresentaram evidências consideráveis de que o desenvolvimento financeiro tem um efeito positivo no crescimento económico.
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Desenvolvimento financeiro e crescimento económico: uma comparação internacional

Desenvolvimento financeiro e crescimento económico: uma comparação internacional

O Reino Unido no que diz respeito à variável ações transacionadas em função do PIB, para o período compreendido entre 1996 e 2014, apresenta algumas oscilações, como é possível observar através da Figura 13. No início do período analisado, entre 1996 e 2001, o Reino Unido apresenta um crescimento gradual no que a esta variável diz respeito, registando em 1996 o valor de 42% do PIB, e em 2001, o valor de 117% do PIB. No entanto o país em 2002 regista um decréscimo abrupto no que às ações transacionadas diz respeito, passando para 59% do PIB. Vota a crescer ao longo dos anos seguintes da amostra, de forma muito discreta, entre 2003 e 2005, e de forma mais acentuada nos anos de 2006 e 2007, ano em que as ações transacionadas alcançaram os 128% do PIB. Porém em 2008 volta a registar uma queda, menos significativa, recuperando nos dois anos seguintes, alcançando em 2010 o valor máximo registado no Reino Unido para a variável em análise, 131% do PIB. Entre 2011 e 2013 decresce uma vez mais, chegando aos 61% do PIB e em 2014 inicia um período de recuperação. Por conseguinte podemos concluir que os mercados de capitais têm alguma expressão no Reino Unido, sendo um setor da economia que representa uma parcela significativa do PIB, sendo que, tal situação é expectável, uma vez que este é um país cujo sistema financeiro é referido na literatura como baseado no mercado de capitais.
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Centralização política e desenvolvimento financeiro no Brasil império (1853-66).

Centralização política e desenvolvimento financeiro no Brasil império (1853-66).

Para responder a essa questão, é preciso retomar as caracterizações de metrópole e hinterlândia deste autor. A metrópole seria, evidentemen- te, adiantada do ponto de vista financeiro. Seu interesse em relação à hinterlândia seria manter por lá a estabilidade econômica, política e so- cial por meio da influência ou do controle sobre as atividades financeiras desse espaço. Essa influência ou esse controle assumiriam a forma de re- gulamentação ou propriedade das instituições financeiras da hinterlândia e de imposição de uma política econômica ortodoxa. Ora, diante do que vimos anteriormente, podemos dizer que, no caso em tela, embora a pro- priedade das instituições financeiras da hinterlândia estivesse nas mãos de agentes econômicos e políticos locais, a metrópole não só regulamentava fortemente as atividades dessas instituições, como impunha sua política econômica de cunho restritivo. Contudo, não se tratava de adotar uma política restritiva na hinterlândia e expansionista na metrópole tendo em vista o desenvolvimento de uma e o atraso relativo da outra e da manuten- ção dos poderes econômico, político e social que isso acarretava. Tratava- -se aqui de espalhar a boa política econômica, a ortodoxa, a todo espaço econômico do império, seja na metrópole, seja na hinterlândia. Apesar da forte pressão da demanda por crédito típica de uma economia mercantil e escravista como a brasileira na época, o privilégio da moeda se fazia sentir em todas as praças por meio da política restritiva proposta no projeto sa- quarema. Contudo, o comportamento das emissões da matriz e das caixas
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Crescimento económico versus desenvolvimento do sistema financeiro: o caso de Angola

Crescimento económico versus desenvolvimento do sistema financeiro: o caso de Angola

A segunda medida alternativa do desenvolvimento financeiro é a relação entre o crédito concedido pelos bancos comerciais ao sector privado e o PIB, designado por CBSP. Esta relação é usada para mensurar a função do financiamento dos bancos comerciais ao sector privado e está em consonância com vários estudos (De Gregório e Guidotti, 1995; Levine e Zervos, 1998; Allen e Ndikumana 1998; Calderon and Lui, 2003). A terceira medida do sistema financeiro é o crédito interno concedido ao sector privado (CISP), utilizado no estudo de Allen e Ndikumana, 1998 e Hook, 2004. A escolha destas variáveis pode ser explicada pela grande procura de créditos por parte das empresas para o financiamento de investimentos no quadro do programa de reconstrução nacional, como é o caso do mercado imobiliário que tem dominado actualmente o crédito do sector privado de Angola. A disponibilidade de crédito fornecido pela banca e outras instituições é um factor importante na criação de pequenos negócios, gerando empregos e aumento de rendimentos.
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Crédito e desenvolvimento : um estudo da instituição comunitária de crédito Porto Alegre solidária

Crédito e desenvolvimento : um estudo da instituição comunitária de crédito Porto Alegre solidária

Esta dissertação propõe-se a analisar o impacto do microcrédito junto aos pequenos empreendedores beneficiados pela Instituição Comunitária de Crédito Portosol de Porto Alegre. A pesquisa discute primeiramente a importância do desenvolvimento financeiro para o crescimento econômico, evidenciando que há uma relação de causalidade entre eles. Na sequência, apresentam-se o contexto nacional das microfinanças, que surge como uma alternativa auxiliar na democratização do acesso ao crédito, e o panorama brasileiro no que se refere à questão. Finalizando e para atingir o objetivo proposto quanto à análise do impacto econômico e social do crédito em pequenos empreendimentos atendidos pela Portosol, analisam-se os dados coletados na mesma e os de seus clientes. Isso permite fazerem-se inferências econômicas baseadas no desempenho operacional desses empreendimentos, concluindo-se que a atuação da Portosol é socialmente relevante, pois são perceptíveis as mudanças em termos de elevação de faturamento e renda dos seus beneficiados. A partir da disponibilização de uma maior quantidade de recursos financeiros, os empreendimentos passam a usufruir de melhores condições para continuar exercendo a sua atividade-fim e para ampliá-la. A Instituição, ao atender ao público carente de oportunidades de crédito, gera impactos econômicos e sociais positivos, fato que merece destaque à medida que o acesso ao crédito cumpre seu papel social ao ofertar aos beneficiados a inclusão social.
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Desenvolvimento do sistema financeiro e pobreza no Brasil: uma análise multivariada.

Desenvolvimento do sistema financeiro e pobreza no Brasil: uma análise multivariada.

Uma das dificuldades de investigar correlações entre variáveis como as aqui consideradas é encontrar medidas únicas que sejam capazes de traduzir fielmente o nível de desenvolvimento financeiro e da pobreza, face aos traços característicos de multidimensionalidade subjacentes a ambos os conceitos. Para além da definição convencional de privação de renda, mais amplamente utilizada nas análises empíricas, a pobreza compreende também muitas outras dimensões, dentre as quais podemos identificar a desigualdade da distribuição da renda, a educação e o emprego. Da mesma forma, um dos principais desafios enfrentados pela literatura empírica relacionada ao tema objeto deste estudo é encontrar indicadores padronizados e consensuais capazes de traduzir adequadamente o grau ou intensidade do desenvolvimento financeiro, geralmente definidos como a melhoria na quantidade, qualidade e eficiência dos produtos do setor. Assim, dadas as características das variáveis consideradas relevantes para a análise da relação entre o desenvolvimento do sistema financeiro e dos indicadores de renda e pobreza no Brasil, optou-se pela utilização do método multivariado de análise da correlação canônica, que possibilita medir o grau de associação entre dois conjuntos de múltiplas variáveis dependentes e independentes.
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Desenvolvimento do sistema financeiro e pobreza no Brasil (1995-2008)

Desenvolvimento do sistema financeiro e pobreza no Brasil (1995-2008)

Tendo como referência a perspectiva schumpeteriana da relevância do sistema financeiro para o avanço tecnológico e, em consequencia, para o crescimento econômico, King & Levine (1993a) investigam como os indicadores de desenvolvimento financeiro (intensidade financeira, importância relativa dos depósitos bancários na alocação do crédito e alocação do crédito ao setor privado) 18 afetaram o crescimento de longo prazo em uma amostra de 80 países, no período 1960-1989. Como no estudo anterior, procuram, também, identificar os canais através dos quais o desenvolvimento do sistema financeiro vincula-se ao crescimento, avaliando, para tanto, a taxa de acumulação do capital e a eficiência com que esse capital é alocado 19 . Os resultados reportados para o conjunto de países analisados demonstram que o desenvolvimento financeiro é fortemente correlacionado com taxas mais rápidas de crescimento, com a acumulação de capital e com melhorias na eficiência econômica, tanto contemporâneas quanto futuras. A evidência é, portanto, consistente com a perspectiva de que o sistema financeiro fomenta o crescimento econômico, tanto por aumentar a taxa de acumulação de capital, quanto por ampliar a eficiência na utilização desse capital. Assim, King & Levine (1993a: 735) afirmam que “Schumpeter might have been right about the importance of finance for economic development”. Resultados similares são, também, obtidos por King & Levine (1993b) quando utilizam um modelo de crescimento endógeno para mostrar que o sistema financeiro - ao cumprir suas funções básicas de mobilizar recursos, diversificar riscos, monitorar e exercer o controle das empresas - potencializa a possibilidade de sucesso da inovação, tornando o crescimento econômico mais rápido. Outra conclusão que merece ser ressaltada denota a capacidade do sistema financeiro de predição do crescimento futuro o que, na concepção dos autores, pode sugerir a direção da causalidade da relação, no sentido do desenvolvimento do sistema financeiro para o crescimento da economia.
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Evidências de causalidade entre desenvolvimento do sistema financeiro e crescimento econômico no Brasil

Evidências de causalidade entre desenvolvimento do sistema financeiro e crescimento econômico no Brasil

Para este trabalho os dados utilizados foram PIB per capita, o tamanho do governo (total de gastos/PIB) e o grau de abertura econômica [(Exportações+Importações)/PIB], o capital humano (média dos anos de estudo da população com mais de 25 anos), o capital físico per capita, o desenvolvimento do setor financeiro (total de crédito ofertado pelo FMI para os países, no entanto, para o Brasil e estados do nordeste foram utilizados PIB do setor financeiro total/PIB) foram também usados dados de infra-estrutura e de distribuição de renda (coeficiente de Gini). Após testar várias hipóteses, verificou-se que produto por capital humano é a variável que melhor se adéqua ao modelo para representar o patamar tecnológico da economia. Dessa forma, por meio de modelos econométricos de distribuição polinomial de defasagens e de equações simultâneas, calculados por MQO e dados em painel, foram encontradas evidências de que o desenvolvimento financeiro através do progresso tecnológico impacta na atividade produtiva.
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Crédito rural e produto agropecuário municipal: uma análise de causalidade

Crédito rural e produto agropecuário municipal: uma análise de causalidade

A visão de que o desenvolvimento financeiro estimula o crescimento econômico justifica-se teoricamente por vários caminhos. Levine (1997) aponta cinco funções básicas do sistema financeiro que levariam ao crescimento por meio de dois canais: acumulação de capital e inovação tecnológica. Em primeiro lugar, o sistema financeiro atua por meio do levantamento de fundos e mobilização de poupança, fatores fundamentais para a viabilização de projetos. Segundo, a amenização dos riscos associados à execução de projetos específicos, assim como redução do risco de liquidez. Terceiro, a redução dos custos de obtenção de informações, o que permite maior eficiência alocativa e difusão mais ampla das oportunidades de investimento. Outra função seria o monitoramento das firmas e governança corporativa, o que reduz os custos de enforcement, aquisição de informações e garantias para o cumprimento dos contratos. Finalmente, o sistema financeiro facilita as trocas através do barateamento dos custos de transação e informação, produzindo um ambiente mais propício à especialização e, consequentemente, ao aumento da produtividade e à mudança tecnológica na economia.
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Sistema Financeiro e Crescimento Económico nos países da OCDE: 1980-2011

Sistema Financeiro e Crescimento Económico nos países da OCDE: 1980-2011

As evidências teóricas e empíricas revelam sinais contraditórios sobre a relação entre o desenvolvimento financeiro e o crescimento económico, sendo vincada as divergências entre economistas relativamente a esta relação (cf. e.g. Kar, Nazlioglu, & Agir, 2011 e Levine, 2005). Uma incursão pela história dos fundamentos intelectuais revelam perspectivas contrastantes. De acordo com Robinson “where enterprise leads finance follows”, significando que o papel do setor financeiro responde à dinâmica da “economia real”. Por sua vez, Lucas sustenta que o sistema financeiro é “an ’over-stressed’ determinant of economic growth” (in Levine, 2005: 867). Perspectiva oposta é defendida por Miller que afirma que a premissa de que “’the financial markets contribute to economic growth is a proposition too obvious for serious discussion’” (in Levine, 2005: 867). No mesmo sentido, ainda que de modo menos assertivo, posicionam-se Bagehot, Scumpeter, Gurley e Shaw, Goldsmith e MacKinon para os quais a não abordagem do nexus sistema financeiro-crescimento económico implica uma limitação significativa à compreensão do crescimento económico (Levine, 2005: 867).
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O desenvolvimento do sector financeiro e o crescimento económico em Moçambique

O desenvolvimento do sector financeiro e o crescimento económico em Moçambique

a relação entre o desenvolvimento financeiro e crescimento económico, utilizando duas amostras: uma com cerca de 100 países, no período [1968-1985] e em 12 países da América Latina. O autor conclui que há uma relação positiva entre o desenvolvimento financeiro e crescimento económico para um grande número de países. Contudo, para os países da América Latina, há evidência de uma relação negativa. Os autores constataram que o impacto negativo do desenvolvimento financeiro no crescimento económico é resultado da liberalização financeira num país com fraco quadro regulamentar. Já Saci et al., (2009) analisa a contribuição conjunta dos mercados de ações e de bancos (desenvolvimento financeiro) para o crescimento económico, usando dados de painel no período compreendido entre 1988-2001, em 30 países em desenvolvimento. Os resultados evidenciam que a variável relacionada como o mercado de ações tem uma relação positiva com o crescimento económico, contrariamente às variáveis relacionadas como o sector bancário - crédito ao sector privado e passivos líquidos-, que revelaram um impacto negativo no crescimento. Mahran (2012), avalia o impacto da intermediação financeira na Arabia Saudita no período [1968-2010] em através da abordagem ARDL, e constata que a intermediação financeira tem um impacto negativo no crescimento económico. Já Akinoboade (2000) avaliam o desenvolvimento financeiro e crescimento económico em Tanzânia no período [1966-1996] que abrange tanto o período de repressão financeira como o de liberalização. Os resultados sugerem que há uma relação negativa entre o desenvolvimento financeiro e crescimento económico.
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Crescimento económico e setor financeiro em São Tomé e Príncipe

Crescimento económico e setor financeiro em São Tomé e Príncipe

Alguns autores, argumentam que os sistemas financeiros baseados em bancos são melhores para o crescimento económico, pois permitem a mobilização de poupanças, a identificação de investimentos e execução do controle corporativo, particularmente em ambientes institucionais fracos. Enquanto outros, defendem que os mercados de ações são melhores devido às vantagens na alocação de capital e fornecimento de ferramentas de gerenciamento de riscos. Neste contexto, Levine e Zervos (1998) concluíram que mercados de ações bem desenvolvidos fornecem serviços financeiros importantes que estimulam o crescimento económico (nomeadamente na mobilização de capital e diversificação de risco entre os agentes do mercado). Num estudo realizado com o objetivo de examinar a relação de longo prazo entre o desenvolvimento financeiro e o crescimento económico na Bélgica, para o horizonte de tempo entre 1830 e 2000, Nieuwerburgh et al. (2006) concluíram que apesar de ambos os mercados financeiros terem impacto positivo no crescimento económico, o desenvolvimento do mercado de ações tem um impacto maior no crescimento da economia Belga em relação ao desenvolvimento do sistema bancário. O mercado de ações através da sua liquidez, influencia fortemente e positivamente o crescimento económico (Fufa & Kim, 2018). Atje e Javanovic (1993) também mencionam que os mercados de ações têm um efeito maior sobre o crescimento económico, em comparação com o efeito do mercado bancário sobre o crescimento.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO, ATUÁRIA CONTABILIDADE E SECRETARIADO EXECUTIVO CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO, ATUÁRIA CONTABILIDADE E SECRETARIADO EXECUTIVO CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS

O desenvolvimento financeiro é capaz de alterar estruturalmente a economia, quando aqueles agentes que são poupadores de seus recursos passam a ser investidores e alocam o seu capital de maneira eficiente com boas oportunidades de negócios, sendo capazes de expandir a produção de bens e serviços beneficiando desta forma a redução da desigualdade e a ascensão do nível de bem-estar da população. Porém como afirma Rocha e Nakane (2007), o sistema financeiro é um componente na determinação do crescimento econômico e suas fontes, mas não se pode rejeitar a relação no sentido contrário, em que o ritmo de crescimento altera a estrutura financeira do país.
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Econ. Apl.  vol.10 número3

Econ. Apl. vol.10 número3

Nesse cenário, ressurge o interesse pelas considerações de Schumpeter (1911) referente ao papel relevante do sistema financeiro para o crescimento econômico, bem como são revistos os trabalhos de Goldsmith (1969) e Shaw (1973), estudiosos que encontraram evidências empíricas acerca da relação positiva entre o mercado financeiro e o crescimento econômico. Dentre os autores que construíram modelos conectando o desenvolvimento financeiro e crescimento econômico en- contram-se: Bencivenga e Smith (1991); Khan (1999); Pagano (1993); Becsi e Wang (1997); Levine (1997); Bebczuk (2001). A idéia central desses modelos refere-se ao fato de a intermediação finan- ceira permitir maior eficiência na alocação dos recursos financeiros, o que corresponde a maior captação de poupança e, conseqüentemente, maiores recursos para emprestar, que podem se desti- nar ao melhoramento do capital físico e humano, o que, por sua vez, gera crescimento econômico. A proposta deste trabalho é mostrar os argumentos da literatura afim sobre a relevância do sistema financeiro como um dos determinantes do crescimento econômico, além de testar algumas hipóteses sobre a existência ou não de uma correlação positiva entre desenvolvimento financeiro e crescimento para dados disponíveis de 77 países. 3 Utiliza-se a técnica de Regressão Quantílica porque esta fornece uma visão mais detalhada dos impactos gerados pelo sistema financeiro na distribuição condicional da variável resposta (crescimento econômico). Para alcançar tal objetivo, o trabalho estrutura-se da seguinte forma: a seção 2 descreve o ambiente de informação assimétrica no qual o mercado financeiro está incluso, além de descrever suas eventuais virtudes em relação à eficiência alocativa dos recursos financeiros; a seção 3 mostra as funções do sistema financeiro em uma economia de mercado; a seção 4 expõe a técnica aplicada no teste empírico; a seção 5 descreve os dados e analisa os resultados obtidos; e a seção 6 sumaria algumas conclusões.
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Mercado bancário, mercado de capitais e crescimento económico em países da América Latina

Mercado bancário, mercado de capitais e crescimento económico em países da América Latina

A existência de resultados divergentes nesta literatura sobre a relação de causalidade, bem como a natureza e direção dessa relação, pode ser justificada com a análise de Rioja e Valev (2004), que concluíram que esta relação de causalidade depende essencialmente do estágio de desenvolvimento financeiro de cada país. Recorrendo, então, a dados relativos a 74 países com diferentes níveis de desenvolvimento do sistema financeiro, entre 1961 e 1995, encontraram evidências empíricas de que nas economias com nível de desenvolvimento financeiro reduzido, os acréscimos no desenvolvimento deste sistema têm um efeito incerto no crescimento económico. Já nos países onde o nível de desenvolvimento é considerado intermédio, o efeito do desenvolvimento do sistema bancário apresenta um efeito positivo e de elevada magnitude para o crescimento dos países. Para os países com um nível de desenvolvimento financeiro avançado, revelam que, embora se verifique um impacto positivo do desenvolvimento dos bancos no crescimento da economia, este impacto apresenta uma magnitude não tão elevada.
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Desenvolvimento do setor financeiro e crescimento econômico

Desenvolvimento do setor financeiro e crescimento econômico

Entretanto, algumas especificidades se fazem notar nesse mesmo evoluir. Em primeiro lugar podemos destacar a questão da força do impacto do DSF ao longo do tempo. O conceito da forma de U invertido 14 evidencia a não linearidade da relação entre o DSF e o crescimento econômico uma vez que essa relação se torna mais fraca conforme o setor financeiro se desenvolve. Quando consideradas relações não lineares entre DSF e crescimento econômico encontra-se a forma de U invertida no longo prazo, mas no curto prazo o impacto é insignificante. Tais evidências sugerem que a renda dos países encontra um determinado ponto em que o desenvolvimento financeiro não mais contribui para o crescimento. Portanto, o DSF e o crescimento além de não serem linearmente relacionados, são não monotonicamente ligados entre si 15 . Assim, o impacto do DSF sobre o crescimento econômico varia de país para país dada a natureza heterogênea das suas respectivas estruturas econômi- cas, qualidade institucional e etc. 16 .
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Estud. Econ.  vol.47 número3

Estud. Econ. vol.47 número3

Por outro lado, os parâmetros estimados indicam que o IDE impacta ne- gativamente o investimento doméstico dos países cujos setores financei- ros são menos desenvolvidos. Conforme previsto na literatura, esse efeito substituição do IDE pode ocorrer nos países com baixo desenvolvimento financeiro se, para financiarem seus projetos, as firmas estrangeiras dispu- tarem com as firmas domésticas os recursos do mercado de crédito local. Isso produziria um aumento da taxa de juros e, consequentemente, uma redução do investimento doméstico. Por sua vez, ao nível de significância de 5%, o IDE não afeta o investimento doméstico no regime de alto de- senvolvimento financeiro.
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