financeirização da economia

Top PDF financeirização da economia:

O megaprojeto arena do Grêmio e bairro liberdade e sua adequação à financeirização da economia imobiliária na metrópole de Porto Alegre-RS / The megaproject arena of the Grêmio and neighborhood freedom and its adequacy to the financialization of the real

O megaprojeto arena do Grêmio e bairro liberdade e sua adequação à financeirização da economia imobiliária na metrópole de Porto Alegre-RS / The megaproject arena of the Grêmio and neighborhood freedom and its adequacy to the financialization of the real estate economy in the metropolis of Porto Alegre-RS

O trabalho de Bonicenha (2017) deixa claro que (ainda) não há consenso sobre o significado do conceito de financeirização. Entretanto, podemos utilizar aqui o entendimento de que “financeirização da economia imobiliária” seria a abertura de capital das grandes construtoras e incorporadoras, a emissão de papeis financeiros com lastro na atividade imobiliária, as cotas de fundos de investimento imobiliário, a que Sanfelici (2013b) se refere. Tais mudanças foram acompanhadas do aumento da oferta de crédito e da contratação de financiamentos habitacionais, suscitando uma mudança no padrão de consumo de imóveis tanto para uso como para investimento. Entretanto, essa mudança pode ser percebida percolando as várias camadas de nossa sociedade e da materialidade de nosso mundo, e nesse trabalho apresentaremos uma das variantes dessa atuação da financeirização sobre o espaço urbano. Realizaremos uma costura entre diferentes escalas geográficas, a de atuação do capital global, que é ampla, fluida e imediatista, e a local urbana, cujo impacto é percebido de forma dura e material no espaço e no cotidiano urbano.
Mostrar mais

13 Ler mais

A expropriação da previdência pública como estratégia de financeirização do capital

A expropriação da previdência pública como estratégia de financeirização do capital

Dessa forma, Fontes (2010) conclui sobre o capitalista financista que “a atividade específica da extração de sobretrabalho não lhe diz respeito. Seu problema é assegurar a venda do capital monetário, tendo como contra- partida sua reprodução ampliada” (Idem, p. 25; grifos da autora). É possível compreender que os interesses de investimentos no setor produtivo e na indústria dão lugar aos investimentos em áreas de grande atração do setor especulativo-financeirista (juros, títulos públicos, ações, seguros, fundos de pensão, Bolsa de Valores etc.), no qual os bancos passam a ter importância estratégica para o desenvolvimento do capital monetário. Contudo, vem de Fontes (2010) a própria advertência aos capitalistas monetaristas em relação às consequências que o desinteresse pela relação de exploração, produção e reprodução da mais-valia pode vir a acarretar na acumulação capitalista, baseada apenas na financeirização da economia. Segundo a autora, “O sonho dourado D-D’ depende da transfusão permanente que resulta da atividade da força de trabalho, concatenada por d-m-d’” (Idem, p. 30). Neste caso e, de alguma forma, a relação d-m-d’ interfere diretamente para que D (dinheiro) transforme-se em D’ (mais dinheiro).
Mostrar mais

20 Ler mais

Impactos da financeirização sobre a fragilidade micro e macroeconômica: um estudo para a economia brasileira entre os anos de 1995-2012

Impactos da financeirização sobre a fragilidade micro e macroeconômica: um estudo para a economia brasileira entre os anos de 1995-2012

Esta tese teve como objetivo analisar os impactos da financeirização da economia brasileira sobre as empresas não financeiras de capital aberto, no período de 1995 a 2012, bem como seus reflexos sobre a fragilidade destas empresas e da economia como um todo. Adotou-se o conceito proposto pelos regulacionistas franceses, em que a financeirização é um novo regime de acumulação, no qual as atividades produtivas são subordinadas às finanças. Neste processo tem-se uma busca por resultados de curto prazo, em detrimento dos de longo prazo, comprometendo o desempenho das empresas e da economia. O primeiro capítulo faz uma discussão teórica sobre o conceito e o processo de financeirização e combina as teorias regulacionista e pós-keynesiana para analisar seus efeitos sobre a fragilidade micro e macroeconômica. O segundo capítulo mostra como o ambiente macroeconômico e institucional condicionaram o surgimento do processo de financeirização da economia brasileira nos anos de 1980 e sua ampliação nas décadas de 1990 e 2000, bem como seus efeitos sobre as empresas não financeiras de capital aberto. Para isso foram analisados os dados econômicos e financeiros disponíveis nos relatórios contábeis destas empresas, de 1995 a 2008, relacionando-os ao processo de financeirização. O terceiro capítulo estuda as empresas não financeiras do Novo Mercado (NM) e do Nível 2 (N2) utilizando a estrutura de propriedade e controle e os mecanismos de governança para investigar sua adesão à maximização da riqueza do acionista, uma vez que o alinhamento a essa forma de governança corporativa é a contrapartida microeconômica deste novo processo de acumulação, em que as decisões produtivas estão subordinadas à rentabilidade do capital financeiro. Os resultados encontrados mostraram
Mostrar mais

178 Ler mais

Financeirização e acumulação de capital no Brasil

Financeirização e acumulação de capital no Brasil

investimento em ativos financeiros por parte das empresas não-financeiras indica uma mudan ça de objetivos da gestão dessas empresas, adotando “preferência rentista”. Stockhammer observa que o aumento dos lucros financeiros em conjunto com as mudanças na governança corporativa das empresas levou a uma mudança nas prioridades e nos incentivos dos seus gestores. As empresas passaram a focar no retorno de curto prazo ao invés de retorno de longo prazo dos investimentos, adotando um comportamento típico dos mercados financeiros. A mudança na gestão e no horizonte de retorno do investimento provoca um efeito negativo sobre o investimento real. O autor destaca que o processo de financeirização da economia mundial empurrou as empresas não-financeiras a agirem como agentes do mercado financeiro em busca de retorno no curto prazo. Vale destacar que essa tendência se tornou evidente na economia brasileira após a crise financeira mundial de 2008, em que empresas não-financeiras quase encerraram as suas operações em decorrência dos prejuízos acumulados no mercado financeiro. Apesar disso, os estudos nessa área para a economia brasileira ainda são incipientes.
Mostrar mais

90 Ler mais

O ESTADO BRASILEIRO: TRANSFORMAÇÕES SOB A ÉGIDE DA FINANCEIRIZAÇÃO

O ESTADO BRASILEIRO: TRANSFORMAÇÕES SOB A ÉGIDE DA FINANCEIRIZAÇÃO

Esse trabalho tem como objetivo analisar como a financeirização modificou a inserção do Estado brasileiro na economia. Com este intuito, busca-se primeiramente caracterizar a financeirização e compreender como esta faz parte da própria lógica do capital – partindo da concepção marxista – na qual o capital portador de juros se posta como a forma mais bem acabada do capital, com aparente desprendimento do capital financeiro com relação à esfera produtiva. Assim, a financeirização caracterizar-se-ia pela própria necessidade de reprodução do capital, que após forte acúmulo nas décadas de 1960 e 1970, demanda novas formas de reprodução. Isto impulsiona a crescente diversificação dos instrumentos financeiros, o surgimento de novos agentes capazes de concentrar capital, desregulamentação e desintermediação dos mercados, além da globalização financeira – e comercial. Os países latino-americanos foram inseridos nesse movimento por meio do fluxo de capitais fornecidos justamente pela excessiva liquidez internacional à época – e pela necessidade de reprodução desse capital – e que gerou um forte endividamento público. Esta fase do capitalismo gerou profundas mudanças na forma de atuação dos Estados Nacionais, o que se fez sentir nos países latino-americanos por meio da adoção do “neoliberalismo”. No Brasil tal movimento ocorreu em meio à crise do Estado desenvolvimentista, que não poderia mais abarcar os interesses da classe dominante. Estes agora estão organizados em torno dos ganhos financeiros nacionais e mundiais. Assim, analisa-se a adoção do neoliberalismo e as medidas adotadas, tais como a abertura financeira e comercial, além da privatização e da adoção de políticas econômicas liberais – todas as transformações criavam mecanismos para reprodução do capital financeiro. A financeirização da economia modificou plenamente a atuação do Estado, antes desenvolvimentista e atrelado a ganhos produtivos, que se afastou da intervenção direta no crescimento econômico. Tais mudanças tornam-se claras quando se analisa a evolução da execução orçamentária do Estado, que antes mostrava grandes gastos em investimento e em funções ligadas ao desenvolvimento – tais como indústria, comércio e serviços, energia, transportes – e ao longo das décadas de 1990 e 2000 vai paulatinamente reduzindo o dispêndio nesses e eleva os gastos atrelados ao setor financeiro, com pagamento de juros e amortização da dívida pública. Tanto a análise por meio dos grupos de despesa quanto por função mostram esse mesmo resultado. Tem-se, então, que a financeirização pauta nesse início de século XXI as prioridades nos gastos e em toda sorte de ações realizadas pelo Estado Nacional brasileiro.
Mostrar mais

141 Ler mais

Estado e financeirização no Brasil: interdependências macroeconômicas e limites estruturais ao desenvolvimento 

Estado e financeirização no Brasil: interdependências macroeconômicas e limites estruturais ao desenvolvimento 

Além dessa introdução, o texto se organiza como segue. A seção 1 situa o conceito de Estado dentre as cinco formas institucionais que compõem as estruturas básicas dos regimes de crescimento e acumulação de capital, em conformidade com as categorias teóricas dessa abordagem. Apresenta-se o conceito de regime fisco- financeiro e sua vinculação macroeconômica com o regime de acumulação vigente. A seção 2 estabelece uma periodização das relações Estado-economia no Brasil, em sua evolução de longo prazo. Destaca suas principais características e prepara a aplicação dessas categorias da análise regulacionista à realidade histórica do país, mantendo-se, porém, numa perspectiva qualitativa. Na seção 3, o foco analítico afirma-se quantitativo, sendo utilizadas técnicas econométricas para tratar do Estado brasileiro enquanto forma institucional hierarquicamente subordinada aos imperativos do setor bancário-financeiro. Analisam-se as relações dívida pública- crescimento e se discutem questões correlatas, como sua funcionalidade no processo de financeirização da economia brasileira. Busca-se caracterizar o regime fiscal sob domínio das finanças, que bloqueia a sustentabilidade do crescimento econômico e impede a implementação de uma estratégia nacional de desenvolvimento. Destaca- se, também, em que medida as finanças públicas permanecem sujeitas aos imperativos da acumulação rentista-patrimonial, convertendo-se em um limite estrutural ao desenvolvimento socioeconômico do país. O artigo é concluído mediante considerações mais gerais em relação aos papéis do Estado e as perspectivas da economia e sociedade brasileiras.
Mostrar mais

38 Ler mais

Por que o setor bélico estadunidense tende a agravar os problemas da economia? — Outubro Revista

Por que o setor bélico estadunidense tende a agravar os problemas da economia? — Outubro Revista

Ou seja, o Estado gastador gera inflação e, em seguida, tenta im- pedir que aquela alcance níveis intoleráveis e, para isso, se lança a gastar mais uma vez (com juros) para “enxugar” parte do capital fictício. A montanha de capital fictício não para de crescer e é des- sa forma que a economia armamentista tem ligação direta com a financeirização da economia e o endividamento público. Tais des- pesas públicas – e seus juros altos – também encarecem os custos do setor não bélico. Se o pano de fundo for uma economia pro- dutiva em recessão – ou com dificuldade para crescer e frequente tendência à estagnação, caso da economia mundial desde os anos 1970 – não há como atenuar aquele fardo.
Mostrar mais

18 Ler mais

OS ARRANJOS JURÍDICO DO MERCADO FINANCEIRO NO CONTEXTO DO CAPITALISMO   André Gomes de Sousa Alves

OS ARRANJOS JURÍDICO DO MERCADO FINANCEIRO NO CONTEXTO DO CAPITALISMO André Gomes de Sousa Alves

Atento ao fenômeno da financeirização da economia, observa-se que, do ponto de vista microeconômico, os poupadores finais depositam seus recursos no investimento financeiro, adquirindo títulos que possam permitir a capitalização de suas poupanças. Há uma inter-relação entre agentes e setores da economia no fluxo de bens e serviços destinados ao consumo e à acumulação. Isso baseado no fator de que, como parte da renda não é consumida integralmente, forma-se a chamada poupança, que representa o excedente da renda sobre o consumo. Na seqüência, o investimento significa a aplicação de recursos com expectativa de lucro, ou, mais especificamente, de elevação da capacidade produtiva, representando, em contraponto ao consumo, um dos caminhos que pode ser dado ao capital.
Mostrar mais

26 Ler mais

Operação Urbana Consorciada Vila Sônia: conflitos socioespaciais na reprodução da...

Operação Urbana Consorciada Vila Sônia: conflitos socioespaciais na reprodução da...

As hipóteses iniciais eram de que as operações urbanas são instrumentos urbanísticos que acentuam a lógica da financeirização da produção do espaço urbano; os grandes projetos urbanísticos fazem parte da lógica de ordenação espaço-temporal, resultante da passagem do capitalismo fordista para o capitalismo flexível; as operações urbanas na metrópole paulistana estão contribuindo para a formação de uma cidade-região – poderíamos aqui chamar de espaço absoluto, para atender às novas dinâmicas e interesses do capital, como aponta Neil Smith em seu livro Desenvolvimento Desigual: Natureza, Capital e a Produção do Espaço; a Operação Urbana Consorciada Vila Sônia se articula e dá continuidade às transformações provocadas pela Operação Urbana Faria Lima, pois as diversas obras viárias que estão sendo realizadas e previstas para a região oeste de São Paulo facilitarão a integração dessa área do município ao eixo Faria Lima-Berrini, ampliando desta forma a fronteira de expansão para as diversas frações do capital, mas especialmente para o capital imobiliário no município de São Paulo.
Mostrar mais

334 Ler mais

Cad. Metrop.  vol.19 número39

Cad. Metrop. vol.19 número39

economia política norte-americana, como o regime urbano e as teorias de máquinas de crescimento. Por último, o dossiê deste número de Cadernos Metrópole publica a reflexão proposta por Rodrigo Hidalgo Dattwyler, Voltaire Christian Alvarado Peterson e Daniel Santana Rivas, em La espacialidad neoliberal de la producción de vivienda social en las áreas metropolitanas de Valparaíso y Santiago (1990-2014): ¿hacia la construcción idelógica de un rostro humano? , sobre como o neoliberalismo em torno da política de habitação social, praticada nas cidades chilenas de Valparaíso e Santiago, no período 1990-2014, constituiu discursos humanistas que atuam como o que os autores chamam ideologias espaciais legitimadoras da expansão da produção imobiliária capitalista e mercantilizadora da cidade.
Mostrar mais

4 Ler mais

Economia Agraria   Joelson Gonçalves de Carvalho

Economia Agraria Joelson Gonçalves de Carvalho

Na definição da agenda governamental e seu desdobramento em planos, progra- mas e projetos de políticas públicas, o Estado necessita saber quem é seu público- -alvo. Como, por exemplo, definir o valor a ser destinado ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), se o governo não tem claro quem são os agricultores familiares? Dimensionada a agricultura familiar e seu grau de necessidades, as políticas públicas destinadas a estes agricultores passam a ser mais efetivas. Outro fator importante de ressaltar: tendo um critério claro de definição de agricultor familiar, pode-se aferir sua participação tanto absoluta como relativa na economia. No caso brasileiro, com essa separação entre familiar e não familiar (ou patronal), o censo deixou claro que os estabelecimentos familiares são os maiores responsáveis pela ocupação da mão de obra no meio rural e também pela produção de alimentos.
Mostrar mais

248 Ler mais

UNISERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

UNISERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

Uma das conseqüências do crescimento do setor terciário é o crescimento da concentração da população na forma de sociedades urbanas, implicando na organização a organização do território e do espaço geográfico. A organização e a expansão do setor terciário envolve hoje todos os aspectos da produção econômica tradicional, ou seja, o setor terciário está impregnando, de forma crescente, todas os outros setores da economia que exercem influência no setor terciário, como ocorre com a modernização industrial. Ou seja, a produção industrial se tornou muito sofisticada, o aumento da importância de suas atividades antes e após à fabricação do produto propriamente dito, com a inclusão do setor dos serviços, como os estilistas e propagandistas, entre outros, implicando na procura de produtos com qualidade e preço acessível em um mercado cada vez mais concorrências (SABÒIA,1992).
Mostrar mais

77 Ler mais

Cad. Metrop.  vol.19 número39

Cad. Metrop. vol.19 número39

Se essa nova economia urbana é susten- tada por fluxos de renda em parte advindos de outros espaços, o setor imobiliário cria um me- canismo semelhante em relação aos serviços avançados: apreende parte dos valores que ele extrai de uma base produtiva maior através da remuneração da renda da terra, criando opor- tunidades para o capital rentista organizado no setor imobiliário em novos patamares. E, nesse processo, esse espaço urbano transformado em mercadoria, produto do capital imobiliário, tor- na-se também um produto financeiro, um título lançado no mercado e que concorre com ou- tros papeis – desde ações até títulos de dívida pública ou derivativos diversos. Nisso, há um processo de financeirização do espaço urbano que é mais aprofundado que a simples vincula- ção do imobiliário ao mercado de capitais, pois trata-se de uma abertura para que o setor fi- nanceiro atue na própria cidade transformada em fábrica social , tendo a renda da terra como uma forma de canalização de valor da econo- mia imaterial urbana do terciário avançado.
Mostrar mais

22 Ler mais

Vida, saúde e trabalho: dialogando sobre qualidade de vida no trabalho em um cenário de precarização.

Vida, saúde e trabalho: dialogando sobre qualidade de vida no trabalho em um cenário de precarização.

tividade & qualidade (sábia exigência societária que volta à cena no contem- porâneo, parcialmente subordinadas ao capital) têm que ser perseguidas em conjunto. A produção capitalista deparou-se com a percepção (distorcida pela financeirização) de que não se trata apenas de qualidade do produto, inclusive porque ela só pode ser garantida pelo controle de qualidade no processo de produção (não só no processo de trabalho, mas nas relações sociais de pro- dução), revelando o quanto se está na dependência dos operadores efetivos deste processo, de sua implicação, automobilização, das relações estabele- cidas com eles e entre eles. Ou seja, um campo de forças profundamente contraditório, a partir do qual aberturas poderiam ser possíveis. 9 Porém,
Mostrar mais

11 Ler mais

Teorias do imperialismo e da dependência: a atualização necessária ante a financeirização...

Teorias do imperialismo e da dependência: a atualização necessária ante a financeirização...

Em trabalho posterior à obra famosa com Faletto e escrito desta vez com José Serra, 30 Cardoso vai explicitamente divergir dos autores filiados à visão marxista, afirmando que os mesmos são economicistas – tal como os weberianos fazem comumente em relação aos marxistas –, estagnacionistas e tendem a minimizar os fatores internos quando da determinação da dependência. Em relação à acusação de economicismo, Cardoso afirma que a política se apresenta como uma esfera autônoma, sendo que a luta que se exerce no interior dessa esfera encontra no econômico apenas uma forma de manifestação. Quanto a isto, Marini (2000b, p. 231) se defende afirmando que, “reduzida a si mesma, a luta política se vê assim desprovida de qualquer base explicativa sólida”, no sentido marxista de que é a própria materialidade econômica que determina em que termos se dão as relações nos níveis social, político e até mesmo espiritual. É também atribuído aos marxistas o argumento do estagnacionismo, com a afirmação de que, se, para esses autores a dependência apresenta restrições externas ao crescimento, as economias periféricas não poderiam crescer e estariam fadadas à estagnação. Na verdade, o cerne do argumento é outro. Refere-se ao fato de que, por estar inserida na lógica da acumulação capitalista – se utilizando muito fortemente, inclusive, de mecanismos de superexploração do trabalho –, quanto mais a periferia cresce, mais ela fortalece as diferenças próprias desta lógica. “Dessa forma, em situação de dependência, maior desenvolvimento capitalista, com o crescimento da economia dependente, implica maior dependência, o que não é sinônimo de estagnação” (CARCANHOLO, 2004, p. 13). Por fim, no que diz respeito à crítica de que os marxistas supervalorizam os fatores externos enquanto determinantes da dependência, a resposta cabível envolve a ideia de que é a própria aderência dos grupos internos à ideologia e aos projetos divulgados pelos grupos externos de dominação que determina, por exemplo, a opção de inserção externa passiva feita pelos países da América Latina, especialmente na década de 1990. Deste modo, o externo exerce grande influência sobre o interno, mas os grupos pertencentes a esta última esfera apenas aceitam estas imposições porque elas vão ao encontro da concretização de seus interesses particulares.
Mostrar mais

161 Ler mais

Regime de crescimento, restrição externa e financeirização: uma proposta de conciliação.

Regime de crescimento, restrição externa e financeirização: uma proposta de conciliação.

De acordo com Epstein, a financeirização (financialization) pode ser entendida como “the increasing role of financial motives, financial markets, financial actors and financial institutions in the operation of the domestic and international economies” (2005, p. 3). Essa definição, se, por um lado, é bastante geral e, por isso mesmo, encontra dificuldades em conferir significado preciso e operacional ao conceito, por outro, permite que se tenha uma percepção dos impactos abrangentes do regime monetário e financeiro sobre os demais âmbitos da vida econômica e social de um país e alhures. Ademais, com essa definição, pode- se perceber que as manifestações desse fenômeno podem apresentar formas variadas tanto no tempo como no espaço.
Mostrar mais

32 Ler mais

O capital acionário e sua necessidade: elementos para a compreensão do processo de financeirização da firma 

O capital acionário e sua necessidade: elementos para a compreensão do processo de financeirização da firma 

administradas (Chandler, 1993, p. 10; ver também Berle; Means, 1984; Galbraith, 1968), negligenciando em boa medida os efeitos de suas decisões sobre os movimentos de curto prazo dos preços das ações por elas emitidas. Esse estado de coisas, porém, se alterou drasticamente no último quartil do século XX, quando a alta burocracia corporativa passou a dedicar cada vez mais atenção aos movimentos desses preços, os quais por sua vez se autonomizaram progressivamente em relação ao processo de acumulação efetiva de capital – perdendo, assim, a capacidade de exprimir a capacidade da empresa de produzir valor e mais-valor (Sloan, 1996; Zajac; Westphal, 2004). A partir de então, observou-se um desmedido foco da alta burocracia corporativa em resultados financeiros de curto prazo. Consequentemente, as grandes corporações passaram não apenas a elevar a proporção dos lucros distribuída sob a forma de dividendos (Crotty, 2003), diminuindo a parcela retida e comprometendo sua capacidade de investimento, mas também a alocar uma proporção cada vez maior de seus recursos em ativos e atividades de caráter puramente financeiro (Krippner, 2005) e a reduzir o horizonte temporal de realização de seus investimentos produtivos (L azonick; O’Sullivan, 2000). E isso, segundo os teóricos da financeirização da firma, teria resultado na queda da taxa de investimento e na desaceleração do crescimento da produtividade, fenômenos por sua vez associados à redução do ritmo da acumulação de capital (Stockhammer, 2004), à diminuição da taxa de crescimento da economia e, em última instância, à instabilidade que resultou na catástrofe de 2008 (Stockhammer; Lavoie, 2013, várias contribuições) 2 .
Mostrar mais

30 Ler mais

Determinantes das taxas de lucro e de acumulação no Brasil: os fatores estruturais da deterioração conjuntural de 2014-2015

Determinantes das taxas de lucro e de acumulação no Brasil: os fatores estruturais da deterioração conjuntural de 2014-2015

entretanto, a redução da influência positiva desses fatores sobre a performan- ce macroeconômica brasileira reafirmará o caráter bloqueador da financeirização pela renda de juros sobre a acumulação produtiva. em consequência, a expansão das alocações financeiras em detrimento da formação bruta de capital fixo das empresas se afirmaria nesse contexto em seus objetivos defensivos em face da de- terioração conjuntural. essa é uma das razões para a ineficácia das políticas gover- namentais de desonerações fiscais e demais medidas de reativação da economia por estímulos ao investimento e à demanda. como vimos mais acima, as empresas do setor produtivo já haviam entrado em uma trajetória de rápido declínio da taxa de lucro empresarial decorrente de causas estruturais. em consequência, dada a queda da demanda efetiva, as desonerações fiscais tornaram-se ineficazes para elevar a taxa de investimento e provavelmente foram usadas para quitar fornecedores e manter margens mínimas de rentabilidade.
Mostrar mais

24 Ler mais

Cad. CRH  vol.30 número79

Cad. CRH vol.30 número79

O objeto de análise deste artigo é o processo de crescente financeirização na empresa líder em aeronáutica no Brasil, a EMBRAER – Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A, hoje, apenas EMBRAER S.A –, e os impactos sobre seus trabalhadores diretos e indiretos. A EMBRAER é a terceira maior produtora de aviões comerciais do mundo, cujo patamar de concorrência a faz primar por tendências organizacionais hegemônicas em âm- bito mundial. A investigação, centrada em análise de conteúdo, a partir de documentos oficiais e pesquisas científicas até então publicadas, constatou quatro principais momentos de imbricação entre capital produtivo e capital fictício desde a sua privatização, em 1994, até o ano de 2012, quando se encerra a pesquisa: 1) a partir da década de 1990, quando a empresa foi privatizada; 2) de forma mais determinante, no início dos anos 2000, com a produção de aviões comerciais da família EMBRAER 170/190; 3) com a posterior pulverização de capitais, em 2006; e, por fim, 4) na mudança de razão social para fins de ampliação de áreas de atuação da empresa, em 2010. O contexto em que se dão tais mudanças é o de mundialização do capital e prevalência de acumulação fictícia de capital, com fortes impactos sobre intensificação do uso da força de trabalho. P alavras - CHave : Financeirização. Trabalho. EMBRAER. Reestruturação Produtiva. Exploração.
Mostrar mais

20 Ler mais

Financeirização do Estado, erosão da democracia e empobrecimento da cidadania: tendências globais?.

Financeirização do Estado, erosão da democracia e empobrecimento da cidadania: tendências globais?.

Resumo Este artigo aborda a questão do avanço internacional do regime neoliberal, contexto da formulação de políticas que focalizam a pobre- za, inclusive em países centrais. Em debates re- centes, termos como ‘cidadania’ e ‘democracia’ têm sido sujeitos à interrogação crítica, revelan- do m udanças na relação cidadão/Estado que acom panham a hegem onia de critérios econô- m icos e a financeirização dos Estados nacio- nais. Argumentamos que tais processos globais requerem uma abordagem ampla, de uma pers- pectiva de economia política, capaz de iluminar como a substância da democracia e a legitimida- de da autoridade estatal têm sido condicionadas pelo avanço de novos atores globais que repre- sentam os interesses do capital, favorecendo a concentração da riqueza e o aumento da pobre- za, da desigualdade e da exclusão, e instaurando uma insegurança vital que atinge a maioria da população em nível mundial.
Mostrar mais

14 Ler mais

Show all 7586 documents...

temas relacionados