História da Etiópia

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O IMPERADOR HAILE SELASSIE I E O MOVIMENTO RASTAFÁRI NA ETIÓPIA: ANÁLISE DO DISCURSO NA LIGA DAS NAÇÕES EM 1936 E DE MACUS GARVEY NO JORNAL THE BLACKMAN

O IMPERADOR HAILE SELASSIE I E O MOVIMENTO RASTAFÁRI NA ETIÓPIA: ANÁLISE DO DISCURSO NA LIGA DAS NAÇÕES EM 1936 E DE MACUS GARVEY NO JORNAL THE BLACKMAN

A proposta do artigo é fazer a análise do discurso do imperador Haile Salassie I proferido na Liga das Nações em 1936 e o movimento Rastafári, sobretudo nos contextos físico, psicológico, cultural, histórico e político, e, também, analisar seus agentes e ideologia de base; e também o discurso de Marcus Garvey publicado no jornal The Blackman. A proposta é retomar a origem desses dois recursos como forma de tentativa de mudança no cenário da história da Etiópia, uma vez que, independentemente do que ocorresse, os africanos sempre iram lutar pela África. Serão apresentados os dados peculiares, os componentes envolvidos e os diversos contextos a serem analisados dentro do discurso de Haile Salassie I e sua relação com a origem do Rastafarianismo ou Movimento Rastafári, e, também, a ideologia que se baseia Marcus Garvey em sua relação com Haile Salassie I. A pesquisa é de revisão bibliográfica baseada no discurso oral de Haile Salassie I e do artigo publicado por Marcus Garvey no jornal The Blackman. A relevância da pesquisa está na luta de algumas das diversas figuras importantes que passaram pela história da África, mais especificamente pelo povo da Etiópia na luta por uma nação mais justa. Concluímos assim, com a importância dos referidos discursos para a historiografia da África, e mais especificamente da história da Etiópia.
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Do Reino de Axum ao Reino da Etiópia (Século I D.C. ao século XVII): A Força e o Isolamento do Cristianismo na África do Norte e Nordeste

Do Reino de Axum ao Reino da Etiópia (Século I D.C. ao século XVII): A Força e o Isolamento do Cristianismo na África do Norte e Nordeste

A única região que conseguiu fazer frente ao avanço do Islão foi o reino de Axum, que, posteriormente, desembocou no aparecimento do reino da Etiópia, em parte devido ao seu isolamento, às características geográficas e climáticas da zona em que se encontrava inserido e, ainda, porque esta região se encontrava relativamente afastada do centro dos poderes decisórios islamitas. Desta forma, bem se compreende porque toda a história da Etiópia está ligada à evolução do Cristianismo no Norte e Nordeste de África, ao isolamento das influências externas e, ainda, se relaciona com a nefasta problemática das quezílias político-religiosas do império romano (Monofisismo, Nestorianismo e Pró-Calcedónios), cuja sede na altura era Constantinopla.
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Uma força Expedicionária Portuguesa na Campanha da Etiópia..

Uma força Expedicionária Portuguesa na Campanha da Etiópia..

São os persas que, no século III depois de Cristo, referem a existência do Reino dos Aksumitas, considerado como um dos maiores impérios na altura, a par com o Império Romano e a própria Babilónia. Ocupavam um território situado na atual Eritreia cujas fronteiras, limitadas por diversos acidentes geográficos, se estendia até ao Mar Vermelho. A capital Aksum situava-se no planalto do Tigre, a mais de 2000 metros de altitude. Esta civilização construiu-se, muito provavelmente, sobre uma cultura mais antiga. Em 1 d.C da era cristã um mercador de Alexandria nomeava o povo chamado aksumita. Este povo havia de alcançar grande prosperidade nos primeiros três séculos da era cristã, alargando progressivamente a sua influência a novos territórios. Estes estendiam-se á outra margem do Mar Vermelho, o que demonstra que os abissínios se encontravam plenamente envolvidos no florescente comércio que ali tinha lugar. Os contatos que assim se estabelecem com o Egito copta terão consequências de peso para a posterior história da Etiópia; nos finais do século IV, reinando então o imperador Ezana, foi introduzido finalmente o cristianismo, depois do primeiro concilio de Nicea, que teve lugar a 20 de Maio de 325 d.C. Estabeleceu-se assim uma forte ligação com a igreja Egípcia, que marcou as várias comunidades monásticas, algumas das quais ainda hoje subsistem, e pertencia ao patriarca de Alexandria, a ultima palavra na nomeação dos clérigos da igreja local. Também Bizâncio exerceu forte influência na Etiópia sobretudo, a partir do século VI, promovendo uma expansão territorial que mais tarde levará ao choque com os persas, e que trouxe o declínio do reino de Aksum. E o advento do Islão, que rapidamente se expandiu entre o século VI ao século VII, acelerou este declínio e alterou o “status quo” existente, afastando dos abissínios o controlo do Mar Vermelho e todo o comércio que aí se praticava. Isolado do mundo exterior
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Da demanda do Preste João à missão jesuíta da Etiópia: a cristandade da Abissínia e os portugueses nos séculos XVI e XVII

Da demanda do Preste João à missão jesuíta da Etiópia: a cristandade da Abissínia e os portugueses nos séculos XVI e XVII

referem ao estabelecimento de uma hierarquia cristã na Etiópia, resultante do apostolado de Frumêncio, um sírio consagrado bispo por Santo Atanásio de Alexandria 2 . É a esta época que a tradição etíope atribui a prática da nomeação dos bispos da Etiópia pelo Patriarca de Alexandria. No entanto, é duvidoso que a dependência canónica da Abissínia em relação ao patriarca copta de Alexandria se tenha esta- belecido tão cedo 3 . O período da história da Etiópia posterior à con- versão de Ezana é mal conhecido mas sabe-se que, ao longo dos sé- culos V e VI, a Etiópia esteve sob a influência das igrejas síria e gre- ga. Foram provavelmente monges sírios, a que a tradição se refere como «os nove santos», que fundaram por esta altura diversos mostei- ros na Etiópia - à semelhança do que fizeram noutras missões reali- zadas no Cáucaso, na Pérsia e na Índia - e que traduziram o Novo Tes- tamento do síriaco para o ge’ez (etiópico antigo) 4 . O monaquismo etíope é também devedor de outra tradição monástica, a dos monges de São Pacómio, do Egipto, cuja regra influenciou fortemente os mos- teiros fundados na Etiópia durante este período 5 . Por outro lado, du- rante o século VI, o reino de Aksum foi um aliado do Império Bizan- tino, com o qual mantinha também relações comerciais importantes. Foi, aliás, com o apoio do Império Bizantino que o rei de Aksum inva-
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História ambiental e ensino de história:

História ambiental e ensino de história:

Sobre a questão do domínio dos ventos, essencial para a conquista europeia das Américas, assistimos em sala uma versão editada do filme “1492: a conquista do paraíso” (SCOTT, 2019), disponível no Youtube. Os alunos ficaram impressionados com essa outra faceta da conquista, pois nunca haviam sido provocados a levar em conta os fatores ambientais envolvidos nesse processo histórico. Jamais haviam sido levados a pensar na necessidade de Colombo dominar o sentido dos ventos, nem que os europeus trouxeram consigo toda uma gama de plantas, animais e germes para a América. Como professora, considero fascinante esse “abrir os olhos” que a história ambiental proporciona no ensino de história.
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2 A HISTÓRIA E O ESTRUTURALISMO NA HISTÓRIA

2 A HISTÓRIA E O ESTRUTURALISMO NA HISTÓRIA

No entanto, precisamos perceber que, enquanto Bourdé e Martin afirmam que Febvre voltou-se para a história das mentalidades durante a segunda fase dos Annales, iniciada após a morte de Bloch, Ronaldo Vainfas afirmou que a segunda geração, também chamada “era Braudel”, foi justamente o momento em que “se viram eclipsadas, por assim dizer, as fortes preocupações que os primeiros annalistes sempre dedicaram às mentalidades na história” (VAINFAS, 1997, p. 133). Diante desse impasse, podemos considerar que em seu livro O Mediterrâneo Fernand Braudel apresentou um estudo sobre a economia e sociedade no mundo mediterrânico, ancorado nas relações do homem e seu meio, a partir de uma análise das diversas temporalidades. Entretanto, mesmo considerando a análise em longa duração, acabou por, de acordo com Vainfas, marginalizar as mentalidades. A partir dessa percepção, ao olharmos a obra braudeliana poderíamos desconsiderar a afirmação anterior de Bourdé e Martin, no entanto foi justamente entre os anos de 1948 e 1956 que Lucien Febvre se dedicou ao estudo dos sentimentos de Honra e Pátria como motivadores das ações humanas.
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História intelectual e história da educação.

História intelectual e história da educação.

O artigo analisa a separação entre a história cultural e a história da educa- ção. Examinando obras a partir dos anos de 1970, verifica a importância crescente da história cultural e a au- sência quase completa de trabalhos relativos à história cultural da educa- ção. Aborda questões disciplinares e institucionais, mas também historiográficas, que concorrem para a exclusão de determinadas discipli- nas, como a história da educação, do âmbito de trabalho do historiador. Durante a década de 1980, detecta maior interesse pela história da edu- cação e por sua inserção nas perspec- tivas historiográficas. Focaliza algu- mas questões que interessam aos historiadores e aos historiadores da educação: as relações entre história e cultura; a tentativa de considerar a história cultural em duas perspecti- vas: uma que lhe atribui o recorte e análise de objetos culturais, e outra que privilegia os pressupostos meto- dológicos, abordando tanto as práti- cas sociais como as suas representa- ções, de acordo com concepções das diversas teorias sociais. Conclui que a história cultural é um campo multi ou interdisciplinar, não apenas um tipo de abordagem, nem apenas um novo espaço ou dimensão do real, e enfatiza a necessidade de uma refle- xão mais sistemática sobre a educa- ção como um tema/objeto de investi- gação necessário à compreensão da formação cultural de uma sociedade. Palavras-chave: história cultural; história da educação
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A história, a micro-história e a descontinuidade

A história, a micro-história e a descontinuidade

Outro fator foi o período em que o interesse pelo micro se manifestou, na França, com a proposta da coleção Archives 17 , a partir de 1964; e na Itália com os estudos de Edoardo Grendi, que malgrado a relação com a história social, já manifestavam um interesse acentuado pelo local, sob influência de Jonh F. C. Harrison (LIMA, 2006: 163-164). O corte desta proposta se deu no momento em que, ao contrário do que se tinha como hipótese no início deste artigo, ficou evidente é que a redução da escala esteve associada a vários fatores, de cunho externo à disciplina, mas também e interno. Assim, apesar da micro-história ser identificada com a historiografia italiana, em um primeiro momento, e à francesa, em um segundo, daí o título do artigo, nota-se que a redução da escala esteve associada a uma dimensão mais ampla.
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História cultural e história da educação.

História cultural e história da educação.

Acredito já haver demonstrado que aquela pri- meira impressão de ausência da história da educação do ponto de vista da oficina do historiador precisa ser relativizada pelas tendências mais recentes no âmbito da história da educação. Todavia, persiste ainda hoje um certo distanciamento que tem a ver tanto com as heranças das separações disciplinares quanto com a natureza mesma da história da educação. Estamos aqui, ao que tudo indica, ante a diferença entre dois tipos de histórias: as chamadas histórias de (histórias de algo, ou seja, de determinado objeto), e as histó- rias algo (adjetivadas, referidas a determinado aspecto tido como inerente à história). No primeiro caso, para exemplificar, temos a história da arte, da literatura, da filosofia, das ciências, do direito, entre muitas ou- tras, inclusive, é claro, a história da educação. Todas se intitulam de histórias, mas, na realidade, cada uma delas está vinculada a um campo específico do co- nhecimento, de tal maneira que a perspectiva históri- ca constitui apenas um tipo possível de abordagem, algo que se situa entre uma espécie de história apli- cada a determinados objetos e a visão que se supõe histórica acerca do desenvolvimento de idéias ou teo- rias ao longo de um eixo cronológico.
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Cousas do Preste : da verdadeira informação à história de Etiópia : visões da Etiópia em Francisco Álvares e Pêro Pais

Cousas do Preste : da verdadeira informação à história de Etiópia : visões da Etiópia em Francisco Álvares e Pêro Pais

411 Era uma época de conjuntura difícil para os estados peninsulares: problemas financeiros, decréscimos do comércio das especiarias ataques ao monopólio e navios portugueses pelos inimigos da monarquia espanhol, ingleses e holandeses.Concorrência holandesa na Ásia ( constituição da Companhia Holandesa das Índias em 1602); contestação ao monopóçio comercial /político e religioso de Portugal no Oriente). Esta situação agudiza-se após 1630; segundo Oliveira Marques até essa década o Império Português do Oriente apresenta-se estável , apesar de perdas como Ormuz em 1622 e Amboíno em 1605. Porém foi necessário considerável esforço para conter os ataques holadeses às possessões portuguesas e revoltas indígenas. Cf. C.R. Boxer, O Império Colonial Português, 2ª ed., Lisboa, Edições 70, s.d., pp.117 e ss.; A H. de Oliveira Marques, História de Portugal 8ª ed.,Vol. I, Lisboa, Palas, 1978p.453 e ss.; Fernanda Olival, D. Filipe II, Reis de Portugal, Lisboa, Círculo de Leitores, 2007,pp. 175/177 412 Como refere Pais «(...) tendo contra nós hu Principe tão grande(...) era grande impedimento pera se dillatar nossa s.ta fee(...); Pello q aqlle verão e parte do Inverno q elle esteve cõ o Emperador, me pus mui de proposito a lhe dar rezão de Nossa S.ta fee(...)», Pais, op cit.Vol, III,p.190
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ENSINO DE HISTÓRIA: entre história e memória

ENSINO DE HISTÓRIA: entre história e memória

Aqui encontramos indícios mais do que evidências concretas. No campo da história, dificuldades para a realização de pesquisas, o pouco ou nenhum interesse pela educação, o preconceito em relação às produções e realizações de professores voltados para este fim. Interdições aparecem aqui mais pelo ‘não-dito’, seja ele impeditivo ou depreciativo. No campo da educação, o tecnicismo, as abordagens sócio-políticas e/ou psicologizantes relegaram as questões do ensino para um limbo do qual tem sido difícil se libertar. Apenas recentemente temos verificado esforços mais sistemáticos voltados para seu estudo, com base em outros paradigmas que têm a epistemologia do conhecimento escolar e dos saberes docentes como fundamentação teórica renovadora, conforme já discutido anteriormente.
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História na ficção ou história e historicidade

História na ficção ou história e historicidade

No final do século citado, Euclides da Cunha viajou para Canudos como repórter. Seus textos seriam, em princípio, documentais. Deles surgiu inicialmente a obra Canudos: diário de uma expedição que evoluiu para outra — Os sertões —, cuja classificação tem gerado polêmica entre os estudiosos. Para alguns, prevalece, nessa obra, o elemento sociológico; para outros, ela é literária em sua essência. O mesmo ocorre à obra La ciudad e los perros de Mario Vargas Llosa que se situa no limiar entre literatura, história e ensaio sociológico, tendo resultado de uma efetiva articulação entre a concretude dos eventos relatados e a imaginação. Trata-se de uma obra sócio-literária, em que se articulou a pesquisa social à construção do enredo e à ação ou à forma como se deu a peripécia dos personagens.
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Do valor da história à história dos valores.

Do valor da história à história dos valores.

É essa tese que o presente artigo pretende justificar estabele- cendo a seguinte escansão: o problema da história se põe de início a Nietzsche como aquele de seu valor, este podendo determinar- -se, por hipótese, apenas em referência a um estalão não histórico – a vida. Mas, em 1878, o projeto de uma “filosofia histórica”, cuja materialização privilegiada é uma história dos sentimentos morais, o conduz a inverter a questão e a conceber uma história dos valores. A dificuldade consiste então em saber como de fato escrever tal história sem reintroduzir a teleologia recusada inicial- mente, e é para tanto que Nietzsche recorre ao motivo utilitário. Tem início uma longa discussão com o utilitarismo, e a genealogia stricto sensu só poderá instaurar-se, em 1887, sobre sua liquidação retroativa. Em suma, em vez de perguntar-se que valor tem a his- tória, é preciso perguntar-se antes como a história permite pensar o problema dos valores; ora, ela o permite com eficácia somente ao emancipar-se do utilitarismo (mas qual ao certo?), afirmando que a própria utilidade é um valor que deve tudo a formas de vida muito pouco entusiasmantes.
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Literatura na história e não história da literatura.

Literatura na história e não história da literatura.

Mas para poder chegar a qualquer proposta prática, era ainda preciso definir alguns elementos básicos. Um deles dizia respeito ao famoso amor à leitura. Nenhum professor de matemática ou de química ou mesmo de história se coloca a missão de transformar seus alunos em seres que amam suas disciplinas – embora, é claro, fiquem satisfeitos quando isso eventual- mente acontece. Nem a sociedade tem exigido desses professores o cum- primento dessa tarefa. O professor de literatura, ao contrário, tem que ser um camarada capaz de instilar o amor à leitura. É compreensível que essa demanda apareça. Nossa sociedade dá alto valor à leitura e a considera potencialmente prazerosa – mas não gosta de ler. Então transfere para a escola a responsabilidade de fazer aquilo que é importante ficar de verdade prazeroso. Ninguém ignora que o afã de suprir essa demanda levou, muitas vezes, a um afastamento do texto. Contornou-se, muitas vezes, essa enor- me dificuldade, através do recurso às histórias mais picantes, engraçadas ou comoventes que envolviam os autores e os períodos. E haja desilusão amorosa e comportamento ousado para atrair os alunos à literatura! Sem mencionar o quanto o coitado do Chico Buarque teve que ver suas músicas transformadas em exemplos vivos e extraviados de cantigas de amigo só por darem expressão a uma voz feminina.
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ENSINO DE HISTÓRIA E HISTÓRIA CULTURAL:

ENSINO DE HISTÓRIA E HISTÓRIA CULTURAL:

No que se refere aos debates sobre o Ensino de História no Brasil, as contribuições de Rüsen serão apropriadas por diferentes pesquisadores 3 , especialmente a partir dos anos de 2000. Contudo, Adalberto Marson, em seu texto “Reflexões sobre o procedimento histórico”, publicado nos anos de 1980, já havia proposto uma reflexão sobre o referido assunto. Sua abordagem inicia com duas questões: “Como distinguir o que seja realmente uma teoria? Como estabelecer a junção da teoria com a prática?” (1984, p. 37) Assim, o conhecer em história, especialmente a relação entre sujeito e objeto no processo de conhecimento, os termos e os conceitos que regem as regras do procedimento e a noção de documentos, dentre outros, são motes explorados pelo autor para demonstrar que não é possível dissociar ensino e pesquisa ou professor e pesquisador. Em outras palavras, o conhecer em História traz à tona questões epistemológicas, teóricas e metodológicas, as quais põem em evidencia as demandas do tempo em que foram produzidas e legitimadas, por isso é válido sempre considerar o professor como pesquisador.
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História da Matemática: história de uma disciplina

História da Matemática: história de uma disciplina

No que tange à bibliografia, não houve modificação. Dessa for- ma, as obras traduzidas de Carl Benjamin Boyer e de Howard Eves eram e ainda são utilizadas quando se trata do ensino de História da Matemática. Entretanto, a forma com que tais textos foram adotados é o que determi- na o diferencial desses dois períodos. Isto é, no primeiro momento, esses textos foram usados para dar continuidade a um curso de Matemática. Num segundo, as leituras foram tratadas de forma epistemológica, nas palavras do professor. Ele procurava discutir com seus alunos o desen- volvimento histórico da Matemática, considerando os aspectos culturais, situando temporalmente os estudantes e assumindo uma postura crítica frente ao conteúdo apresentado no próprio livro.
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A ciência da história e a história da educação

A ciência da história e a história da educação

Feitas as ponderações acima, avanço para uma outra questão. No que diz respeito à metodologia da pesquisa o que acontece no fazer da história da educação? Bem, em princípio pode-se dizer algo muito semelhante ao que já foi dito sobre as mudanças ocorridas na escrita da história da educação em decorrência das alterações no modo de produzir o conhecimento histórico em geral. Do ponto de vista da metodologia da pesquisa a história da educação acompanha também aquelas propostas que decorrem da ciência da história. A presença de ortodoxos, entenda-se coerentes positivistas, marxistas e seguidores da Escola dos Anais acontece no conjunto da produção historiográfica e de certa maneira pelo mundo afora. As influências de várias escolas positivistas, de muitos marxismos e das duas primeiras gerações dos Anais são constantes por todos os cantos acadêmicos. Sempre houve a presença de ecléticos e mais recentemente de uma perspectiva que se identifica por Nova História desde a segunda metade do século passado. Isso tudo reproduzindo tão somente a ponta de um imenso iceberg.
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História em quadrinhos e ensino de História

História em quadrinhos e ensino de História

Figura 9 – Cena de Adolf. O jovem Adolf, filho de pai alemão e mãe japonesa, é pressionado a assumir posições antissemitas pela direção da escola. (Sentido da leitura: da direita para a esquerda.) Adolf caracteriza-se pelo cuidado com a apresentação da ambientação his- tórica e por fornecer tabelas distribuídas pelo texto com indicações dos aconte- cimentos que se passam no período da trama, elementos que auxiliam o trato dos docentes com o mangá. Além disso, a obra aborda temas como a propaganda nazista, o preconceito e a perseguição aos judeus, a atuação de pessoas comuns no desenvolvimento do nazismo, e o antissemitismo fora da Alemanha, aspectos diretamente relacionados às aulas de História sobre meados do século XX, mas que também podem ser explorados em discussões temáticas. Não obstante, con- sideramos que a principal singularidade de Adolf está em propor uma visão de meados do século passado com base em três personagens distintos, articulando suas trajetórias em torno da guerra. Nas últimas décadas, com o chamado “res- surgimento da narrativa” (Lawrence Stone), a História vem buscando explorar academicamente outras maneiras de construção textual; pensamos que Adolf constitui interessante via dessas orientações para o trabalho em sala de aula.
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História vivida, história pensada

História vivida, história pensada

Pode-se dizer que o “realismo histórico” é uma das grandes preocupações manifestadas, de uma forma ou de outra, nos textos aqui apresentados. Essa fórmula pode ser compreendida como uma aceitação, se não uma defesa, do estatuto ontológico da história-vivida (ou história-objeto, na expressão de Pierre Vilar). Está contemplada nessa discussão a questão da “verdade” (que já foi tratada, como visto, em outros momentos do texto) nos estudos históricos, negada por algumas tendências historiográficas sob o argumento da impossibilidade de atingi-la em função do objeto analisado não existir mais, porém seguidamente reafirmada pela maioria que a defende:
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História oral, memória, história

História oral, memória, história

Na contramão, também a memória deve ser tomada com cautela. O próprio Portelli, em outro artigo, estudou militantes comunistas dentro do conceito de cultura política, 6 notando que estes desenvolviam narrativas ucrônicas, no sentido de construção de algo que gostariam que tivesse acontecido (PORTELLI, 1993), ou seja, histórias feitas de modo afetivo e parcial. Philippe Artières, para dar mais um exemplo, chamou a atenção para o fato de que a memória é construída de acordo com o local, o interlocutor e a situação. Ao abordar a autobiografia de um criminoso, preso no final do século XIX, percebeu o papel central do destinatário do texto autobiográfico do criminoso, qual seja, o Médico. Deixou claro que o detento utilizou aquela situação para justificar seus atos para quem sabe conseguir qualquer benefício. O que interessa saber é que, provavelmente, caso o interlocutor fosse outra pessoa e em outra situação, sua história seria muito diferente (1998). Está claro que o debate sobre a história oral e a memória ainda levanta muitos problemas e virtudes, o que submete este método de análise a revisões freqüentes e a constante busca por novas formas de abordar as fontes orais. Questões à parte, deve-se atentar que essa nova relação história/memória levou a transformações interessantes, como observou Michael Frisch. Com a história oral ganhando terreno e a memória sendo rediscutida, é inegável que a memória subverteu a história, na medida em que estimulou revisões epistemológicas e indicou outros caminhos e possibilidades de se fazer história. Não obstante, a história também subverteu a memória. O que dizer do fato de que a história, a partir do momento em que recuperou e estimulou memórias escondidas e caladas, 7 expôs problemas que estavam velados no seio da sociedade, trazendo os excluídos ao centro do
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