Diferença sexual

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A psicanálise e o dispositivo diferença sexual.

A psicanálise e o dispositivo diferença sexual.

De fato, se compreendermos a lei como uma estrutura anterior e transcendente às manifestações sociais, políticas e necessariamente históricas, o simbólico na sua versão diferença sexual será apresentado como uma força que não poderá ser modificada e subvertida sem a ameaça de psicose ou perversão. Ao contrário, se compreendermos a lei como algo que é vivido e constantemente reiterado de forma imanente às relações de poder, as possibilidades de modificação e subversão, inclusive do simbólico, não neces- sariamente significarão uma ameaça à cultura e à civiliza- ção. Nesse sentido, seria importante que a psicanálise pudesse estabelecer uma relação mais produtiva com as novas formas de construções de gêneros na cultura contem- porânea, em que as diferenças, singularidades e alteridades estendem e subvertem os limites do simbólico e da própria teoria psicanalítica. Isso significa problematizar determina- dos temas, considerados uma espécie de tabu na teoria psicanalítica, e promover uma abertura para o diálogo com a filosofia pós-metafísica – particulatmente Foucault, Deleuze e Guatari –, o que permitiria a efetivação de uma crítica ao conceito de sujeito, ao lugar transcendente da lei e da figura paterna, como também o redimensionamento do corpo e dos afetos diante da primazia da linguagem. 53
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Os destinos da diferença sexual na cultura contemporânea.

Os destinos da diferença sexual na cultura contemporânea.

Enfim, essas duas importantes contribuições para o debate em torno da questão da diferença de sexos na cultura contemporânea nos permitem vislumbrar os principais impasses dessa discussão. De um lado, apesar da importância do reconhecimento da dominação masculina como forma de organização social, nos parece que fica faltando a positivação das possibilidades de saída do universo fálico que de certa forma estão presentes na cultura contemporânea. E, de outro, apesar da tentativa de superação dos dualismos, ou mesmo da positivação dos “n” sexos como crítica da diferença sexual impregnada em essências (sejam elas naturais, sejam simbólicas), há que se admitir a importância de se criar condições políticas e sociais para essa manifestação, uma vez que nos parece que aquilo que foi registrado na posição anterior, ou seja, a prevalência de uma estrutura de dominação ainda existente, não pode ser negligenciado. Não se pode desconstruir dualismos sem reconhecer uma história que se faz através da exclusão. Assim, a riqueza desse debate é que ele traz em si o paradoxo existente na noção de feminino – singular. Problema que se manifesta através do encontro entre a categoria histórica da mulher-sujeito com o movimento de descontrução.
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Diferença sexual, direitos e identidade: um debate a partir do pensamento da desconstrução.

Diferença sexual, direitos e identidade: um debate a partir do pensamento da desconstrução.

A autora evoca a necessidade de pensar a “mulher” além da oposição binária entre masculino e feminino, como forma de “resistir à lógica da identidade reproduzida na hierarquia de gênero” (Cornell, 1999:118) . Ela quer valorizar o feminino dentro da diferença sexual e, para isso, propõe um duplo trabalho: evitar a cumplicidade com os mecanismos da sociedade patriarcal que tomam o masculino como padrão e, ao mesmo tempo, romper com a afirmação da identidade sexual. Para Cornell, sustentar uma diferença sexual opositiva seria contribuir para sustentar o feminino no lugar secundário ou subordinado. Nesse sentido, não seria simplesmente abrir espaço para as mulheres no “mundo masculino”, mas discutir a discriminação contra a mulher, que para ela não pode ser definida a partir de uma comparação entre homens e mulheres. 9
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Diferença sexual e religiosa no currículo de ensino religioso em escolas de Recife

Diferença sexual e religiosa no currículo de ensino religioso em escolas de Recife

Ou seja, esse sistema de relações que é o discurso não está preso à fala. Os jogos políticos, os embates entre grupos, lutando por hegemonia, estão presentes em seu processo. Desse modo, buscou-se entender como as práticas discursivas sobre o currículo e os conteúdos programáticos de ER são provisoriamente e contingencialmente constituídas em Pernambuco, nas escolas públicas de Recife, levando em consideração nesse ínterim, a temática da diferença sexual e religiosa. O objetivo foi, a partir de uma metodologia qualitativa, a Análise do Discurso (AD) de vertente francesa, tentar explicitar as ideologias, ou seja, as memórias presentes em outras falas, no já dito (ORLANDI, 2013), que circundavam as falas dos entrevistados sobre o tema, verificando como alguns discursos são legitimados, se tornando hegemônicos, em detrimento de outros que são colocados à margem.
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Fenomenologia cultural corporeidade: agência, diferença sexual, e doença

Fenomenologia cultural corporeidade: agência, diferença sexual, e doença

sexual pode ser a grande questão filosófica da nossa era (IRIGARAY, 1993, p. 5). A polaridade criada pela diferença oferece uma maneira tanto para homens como mulheres entrarem e saírem do envelope de intimidade, e, “para ambos, uma possibilidade de movimentação desimpedida [e] de imobilidade pacífica, sem o risco de aprisionamento” (1993, p. 12). O oposto de diferença é mesmice ou, para ser mais exato, a diferença sexual significa reconhecer dois “diferentes”, em vez de um “mesmo e outro”, onde o mesmo é masculino e o outro é feminino. Neste último caso, continua a existir uma dialética de senhor-escravo, porque o homem “não deixa para ela [a mulher] uma vida subjetiva” e assim “[O] materno-feminino continua a ser o lugar separado do ‘seu’ próprio lugar, privado do ‘seu’ lugar” (1993, p. 10; itálicos no original). A diferença sexual também significa diferentes sujeitos ou subjetividades, em vez de um “sujeito e objeto”, onde o sujeito é homem e a mulher é objeto. Irigaray vê uma identidade entre mesmo e sujeito – até agora inevitavelmente apropriada pelo masculino em forma de teoria, ciência, filosofia e psicanálise – e entre outro e objeto como o não lugar do feminino. As consequências são profundas: “Imagine uma vez que a mulher imaginasse e o objeto perdesse seu caráter fixo obsessivo” (Irigaray, 1985, p. 133). “Mas, e se o objeto começasse a falar? O que também significa começasse a ‘ver’. A que desagregação do sujeito levaria isso?” (1985, p. 135). Tal fala instituiria a copresença de “duas sintaxes” que são “irredutíveis na sua estranheza e excentricidade uma para com a outra”, e que não exigiria que uma “falasse da ‘outra’ em uma linguagem já sistematizada por/para o mesmo” (1985, p. 139).
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Gênero: para além da diferença sexual – Revisão da literatura

Gênero: para além da diferença sexual – Revisão da literatura

O interesse pelo desnudamento da produção ideológica das construções de gênero e seus efeitos sobre as posições possíveis de serem ocupadas por homens e por mulheres nas diversas instâncias sociais vem-se constituindo como objeto de nosso interesse há alguns anos, sobretudo diante do sofrimento vivido por sujeitos, de quaisquer gêneros e orientações sexuais, que se sentem aprisionados a determinadas injunções em suas relações familiares, afetivas e sexuais. A família é, entre outros, o lugar social e simbólico no qual a diferença, especialmente a diferença sexual, é assumida como base e, ao mesmo tempo, construída como tal (Saraceno, 1997).
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A casa da diferença : feminismo e diferença sexual na filosofia de Luce Irigaray

A casa da diferença : feminismo e diferença sexual na filosofia de Luce Irigaray

Também na crítica ao desejo na psicanálise Deleuze e Irigaray se encontram. Isso porque na teoria lacaniana o desejo é a materialidade fazendo falta: o corpo da mãe não significado por palavras, a conexão ou confusão pré-individual a ausência de categorias para dar sentido a um sentido que é quase puro tato – no sentido de não estar na lógica visual de separação entre sujeito e objeto, o tato é sentido de contato, não de distanciamento como o olhar , o tato é sentido de confusão e, por isso, é o sentido menos racionalizável ou racionalizante (acho bonito pensar no tato interno também, no tato que algumas de nós, outras, temos dos órgãos que estão dentro de nós e como isso pode ser um acesso exclusivamente nosso, uma experiência interna e impartilhável). As metáforas oculares aparecem com freqüência na escrita de Irigaray porque ela diagnostica essa ligação entre uma maneira racionalizante (que implica para ela a divisão acentuada entre mente e corpo, ou a descorporalização da teoria... já está presente no próprio termo teoria a referência a visão) de fazer filosofia e essa noção da visão como o sentido menos implicado corporalmente. A metáfora ocular presente no Speculum quer dizer muita coisa: remete a uma forma masculina de construir discursos sobre o mundo – numa caracterização de masculinidade como aquilo que nega a corporalidade e, por isso mesmo, a materialidade (a matéria que, curiosamente, divide sua raiz com materno), em uma palavra: o feminino. A marca das metafísicas dominantes no pensamento ocidental (aquelas que espremem e engolem de maneira jibóica todas as outras) é o ocular, é a teoria desencarnada, imaterial e por isso, justamente, o feminino é para Irigaray o ponto cego dessas teorias. Porém, a própria palavra Speculum é rica em sentidos para Irigaray, alguns dos quais desalojam esse olhar masculinista: pode significar tanto o lugar do feminino numa economia centrada no falo – o espelho do sujeito, que garante a estabilidade da própria categoria de subjetividade, remete, dessa forma, a relação da qual fala Lacan, entre a imagem de um “eu” refletida no espelho e a gênese do próprio eu, um eu que é sempre dependente dessa alteridade especular – mas, ao mesmo tempo o Speculum é, como no medievo, uma obra de caráter moral – Irigaray está preocupada em última instância com o estabelecimento de uma nova ética baseada na diferença sexual; ainda, espéculo é um instrumento ginecológico que permite o exame do colo do útero – esse instrumento foi
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A construção da diferença sexual na medicina.

A construção da diferença sexual na medicina.

As diferenças biológicas diagnosticadas pe- los cientistas passam a oferecer a base para que pensadores sociais dissertem sobre as su- postas diferenças inatas entre homens e mu- lheres e a conseqüente necessidade de diferen- ciações sociais. A natureza já tinha se encarre- gado de postular a divisão e caberia à socieda- de respeitá-la e promover um comportamento adequado. Para os iluministas, a mulher era in- capaz de assumir responsabilidades cívicas. O contrato social, então, só era possível entre ho- mens. A biologia da incomensurabilidade for- necia um modo de explicar as diferenças so- ciais, já que na própria natureza homens e mu- lheres eram diferentes, e mais do que isto, as mulheres eram naturalmente inferiores. A ci- ência, e em particular a medicina, se esmerava em acrescentar novos e intrigantes detalhes que provavam a intransponibilidade da dife- rença, que no século XIX já seria considerada inquestionável. Instaura-se um modelo carac- terizado pelo dimorfismo radical, pela diver- gência biológica, no qual todas as partes do corpo apresentariam diferenças radicais não apenas no que era mais aparente, mas mesmo em elementos microscópicos. Segundo La- queur, a diferença sexual não era percebida co- mo uma variação de grau mas de espécie e pa- recia solidamente baseada na natureza. Além disso, acrescenta que: “a visão dominante des- de o século XVIII, embora de forma alguma universal, era que há dois sexos estáveis, inco- mensuráveis e opostos, e que a vida política, econômica e cultural dos homens e das mulhe- res, seus papéis no gênero, são de certa forma baseados nesses ‘fatos’. A biologia – o corpo está- vel, não histórico e sexuado – é compreendida como o fundamento epistêmico das afirmações consagradas sobre a ordem social” (Laqueur, 2001:18).
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A Medusa e o gozo: uma leitura da diferença sexual em psicanálise.

A Medusa e o gozo: uma leitura da diferença sexual em psicanálise.

No฀que฀diz฀respeito฀diretamente฀à฀sexualidade฀masculina,฀o฀horror฀à฀pas- sividade฀ é฀ uma฀ de฀ suas฀ características.฀ Na฀ passagem฀ pelo฀ Édipo,฀ a฀ posição฀ passiva฀ pode฀ se฀ confundi[r]

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Representações do corpo em uma revista de negócios.

Representações do corpo em uma revista de negócios.

além disso, gênero torna-se uma dimensão visível apenas para os corpos marcados pela diferença sexual, ou seja, não aparece como uma categoria de diferen- ciação para os homens, já as [r]

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A Vida Sexual (The Sexual Life), by Egas Moniz: eugenics, psychoanalysis, and the pathologization of the female sexed body

A Vida Sexual (The Sexual Life), by Egas Moniz: eugenics, psychoanalysis, and the pathologization of the female sexed body

Intencionamos promover aqui um trabalho que historiciza a “desistorização” da diferenciação à qual os homens e as mulheres não param de ser submetidos e que os leva a se distinguir se masculinizando ou se feminilizando (Bourdieu, 1998). Agumentamos que a interiorização de discursos sobre a diferença biológica – que ganha novas roupagens no século XX, como nas pesquisas sobre os cromossomos e os hormônios – não afeta os corpos apenas no sentido de adequação a um modelo heteronormativo. Esses discursos podem, ainda, ser absorvidos pelos indivíduos na forma de padrões patológicos, como no caso da homossexualidade compreendida como doença e na crença na desestabilização emocional feminina em função do ciclo menstrual. As patologias sexuais são ainda passíveis de intervenções cirúrgicas e medicamentosas que visam à conformação de pacientes a quadros clínicos desejáveis segundo o seu sexo – ou ao que socialmente demandam. Por isso vemos no estudo aqui exposto uma breve oportunidade de colaborar com a rejeição do caráter fixo e permanente do binarismo de gênero estruturado por meio do corpo sexuado, o que Joan Scott (1990) define como historicização e desconstrução autênticas dos termos da diferença sexual.
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Rev. Estud. Fem.  vol.22 número3

Rev. Estud. Fem. vol.22 número3

MHB: Não, não, não. O feminismo de igualdade é, de pronto, enrijecido, reifica a diferença sexual e se fixa nas desigualdades homens-mulheres, então isso define a agenda que em seguida serve de modelo para as discriminações contra lésbicas, homos e trans – e essa é uma sequência que deveríamos tentar deslinearizar. Ainda, é um feminismo reformista, e quando falamos com as feministas universalistas ou reformistas, verificamos um problema que não lhes agrada muito: as pessoas que têm um gênero desconectado do sexo biológico, como os homens grávidos, por exemplo. Para elas, essas pessoas são mesmo alienígenas, eu penso. Mesmo as putas. Eu diria, então, que, nesse caso, elas vão pela distinção mais restritiva de gênero, na qual gênero é igual à mulher, e utilizam esse tipo feminismo. Não obstante, eu penso que o feminismo é justamente a antípoda dessas ideias.
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Direito ao corpo e à vida: a invisibilidade do intersexo no campo social

Direito ao corpo e à vida: a invisibilidade do intersexo no campo social

Segundo Knight (2017), autor do relatório e pesquisador da Human Rigths Watch “a pressão para se encaixar e ter uma vida ‘normal’ é real, mas não há evidência de que a cirurgia vai facilitar essa promessa. A maior evidência é sobre os riscos de danos irreversíveis” (p. 7). Não acertar a identidade de gênero da criança não é o único problema. Cirurgias que retiram as gônadas, por exemplo, podem causar infertilidade e levar à necessidade de reposição hormonal para toda a vida. Outras cirurgias podem resultar em perda da sensação sexual e dor contínua. Doravante, os procedimentos são irreversíveis, em que o tecido retira- do não pode ser substituído, nervos não podem ser recriados e o tecido da cicatriz pode limitar possíveis cirurgias futuras (KNIGHT, 2017). Risco de infertilidade, necessidade de reposição hormonal crônica, perda de sensação sexual e dor contínua são justificáveis, em nome da adequação dos corpos à lógica binária de diferença sexual. Os danos psicológicos causados pelas cirurgias e pelo tratamento em si, com todos os exa- mes repetitivos e expositores, podem prejudicar indivíduos intersexo por toda a vida. A própria linguagem médica estigmatizante e, por vezes, pejorativa, os exames fotográficos e a exposição dos corpos intersexuais a um grande número de pessoas podem ser traumáticos, principalmente para crianças. No caso daqueles que não se identificam com o sexo que lhes foi atribuído, o transtorno é ainda maior. Em muitos casos, após a cirurgia, o tratamento segue com base hormonal em acordo com o sexo designado, ou seja, são utilizadas biotecnologias para a manutenção da naturalidade do binarismo do sexo biológico, ainda que biologicamente o corpo tenha apresentado outras modulações anatômicas.
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Physis  vol.17 número3

Physis vol.17 número3

Em suas elaborações podemos perceber duas vertentes através das quais ele problematizou a diferença sexual e o feminino. Construiu uma teoria sobre a sexualidade na qual o falo foi pensado como o ordenador da sexualidade humana, dando a essa vertente um caráter universal. Mas paralelamente, ao longo de sua trajetória, explorou outros territórios onde a questão da intensidade pulsional, de uma experiência erótica não subsumida à lógica fálica, ganhou força, apontando para um outro registro psíquico a partir do qual é possível pensar o processo de subjetivação como uma experiência antes de tudo singular. É nessa vertente que em “Análise terminável e interminável”, questionando- se sobre os impasses da clínica, Freud reabriu uma reflexão sobre a feminilidade, apontando para os limites da prática psicanalítica centrada na referência ao falo.
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Interdisciplinaridade: história das mulheres e estudos de gênero

Interdisciplinaridade: história das mulheres e estudos de gênero

psiquiatra francesa, Madeleine Pelletier, militante entre fins do século XIX e fins dos anos 30, do XX, impregnada das questões “psi” que emergem no seu tempo, traz outras contribuições: entende a diferença sexual como decorrente de um conjunto de fenômenos psicológicos e não físicos, perspectiva que forjaria uma nova subjetividade para as mulheres. Vê no feminismo um auxílio “a não ser uma mulher do modo que a sociedade espe- ra” (SCOTT, 2005, p. 20). Seu discurso é radicalmente oposto às diferenciações entre masculino e feminino, a ponto de vestir-se com trajes masculinos, forma de desconstruir a diferença sexual, justificando-se: “Minhas roupas proclamam aos homens que sou igual a eles” (SCOTT, 2002, p. 233). Ao contrário de Deroin, condenava a celebração da maternidade, a seu ver, uma forma de confirmação da inferioridade da mulher. Defensora do voto das mulheres, da maternidade como escolha e não obrigação, dedicou-se à luta pelo direito das mulheres à contracepção e ao aborto, sendo uma das precursoras das principais lutas da segunda onda feminista (GroSSI, 2002, p. 14). o ideal a ser alcançado era o da igualdade entre os indivíduos, negando a diferença sexual. O paradoxo permanece: ao pensar, de um lado, o masculino como o indivíduo universal, e ao insistir, de outro, na idéia de que a individualidade transcende o sexo, “foi como mulher, e em nome do grupo – mulheres – que M. Pelle- tier e outras feministas travaram suas batalhas pela igualdade” (SCott, 2002, p. 211). Novos valores e conhecimentos, porém, estão presentes na sua vida e obra. Nascida em 1874 e morta em 1939, nas proximidades da Segunda Guerra Mundial, Pelletier integra lutas sufragistas, manifesta-se através de artigos e pan- fletos, faz carreira política associada ao partido socialista e, ao fim da vida, dedica-se à produção literária: empenha-se na luta pelo direito “de não ser mulher do jeito que a sociedade espera”. Em parte, seus caminhos seriam aqueles trilhados mais tarde por Simone de Beauvoir.
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Rev. Estud. Fem.  vol.22 número3

Rev. Estud. Fem. vol.22 número3

No seguinte capítulo, “La diferencia sexual como fundamento del pacto heterosexual”, são conceituadas a “diferença sexual” e as cate- gorias socialmente construídas de “mulher” e “homem”, com base no pensamento de várias teóricas feministas, como Margared Mead, Simone de Beauvoir, Joan Scott e Gayle Rubin, entre outras, e analisado o modo como esses paradigmas são assumidos dentro do texto da Constituição.

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Ginecologia, gênero e sexualidade na ciência do século XIX.

Ginecologia, gênero e sexualidade na ciência do século XIX.

Autores como Rousseau tinham lançado as bases para a distinção das atividades nas esferas pública e privada a partir da diferença sexual. A biologia feminina servia de maneira privilegiada para pensar a ordem social a partir da natureza. Esse é o ponto de partida que marcou a produção dos médicos que escreveram durante o século XIX. Através de uma anatomia e fisiologia com- parativas, eles pretendiam criar as bases para uma ciência da espécie humana. A taxonomia da diferença sexual era importante, porque, por um lado, permitia definir os caracteres do homem natural, e por outro, determinaria as diferenças entre homens e mulheres. A ginecologia, enquanto ciência da mulher, fez parte de um sistema de classificação mais amplo, que envolvia a antropologia, a ciência do Homem. Essa relação é expressa de maneira clara nas proposições de alguns ginecologistas. James Jamieson, ginecologista e professor de medicina, escreveu, em 1887, que a história natural da raça humana é o objeto da antro- pologia, que tem como objetivo a criação de classificações distintivas entre os homens. Entre elas estariam o grau de civilização, a cor da pele e os tipos de fala. Mas, a mais fundamental e definitiva divisão é o sexo, e, para dar conta dessa classificação, a antropologia comportaria a ginecologia e a andrologia, ou seja, os estudos das peculiaridades da mulher e do homem (Moscucci, 1996, p. 13-15; Russet, 1995: 24-28).
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A Vida Sexual (1901-1933) de Egas Moniz: um discurso médico-científico sobre os corpos sexuados

A Vida Sexual (1901-1933) de Egas Moniz: um discurso médico-científico sobre os corpos sexuados

Sobre sua origem individual, Moniz acreditava que a homossexualidade se desenvolvia tanto por desvio congênito, como por influência externa – este último caso se daria na ausência de mulheres e na chamada “homossexualidade situacional”, um dos motivos pelos quais Moniz era contrário à separação dos sexos, que naquele momento vigorava no modelo educacional (CLEMINSON e ARTALOYTIA, 2012: 80). A crítica à separação dos sexos nas escolas feita por Moniz é citada pelo médico brasileiro Raul Mendes de Castilho Brandão, que afirmava na tese Breves considerações sobre a educação sexual (1910), a partir da leitura da obra A Vida Sexual, que os colégios são, por esse motivo, “fontes do homossexualismo e muitos outros prejuízos sociais” (BRANDÃO, 1910: 8). Para Moniz, as tendências homossexuais poderiam se desenvolver desde a infância e, por isso, as crianças estariam sujeitas, por uma educação desviante, ao contágio da inver são sexual, pois, segundo ele, “Não há dúvida que existem invertidos que são uma consequência do meio em que vivem” (MONIZ, 1931: 472). Mesmo no caso daqueles que possuem predisposição hereditária à doença – pois segundo Moniz o que se herda é a predisposição, e não a doença – muitos “não seriam homossexuais se o meio ambiente os não arrastasse para o vício degradante que mais tarde se transforma em necessidade” (MONIZ, 1931: 473). Uma vez no campo da necessidade, esses comportamentos transformar-se-iam em perversões. Por isso, como destacam Cleminson e Artaloytia, assim como Krafft-Ebing, Moniz devota grande valor
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O Programa de Educação Afetivo-Sexual fazendo a diferença na escola atual

O Programa de Educação Afetivo-Sexual fazendo a diferença na escola atual

A implantação de um programa de educação para a sexualidade numa rede de ensino deve iniciar-se pela sensibilização de todos os integrantes da comunidade escolar: diretores, coordenadores pedagógicos, professores, pais, funcionários e equipe administrativa. A experiência mostra que, quanto maior o número de pessoas sensibilizadas, maior será a possibilidade de sucesso e de consolidação do programa. Na etapa de sensibilização, busca-se explicitar a vontade política de produzir mudanças na realidade, fornecer dados e informações atualizadas sobre diretrizes e práticas educacionais, conscientizar as pessoas dos objetivos e do alcance da educação sexual e desenvolver posturas favoráveis à consecução desses objetivos.
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Aspectos da saúde reprodutiva em homens com miopatia inflamatória idiopática: um estudo multicêntrico.

Aspectos da saúde reprodutiva em homens com miopatia inflamatória idiopática: um estudo multicêntrico.

bida ocorreu aos 16 anos e sua primeira atividade sexual foi aos 17 anos, sem relações sexuais no último mês. No interrogatório da função sexual referia redução da libido e anorgasmia, sem diiculdade na ereção e na ejaculação. Não faz uso de preser- vativo masculino e no momento está insatisfeito sexualmente. Não reporta gravidez. Os volumes testiculares direito e esquerdo foram normais [orquidometria de Prader (25/25 mL) e ultrasso- nograia (13/15,7 mL)]. Os valores dos hormônios foram: FSH 3,9 UI/L, LH 1,2 UI/L e testosterona total 231 ng/dL. As duas análises do sêmen demonstraram teratozoospermia e a pesquisa de anticorpo antiespermatozoides foi negativa. No momento da avaliação da saúde reprodutiva apresentava atividade cutânea da doença (EVA do médico de quatro e EVA do paciente de três). As enzimas musculares foram normais CK 68 UI/L, ALT 24 UI/L, AST 19 UI/L, DHL 454 UI/L, aldolase 4 UI/L. A terapêutica Tabela 1 . Dado demográico, índice de massa
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