Economia Cabo-verdiana

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ALGUMAS NOTAS SOBRE A EXPANSAO MONETARIA

ALGUMAS NOTAS SOBRE A EXPANSAO MONETARIA

( 9 ) Uma analise mais aprofundada da natureza da monetarizaQaO da economia cabo- ·verdiana esta a ser desenvolvida pelo autor num trabalho de maior dimensao.. como[r]

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E-Gov em Cabo Verde: análise do impacto do Governo Electrónico na população Cabo-Verdiana

E-Gov em Cabo Verde: análise do impacto do Governo Electrónico na população Cabo-Verdiana

A economia cabo-verdiana apresenta um problema estrutural de desequilíbrio entre a produção nacional e a despesa interna (consumo privado, formação de capital e despesas governamentais). Também ao nível da qualificação é importante reforçar os níveis de qualificação académica e profissional de forma a que possam constituir-se como a base para o desenvolvimento económico. Especialmente nos últimos dez anos foram instituídas reformas com impacto na economia que se traduziram numa maior dinâmica de desenvolvimento do sector privado (embora maioritariamente no ramo do comércio e serviços virados para o mercado interno), acréscimo do fluxo de investimento estrangeiro (directo e em carteira), aumento e alteração da estrutura das exportações de bens (com peso significativo da exportação de produtos da indústria ligeira, especialmente confecções e calçado, e diminuição dos produtos tradicionais), estabilidade do mercado de consumo e dos preços e retoma do crescimento económico com uma taxa média anual de crescimento económico de cerca de 6,8% entre 1993-2000.
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Os determinantes dos défices da balança corrente Cabo-Verdiana: uma análise empírica

Os determinantes dos défices da balança corrente Cabo-Verdiana: uma análise empírica

Enquanto isso, dentro dessa estrutura particularmente quando se analisa os setores privados e públicos da relação poupança e investimento, constata-se que após a reforma de 1998/1999, resultaram numa expansão de crédito (gráfico 10) para a economia Cabo-verdiana com tendência decrescente a partir do período 2011. A posição orçamental tem se mantido negativo ao longo de todo o período 1991-2017, apesar de ter atingido um valor positivo em 2007 (gráfico 9). Os riscos orçamentais estariam relacionados com empresas públicas estatais, em especial, a companhia aérea nacional TACV que ao longo dos anos, cada vez mais estimulava endividamentos excessivos contraídas pelo Governo na qualidade de ser o acionista único devido às dificuldades enfrentadas pela companhia, que pioraram principalmente com a crise económica internacional.
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O impacto das energias renováveis na economia dos países emergentes: o caso de Cabo Verde

O impacto das energias renováveis na economia dos países emergentes: o caso de Cabo Verde

Para a análise de escoamentos nas ilhas do arquipélago de Cabo Verde utilizaram-se três metodologias indirectas 7 : o método de Turc, uma relação de precipitação-escoamento e o balanço hídrico. Analisando e comparando os resultados obtidos por cada uma das metodologias aplicadas, conclui-se que a aplicação da fórmula de Turc é, de entre as três metodologias utilizadas, a que conduz a menores valores de escoamento, enquanto a aplicação do balanço hídrico conduz a valores mais elevados. A aplicação da relação precipitação- escoamento, não tendo conduzido a valores de escoamento tão elevados com o balanço hídrico, permitiu, no entanto, obter valores de escoamento num maior número de postos, revelando-se o método mais equilibrado.
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In memoria di Maria Rosaria Turano

In memoria di Maria Rosaria Turano

A aparente unanimidade em relação a essa descrição levar-nos ia a concluir que não há controvérsias em relação à aplicação do termo diáspora cabo-verdiana. De fato, poucos autores questionam sobre a adequação do termo como definição da experiência migratória cabo-verdiana, à luz das controvérsias gerais sobre quais as experiências ou que populações podem ser definidas como sendo diásporas (Malheiros, 2003). Seguindo a tendência em relação às diásporas em geral, também em relação a Cabo Verde o termo diáspora tem vindo a tornar-se dominante no campo dos estudos das migrações e mobilidades e tem sido utilizado como sinónimo de imigrantes ou descendentes de imigrantes. Os estudos da diáspora floresceram para uma crescente especialização no seio das ciências sociais mas, a produção neste campo evidencia significativas discordâncias e controvérsias sobre os critérios que definem populações diaspóricas contemporâneas, mostrando as dificuldades conceituais, metodológicas e éticas que marcam este campo.
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O desenvolvimento local e a imigração Cabo-verdiana: um olhar  sobre a comunidade da Cova da Moura

O desenvolvimento local e a imigração Cabo-verdiana: um olhar sobre a comunidade da Cova da Moura

No que tange à esfera política, até 1997, exceptuando os autóctones, a maioria da população não detinha quaisquer direitos políticos. O alargamento do direito de voto nas eleições locais às comunidades imigrantes potenciou, assim, a participação política da população cabo-verdiana. Contudo, importa notar que, dada a presença de um elevado número de imigrantes em situação irregular, a participação política e o poder de reivindicação tem sido substancialmente reduzido. Alargue-se ainda esta falta de capacidade de exercer a cidadania plenamente, a questões relacionadas com o mercado laboral, o qual muitas vezes “se aproveita” dessa realidade para agir impunemente contra os direitos fundamentais dos trabalhadores.
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UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS – UNISINOS UNIDADE ACADÉMICA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS NÍVEL MESTRADO

UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS – UNISINOS UNIDADE ACADÉMICA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS NÍVEL MESTRADO

Este trabalho verifica como gênero se relaciona com os enunciados de políticas públicas de desenvolvimento rural, por meio da implantação de barragens, em Cabo Verde. Considera que as questões envolvendo as relações de gênero, assim como as relacionadas à modernização da agricultura, têm impulsionado a criação de políticas públicas e uma variedade de programas e atividades que estão sendo incluídas dentro dessas duas rubricas. Para uma análise destas políticas, esta dissertação está amparada em um estudo de caso -- Barragem de Figueira Gorda, no Concelho de Santa Cruz, na Ilha de Santiago, no período de janeiro a abril de 2017, desde uma abordagem etnográfica. Primeiramente, foram sistematizados e analisados os planos/programas que têm relação com o setor da agricultura e a igualdade de gênero, seguido de uma etnografia, para perceber as dinâmicas resultantes do empreendimento, sendo as entrevistas, o diário de campo e conversas informais as técnicas utilizadas junto das mulheres, agricultores e entidades públicas. E, a partir destas abordagens traçadas, ao caraterizar as políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural, foi possível evidenciar que desde a formulação, apresentam Cabo Verde enquanto um país de “poucos recursos” e com forte dependência das “ajudas e financiamentos internacionais”, com programas/planos que nascem de uma agenda internacional, em nome de um desenvolvimento sustentável, com foco no setor ambiental e econômico. E, no caso da Barragem de Figueira Gorda, a experiência deste modelo, evidência uma (re) configuração do espaço social, que reforçou as desigualdades de gênero e a não participação da mulher na agricultura “moderna”, conservando, assim o sistema moderno/colonial.
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Cordialidade e democratização: da Morabeza às tendências actuais da cultura política cabo-verdiana

Cordialidade e democratização: da Morabeza às tendências actuais da cultura política cabo-verdiana

Outra maneira sugestiva de entender melhor o “contrato social cabo-verdiano” e o seu impacto na democracia, é averiguar o grau do envolvimento do cabo-verdiano em associações da sociedade civil. Oito a nove cabo-verdianos dizem não fazer parte de nenhum tipo de associação o que evidencia a debilidade do associativismo nesse contexto. 87% dos pesquisados não pertencem a nenhuma associação (sindicato ou cooperativa) de caráter agrícola e, apenas 6%, do universo de onze que dizem pertencê-las, consideram-se seus membros activos. As associações comunitárias (ou de auto-ajuda) contam com 10% de adesão de membros ativos e 6% de inactivos. A afiliação às associações religiosas constitui uma excepção a esta tendência, tendo em conta que 55% dos pesquisados consideram-se membros de algum grupo religioso malgrado só a metade de entre esses terem-se auto-avaliados como membros activos. Isto pode reforçar a idéia de que, provavelmente, as instituições mais confiáveis estimulam maior participação e adesão e vice-versa. (Cf. Tabela 14). No mesmo sentido a adesão a reuniões e encontro colectivos é pouco vigoroso. 63% dos cabo- verdianos não participaram em qualquer tipo de reunião (no ano antecedente à pesquisa) e, 52% manifestaram o desejo de fazê-lo caso tivessem oportunidade. Quanto à participação em marcha de protesto, apenas oito em cada cem pessoas dizem tê-la feito alguma vez, ao passo que 87% não fizeram-na. E, dentre estes últimos, 27% afirmam que jamais fariam-na. (Cf. Tabelas 15 e 16).
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Evolution of the Medical Education Policy in Cabo Verde

Evolution of the Medical Education Policy in Cabo Verde

Todo o debate se centrou no objetivo de definir uma PEM que enquadre o estabelecimento do ensino médico em CV, em complementaridade ao modelo existente de formação no exterior. Esse objetivo encontrou amplo consenso entre os informantes- chave, argumentando-se que a melhor resposta às insuficiências de médicos parece ser a formação do pessoal médico em CV (PER_E12) e que a escola de medicina devia ser uma escola pública (POL_E5), assente no acordo que inclui o governo de Cabo Verde, o governo de Portugal e a FMUC, numa responsabilidade partilhada para viabilizar o curso de medicina, procurando-se formar um médico com capacidades amplas para trabalhar aqui ou noutra parte do mundo (TEC_E4), recorrendo-se transitoriamente a uma lógica da formação em sanduíche (POL_E9), no país com determinadas disciplinas que não exigem muitos recursos técnico- científicos (TEC_E3), uma fase intermédia feita em Coimbra, e a parte final feita de novo em CV (ACA_E14).
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A diáspora cabo-verdiana em Portugal: um novo modelo de participação política à distância

A diáspora cabo-verdiana em Portugal: um novo modelo de participação política à distância

A utilização das redes sociais, durante as eleições presidenciais, foi semelhante às legislativas, tendo sido criados perfis dos vários candidatos. A página de Jorge Carlos Fonseca, criada para as eleições presidenciais - que se mantem ativa e dinâmica até os dias de hoje -, consistiu no registo de todas as atividades desenvolvidas ao longo da campanha, desde a partilha de conteúdo digital, ao relato e caraterização das ações e visitas desenvolvidas e várias noticias. Pela diáspora, foi criado um grupo específico de discussão. O candidato Aristides Lima, à imagem dos restantes candidatos, também teve um perfil (https://www.facebook.com/aristidespresidente?fref=ts) de apoio oficial ao candidato, onde foram dispensados conteúdos do programa da campanha eleitoral, imagens, vídeos, notícias, tempos de antena, etc. Não sendo um candidato apoiado por nenhum partido, a interação, através das redes sociais, revelou-se de extrema importância no decorrer das campanhas. Atualmente, a página encontra-se inativa, apesar de ter mantido a atividade até ao final do ano 2012. O blogue http://aristideslimapresidente.blogs.sapo.cv/20621.html contribuiu também para a partilha de informação, tendo sido através de um comunicado aos seus apoiantes que o candidato terminou a sua campanha; O candidato Manuel Inocêncio - apoiado pelo PAICV, contou com uma página de apoio (https://www.facebook.com/manuel.inocencio.1?fref=ts) e com o apoio da página do Primeiro- ministro e diretor do PAICV. Em ambas as páginas eram disponibilizados os conteúdos da campanha política, vídeos, imagens, notícias, etc. Nesta página, em particular, denota-se uma maior interação por parte dos cabo-verdianos. Na página oficial do candidato não é visível um agradecimento aos apoiantes, mas existe todo um conjunto de mensagens de apoio direcionadas ao candidato. A página atualmente está inativa, apesar de algumas interações por parte do público.
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A relação das famílias imigradas com a escolaridade: Comparando as famílias de origem cabo-verdiana e as de origem indiana.

A relação das famílias imigradas com a escolaridade: Comparando as famílias de origem cabo-verdiana e as de origem indiana.

cabo-verdiana que encontramos um maior peso das que são activas (91%) e quase todas exercem profissão como assalariadas (98%). Resta acrescentar que as profissões exercidas pela maioria das mães também variam com a sua origem: as que são oriundas de Cabo-Verde trabalham sobretudo nos serviços de limpeza (62%) ou na restauração (10%) enquanto as que provêem da Índia, para além de realizarem serviços de limpeza (57%), também são vendedoras (27%). Os pais diferenciam-se, sobretudo, no tocante ao exercício da profissão enquanto trabalhadores por conta de outrem: estão nesta situação 82% dos pais de origem cabo-verdiana, 78% no caso dos autóctones e apenas 55% no caso dos pais que têm origem indiana. Enquanto a maior parte dos pais de origem cabo-verdiana trabalha na construção civil (54%), quase metade dos de origem indiana (47%) exercem profissão como vendedores.
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Aspectos identitários em músicas de intervenção cabo-verdiana entre 1935-1975

Aspectos identitários em músicas de intervenção cabo-verdiana entre 1935-1975

O autor da canção, Manuel d’Novas, porém, alguns anos após a independência, percebeu que as mudanças tardariam ou nunca viriam. Aborrecido pela desigualdade no mundo e pela maldade das pessoas, compôs Apocalipse (em crioulo), e, para que tivesse âmbito mundial, a letra também foi feita em inglês (Apocalypse), pelo subscritor do CD, Alberto Rui Machado. A letra mostra claramente a insatisfação com as guerras e a maldade existente nos versos [1] a [4]. O cabo-verdiano sempre ansiou pela paz, pois sabe que a ambição, a riqueza e a ganância dos povos geram conflitos, ódio e ameaças. O mundo é uma competição, uma desigualdade, enquanto algumas pessoas têm tudo, outras não têm nada [5]. Diz-se pior que um jogo de pôquer [6], onde uma raça se sobrepõe à outra, querem ter o poder sobre outros povos, o que acarreta na extinção de algumas raças, povos e consequentemente, de uma cultura diferente. Anseiam por um momento de felicidade, um mundo perfeito [7], porém concluem, que esse mundo, considerado ‘idealizado’, (um mar de rosas; um mundo de união e amor) não existe, visto que até mesmo a Bíblia, é dito como “Apocalipse”, um mundo severo, com problemas e de difícil compreensão [8].
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Vera Duarte: “a mulher cabo-verdiana é uma personagem interessante”

Vera Duarte: “a mulher cabo-verdiana é uma personagem interessante”

É uma personagem muito rica e não é em vão que dizemos que, em Cabo Verde, estamos por viver praticamente um matriarcado, porque a mulher está na luta, vai a todas as lutas, a todos os campos de batalha, e apanha, mas levanta-se e vai outra vez; penso que isso lhe dá uma força muito grande. E é por isso que, numa determinada altura, a escrita também apareceu como uma forma de a mulher lutar; além de ser uma manifestação artística, é também uma forma de a mulher lutar. Andamos muitos anos a dizer ‘a mulher é um ser igual’, portanto temos que fazer de tudo para que isso aconteça também na prática. De alguma forma, temos conseguido, o processo tem andado, mas à custa de muitos sacrifícios da mulher. Acho que é uma personagem interessante a mulher cabo-verdiana. É uma mulher de luta. (DUARTE, 2009, entrevista 14/12/09).
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Tese Rui Cidra.pdf

Tese Rui Cidra.pdf

! *&! construídos como “violentos”. Não pretendia negar as formas de violência marcando o quotidiano nessas localizações, mas impedir que uma população maioritariamente trabalhadora, também ela atingida por formas de criminalidade dos “bandidos”, sofresse os efeitos de exclusão das práticas políticas e policiais. Como acontecera com Dju em Cabo Verde, Flor empenhou-se em preservar a minha integridade física e garantir que nenhum episódio desagradável me afectaria enquanto estivesse nos bairros. Para ambos, ser um “informante chave” significava, antes de mais, zelar pela minha integridade física e bem estar emocional. Fazer etnografia nos bairros implicou contactar com um quotidiano saturado de discursos e práticas associados à violência. Em Fevereiro de 2005, a morte de um agente da Polícia de Segurança Pública na sequência de um tiroteio no bairro da Cova da Moura, povoou as ruas do bairro (bem como as de todos os bairros da zona limite entre Lisboa e a Amadora) de brigadas policiais. A identificação e revista de transeuntes, o controlo de entradas e saídas de pessoas do bairro, as perseguições e detenções de suspeitos de tráfico foram, de um modo geral, apoiadas pela população, que concebeu as medidas como formas de impedir os assaltos a casas e pessoas relacionados com o consumo de droga. O desacordo relativamente à actuação policial cresceu sempre que a população considerou que a sua abordagem se processava de acordo com linhas raciais e que os habitantes eram indiscriminadamente tratados como “criminosos”. Restrições foram impostas às intensas sociabilidades desenvolvidas nos espaços públicos do bairro, sobretudo nos cafés, durante os fins de semana. Um “toque” de gaita, ferro, baixo eléctrico e caixa de ritmos com a participação de Florzinho a que assisti em Março desse ano, foi interrompido pela polícia de choque que irrompeu no café, exigindo aos presentes que abandonassem o local. Nos dias que se seguiram, o boato de que a polícia havia feito uma rusga no café, retido o tocador de gaita e aberto a caixa do seu instrumento à procura de droga, deu conta das constelações discursivas associadas à violência que participam da vida social de migrantes cabo-verdianos de alguns dos bairros da Área Metropolitana de Lisboa e da performance do funaná.
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Articulação curricular e continuidade educativa : um estudo exploratório sobre a realidade cabo-verdiana

Articulação curricular e continuidade educativa : um estudo exploratório sobre a realidade cabo-verdiana

Ensino Básico – Tem como finalidade “proporcionar a todos os cabo-verdianos os ins- trumentos fundamentais para integração social e contribuir para uma completa percepção de si mesmos como pessoas e cidadãos” (Artº16º). Trata-se de um nível de ensino universal e obriga- tório. Compreende um total de seis anos de escolaridade (do 1 º ao 6 º ano), organizados em três fases de dois anos cada. Do 1º ao 6º ano de escolaridade, o ensino desenvolve-se em regi- me de monodocência. A obrigatoriedade a que está sujeito este nível de ensino, impõe que as crianças que completem 6 anos de idade até 31 de Dezembro devam ingressar no ensino bá- sico. A LBSE não define a idade limite de frequência, aspecto que segundo a mesma lei é fixada mediante decreto do Governo (nº3 do Art.º 17º). A LBSE clarifica ainda, o papel do Estado, que está incumbido da criação das condições e dos apoios necessários para que a frequência escolar de todas as crianças seja efectivada.
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Entre o encanto e a decepção: as faces do Brasil nos contos cabo-verdianos “O sonho do senhor JB”, de José vicente Lopes, e “Se no céu vires uma estrela”, de João Rodrigues

Entre o encanto e a decepção: as faces do Brasil nos contos cabo-verdianos “O sonho do senhor JB”, de José vicente Lopes, e “Se no céu vires uma estrela”, de João Rodrigues

À dada altura, o senhor Jorge Barbosa e o seu confrade Jorge de Lima acabaram por se desen- tender quanto às virtudes da mulata brasileira e da badia do interior da ilha de Santiago. O cabo- -verdiano dizia que as badias, cor de ébano, fartas de carne e olhos cor de mel, são mais bonitas e tentadoras do que as “negas fulô”, louvadas pelo seu xará brasileiro, e que estas são incapazes de rebolar como as cabo -verdianas... – e, dito isso, o senhor JB levantou -se, e pôs -se a caminhar como as badias do interior de Santiago, para espanto e deleite dos seus convivas, menos, é claro, de Jorge de Lima... E, vendo que este estava a perder a parada e a irritar -se com o seu amigo “por- tuga”, Ribeiro Couto teve de entrar na discussão para acalmar os dois Jorge. “Bebamos mais um chope, à nossa amizade”, sugeriu Ribeiro Couto, diplomático, ordenando de seguida ao garçon mais uma rodada da deliciosa cerveja para amainar o calor intenso que se fazia sentir e que dei- xava os cariocas à -vontade, quase nus, para a admiração do recatado senhor Jorge Barbosa, que, ainda assim, não deixava de se deliciar, de soslaio, com a beleza da mulher brasileira. O hedonista vinicius de Moraes, para quem, em se tratando de mulher, beleza é fundamental, surpreendeu o hóspede cabo -verdiano nisso e murmurou, malicioso, para o companheiro ao lado: “Portuga safado, esse amigo do compadre Ribeiro Couto!” (Lopes, 2007: 64 -65)
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Conceções sobre a parentalidade de pais e mães de origem cabo-verdiana a residir em Portugal

Conceções sobre a parentalidade de pais e mães de origem cabo-verdiana a residir em Portugal

De uma forma geral, o presente trabalho pretendia explorar as crenças, valores, práticas e estilos parentais, numa amostra de pais e mães de origem Cabo-Verdiana, a residir em Portugal, bem como em que medida a cultura portuguesa e a cultura de origem se inscrevem no exercício da sua parentalidade. Para responder a estes objetivos, foi, tal como referido, conduzido um estudo qualitativo, levando a cabo entrevistas individuais com pais e mães, colmatando, assim, a tendência geral dos estudos se focarem, maioritariamente no discurso das mães (Borsa & Nunes, 2011). Em termos gerais, dos resultados encontrados destacam-se as crenças em torno da parentalidade, sendo esta avaliada de forma positiva, por ambos os cuidadores. Estes resultados parecem sugerir que existem questões universais relacionadas com a parentalidade, tais como os objetivos dos pais, nomeadamente promover o bem-estar dos filhos (Hoghughi, 2004), garantir o seu desenvolvimento e sobrevivência (Hoffmann, 2002, citado por Hoghughi, 2004; Barroso & Machado, 2014) e prestar cuidados parentais, ao nível social, emocional e físico (Barroso & Machado, 2014; Hoghughi, 2004).
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Maternidade na adolescência cabo-verdiana, perspetiva social e cultural no bairro Cova da Moura

Maternidade na adolescência cabo-verdiana, perspetiva social e cultural no bairro Cova da Moura

De um ponto de vista temporal, a gravidez precoce e fora do casamento era considerada um comportamento desviante ao código normativo da sociedade cabo-verdiana 52 : “(…) não era bem aceite, as pessoas falavam muito, porque na altura tínhamos que namorar e depois casar” (D. Palmira). A procriação estava directamente relacionada com o casamento, como que um comportamento esperado e intrínseco ao ciclo de vida dos indivíduos a ocorrer após o casamento. Dados os fatores já apontados neste trabalho e que ilustram a mudança na vida quotidiana destas mulheres, ter filhos antes do casamento hoje em dia, é prática aceitável e, em alguns casos, comum; noutros, motivo de exclusão das mulheres – “(…) senti-me excluída e muito triste” (D. Francisca). No Assim, simbolicamente, a gravidez/maternidade na adolescência deixa de constituir um problema ou motivo de exclusão (ainda que ocorra sem planeamento e em idade precoce) se ocorrer ou resultar na «união/casamento» dos jovens – casamento implica procriação: “(…) fui aceite normalmente e tive o apoio da minha família e
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Cabo Verde e a importação do ideologema brasileiro da mestiçagem.

Cabo Verde e a importação do ideologema brasileiro da mestiçagem.

Se Roberto Duarte Silva foi o maior vulto científico, o Dr. Júlio José Dias foi o coração magnânimo e Frederico Hopffer a vontade mais enérgica de Cabo Verde. Tanto Hopffer como Júlio Dias exerceram a mais benéfica e salutar influência nos destinos da sua terra. Dr. Júlio prestou serviço de uma filantropia rasgada e quase fanática à ilha de São Nicolau em que nascera, contribuindo bondosamente para melhorar as condições dessa terra, onde o seu nome ainda hoje é proferido com saudade e onde o seu busto simpático e o seu sorriso bom, como que nos festeja do cimo desse monumento erigido pela espontaneidade deste povo a que ele amou. Hopffer ainda vive, possui um temperamento de ferro; inteligente, ilustríssimo, radicalmente democrata e não menos materialista, as suas idéias e o seu procedimento, como que deflagravam nesse meio nutrido por mil pretensões enfáticas, poetizadas pelas reverências hipócritas das sacristias e perfumadas pela retórica banal e pedante dos filósofos de cifrão. (Martins, 1891).
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Repositório Institucional UFC: O pictórico na poesia cabo-verdiana: dos claridosos a Kiki Lima

Repositório Institucional UFC: O pictórico na poesia cabo-verdiana: dos claridosos a Kiki Lima

arsinário” como tentativa identitária (FERREIRA, 1986b, p. XLIV). Confirmam isso o número considerável de referências na produção literária cabo-verdiana anterior ao modernismo. Tal identidade, entretanto, pouco diz da formação histórica local. Na verdade, vincula a cultura local à do continente europeu, já que estabelece um nexo mitológico com o berço da cultura ocidental – a Grécia antiga. Em 1929, o poeta José Lopes publicava O Jardim das Hespérides e Hesperitanas (FERREIRA, 1986b, p. XLIII), cujos títulos fazem referência recorrente às ninfas filhas de Atlas, que estaria na origem do povo da Atlântida. Deste último livro vêm os trechos de “A minha terra”, em clássicos decassílabos, ora heróicos, ora sáficos: “Das vastas extensões assim submersas / Então ficaram estas nossas ilhas / E as outras suas célebres irmãs / (...) / Chamadas, pois, ilhas hesperitanas ”// (...) É esta, pois, Irmãos Caboverdeanos! / A história original da nossa terra, / Que esse segredo do passado encerra...” Fazendo coro grego com José Lopes, agora em redondilhas maiores, eis um trecho da poesia de Pedro Cardoso, outro poeta do início do século XX: “Referem lendas antigas / Que lá nos confins do mar / As Hespérides ficavam / E o seu famoso pomar” (FERREIRA, 1986b, p. XLIV). No mais, a influência camoniana é patente, seja na forma, seja no conteúdo. No Canto V de Os Lusíadas, aparece a visão de Cabo Verde ou Cabo Arsinário: “Passamos o limite aonde chega / O Sol, que para o Norte os carros guia, / Onde jazem os povos a quem nega / O filho de Climene a cor do dia. / Aqui gentes estranhas lava e rega / Do negro Sanagá a corrente fria, / Onde o Cabo Arsinário o nome perde, / Chamando-se dos nossos Cabo Verde.”
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