etc. - Ficção - História - Séc. XIX

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Traçado de uma história: ficção e realidades nas narrativas hispanoamericanas do século XIX

Traçado de uma história: ficção e realidades nas narrativas hispanoamericanas do século XIX

Embora esse tipo de leitura/interpretação não fosse novo, nem refletisse um avanço interpretativo, ele tem o mérito de, numa época de polêmicas e extremos, relativizar as influências de um passado histórico que havia bebido em mais fontes do que a sociedade de então estava disposta a admitir. Olhando para essa postura com os olhos atuais e certo anacronismo se pode dizer que ela caracterizava uma mistura de postura tradicional/reacionária e uma postura de avant-garde no que diz respeito a uma forma de olhar os acontecimentos históricos de um modo mais amplo que dista dos arrivismos liberais de muitos de seus contemporâneos. Na verdade, o traço que subjaz nessa questão é que, embora essas posturas de negação do passado refletissem uma necessidade do momento e significassem uma espécie de postura correta para um intelectual engajado na construção das novas nações americanas, a longo prazo elas se mostraram como maneiras restritas e demasiadamente fixas para ler o passado. Esse movimento da história também faz com que posturas consideradas mais conservadoras como a de Groot tragam à tona pontos que se converteram em focos interessantes de análise do passado. O trabalho de Groot, por ser primeiramente uma tentativa de defender a Igreja, traz uma série de informações novas sobre o clero inclusive levando a um reexame dos conflitos entre as autoridades civis e eclesiásticas. Essa discussão levou ao desenvolvimento de um novo tema que, segundo Melo (1969) terá muita importância posteriormente: o papel do clero na Independência. A defesa dos conquistadores e valorização da conquista também emerge como um ponto que, embora ambíguo, traz elementos importantes para o pensamento contemporâneo sobre o passado, já que a ideia de compreensão do ser americano se faz mais e mais na encruzilhada das referências do que na negação de qualquer de suas partes. Assim, embora para o séc. XIX essa postura representasse um conservadorismo explícito, contemporaneamente ela evoca uma necessidade de olhar e reconhecer um lugar cultural produzido de encontros e desencontros de várias culturas.
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A narrativa como mediação entre história e ficção

A narrativa como mediação entre história e ficção

Para Sartre, a liberdade é a condição básica e originária dos seres humanos (PIRES, 2013, p. 108). Com isso entendemos que é irrelevante se queremos ser livres ou não, se acreditamos nisso ou naquilo, o fato é que somos livres. A liberdade é algo inerente às pessoas, não dependendo de suas escolhas. Isso não significa que não sofremos influência do que há além de nós. Sem dúvida, sofremos efeitos que não escolhemos, mesmo quando ocasionados a partir de nossas próprias ações. Entretanto, somos livres para tomarmos as iniciativas mais diversas naquilo que as condições nos permitem escolher. Talvez para alguns isso pareça um tanto contraditório, vejamos um exemplo: eu não posso voar. Enquanto ser humano sou dotado de limitações biológicas que não me permitem alçar voo, assim como um sabiá o faria. Logo, não sou livre para superar essa condição que me é imposta por minha condição de humano. No entanto, por ser livre, posso lidar com essa situação das mais diversas maneiras: posso me jogar de um alto prédio com o intuito de tentar sair voando como um pássaro; posso criar um dispositivo mecânico que me auxilie a voar; posso comprar uma passagem de avião e voar; posso embriagar-me e considerar voar em um sentido metafórico, como se fosse uma sensação de pouca aderência ao chão, etc.. De qualquer forma, em nenhuma das alternativas minha limitada condição biológica de não-voador é superada. Porém, minhas atitudes em relação ao fato de não poder voar como um passarinho são expressões de minha liberdade, bem como as consequências de meus atos. Mesmo sendo livre, as condições de minha realidade não mudarão por isso, embora eu possa agir e me responsabilizar por elas. Eis a liberdade. Eu, e somente eu posso agir e ter qualquer vontade que seja, de voar ou morrer tentando. Minha vontade de fazer alguma coisa necessariamente é consequência de minha possibilidade de tê-la. No fim das contas, é como se Sartre estivesse revigorando ou recriando um materialismo. Somos livres para escolher, mas não escolhemos ser livres, assim como não escolhemos as condições em que estamos inseridos, mas sim o que fazer com elas e apesar delas. Há liberdade caótica antes de qualquer plano a ser seguido.
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Alguns aspectos da história da aritmética escolar no Brasil (séc. XIX) no ensino elementar

Alguns aspectos da história da aritmética escolar no Brasil (séc. XIX) no ensino elementar

A exposição de Victor Renault trata separadamente a leitura que deve ser feita a partir dos algarismos escritos representando as quantidades. E uma nova convenção é apresentada em dividir uma quantidade qualquer de seis em seis lettras 19 , principiando pela direita podendo a ultima columna ser composta de menos de seis lettras. A primeira columa é nomeada de unidades, a segunda de milhão, a terceira de bilhão, a quarta de trilhão, etc. Cada grupo (coluna) será subdividido de tres em tres lettras, sempre a partir da esquerda. Cada corte toma o nome de unidades e de mil da coluna a que pertence. Exemplo da figura 12: trinta e oito mil, novecentos e cincoenta e seis bilhões, oitocentos e noventa e sete mil, seiscentos e trinta e seis milhões, quatrocentos e trinta e dous mil, oitocentos e setenta e cinco unidades.
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INTERTEXTUALIDADE: UM DIÁLOGO ENTRE A FICÇÃO E A HISTÓRIA

INTERTEXTUALIDADE: UM DIÁLOGO ENTRE A FICÇÃO E A HISTÓRIA

Tanto a História como a Literatura são espelhos da humanidade, já que ambas representam instrumentos de conhecimento do homem e do mundo. A Literatura, por meio de uma linguagem rica, expressiva, recria o mundo e retrata o homem, suas realizações, seus sonhos, suas alegrias, emoções e angústias. A História em O dicionário da Língua Portuguesa – Novo Aurélio (1999), “compreende uma narração metódica dos fatos notáveis ocorridos na vida dos povos”. A missão de um historiador consiste em relatar fatos reais, tais como
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LITERATURA E HISTÓRIA – ENTRE A FICÇÃO E A REALIDADE

LITERATURA E HISTÓRIA – ENTRE A FICÇÃO E A REALIDADE

A história apresenta duas vertentes, as quais se podem vislumbrar do seguinte modo: se de um lado a história tornou sinônimo de investigação, seja pelo viés do levantamento de informações ou pelo esforço que empreende para buscar artifícios para reter acontecimentos na memória, a fim de preservar os feitos produzidos pelo homem; de outro, ela é a própria memória das sociedades, construída por um pensar coletivo, um tipo de veículo que permite que o conhecimento da causa e do efeito seja socializado. A memória está veiculada à fonte organizadora da informação: o próprio homem. Ele é o agente principal da construção da própria história. A consequência de todo esse processo é o encontro com a identidade, a afirmação perante o mundo, os semelhantes e de si mesmo, em que entra em fusão o conhecimento, a experiência individual e coletiva, capaz de permitir a análise dos aspectos multiformes da realidade.
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A História: fonte de fato ou de ficção?

A História: fonte de fato ou de ficção?

Este método do historiador, enfim, levou-nos novamente à História do cerco de Lisboa - o romance de Saramago - justamente por nele encontrar-se textualizada a desconfiança para com as [r]

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Jogos e narrativas : entre a ficção e a história

Jogos e narrativas : entre a ficção e a história

Embora as informações históricas não interfiram no seguimento do enredo, elas são apresentadas de forma distinta dos registros históricos. Primeiramente, por não respeitar a passagem do tempo, depois por apenas mencionar que Sisto IV baixou o interdito contra Florença, sem demonstrar mais detalhes e, por último, a fala de Lorenzo sobre as intenções do Papa em atacar o Estado florentino, mas que convenceu o rei napolitano a não ceder aos pedidos de Sisto. Essas informações conflitam com o histórico, pela ficção não respeitar a similaridade dos fatos citados. Entretanto, é necessário ressaltar que o autor, mesmo sabendo dessa lacuna, por ser um historiador, provavelmente tomou a decisão de abrir essa exceção e redigir esse trecho, com imprecisões históricas, porque colocar todas as informações na ordem correta acarretaria uma ruptura do enredo, e poderia comprometer a sua continuidade, pois a necessidade de constantes mudanças de espaços e ações quebraria o sentido da condução da narrativa. Assim, diante desse empecilho, sugere-se que essa interferência seja uma opção do autor para se manter a coerência do texto.
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A história na ficção televisiva portuguesa

A história na ficção televisiva portuguesa

Dito isto, é óbvio que, por razões profissionais e epistemológicas, as rela- ções entre historiadores e produtores de cinema e televisão (para não falar da figura híbrida do guionista-historiador-amador) são por vezes difíceis. Os primeiros ressentem a forma como o discurso histórico é manejado fora dos cânones do ofício e como o passado deixa de ser um formador educativo de cidadania para passar a ser, em muitas ocasiões, um simples dispositivo de en- tretenimento, de doutrinação política suave ou de revisionismo a gosto. Esta suspeição ou inimizade recebe ajuda por parte de alguns críticos puristas de televisão, que desconfiam sempre do rigor e da verdade da história filmada, inquirindo como é possível uma acção feita no presente (filmar) conseguir encenar e transmitir com acuidade acções já transcorridas noutro tempo, noutro espaço, noutro “mundo mental” que não é o nosso. Não há quem não tenha já lido diatribes académicas e colunas de opinião sobre as distorções e malefícios de versões blockbuster de trechos, figuras ou factos históricos, que falseiam das mais diversas formas verdades documentais… e que ganham dinheiro com isso. Quanto aos segundos, aqueles que estão do outro lado da barricada, lidando com as câmaras e não com os arquivos, queixam-se destas queixas e do pouco apoio que poderiam e deveriam receber dos académicos, que lhes permitiria maximizar a historicidade e, portanto, a qualidade do que produzem para o ecrã.
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História da Medicina Internacional no séc. XIX

História da Medicina Internacional no séc. XIX

A Cirurgia do séc. XIX caracteriza-se por dois fatores que determinaram o seu rápido progresso. O primeiro é a evolução da clínica através dos resultados da investigação científica. Dedicam-se à arte, não os empíricos, mas sim médicos que para executar esta arte estudaram extensamente anatomia e anatomia patológica. Subsistem todavia até metade do século escolas de Cirurgia que autorizam o exercício desta arte sem exigir preparação alguma de outros estudos. O segundo, e talvez o mais importante, são os progressos da técnica operatória (2).

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Além do eu: literatura, história e memória em Teresina etc., de Antonio Candido.

Além do eu: literatura, história e memória em Teresina etc., de Antonio Candido.

Se o segundo capítulo concentra-se no ser de Teresina e em sua forma de conceber e viver a militância pelo socialismo, o terceiro expande o leque de interesse e de personagens para voltar a concentrar-se nela no final, ou, mais especificamente, no peso e na medida com que ela “re-escolhe” os amigos, depois do trauma fascista, mantendo-os ou borrando-os do coração e da me- mória, o que se metaforiza economicamente na descrição de Antonio Candi- do pelo retrato do amigo que se distanciou do fascismo em tempo, e que ela conservou na parede, em oposição ao bilhete feroz com que encerrou sua amizade com um amigo liberal, que se aderiu ao fascismo. Duas mensagens simbólicas, cujo sentido, para a vida de Teresina e para o entendimento do velho socialismo ítalo-paulista (capítulo importante da história do Brasil e do socialismo em geral), o intérprete sensível desvelou 5 .
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História com ficção: a confecção narrativa da história e da literatura

História com ficção: a confecção narrativa da história e da literatura

Já que um mundo não pode ser fictício em si próprio, entre a realidade e a ficção a diferença não se encontra no próprio objeto, mas em nós, que convivemo& com e transita- mos[r]

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Em busca de novos horizontes : Açores, emigração e aculturação nos finais do séc. XIX, inícios do séc. XX

Em busca de novos horizontes : Açores, emigração e aculturação nos finais do séc. XIX, inícios do séc. XX

zido número de terratenentes em discrepância com o insignificante índice de pequenos proprietários impedia o natural apego à terra por parte daque- les que a trabalhavam, em troca de parca remuneração ou como contra- partida de uma elevada renda. Por outro lado, os factores conjunturais materializados em calamidades diversas repartidas por crises sismicas ou vulcânicas, violentas intempéries ou moléstias destruidoras de colheitas ou de determinadas culturas, não foram de somenos importância, pois afectavam penosamente a vida dos mais desfavorecidos, fazendo abater um sentimento de insegurança sobre o quotidiano. Albergaria de Sousa e João Bento de Mântua, autores que viveram no século XIX, ao analisarem as causas da incapacidade de transformar a sociedade açoriana segundo os moldes do capitalismo, atribuiram à defeituosa organização política imposta pelo absolutismo e à estagnada e anquilosada estrutura social, a total responsabilidade pelo atraso das ilhas e, por conseguinte, pelos anseios de uma vida diferente e melhor que muitos buscavam fora da pátria 6 .
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A leitura de uma ficção: A história sem fim

A leitura de uma ficção: A história sem fim

À medida que a “A história sem fim” segue o seu caminho, acompanhamos o nosso herói ir se perdendo nesse curto-circuito, nos meandros das imagens plásticas, sempre confiando no símbolo que lhe fora entregue pela Imperatriz, a Senhora dos Desejos, a que trazia no seu torso a seguinte inscrição: “Faça o que quiser”. A loucura, pouco a pouco, ia tomando conta dele. Suas realizações nunca chegavam ao fim, pois não havia um eixo diretor. Enquanto isso, seu “eu” (moi) ia ocupando um espaço enorme, até o ponto em que, confrontando-se num combate por puro prestígio (a - a’), Bastian mata Atreiú. Isto, ao contrário de aliviá-lo, só faz aumentar a angústia da falta de limites. No entanto, Bastian havia consentido com a entrada de um traço, com a bejahung primordial, e sabia que, se persistisse nesse caminho, iria ficar, para sempre, no seio desse Outro, submetido a esse desejo enlouquecido.
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Michel de Certeau e a ficção da História

Michel de Certeau e a ficção da História

Freud pensava estritamente os eventos psíquicos não dentro de um quadro sincrônico, mas a partir de um modelo que incorpora a diacronia e, portanto, a narrativa. “Em suma, sem romance, não há historicidade” (Certeau, 2011a, p. 96). Assim, Freud expõe para a História que ela é também um writing, uma construção escritural que é uma organização performativa de significantes que articula o heteróclito em um tempo discursivo diegético, guardando o silogismo apenas na aparência (Certeau, 2011b, pp. 89-108). Um discurso misto: narrativo e silogístico, um entre-dois, entre-deux, entre a ciência e a ficção.
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A escrita violinística na tradição da escola franco-belga do séc. XIX

A escrita violinística na tradição da escola franco-belga do séc. XIX

N. Paganini (1782-1840) assume-se como uma figura relevante na história do violino, pela inovação técnica que aplicou ao instrumento e pela inspiração e influência que exerceu sobre o desenvolvimento do virtuosismo instrumental que se fez notar no universo musical europeu do séc. XIX e, em particular, na escola franco- belga. É habitualmente evocado como o maior violinista de todos os tempos. Mais objetivo será dizer que foi um violinista à frente do seu tempo, com um carisma único, grandes capacidades natas, mas também muitas horas de dedicação ao instrumento. A sua performance fez progredir o limite técnico do violino e, enquanto outros violinistas tentavam dominar as passagens mais inovadoras das suas obras, um novo nível de exigência foi criado.
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Medições com recurso a modelos BIM: reabilitação de casa do séc. XIX

Medições com recurso a modelos BIM: reabilitação de casa do séc. XIX

No entanto ao importar o ficheiro IFC para Revit o programa recetor acusa erros de geometria (“Can´t keep elements joined”, Figura 21).. Medições com recurso a modelos BIM – Reabilitaç[r]

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A organização do trabalho da pesca, em finais do séc. XIX, na Póvoa de Varzim

A organização do trabalho da pesca, em finais do séc. XIX, na Póvoa de Varzim

Esta tipologia terá que ter em conta um aspecto importantíssimo na evolução das rela- ções entre as formações pré-capitalistas das pescas e a sua integração num sistema de mer- cado 35 . Com efeito, é bem certo que, atendendo à proximidade de portos comerciais e à dina- mização do sector do turismo, surgem pescadores que compatibilizam várias ocupações tendo em conta o próprio ecossistema em que estão inseridos e o mercado que os solicita (pescadores-barqueiros, pescadores-marinheiros, pescadores-vendeiros, pescadores-taber- neiros, etc). Mais ainda, o desenvolvimento de sectores a jusante da pesca, como a indústria conserveira, de congelados, e de rações animais acentuou o carácter de exclusivo trabalho no sector.
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A corneta de Chaves em Portugal séc. XIX: composições de Santos Pinto

A corneta de Chaves em Portugal séc. XIX: composições de Santos Pinto

O século XIX proporcionou uma mudança das audiências em concertos, aumentou o envolvimento de amadores com as bandas de música, tornou oportuno o aparecimento de instrumentos com novas modificações e a disponibilidade de edições de partituras económicas, tudo isto contribuindo de certa forma para a abundância de material educativo 47 . A actividade da indústria editorial na realidade representava uma explosão de conhecimento quando comparada com a escassa oferta de métodos para a aprendizagem de instrumentos como o caso da corneta de chaves 48 . Apenas uma pequena quantidade de documentos anteriores a 1850 estão realmente direccionados para aspectos relacionados com a aprendizagem deste instrumento, segundo Dudgeon (2004) o artigo elaborado por Scott Sorenson em 1987 “Printed Trumpet Instruction to 1835” (in ITG Journal Vol.12 Nº1) é o único documento que nos permite ter acesso a um catálogo destes princípios pedagógicos 49 .
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História, memória e ficção: que fronteiras?

História, memória e ficção: que fronteiras?

Compreende-se assim a capacidade que um grande romancista tem de representar o ausente de um modo mais verossímil do que o historiador poderia fazê-lo. A atenção aos “detalhes, às incertezas, ao aleatório” (HARTOG 2013, p. 178), contribuem decisivamente para esse efeito. Como notou Roland Barthes, com a modernidade emergiu um novo verossímil que foi o realismo, no sentido de “todo o discurso que aceita enunciações creditadas unicamente pelo referente”. É certo que a história dotada de uma intenção de captar o “real” de um modo objectivo – a par de outros instrumentos de autentificação como a fotografia, exposições de antiguidades ou culto de lugares de memória – precedeu o realismo na literatura (BARTHES 1987, p. 136). Mas, como podia (ou pode) o historiador penetrar na “história íntima dos homens que já não são” a que se referia Herculano, quando não há documentos que lhe forneçam sustentação? Se os comportamentos dos nossos contemporâneos, com quem convivemos, surpreendem-nos a cada dia para o bem e para o mal, se a comunicação entre amigos e entre amantes é tudo menos linear e transparente, 5 como admitir que
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Arquitetura e espaços escolares na escola portuguesa (Período do Séc. XIX e Séc. XX) : Lugares de memória

Arquitetura e espaços escolares na escola portuguesa (Período do Séc. XIX e Séc. XX) : Lugares de memória

A realidade portuguesa, no séc. XIX, pautou-se com reformas educativas (Costa Cabral, Passos Manuel) e com a construção dos edifícios escolares, num processo lento e custoso, apesar da prioridade pela instrução pública, reiterado com a eclosão do liberalismo, que previa a sua gratuitidade. Essa obrigatoriedade de frequentar a escola primária, com mais de 7 anos de idade ficou legislada no Regulamento Geral da Instrução Primária, de 7/09/1835. A retoma do ensino privado pelos jesuítas a partir de meados do séc. XIX até 1910, não impediu que as reformas educativas privilegiassem a construção de edifícios para escolas primárias, pois até finais desse século o ensino, acontecia em edifícios existentes com grande diversidade morfológica, desde construções a pequena escala, por exemplo a casa/habitação do professor, antigos conventos ou colégios jesuíticos, palácios até dependências municipais reutilizadas, etc.
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