Direitos de prestação e defesa

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O benefício de prestação continuada na contemporaneidade brasileira: defesa de direitos nos percursos de ajuste do Estado

O benefício de prestação continuada na contemporaneidade brasileira: defesa de direitos nos percursos de ajuste do Estado

Este trabalho dissertativo demarca como objeto de estudo, analisar a expansão do Benefício de Prestação Continuada (BPC) no Estado do Rio Grande do Norte, no período de 2003 a 2014. O BPC é um direito previsto na Constituição Federal de 1988, inscrita na política de Assistência Social e compõe o rol da seguridade social. Para tanto, destina-se à pessoa com deficiência, incapacitada ao trabalho, e à pessoa idosa, com idade igual ou superior a 65 anos, que não dispõem de meios para prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. Nos marcos da contemporaneidade brasileira, o referido benefício integra a tendência nacional da Política Social no século XXI – delineada pela prevalência dos programas e benefícios de transferência de renda no circuito histórico em que o Partido dos Trabalhadores esteve à frente do poder executivo brasileiro. Isso acontece no cenário de crise estrutural do capital e, portanto, do agravamento das expressões da questão social, com desemprego crescente e alargamento da pobreza. Vis-à-vis, a política de Assistência Social se expande, por meio dos programas e benefícios de transferência de renda, e assume centralidade no sistema de proteção social brasileiro, diante do quadro contraditório de ajuste do Estado ao capital mundializado, a empreender cortes orçamentários para implementação e execução dos serviços sociais públicos. O estudo em questão fundamenta-se em uma perspectiva crítica, visando apreender o objeto de pesquisa mediante as determinações sócio históricas da sociedade do capital, em tempos de crise, partindo do abstrato ao concreto. O processo investigativo combinou pesquisa bibliográfica e documental, possibilitando apreensão de categorias teóricas e empíricas e análise dos relatórios e estudos disponibilizados pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais (ANFIP), Banco Mundial (BM), Agência Nacional de Saúde (ANS), Auditoria Cidadã da Dívida, bem como, dados disponibilizados pelo Sistema Único de Informações de Benefícios (SUIBE) que compõe o sistema de informações da Previdência Social (DATAPREV).
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Princípio contramajoritário e separação de poderes na defesa e promoção dos direitos fundamentais

Princípio contramajoritário e separação de poderes na defesa e promoção dos direitos fundamentais

O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Professor Doutor Eros Grau, explicando a lição primordial contida na decisão do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha [BverfGE 33, 303 (333), numerus clausus], observa que, naquela ocasião, fixou-se entendimento no sentido de que a efetivação do direito de acesso ao ensino superior, resultante do direito fundamental de livre escolha e exercício da profissão, condicionava-se à reserva do possível, devendo a prestação requerida corresponder ao que o indivíduo pode razoavelmente exigir da sociedade. Assim, ainda que disponha o Estado de recursos financeiros suficientes, não existe obrigação de prestar algo que não se encontre dentro limites do razoável. Nesse sentido, concluiu-se que não havia um direito constitucional que obrigasse o Estado a providenciar vagas em universidades, uma vez que a aplicação dos recursos do sistema universitário não poderia considerar argumentos exclusivamente individuais, sem também ponderar os interesses coletivos. O Tribunal decidiu que, apesar de esgotadas as vagas, criadas com os recursos públicos, para o curso de medicina nas Universidades de Hamburgo e Munique, o numerus clausus absoluto delas não ofendia a Constituição 796 .
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Eficácia horizontal dos direitos fundamentais de prestação: considerações e peculiaridades

Eficácia horizontal dos direitos fundamentais de prestação: considerações e peculiaridades

30 HESSE, Konrad. Os Direitos Fundamentais na República Federal. In: Temas fundamentais do direito constitucional/ Konrad Hesse; textos selecionados e traduzidos por Carlos dos Santos Almeida, Gilmar Ferreira Mendes, Inocêncio Mártires Coelho. — São Paulo: Saraiva, 2009. p. 77. 31 Preservou-se o termo “direito de resistência” utilizado por Dimitri Dimoulis e Leonardo Martins por respeito intelectual, mas, para evitar equívocos interpretativos, é importante alertar que eles se referem aos chamados direitos de defesa, e não ao direito de resistência constitucional propriamente dito (chamado pelos mesmos autores de “direito de insurreição”) que permite ao cidadão resistir a uma intenção legítima do Estado. De forma objetiva, o direito de defesa surge a partir de uma intervenção ilegítima do Estado, enquanto no direito de insurreição, o Estado age conforme a ordem constitucional.
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O MINISTÉRIO PÚBLICO NA DEFESA DOS DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS

O MINISTÉRIO PÚBLICO NA DEFESA DOS DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS

Ora, uma das grandes insuficiências da teoria dos direitos humanos é o fato de se não haver ainda percebido que o objeto dos direitos econômicos, sociais e culturais é sempre uma política pública. A generalidade dos autores continua a repetir, sem maior aprofundamento, que se trata de direitos a uma prestação esta­ tal positiva, em contraste com o dever de abstenção dos Poderes Públicos, carac­ terístico das liberdades individuais.9 Mas como o direito a uma prestação estatal positiva supõe uma relação direta do titular com o Estado, tropeça-se, inevitavel­ mente, com o obstáculo pragmático de que, salvo em raras hipóteses, das quais me ocuparei mais adiante, o ordenamento jurídico não cria pretensão e ação indi­ vidual do particular contra os Poderes Públicos, para a realização desses direitos.
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A responsabilidade civil do estado e a aplicação do Código de Defesa do Consumidor na prestação de serviços públicos

A responsabilidade civil do estado e a aplicação do Código de Defesa do Consumidor na prestação de serviços públicos

Não obstante a esses entendimentos, o Código de Defesa do Consumidor também protege os direitos difusos, coletivos, e individuais homogêneos de natureza consumerista, deste modo, os usuários de serviços públicos abrangidos pelo CDC ou exclusivamente comerciais poderão ser defendidos individualmente nos casos já mencionados, ou ainda por tutela coletiva quando a causa de pedir extravasar a esfera individual e pertencer a uma coletividade seja determinada ou difusa. Neste último caso, os legitimados para propor as ações estão previstas no artigo 82 do Código de Defesa do Consumidor, as ações coletivas obedecerão ao disposto no Título III do CDC, bem como estarão sujeitas ao disposto na Lei Federal 7.347/1985. Portanto, o CDC também protege os consumidores quando da natureza coletiva ou indivisível dos serviços, no entanto, quando esses tiverem natureza diversa da consumerista, eles obedecerão cada um às normas inerentes à sua natureza, e ao disposto na Lei de Ação Civil Pública.
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Legitimidade do ministério público na defesa dos direitos individuais homogêneos

Legitimidade do ministério público na defesa dos direitos individuais homogêneos

AUTOMOBILISMO DO RGS, MUNICÍPIO DE ERECHIM E DO ENGENHEIRO QUE INSTALOU A ARQUIBANCADA. Nos termos do artigo 7º, parágrafo único, do CDC, havendo dano experimentado em decorrência de relação de consumo, não há dúvida da legitimidade passiva de todos aqueles envolvidos na prestação do serviço ou no fornecimento do produto que contribuíram na causação do resultado. Não há como excluir a responsabilidade da LIA/RS, Município de Erechim e do engenheiro Tiago José Zanette, respectivamente organizadora do evento, sem registro no órgão oficial, que, mesmo em situação irregular conhecida pelo Município, obteve autorização para o evento, e o engenheiro responsável pela montagem da arquibancada, olvidando normas técnicas de execução e segurança. Solidariedade afastada apenas no que tange à devolução dos ingressos, que deve ser procedida apenas por quem amealhou os recursos. DANOS MORAIS E MATERIAIS. INDIVIDUAÇÃO. ADEQUAÇÃO. DANOS MORAIS COLETIVOS NÃO TIPIFICADOS. CONTRATO DE SEGURO POR MORTE E INVALIDEZ PERMANENTE. SINISTROS NÃO TIPIFICADOS. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses de cobertura previstas no contrato de seguro, cabe a exclusão da seguradora. Isenção de sucumbência do Ministério Público quando inocorrente má-fé. Preliminares rejeitadas, com desprovimento do agravo retido. Parcial provimento dos apelos interpostos pela LIA/RS, Tiago José Zanette e Município de Erechim. Provimento do apelo da seguradora. (RIO GRANDE DO SUL, 2010).
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A qualidade da prestação de serviços frente ao código de defesa do consumidor

A qualidade da prestação de serviços frente ao código de defesa do consumidor

Contudo, os escravos chegaram a ter regalias, em certos períodos da história, fato constatado por Aristóteles, no período 384-322 a.C, quando relatou que em Creta os escravos possuíam os mesmos direitos dos cidadãos comuns, com apenas duas restrições, quais sejam: não podiam portar armas e eram proibidos de fazer ginástica. Na Grécia clássica, o trabalho braçal era desonroso e pertencente somente aos escravos, sendo que os homens livres que desenvolviam algum trabalho lucrativo eram tratados com desprezo, como, por exemplo, os comerciantes que significa ócio.
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Estado ONGs e movimentos sociais: disputas em defesa dos direitos

Estado ONGs e movimentos sociais: disputas em defesa dos direitos

Há indicações de que a sociedade civil brasileira vem se mobilizando. Os anos 1970 marcam o reinício de sua trajetória de organização política que, com altos e baixos e com períodos mais ou menos favoráveis às mobilizações, buscou soluções para a questão social e produziu conquistas. Desde então, todo tipo de articulação vem sendo inventado para que o direito humano à educação e outros direitos vinguem nestas paragens: educadores organizam-se em sindicatos e em outros espaços; fóruns, comitês, comissões e redes analisam e debatem estratégias que produzam políticas e resultados educacionais mais positivos, disputando em conferências municipais e estaduais o significado da participação e do próprio direito à educação; associações de moradores, conselhos gestores e populares, ainda que predominantemente apresentem-se frágeis, tornam-se, em determinados momentos, espaços de disputa pelo fundo público e possibilitam à sociedade civil articulação e elaboração de propostas a serem encaminhadas ao Estado.
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A defesa dos direitos fundamentais pela jurisdição constitucional: entre o substancialismo e o procedimentalismo

A defesa dos direitos fundamentais pela jurisdição constitucional: entre o substancialismo e o procedimentalismo

A investigação da pesquisa recai sobre o papel exercido pela jurisdição constitucional, no paradigma do Estado Democrático de Direito, na defesa e efetivação dos direitos fundamentais. Desde o denominado período axial há a busca pelo homem de delimitar direitos considerados essenciais, em função da sua íntima ligação com a própria essência do ser humano. Inicialmente esses direitos eram denominados de direitos humanos e se desenvolveram dentro da matriz jusfilosófica denominada de jusnaturalismo, sob a perspectiva da identidade do Direito com a moral. Os direitos humanos eram considerados como direitos naturais do ser humano, e justificados metafisicamente. Ante as incertezas geradas por esse modelo, e já com o advento da modernidade, o direito passa a ser identificado objetivamente apenas com o direito legislado, reificando àquela época a dominação promovida pela burguesia, e estabelecendo um novo paradigma jusfilosófico denominado de positivismo jurídico. A partir desta nova concepção os direitos humanos passam a depender da sua positivação em Constituições e são denominados de direitos fundamentais. Os modelos hermenêuticos sedimentados nesses dois paradigmas jusfilosóficos, todavia padecem de um mesmo mal, por motivos diferentes, eles consolidam uma interpretação jurídica que favorece a discricionariedade do intérprete, e desfavorece a efetivação dos direitos fundamentais/humanos. Faz-se necessário, então investigar, sob um prisma filosófico, novas ideias para um modelo de hermenêutica jurídica, de cariz filosófico, capaz de mitigar a discricionariedade do intérprete e simultaneamente concretizador dos direitos fundamentais. Essa (nova) hermenêutica jurídica inspira-se pelo pensamento de dois importantes filósofos da contemporaneidade: Martin Heidegger e Hans-Georg Gadamer
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EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: CONTRIBUIÇÃO NA DEFESA DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: CONTRIBUIÇÃO NA DEFESA DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

A aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, Lei nº 8.069/90 serviu como marco no reconhecimento da condição de crianças e adolescentes, enquanto sujeitos de direitos, pessoas em condição peculiar de desenvolvimento e da necessidade de proteção integral. O reconhecimento formal desses direitos implicou na reconfiguração das diferentes políticas públicas. O projeto de extensão “Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) nas escolas” tem o objetivo discutir com estudantes da rede pública de educação, os direitos instituídos e suas diferentes formas de violação, encorajando-os à denunciar violações presentes no cotidiano. Parte-se do pressuposto que o compartilhamento de informações a cerca dos mecanismos institucionais e jurídico-legais contribuem na garantia dos direitos, favorecendo o exercício da cidadania. A Escola, enquanto equipamento social da política de educação é importante parceiro na propagação dos direitos e na identificação de suas violações. Será registrada a experiência desenvolvida no ano de 2015, na modalidade de oficina pedagógica com estudantes do ensino fundamental (11 a 17 anos) na rede Estadual de Ensino. A proposta contribui para que a temática dos direitos seja difundida junto aos estudantes e no enfrentamento das violações desses, de forma que os princípios infraconstitucionais sejam assegurados aos seus destinatários.
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A DEFESA DE DIREITOS DO PÚBLICO LGBTT: UMA ANÁLISE DO SERVIÇO SOCIAL

A DEFESA DE DIREITOS DO PÚBLICO LGBTT: UMA ANÁLISE DO SERVIÇO SOCIAL

É notável que a sociedade ainda seja preenchida de um preconceito extremamente conservador e tradicional, refletindo na homofobia. É preciso que a sociedade supere o quanto antes essa visão, e que utilize da criticidade, para saber que todos os seres humanos tem a capacidade de gozar da liberdade, e são cobertos de direitos construídos historicamente e promovidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos independente de usa orientação sexual.

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NÚCLEO DE ESTUDOS E DEFESA DOS DIREITOS DA INFÂNCIA E  JUVENTUDE - NEDDIJ

NÚCLEO DE ESTUDOS E DEFESA DOS DIREITOS DA INFÂNCIA E JUVENTUDE - NEDDIJ

O Núcleo de Estudos e Defesa dos Direitos da Infância e Juventude tem por objetivo atuar na esfera da criança e adolescente visando garantir e defender os seus direitos previstos na Constituinte de 1988 e regulados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Para tanto, realiza atendimento jurídico e social, por equipe multidisciplinar, à comunidade externa. As ações desenvolvidas junto à comunidade são de extrema importância na prevenção da violação dos direitos da criança e do adolescente, atingindo desta forma o objetivo principal do projeto. E como projeto de extensão procura desenvolver estudos relativos à área de atuação, realizando atividades voltadas ao aprimoramento e estudos de seus bolsistas. Por fim, a importância da atuação do NEDDIJ é imensurável pois desenvolve suas atividades em diversos setores da comunidade, sendo um dos mais importantes membros da Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente na Comarca de Guarapuava-PR. Diante disso, se faz a presente análise.
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O MINISTÉRIO PÚBLICO E A DEFESA DOS DIREITOS SOCIAIS MESTRADO EM DIREITO

O MINISTÉRIO PÚBLICO E A DEFESA DOS DIREITOS SOCIAIS MESTRADO EM DIREITO

Anote-se, por último, que a realidade brasileira dá mostras de que a afirmação da inexistência de recursos significa, muitas vezes – ou quase sempre – a inexistência de vontade política suficiente para o atendimento da pretensão. Veja-se, por exemplo, notícia veicu lada pelo jornal “O Estado de São Paulo”, edição de 10 de fevereiro de 2013 (pág. A- 4): “No ano pré-eleitoral, 12 Estados elevam as despesas previstas com propaganda”. Da sua leitura vê-se que, dos doze Estados nos quais há a previsão de aumento, sete tem governadores que são potenciais candidatos à reeleição. Não há quem negue a necessidade de propaganda institucional e de utilidade pública do governo, mas é nebulosa a razão pela qual este gasto deva ser incrementado em ano eleitoral. Esta notícia é apenas um exemplo de que as motivações para a feitura das leis orçamentárias nem sempre levam em conta a necessidade de satisfazer os direitos sociais, não se podendo, nesta quadra histórica, aceitar a afirmação da inexistência de recursos quando em jogo o mínimo existencial.
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Direito e política: o Ministério Público e a defesa dos direitos coletivos.

Direito e política: o Ministério Público e a defesa dos direitos coletivos.

relatório de pesquisa, 1997. Desde 1993, o Instituto de Estudos Econômicos, Sociais e Políticos de São Paulo (Idesp) vem desenvolvendo um programa de pesquisa sobre as instituições judiciais brasileiras, particularmen- te em torno das causas do seu mau funcionamento e do enorme déficit de justiça que aflige o país. Como uma das etapas do programa, realizamos em 1996 um survey com integrantes do Ministério Público em sete estados brasileiros. Entrevistamos cerca de 20% de promotores e procuradores de justiça do MP estadual em Goiás, Sergipe, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, além de 51 integrantes do MP Federal distribuídos proporcionalmente por estes mesmos esta- dos. No total, fizemos 763 entrevistas. O questionário utilizado nas entrevistas formulou, na primeira parte, questões sobre os aspectos mais evidentes da crise da Justiça, assim como as propostas de reforma mais destacadas no debate público. Na segunda parte, trata- mos especialmente do papel do Ministério Público no âmbito do sistema de justiça e, em particular, dos limites e possibilidades de sua atuação na área dos direitos difusos e coletivos. Por último, um conjunto de questões substantivas sobre o Direito e a Justiça no Brasil procu- rou extrair dos entrevistados valores ideológicos e doutrinários que podem estar orientando sua atuação concreta.
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Perpetrando o bem: as conseqüências não desejadas da defesa dos direitos humanos.

Perpetrando o bem: as conseqüências não desejadas da defesa dos direitos humanos.

Em minha análise, eu me detenho apenas na aplicação das abordagens de direitos humanos por parte de organizações não-governamentais (ONGs) internacionais – ou seja, organizações que não possuem uma base de representação (constituency) ou grupo específico de beneficiários, mas operam em nível internacional e apenas possuem experiência indireta com abusos de direitos humanos, por meio de projetos. Eu reconheço que essas abordagens são comuns entre ONGs nacionais e locais e são empregadas de maneira eficaz por tais organizações em países específicos. No entanto, a sua aplicação por organizações internacionais levanta uma série de questões e preocupações muito diferentes daquelas pertencentes a grupos domésticos. Nesse sentido, eu questiono a alegada legitimidade das ONGs internacionais em falar em nome de grupos definidos (ou indefinidos) de vítimas ou em nome da “sociedade civil internacional”. Ao mesmo tempo, eu ofereço uma reflexão sobre a falta de conexão genuína entre o mundo internacional das ONGs, de um lado, e a situação das vítimas de violações de direitos humanos, de outro. A crítica estabelecida neste artigo não pretende sugerir que essas abordagens de defensores de direitos humanos são totalmente incompatíveis com os interesses das vítimas e devem, portanto, deixar de ser empregadas. Elas são certamente mecanismos importantes para a promoção do respeito e defesa dos direitos humanos em âmbito internacional. Mesmo assim, eu acredito que se os defensores de direitos humanos são responsáveis com eles mesmos e com aqueles que defendem ou representam, eles precisam avaliar honestamente suas ações e resultados concretos. Portanto, em vez de oferecer soluções específicas às questões identificadas aqui, eu insisto aos defensores de direitos humanos que adotem modelos de ativismo diferentes e mais integrados: ativismo que, parafraseando a terminologia de acadêmicos críticos, eu chamo de ativismo “rebelde” ou“ comunitário”. 1 Com isso eu me refiro a
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TUTELA ANTECIPADA NA DEFESA DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE E A RESPONSABILIDADE DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

TUTELA ANTECIPADA NA DEFESA DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE E A RESPONSABILIDADE DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

STJ – Recurso Especial nº 268660/RJ – 4ª Turma – J. 21/11/2000 – rel.; Min.: Cesar Asfor Rocha - 1. Os direitos da personalidade, de que o direito à imagem é um deles, guardam como principal característica a sua intransmissibilidade. Nem por isso, contudo, deixa de merecer proteção a imagem de quem falece, como se fosse coisa de ninguém, porque ela permanece perenemente lembrada nas memórias, como bem imortal que se prolonga para muito além da vida, estando até acima desta, como sentenciou Ariosto. Daí porque não se pode subtrair da mãe o direito de defender a imagem de sua falecida filha, pois são os pais aqueles que, em linha de normalidade, mais se desvanecem com a exaltação feita à memória e à imagem de falecida filha, como são os que mais se abatem e se deprimem por qualquer agressão que possa lhes trazer mácula. Ademais, a imagem de pessoa famosa projeta efeitos econômicos para além de sua morte, pelo que os seus sucessores passam a ter, por direito próprio, legitimidade para postularem indenização em juízo. 2. A discussão nos embargos infringentes deve ficar adstrita única e exclusivamente à divergência que lhe deu ensejo. 3. Ao alegar ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil o recorrente deve especificar as omissões e contradições que viciariam o aresto atacado, sob pena de inviabilizar o conhecimento do recurso especial. Ademais, na hipótese, o acórdão dos aclaratórios não contém esses vícios. 4. "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." (Súmula nº 7/STJ). 5. Sem demonstração analítica do dissídio, não se conhece do recurso especial pela letra "c". Recursos não conhecidos.
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OS MEIOS DE FACILITAÇÃO DA DEFESA DOS DIREITOS DOS CONSUMIDORES  Josinaldo Leal De Oliveira

OS MEIOS DE FACILITAÇÃO DA DEFESA DOS DIREITOS DOS CONSUMIDORES Josinaldo Leal De Oliveira

Pode igualmente haver outros instrumentos não governamentais de proteção ou defesa do consumidor, os quais também poderão intentar soluções de seu interesse. A Lei nº 9.307/97, mais conhecida como “Lei de Arbitragem”, em tese igualmente trata da solução privada de conflitos, o que, todavia, conforme já expusemos em artigo específico, merece algumas reservas, até porque o inciso VII do art. 51 do Código de Defesa do Consumidor diz, expressamente, que são consideradas abusivas, dentre outras, as cláusulas que “determinem a utilização compulsória de arbitragem”. (2007, p. 146).
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PRINCÍPIOS BÁSICOS SOBRE O PAPEL DOS ARQUIVISTAS NA DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS

PRINCÍPIOS BÁSICOS SOBRE O PAPEL DOS ARQUIVISTAS NA DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS

O Princípio 3, “O dever de preservar a memória”, do Conjunto atualizado de princípios para a luta contra a impunidade do Alto Comissariado das Nações Unidas afirma que “o conhecimento de um povo sobre a história da sua opressão é parte de seu patrimônio e, como tal, deve ser assegurado por medidas adequadas no cumprimento do dever do Estado em preservar os arquivos e outras provas relativas a violações de direitos humanos e de facilitar o conhecimento dessas violações. Tais medidas devem ter por objetivo a preservação da memória coletiva da sua extinção e, em especial, a sua proteção contra o desenvolvimento de argumentos revisionistas e negacionistas”. O Princípio não diz que o Estado deve preservar apenas os arquivos estatais; em vez disso diz “arquivos”. O Estado tem muitas opções para apoiar a preservação e o acesso a arquivos não governamentais, como fazer declarações públicas contundentes sobre preservação e acesso, promulgar legislação que exija que tais arquivos sejam preservados, obter decisões judiciais que requeiram tais arquivos para preservação, fornecer apoio financeiro a arquivos não governamentais, realizar pesquisas e criar bancos de dados para identificar, para o público, onde estão localizados arquivos relevantes, receber doações de arquivos do setor privado, ou fornecer um “porto seguro”, um repositório confiável para arquivos em perigo.
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O Código de Defesa do Consumidor e o vício no produto e no serviço: Direitos Básicos

O Código de Defesa do Consumidor e o vício no produto e no serviço: Direitos Básicos

RELAÇÃO DE CONSUMO. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS. VÍCIO DE QUALIDADE DO PRODUTO. TELEFONE CELU- LAR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO COMERCIANTE. APLICAÇÃO DO ART. 18, §1º, II, DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR, QUE AUTORIZA A RESOLUÇÃO DO CON- TRATO E A PRETENSÃO INDENIZATÓRIA. IMPOSIÇÃO DE DIFICULDADES QUE EXCEDEM A CONDIÇÃO DE MERO DISSABOR TRANSBORDANDO EXCEPCIONALMENTE PARA A CONDIÇÃO DE DANO MORAL INDENIZÁVEL. 1. A empresa que vende o aparelho enquadra-se no conceito de fornecedora para responder perante o consumidor por eventual vício de qualidade do bem, junto com a fabricante. Nesse sentido o disposto no art. 18, caput, do Codecon. Não há como confundir a responsabilidade por vícios do produto com a responsabilidade por fato do produto, contemplada no art. 12 da mesma lei, esta sim instituindo a responsabilidade subsidiária da comerciante, em que pese na hipótese dos autos tenha a fabricante sido condenada de forma exclusiva à reparação de danos materiais. 2. Tendo a autora, que reside em Marau, cidade aonde adquiriu o aparelho celular, restado desamparada na sua legítima expectativa de solucionar o vício do produto adquirido no local aonde o comprou, sendo relegada a procurar auxílio em Porto Alegre para consertar o aparelho e, em Passo Fundo, para bloquear a cobrança dos serviços no período do conserto, por certo que suportou tratamento indigno, não se podendo equiparar a frustração sofrida a mero dissabor do dia-a-dia, transbordando a conduta das rés para ofensas aptas a ensejar danos morais indenizáveis. Sentença confirmada por seus próprios fundamentos. Recurso improvido (Recurso Cível Nº 71001902121, Primeira Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Ricardo Torres Hermann, Julgado em 23/4/2009).
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Ética do cuidado e empatia: em defesa de uma metaética sentimentalista para os direitos humanos

Ética do cuidado e empatia: em defesa de uma metaética sentimentalista para os direitos humanos

Nesta dissertação, apresenta-se a ética do cuidado que, contemporaneamente, opera-se pelo uso da empatia como ferramenta de reconhecimento e motivação morais. O objetivo é pugnar pela consistência teórica da ética do cuidado como alternativa levada a cabo por uma revisão deontológica dos direitos humanos, uma vez que gera resultados mais robustos quanto à efetividade de suas prescrições, no âmbito da teoria da ação moral. Os métodos utilizados para a confecção do trabalho são, concorrentemente, o método dedutivo de abordagem teórica, com o escopo de verificar se as conclusões obtidas da análise argumentativa desta teoria metaética encontrarão resposta satisfatória aos problemas previamente identificados e, a seguir, em que patamar as críticas a algumas de suas alegações põem os fundamentos de tal teoria, da mesma forma que o método dialético, para justificar a adoção dessa nova teoria em detrimento da teoria atual, o que desempenhará o papel de formulador de parâmetros lógico-argumentativos com finalidade resolutiva. O presente estudo é composto de 04 (quatro) capítulos, sendo o primeiro a introdução, ademais de considerações finais. No segundo capítulo, apresentam-se as bases teórico- filosóficas da ética do cuidado contemporânea, a partir do sentimentalismo e do emotivismo ético, ademais da ética do cuidado seminal, da teoria feminista. No terceiro, esboçam-se os fundamentos de alguns dos encurtamentos teóricos da racionalidade kantiana, especialmente o chamado processo de assepsia moral que a unicidade da razão pretende promover. No quarto, elabora-se uma tentativa conceitual para empatia e delineiam-se os principais argumentos da ética do cuidado de bases empáticas, recortando-se categorias através da análise de alguns autores atuais da filosofia e psicologia moral. Por fim, conclui- se que é possível a sustentação teórica da ética do cuidado a partir da empatia, bem como ser possível e mais recomendável a aplicação desta teoria como base deontológica em detrimento da kantiana, às normativas de direitos humanos, uma vez que compaginam com maior sucesso os juízos morais e a ação segundo suas prescrições. Propõe-se os sentimentos como elementos não-textuais dos direitos humanos e, portanto, a urgência de que uma educação em/para direitos humanos seja, também, uma educação sentimental. Outras questões de validade da ética do cuidado como empatia permanecem em aberto nas considerações finais, o que ressalta relevância da continuidade da investigação desta teoria no âmbito do Direito.
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