História da prostituição

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Uma história da prostituição feminina em Delmiro Gouveia - AL, 1970-1990

Uma história da prostituição feminina em Delmiro Gouveia - AL, 1970-1990

Esta pesquisa visa compreender como funcionavam as práticas de prostituição feminina em Delmiro Gouveia - AL durante o período de 1970 e 1990. Organizada em cinco capítulos, no primeiro, “Introdução”, apresentamos a problemática do objeto de estudo, os métodos utilizados e os resultados. No segundo, tecemos discussões teóricas referentes à historiografia das mulheres no Brasil; No terceiro, apresentamos a participação das mulheres em vários acontecimentos que marcaram o país entre as décadas de 1970-1990, trazendo ainda o conceito de prostituição contemporânea. No quarto, discorremos sobre a história do município de Delmiro Gouveia imbricada com as práticas de prostituição feminina e no recorte temporal 1970 a 1990. E no quinto, “Considerações finais”, trazemos os resultados e possíveis direcionamentos para novos/as pesquisadores/as. Para a concretização deste trabalho, foi feito um levantamento bibliográfico, no qual envolveu vários estudiosos como Margareth Rago, Michelle Perrot, Paulo Roberto Ceccarelli, entre outros. Foram usados também como metodologia relatos orais. Esta pesquisa é importante para que os habitantes de Delmiro Gouveia tenham conhecimento da história da prostituição feminina da cidade (1970-1990) e também para auxiliar na ampliação de debates acerca da prostituição feminina no Brasil.
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Estigma, legitimidade e legalidade. Fragmentos da história da prostituição.

Estigma, legitimidade e legalidade. Fragmentos da história da prostituição.

Os abolicionistas baseavam os seus argumentos, em primeiro lugar, numa avaliação do sistema de tolerância e das suas pressuposições. A ideia de que a prostituição era necessária porque servia o bem-estar dos homens celibatários foi sendo minada por várias investigações (por exemplo, uma efectuada em Amesterdão, em 1895), 369 nas quais se concluiu que a clientela das prostitutas era constituída, na sua grande maioria, por homens casados. Quanto ao con- trolo médico das meretrizes, este foi denunciado como um pro-forma. Muitas vezes a observação era efectuada em espaços escuros e sórdidos, sem que o médico tocasse na mulher, apenas confiando naquilo que julgava ver e chei- rar. 370 E a eficácia do sistema no combate da doença não parecia grande. Ago- ra, sabemos que o diagnóstico da sífilis apenas pode ser estabelecido após análises microscópicas (Taithe 1999: 34). Aliás, um tratamento eficaz desta doença data só do século XX, com a introdução do Salvarsan, 371 e, mais tarde, da penicilina. O sistema de regulamentação tinha muitos “furos” porque era impossível controlar todas as prostitutas; havia um grande mas desconhecido número de clandestinas. Aliado a este problema estava a “volatilidade”, que tem sido uma característica básica das prostitutas. 372 A maior falha, que punha todo o sistema em causa, era, contudo, o facto de que apenas as prosti- tutas eram controladas, os clientes não. 373 O combate da sífilis apenas por atenção à prostituição era de qualquer forma insuficiente, atendendo à possi- bilidade de proliferação da doença por contactos heterossexuais fora do âmbi- to da prostituição e por contactos homossexuais. 374
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A HISTÓRIA DE EXCLUSÃO SOCIAL E CONDENAÇÀO MORAL DA PROSTITUIÇÃO  Maria Cecília Máximo Teodoro, Thais Campos Silva

A HISTÓRIA DE EXCLUSÃO SOCIAL E CONDENAÇÀO MORAL DA PROSTITUIÇÃO Maria Cecília Máximo Teodoro, Thais Campos Silva

Muitos autores, e até mesmo o senso comum, dizem que a prostituição é a profissão mais antiga do mundo. Considerar verdadeira essa assertiva torna ainda mais imprescindível trazer à tona o debate saudável, respeitoso e científico sobre o tema. A análise histórica tem papel importante na formação de opinião e na produção do conhecimento. Tem o presente artigo a finalidade de fazer um apanhado da história da prostituição, buscando perceber a exclusão social a que essas pessoas foram submetidas. Não se constrói um futuro digno, esquecendo-se do passado.
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Prostituição e Lenocínio: Um breve contributo ao debate

Prostituição e Lenocínio: Um breve contributo ao debate

138 verdade é que, legalmente, os homens podiam bater nas mulheres, em termos legais, durante muito tempo, portanto, isto não pode ser desligado da realidade atual. O que eu quero dizer com isto é que, se calhar, há reconfigurações, numa continuidade da figura das mulheres terem sempre qualquer coisa transacionável, e eu vou desenvolver, e já termino, porque vou falar de uma investigadora que infelizmente não me lembro o nome, que ouvi em 2011, ela é brasileira e estava a trabalhar em Espanha a investigar uma zona onde havia muita prostituição de origem brasileira, de uma zona em concreto do Brasil. E ela entrevistou clientes, e então caracterizou os clientes que ela tinha entrevistado como bastante jovens e com atitudes muito violentas. E, quando eu penso em violência, no sexo, penso em coisas sem consentimento. Para mim, isto é violência. E, quando eu lhe perguntei, se ela tinha perguntado porque é que eles acediam, sendo jovens, portanto, não correspondendo eles ao estereótipo das pessoas que tinham capital de sedução erótico de conquista, não é? Porque é que eles recorriam a serviços sexuais pagos, a resposta dela, que para vocês se calhar já não é novidade, mas para mim, foi uma coisa que me chocou imenso. A resposta que ela ouviu foi “porque é muito mais barato do que ter uma namorada. Eu não tenho que a levar ao cinema, eu não tenho que pagar o jantar…”. E esta ideia de que é sempre preciso pagar por sexo, seja de que forma for, faz com a visão seja de que todas as mulheres vendem sexo. Seja na rua, seja…sejam elas prostitutas ou não. Ou seja, no fundo, somos todas prostitutas, mas umas estão na rua, e é essa a sua atividade principal, outras estarão em casas, outras fá-lo-ão de inúmeras formas, e depois há…mesmo as outras que não se prostituem, vendem sempre…é preciso sempre comprar. A ideia de que há um grupo que precisa de adquirir algo que o outro tem. É como se as mulheres fossem fiéis depositárias da sua sexualidade, que está disponível para quem pode comprar, seja num cenário de conjugalidade, num cenário de pré-conjugalidade, ou num cenário de mercado.
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Prostituição, recorte histórico em Chapecó

Prostituição, recorte histórico em Chapecó

Conceitualmente, a prostituição se caracteriza através da troca de favores sexuais, sendo ela por dinheiro, bens materiais, informações ou favores profissionais. Historicamente, recorre-se às prostitutas como a aquisição de um serviço, tal como coito anal, práticas sado masoquista entre outros. Na prostituição, geralmente os beijos não fazem parte do contrato; mas cada parte do corpo, cada especialidade é tarifada. Em uma visão geral, os consumidores buscam o “sujo”, o vulgar e o obsceno, o qual geralmente só obtém somente com a prostituta e o ambiente onde ela está inserida, sejam bordeis, boates, whisquerias entre outros nomes dados as localidades. Ou seja, tanto a prostituta como local é que está corrompida aos conceitos morais e éticos de uma sociedade. É aquela que se permite e vai possibilitar ao sexo em todos os termos e de todas as formas.
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Caminhos e descaminhos da prostituição viril

Caminhos e descaminhos da prostituição viril

Apesar de a clientela não ser o objetivo principal desta pesquisa, percebe-se na fala dos michés, apenas na fala mesmo 1 que a invisibilidade desse grupo é mais acentuada que no caso dos[r]

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A Prostituição em Natal nos Anos 40.

A Prostituição em Natal nos Anos 40.

Ao lançar um novo olhar sobre a influência dos americanos, é notório que sua presença modificou o comércio do sexo em Natal e sua saída representou uma derrota para a população de Nata[r]

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Mulheres marcadas: prostituição, ordem e exclusão

Mulheres marcadas: prostituição, ordem e exclusão

Apanham a fama porque, tal como as suas compatriotas a trabalhar na prostituição, evi- denciam alguns atributos que o imaginário so- cial local utiliza como recursos na construção da imagem actualmente predominante da mul- her prostituta. Referimo-nos a elementos físi- cos ou de natureza sociocultural aos quais os indivíduos, tendo em conta as normas, valores e sistemas ideológicos que regulam as estrutu- ras sociais em que estão inseridos, atribuem uma determinada conotação simbólica, toman- do-os como referências centrais no processo de etiquetagem e (des)qualificação social. O con- junto destes elementos constitui, deste modo e neste caso, o grande vector de incidência do estigma puta. Em relação às brasileiras —a maioria com traços fenotípicos mestiços, en- quadráveis na concepção sexualizada da mul- her mulata—, os marcadores mais relevantes e instrumentalizados no processo de estigmati- zação remetem, de um modo geral, para a na- cionalidade, a etnicidade e a «raça» 10 : caracte-
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Imagens da diferença: prostituição e realojamento na televisão

Imagens da diferença: prostituição e realojamento na televisão

A grande pergunta subjacente a esta pesquisa de campo foi: «Como é que as mulheres ciganas se apropriam das imagens sobre a sua comunidade?» No caso da peça televisiva visualizada, enu[r]

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Problemática da prostituição masculina na Atenas Clássica

Problemática da prostituição masculina na Atenas Clássica

Segundo o discurso de acusação de Ésquines, na sua juventude, Timarco deverá ter sido fisicamente atraente, o que terá motivado uma intensa actividade amorosa, sobretudo com homens mais velhos do que ele. Pelo menos, é o que se deduz da forma como o discurso está estruturado. Este dado confirma também a necessidade do contexto a que aludimos acima, uma vez que implica os tais androfilia e androerotismo que parecem ter estado presentes na cultura grega clássica. Só assim se compreenderá a pertinência das palavras e insinuações de Ésquines, que de outra forma, decerto, simplesmente omitiria o elemento. Ao mesmo tempo que alinha episódios e referências que ajudam a compreender o contexto social e jurídico do processo movido contra Timarco, Ésquines refere os episódios que são entendidos como casos de prostituição a par de outros elementos que servem de demonstração dos restantes argumentos acusatórios. Veja-se a forma como o orador enceta esta parte do discurso (Tim. 39): “Obser- vai, Atenienses, com quanta moderação vou proceder em relação a esse Timarco. Passo por alto os devaneios que, sendo um rapazito, cometeu contra o seu próprio corpo… Em contrapartida, as acções que cometeu estando já na idade da razão, sendo um jovenzinho e conhecendo as leis da cidade, em torno dessas formularei as minhas acusações…”
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Cruzando fronteiras: prostituição e imigração.

Cruzando fronteiras: prostituição e imigração.

As opiniões diferentes indicam que o debate público acerca da temática deve ser ampliado. A que se deve a moralização que as mulheres fazem de sua própria atividade? Às concepções históricas estigmatizantes? À violência que muitas vezes sofrem? Penso que tanto as perspectivas abolicionistas como as não abolicionistas devem considerar esse paradoxo. Escutar a voz e olhar o rosto de mulheres imigrantes que exercem a prostituição é abrir um espaço para a heterogeneidade de experiências. O coletivo de imigrantes e prostitutas não é homogêneo e a diversidade de experiências, vivências, opiniões, hierarquias (Barreto, 2008) e valores deve ser considerada nas discussões políticas acerca desses temas. A vinculação entre imigração/prostituição e tráfico deve ser problematizada, de forma a identificar as intenções político-ideológicas presentes nessa conexão. Criar espaços para esse debate, com todas as suas tensões, pode ser um caminho a ser seguido pela política pública, de modo que as políticas direcionadas às mulheres imigrantes que exercem a prostituição possam ser para elas e também pensadas com elas. É fundamental para a democracia considerar a pluralidade de vozes e experiências de diversos atores que participam dessas realidades.
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A PROSTITUIÇÃO NO SISTEMA JURÍDICO PORTUGUÊS

A PROSTITUIÇÃO NO SISTEMA JURÍDICO PORTUGUÊS

“Na incriminação do lenocínio não se inclui aquele que se limita a viver dos ganhos da pessoa que se prostitui, ainda que com conhecimento da fonte dos rendimentos, o chamado “rufianismo”. Também não se encontra abrangido pela incriminação do lenocínio o cliente, uma vez que este, ainda que facilite ou favoreça o exercício da prostituição, não atua profissionalmente nem com intenção lucrativa ” - v. LEITE, Inês Ferreira, “Prostituição: feminismo e capitalismo no debate legalização v. Incriminação ”, Revista Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, n.º 35, 08-2016. Podemos ainda dividir o crime de lenocínio, em simples e agravado: “A diferença específica entre o lenocínio simples (artigo 169.º, n.º 1) e o lenocínio agravado (artigo 169.º, n.º 2) radica na natureza do relacionamento entre quem explora e quem se prostituiu, isto é, na existência ou não da corrupção da livre determinação sexual: havendo livre determinação sexual de quem se prostitui, o lenocínio é simples; não havendo essa liberdade, o lenocínio é agravado .” AC. TRC de 10-07-2013, relator Fernando Chaves. http://www.dgsi.pt/jtrc.nsf/8fe0e606d8f56b22802576c0005637dc/b2f9210c6cacbcfe80257bc200 4f014c?OpenDocument
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Prostituição no Porto (dito) romântico

Prostituição no Porto (dito) romântico

Comummente, na perceção dos clínicos portuenses de Oitocentos, a manutenção da Prostituição no Porto e no restante país era aconselhável, desde que nos moldes de um regime de tolerância com a divulgação de medidas profiláticas contra as doenças venéreas, diretamente relacionadas com as meretrizes como principal foco da sua disseminação . A maioria das suas apreciações profissionais prendia‑se, portanto, com o exame e a prevenção dos riscos para a Saúde Pública e as suas propostas médico‑clínicas pela promoção de hábitos e cuidados higiénicos pessoais, englobavam: a instrução das mulheres e dos seus clientes para os sinais e tratamento do tipo de doenças sexualmente trans‑ missíveis, a utilização de métodos contra a sua transmissão (preservativo, águas higiénicas, cremes e loções desinfetantes, etc .) e o combate acérrimo à prostituição clandestina 24 .
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Globalização, prostituição e tráfico de pessoas

Globalização, prostituição e tráfico de pessoas

A construção da ideia de que tráfico é crime, obviamente além de sê-lo, car- rega o simbolismo de apontar para redes de organizações e pessoas, penalizando condutas e criando inimigos difusos. A desregulamentação dos mercados rela- ciona-se à necessidade de mobilidade para a busca de formas de sobrevivência. Mobilidade que se configura transnacionalmente. O entendimento focalizado na criminalização da conduta do tráfico quer seja nacional quer seja internacio- nalmente, dissimula a sua relação com a própria organização das relações eco- nômicas assimétricas entre países, na desigualdade de ofertas e oportunidades permeadas por questões de gênero, na estigmatização e discriminação de deter- minadas ocupações, na falta de regulação de direitos trabalhistas. A criminaliza- ção da conduta, sem o diálogo e o desenvolvimento de políticas públicas em rede de enfrentamento ao tráfico, mascara o enriquecimento gerado por atividades não regulamentadas e pela perseguição aos migrantes. A ocupação em atividades desvalorizadas e mal remuneradas, que contribuem para o enriquecimento dos países centrais, passa pelo controle seletivo de políticas criminais e migratórias. No caso do exercício da prostituição, não é diferente. Redes de tráfico de fato existem e também suas vítimas. No entanto, é preciso separar quem são de fato as vítimas desse crime daquelas que, compelidas a buscar melhores condições de vida, escolhem, ainda que sob as estruturas materiais desiguais do capitalismo globalizado, a atividade da prostituição como forma de trabalho.
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PROSTITUIÇÃO: UMA VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

PROSTITUIÇÃO: UMA VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Ana Paula tem treze anos, esta grávida e não tem ideia de como cuidar do filho. Entrou na prostituição com doze, acostumada com a movimentação no bar de sua mãe adotiva. Não se lembra de quando começou a fazer programas no bar, onde há quartos destinados a encontros amorosos. “Às vezes sinto vergonha de transar lá”, admite. Agora, está mais preocupada com o filho, parou de sair com homens e pergunta: ”Será que machuca o nenê (sic)”? (DIMENSTEIN, Gilberto. Meninas da Noite, 1997, p.31).

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Prostituição e sentido de vida: relações de significado.

Prostituição e sentido de vida: relações de significado.

virtude da autorresponsabilização pela manutenção do grupo doméstico (o próprio, o dos filhos e de outros membros da família), e o baixo nível de escolarização, que dificulta sua inserção no mercado de trabalho. Na mesma direção, Gaspar (1985) afirma que a miséria econômica é vista, no Brasil, como um dos principais motivos de ingresso no mundo da prostituição e que as desigualdades econômicas e sociais fomentam a exploração e o comércio do sexo. Para continuar no mercado, as mulheres precisam se diferenciar em seus atributos físicos e sociais. Sendo assim, o culto à beleza e a preocupação com os modismos fazem parte do cotidiano dessas mulheres. Portanto, numa sociedade em que “ser bonita” e “estar bem vestida” é quase um sinônimo de realização pessoal, sucesso e felicidade, fugir a estes padrões pode ser visto como uma ameaça às possibilidades de trabalho (Gaspar, 1985).
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Rodando a bolsinha: dinheiro e relações de prostituição

Rodando a bolsinha: dinheiro e relações de prostituição

vista o dinheiro e a prostituição como dois símbolos que me ajudam a compreender a sociedade. O capítulo 5 organiza-se em dois sub-itens, nos quais pretendo discutir a afetividade e o amor nas relações de prostituição, percebendo-os como elementos vivenciados individualmente, de acordo com as possibilidades que tais relações permitem, mas também socialmente, pois remetem a repertórios sociais que dão o tom e indicam a forma como são significados no interior da relação. Aqui, levo em consideração que a afetividade e o amor são construções humanas e sociais e, portanto, não estão imunes à forma como a sociedade se organiza. Em outras palavras, a afetividade e o amor experimentados e vivenciados em nossa época são aqueles possíveis de existir na sociedade do dinheiro. Além disso, tento não esquecer que as prostitutas da Praia do Meio, por vivenciarem uma condição específica, também re- significam tais sentimentos de forma que eles caibam em suas próprias representações, anseios e necessidades.
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Prostituição: Que Modelo Jurídico-Político para Portugal?.

Prostituição: Que Modelo Jurídico-Político para Portugal?.

bém punido aquele que se dedicar ao tráfico de pessoas para a prática, em outro país, da prostituição (Código Penal Português, art. 169). Segundo Carmo e Fráguas (2003), o lenocínio é um crime difícil de com- provar, visto que, muitas vezes, as mulheres mantêm três tipos de rela- ção com os proxenetas: medo, acordo mútuo ou relação afetiva; por isso, as situações não são denunciadas nem são aplicadas medidas punitivas. Cabe ainda referir que, entre 1983 e 2001, existiram diversas tentativas, por parte dos governos civis, para voltar ao proibicionismo. Muito em- bora a prostituição em si não seja ilegal, algumas atividades que cons- tituem ofensa contra a decência e a ordem pública serviam de argu- mento para as autoridades deterem para identificação e/ou averiguação ou conduzir a julgamento especialmente aquelas que ope- ravam nas ruas (Silva, 2007). Em 2001, o Tribunal Constitucional decla- rou essas detenções anticonstitucionais (Carmo e Fráguas, 2003). Carmo e Fráguas (2003) e Oliveira (2004) consideram que o modelo vi- gente corresponde a um vazio legal que ignora a existência da ativida- de e não reconhece direitos nem poder reivindicativo aos(às) trabalha- dores(as) do sexo. Atualmente, debate-se uma mudança legislativa em que subsistem, tal como no passado, os defensores do abolicionismo e os que consideram a prostituição um trabalho, argumentando que se trata de uma escolha, não difere de outras profissões e pode ser uma ocupação bem-sucedida (Pacheco, 2000).
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Prostituição na adolescência: interfaces com a instituição familiar.

Prostituição na adolescência: interfaces com a instituição familiar.

Em todas as famílias, permeiam um complexo de relações que se articulam à história social, cultural e econômica do lugar em que vivem. Nesse contexto, dependendo dos atributos que foram oferecidos aos seus membros, as situações conflitantes poderão ser vividas de forma tranqüila ou não, deixando profundas marcas que se refletirão futuramente. Observamos que a maioria das entrevistadas são primogênitas, sendo necessário um análise desse contexto. Acreditamos que o primogênito de uma maneira geral, carrega consigo um grande carga de expectativas e responsabilidades por parte não só dos pais, mas de todos os membros familiares. Em sua pesquisa realizada com filhos primogênitos, observou-se que além das expectativas, ocorre um grande nível de exigência quanto aos encargos domésticos, muitas vezes inadequados para a idade cronológica que se encontram no momento, podendo acentuar as situações de conflitos e estresse (13) . Também fica salientado que quando se trata de
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Prostituição infantil: uma questão de saúde pública.

Prostituição infantil: uma questão de saúde pública.

Especialmente sobre a prostituição infantil feminina, Saffioti (1989), em termos concei- tuais, observa que há duas abordagens sobre exploração sexual: uma se confunde com o conceito de exploração econômica, enquanto outra se refere à obtenção de prazer, com prejuízos da saúde mental de quem está sendo explorado. Nas duas abordagens está implícita a idéia de dominação, perpassada pelas catego- rias de sexo e idade. Isso é melhor explicado a partir do fato de a sociedade ocidental ser “androcêntrica” e “adultocêntrica”, nela se tornando visíveis o poder do homem e o poder do adulto. Esta dupla opressão da qual a meni- na-prostituta é vítima também encontra-se assinalada em outros autores, como Santos (1991).
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