discurso em sala de aula

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ONDAS SEMÂNTICAS E A DIMENSÃO EPISTÊMICA DO DISCURSO NA SALA DE AULA DE QUÍMICA

ONDAS SEMÂNTICAS E A DIMENSÃO EPISTÊMICA DO DISCURSO NA SALA DE AULA DE QUÍMICA

Ao compararmos os episódios das duas aulas e seus respectivos mapas semânticos, percebemos uma variação maior da gravidade e da densidade semânticas no discurso em sala de aula da professora Beatriz. Essa diferença entre os perfis semânticos está associada às estratégias de ensino que ambos os professores adotaram ao introduzir o conteúdo Termoquímica. A professora Beatriz, ao escolher uma experiência de laboratório como ponto de partida para ensinar o conceito de processo endotérmico, logrou modificar os valores da densidade e da gravidade exibindo uma tendência uniforme em sua variação ao longo do episódio. O professor Edson não se baseou em um único fenômeno que lhe permitisse contextualizar os conceitos, mas partiu da definição dos próprios conceitos. Os mapas semânticos de ambos evidenciam uma inversão na variação da força da gravidade semântica, pois o episódio da professora Beatriz mostra inicialmente uma gravidade semântica relativamente forte (GS+) que, à medida que avança, tende a apresentar valores mais fracos (GS-), em um movimento que parte do discurso contextualizado em direção ao discurso descontextualizado. No caso do professor Edson, por outro lado, o mapa semântico evidencia um movimento contrário, pois seu episódio se inicia em um grau de gravidade semântica fraca (GS-), para somente depois modificar-se em direção a uma gravidade semântica forte (GS+). Esse movimento, entretanto, não representa uma tendência uniforme, e sim um salto semântico, pois seu discurso voltou a exibir um valor fraco para a gravidade semântica.
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Como se constitui o discurso em sala de aula em professores em início de carreira

Como se constitui o discurso em sala de aula em professores em início de carreira

(...) o processo de aprendizagem não é visto como a substituição das velhas concepções, que o indivíduo já possui antes do processo de ensino, pelos novos conceitos científicos, mas como a negociação de novos significados num espaço comunicativo no qual há o encontro entre diferentes perspectivas culturais, num processo de crescimento mútuo. Vários estudos em educação em ciências têm sinalizado sobre a importância das interações discursivas que ocorrem na sala de aula com o objetivo de ampliar os conceitos significativos. Conforme Santos, Mortimer e Scott (2001) “As interações discursivas tornam-se essenciais na sala de aula. O processo de mediação torna-se mais efetivo quando ocorre de forma dialógica [...] ”. É desejável, portanto, que o papel do professor seja baseado em pressupostos que privilegiam a prática do ensino envolvendo uma aprendizagem valorizada pelo contexto cultural, e que o ensino-aprendizagem envolva essencialmente uma relação dialógica, uma vez que, um momento de grande aprendizagem para os professores seria, então, a observação e a reflexão sobre as falas dos alunos em sala de aula. Para isso, o entendimento do tipo de discurso torna-se fundamental para auxiliar a elaboração das aulas, bem como na forma como os professores podem agir para guiar as interações que resultam na construção de significados em salas de aula de ciências. Há um certo consenso entre os pesquisadores em educação de que a construção do conhecimento científico é um processo de intensa negociação de significados entre alunos e professores. Sendo assim, caberá ao professor facilitar esse complexo processo de ensino argumentativo, pois, em acordo com Mortimer e Scott (2002, p. 284 ), “as interações discursivas são consideradas como constituintes do processo de construção de significados ” e a linguagem utilizada na interação é o instrumento mais importante que professor e alunos dispõem para a estruturação das ideias.
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A dialogia no ensino de ciências: um estudo do desenvolvimento do discurso em sala de aula

A dialogia no ensino de ciências: um estudo do desenvolvimento do discurso em sala de aula

alunos através da vocalização de múltiplas perspectivas. Isso é contrastado com uma abordagem “de autoridade”'(SCOTT, MORTIMER e AGUIAR, 2006), que envolve apenas a opinião do professor e também precisa ser distinguida a “dialética” ensinando que está mais preocupado em superar as diferenças entre o pensamento dos alunos e o conhecimento formal. Em Buty (2009), identificamos que esse autor argumenta que a forma como o professor organiza o confronto dessas visões é um elemento importante na análise do discurso educacional em sala de aula. Para esse autor a ideia de confronto de diferentes visões estabelecida pelo professor em sala de aula ajudaram Mortimer e Scott (2003) a identificar as interações e denomina-las como abordagem comunicativa. Ele ainda diz que a abordagem comunicativa é descrita como uma tensão ( citando SCOTT, MORTIMER e AGUIAR, 2006) entre os dois polos, o discurso dialógico por um lado, e o discurso de autoridade, por outro. Já em Dillon (2008) observamos que o autor diz que a parte de ensino dialógico da sessão centra-se na obra de Robin Alexander (2006), que tem escrito de maneira convincente sobre o assunto e o trabalho de Phil Scott, Eduardo Mortimer e colegas que já olhou para a tensão entre o discurso autoritário e dialógica em aulas de ciência do ensino médio (SCOTT et al., 2006).
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Discurso do professor-sujeito e o dizer e “semidizer” em sala de aula

Discurso do professor-sujeito e o dizer e “semidizer” em sala de aula

O presente estudo aborda a implicação do discurso docente na educação contemporânea e, a partir de um estudo bibliográfico, inscreve-se a noção de professor-sujeito, discurso docente e a relação transferencial. Estes conceitos - ao se enlaçarem com os discursos lacanianos e a complexidade moriniana – contribuem em grande medida para apreensão de novos atalhos com vistas ao ato de ensinar. Assim, constatou-se que o discurso docente revela complexidades pelo dizer e “semidizer” (ou “não dito”) em sala de aula, transmutando-se em novas maneiras de estar no ambiente escolar. Nesse aspecto, percebeu-se que a fala do professor- sujeito tem “um mais além”, o que possibilita a escuta e discurso pedagógico no ato educativo.
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O discurso do professor sobre o ensino da gramática em sala de aula de português língua estrangeira

O discurso do professor sobre o ensino da gramática em sala de aula de português língua estrangeira

Nosso segundo objetivo consistiu em investigar como são abordados os elementos gramaticais nas atividades realizadas em sala de aula de português como língua estrangeira. Através do discurso produzido durante a explicação dos tópicos gramaticais, pudemos refletir sobre qual é o papel deles no ensino de PLE. Por toda ação de linguagem ser materializada em gêneros textuais, é que se faz relevante pensar em fatores que permitem uma produção linguageira significativa. Assim é importante a compreensão das características que fazem com que o texto seja um texto e não apenas uma sequência de frases ou palavras, mas antes entendê-lo como um componente do saber linguístico dos falantes. Por isso, para que algo dito por um falante se constitua em texto, é preciso que esta sequência de palavras ou frases se apresente para os interlocutores como um conjunto articulado e dotado de sentido, que seja pertinente e adequado à situação de interação em que ocorre. Entender como as operações de textualização acontecem é necessário para que o aluno se aproprie dos recursos linguísticos de forma a integrar um todo inteligível. Assim, a língua coloca à disposição dos usuários vários recursos que podem indicar na produção dos textos destes usuários as possíveis relações que desejarem construir, de acordo com seus propósitos comunicativos, entre os elementos linguísticos.
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Open O discurso das professoras sobre as práticas de leitura na sala de aula do ensino fundamental

Open O discurso das professoras sobre as práticas de leitura na sala de aula do ensino fundamental

É no intuito de se comunicar que o ser humano cria e utiliza variadas formas de linguagem. É através delas que o homem se comunica, tem acesso a informações, expressa e defende pontos de vista, partilha ou constrói visões de mundo, produz conhecimento. Porém, para que a comunicação estabeleça-se, é necessário que os interlocutores atribuam sentidos ao texto (falado ou escrito), tornando-o compreensível. É neste sentido que se diz que a leitura envolve sempre compreensão, compreensão esta que se concretiza na interação entre leitor e texto. O conceito de leitura modificou-se bastante à medida que os estudos lingüísticos aprofundaram-se. Atualmente, defendemos uma abordagem sócio interacionista de leitura, na qual esta é vista como constante construção de sentidos a partir da interação entre interlocutores. No entanto, apesar dessa concepção ter-se cristalizado no ambiente acadêmico, ainda não sabemos ao certo de que forma o ensino da leitura e a construção dos sentidos do texto acontece nas salas de aula do Ensino Fundamental. Diante dessa dúvida, veio a necessidade de analisarmos mais detalhadamente de que forma o ensino da leitura é ministrado nas salas de aulas do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. Razões estas, que motivaram este trabalho, o qual tem como objetivo de estudo o discurso e a prática de dez professoras. Para analisar o discurso sobre o ensino e a aprendizagem, utilizamos de dados de pesquisa, realizada durante com a participação dessas professoras em sala de aula. Para analisar a prática, elaboramos um modelo de questionário, contendo 09 questões, de acordo com a realidade de prática de sala de aula das entrevistadas. Com base nos pressupostos de Bakhtin, Piaget, Marcuschi, Kleiman, ente outros, objetivamos especificamente investigar o que mudou e o que não mudou no discurso e na prática dessas professoras em termos de concepção de ensino, de aprendizagem, de leitura e de escrita e o que essa prática revela em relação aos conhecimentos adquiridos. Vimos, ao final de nossas análises, que mesmo tendo uma formação teórica recente, as entrevistadas, ainda parecem trabalhar com os textos em sala de aula a partir de uma perspectiva de leitura puramente estruturalista.
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A influência do discurso do professor na motivação e na interação social em sala de aula.

A influência do discurso do professor na motivação e na interação social em sala de aula.

Resumo: Estudos têm mostrado a importância das interações sociais desencadeadas em sala de aula como fundamentais para a aprendizagem dos alunos. Contudo, o professor deve ser capaz de motivar os estudantes para se envolverem mais ativamente com as atividades de ensino propostas. Este artigo apresenta os resultados de uma investigação sobre as interações sociais desenvolvidas no contexto de uma sala de aula do Ensino Médio, que explicou os princípios da conservação da energia mecânica com uma aula experimental de demonstração. O principal objetivo era entender como o discurso do professor pode contribuir para o bom nível de motivação do aluno durante uma aula. As entrevistas com professor e alunos e todo o processo de interação durante as atividades foram gravados, transcri- tos e analisados . Os resultados ressaltam a importância da abordagem discursiva dos professores para manter o processo de motivação entre os alunos.
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USOS PROTOTÍPICOS PARA RESPOSTAS SIMPLES A PERGUNTAS POLARES NO DISCURSO DE SALA DE AULA

USOS PROTOTÍPICOS PARA RESPOSTAS SIMPLES A PERGUNTAS POLARES NO DISCURSO DE SALA DE AULA

RESUMO: Este artigo tem por objetivo evidenciar contextos prototípicos de uso de resposta simples a perguntas polares que desempenham sequência de atividades dos coparticipantes (professor-aluno) no discurso de sala de aula. Tem por base os estudos oriundos do Funcionalismo Linguístico, os quais assinalam que há evidências de interação na implementação estratégica de unidades linguísticas como recursos para a formulação de perguntas e respostas. Estas podem variar a depender de alguns aspectos 2 , a saber: i) a estrutura da questão; ii) as pressuposições epistêmicas codificadas na questão; iii) o lugar da questão em relação a sequência de turnos ou atividades desenvolvidas. É mostrado que cada resposta tem uma função prototípica baseada nos contextos de interação das atividades discursivas desenvolvidas no ambiente de sala de aula. Em análise aos dados, os quais fazem parte do corpus intitulado O estudo da interação discursiva em sala de aula, constituído de aulas gravadas em cursos de graduação, por meio de um mapeamento qualitativo e de uma distribuição de frequência dos contextos de interação em que professor ou aluno fazem uso do par pergunta-resposta, observou-se que as formas [+prototípicas] de uso de resposta para perguntas polares são a repetição, genuinamente, do verbo finito e resposta de “sim” ou “não”. O traço de [-prototipicidade] foi verificado em resposta que repete a pergunta em sua totalidade .
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SUJEITO, LÍNGUA E DISCURSO NO TRABALHO COM TEXTOS “ARGUMENTATIVOS” EM SALA DE AULA

SUJEITO, LÍNGUA E DISCURSO NO TRABALHO COM TEXTOS “ARGUMENTATIVOS” EM SALA DE AULA

Esta pesquisa partiu da busca por práticas que contribuam efetivamente para a formação do sujeito leitor, levando em consideração os gestos de interpretação e suas filiações sócio- históricas de sentidos. O objetivo foi analisar discursivamente como se processam as relações entre sujeito, língua e discurso no trabalho com textos argumentativos no espaço da sala de aula. A pesquisa foi desenvolvida com alunos do 9° Ano do Ensino Fundamental, de uma escola pública do município de Olho d‟Água das Flores - AL. A abordagem teve caráter qualitativo e o corpus foi constituído a partir de questionário semiestruturado e de produções textuais dos alunos acerca de uma temática polêmica: “Racismo no Brasil”. Neste estudo, utilizamos os pressupostos teóricos e metodológicos da Análise do Discurso (AD), especialmente, trabalhando com a relação entre sujeito, condições de produção e historicidade na produção de sentidos. A pesquisa traz ainda, questões relacionadas à escola, à educação e às relações de poder. Tomamos como referência os trabalhos de Brandão (2012), Florêncio et al. (2009), Freire (2011), Mészáros (1997), Orlandi (2013), Pêcheux (2014), Silva Sobrinho (2011), Voese (2005), entre outros. Os resultados demonstraram a tendência de os alunos tomarem a argumentação na escola não como um processo em que o sentido pode ser construído, mas sim como um produto estabilizado, cujo sentido se dá como evidência. Há, nos dizeres dos alunos, um apagamento do histórico cuja tendência é tomar como verdade a repetição dos discursos. Por fim, constatamos pequenos deslocamentos que podem contribuir na formação do sujeito, pois sinalizam que os alunos passaram a estranhar seus argumentos, desfazendo as evidências, favorecendo a compreensão da relação do sujeito com as condições de produção do discurso.
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DISCURSO DA SALA DE AULA DE LÍNGUA ESTRANGEIRA: DIALOGICIDADE INTER-REGULADA.

DISCURSO DA SALA DE AULA DE LÍNGUA ESTRANGEIRA: DIALOGICIDADE INTER-REGULADA.

mas as posturas que são manifestadas em uma determinada situação de interação, percebemos que as relações dialógicas desenvolvidas na sala de aula sugerem o diálogo em conformidade com as regras e metas traçadas pela professora. Nessa relação interdiscursiva, os alunos e alunas simplesmente reagem às situações impostas durante a aula e, portanto, não podem sentir-se socialmente responsáveis pelos textos das suas vidas naquele contexto. Conforme as situações previstas e estruturadas na sala de aula, desenvolve-se uma dialogicidade inter-regulada na qual são fornecidas respostas aos estímulos, conforme os objetivos do plano de ensino do dia, controlando o que deve ou não ser dito, o discurso. Nesse sentido, os participantes passivos – discurso-pacientes, na concepção de Maingueneau (2008) – tentam cumprir as metas definidas pela participante ativa – discurso-agente, nos termos de Maingueneau (2008) – em uma relação dialógica motivada pela expectativa da recompensa, que consiste na obtenção dos conhecimentos linguísticos e na subsequente aprovação pela professora. Essa dialogicidade inter-regulada é organizada conforme os moldes estabelecidos para a relação interdiscursiva, e fora desse padrão o discurso tende a ser rejeitado ou considerado inadequado, diante dos objetivos traçados para a prática discursiva na sala de aula.
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O professor e as novas tecnologias na perspectiva da análise do discurso: (des) encontros em sala de aula.

O professor e as novas tecnologias na perspectiva da análise do discurso: (des) encontros em sala de aula.

Na literatura científica brasileira o foco de investigação dos trabalhos publicados se dá, de modo geral, em torno das tecnologias da informação e comunicação (TIC), em especial seu uso no processo ensino-aprendizagem e aquisição de linguagem. No entanto, considera-se que tais propostas privilegiam uma visão utilitarista dos recursos tecnológicos, bem como seus benefícios na educação, desconsiderando o discurso do professor e sua posição nessa nova era. Nesse sentido, o presente trabalho visa a contribuir para essa temática, buscando a compreensão da posição professor de língua inglesa na era digital, bem como sua compreensão acerca da utilização das TIC na prática docente.
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Análise das oportunidades de aprendizagem em aulas expositivo-participativas: estudo de caso de um professor de Biologia

Análise das oportunidades de aprendizagem em aulas expositivo-participativas: estudo de caso de um professor de Biologia

Este trabalho está inserido em uma linha investigava que, pautada em uma abordagem cognitivista da aprendizagem, procura compreender como a fala, nas situações de ensino, têm impacto sobre o processo de aprendizagem dos alunos. Tendo como recorte as questões propostas pelo professor em aulas expositivo-participativas e as suas reações às respostas dos alunos, esta investigação procurou responder a duas questões: a) Como a análise da interação professor-aluno em aula expositivo-participativa possibilita que se identifiquem as oportunidades de aprendizagem oferecidas? b) Quais as variáveis envolvidas no processo que vai das intenções de ensino às oportunidades de aprendizagem oferecidas? Para proceder a esta análise, buscamos referências em: autores da psicologia sócio histórica a respeito da caracterização do processo de pensamento e da estrutura dos conhecimentos científicos((Petrovsky, 1980; Vygotsky, 1993); autores que, tendo como ponto de partida a psicologia sócio-histórica, têm desenvolvido conceitos e interpretações sobre as funções da fala em atividades de aprendizagem (Scott, 1998; Mercer, 1996; Wegerif et al, 1999); autores que tratam das formas de relação com o conhecimento tais como se materializam em sala de aula (Edwards, 1997). Este trabalho caracteriza-se como um estudo analítico-descritivo, de natureza qualitativa, apresentado sob a forma de um estudo de caso de um professor de Biologia. Os dados foram coletados por meio de observação e registro das aulas ministradas e entrevista com o professor. Os resultados indicam que a identificação das oportunidades de aprendizagem oferecidas pelo professor por meio de suas intervenções só podem ser compreendidas se articuladas as lógicas do conteúdo (estrutura dos conceitos científicos) e da interação (estrutura da participação, ou seja, as regras implícitas que regem a participação de alunos e professor no discurso em sala de aula). Estas oportunidades, muitas vezes, não correspondem àquelas idealizadas/ verbalizadas pelo professor pois, em seu processo de materialização em sala de aula, sofrem a influência de muitas variáveis, dentre elas as relacionadas à base de conhecimentos do professor para o ensino , tanto em termos de conhecimentos do âmbito específico, quanto do âmbito pedagógico. Uma correta articulação entre estes dois tipos de conhecimento podem levar a uma adequada articulação entre as intervenções do professor e os processos mentais que são necessários à elaboração de determinados conhecimentos científicos pelos alunos. Além disso, os resultados também demonstram a proficuidade de construções teóricas oriundas de conceitos como scafolding (Bruner et al, 1976, apud Scott, 1998) para a análise de situações concretas de interação professor-alunos em aulas expositivo-participativas.
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Gêneros do discurso e apropriação de saberes: (re)conhecer as práticas linguageiras em sala de aula.

Gêneros do discurso e apropriação de saberes: (re)conhecer as práticas linguageiras em sala de aula.

Alguns dos eixos que, certamente, devem sustentar a construção desses projetos político-pedagógicos foram esboçados na discussão teórica acerca da relação entre gêneros do discurso e processos de socialização. Além de se prever a incorporação de diferentes manifestações da linguagem e não só as ligadas à fala e à escrita – o que pressupõe tarefas e atividades em que se destaquem as inter-relações entre a fala, a escrita e outros sistemas semióticos –, a valorização da diversidade de idéias, cultura e formas de expressão deve criar condições para que se explore a interdependência de formas, usos e funções de linguagem. Mas é certo, também, que, (n)as demandas regionais e locais, são determinantes as escolhas relativas a seriação, seqüenciação, anterioridade, hierarquia e organização de conteúdos. Nesse aspecto específico, o que aqui se propôs conduziria a formas de organização de conteúdos que envolveriam agrupamentos de textos segundo recortes muito variados em relação a, por exemplo: temas abordados; seqüências textuais que os configuram; práticas de linguagem em que emergem; gêneros do discurso que atualizam; comunidades que os produzem; espaço e/ou tempo de produção; mídias e suportes nos quais circulam; domínios ou esferas de atividades em que emergem. Tanto os agrupamentos textuais quantos os recortes dos objetos de ensino e de aprendizagem são, dado o que se discutiu, dependentes de seu grau de complexidade e do estágio em que se encontram os alunos.
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Entre a ciência, a mídia e a sala de aula: contribuições da geografia para o discurso das mudanças climáticas globais

Entre a ciência, a mídia e a sala de aula: contribuições da geografia para o discurso das mudanças climáticas globais

Historicamente, o clima passou e tem passado por constantes mudanças. Mas, as mudanças climáticas verificadas nas ultimas décadas tem causado intenso alvoroço nos meios científicos, econômico, político e sociais. O objetivo desse trabalho é entender melhor as questões relacionadas às mudanças climáticas, procurando compreender os discursos dos agentes envolvidos na construção e divulgação de um alerta climático global com o intuito de desvendar as implicações políticas, científicas e sociais de um problema tão debatido nos últimos anos. Para tal, partiu-se da criação de um banco de dados com artigos publicados em quatro periódicos (Revista Brasileira de Meteorologia e Revista Brasileira de Climatologia, Climatic Change e Theoretical and applied Climatology). Foram catalogados e analisados 635 artigos pesquisados com as palavras- chaves “aquecimento global” e “global warming” no período de 2000 a 2008. Para analisar o papel da mídia, abordaram-se as matérias de jornais e revistas da Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, Veja e Época no mesmo período. E, para entender como a ciência e a mídia têm influenciado na compreensão do tema pela sociedade, abordou- se o contexto da escola básica entrevistando os professores da rede pública e privada de ensino na cidade de Presidente Prudente. Os resultados nos mostram que o aquecimento global se constitui como um paradigma para a ciência das mudanças climáticas globais, uma vez que 60% dos artigos analisados apresentam elementos coerentes com o discurso e a teoria produzida pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) , sendo que os demais 40% apresentam elementos que reforçam a hipótese de um Paradigma Aquecimentista Antrópico . Das quatro revistas científicas analisadas, apenas a Revista Brasileira de Climatologia apresenta perfil de uma produção contra paradigmática, apresentando artigos que se enquadram
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Fazer chover na sala de aula: análise de fórmulas cristalizadas no discurso da acadêmica professora sobre sua atividade em sala

Fazer chover na sala de aula: análise de fórmulas cristalizadas no discurso da acadêmica professora sobre sua atividade em sala

Quanto à fórmula “vale nota”, vemos que ela se tornou um objeto de discussão. Isso fica claro quando a pesquisadora pergunta à professora: “a sala de apoio vale nota?”. Nota-se que ela propôs, na questão, a própria fórmula como sendo o objeto central da discussão, e toda a resposta da estagiária à pergunta girou em torno dela. Assim, a fórmula é a problemática naquele contexto de sala, pois os trabalhos dados aos alunos não podiam “valer nota”, e isso dificultava o nível de seriedade e dedicação por parte deles em desenvolver as atividades. Como vemos questões problemáticas e de intenso debate nas fórmulas “desenvolvimento sustentável”, “legalização da maconha”, “globalização”, e “aquecimento global”, a fórmula “vale nota” também é uma problemática em sala de aula, e muito discutida entre educadores e teóricos da educação. Muitos consideram a forma de avaliação apenas por nota (por aplicação de trabalhos e provas que “valem nota”) uma maneira de avaliar equivocada. Pontuam que a avaliação deve abranger mais dimensões, como avaliação por participação em sala do aluno, por apresentações de trabalhos, etc.
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APROPRIAÇÃO DO DISCURSO CIENTÍFICO POR PROFESSORES DE CIÊNCIAS E A TRANSPOSIÇÃO DIDÁTICA EM SALA DE AULA

APROPRIAÇÃO DO DISCURSO CIENTÍFICO POR PROFESSORES DE CIÊNCIAS E A TRANSPOSIÇÃO DIDÁTICA EM SALA DE AULA

professor fala sobre a importância de diminuir o colesterol (não fala sobre o HDL 13 , colesterol “bom”). Enquanto um aluno lê, os outros acompanham em silêncio. A sala é organizada e os alunos participativos. Quando fala sobre carboidratos, o professor dá exemplo de um almoço com arroz, macarrão e batata. À tarde muitos pães. Ocorrem comentários divertidos sobre o assunto, o professor pergunta aos alunos quantos pães eles comem à tarde, eles vão respondendo e o professor fala sobre o excesso de carboidratos, que leva à obesidade. Ele cita o açúcar de beterraba, os alunos não sabiam que era possível fazer açúcar de beterraba, o professor diz que é mais difícil de fazer e que o açúcar da cana tem mais carboidrato, por isso é mais utilizado. Continua a leitura por mais um aluno. Dois alunos começam a brincar e a rir, o professor chama a atenção e diz que se não pararem vai encaminhá-los para a supervisora, que eles já estão com o “filme queimado”, pergunta se eles comeram “palhacinhos” no recreio. Os alunos abaixam a cabeça constrangidos e se calam. O professor continua a explicação do texto e fala sobre a cárie, ressaltando a importância da higiene dos dentes e da boca. Faz um combinado com os alunos de caprichar na escovação, usar o fio dental. Os alunos riem, olham os dentes uns dos outros, a aula é descontraída e os alunos participam bastante. São treze alunos e vinte e uma alunas. Sobre a variedade dos tipos de alimentos na dieta, o professor salienta que a mudança de hábitos deve ser gradativa: uma “verdurinha” hoje, um pouquinho de feijão amanhã, um pedacinho de maçã, aos poucos, vai mudando os hábitos, compara com exercícios de uma academia, se você pegar 100 kg hoje, amanhã você não anda. Ele diz para os alunos começarem no mesmo dia, colocar um quadradinho de chuchu no prato (eca, dizem os alunos), tomar suco em vez
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A pesquisa em sala de aula como metodologia para complexificar o discurso ambiental

A pesquisa em sala de aula como metodologia para complexificar o discurso ambiental

Os entendimentos débeis sobre a complexidade e a ambigüidade do tema apareceram simultaneamente a entendimentos mais complexos. Parece consenso que o desafio para a implementação da sustentabilidade ambiental reside na conscientização individual e coletiva das pessoas e na adoção de posturas éticas responsáveis perante o bem comum da humanidade e da vida no planeta. Todas as pessoas, instituições e organizações governamentais e não-governamentais constituem-se nos atores sociais responsáveis nesse processo; porém, há uma complexidade instalada na questão da sustentabilidade, complexidade essa oriunda das ambigüidades detectadas nas suas propostas diferenciadas. Alguns dos relatos evidenciaram a consciência da complexidade envolvida no conceito e a necessidade de uma mudança de paradigma: “Com essa mudança de pensamento e sendo éticos teremos possibilidades de romper com o paradigma dominante que procura aprofundar cada vez mais as desigualdades interpessoais”. A mesma necessidade de mudança de paradigma apareceu na afirmativa de que “para que se consiga o’desenvolvimento sustentável’ é necessária uma mudança radical dos valores sociais, ambientais, políticos e econômicos”. Também esteve presente em outro fragmento, inicialmente vinculado à ótica da economia, mas com superações em direção a abordagens complexas, que englobam aspectos amplos como agricultura sustentável, cidades sustentáveis, sociedades sustentáveis, visto o conhecimento das interações globais como efeito estufa, rarefação de bens minerais, água, poluição atmosférica, alterações climáticas etc. A complexidade no discurso evidente nas inter-relações dos diversos subsistemas que afetam o global, bem como as dificuldades de manter a sustentabilidade do planeta sem rever o modelo vigente em nossa sociedade, apareceu também no discurso inicial, que pode, então, ser discutido, como atesta o relato de um dos alunos:
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Entre a ciência, a mídia e a sala de aula: contribuições da geografia para o discurso das mudanças climáticas globais

Entre a ciência, a mídia e a sala de aula: contribuições da geografia para o discurso das mudanças climáticas globais

Já o volume 8 (junho de 2011) apresenta um artigo interessante para a construção teórica deste trabalho. O artigo intitulado “Mu- danças climáticas e aquecimento global: controvérsias, incertezas e a divulgação científica” (Casagrande; Silva Junior; Mendonça, 2011), que apresentamos como referencial primeiro desta nossa discussão, procurou debater a divulgação científica por meio da análise das revistas Ciência Hoje e Scientific American Brasil, para o período de junho de 2009 a julho de 2010, considerado pelos auto- res como um marco para a abordagem do tema, pois configura um período anterior e posterior à COP 15 – Copenhague. O texto abor- da, ainda, os conceitos e procura debater o tema sobre as mudanças globais de acordo com essa perspectiva. A conclusão sugerida pelo estudo não difere muito de nossa abordagem, em que a maior parte dos artigos apresenta uma visão com elementos que fundamentam o discurso elaborado pelo IPCC e, consequentemente, o paradigma aquecimentista antrópico.
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Discursive interactions and the use of analogies in physics teaching

Discursive interactions and the use of analogies in physics teaching

Nos últimos anos as pesquisas em Educação em Ciências têm sinalizado novas formas de conceber os processos de ensino e de aprendizagem, implicando no deslocamento do entendimento individual sobre os fenômenos específicos para um novo contexto, ou seja, para um viés de construção de significados em um contexto social. Contudo, ainda poucos são os trabalhos que têm se preocupado sobre como os professores dão suporte ao processo pelo qual os estudantes constroem significados em salas de aula de ciências, sobre como essas interações são produzidas, desenvolvidas e, de que modo acabam interferindo na aprendizagem dos estudantes. Esta pesquisa pretendeu avançar nessa linha de investigação, ao analisar nos processos interativos discursivos o uso de figuras de linguagem, no caso as analogias, especificamente quanto a sua elaboração, utilização e exploração nos processos de interação discursiva em sala de aula. Uma das questões que permitiram tal reflexão foi a de que explicar conceitos científicos na sala de aula envolve, tanto entender o conteúdo, quanto ser capaz de comunicar esse conteúdo de maneira efetiva. Será que a postura assumida pelo professor no aspecto conversacional, durante a interação discursiva, tem contribuído ou influenciado com relação ao surgimento e exploração das analogias em sala de aula? Para responder a questões como essa adotamos uma abordagem qualitativa e interpretativa, nas quais são analisados os processos interativos discursivos que ocorreram junto a uma amostra de 23 futuros professores de Física de nível médio, ao longo de um semestre, durante o desenvolvimento de atividades de estágio curricular supervisionado, realizadas nos últimos semestres do curso de licenciatura de uma universidade estadual paulista. Os resultados mostram que se fazem necessárias maiores discussões sobre o uso de analogias no ensino, na formação inicial dos professores, sua função, vantagens e desvantagens, sobre como explorar analogias de uma forma efetiva. Além disso, como o contexto interativo discursivo entre professor/aluno pode interferir no processo de ensino e aprendizagem em sala de aula. Notamos, também, pelos diferentes tipos de interação ocorridos, a importância do discurso para a construção compartilhada dos significados entre o futuro professor (licenciando) e os alunos.
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