Governo militar - Brasil - 1964-1985

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O acesso à informação e o parlamento brasileiro: estudo sobre a produção legislativa no período da ditadura militar (1964-1985)

O acesso à informação e o parlamento brasileiro: estudo sobre a produção legislativa no período da ditadura militar (1964-1985)

No último governo militar (presidente Figueiredo, 1978-1985) foram apresentados vários projetos que procuravam enfraquecer a linha-dura e fortalecer as iniciativas de abertura política. Alguns deles foram aprovados dando origem a importantes leis que definiram a redemocratização, como a “Lei da Anistia” (BRASIL. Câmara dos Deputados, 1979) e a “Nova Lei Orgânica dos Partidos” – Lei 9.096, de 19 de setembro de 1995 (BRASIL. Câmara dos Deputados, 1995). Essas iniciativas buscavam abolir a censura à imprensa, a revogação da lei de imprensa, a extinção do SNI e o acesso dos cidadãos às suas informações pessoais em bancos de dados, entre outros.
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Educação física escolar e ditadura militar no Brasil (1964-1985): balanço histórico e novas perspectivas .

Educação física escolar e ditadura militar no Brasil (1964-1985): balanço histórico e novas perspectivas .

As produções acadêmicas consultadas apresentam um consenso sobre a consonância entre a prática da Educação Física escolar e os interesses de um governo militar autoritário, fortemente atrelado a uma burguesia nacional, associada ao capital internacional (CASTELLANI FILHO, 1988; GHIRALDELLI JUNIOR, 1988; BETTI, 1991; BRACHT, 1992; SOARES et al., 1992). Dessa maneira, o ensino da Educação Física nas instituições educacionais – reduzido à prática de algumas modalidades esportivas, pautada pelo alto rendimento – foi interpretado como uma ação racional do Estado para: (a) adestrar iv fisicamente os escolares, tendo em vista o aumento do rendimento produtivo no mundo do trabalho; (b) formar atletas profissionais, considerando os possíveis benefícios políticos de conquistas esportivas no cenário internacional; e (c) pelo uso político do esporte, desviar a atenção da população de questões sociopolíticas.
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As recomendações das comissões da verdade no Brasil sobre os arquivos da ditadura militar (1964- 1985): uma análise dos relatórios finais

As recomendações das comissões da verdade no Brasil sobre os arquivos da ditadura militar (1964- 1985): uma análise dos relatórios finais

50. O processo de localização e abertura dos arquivos do período do regime militar, que teve grande evolução com a atuação da CNV, deverá ter prosseguimento. Os acervos das Forças Armadas, incluindo aqueles de seus centros de informação – Centro de Informações do Exército (CIE), Centro de Informações da Marinha (Cenimar) e Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa) –, bem como do Centro de Informações do Exterior (Ciex), que funcionou no Ministério das Relações Exteriores (MRE), deverão ser integrados em uma plataforma única em todo o país, que abranja toda a documentação dos órgãos do Sistema Nacional de Informações e Contrainformação (Sisni). O mesmo deverá ocorrer com os arquivos de todas as Divisões de Segurança e Informações (DSI) e Assessorias de Segurança e Informações (ASI) instituídas pela ditadura militar nos órgãos do governo federal, com vinculação ao Serviço Nacional de Informações (SNI).
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Da biopolítica à necropolítica contra os povos indígenas durante a ditadura militar brasileira (1964-1985)

Da biopolítica à necropolítica contra os povos indígenas durante a ditadura militar brasileira (1964-1985)

O regime político brasileiro de 1964 a 1985 tem seu nas- cimento com o golpe militar contra o governo do presidente João Goulart e foi homologado pelo Ministério da Defesa, ou seja, foi pensado, forjado e organizado pelo Exército Nacio- nal, sendo caracterizado como uma ditadura militar (Skidmore, 1991). Diante desse quadro político e social, é perceptível o au- mento da repressão da população em decorrência da relativiza- ção das liberdades individuais e dos direitos civis, bem como o aumento da violação dos direitos humanos, contudo, a violência contra os povos indígenas e as várias formas de resistência con- tra o genocídio remontam ao processo histórico de colonização do Brasil e de conquista da América. Na expressão de Todorov (2003, p. 7-8), “o século XVI veria perpetrar-se o maior genocídio da história da humanidade”. Isso porque os europeus promove- ram uma série de massacres e extermínios com base na visão eurocêntrica de superioridade frente à alteridade, conforme se evidencia pela Controvérsia de Valladolid, em que se discute a natureza dos povos indígenas, a fim tentar justificar a domina- ção pela violência e escravização 4 .
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Civismo e cidadania num regime de exceção: as políticas de formação do cidadão na ditadura civil-militar (1964-1985)

Civismo e cidadania num regime de exceção: as políticas de formação do cidadão na ditadura civil-militar (1964-1985)

Outra obra que merece destaque é Direitas em movimento: a campanha da mulher pela democracia e ditadura no Brasil, de Janaína Cordeiro, fruto de sua dissertação de mestrado, publicada também em 2009. A historiadora dedica-se ao estudo da Campanha da Mulher pela Democracia (Camde), criada em 1962, cujo produto mais notável foi a Marcha da Vitória, no Rio de Janeiro, dois dias após o golpe. A marcha realizada pela Camde foi equivalente às marchas que mobilizavam milhares de pessoas na capital paulista e outras cidades do País. Após o golpe, a Camde, para Cordeiro (2009, p.15), assim como outras organizações cívicas surgidas em oposição ao governo João Goulart, manteve-se atuante e saiu em defesa da intervenção militar, necessária diante daquilo que se considerava uma crescente ameaça comunista: a intensa mobilização social pelas reformas de base que eclodiram nos anos de 1960. Ao estudar a campanha, Janaína Cordeiro lançou luz sobre o apoio civil ao golpe de 1964 e ao regime, revisitando uma memória construída exclusivamente sobre a resistência civil ao regime.
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Ensino de ditadura civil-militar em tempos de “Escola Sem Partido” (Teaching of civil-military dictatorship in times of “School Without Party”)

Ensino de ditadura civil-militar em tempos de “Escola Sem Partido” (Teaching of civil-military dictatorship in times of “School Without Party”)

passada, com suas contradições, virtudes e equívocos, e com o acirramento das disputas políticas que culminariam no impeachment∕golpe da presidenta Dilma Roussef, em 2016, grupos mais à direita passaram a exaltar a ditadura, a ponto de pedir mesmo intervenção militar no País. Dessa forma, acirrou-se o embate de versões e memórias sobre a ditadura. A sala de aula não ficou imune a esse embate. Como afirma Verena Alberti (2015), a escola é um palco onde também as sociedades disputam memórias possíveis sobre si mesmas. Exercendo o magistério há anos, cada vez mais comumente vemos colegas professores sendo alvo de questionamentos e até reprimendas por parte de alunos, diretores, coordenadores e pais sobre o conteúdo das aulas de História. Acreditamos que a crítica e o diálogo são elementos que enriquecem o processo educativo. Mas não é este o caso. Os docentes estão sendo acusados de “doutrinadores” e de distorcer a “verdade histórica” em nome de uma ideologia “esquerdizante”. Embora não possamos dimensionar quantitativamente o fenômeno, percebemos um processo conflituoso acerca do ensino da ditadura civil-militar no exercício do magistério.
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O LIVRO DIDÁTICO E A DITADURA MILITAR NO BRASIL

O LIVRO DIDÁTICO E A DITADURA MILITAR NO BRASIL

This work aims to analyze the different forms of treatment, discussion and display of civil-military coup of 1964 in Brazil, as well as its subsequent development in 21 years of dictatorship that suppressed democracy and raped in different textbooks, in an attempt to see similarities and distinctions according to each author and then discussed. The research seeks to demonstrate the uses and no uses of the textbook in society, understanding it as an important strategy for the propagation of ideological discourses and political regimes. As a primary source, it resorted to the analysis of four didactic books found in the warehouse of a Magé/RJ school, published between the 1970s and 2000s, and which bring, in their content, debates about the period of the military dictatorship in the country. It concluded that the military dictatorship used textbooks as a mean of propaganda of the regime, as well as left deep marks in the didactics of Brazilian Basic Education, which in different ways are being overcome in our country.
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Há uma bomba no teatro : um estudo sobre o movimento teatral em Pelotas e Porto Alegre em tempo de Estado de Exceção (1964 1975)

Há uma bomba no teatro : um estudo sobre o movimento teatral em Pelotas e Porto Alegre em tempo de Estado de Exceção (1964 1975)

mais violentas por parte da repressão. Ao exigirem melhores condições do restaurante Calabouço, em março de 1968, um estudante, Edson Luís de Lima e Souto, foi atingido por um tiro disparado pelos policiais, e ele morreu. O fato serviu de combustível para uma série de protestos e levou milhares de pessoas às ruas em diversos locais do país. Também ocorria, neste período, uma crescente mobilização da classe operária, a insurgência de greves, algumas de caráter marcadamente político, com forte ativismo sindical. Até segmentos que haviam apoiado o golpe, fornecendo as bases sociais para este, começavam a demonstrar insatisfação com o regime que, mesmo com a proibição de quaisquer tipos de manifestação, como passeatas e marchas, não conseguiu calar a voz dos opositores. O discurso do deputado Márcio Moreira Alves, em que criticava a repressão e a violência, impostas pelo regime, sugeria que os pais impedissem que seus filhos assistissem à parada de Sete de Setembro [...] e propôs que as mulheres brasileiras boicotassem seus maridos até que o governo suspendesse a repressão 47 . Despertou, assim, a ira dos militares que solicitaram ao Congresso a suspensão das imunidades parlamentares, para poderem processá-lo pela ofensa 48 . A não aprovação do pedido levou, em 13 de dezembro de 1968, ao fechamento do Congresso, posto em recesso por tempo indeterminado e à decretação do AI-5, ponto culminante da legislação autoritária e do autoritarismo, porque suspende os direitos civis comuns, inclusive o habeas- corpus, devolve ao presidente a competência de cassar mandatos e direitos políticos e, de fato, para fazer os atos de governo que quiser e como quiser 49 . Portanto, não foi por pouco que se passou a definir este momento como “o golpe dentro do golpe”.
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ÍNDIOS E AULAS DE HISTÓRIA: UM OLHAR A PARTIR DA DITADURA CIVIL-MILITAR (1964-1985) COMO CONTEÚDO NA ESCOLA INDÍGENA

ÍNDIOS E AULAS DE HISTÓRIA: UM OLHAR A PARTIR DA DITADURA CIVIL-MILITAR (1964-1985) COMO CONTEÚDO NA ESCOLA INDÍGENA

O texto segue sem explicar diferenças conceituais entre antropofagia e canibalismo, e na parte inferior, termina com uma ilustração, a pintura de Tarsila do Amaral, Abaporu (1928). No texto, há a afirmação de que esta obra se tornou um dos símbolos do modernismo “tupiniquim” e o significado em tupi do título da pintura, “aquele que come”. Há somente outra menção aos índios do Brasil no referido capitulo, em um quadro que ocupa metade esquerda da página 55, falando ainda sobre a Semana de Arte Moderna, destaca “Macunaíma” (1926), obra de Mário de Andrade, cujo “[...] reuniu lendas indígenas, ditados populares, crenças e costumes dos brasileiros. O herói, negro, índio e branco, tem sua identidade nacional marcada pela combinação de vários elementos.” (CAMPOS; CLARO, 2013, p.55). O texto lança uma pergunta-resposta: “Quem é o brasileiro? É o negro, o índio, o branco, são os mestiços. Da Amazônia, do Nordeste e do Sul.” (CAMPOS; CLARO, 2013, p.55).
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Percursos do teatro feminista marginalizado em Falar de si, falar de nós

Percursos do teatro feminista marginalizado em Falar de si, falar de nós

Gabriel Felipe Jacomel, mestre em História Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina, participou dos projetos de pesquisa Movimento de Mulheres e Feminismos em tempos de ditadura militar no Cone Sul (1964-1989), de 2007 a 2010, e Do feminismo ao gênero— circulação de teorias e apropriações no Cone Sul (1960-2008), iniciado em 2010 e ainda em andamento, sendo ambos coordenados pela professora Dra. Joana Maria Pedro, também orientadora do autor na dissertação Falar de si, falar de nós: performances constituindo feminilidades alternativas nos palcos brasileiros e chilenos durante as ditaduras militares, texto que dá origem ao livro aqui estudado.
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A radiodifusão no Brasil e a ditadura militar : o governo Médici.

A radiodifusão no Brasil e a ditadura militar : o governo Médici.

Esta pesquisa tem por objetivo analisar a radiodifusão no contexto da ditadura militar no Brasil, durante o governo de Emílio Garrastazu Médici. A radiodifusão tem seu início marcado pelas transformações decorrentes do processo de industrialização dos meios de produção, no século XIX. Além das pesquisas com ondas de transmissão que marcaram esse período, a indústria trouxe, para o âmbito da organização social, a realidade do processo de urbanização, motivado pela nova relação de trabalho inaugurada. A nova realidade urbana constrói, por sua vez, o cenário ideal para o desenvolvimento de veículos de comunicação de massa. No Brasil esta realidade não é diferente, já que as primeiras pesquisas sobre ondas de transmissão ocorrem no início do século XX, em uma fase de intenso desenvolvimento industrial. No início da década de 1930, em decorrência da perspectiva capitalista de mercado, o rádio incorpora a classificação comercial e, por conseqüência, influencia o surgimento da televisão em 1950. A partir de então, tais veículos passam a atuar como propriedades privadas com fins lucrativos, mantendo para o governo a prerrogativa das concessões de funcionamento, além de também poder atuar no setor.. Dessa possibilidade, e tendo em vista a análise do papel estratégico destes veículos para a organização social, o governo, em diferentes momentos e com diferentes objetivos, passa a utilizá-los para veicular propaganda institucional, chegando mesmo a inaugurar emissoras próprias. Esta utilização se intensifica a partir da instauração da ditadura militar, em 1964. Os militares que controlaram a política nacional durante mais de vinte anos investiram maciçamente no desenvolvimento estrutural das emissoras de rádio e televisão, além de utilizá- las como mecanismo de sustentação, legitimação e propagação de sua ideologia autoritária. As bases criadas com as diversas medidas impostas a partir do golpe de estado de 1964 serviram de alicerce para que, no governo Médici, pudesse haver um controle mais direto dos veículos, tanto na continuidade do seu desenvolvimento estrutural, quanto no estabelecimento da censura da programação, criando uma legislação de perfil autoritário que limitava a ação dos envolvidos diretamente com o funcionamento da radiodifusão.
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Teatro político em Belo Horizonte: entre a resistência e a persistência

Teatro político em Belo Horizonte: entre a resistência e a persistência

Narrador — Alguns professores universitários tinham publicado no Estado de Minas um abaixo-assinado pedindo ao governo revolucionário um expurgo na Universidade Federal de Minas Gerais. Guardei este recorte durante muito tempo: gostava de ler os nomes que tinham assinado o documento: doutores em denúncia, PHDs em fascismo, dedos-duros com doutoramento... JK tinha votado em Castelo Branco e isto não impediu que fosse cassado... O ex- presidente apareceu de repente no Teatro da Imprensa Oficial para ver "Oh! Oh! Oh! Minas Gerais”. Tivemos que interromper o espetáculo: a platéia aplaudiu o sorriso de JK. Naquele tempo, JK era um bom instrumento para ser usado contra o governo militar. E até hoje está dando trabalho: afinal, foi ele que inventou o ABC, quando era presidente... Se soubesse que ia dar no Lula, acho que JK não teria criado São Bernardo do Campo... Costa e Silva assumiu o governo, mas parecia estar fora dele. No Rio, a marcha dos 100 mil superava o desfile das Escolas de Samba, mas os carros alegóricos eram os camburões da polícia... Edson Luís morreu no meio do povo. Nós estávamos entrincheirados na Faculdade de Direito brigando com a polícia e com o Exército: eles de metralhadora e gás lacrimogêneo e nós com estilingues, bolas de gude e lenço molhado no bolso. Uma batalha desigual. Ao contrário de Caetano Veloso, tínhamos lenço e muito documento: 50 mil panfletos contra a ditadura para espalhar pelas ruas da cidade no meio de correrias desenfreadas e comícios relâmpagos. Sem perceber, naquela hora estávamos começando a redigir o AI-5. O Costa e Silva só teve que assinar, com a caneta do Gama e Silva... (DANGELO, 2010, p. 163).
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA DIEGO CORREIA DA SILVA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA DIEGO CORREIA DA SILVA

A migração induzida é parte constitutiva e persistente das estratégias do Estado brasileiro no processo de ocupação da Amazônia e, particularmente, do Acre. Contudo, a concentração paulatina dos meios de produção - sobretudo da terra e à parte, os movimentos locais de resistência - engendrou o deslocamento de alguns grupos para além da fronteira brasileira. Estes passaram a ocupar o lado boliviano da fronteira como forma alternativa, porém precária, de manter a sobrevivência econômica sem perder os laços sociais que os vinculam, ainda, ao lado acreano. Contudo, atravessar a fronteira do Acre com a Bolívia não foi a mais dolorosa vivência de tais grupos, em termos de sua afirmação identitária no modo de vida extrativista, uma vez que os mesmos estão confrontados com um desafio ainda maior, que é a sua expulsão da fronteira como política de segurança nacional e afirmação de soberania da parte da Bolívia. Com prazo para deixarem o local, isto é, desterritorializarem-se compulsoriamente, tais grupos veem sua nacionalidade como fator restritivo à produção do lugar no território boliviano, sem que seja um fator favorável à sua reinserção no lado brasileiro e, mais especificamente, no interior acreano. Diante de tal contexto, o objetivo desse trabalho foi uma investigação sociológica sobre as trajetórias, e os subsequentes processos de vulnerabilização sócio-espacial, vivenciados pelos camponeses brasileiros que atualmente ocupam áreas na faixa de fronteira boliviana, limítrofe com o Estado do Acre. Com esse intento, foi realizada uma pesquisa sociológica, de base qualitativa, tendo como procedimentos a revisão bibliográfica sobre as políticas de ocupação da Amazônia, estudos em torno dos registros oficiais de órgãos multilaterais e instituições brasileiras envolvidas com a temática, entrevistas semiestruturas e foto-documentação. Dos resultados obtidos, foram realizados recortes temporais tendo como base três subsequentes movimentos migratórios: do Nordeste brasileiro à Amazônia (Trajetória 1), do Acre para a Bolívia (Trajetória 2), e do retorno dos camponeses ao Brasil (Trajetória 3). Entre as conclusões mais importantes estão a identificação de regimes regulares que incidiram nos processos de desterritorialização do grupo, como a falta de legitimidade do direito à posse da terra pelos camponeses, e outros traços particulares, como a degradação identitária decorrente das tensões vividas no contexto boliviano, do qual estão sendo expulsos.
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Política Externa Brasileira: 1964-1985

Política Externa Brasileira: 1964-1985

Entretanto, a maior parte das análises toma as políticas governamentais como um todo, a partir de uma única instância formuladora e decisória, sem levar na devida conta fatores de ordem distintos. Um desses, as diferenças entre os grupos no poder em cada momento, com interesses diferenciados. Em segundo lugar, a existência de pelo menos três grandes níveis decisórios. O primeiro deles, o do estamento militar ligado a questões de institucionalização do regime e de segurança nacional; o segundo vinculado aos setores econômicos e o último a casa diplomática. Essas três instâncias com frequência mantinham divergências entre si (e internamente em cada uma delas), ainda que, quando esses casos ocorressem, decisões eram tomadas pelo Conselho de Segurança Nacional. Assuntos que diziam respeito à segurança nacional, por exemplo, junto às fronteiras eram competência castrense, enquanto as negociações diplomáticas ficavam sob responsabilidade do Itamaraty, e os assuntos econômicos sob alçada dessa área. Mas eram comuns as discordâncias entre o Itamaraty e as esferas econômicas (por exemplo, sobre a escolha de parceiros no Primeiro ou Terceiro Mundo). Esses fatores foram, quase sempre, negligenciados nos estudos realizados no exterior avaliando o papel do Brasil no contexto regional e internacional.
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Rev. Bras. Hist.  vol.28 número56

Rev. Bras. Hist. vol.28 número56

Portugal, na virada do século XVIII para o XIX, e os mecanismos de dissemi- nação da literatura filosófica iluminista e liberal; Helder Macedo discute a existência de escravos índios no sertão da Capitania do Rio Grande e sua rela- ção com as atividades econômicas nesse território, com ênfase na pecuária e na agricultura de subsistência; Francisco Ferraz aborda os processos de rein- tegração social dos ex-combatentes norte-americanos, franceses e ingleses, nas duas guerras mundiais; Daniel Pereira e Eduardo Felippe analisam a no- ção de formação territorial nas cartas enviadas por Capistrano de Abreu ao Barão do Rio Branco, entre 1886 e 1903; Jean Sales analisa o impacto da crise do socialismo real na trajetória do Partido Comunista do Brasil, e André e Mariângela Joanilho revisitam a fotonovela como fonte para a história da lei- tura e da cultura de massas.
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Desnudando a ditadura militar: as revistas erótico-pornográficas e a construção da(s) identidade(s) do homem moderno (1964-1985)

Desnudando a ditadura militar: as revistas erótico-pornográficas e a construção da(s) identidade(s) do homem moderno (1964-1985)

A edição de Ano III e número 36 mostra que algumas mudanças foram observadas em relação à primeira edição. Em relação à divisão da revista, os artigos são divididos pelas seguintes partes: ―EXTRA‖ (um suplemento com O GUIA DE MOTÉIS do Brasil); ―Mulher‖ (com Debra, a playmate do ano, Kathy Morrison no pôster, ―Ensaio‖, diz-me como ela dorme e As garotas Gaúchas); ―Humor‖ (com Meu álbum de família, de Wood Allen, e As piadas de Playboy); ―Ficção‖ (Como resitir a Jandira?, de Carlos Queiróz Telles, Lenda – Um triângulo perfeito, O desmaio, de John Updike); ―Pesquisa‖ (Se a cama virou rotina, mude de lugar!); ―Reportagem‖ (Os segredos do tênis, de Luiz Antônio Nascimento, e Fazer Vascetomia? Eu?); ―Entrevista‖ (As trapaças da CIA, por William Colby); ―Bebida‖ (misture seu uísque, por Emanuel Greenberg); ―Doce Vida‖, que juntou todos os artigos em um lugar só: ―Recado‖ (Fernando Pessoa Ferreira), ―Moda‖ (Fernando de Barros), ―Som‖ (Pena Schmidt), ―Comida‖ (Panta & Guel), ―Noite‖ (Dionísio Madruga), ―Viagem‖ (Celso Nucci Filho), ―Aparência‖ (Pedrinho Agiuinaga), ―Música brasileira‖ (Tárik de Souza), ―Música Internacional‖ (Ezequiel Neves), ―Cinema‖ (Rubens Ewald Filho) e ―Literatura‖ (Geraldo Galvão Ferraz). Ainda há as seções ―De Homem para PLAYBOY‖, ―Pontos de vista‖, ―Bazar‖, ―Em cartaz‖ e, por fim, ―Transas‖.
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AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DA GESTÃO PÚBLICA MUNICIPAL

AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DA GESTÃO PÚBLICA MUNICIPAL

No decorrer do século XX, os governos locais tiveram importância crescente na vida pública nacional, principalmente a partir da Constituição Federal de 1988, que elevou os Municípios à condição de membros da federação brasileira. A demanda também crescente por serviços públicos por parte dos cidadãos fez com que a União transferisse aos Municípios a execução de muitas políticas públicas para aumentar a agilidade em busca de resultados. No entanto, os Municípios estavam despreparados para exercer as novas atribuições. Havia, e ainda há, carência de estruturas administrativas, de recursos humanos e de modelos que pudessem favorecer a melhoria contínua dos serviços prestados. Esta pesquisa procura atender em parte a esta carência, sugerindo um modelo de avaliação de desempenho da gestão pública municipal que permita, por um lado, ao gestor público avaliar e propor correções para suas ações de governo e, por outro, ao cidadão usuário identificar o progresso de seus gestores e compará-lo com as demais gestões de outros Municípios. Se bem sucedido, as influências econômicas seriam relativizadas no modelo, permitindo a comparação entre pequenas prefeituras e grandes prefeituras. Indicadores sociais devem ter participação relevante na avaliação. Por exemplo: a prefeitura de uma pequena cidade do interior pode administrar melhor seus recursos que a prefeitura de uma grande capital se houver redução maior do gasto per capita na saúde, na educação, etc., ou aumento superior na qualidade dos serviços ofertados sem que haja o correspondente aumento dos gastos. A busca de um instrumento que possa avaliar corretamente estes ganhos será o objetivo principal desta pesquisa.
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A ruína do consenso: a política exterior do Brasil no governo Figueiredo (de 1979 a 1985).

A ruína do consenso: a política exterior do Brasil no governo Figueiredo (de 1979 a 1985).

Guerreiro (RESENHA, 21.9.1983, p. 41) considera que não há qualquer exclusivismo de contatos ou ideologia que informe a escolha dos parceiros comerciais do país. “Ao contrário, temos sido rigorosamente fiéis ao postulado do Universalismo, não apenas por que seja boa doutrina, mas simplesmente porque a complexidade da cena internacional o exige e porque as necessidades e os interesses brasileiros o aconselham”. Adiante, o chanceler pondera sobre o tipo de vantagem que o Brasil conseguiria se assumisse alinhamento exclusivista e excludente que marcadamente privilegiasse os contatos com o Ocidente desenvolvido. Guerreiro (idem, p. 48) estava convencido de que tal postura não resolveria automaticamente as questões políticas e as dificuldades econômicas. Do ponto de vista financeiro, Guerreiro defende que a postura brasileira de proximidade com o Terceiro Mundo não trazia penalidades ao país. Comercialmente, idem. Portanto, não haveria vantagem em abandonar os mercados conquistados em decorrência de dificuldades conjunturais. Em sua concepção, alinhamentos rígidos aumentam a fragilidade do mais fraco. Portanto, não deveria o Governo Figueiredo descaracterizar a nação na tentativa de se obter falsas seguranças baseadas na generosidade alheia. Em socorro de seu argumento, Guerreiro (idem, p. 48) invocava Ruy Barbosa para ditar a forma de comportamento correto do Brasil no cenário internacional: o Brasil precisa ser digno de si para que mereça a amizade e o respeito de seus parceiros internacionais.
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O Golpe Militar de 1964 e a literatura subversiva

O Golpe Militar de 1964 e a literatura subversiva

Esse governo teve dois sistemas de governo, o primeiro parlamentarista e o segundo, presidencialista. O sistema parlamentarista foi instituído porque o país encontrava-se endividado e os projetos do presidente Goulart não poderiam ser concretizados. Uma vez que, com a implantação desse sistema, o poder estava concentrado nas mãos do ministério. Assim impediria o golpe militar, e as intervenções dos civis e também, dos próprios militares. Porém, mais tarde devido a algumas manobras quanto às nomeações aos cargos de ministros, e deflagração de plebiscitos, Goulart realizou uma campanha para retornar ao presidencialismo.
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Associativismo feminino e participação política: um estudo sobre as bases sociais de apoio à ditadura militar em Curitiba (1964-1985)

Associativismo feminino e participação política: um estudo sobre as bases sociais de apoio à ditadura militar em Curitiba (1964-1985)

A conjuntura política de 1961 foi marcada por incertezas entre o setor empresarial. Na época, o diretor da Acopa, Oscar Schrape Sobrinho, que também era o proprietário das Impressões Paranaenses e o líder do Sindicato das Indústrias Gráficas, via com preocupação a posse do presidente João Goulart. O motivo era o receio que havia entre os empresários em relação às teorias marxistas sobre a produção. Para eles, a implantação dessa ideia no Brasil faria do Estado o árbitro dos negócios econômicos, travando a livre-iniciativa, a concorrência e a liberdade de pensamento. Por essa razão, a Associação Comercial fez campanhas contra o comunismo e deu apoio financeiro às atividades educativas de caráter anticomunista.
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