Homem - Revolta

Top PDF Homem - Revolta:

A revolta em Albert Camus

A revolta em Albert Camus

A necessidade, premente, de ir "para além do niilismo", de superar o empobrecimento da vida e a negação do homem faz Camus insistir na revolta como forma do equilíbrio instáve[r]

121 Ler mais

O verdugo e a revolta como princípio ético

O verdugo e a revolta como princípio ético

O discurso desse líder colocava fogo nas gentes, fazia com que percebessem as estruturas injustas do sistema a que estavam submetidas, no entanto, ao mesmo tempo, ele prenuncia que o amor é o sentimento capaz de mudar, de alterar, de realmente revolucionar as estruturas sociais. Mas não se trata daquele amor-comedimento, ou amor-mansidão, geralmente usado como instrumento de alienação e manutenção da ordem. Foucault (2006, p. 78) atribuía justamente à insurgência o fato de as sociedades não terem poderes “absolutamente absolutos”, pois mesmo com todas as aceitações e coerções, ameaças, violências e persuasões, “há a possibilidade desse momento em que nada mais se permuta na vida, em que os poderes nada mais podem e no qual, na presença dos patíbulos e das metralhadoras, os homens se insurgem”. É esse movimento que tange a peça de Hilda Hilst, sobretudo esse apelo religioso que permeia o discurso do verdugo e do filho, e do próprio homem, quando usa para a população a metáfora ou a parábola dos coiotes, que são animais que não vivem amoitados, “que é preciso sair da moita”, conforme explica o filho à mãe, incrédula do poder revoltoso do homem:
Mostrar mais

16 Ler mais

Para Aprender da Pedra Mineração, Trabalho e Revolta na Literatura Bíblica

Para Aprender da Pedra Mineração, Trabalho e Revolta na Literatura Bíblica

No poema, é a mão do homem que estendida contra o rochedo abre canais nas pedras e “os seus olhos vêem tudo o que há de mais precioso... traz à luz o que estava escondido” (vv. 9 e 10). Uma abordagem superficial trabalharia com uma simples comparação externa entre a atividade de buscar minério e o processo de sabedoria, mas uma pers- pectiva que garanta a pertença das materialidades como vitais para a interpretação apontam para possibilidades econômicas e ecológicas na interpretação do texto (WOLDE, 2003).

21 Ler mais

“SERÁ QUE HOJE NÃO VAI TER JANTAR?”: O IDOSO E A EXPERIÊNCIA DO NÃO CONHECIMENTO NOS CONTOS DE CLARICE LISPECTOR

“SERÁ QUE HOJE NÃO VAI TER JANTAR?”: O IDOSO E A EXPERIÊNCIA DO NÃO CONHECIMENTO NOS CONTOS DE CLARICE LISPECTOR

O narrador de “O jantar” antecipa testemunhar uma sabedoria derivada da passagem do tempo, ou seja, do acúmulo de vivências. Ele aguarda presenciar a revolta e a negação da vida como resultado provável da experiência humana, mas não as encontra no idoso a quem observa. O idoso, mesmo com sua “doçura da velhice” (LISPECTOR, 1994, p. 102), é um homem que pode, em certos momentos, parecer fraco, mas que é “enorme e ainda capaz de apunhalar qualquer um de nós” (idem, ibidem). O protagonista idoso deste conto não é a imagem da derrota que resulta da consciência da incompletude, da limitação e da fi nitude, mas sim retrato do paradoxo humano: ele é ruína, porque é ao mesmo tempo construção e destruição, fl orescimento e decadência. Em “O jantar”, Clarice Lispector insinua que ser humano consiste precisamente em reconhecer a primazia da experiência como fonte de sensações e reavaliações, em lugar de instrumento de alcance da sabedoria; equivale a recusar-se a converter as vivências acumuladas em conhecimento, ou seja, em rejeição do mérito e da relevância de experiências futuras.
Mostrar mais

17 Ler mais

EXISTÊNCIA E RELIGIÃO EM ALBERT CAMUS: Relações entre absurdo e a revolta.

EXISTÊNCIA E RELIGIÃO EM ALBERT CAMUS: Relações entre absurdo e a revolta.

Albert Camus nasceu na Argélia em 1913. De sua infância e adolescência recorda a miséria e a saúde débil compartilhada paradoxalmente com a profunda alegria de viver. De fato, escrevia em “O Avesso e o Direito”: “Fui colocado na distância intermediária entre a miséria e o sol” 1 (CAMUS, 1981, p. 6). O convívio com a pobreza não lhe fez ressentido, entretanto, tornou-se fundamental para a percepção e o embate com as realidades de assimetrias do mundo: “Eu não aprendi o marxismo nos livros; o aprendi na dor e na miséria” 2 (CAMUS, 1981, p. XVI). Seu pai, francês, morreu em 1914, nos embates da Primeira Guerra Mundial. A ausência do pai é percebida através de amizades como as de Jean Grenier e Malraux (Conf. SAVIGNEAU, 2010). Camus cursou o liceu na Universidade de Argel. Graduou-se em filosofia em 1934 – mesmo ano em que se filiou ao Partido Comunista argelino - e, em 1938, tornava-se jornalista no Alger-Republican, jornal que reverberava os anseios anticolonialistas argelinos. Durante a Segunda Guerra Mundial mudou-se para a França. É na França que se torna o editor do jornal Parisian Daily Combat e atua na resistência ao nazismo. Deste período datam importantes obras de Camus: “O Estrangeiro” (1942), “O Mito de Sísifo” (1942), Calígula (1944). Na França Camus participou do círculo intelectual ligado ao existencialismo francês, estabelecendo amizade com Jean-Paul Sartre. O rompimento com a intelectualidade francesa dá-se após a publicação de “O Homem Revoltado” (1951). Sartre compreendeu neste ensaio a negação de “Sísifo” e ainda uma oposição inaceitável ao Comunismo soviético. Em 1957, Camus era o premiado para o prêmio Nobel de Literatura – três anos depois (1960) durante uma viagem automobilística haveria de sofrer um acidente fatal de automóvel.
Mostrar mais

122 Ler mais

Absurdo, revolta, ação : Albert Camus

Absurdo, revolta, ação : Albert Camus

A questão que se impõe, e que parece ter o poder de romper a mesmice do nosso dia- a-dia, diz respeito à razão de ser do mundo e das coisas, mas cabe nos questionarmos se o “por que” de Camus é um “por que” meramente epistêmico, isto é, se é apenas uma exigência de que tudo nos seja explicado. Vimos que o homem camusiano anseia, pede, exige que tudo lhe seja explicado, todavia pelo quê ele se indaga? Ora, o homem camusiano questiona o modo de existir dos homens, das coisas e do mundo, mas se ele busca conhecer a composição física, química e o uso das coisas também quer saber aquilo que parece continuar indefinível, irredutível, tal como o seu próprio coração, tal como o conteúdo que tentamos dar à nossa existência (CAMUS, 2004, p. 33). O “por que” ao qual Camus se refere não se restringe à elucidação de conceitos ou à apresentação dos fenômenos. Mais do que explicar como se deu a matéria inorgânica, o “milagre” da consciência, mais do que apresentar os fenômenos é preciso entender o seu sentido, sua significação. Não se trata de um problema de destino ou de realidade, mas de existência e de significação (QUILLIOT, 1950, p. 107).
Mostrar mais

106 Ler mais

A revolta dos colonos de 1957, interpretações, apropriações e memórias

A revolta dos colonos de 1957, interpretações, apropriações e memórias

O doutor Walter, doutor Walter, tinha entre o Walter, o Prollo, o doutor Suplicy, em muitos em fim lá entraram a comissão lá, se levantaram pra fazer o levante. Então tinha aquele rádio de mesa assim sabe, que me avisava quando era, pra tal dia assim, assim. As armas que tiver é pra levar, faca, revólver, facão ou, é pra fazer tipo guerra mesmo. Eu nunca vi um espetáculo igual compreende. [...]. Mas o caso é que tinha horas sabe, que eu fazia plano, tinha hora era uma alegria! Tinha hora que dava um remorso, dava um arrepio, não tenho vergonha de te contar. Má sou obrigado a enfrentar sabe e os outros todo mundo me consideravam, não é certo, morrer mas morrer em honra de homem, eles vieram me acompanhando aqui meus cunhados e tios, na escura sem saber onde é que vinha, em confiança minha de um piá bem dizer, por que eu era solteiro. Deixar minha mãe sozinha ai, não, não; não é fácil. 240
Mostrar mais

150 Ler mais

Revolta contra a morte: o percurso intelectual de Carl Einstein para o surrealismo

Revolta contra a morte: o percurso intelectual de Carl Einstein para o surrealismo

Assim, o fim da arte já não é interpretar o mundo, mas transformá-lo. O cubismo, que na A arte do século XX tinha sido descrito como um procedimento epistemológico, como “realismo subjecti- vo”, ocupa na estética de Carl Einstein e no modelo a ela inerentes dos decursos histórico e artísti- co, um lugar de princípio, sendo a única forma de expressividade válida do presente. Daí em diante, todas as outras tentativas de ajudar o ser humano e o mundo para conseguir expressão pictórica teria de permitir comparar as suas possibilidades criativas com a sua revolução do espaço e da visão. Cubismo, a arte do século, define-se como um realismo de uma índole especial: “O verdadei- ro realismo não consiste em reproduzir objectos, mas sim criá-los”. A visão artística é considerada fundamentalmente um acto criativo, melhor, um acção de criação; a pintura, da mesma forma que a autêntica actividade de Einstein, a literatura, converte-se na percepção de novas realidades, por- que “compondo cria o homem a realidade 41 .
Mostrar mais

29 Ler mais

MEMORIAL SOBRE A TRAJETÓRIA ESCOLAR BÁSICA DE ANTÔNIO JOEL MARINHO DE SOUSA

MEMORIAL SOBRE A TRAJETÓRIA ESCOLAR BÁSICA DE ANTÔNIO JOEL MARINHO DE SOUSA

Lembro-me da sabatina de matemática nos dias de sexta-feira onde ficávamos em fila, todas as séries reunidas desde 1ª até a 4ª série. Era dever do aluno, desde que entrava na escola aprender a cartilha de ABC e a tabuada, portanto éramos reunidos todos juntos para que a professora fizesse as perguntas sempre de posse de uma enorme palmatória. Evangelina era o nome de minha primeira professora, uma senhora enorme de braços grossos que dava medo só de pensar em pegar uma palmatorada dela, por isso era melhor apanhar de um colega. O pior de tudo era que não podíamos ter pena do colega tampouco bater devagar, fosse mulher ou homem, se acontecesse isso ela pegaria o sepo de pau e mostrava para o penoso como seria o castigo adequado para quem não se interessava nos estudos e para quem por pena maneirava no castigo. Mesmo assim era divertido e apesar de eu nunca ter gostado de matemática sempre estudava para não apanhar; Lembro-me bem de uma disputa matemática que travei com o meu colega Josias, pois ele era o único que me batia e vice versa. Foram tempos difíceis, porém prazerosos e intensos de uma grande realização em minha vida. Aprendi a ler e escrever e ainda fui passado no meio do ano para a 1ª série 4 , não
Mostrar mais

10 Ler mais

PRÁTICAS QUILOMBOLAS NO TERREIRO DE MÃE ANA

PRÁTICAS QUILOMBOLAS NO TERREIRO DE MÃE ANA

onde surgiu o escravismo moderno, esses ajuntamentos de escravos negros proliferaram como sinal de resistência e de revolta contra as condições desumanas a que estav[r]

21 Ler mais

Fragmentos da babadeira história drag brasileira

Fragmentos da babadeira história drag brasileira

Mesmo com papel proeminente nos enfrentamentos da revolta de Stonewall e também na linha de frente das primeiras manifestações LGBT públicas no Brasil, as drag queens e as travestis não eram (e não são) apenas oprimidas no sistema das instituições sociais ‘tradicionais’, mas também, muitas vezes, vistas com desdém dentro da comunidade LGBT. É interessante perceber que mesmo dentro de uma cultura e um movimento em que se busca a liberdade individual, alguns corpos são vistos como mais legítimos que outros, especialmente os corpos que lidam com as questões de gênero de uma forma não normativa, reafirmando noções heterossexualizadas que oprimem a comunidade em diferentes níveis.
Mostrar mais

15 Ler mais

REVOLTA DA CHIBATA: UMA ANÁLISE DESTE CONTEÚDO NO LIVRO DIDÁTICO DE HISTÓRIA

REVOLTA DA CHIBATA: UMA ANÁLISE DESTE CONTEÚDO NO LIVRO DIDÁTICO DE HISTÓRIA

O texto referente à Revolta da Chibata faz referência de como os marinheiros eram tratados, sob a mesma violência de quando eles eram escravizados, cita seu líder João Cândido Felisberto, que era filho de ex-escravizados, porém silencia o quanto eles foram capazes, pois além de articularem a revolta para exigirem seus direitos como cidadãos, direitos que haviam sido adquiridos com o fim da escravidão, mas que só existia no papel; conseguiram também, comandar o navio onde haviam se amotinado, contradizendo a teoria de que eles eram incapazes de desenvolverem serviços que dependesse de sua capacidade intelectual de organização, servindo apenas para executarem serviços braçais.
Mostrar mais

14 Ler mais

Os direitos fundamentais na pósmodernidade: como a sociedade que se traduz no risco e no consumo poderá tutelar direitos

Os direitos fundamentais na pósmodernidade: como a sociedade que se traduz no risco e no consumo poderá tutelar direitos

Aquele banqueiro reconhece e se revolta com todas as desigualdades (injustiças) da ficção social, e as distingue das diferenças naturais, contra as quais nada se po[r]

17 Ler mais

Derrama, boatos e historiografia: o problema da revolta popular na Inconfidência Mineira.

Derrama, boatos e historiografia: o problema da revolta popular na Inconfidência Mineira.

Porém, a pista não foi adiante. Triunfante e inovadora, a interpretação global do historiador britâ- nico eclipsava por completo aquele pequeno ponto de interrogação. Durante muito tempo ainda iria prevalecer a noção da derrama como pretexto. Em 1989, repercutiu no livro de Márcio Jardim. Dotado de simpatia pela Inconfidência e pelo “povo mineiro”, este autor exagerou os propósitos do movimento e defendeu tenazmente a convicção de que a derrama era “fator decisivo para a revolta e desejo de eman- cipação do povo mineiro, que, diante de sua cobrança, veria esvaírem-se todos os seus cabedais”. A cobrança fiscal configurar-se-ia “acontecimento político imperdível para os rebeldes”. Daria “o motivo capaz de empolgar o povo” a se rebelar, colorindo a união entre os conspiradores (“elite francamente favorável à separação entre Brasil e Portugal”) e a plebe insatisfeita, “pelo desejo generalizado de indepen- dência entre o povo”. O historiador demarcou a existência, na capitania de Minas, às vésperas da Incon- fidência, de “um povo, reunido em torno de objetivos comuns e específicos”, todo em prol da “revolu- ção”. Além disso, o estudo de Jardim simplesmente ignorou a revisão factual empreendida por Kenneth Maxwell sobre a cronologia de suspensão da derrama. Preferindo acreditar na tese de que a denúncia de Silvério dos Reis fora anterior ao abortamento da cobrança, o autor localizava na delação o motivo, por excelência, para o não requerimento da dívida e, portanto, eximia-se de apontar novas explicações. 61
Mostrar mais

23 Ler mais

O HOMEM PERFEITO abobrinhas  Vizente Besteirol O HOMEM PERFEITO

O HOMEM PERFEITO abobrinhas Vizente Besteirol O HOMEM PERFEITO

Grupo de mulheres esperando pelo homem perfeito....[r]

1 Ler mais

Dizendo o indizível: testemunho da aniquilação do homem em É isto um homem?

Dizendo o indizível: testemunho da aniquilação do homem em É isto um homem?

Primo Levi participava da resistência armada conhecida como movimento dos partigiani nas montanhas do Piemonte, no noroeste da Itália, quando foi capturado por tropas nazistas e encerrado no campo de concentração de Buna, na Polônia. Ali, o italiano de origem judaica testemunhou e sofreu os horrores praticados contra os prisioneiros do campo, horrores aos quais sobreviveu, de modo absolutamente casual, para levar ao mundo o relato da mala novella (LEVI, 1989, p. 94). Com efeito, o trauma pessoal de Levi – inserido no trauma coletivo de seu povo – deu origem à sua obra-prima e livro seminal, É isto um homem? (Se questo è un uomo), narrativa de testemunho publicada em novembro de 1947, na qual o autor relata a própria experiência traumática ao longo de um ano vivendo sob o jugo dos nazistas em Buna. Essa experiência vivenciada por Levi também ecoaria quase que na totalidade de sua produção posterior, em obras como A trégua (La tregua), de 1963, e Os afogados e os sobreviventes (I sommersi e i salvati), de 1986.
Mostrar mais

26 Ler mais

Tragédia: uma alegoria da alienação.

Tragédia: uma alegoria da alienação.

Em fce esa sublevção, o homem ene-se do, desorienado diante da erda e sua identidade, com a coisiicaço de eus coneúdos ntimos, niquiado pelo pceso maerial da vida a sciade capialisa. Vendo sus qualiicaçes e valoes e eelando cona si, o homem se enforca. Na páola, esa imagem é a expresão privilegiada da alienção. Ao r enforcdo, eviencia-se a consideraço objetual do homem, um simples meio, um objeto sem expressão ou vonade póprias, Iue caminha ao sabor das necessiddes ciais de prdução, única e exclusivamene. Em tdo cso, ese homem­ objeto é ainda inferior ao objeto-homem (eijo), ois este manifesa a sua reeldia, . enquanto que o primeio omba diante da situação aparenemente insolúvel em que se
Mostrar mais

13 Ler mais

CIRCUITOS DE POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA: POETAS DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

CIRCUITOS DE POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA: POETAS DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

Só compreenda, por favor, isto que seus olhos não veem é bem [mais que tristeza] Trate-me como um homem. Não como um homem forte Não como um homem consciente Não como um homem sábio Não[r]

28 Ler mais

Homem‐Artista e	Homem‐Construtor A	Ideia	e	a	Prática em	Movimento

Homem‐Artista e Homem‐Construtor A Ideia e a Prática em Movimento

A arte nesta compreensão apontada por Tápies, a realidade atua como motriz na relação entre o homem e o objeto de arte, uma vez que ela dá o subsídio para a produção ao tempo que faz pulsar o corpo e a alma do artista para refletir sobre o seu próprio feito, na perspectiva da responsabilidade de produzir um novo ponto de ver e entender o mundo. Numa preocupação interativa, tomamos emprestado da psicanálise o termo pulsar para relacionar com a vontade e o desprendimento com que os artistas populares de Helvécia - tomam a vida como lugar de existência para as suas práticas culturais e, estas por sua vez são o significado maior de exis- tência na vida e na comunidade, na condição de remanescentes de ex-trabalhadores escravos. Eles vivem como se estivessem numa interação permanente entre a vida diária, a vida passada, como o lugares das experiências, e a arte como o veículo que faz pulsar a compreensão e a reflexão da vida na perspectiva contínua de um novo objeto, uma nova prática em comunidade negra do aqui e do agora contemporâneos. Reiterando a palavra cultura apontada por Carlos Rodrigues Brandão, para explicitar a estreita relação deste termo com a arte enquanto produto do trabalho humano, “(…) a palavra cultura deve ser entendida como compreendendo tudo o que existe transformado na natureza pelo trabalho do homem e que, através de sua consciência, ganha significado (…).” (2002: 25). Assim entendendo, a ação da cultura é o resultado do trabalho humano, do mesmo modo, a arte é um trabalho resultante da ação e consciência do homem, o que nos leva a compreender que entre o fazer artístico e o fazer cultural residem distâncias tênues que não nos auto- rizam estabelecer grandes diferenças entre elas, pois entre os seus resultados como prática cultural coletiva ou como obra artística individual, está a ação indissociável entre homem e realidade.
Mostrar mais

115 Ler mais

O homem, a alma e o vivente: a definição do homem nas Enéadas de Plotino

O homem, a alma e o vivente: a definição do homem nas Enéadas de Plotino

Notamos que os temas nas Enéadas se entrecruzam, formando um emaranhado de questões que se encontram em vários pontos. Por isso, surgem várias dificuldades quando se investiga essa rede tecida de um modo tão belo e, ao mesmo tempo, preciso e impreciso, calculado e não deliberado. Percebemos que não basta um olhar externo, mas alguma participação no texto é forçosa, mesmo que o discurso e sua forma insistam em nos manter distantes dos conteúdos. Uma aproximação acurada faz-se importante e necessária para tentarmos compreender cada parte e o todo, bem como as relações entre eles. Mas como capturar as articulações, sobretudo as menos evidentes ou mais sutis, como nos fixar em determinados pontos sem nos manter apartados dos demais e negligenciar questões talvez fundamentais? Para não nos perder em tantos fios, concentramo-nos naqueles do homem, procurando nos conduzir o mais rente possível a eles e permitindo ser conduzidos por algumas vias, suas etapas e obstáculos.
Mostrar mais

165 Ler mais

Show all 3276 documents...

temas relacionados