Drogas - Descriminalização - Brasil

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DESCRIMINALIZAÇÃO DO USO DA MACONHA NO BRASIL

DESCRIMINALIZAÇÃO DO USO DA MACONHA NO BRASIL

Quando se discute a utilização do Direito Penal como instrumento de repressão à posse de drogas para consumo pessoal, questiona-se sobre a existência de bem jurídico digno de proteção nesse campo, tendo em vista tratar-se de conduta que causaria, quando muito, dano apenas ao usuário e não a terceiros. Em contraste com esse entendimento, levanta-se a tese de que a incriminação do porte de droga para uso pessoal se justificaria em função da expansibilidade do perigo abstrato à saúde. Nesse contexto, a proteção da saúde coletiva dependeria da ausência de mercado para a traficância. Em outras palavras, não haveria tráfico se não houvesse consumo. Além disso, haveria uma relação necessária entre tráfico, consumo e outros delitos, como crimes contra o patrimônio e violência contra a pessoa. Temos em jogo, portanto, de um lado, o direito coletivo à saúde e à segurança públicas e, de outro lado, o direito à intimidade e à vida privada, que se qualificam, no caso da posse de drogas para consumo pessoal, em direito à autodeterminação. Nesse contexto, impõe-se que se examine a necessidade da intervenção, o que significa indagar se a proteção do bem jurídico coletivo não poderia ser efetivada de forma menos gravosa aos precitados direitos de cunho individual.
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ANÁLISE COMPARADA BRASIL – PORTUGAL: A RESPOSTA PENAL COMO CONCRETIZADORA DA PROTEÇÃO À SAÚDE PÚBLICA PERANTE A PROBLEMÁTICA DO CONSUMO DE DROGAS

ANÁLISE COMPARADA BRASIL – PORTUGAL: A RESPOSTA PENAL COMO CONCRETIZADORA DA PROTEÇÃO À SAÚDE PÚBLICA PERANTE A PROBLEMÁTICA DO CONSUMO DE DROGAS

O artigo objetiva questionar a efetividade do direito penal como instrumento promotor da saúde pública em relação aos casos de consumo de droga. Ao mesmo tempo em que se examina o modelo penal brasileiro, busca-se uma alternativa através da apresentação e análise do sistema normativo português para o uso de drogas. A comparação dos dois modelos legais tem como fim a resposta à pergunta: por que deve o consumo de drogas ser criminalizado? Palavras-chave: Controle Penal. Saúde Pública. Consumo de drogas. Experiência Portuguesa. Descriminalização das drogas.
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A descriminalização do porte de drogas para uso próprio: uma nova tentativa de adequação da conduta do usuário de drogas aos princípios e garantias orientadores do direito penal

A descriminalização do porte de drogas para uso próprio: uma nova tentativa de adequação da conduta do usuário de drogas aos princípios e garantias orientadores do direito penal

Em 2006 não foi diferente. O legislador da época, percebendo que a privação da liberdade do usuário não era a medida mais adequada para combater o uso de drogas ilícitas no Brasil, se furtou de estruturar um tipo penal nos moldes estabelecidos pelo artigo 1º da Lei de Introdução ao Código Penal, haja vista que não descriminalizou a conduta do porte de substâncias entorpecentes, porém, passou a atribuir medidas não encarceradoras autônomas ao portador de drogas, isto é, tais sanções passaram a ser aplicadas independentemente de qualquer condenação a pena de detenção ou reclusão. “Ainda, sobre o lastro da idéia-força antiprisional, veda-se expressamente a imposição de pena em flagrante na hipótese (art. 48, §2º, da Lei nº 11.343/06)” 3 .
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O aborto e o uso do corpo feminino na política: a campanha presidencial brasileira em 2010 e seus desdobramentos atuais.

O aborto e o uso do corpo feminino na política: a campanha presidencial brasileira em 2010 e seus desdobramentos atuais.

dirigentes, grupos e movimentos católicos e pentecostais sobre candidatas/os atingiram seu ápice. Conseguiram pressionar as campanhas, as estratégias e as propostas eleitorais de Dilma e Serra. Conseguiram, sobretudo, que questões morais e religiosas tivessem destaque na competição eleitoral. Ágeis no campo político e no uso da mídia religiosa, das redes sociais e dos cultos religiosos, pressionaram o governo Lula a alterar o III Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH) , lançado em 2009 . Em nota da CNBB e documento assinado por 67 bispos, a Igreja Católica opôs-se a pontos do texto sobre a descriminalização do aborto, o casamento homossexual, a adoção por casais gays e declarou “intolerante” o veto à ostentação de símbolos religiosos em repartições públicas. Diante disso, Lula propôs sua revisão, mantendo a defesa do aborto como questão de saúde pública, mas suprimindo trecho da autonomia das mulheres sobre seus corpos. Em 2010 , após a CNBB recomendar o voto “em pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida”, Lula assegurou que modificaria o Plano, embora bispos reforçassem a campanha contra a governista. Dilma comprometeu-se em não promover a descriminalização do aborto nem a criminalização da homofobia pelo Projeto de Lei 122\2006 . As lideranças religiosas, portanto, obtiveram êxito em transformar a “defesa da vida”, a moral sexual e familiar cristã tradicional numa arma, dificultando a secularização das campanhas, o debate político e a ordem jurídico-política dos direitos de mulheres e homossexuais.
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Descriminalização das drogas

Descriminalização das drogas

Isso pode mudar, a depender da posição que o Supremo Tribunal Federal adote em uma ação que questiona a constitucionalidade da previsão deste crime.  O caso concreto que será julgado pel[r]

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Cad. Pagu  número50

Cad. Pagu número50

Este artigo analisa o confronto político entre as argumentações feministas e as fundamentalistas sobre o aborto, no Brasil dos anos dois mil. Está em jogo a disputa por concepções de vida. As feministas defendem a distinção entre “vida vivida” e “vida abstrata”. A noção fundamentalista exclusiva de “vida abstrata” advinda de argumentos religiosos sustenta os direitos absolutos do concepto desde a fecundação. O aborto deveria ser crime (porque pecado) em qualquer circunstância (sem quaisquer permissivos legais). A análise dos depoimentos de deputados e religiosos fundamentalistas revela o confronto com a laicidade do Estado. Capturam e distorcem os discursos jurídico e genético, disfarçam- nos como discurso de direitos humanos e desqualificam as mulheres como menos sujeitos de direitos. O aborto como “crime e pecado” é vinculado ao “lugar (subordinado) da mulher” na “família tradicional”. As forças neoconservadoras mobilizam-se para a imposição moral religiosa sobre as mulheres e vislumbram o retrocesso, não só dos direitos ao aborto, mas dos direitos das mulheres.
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J. Pediatr. (Rio J.)  vol.88 número4

J. Pediatr. (Rio J.) vol.88 número4

Considerando que as amostras de Shigella no Brasil não foram testadas para azitromicina, e cerca de 90% são resis- tentes a sulfametoxazol-trimetoprim, pode-se dizer que as melhores opções terapêuticas são o ácido nalidíxico [55 mg/ kg/dia divididos em quatro doses via oral (VO)] e a ceftriaxo- na (50-100 mg/kg/dia intramuscular ou intravenoso por 3 a 5 dias). A OMS indica o uso da ciproloxacina em substituição ao ácido nalidíxico devido ao baixo custo (quebra da patente), facilidade de administração (duas doses VO ao invés de quatro), ausência de artropatias induzida por quinolonas observada em animais mas não em humanos, e porque cepas de Shigella resistentes ao ácido nalidíxico podem apresentar resistência cruzada à ciproloxacina e outras quinolonas, nas áreas onde o ácido nalidíxico é usado como primeira escolha. Entretanto, a ciproloxacina não é liberada com essa indicação para uso pediátrico no Brasil.
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ABUSO DE DROGAS E O SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL NO BRASIL

ABUSO DE DROGAS E O SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL NO BRASIL

Resumo: Apesar das evidências crescentes de que a dependência é uma doença tratável do cérebro, a maioria dos indivíduos não recebe tratamento. O envolvimento no sistema de justiça criminal geralmente resulta do comportamento de busca ilegal de drogas e da participação em atividades ilegais que refletem, em parte, o comportamento interrompido resultante de mudanças cerebrais desencadeadas pelo uso repetido de drogas. Tratar infratores envolvidos com drogas fornece uma oportunidade única para diminuir o abuso de substâncias e reduzir o comportamento criminoso associado. Assim, o objetivo do presente artigo é apresentar uma revisão de literatura acerca do abuso de drogas e o sistema judicial criminal brasileiro. A pesquisa teve uma abordagem qualitativa de cunho exploratória e quanto aos procedimentos, utilizou-se a pesquisa bibliográfica, que possibilitou compreender melhor a importância do assunto proposto. Conclui-se que o desafio de entregar tratamento em um ambiente criminal requer a cooperação e coordenação de duas culturas diferentes: o sistema de justiça criminal organizado para punir o agressor e proteger a sociedade e os sistemas de tratamento do abuso de drogas organizados para ajudar o indivíduo dependente.
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O uso de drogas psicotrópicas e a prevenção no Brasil.

O uso de drogas psicotrópicas e a prevenção no Brasil.

Tratando-se de psicotrópicos, as intervenções repressivas e de controle foram as que recebe- ram maior destaque ao longo das últimas déca- das. Esse tipo de vertente teve seu auge na dé- cada de 80, no movimento norte-americano denominado Guerra às Drogas, que se carac- terizou por um enfoque alarmista, intoleran- te e repressivo. Esse movimento também teve como meta a “exportação” dessa postura para países menos desenvolvidos, principalmente aqueles considerados como rotas de tráfico, dentre os quais o Brasil (Carlini-Cotrim, 1995). Diversos estudos têm apontado as inúme- ras limitações e complicações relacionadas às medidas proibitivas como a restrição à venda de medicamentos psicotrópicos, a repressão ao tráfico de drogas ilícitas, o controle poli- cial voltado aos usuários e outros. A restrição ao acesso a determinada droga, enquanto me- dida isolada, pode diminuir o consumo da mesma, porém, em geral, desencadeia um pro- cesso praticamente imediato de substituição daquela substância por outras mais disponí- veis (Westermeyer, 1976; Schottstaedt & Bjork, 1977; Carlini-Cotrim & Silva-Filho, 1988; No- to et al., 1998).
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Reflexões sobre concepções e práticas contemporâneas das políticas públicas para adolescentes: o caso da drogadição .

Reflexões sobre concepções e práticas contemporâneas das políticas públicas para adolescentes: o caso da drogadição .

Uma análise dos programas concebidos para ado- lescentes a partir dos anos 1990 revela que grande parte dessas ações tem como finalidade a prevenção ou o tratamento de algum tipo de risco ao qual estari- am expostos os adolescentes e, conseqüentemente, a sociedade, denotando uma concepção da adolescên- cia como uma “fase de riscos”. Nesse sentido, encon- tramos no âmbito da Saúde Pública ações que se arti- culam em torno da prevenção ou tratamento dos dife- rentes riscos que são considerados “inerentes” à fase adolescente, entre eles, o risco de engravidar, de con- trair doenças sexualmente transmissíveis ou de usar drogas. Já na área da Assistência Social, as “políticas de inclusão” reforçam a necessidade de inserir os ado- lescentes (de baixa renda) no mercado de trabalho, proporcionando profissionalização ou simplesmente “uso do tempo livre”. Segundo Sposito e Carraro (2003) tais ações buscam dar conta da inserção laboral dos jovens como uma via para o enfrentamento da pobre- za e a prevenção do delito, principais orientações das
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Reflexões sobre políticas de drogas no Brasil.

Reflexões sobre políticas de drogas no Brasil.

param às unidades psiquiátricas tradicionais. Some-se a isto a vulnerabilidade das políticas públicas a nível municipal e suas repercussões diretas sobre o funcionamento dos CAPSad, as quais incluem dificuldades na aplicação dos re- cursos de incentivo e custeio para estes serviços, a existência de vínculos profissionais precários e os baixos salários pagos aos seus técnicos, estes últimos com implicações direta no cumprimen- to da carga horária prevista nos contratos de tra- balho. Estas circunstâncias dificultam a integra- ção das equipes, sobretudo em relação aos pro- fissionais mais escassos no mercado, a exemplo dos psiquiatras, levando a que um mesmo pro- fissional trabalhe em vários municípios. Some- se a isto, outras limitações de natureza ideológica como a nomeação para a chefia destes serviços de pessoas sem perfil técnico adequado e as difi- culdades de natureza administrativo-operacio- nais, a exemplo da restrição dos horários do uso do veículo, de combustível, dos materiais neces- sários à realização das oficinas terapêuticas e mesmo de alimentação. Outra dificuldade é a integração dos clientes dos CAPSad capacitados em oficinas como culinária e jardinagem - ape- nas para citar dois exemplos - na prestação de serviços contratados pelos municípios, até mes- mo aqueles destinados à própria rede de CAPS, habitualmente executados por empresas tercei- rizadas. Percebe-se aí, mais uma vez o fosso exis- tente entre o que é concebido à nível federal e o que efetivamente acontece na ponta, ao nível dos estados, mas sobretudo dos municípios. Este pa- rece ser um dos pontos crítico na execução de políticas públicas para atenção aos usuários de drogas em nosso país.
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Militância Religiosa x Poder Legislativo x Poder Executivo: de onde parte a ingerência? Breves apontamentos sobre a ADPF 442 / Religious militancy x Legislative power x Executive power: where does the interference come from? Brief notes on ADPF 442

Militância Religiosa x Poder Legislativo x Poder Executivo: de onde parte a ingerência? Breves apontamentos sobre a ADPF 442 / Religious militancy x Legislative power x Executive power: where does the interference come from? Brief notes on ADPF 442

No campo conflitivo da discussão, para os defensores da descriminalização do aborto, a lei criminal de 1940 preserva a moral familiar em detrimento da questão da dignidade da mulher. Mesmo o aborto sendo criminalizado, não se impede sua prática na clandestinidade. Sustentam a vinculação religiosa na penalização normativa e por interesses lucrativos que enfatizam a perversidade da ação. Não caberia ao Estado definir o início da vida, uma vez que nem a ciência conseguiu fazê-lo (GROSSI, 2008).

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O aborto como direito e o aborto como crime : o retrocesso neoconservador

O aborto como direito e o aborto como crime : o retrocesso neoconservador

Contudo, já antes, na transição (a chamada “abertura”) do período da ditadura tornava-se progressiva, ainda que relativa, a secularização da sociedade brasileira e a demanda por laicização do Estado brasileiro. Quebras importantes de interdições requeridas pelos valores religiosos foram realizadas. O Estatuto da Mulher casada em 1962 retirou a mulher casada da situação jurídica de cidadã considerada “relativamente incapaz”, subordinada ao marido, situação decorrente de valores tradicionais e religiosos que legitimavam e legalizavam que até então as mulheres casadas deveriam obedecer aos maridos em tudo que fosse “justo e honesto” segundo o Código Civil de 1916 . Do casamento indissolúvel que só admitia a difícil anulação ou desquite, passou-se a possibilitar o divórcio (1977) . Se, no Brasil, os arranjos familiares foram sempre variados e diversos (Correa, M., 1982; Almeida, 1987 ), abriam-se as possibilidades de legalizar e intensificar a realização de novos casamentos, de novas formas de união estável. Foram possíveis a visibilidade e as vivências de identidades de gênero e diversidade sexual, de estilos de vida e de comportamentos diversos nos mais variados espaços sociais.
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A inserção do tráfico de drogas na agenda de segurança do Brasil

A inserção do tráfico de drogas na agenda de segurança do Brasil

RESUMO: O tráfico de drogas não é um tema tradicional das relações internacionais, mas vem ganhando destaque na agenda de segurança internacional desde a década de 1990. O fim da Guerra Fria e as decorrentes transformações políticas, econômicas e tecnológicas levaram ao crescimento da criminalidade organizada transnacional, assim como a percepção que se tinha sobre ela. Desde então, consolidou-se um regime de proibição global das drogas no âmbito da ONU e das organizações regionais e os Estados Unidos passaram a marcar sua presença na “guerra às drogas” na América do Sul. A entrada das drogas e a atividade de organizações criminosas por meio das fronteiras ocupa hoje uma das principais preocupações do Brasil em segurança nacional. O propósito desta pesquisa é identificar a inserção do Brasil neste contexto e analisar historicamente como e se o tema do tráfico de drogas é tratado politicamente no âmbito da segurança nacional, com nas práticas políticas que vêm sendo adotadas a partir da década de 1990, em resposta ou reação de uma tendência que vinha se consolidando internacionalmente. A intensificação de medidas de repressão ao tráfico de drogas e o emprego das Forças Armadas nas fronteiras em atividades que até então não lhe diziam respeito é um dos principais indícios de que o tráfico de drogas deve ser tratado em termos de excepcionalidade e que, portanto, é compreendido como uma ameaça à segurança nacional do Brasil.
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DELIMITAÇÕES CRIMINOLÓGICAS A CERCA DA IDENTIFICAÇÃO DO PEQUENO VAREJISTA DE ENTORPECENTES. FUNDAMENTOS PARA A ÇÃO.  Viviane Torres

DELIMITAÇÕES CRIMINOLÓGICAS A CERCA DA IDENTIFICAÇÃO DO PEQUENO VAREJISTA DE ENTORPECENTES. FUNDAMENTOS PARA A ÇÃO. Viviane Torres

Em tempo de crise econômica e política, em que colocadas em xeque as mais diversas instituições, as práticas por elas encetadas e as mazelas do sistema criminal, o livro apresenta um rico enredo de discussões que, sob uma visão crítica, reflete a necessidade de ser rediscutida a função da pena privativa de liberdade, seu caráter estigmatizante, e, sobretudo, a política criminal obsoleta, calcada em práticas penais que se encontram dissociadas da complexidade das relações sociais atualmente praticadas, o que ganha contorno de dramaticidade em um país de modernidade tardia como o Brasil.
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Physis  vol.27 número4

Physis vol.27 número4

Verifica-se que, enquanto o CAPS-ad compreendia que o quadro clínico psiquiátrico era inerente ao problema das drogas e que ambos deveriam ser manejados no serviço, o CAPS II e o Ambulatório de Saúde Mental não viam como seu escopo o cuidado a pessoas que faziam uso de drogas, principalmente se estas fossem drogas ilícitas, mesmo que as pessoas atendidas já tivessem vínculo estabelecido no serviço. Os serviços da RAPS foram, portanto, influenciados por ideologias clínicas e discursos de saúde mais amplos. O CAPS-ad pareceu atuar influenciado pela compreensão de que o consumo de drogas se dá como tentativa de automedicação e como estratégia de enfrentamento de problemas. Já o CAPS II e o Ambulatório de Saúde Mental pareceram ter práticas influenciadas pela compreensão de que o consumo de drogas é algo que transforma o indivíduo e que o controla, precisando ser eliminado. Estar em tratamento em um serviço ou em outro fornecia conteúdos para a construção das subjetividades das pessoas entrevistadas, ao circunscrever e convidar a organizar narrativas, descrever queixas e compreender a si mesmos. O protocolo de encaminhamento estabelecido pela RAPS para organizar sua demanda pareceu diminuir a importância das vivências singulares dos usuários, não considerando o vínculo ou identificação destes com determinado serviço ou posicionamento oferecido ao frequentá-lo.
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O discurso do movimento feminista brasileiro sobre o aborto

O discurso do movimento feminista brasileiro sobre o aborto

autor, no Brasil, o conceito de cidadania não teria raízes em um código de valores políticos, mas em um sistema de estratificação ocupacional definido por norma legal. “Em outras palavras, são cidadãos todos aqueles membros da comunidade que se encontram localizados em qualquer uma das ocupações reconhecidas e definidas em lei.” (p.75) Os direitos sexuais e reprodutivos, defendidos pelas feministas, não faziam parte da concepção clássica de cidadania em que Wanderley Guilherme dos Santos baseia seu conceito de “cidadania regulada”. Da mesma forma, a legislação brasileira não mais condiciona o acesso a direitos à inserção profissional dos indivíduos. Ainda assim, na atuação feminista, há uma interpretação da relação Estado-direitos que se aproxima da descrita pelo autor. Com as ideias de direitos sexuais e reprodutivos, busca-se colocar esferas da vida dos indivíduos ainda não contempladas em lei sob a tutela do Estado. A regulação é cada vez mais inclusiva, expandindo-se sobre diversas áreas da experiência humana.
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Rev. Estud. Fem.  vol.15 número1

Rev. Estud. Fem. vol.15 número1

Assim, no momento em que estão sendo discutidos na sociedade brasileira e latino-americana temas tão caros aos movimentos feministas e de mulheres como a descriminalização do aborto e a lei contra a homofobia, a Revista Estudos Feministas resolveu acolher neste número a publicação de uma s eparata contendo o Mani fes to por uma Convenção Interamericana dos Direitos Sexuais e dos Direitos Reprodutivos, i mpul s i onada por uma rede de org ani zações não - governamentais e movimentos de mulheres na América Latina. Esta é mais uma maneira de nos fazermos presentes e de subsidiar o debate político sobre temas do cotidiano de mulheres e homens e tão polêmicos, especialmente com a visita do Papa ao Brasil no mês de maio, o que parece reforçar toda uma reorganização conservadora dos meios católicos no sentido de impedir a incorporação desses direitos pelo Estado. Neste momento em que o Governo Federal parece propício a deslanchar um processo de consulta à sociedade sobre a descriminalização do aborto, os grupos contrários a essa reivindicação histórica do movimento feminista organizam- se e recebem o reforço da visita do Papa, com seu discurso conservador. Embora não se tenham dados estatísticos precisos, já que é uma prática clandestina, o aborto continua matando mulheres e adolescentes, ou causando seqüelas graves, sendo uma das principais causas de mortalidade materna no Brasil, que é bastante grande ainda. Como dizem Sílvia Pimentel e Valéria Pandjiarjian, “... nenhuma mulher quer abortar, mas quando precisa abortar, o que ela necessita e merece receber, além de assistência social, médica, jurídica e psicológica é, mais do que tudo, afeto, solidariedade, tolerância, respeito e repouso... e não prisão...”. 1
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“DESDOBRÁVEIS”: POR UMA HISTÓRIA CULTURAL FEMINISTA

“DESDOBRÁVEIS”: POR UMA HISTÓRIA CULTURAL FEMINISTA

Kátia Antunes, também militante da UMSP, nasceu em 1946, em Regente Feijó, interior de São Paulo. Ao contrário de Criméia e Amelinha, cresceu em uma família sem vínculos políticos. Apesar de ter se filiado ao PC do B, nunca chegou a militar, pois, como relembra “não concordava com as exigências do partido” e acabou por se concentrar ao ativismo feminista, ao qual se ligou em meados da década de 1970, a partir das discussões do grupo do jornal Brasil Mulher. Já Terezinha Gonzaga de Oliveira nasceu em 1952, em São Miguel Paulista, periferia de São Paulo. Foi criada em um meio libertário e político, sua mãe fez parte dos movimentos grevistas durante o governo de Getúlio Vargas e seu pai foi militante do antigo PCB. Maria de Lourdes Rodrigues, (Lurdinha), a mais jovem, nasceu em 1960, em Santana do Cariri, região sul do Ceará. Como Kátia, ela não vinha de uma família marcada pelo ativismo político. Na adolescência se encontrou com o desejo revolucionário a partir da leitura de Subterrâneos da Liberdade, de Jorge Amado. A ideia de transformação social proposta pelo comunismo a deslumbrou, levando-a, posteriormente, a entrar para o PCdoB. Como ela se recorda: “toda a história romântica do comunismo, a questão da liberdade, da igualdade das pessoas, tudo aquilo me encantou muito” (2012). Muitas outras mulheres, como Rosana e Cida Cirapião, partilharam da fundação da UMSP e seguem, de diferentes maneiras, na militância feminista, assim como outras chegaram depois
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LEGALIZAÇÃO E DESCRIMINALIZAÇÃO DA MACONHADIOGO, Simionato Alves

LEGALIZAÇÃO E DESCRIMINALIZAÇÃO DA MACONHADIOGO, Simionato Alves

Apesar do fato de que o Estado permita o consumo e comercialização de bebidas alcoólicas e tabaco, denota-se o crescimento de toda uma manifestação crescente no sentido da intolerância a tais drogas conhecidas como lícitas; como por exemplo podemos citar a proibição de venda de bebidas alcoólica a menores e a Lei anti-fumo.

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