História Intelectual

Top PDF História Intelectual:

História intelectual e história da educação: questões teórico-metodológicas     de pesquisa

História intelectual e história da educação: questões teórico-metodológicas de pesquisa

Resumo: O texto discute os referenciais teórico-metodológicos da História Intelectual com o objetivo de contribuir para a problematização da educação como objeto histórico. O caminho analítico investiu no conceito de trajetória como a possibilidade de acompanhar os deslocamentos que se desdobram nos espaços e tempos sociais, presente nas obras de Pierre Bourdieu e de J. Sirinelli; a análise da polissemia e polimorfia do termo intelectual destacando seu caráter sociocultural e político de criador e mediador de cultura problematizada na obra de J. Sirinelli; e, por fim, os conceitos de geração, de laço de geração e de unidade geracional como um conjunto de sensibilidades e afinidades comuns capazes de criar sentimentos de pertença e partilha cunhados por Karl Mannheim. Buscou-se realçar as especificidades da pesquisa em História Intelectual, sobretudo, se analisada comparativamente a modalidades mais tradicionais da pesquisa em História e em História da Educação.
Mostrar mais

20 Ler mais

A história intelectual e a virada ontológica na antropologia

A história intelectual e a virada ontológica na antropologia

Pretendemos apresentar, neste artigo, uma investigação sobre a contribuição que a virada ontológica na antropologia contemporânea pode proporcionar para a história intelectual. Trata-se de pensá-la como uma resposta a certas tendências formalistas da virada linguística, especialmente pelo primado ontológico conferido aos existentes, incluindo não humanos, o que reforça seu caráter materialista, por vezes antinarrativista e antitextualista. Ao longo dos últimos 20 anos, algumas tendências de pensamento reivindicam um retorno às coisas do mundo em seu caráter de tangibilidade e de presença, bem como uma retomada de modos de existência que foram subordinados ao naturalismo como ontologia primeira. É para essas tendências que nos direcionamos a seguir, de modo que possamos destacar sua importância para repensar a história intelectual. O artigo foi dividido em três partes: na primeira, apresentamos algumas características da história intelectual no interior da virada linguística e para além dela; na segunda parte, apresentamos algumas ideias da virada ontológica na antropologia, consubstanciadas na antropologia simétrica, na antropologia da natureza e no perspectivismo ameríndio; por fim, lançamos mão de um exemplo empírico da história intelectual no Brasil que pode permitir uma leitura da obra como presença de duas ontologias: a naturalista e a animista. Trata-se da obra Os sertões, de Euclides da Cunha.
Mostrar mais

17 Ler mais

História intelectual no Brasil: a retórica como chave de leitura.

História intelectual no Brasil: a retórica como chave de leitura.

Tem faltado, sobretudo, uma reflexão mais aprofundada sobre os pro- blemas específicos enfrentados pela história intelectual em países pós-co- loniais. A proximidade ocidental, gerada em um processo de dominação colonial de longa duração, torna particularmente complexa a tarefa de in- terpretar a vida intelectual desses países. Não se quer com isso dizer que sejam eles os únicos a importar idéias. A circulação de idéias é fenômeno universal. A Revolução Francesa foi tributária de idéias e valores estéticos do mundo antigo, sobretudo de Roma, o mesmo podendo ser dito da Revolução norte-americana. Parece, no entanto, que a iberoamérica apre- senta pelo menos duas características que a tornam distinta, no ponto que aqui me interessa, de outros países gerados pela expansão européia. A pri- meira tem a ver com o fato de ter sido a colonização controlada pelo Esta- do metropolitano. De particular importância aqui foi o controle do siste- ma educacional, exercido pelo Estado e pela Igreja oficial. Mesmo onde a educação superior foi mais difundida, como nas ex-colônias espanholas, o controle sobre currículos, compêndios, idéias e métodos didáticos, era ri- goroso. No caso da colônia portuguesa, o controle era ainda muito mais rígido, uma vez que se proibiu a criação de universidades e escolas superio- res na colônia, obrigando-se os coloniais a buscarem o ensino superior na metrópole.
Mostrar mais

30 Ler mais

Idéias para um programa de História intelectual.

Idéias para um programa de História intelectual.

No que diz respeito ao programa que tento aqui delimitar, os próprios textos são objetos fronteiriços, que estão no horizonte de diferentes interes- ses e disciplinas – a História política, a História das idéias, a História das elites e a História da literatura. O contorno geral desse domínio no âmbito da História intelectual foi traçado inúmeras vezes e basta citar alguns títu- los clássicos para identificá-lo rapidamente: o Facundo, de Sarmiento; Nuestra América, de Martí; Ariel, de Rodó; Evolución política del pueblo mexicano, de Justo Sierra; Siete ensayos de interpretación de la realidad peruana, de Mariátegui; Radiografía de la pompa, de Martínez Estrada; El laberinto de la soledad, de Octavio Paz.
Mostrar mais

9 Ler mais

História da historiografia e temporalidades: notas sobre tradição e inovação na história intelectual.

História da historiografia e temporalidades: notas sobre tradição e inovação na história intelectual.

Incapaz de poder aqui comentar as múltiplas indagações que o texto provoca, pretendo indicar tão somente dois encaminhamentos que me pare- cem particularmente importantes, sobretudo em se considerando o lugar de onde elaboro minha fala: o de um historiador que procura estar atento tanto à dimensão teórica do seu ofício, quanto à historicidade do seu métier. Creio que este lugar em grande medida está contido nas ponderações feitas por Javier Fernández Sebastián, uma vez que tenho para mim que a história da historiografia não é um campo de saber autônomo dentro do conhecimento histórico, mas sim uma das muitas facetas possíveis da história intelectual. Nesse sentido, mais que um comentário crítico sobre pontos específicos do texto, optei por tomá-lo como um ponto de partida para, então, apresentar algumas notas sobre a questão da inovação e tradição na história intelectual.
Mostrar mais

6 Ler mais

Os intelectuais e a política: apontamentos de história intelectual

Os intelectuais e a política: apontamentos de história intelectual

É preciso ponderar que, numa direção o “importante é a compreensão de que as ideias são produtos de um contexto intelectual e político bem como das trajetórias desses agentes”, de modo que também a leitura não é um ato passivo, ao contrário, é “um investimento de sentido daquilo que está sendo lido, o que torna o ato de ler um ato criativo, criando assim um outro universo de signifi- cações”. (HAHN, 2007) De outra parte, nos termos de Marcos Antônio Lopes, em história intelectual seria alta- mente perigosa “uma perspectiva que pensa que o senti- do do texto se resume ao momento de sua enunciação”. Sintetizando a perspectiva que percebe o texto como irre- dutível a mecanismos de controle, Lopes pontua:
Mostrar mais

6 Ler mais

"Interpretar as interpretações": aspectos teóricos da História Intelectual de Michel Foucault.

"Interpretar as interpretações": aspectos teóricos da História Intelectual de Michel Foucault.

operações militares da Segunda guerra Mundial, por exemplo), dificilmente teriam sua realidade negada (o que não deixa de ocorrer esporadicamente). Mas as concepções que delas emergem são muito relevantes para que não assumam logo um lugar de destaque na mira do intérprete. Por isso mesmo as interpretações que se acumulam ao redor de acontecimentos históricos, por muito que possuam incontestável relevo, podem até lançar sombra sobre os próprios fatos, diluindo sua importância. Como ressaltam alguns de seus comentadores, mormente aqueles que não se inclinam a assimilar ou mesmo a admitir as propostas interpretativas de Michel Foucault no plano de uma história intelectual, não há procedimentos metodológicos que se possa identificar como coordenadas palpáveis para a pesquisa. E quando os historiadores de formação e de ofício pressentem o esoterismo de sua linguagem e percebem a sua queda para a redução do valor das provas na reflexão sobre acontecimentos fartos em evidências, a indispo- sição quanto à empresa analítica foucaultiana tende a acentuar-se. Nesse sentido, o hermetismo linguístico e o filosofismo o colocam à margem de um padrão considerado como o de uma normalidade mais confortável. De fato, o pensamento histórico de Foucault pode ser frequentemente percebido como portador de intensidades difíceis de serem assimiladas.
Mostrar mais

18 Ler mais

História intelectual e teoria política.

História intelectual e teoria política.

Durante certo tempo, o trabalho liderado por Koselleck e as teses dele próprio permaneceram circunscritas ao universo acadêmico e lingüístico germânico. Isso começou a mudar quando o ci- entista político norte-americano Melvin Richter publicou um importante estudo divulgando sua interpretação da história dos conceitos (RICHTER, 1995). Embora o apelo de Richter para que se fizesse em língua inglesa algo semelhante ao dici- onário alemão tenha encontrado pouco eco no mundo acadêmico anglo-americano, sua contri- buição vem servindo para despertar o interesse pela história dos conceitos em vários outros paí- ses. A recepção da Begriffsgeschichte promovida por Richter é influenciada pelo cabedal intelectual do autor. Formado em Harvard e Oxford, Richter foi colaborador, além de amigo e colega, de John Pocock e Quentin Skinner, de modo que seu es- forço de inclusão da abordagem koselleckiana no contexto anglófono não dispensou uma compara- ção sistemática dessa abordagem com aquela advogada pelos membros da Escola de Cambridge. Mais do que uma simples comparação, o esforço de Richter voltava-se a “tentar colocar a tradição alemã e britânica no mesmo mapa” (RICHTER, 2006, p. 121). Mais precisamente, tratava-se de buscar uma espécie de combinação entre as duas modalidades de História Intelectual. Com isso, Richter inaugurou uma crescente onda de estu- dos destinados à elaboração de uma metodologia para a história dos conceitos situada “entre Cambridge e Heidelberg”, para usar a expressão de um protagonista holandês desse movimento de fusão (VAN GELDEREN, 1998).
Mostrar mais

20 Ler mais

História intelectual e história da educação.

História intelectual e história da educação.

O trecho continua em uma percuciente lista de tarefas a cumprir, tarefas que mostram bem a presen- ça dos cuidadosos procedimentos da antropologia em trabalhos de uma história que nos parece contempo- rânea a nós próprios. E que, arrisco, atribuiríamos quer a um “senso comum cultivado”, tal a sua faculdade de parecer... consensual e familiar, quer, em uma se- gunda hipótese, a autores já consagrados e que, nos últimos vinte anos, aproximadamente, vincaram, a seu modo, a história intelectual, a história das idéias – e de suas possibilidades de leitura, de circulação, de recepção, de interpretação. Poderíamos, sem muito hesitar, apontar para historiadores que, tendo estabe- lecido novos temas – ou novas maneiras de constituí- los –, foram decisivos para a própria história da edu- cação enquanto prática teórica.
Mostrar mais

8 Ler mais

Em torno da pré-história intelectual do totalitarismo igualitarista.

Em torno da pré-história intelectual do totalitarismo igualitarista.

Ancien Régime ”!). Aqui aflora o sentido de interversão da dialética do iluminismo. Assim, há simultaneamente hybris do progresso, volta a formas arcaicas e inversão de senti- do. Resta rediscutir um outro aspecto. A idéia de que o totalitarismo “de esquerda” realizaria um projeto mais ou menos monstruoso que já fora tentado antes, com menos sucesso, na história moderna. É a tese de Besançon, e, sob uma forma um pouco diferente, a de Malia. Qual a ver- dade dela? Tentei mostrar, anteriormente, o que, a meu ver, poderia ser objetado aos dois autores. Mas, de qual- quer forma, acho que é verdade – e o presente ensaio vai nesse sentido – que o totalitarismo do século XX é, sob certo aspecto, a realização plena de projetos arqueototali- tários, que, até aqui, não haviam obtido mais do que vitó- rias parciais. Para empregar a expressão de Furet (que se refere às Luzes), a história das revoluções revela “virtuali- dades despóticas” que vieram a ser plenamente atualizadas pelo totalitarismo igualitarista do século XX. Onde esta- vam estas virtualidades? No jacobinismo, sem dúvida, mas creio que também – e a análise da relação entre as duas coisas parece exigir ainda muita pesquisa – na violência popular. Não que esta tenha tido só esse lado negativo: na realidade, ela representava a resistência dos domina- dos e explorados. Mas, ao mesmo tempo, muitas vezes, ela revelou traços inquietantes. A violência “de baixo”, com seus excessos, veio a ser canalizada e, ao mesmo tempo, assumida pelo jacobinismo. Na Rússia, a violência popu- lar, que aliás não foi apenas camponesa, foi tolerada e até incentivada pelo Estado, até o momento em que o Estado a incorporou, utilizando-a primeiro contra aqueles contra os quais ela se exercia e, depois, contra aqueles mesmos que a praticavam 53 . A violência “de baixo”, com seus exces-
Mostrar mais

58 Ler mais

UMA HISTÓRIA INTELECTUAL DE ARIANO SUASSUNA: LEITURAS E APROPRIAÇÕES

UMA HISTÓRIA INTELECTUAL DE ARIANO SUASSUNA: LEITURAS E APROPRIAÇÕES

A ação se inicia com um diálogo entre a Mãe de João da Cruz e Regina, moça que guarda uma simpatia inexplicada por João da Cruz. O cenário é a sala da casa de João da Cruz, onde há um presépio. É noite de natal. As duas mulheres destacam o ateísmo de João da Cruz, manifesto na rudeza com que ele trata Regina, moça de virtudes católicas. A mãe de João da Cruz também trata com uma linguagem alegórica o fato do pai de João da Cruz (cujo nome não aparece) ter abandonado a família há muito, vivendo como um peregrino pelo sertão (uma provável tentativa de purgar o crime de ateísmo do filho). Ela diz, por exemplo: “Meu marido procura na pobreza a verdade dos que andam pelo mundo”. Apesar de abandonada pelo marido, a Mãe de João da Cruz acha graça, tal qual o “povo acha graça” nos loucos e na loucura (Esse é um dos poucos momentos no qual aparece, nos textos de Suassuna, uma característica mencionada pelo crítico Enrique Martinez-Lópes, como a loucura, conforme veremos adiante). E novamente reitera que com tal abandono seu marido deseja “procurar a verdade dos que andam pelo mundo”. Pelo contexto, depreende-se que tal “verdade” refere-se a religião cristã (mas isso não é explicitado por Suassuna). E aqui começam a surgir os elementos da linguagem figural-cristã, imensamente utilizados por Suassuna no restante da história. Neste início da ação há outros elementos que remetem à salvação cristã: a história se inicia na noite de natal, data do aniversário de 20 anos de João da Cruz que, portanto, nasceu na mesma data que Cristo. Ele e o seu pai são carpinteiros. O pai lhe havia construído um presépio para comemorar esta data importante. A mãe armou o presépio na ausência de João da Cruz, que saiu para trabalhar neste dia sagrado “sem necessidade, só para me dar desgosto” 391 , (diz a mãe). Suassuna, assim, constrói um contexto que reforça a simbologia figural cristã.
Mostrar mais

314 Ler mais

Tradição intelectual e espaços historiográficos ou porque dar atenção aos textos clássicos

Tradição intelectual e espaços historiográficos ou porque dar atenção aos textos clássicos

E irrelevante neste caso a distinção entre história intelectual e história das idéias, delineada na citação Também secundária se torna aqui nossa discordância de posições que manifesta[r]

18 Ler mais

Sociol. Antropol.  vol.7 número2

Sociol. Antropol. vol.7 número2

refas importantes dos cientistas sociais é mostrar as possibilidades de res- subjetivação da sociedade, apontando as limitações e os riscos impostos a cada um de nós pelo domínio da “cultura objetiva”, mostrando que esta, sem o cultivo desse autoaperfeiçoamento e dessa autoconsciência, poderia con- duzir-nos tragicamente à barbárie. Ao longo de sua vida, Ricardo combateu cotidianamente esse risco. Ele cultivou esse autoaperfeiçoamento no seu cui- dadoso e paciente ofício de intelectual, pesquisador e professor. Mas também na vivência afetiva e bem-humorada de suas relações pessoais. Sua persona coletiva estava de algum modo muito próxima de seu self, do seu ‘eu’ mais profundo, que dialogavam de modo tenso e chegavam, por vezes, perto do impossível encontro entre aquelas incompatíveis dimensões da cultura mo- derna. Esse encontro, permanentemente adiado, foi cultivado por ele de for- ma especial no plano da amizade. Era um artista da amizade. Reconheceu e experimentou como poucos o caráter complexo e indefinível desse sentimen- to. Não por acaso dedicou, nos últimos anos, suas reflexões a esse tema clás- sico em autores que foram objeto de seus estudos, notadamente Gilberto Freyre (1900-1987) e Joaquim Nabuco (1849-1910). Situava o tema dentro de seu amplo e implícito programa de estudos sobre a história da subjetividade ocidental e buscava nesses autores o modo como, em seus textos, construíam sua noção de subjetividade, sua autoconsciência (Araújo 2004; 2005). Enten- dendo a história intelectual como uma espécie de “antropologia cultural re- trospectiva”, na expressão de Stuart Hughes (1975:24) para definir a história, fazia emergir da obra de cada um desses autores categorias de pensamento que pertenciam, de nosso ponto de vista, a um estranho e distante universo social e cultural: o final do século XIX com Nabuco (Araújo 2004: 5-14); o pensamento integralista de Plínio Salgado no contexto dos anos 1920 e 1930 (Araújo 1987); os mesmos anos 30 do século XX, tal como ressoavam na obra de Gilberto Freyre (Araújo 2005). Um etnógrafo no tempo, exercia uma espé- cie de olhar distanciado, construindo entre nós e esses autores uma ponte de mão dupla, que nos permitia, ao mesmo tempo, perceber o quanto eram estranhos ao nosso universo social e mental contemporâneo e o quanto po- diam parecer incomodamente atuais. Mas, com notável delicadeza explorava as nuanças do pensamento de cada um deles, levando a sério seus respecti- vos pontos de vista, em nenhum momento reduzindo suas obras à expressão de um contexto social e cultural objetificado.
Mostrar mais

12 Ler mais

O padre, o filósofo e o profeta : a América de Simão de Vasconcelos

O padre, o filósofo e o profeta : a América de Simão de Vasconcelos

controle. Certeau, em A invenção do cotidano, já se preocupa mais com os significados sociais dos textos, de como eles são apropriados por determinados grupos. Ginzburg já se aproxima muito de Certeau, pois em seu O queijo e os vermes demonstra como as idéias de um período (mentalidade) pode ser relida por um só indivíduo e reconstruída. É, sobretudo, por causa da influência deste historiador italiano que as questões envolvendo o indivíduo entraram novamente nas questões da história intelectual. Até aqui as “classes sociais” eram os grandes sujeitos da História, sempre atrás do argumento que a História dos Grandes Personagens era algo já ultrapassado. Estas discussões aparecem também na obra de Foucault, tanto em A ordem do discurso, quando ele fala sobre as formas de censura a um discurso, em que o autor tem papel relevante, e no seu livro O que é o autor?. Mas tanto Foucault quanto Ginzburg se aproximam ao assumir capacidade criativa ao sujeito. Eles reconhecem que o sujeito como autor participa da construção dos discursos absorvendo ou abrindo mão dos elementos que a sociedade impõe, e mesmo sem sair do arcabouço imposto, ele consegue criar com relativa liberdade. Isto se funde com as idéias de Bourdieu, no seu Economia das trocas simbólicas que o sociólogo francês se interessa pelo consumo de idéias e ideologias entre os grupos sociais. Como cada grupo social absorve alguma idéia ou a descarta.
Mostrar mais

170 Ler mais

Rev. Bras. Hist.  vol.24 número48

Rev. Bras. Hist. vol.24 número48

Menos preocupado com definições e com problemáticas, François Dosse opta por mostrar as diversas tendências dessa história intelectual: contextua- lismo (Skinner), semântica histórica (Kosseleck), hermenêutica (Ricoeur), assinalando a necessidade, para a sua prática, de ultrapassar as análises inter- nalistas e externalistas. Para tal, a hermenêutica, como método, parece cons- tituir uma das suas condições de possibilidade: “Cabe à história intelectual como à história dos intelectuais a interrogação da vida das idéias através de um vai-e-vem constante entre o passado e as questões que formulamos, ao passado, a partir do presente”.
Mostrar mais

4 Ler mais

“Nós Outros, Neo-Ibéricos”: O Entre-Lugar da identidade nacional no pensamento de Manoel Bomfim

“Nós Outros, Neo-Ibéricos”: O Entre-Lugar da identidade nacional no pensamento de Manoel Bomfim

Manoel Bomfim (1868-1932) foi ao mesmo tempo um inovador, cujo brilhantismo revolucionário freqüentemente nadava contra a corrente, e um homem do seu tempo, cuja obra se encaixa perfeitamente na sua época. Não resta dúvida que seus surpreendentes escritos antecipam diversos conceitos que associamos à teoria da dependência e ao chamado pensamento pós-colonial, e prefiguram muitas das idéias que seriam poste- riormente desenvolvidas pela nata da intelectualidade brasileira durante a primeira metade do século XX, como Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, Paulo Prado e Caio Prado, Jr, en- tre outros, embora destes só Gilberto Freyre parece ter lido o pensador sergipano. Ao mesmo tempo, contudo, sua reflexão sobre a questão da identidade brasileira não só faz parte de uma das tendências mais marcantes na nossa história intelectual a partir da virada do século passado – Manoel Bomfim foi um dos primeiros “intérpretes do Brasil” – como se escora também numa crença na possibilidade de se definir um suposto caráter nacional, bastante prevalente entre os modernistas, mas da qual, influenciados pelos ventos pós-modernos, nos vimos afastando há pelo menos três décadas. 1 Impulsionado pela republicação
Mostrar mais

14 Ler mais

Brasilidade e Modernidade: folclore e sensibilidade romântica em Mário de Andrade (1920-1945)

Brasilidade e Modernidade: folclore e sensibilidade romântica em Mário de Andrade (1920-1945)

Na primeira metade do século XX São Paulo vivenciou uma série de transformações nos âmbitos cultural, social, político e econômico. Era a cidade que mais crescia no Brasil e em meio a toda a sua efervescência cultural estavam os intelectuais ligados ao modernismo brasileiro, que, em sua “fase nacionalista”, buscaram entender e dar um sentido para o Brasil, dotando-o de singularidade e totalidade para, ao mesmo tempo, inseri-lo em um processo de modernização que se pretendia universal. Entre os modernistas, Mário de Andrade buscou traçar linhas próprias na construção da identidade nacional mergulhando na pesquisa de expressão artística do povo brasileiro, trilhando o caminho da etnografia e do folclore. Tenho por objetivo central destacar, através da revisitação dos esforços de delineamento da cultura folclórica nacional por Mário de Andrade, entre os anos 1920 e 1945, a permanência de aspectos de uma sensibilidade romântica em sua trajetória. Para sustentar esta tese, foram analisadas as correspondências trocadas entre o autor e intelectuais do folclore e dos estudos sociais, que também estavam envolvidos na consolidação da cultura popular nacional no período abordado, ao lado de manuscritos, artigos, tratados e obras em que trata da questão. Lançando mão da discussão do vínculo entre política e estética, a análise das fontes também possibilita a reflexão sobre os laços entre o Estado e a atividade intelectual do autor na construção de bens culturais simbólicos.
Mostrar mais

145 Ler mais

Miguel Ozório de Almeida e o projeto de uma 'história científica e cultural da humanidade'.

Miguel Ozório de Almeida e o projeto de uma 'história científica e cultural da humanidade'.

O bioquímico Joseph Needham (1900-1995), o historiador Lucien Febvre (1878-1956), o biólogo Julien Huxley (1887-1975) e o etnólogo Paul Rivet (1876-1958) foram os principais atores envolvidos no desenvolvimento do projeto, que objetivava a publicação de uma história da humanidade, compreendida como essencial para a reconciliação entre os povos. Este era um dos grandes projetos que conferia identidade à Unesco nos seus primeiros anos, quando ainda havia esperança de se ter um mundo sem guerras e enquanto ainda prevalecia naquele organismo o domínio dos intelectuais, e não o dos representantes governamentais.
Mostrar mais

11 Ler mais

Indicadores de desenvolvimento na fase pré-escolar de crianças nascidas pré-termo.

Indicadores de desenvolvimento na fase pré-escolar de crianças nascidas pré-termo.

RESUMO. O presente estudo teve por objetivo comparar o desenvolvimento de 15 crianças, aos seis anos de idade, nascidas pré-termo (PT), com o de 15 crianças nascidas a termo (AT). O desenvolvimento foi avaliado por meio de entrevista com as mães e de testes psicológicos. Maior tempo de hospitalização, aleitamento artificial, uso de medicação pelas mães durante a gravidez, pais temerosos frente à tarefa de cuidar do bebê e atraso na aquisição dos comportamentos de sentar e andar foram significativamente mais freqüentes no PT do que o AT. Não houve diferença significativa quanto ao nível intelectual. Em ambos os grupos ocorreu alta proporção de crianças com indicação de problemas comportamentais. O grupo PT apresentou significativamente mais queixas de dor de estômago e medo de enfrentar situações novas do que AT.
Mostrar mais

9 Ler mais

A Liga e as lutas sociais no Brasil

A Liga e as lutas sociais no Brasil

É de interesse salientar, que algumas destas colunas zelavam pela memória e pela História, por exemplo como quando se comemora um ano de circulação do jornal A Liga. Na capa do nº 51, de 23 de outubro de 1963 é anexada a capa do nº 1 da Liga, como documento afirmativo de sua existência. Também, no canto direito inferior, é possível observar uma das fotos mais tradicionais de Lênin no palanque da Rússia revolucionária. Da mesma forma, várias notícias e capas são elaboradas com cópias de documentos, em busca de originalidade e veracidade das provas e fontes.

11 Ler mais

Show all 10000 documents...