Estética do Oprimido

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O teatro do oprimido e a flor da permacultura na educação ambiental

O teatro do oprimido e a flor da permacultura na educação ambiental

comigo ao final da oficina. O que me incomodou não foi apenas o comportamento típico dessa idade, de autoafirmação, que não é fácil e quando a quantidade de jovens é grande dificulta o trabalho; mas principalmente por uns determinismos políticos que estavam arraigados sem se saber muito porquê. Como uma alienação ao contrário. Queria quebrar isso. Queria que eles percebessem as opressões por si mesmos. Não porque existe uma regra que separa burguesia e povo como dois lados de uma força dualista e opositora: bem/mal, fraco/forte; opressor /oprimido. Existe bem no mal e oprimido que oprime. Como fazê-los perceber que estavam criticando algo que ainda assim estava reproduzindo, embora pelo outro extremo? Segui a teoria do Boal, a estética do oprimido, os oprimidos só podem libertar-se da opressão cultural criando. Então meu objetivo ali era despertá-los para criação. Que tudo o que pudesse ser feito pelas próprias mãos deles que assim o fosse. E foi. P.T.Campos 2013.
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Open O teatro do oprimido como instrumento para a educação ambiental

Open O teatro do oprimido como instrumento para a educação ambiental

A volta ao Brasil, em 1986, para trabalhar na multiplicação das técnicas do TO em um projeto financiado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, leva Augusto Boal a ser eleito vereador da capital fluminense. A necessidade de manter um diálogo com o povo fez com que ele adaptasse o Teatro Fórum e o transformasse em Teatro Legislativo. Segundo o próprio Boal, “ o Teatro Legislativo é um novo sistema, uma forma bem mais complexa, pois inclui todas as formas anteriores do TO e mais algumas, especificamente parlamentares ” (BOAL, 1996, p. 9) Embora não tenha sido reeleito para um outro mandato, a experiência mostrou que é possível usar o teatro como mecanismo de diálogo com a popul ação em bus ca de uma ci dadania plena. O ciclo de técnicas criadas por Augusto Boal encerra-se com o estudo da Estética do Oprimido em contraposição a estética do consumo tão em voga em nossos dias. Boal define a Estética do Oprimido como “ todas as atividades baseadas na Imagem, no Som e na Palavra, que integram o arsenal do Teatro do Oprimido e visam estimular a descober ta das potenci alidades criativas dos oprimidos ” , e acrescenta, “ não pretende a Multiplicação de Cópias, nem a reprodução da Obra, ou a vulgarização do produto artístico ” (BOAL, 2008, pp. 11 e 14). De acordo com ele, é preciso rever as nossas opções enquanto produtores e consumi dores de arte. É urgente cr iar alternativas libertadoras das opressões estéticas impostas por um sistema que privilegia um modelo
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Teatro do oprimido e juventudes: revelando um itinerário formativo

Teatro do oprimido e juventudes: revelando um itinerário formativo

dialogando sobre a nossa ação nas atividades e propondo também, a auto avaliação dos alunos. Busquei parcerias com grupos e espetáculos que estavam em cartaz na cidade e consegui que os alunos os apreciassem. Nesse percurso, senti a necessidade de me qualificar procurei bibliografias para aprofundar o planejamento. Além disso, escrevi o trabalho em três congressos acadêmicos e obtive a aprovação para a participação no formato de comunicação oral: ABRACE – Associação Brasileira de Pesquisa em Artes Cênicas – UFRN, V JITOU – Jornada Internacional de Teatro do Oprimido nas Universidades – UNIRIO e o ERELIC – II Encontro do PIBID do Nordeste – UFCG. Participamos do Encontro Integrativo dos PIBID‟S da UFRN em que ministramos uma oficina intitulada: “Estética do Oprimido: pedagogias e políticas teatrais” que surgiu a partir das práticas teatrais realizadas no projeto. Assim como, realizamos a Performance “O GRITO”, que ocorreu dentro do Calendário de Lutas da Escola Estadual Lauro de Castro e também na CIENTEC 2017, na UFRN. Tais experiências reverberaram em nossas práticas na sala de aula, nos momentos de tomada de decisões para a construção do percurso pedagógico. Assim, confirmamos com esse projeto, a necessidade de propor um percurso didático para o Ensino do Teatro de maneira flexível, preocupada com a voz, com o interesse e o significado da arte para os alunos-atuantes. Construí esse processo junto aos bolsistas e aos alunos-atuantes, possibilitando a criticidade e a consciência de sujeitos construtores de suas próprias histórias.
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(Des)Teatralizando a sociedade através do teatro do oprimido: estudo de caso do grupo de teatro do oprimido ValArt

(Des)Teatralizando a sociedade através do teatro do oprimido: estudo de caso do grupo de teatro do oprimido ValArt

A “Árvore do Teatro do Oprimido” é uma imagem importante para se perceber a diversidade de técnicas e a riqueza do TO enquanto metodologia de libertação e transformação. Cada ramo da árvore corresponde a uma técnica desenvolvida por Boal num período específico da sua vida, para ultrapassar limitações que foram aparecendo e tornar possível a transformação. Os jogos e exercícios de activação sensorial e consciencialização do corpo, o teatro-imagem, o teatro-jornal, o teatro invisível, o arco-íris do desejo, o teatro-fórum e o teatro legislativo são parte do tronco e dos ramos desta árvore e cada um serve funções concretas. A multiplicação, representada pelo pássaro (as pessoas que usam o TO e o difundem) são a estratégia de expansão. Os seus fundamentos e guias, são a ética e a solidariedade são e nas suas raízes estão várias formas de conhecimento (filosofia, história, política ou sociologia). A Estética do Oprimido é a seiva que alimenta a “árvore do TO” e no seu topo temos a transformação da realidade, conseguida através da promoção de acções sociais concretas e continuadas.
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Atualidade brasileira: a democracia substantiva e a pedagogia do oprimido

Atualidade brasileira: a democracia substantiva e a pedagogia do oprimido

Para Santos (2002), é necessário que se distinga governos hegemonizados pelo capital de governos hegemonizados pelo campo popular da sociedade. Quando a condução do processo histórico se encontra sob a hegemonia dos primeiros, os movimentos sociais cumprem o papel de manter pautas democráticas na ordem do dia. Intensificam, então, a ação cultural, dado que a revolução cultural apenas é possível sob a hegemonia do campo popular. E, mesmo em governos populares, a ação dos movimentos sociais se constitui importante porque, nos dois casos, a dialética opressor/ oprimido acontece, visto que a forma social continua a ser capitalista. Além disso, em ambos os casos, a educação libertadora deve estar presente, como forma de possibilitar a práxis na direção do adentramento da democracia substantiva, evitando o autoritarismo e a objetificação dos trabalhadores. Seu papel é, fundamentalmente, o de contribuir para a elucidação da realidade e para o engajamento transformador. Ela acontece como política cultural mais ampla, em processo de organização comunitária/coletiva e política do povo, mas também na escola, embora aí seja muito mais difícil, dada uma das dimensões hegemônicas do papel da escola formal, que é o de formar visões sociais de mundo aderentes ao projeto do capital.
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Aproximações entre o Direito Achado na Rua e o Teatro do Oprimido

Aproximações entre o Direito Achado na Rua e o Teatro do Oprimido

O trabalho tem por objetivo o diálogo entre direito e teatro em uma perspectiva dialética que se perfaz enquanto formação-ação. Para tanto, os projetos Direito Achado na Rua (DAnR) e Teatro do Oprimido (T.O.) são as referências analíticas em suas dimensões epistemológicas, políticas e pedagógicas. A pergunta central é: quais as possibilidades de intersecção entre os projetos (DAnR e T.O.) em uma leitura e releitura de categorias fundantes e de seus respectivos usos enquanto tática para uma formação-ação efetiva no âmbito do direito? A pergunta decorrente da primeira é: Quais os limites temporais, teóricos e instrumentais desses projetos desde suas respectivas gêneses até os dias atuais? Para responder essas questões o trabalho foi estruturado a partir de duas cenas: a primeira cena contém os dois capítulos iniciais, os quais contextualizam o teatro político dialético no Brasil e trazem alguns exemplos de momentos emblemáticos em que o teatro político se mostrou fundamental para processos de protagonismo da classe trabalhadora no cenário político cultural. A segunda cena, que compreende os dois capítulos finais, traz os personagens sujeitos demarcados nas categorias sujeitos coletivos de direitos/espect.-atores e suas possíveis vinculações, além de alguns exemplos de projetos, na esfera do ensino jurídico, e, mais especificadamente do DAnR, nos quais o método do T.O. se fez ou faz presente.
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"Videojogos do oprimido": contributos para o desenvolvimento de um framework freiriano

"Videojogos do oprimido": contributos para o desenvolvimento de um framework freiriano

Não será, porventura, um exagero começar por afirmar que poucos são os autores, falan‑ tes da língua portuguesa, cujas obras e perspetivas têm provocado tanto impacto mundial nas formas de pensar a educação e as práticas pedagógicas como o filósofo brasileiro Paulo Freire. Detentor de 29 títulos de Doutor Honoris Causa por universidades da Europa e da América, e de centenas de outras menções e prémios – como Educação pela Paz, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (vulgo, UNESCO) –, Freire é o terceiro teórico mais citado em trabalhos académicos em todo o mundo 1 , sendo geralmente apontado como um dos pensadores mais notáveis – ou «o» pensador mais notável – na história da peda‑ gogia mundial (Macedo & Carvalho, 2017). Mesmo passados cerca de 50 anos da publicação da sua magnum opus, a Pedagogia do Oprimido (cf. Freire, 1996), este continua a ser um livro bastante popular, vendido e lido em todo o mundo, influenciando outros/as teóricos/as e inves‑ tigadores/as contemporâneos/as em, da e sobre a educação, contribuindo para a fundação e desenvolvimento de um modo particular de pedagogia, denominado de «pedagogia crítica», que Henry Giroux define, de um modo sublime, como
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Teatro do oprimido: implicações metodológicas para a educação de adultos

Teatro do oprimido: implicações metodológicas para a educação de adultos

Este trabalho que apresentamos resulta do desenvolvimento e respectiva análise de uma proposta de Teatro do Oprimido com educandos adultos da EJA. A pesquisa de campo durou um semestre letivo. Os trabalhos ocorreram com 27 alunos do Projeto de Ensino Fundamental de Jovens e Adultos segundo segmento (PROEF II), que funciona no Centro Pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais. Esta dissertação está dividida em seis capítulos. O primeiro capítulo introduz o texto apresentando o pesquisador e suas motivações, passamos por uma breve síntese histórica da educação de jovens e adultos no Brasil, ainda são apresentadas nesta parte inicial a configuração metodológica, as indagações da pesquisa e a organização geral do texto com o intuito de orientar o leitor quanto ao conteúdo. No segundo capítulo é delineado um panorama histórico do desenvolvimento do teatro com vistas a debater o TO na perspectiva da educação. Tomamos como referência o teatro oriental e ocidental. Deste modo é possível perceber o diferencial do Teatro do Oprimido em relação a outras poéticas teatrais justamente por sua função política e pedagógica que julgamos muito significativas e pertinentes ao contexto da EJA. Na sequência dedicamos um capítulo às aproximações entre a Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire e o Teatro do Oprimido de Augusto Boal. O quarto capítulo por sua vez é uma explanação geral acerca do que observamos e do que foi construído pelos sujeitos no campo de pesquisa. Já o quinto capítulo é dedicado às considerações finais. No sexto capítulo resumimos e apresentamos nossas conclusões de que o TO, ao prescindir de rígido desenvolvimento técnico, mesmo sem refutar a organização e a beleza cênica, ao prezar pela criticidade e por temas da vida real, oferece a todo e qualquer educando da EJA, os meios para criar e atuar teatralmente.
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A estética da subjetividade rebelde na poética teatral do oprimido

A estética da subjetividade rebelde na poética teatral do oprimido

e é capaz de criar uma outra realidade para mostrar o que se quer calar. O Teatro do Oprimido é arte engajada ao mesmo tempo em que é uma estética.. de negação da realidade estabelecida.[r]

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Da estética do desporto à estética do futebol.

Da estética do desporto à estética do futebol.

Deste modo, a análise do desporto a partir do ponto de vista estético não se apresenta tarefa fácil, não só porque requer uma atitude interrogativa, fora da polarização do preto e do branco (BENTO, 1995), mas também porque exige do homem a audácia de olhar para dentro de si e contemplar a sua complexidade. Por este motivo, e como sublinha Grumbrecht (2001), o reconhecimento da natureza estética do desporto parece ser uma constatação fácil e pacífica por parte de qualquer apreciador, apesar da identificação concreta das suas causas e manifestações, dos seus conceitos, critérios e categorias, do seu sentido e relações, aparentarem ser de mais difícil descodificação, porque a sua experienciação não é (e porventura não se pretende que seja) minimamente imparcial ou distanciada: “Não por acaso se diz que os clubes são do coração, o topos corporal no qual se representam as emoções, e os distintivos dos clubes estão fixados do lado esquerdo do peito.” (DAMO, 2001, p. 85). Contudo, uma apreciação estética do desporto não se esgota na identificação das subjetivas questões de gosto ou de clubismos, remetendo antes para o reco- nhecimento e compreensão do seu valor estético, o que reclama a identificação de categorias estéticas, mais ou menos subjectivas, que lhe são subjacentes.
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Lima Barreto e educação: o protagonismo do oprimido.

Lima Barreto e educação: o protagonismo do oprimido.

Mediante o conceito de LucienGoldmann sobre a relação homóloga da estrutura textual com a estrutura social, relacionadas com a questão da consciência, que escolhemos como elemento de rel[r]

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A pedagogia do oprimido em tempos de industrialização da cultura

A pedagogia do oprimido em tempos de industrialização da cultura

Em obras tais como: A pedagogia do oprimido (1979), Ação cultural para a liberdade (1987), Educação como prática da liberdade ( 1991 ), Educação e mudança ( 1986), Medo e ousadia ( 1987) e Pedagogia da esperança ( 1993), Paulo Freire destaca várias vezes os obstáculos que impedem o oprimido de se reconhecer enquanto tal e, mediante o exercício da ação refletida (praxis), transformar sua própria situação de dominação. De acordo com esse raciocínio, a condição do oprimido vir a ser sujeito está intimamente relacionada à necessidade de que o momento da consciência e da vontade seja prolongado durante a história. No prolongamento da própria consciência de si, observam-se homens que gradativamente vão se transformando em sujeitos, pois se tornam cada vez mais capazes de decodificar suas relações entre si e com o mundo, pronunciando-o de maneira verdadeira e desvelando os condicionantes sociais mitifícadores.
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Teatro do oprimido em saúde mental: participação social com arte.

Teatro do oprimido em saúde mental: participação social com arte.

Relato de experiência de intervenção do projeto Teatro do oprimido na saúde mental em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Fortaleza, Ceará, Brasil, no qual descrevemos como esta ferramenta é capaz de contribuir para o fortalecimento da participação social. O projeto foi elaborado por um grupo de residentes e preceptores da Residência Integrada em Saúde, com ênfase em Saúde Mental Coletiva, da Escola de Saúde Pública do Ceará. Utilizamos a pesquisa qualitativa. Em face do difícil contexto de efetivação da política de saúde mental no município, percebemos que a arte pode contribuir para a construção de uma atenção em saúde efetiva, emancipatória e apta a acolher as diversidades. Na nossa ótica, o teatro do oprimido é uma ferramenta importante para fortalecer a participação social e para reinventá-la, problematizando estigmas e impulsionando a garantia de direitos. Palavras-chave: Saúde mental. Participação social. Teatro do oprimido.
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Por uma pedagogia do oprimido midiático: meios de comunicação e suas intervenções na escola

Por uma pedagogia do oprimido midiático: meios de comunicação e suas intervenções na escola

algumas reflexões sobre as características do rádio, dedicando-nos especialmente à linguagem, particularmente à oralidade, no universo dos educandos. Através do seu falar percorremos [r]

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Enfrentamento do bullying na escola: o Teatro do Oprimido como estratégia de intervenção

Enfrentamento do bullying na escola: o Teatro do Oprimido como estratégia de intervenção

enviadas pelos computadores e/ou telefones celulares, denominadas de cyberbullying. A segunda limitação diz respeito ao aspecto metodológico do estudo que se refere a uma abordagem quase experimental, em que as escolas participantes não foram randomizadas aleatoriamente, como é sugerido em estudos experimentais e de intervenção. A terceira é que a investigação foi realizada somente em escolas públicas. Nesse sentido, pesquisas futuras podem superar essas limitações ao incluírem na amostra escolas públicas e privadas para que se verifiquem possíveis diferenças entre as instituições, no que concerne à aplicabilidade da intervenção e seu efeito em diferentes contextos escolares. Como quarta limitação aponta-se a avaliação dos resultados somente em relação ao bullying; outros dados também poderiam ser coletados, especialmente aqueles voltados às impressões dos estudantes acerca da intervenção realizada, bem como o modo como ela promoveu mudanças emocionais e de compreensão a respeito do bullying, pois diante de uma técnica que marca uma transformação social, como o Teatro do Oprimido proposto por Boal, é necessário conhecer, também, a percepção dos envolvidos em relação a esse processo, analisando em profundidade suas impressões e suas mudanças atitudinais e emocionais, após a intervenção. Estudos futuros poderão avaliar os participantes em outros aspectos relacionados a mudanças comportamentais, emocionais e de compreensão do bullying. Além disso, outra limitação está relacionada à operacionalização da intervenção que foi realizada com poucas sessões de acompanhamento, sem inserção dos pais/familiares como atores sociais envolvidos no fenômeno e com a utilização apenas do teatro como estratégia de intervenção. Assim, intervenções multidimensionais, com a participação de diferentes atores sociais e com diferentes abordagens e estratégias de enfrentamento, devem ser estimuladas.
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O TEATRO DO OPRIMIDO COMO RECURSO A UMA PRAXIS CIDADÃ

O TEATRO DO OPRIMIDO COMO RECURSO A UMA PRAXIS CIDADÃ

Com efeito, para que possamos apreciar com maior abrangência o cerne das mudanças contidas na proposta formulada pelo Teatro do Oprimido, cabe recorrer à história do teatro, que em priscas eras na Grécia, era parte componente do manancial de educação cívica popular, passando posteriormente a ser integrante curricular na formação da aristocracia ateniense especialmente, sobretudo na era clássica. Antes disso porém, cumpre tomar contato com algumas proposições que partiram da lavra do historiador neerlandês Johan Huizinga, o qual defendia ser o teatro uma espécie de jogo, tendo portanto seu surgimento em um solo lúdico, sine qua non ao surgimento da cultura e formação da civilização.
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Teatro ou terapia? A poética do oprimido e a catarse do espectador

Teatro ou terapia? A poética do oprimido e a catarse do espectador

Quanto ao estímulo à ação, Boal o considerava como sendo um avanço em relação ao teatro épico de Brecht. Ele gostava de afirmar que, no teatro brechtiano, o personagem age em lugar do espectador, embora este seja estimulado a pensar por si mesmo. Dessa maneira, Boal priorizou o ato como o único caminho que favorece, de fato, a conscientização. Para ele, o distanciamento pretendido por Brecht só era possível com o engajamento total do espectador, ou seja, a plateia deveria ser estimulada a agir em cena. Acreditava que, dessa forma, aconteceria uma ―autoativação‖ do espectador. Atuando na ficção, já como espect-ator, ele prepara-se para enfrentar a realidade e transformá-la. Ao perceber-se em cena, com a possibilidade de modificar uma situação de opressão com a sua atitude, sente-se capaz e estimulado para agir na vida real. Essa crença na ação como elemento que impulsiona mudanças também está no centro da teoria e prática do Psicodrama, como detalharemos adiante. Será que a chave que aponta para o diferencial do efeito catártico no Teatro do Oprimido é exatamente a possibilidade de o espectador agir em cena? Que relações existem entre a catarse no Teatro do Oprimido e a catarse no Psicodrama? Será este um dos pontos de contato entre as duas técnicas? O que aproxima o Teatro do Oprimido do Psicodrama, enquanto psicoterapia? São questões às quais tentaremos responder no próximo capítulo.
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Tradução e ideologia em pedagogia do oprimido de Paulo Freire

Tradução e ideologia em pedagogia do oprimido de Paulo Freire

Karl Marx concebe a ideologia como “consciência falsa”, pois entende que o ser humano nada mais é do que um indivíduo que é completamente composto de informações recebidas de outrens, e define falsa por se tratar de construções históricas em que o homem acredita no outro, resultando em ilusões ouvidas e não em experiências vividas. Para Althusser a ideologia é “um sistema de ideias, de representações que domina o espírito de um homem ou de um grupo social” (ALTHUSSER, 1958, p. 81). Sendo assim muito mais do que mera imaginação, se refere em trazer consigo toda sua percepção de sujeito ativo no mundo. Segundo Eagleton (1997:15) ideologia é a “legitimação do poder de uma classe ou grupo social dominante”, quem tem o poder controla o conhecimento e a geração de recursos materiais que podemos perceber em “Pedagogia do Oprimido” como “opressor” classe dominante e “oprimido” a classe dominada. Esse autor ainda defende a necessidade de “falar em ideologia com respeito aos usos específicos da linguagem”.
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Coletivo Pixote intervém: O Teatro do Oprimido e a Socioeducação

Coletivo Pixote intervém: O Teatro do Oprimido e a Socioeducação

Nessas narrações improvisadas, os processos de opressão vividos por cada um são elaborados livremente. No Rap im- provisado de Daniel, há nuances de sua subjetividade acom- panhada por questionamentos que dizem respeito a sua consciência como indivíduo que sabe que sua condição de infrator é de responsabilidade da sociedade a qual pertence, e que dele sente medo. O “simples fato de ser um favelado” é amplificado nas perguntas sobre quem ele é, “um mensageiro de Deus ou um assassino cruel?”. Entendo que esta seja uma reflexão inserida na performance do sujeito que, enquanto conta-nos sobre quem é, o faz como forma também de com- preender a si mesmo, por que sendo apenas um jovem rapaz, é também capaz de causar temor e agir de forma violenta? Em consonância com os princípios do Teatro do Oprimido nas oficinas de criação musical, os adolescentes eram desa- fiados a improvisar sobre temas prévios ou sobre o que gos- tariam de falar, corroborando com a descrição que Muniz faz dele e de sua relação com a improvisação:
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A pedagogia do oprimido como referência para a EJA e para a educação popular

A pedagogia do oprimido como referência para a EJA e para a educação popular

Neste contexto, a Educação Popular constitui-se como um espaço legítimo de (des)colonização dos corpos e das mentes, uma vez que ela é gerada, problematizada e reformulada a partir de práticas sociais locais (STRECK, 2009). Quer dizer, ela nasce e se desenvolve a partir da e na relação entre educadores/as, intelectuais e classes populares comprometidas com a transformação da realidade por meio da educação. Na nossa história, essas relações foram e ainda são profundamente marcadas pela ação político-existencial de Paulo Freire e em especial pela Pedagogia do oprimido, pois a obra é a síntese de iniciativas contra-hegemônicas de educação, nas quais o conhecimento é produzido com e para a população.
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