Governo provisório

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O Governo Provisório da República e a Cultura em Portugal

O Governo Provisório da República e a Cultura em Portugal

Como se verifica, uma vez mais o enfatizamos, sempre que se tratou de subordinar a Igreja ao Estado houve, por parte do Governo Provisório, uma sobranceria que, parece, encontrava fundamento em certezas «indiscutíveis», tal como se neste aspecto particular não estivesse a acontecer nem uma revolução, nem uma reforma; o que se fazia era uma correcção ditada pela força da Lógica. Curiosamente, nos quatro Decretos, que julgámos mais significativamente importantes, relativos ao ensino, porque se pretende levar a cabo uma revolução cultural, foram elaborados longos preâmbulos que fundamentam as medidas adoptadas. Tratou-se, afinal, do traço distintivo que complementou a «lógica» da subordinação da Igreja; ou seja, não haveria revolução cultural sem silenciar ao máximo a Igreja — facto que já nem carecia de explicação — e sem reforma do ensino — facto que «obrigava» a todas as explicações. Vejamos os respectivos diplomas, também por ordem cronológica, e o conteúdo dos preâmbulos.
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A eugenia no humor da Revista Ilustrada Careta: raça e cor no Governo Provisório (1930-1934)

A eugenia no humor da Revista Ilustrada Careta: raça e cor no Governo Provisório (1930-1934)

Com o início do Governo Provisório, em 1930, o Brasil inicia uma nova etapa política sob a liderança de Getúlio Vargas. Além do rompimento com a gerência antecessora, seu governo será marcado por propostas inovadoras em diversos meios sociais como, por exemplo, trabalhista, funcionalista, educacional, economia, entre outros. Além disso, teve como características políticas próprias para o trato dos imigrantes, comunistas, judeus, negros, etc.. Os debates que surgiram na intelectualidade, política e imprensa, permitiram que questões como cor e raça tivessem um lugar reservado nas perspectivas das discussões e ações entre os anos de 1930 e 1934. Para nós, no que concerne a esta discussão, cabe analisarmos o lugar da eugenia neste processo. Por meio do semanário Careta, em circulação no país desde 1908, temos uma importante fonte de análises que combina humor e crítica social à realidade brasileira. Nos anos iniciais da chamada Era Vargas, o semanário, em diversos números, ponderou através de caricaturas e crônicas a situação da cor e raça no cenário brasileiro, em relação ao organismo social como um todo. Nosso trabalho tem por objetivo debruçar-se sobre o periódico e problematizar a visão humorística da revista acerca da “questão racial” na sociedade, bem como o debate sobre eugenia no Brasil.
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Acordos firmados e estratégias debatidas: a troca de telegramas entre os interventores do norte e o governo provisório durante a guerra de 1932

Acordos firmados e estratégias debatidas: a troca de telegramas entre os interventores do norte e o governo provisório durante a guerra de 1932

Nesse sentido, a integração ou não do Espírito Santo ao Norte não pode ser encarada, a priori, a partir de definições oficiais, mas se deve ter como base a ação dos sujeitos envolvidos nesse processo. Essa adesão ocorreu a partir da articulação do interventor capixaba que chegou ao poder indicado por Juarez e que reconhecia a autoridade do líder do Norte. Em momentos específicos, em especial os de crise política nacional, a aproximação desse estado com a corrente nortista foi mais forte, marcando claramente uma posição nos embates envolvendo o Governo Provisório. É significativo notar que o telegrama escrito por Punaro Bley data de 22 de junho de 1932, poucas semanas antes do início da Guerra de 1932. Durante esse conflito o Norte foi definido geográfica e politicamente por Juarez, em alguns telegramas enviados aos interventores da região, como do “Amazonas ao Espírito Santo” e os próprios interventores nortistas, durante o conflito, utilizaram essa definição para fazer referência a eles próprios.
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A Junta de Governo Provisório de Minas Gerais (1821-1822): um governo liberal ou autoritário? / The Provisional Government Board of Minas Gerais (1821-1822): a liberal or authoritarian government?

A Junta de Governo Provisório de Minas Gerais (1821-1822): um governo liberal ou autoritário? / The Provisional Government Board of Minas Gerais (1821-1822): a liberal or authoritarian government?

No dia 22 de setembro de 1821, dois dias após a sua eleição, os membros da Junta de Governo Provisório de Minas Gerais (JGP), em uma de suas primeiras decisões à frente do governo da província, ordenaram a abolição de um “infame monumento”, que se achava colocado, desde 1793, na Rua de São José, no local onde fora outrora a residência de Tiradentes, em Vila Rica 1 . O “execrando monumento”, assim chamado pelos membros da JGP, parecia-lhes “detestável à vista da liberdade” que estava sendo promovida no contexto da revolução constitucional, iniciada na cidade portuguesa do Porto, em agosto de 1820, então em curso nas províncias do Reino do Brasil 2 . O governo mineiro amparou a ordem que deu para retirar o símbolo do suplício do Inconfidente Tiradentes nos direitos recém-inaugurados, sitos no artigo doze das Bases da Constituição Política da Monarquia Portuguesa, aprovadas pelas Cortes de Lisboa naquele mesmo ano de 1821, no dia 10 de Março. As tais “Bases da Constituição” haviam sido aceitas e juradas pelo monarca D. João VI, assim como pelas demais autoridades, e pela população em geral, seja em Portugal, no Brasil, em Minas Gerais, no caso, pelos dez membros que compunham a JGP 3 . O referido artigo doze também amparou a ordem para que se fizesse a devolução dos bens do Alferes aos seus herdeiros 4 .
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O governo provisório na Constituinte de 1933/34

O governo provisório na Constituinte de 1933/34

Regionalismo e centralização política: partidos e Constituinte nos Anos 30. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980, esclareceu: para os defensores da representação deliberativa, os deputados classistas estariam fora e acima das lutas partidárias, assumindo o papel de árbitros e moderadores dos impasses partidários. Diversamente, para os defensores da representação consultiva, seria falso crer que do conjunto de interesses específicos de uma classe pudesse ser alcançado o interesse geral. Ademais, para a situação específica do Brasil, os sindicatos, incipientes, estariam atrelados não só aos interesses do Estado quanto aos próprios partidos políticos. Numa classificação diversa, TAVARES, Ana Lúcia de Lyra. A Constituinte de 1934 e a representação profissional. Rio de Janeiro: Forense, 1988, na Constituinte de 1933/34, identifica três correntes: a) as correntes em prol da representação profissional deliberativa, subdividida em dois grandes blocos: a.1) o bloco integrado pelos nomes de Sócrates Diniz e Abelardo Marinho de Albuquerque e Andrade (membro do Clube 3 de Outubro e deputado classista pelos empregadores) que defendia a introdução de 1/3 dos deputados classistas na Assembléia Nacional com o fito de superar as forças políticas regionais, bem como instaurar “debates mais técnicos, menos apaixonados no seio da Assembléia” e; a.2) outro bloco, liderado por Euvaldo Lodi (da bancada dos empregadores), defensor do apartidarismo deste sistema e da fórmula adotada pelo Governo para as eleições da Constituinte. A proposta do grupo serviu de base à emenda de Conciliação nº 1948 que justamente deu origem ao art. 23 da CB/34, com pequenas modificações. Contou com o apoio das bancadas classistas, dos Estados do Norte, de Minas Gerais e a do Rio Grande do Sul; b) a corrente em prol da representação profissional apenas no seu caráter consultivo: não obstante reconhecesse a importância da participação dos grupos econômico-sociais no processo político, negava-lhe o caráter decisório no Legislativo. Foi representada pela bancada paulista vinculada à Chapa Única. Teve como líder Ranulpho Pinheiro de Lima, deputado classista que propôs a fórmula dos conselhos técnicos, na linha defendida por Oliveira Vianna; c) raras vozes contrárias à representação profissional, dentre elas, a do Deputado José Thomaz da Cunha Vasconcelos, defensor do sistema bicameral nos moldes clássicos.
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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA - PPGHIS

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA - PPGHIS

em 1930, manifestara ao então interventor do Rio Grande do Sul, Flores da Cunha, que o fora procurar, a sua má impressão, senão a sua revolta, em face do decreto de novembro do mesmo ano, em que o Governo Provisório se instituiu, a fim de facilitar a sua continuidade no poder. Borges de Medeiros, que defendia a constitucionalidade do regime, resolveu se juntar aos paulistas para derrubar o governo ditatorial, diante da não convocação das eleições. Era necessário que Borges de Medeiros e Arthur Bernardes justificassem seus atos passados e sua relação com Getúlio Vargas no pré-1930 e reconhecessem que se desligaram dele por terem sido traídos em seu ideal revolucionário. Por certo, nessa traição havia uma dose forte de exclusão do grupo que passa a ter o controle do governo Vargas. O Correio Paulistano dava sua versão do caso. Haveria até mesmo uma dívida da terra bandeirante para com Borges de Medeiros e Arthur Bernardes, sendo que a participação desses homens na Revolução de 1930 foi perdoada porque, posteriormente, atuaram na Revolução de 1932. A absolvição foi construída sob tal argumento. Afinal, quando os paulistas lutavam e sofriam em 1932, visando “golpear de morte a ditadura que asfixiava o país”, Borges de Medeiros e Arthur Bernardes souberam compreender “a grandiosidade” do idealismo que animava os paulistas, arriscando suas vidas, suas liberdades e carreiras políticas para ajudar na empreitada de 1932 que contestou a Revolução de 1930. Juntamente com Borges de Medeiros e Arthur Bernardes, Otávio Mangabeira, que havia sido ministro de Washington Luís e fora banido da pasta após quatro anos, se aliava também ao Partido Republicano Paulista. Regressara do exílio apenas naquele momento, por força das garantias constitucionais. Contrariamente a esses políticos que não eram paulistas, mas que adotavam a causa bandeirante, o Partido Constitucionalista, integrado por paulistas, procurava selar a paz em separado com Getúlio Vargas, traindo uma memória de lutas contra as ações anticonstitucionais do governo federal.
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O inimigo na trincheira: a imagem dos aliados nas páginas dos jornais brasileiros e argentinos na guerra contra o Paraguai

O inimigo na trincheira: a imagem dos aliados nas páginas dos jornais brasileiros e argentinos na guerra contra o Paraguai

por Caxias na capital paraguaia, em 1º de janeiro. “Há complicações entre o Brasil e a República Argentina por causa da ocupação de Assunção e outros pontos do Paraguai” (Braz Tisana, Porto, 20/2/1869, p. 1), anun- ciava uma curta nota do Braz Tisana, do Por- to, em 20 de fevereiro de 1869, referindo-se a “um telegrama particular de Londres para Paris”. No mesmo dia, o Boletim do Clero e do Professorado, de Lisboa, atribuía a desaven- ça à presença brasileira na capital paraguaia “sem prévio acordo com os aliados”. O Com- mercio do Porto afirmaria, em 3 de março, que esse fato havia provocado “desinteligência entre generais aliados”. A informação se- ria confirmada pelo Campeão das Provincias, três dias depois, e superestimada pelo Braz Tisana em suas edições dos dias 19 e 20 de março. “Desentendimento grave entre gene- rais aliados; ameaça de rompimento entre o Brasil e a República Argentina”, alertava a primeira delas. “Uma carta de Buenos Aires, escrita por um alto funcionário dali, diz que o termo da guerra do Paraguai será o prin- cípio de uma guerra entre o Brasil e os seus dois aliados”, divulgava, em tom alarman- te, a segunda edição. Novos atritos entre os dois aliados ocorreriam a partir da formação do governo provisório, em 11 de junho de 1869, sempre com forte reação dos jornais argentinos, como veremos a seguir.
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Governo colonial, distância e espera nas minas e capitania de Goiás.

Governo colonial, distância e espera nas minas e capitania de Goiás.

parece-nos pertinente para elucidar a experiência dos atores no interior de um evento que, noutras cir- cunstâncias, teria assumido os contornos de uma longa espera nas minas de Goiás. Em primeiro lugar, é preciso considerar os efeitos imediatos da morte do governador. A sequência de atos improvisados, associados à possibilidade de interrupção do funcionamento habitual dos mecanismos de governo, in- duz a uma ruptura nas relações quotidianas de poder, cujos espaços institucionais são redeinidos tran- sitoriamente, a partir da ação criativa dos atores e protagonistas em Goiás. Neste sentido, e em segundo lugar, a morte inesperada do governador instaura as condições adequadas para o desdobramento de condutas e atitudes que têm a pretensão de deinir noutros termos a relação entre a norma e a exceção. Desta forma, o governo provisório de 1770 põe em questão a prática adotada em todo o império no que diz respeito à substituição dos governadores, em caso de ausência repentina, até então assentada na autoridade exclusiva dos vice-reis. O procedimento adotado em Goiás seguiu um ritual que os costumes tinham tornado método comum, praticado, inclusive, noutras capitanias da América, notadamente na Bahia e no Rio de Janeiro. 71 Como alega em carta ao rei José I, o Senado da Câmara procedeu à nomea-
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Roberto Simonsen na origem do moderno pensamento social brasileiro.

Roberto Simonsen na origem do moderno pensamento social brasileiro.

Simonsen aponta ainda para autores que justificam, ou pelo menos incitam, a sua obra. Analisando a questão dos autores que influenciaram seu pensamento, ou que, ao menos, anteciparam algumas de suas posições, Nícia Vilela Luz lista um grande número de autores no Brasil entre 1808 e 1930, vendo Simonsen, no final da década de 1920, como um ápice de sua evolução política e ideológica. Entretanto, ressalta, entre esses antecessores, o ministro da Fazenda do Governo Provisório da República, Rui Barbosa,, em uma “Exposição de motivos sobre o decreto de 11 de outubro de 1890 que manda executar a nova tarifa das Alfândegas”. A nascente República, procurando afirmar-se politicamente diante de uma contrarrevolução monárquica baseada na classe dos “senhores de terra”, procura amparar as indústrias e o comércio para fazer deles o apoio necessário ao novo regime. Assim, nessa “Exposição de motivos”, Rui Barbosa afirma:
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António José de Almeida

António José de Almeida

A 30 de janeiro de 1910, o diretório do P.R.P., em assembleia magna presidida por Teófilo Braga, decidiu avançar para a Revolução. O movimento revolucionário iniciou-se na madrugado do dia 4 de outubro de 1910 quando o comissário naval, Machado Santos, acompanhado de alguns civis partiu do centro republicano de Santa Isabel em direção ao quartel de infantaria 16, dando vivas à República. A República portuguesa foi proclamada por José Relvas, da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, na manhã do dia 5 de outubro. Coube a Eusébio Leão ler o texto que proclamava o novo regime e anunciava a constituição do Governo Provisório: Presidente, Teófilo Braga; Interior, António José de Almeida; Justiça, Afonso Costa; Finanças, Basílio Teles; Guerra, Correia Barreto; Marinha, Amaro de Azevedo Gomes; Obras Públicas, António Luís Gomes e Estrangeiros, Bernardino Machado.
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Políticas sociais de atendimento às crianças e aos adolescentes no Brasil.

Políticas sociais de atendimento às crianças e aos adolescentes no Brasil.

A instituição do Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil, entre 1930 e 1934, e a posterior ditadura do Estado Novo, sob comando de Getúlio Vargas (1937 a 1945), re[r]

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Reformas, instituições e políticas de saúde no Brasil (1930-1945).

Reformas, instituições e políticas de saúde no Brasil (1930-1945).

Em seus quatro primeiros anos, até a indicação de Capanema para o cargo, ocuparam a pasta ministerial três diferentes ministros: Francisco Cam- pos, Belisário Penna e Washington Pires. Diferentemente do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, que ao longo deste período viu serem defini- das as linhas mestras que norteariam seu desenvolvimento, o MESP chegou ao final do chamado Governo Provisório sem objetivos definidos para sua estrutura administrativa e sem claras linhas de ação. Apesar das inúmeras alterações que sofreu, nenhuma delas representou uma mudança importante, tendo em alguns momentos significado a própria paralisação de atividades, misturando-se às incertezas políticas e à crise econômica e penúria orçamen- tária do início da década de 1930. No que dizia respeito à saúde pública, o MESP, nos seus primeiros anos, significava, em grande medida, o Departa- mento Nacional de Saúde Pública criado em fins de 1919 e herdado da Repú- blica Velha ( HOCHMAN , 1998).
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LEIRA DE IMPRENSA NOS PRIM Ó RDIO

LEIRA DE IMPRENSA NOS PRIM Ó RDIO

PROVISÓRIO DA REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL. In: DECRETOS DO GOVERNO PROVISÓRIO DA REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1890. Previa a Cart[r]

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Liberalismo, nacionalismo e  no Ceará e nas províncias do Norte

Liberalismo, nacionalismo e no Ceará e nas províncias do Norte

Um mês depois, a câmara de Aracati mandou um oficio para a Junta de Governo, que era o governo provisório da província do Ceará presidido pelo padre Pinheiro Landim, expondo indignação parecida com a da declaração acima feita pela câmara de Quixeramobim. Nesse ofício, fala-se do decreto que convocava nova assembleia constituinte que Dom Pedro I queria formar após a dissolução da primeira, fato que é tratado com indignação pela câmara que considerou sua aprovação um perigo para a liberdade do povo. Além disso, está escrito qual seria a forma de governo ideal, mas, diferentemente de Quixeramobim, a câmara de Aracati ainda pensava em ter Dom Pedro a frente do governo, apesar de ter colocado que essa participação de Dom Pedro I seria de maneira mais descentralizada, tendo as províncias do Norte como principal sede do governo a cidade de Recife. Assim, acreditavam que essa seria a única forma de sair de três anos de dersondem:
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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA CENTRO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA CENTRO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

O desmatamento na Amazônia se intensificou a partir dos anos de 1990 e é uma das principais fontes de emissão dos gases do efeito estufa, que provocam alterações no clima do planeta. Frente ao intenso processo destrutivo da floresta, o governo brasileiro estabeleceu estratégias para conter esse problema ambiental, dentre as quais a fiscalização ambiental é a principal delas, ou seja, o instrumento de comando e controle. Assim, o objetivo deste trabalho foi analisar a efetividade da fiscalização ambiental para o controle do desmatamento ilegal na Amazônia, com o propósito de avaliar se a coerção administrativa pode influenciar o comportamento e desmotivar o desmatamento ilegal. Para tanto, foram analisadas 11.823 autuações ambientais relacionadas às infrações contra a flora, efetuadas pelo órgão ambiental federal (Ibama), no período de 01.08.2008 a 31.07.2013. Com base na teoria econômica do crime, foi elaborado um modelo de mensuração da dissuasão promovida pela fiscalização ambiental, para avaliar o efeito das punições administrativas para coibir o desmatamento ilegal. De modo geral, as pessoas decidem fazer o desmatamento ilegal à medida que a vantagem econômica a ser obtida for maior que os riscos de punição e os custos de produção da infração. Como a fiscalização ambiental é um processo sistêmico, depende do bom resultado de diversas variáveis para gerar um valor de dissuasão suficiente para se contrapor à vantagem econômica da infração. No entanto, os indicadores registram que 45% do desmatamento na Amazônia não é detectado oportunamente para que os agentes de fiscalização possam agir e em apenas 24% dos casos há a responsabilização administrativa. Desse montante, 26% dos processos administrativos foram julgados em primeira instância levando em média quase 3 anos. As áreas embargadas por desmatamento ilegal totalizam 18% do total desmatado. A quantidade de multas pagas
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Sob o signo do provisório: um diretor entre três cidades

Sob o signo do provisório: um diretor entre três cidades

Estêvão sai de Belo Horizonte rumo a Brasília, cidade onde se passa o terço final do filme. O ritmo retorna para o compasso da urgência: a missão recebida no Rio de Janeiro precisa ser cumprida. Os desloca- mentos voltam a ser feitos por meio de carro, mas agora, diferentemente do Rio de Janeiro, em uma cidade marcada por um planejamento modernizante, pautado por longas vias planas que tra- çam a assimetria urbanística da capital brasileira, edificada pelo presidente Juscelino Kubitscheck no planalto central. A cidade foi planejada e agrupada por setores – o de lojas, o habitacional, a espla- nada dos ministérios (centro administrativo do Governo Federal) – o que torna os deslocamentos mais longos de um ponto a outro. No Brasil é comum o comentário de que em Brasília, até para comprar pão na padaria, é preciso usar carro, veículo obrigatório; uma ideia que tem aprofundado Paula Monteiro:
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O IMPOSTO PROVISÓRIO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA SERÁ UM IMPOSTO INFLACIONÁRIO?

O IMPOSTO PROVISÓRIO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA SERÁ UM IMPOSTO INFLACIONÁRIO?

1D LQFLGrQFLD GR ,30) VREUH RV SUHoRV ILQDLV Ki XPD RXWUD SDUWLFXODULGDGH TXH GHYH VHU UHVVDOWDGD &RPR VH VDEH HP SHUtRGRV GH LQIODomR PXLWR HOHYDGD JUDQGH SDUWH GR GLQKHLUR TXH [r]

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INFÂNCIA E TRABALHO EM INFERNO PROVISÓRIO, DE LUIZ RUFFATO

INFÂNCIA E TRABALHO EM INFERNO PROVISÓRIO, DE LUIZ RUFFATO

O Inferno provisório é um convite para repensar a história do Brasil nos últimos 50 anos. Serão cinco volumes – os três primeiros já publicados (eles estão saindo também quase simultaneamente na França): Mamma, son tanto Felice trata da questão do êxodo rural nas décadas de 50 e 60; O mundo inimigo discute a fixação do primeiro proletariado numa pequena cidade industrial (década de 60 e começo da de 70); Vista parcial da noite descreve o embate entre os imaginários rural e urbano, nas décadas de 70 e 80. O quarto volume, a ser publicado este ano, O livro das impossibilidades, registra as mudanças comportamentais das décadas de 80 e 90. E, finalmente, o quinto e último volume chega até os nossos tempos, começo do séc. XXI.
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A negociação social do espaço em Inferno provisório, de Luiz Ruffato

A negociação social do espaço em Inferno provisório, de Luiz Ruffato

Nas últimas duas narrativas de Mamma, son tanto felice – “O alemão e a puria” e “O segredo” –, as personagens não deixam de movimentar-se pelo trabalho, mas o interesse de Luiz Ruffato parece se deter com mais atenção nas integrações precárias de quem, tendo saído da zona rural, aporta em Cataguases. As narrativas giram em torno deste espaço estruturante diverso e profundamente excludente. Surge, pela primeira vez, o Beco do Zé Pinto, lugar de moradia de lavadeiras e operários pobres, que será depois amplamente enfocado pelos volumes II e III do Inferno provisório – O mundo inimigo e Vista parcial da noite. A trajetória de brusca ruptura com o ambiente rural, levada a cabo por Jair em “A expiação”, deve ser nuançada em histórias intermediárias, para que o painel romanesco, ativo desde as imigrações italianas, chegue devidamente equilibrado e plural ao seu volume V – Domingos sem Deus. Entre a realidade dos imigrantes italianos, assentados em áreas rurais da Zona da Mata de Minas Gerais, e a vida dos migrantes mineiros, sedimentada, por exemplo, em São Paulo ou no Rio de Janeiro, há, além de uma clara diferença cronológica, a diluição, em planos espaciais, daquela radicalidade mig ratória presente em “A expiação”.
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A EXTENSÃO DA GARANTIA CONSTITUCIONAL DO ESTUDO AO PRESO PROVISÓRIO

A EXTENSÃO DA GARANTIA CONSTITUCIONAL DO ESTUDO AO PRESO PROVISÓRIO

Diante dessa conjuntura, esse trabalho se propõe ao estudo específico do acesso ao direito à educação para o preso provisório, tendo em vista que, a despeito de comporem grande parte do sistema carcerário, estão ali inseridos em caráter circunstancial e por isso são inexistentes as previsões normativas sobre o assunto. Da análise da pesquisa bibliográfica, a extensão do direito a educação a tais sujeitos, se mostra não são necessária, como também indispensável para a reparação dos danos causados pelo aprisionamento, tanto sociais quanto subjetivos, tendo em vista que desde o primeiro momento que são privados de liberdade já começam a ser excluídos por sua comunidade e afastados de sua família, emprego e estudos. E apesar de sofrerem antecipadamente os efeitos de uma futura condenação criminal, precisam ser reinseridos no seio social, preservando-se sua dignidade a aprendizagem dentro do contexto prisional. Em contrapartida, nas circunstâncias de superlotação dos presídios brasileiros e as condições de vulnerabilidade à coação do crime organizado, a educação se mostra como alternativa de instrução e desenvolvimento, com caráter emancipador, além de promover a humanização do indivíduo encarcerado. Portanto, em resposta ao caso concreto apresentado como problematização para o tema, não há justificativa pertinente que impeça o Estado de promover o deslocamento do indivíduo encarcerado para a apresentação do seu Trabalho de Curso, tendo em vista que os benefícios advindos da obtenção do título de graduação devem se sobrepor as mazelas causadas pela prisão provisória.
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