Identidade de mulheres

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Violência contra a mulher: análise da identidade de mulheres que sofrem violência doméstica

Violência contra a mulher: análise da identidade de mulheres que sofrem violência doméstica

A violência, como um fenômeno social, é historicamente presente no cotidiano das relações sociais, é intrínseca ao processo civilizatório e é manifestada de diferentes formas. A violência nas relações entre parceiros expressa a dinâmica de afeto e poder e, em sua maioria, denuncia relações de subordinação e dominação. É em grande parte, direcionada contra a mulher, independente de sua posição social ou do grau de desenvolvimento econômico. Este trabalho foi realizado na Delegacia de Polícia Civil de Goiandira – GO e realizou a análise da identidade de mulheres na relação de violência com seus parceiros, identiicando valores e processos identitários nas circunstâncias e dinâmicas cotidianas dos atores envolvidos. Para isso, utilizou-se como metodologia a pesquisa-ação, a qual teve como instrumentos de coleta de dados o Diário de Campo, a escuta Terapêutico-Educativa, balizada pela intervenção psicossocial. O resultado dessa análise nos aponta para as diiculdades apresentadas pelas mulheres que sofrem violência doméstica em exercitar a capacidade de conduzir sua própria vida, em construir novas identidades e entender que a violência de gênero deve ser combatida através da desconstrução relações de desigualdade entre homens e mulheres e as reestruturando nos campos afetivo, valorativo e operativo, possibilitando transformação das relações sociais.
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Centralidade de gênero no processo de construção da identidade de mulheres envolvidas na rede do tráfico de drogas.

Centralidade de gênero no processo de construção da identidade de mulheres envolvidas na rede do tráfico de drogas.

O objetivo do presente trabalho era discutir as es- pecificidades da criminalidade feminina, especifi- camente a centralidade de gênero na construção da identidade de mulheres com uma história de envolvimento na rede do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Além dos exemplos descritos, em que questões de gênero serviram para retoricamente posicionar as participantes durante as entrevistas, sua centralidade pode ser atestada pela maneira como essas mulheres descrevem a motivação para a entrada na atividade, os papéis nela desempe- nhados e os elementos que caracterizam sua re- cente “recuperação” (a saída do tráfico de drogas). Ao descreverem as suas trajetórias criminosas, todas as participantes referem-se ao poder experi- mentado como bandidas como o maior motiva- dor para a entrada na rede do tráfico. De uma maneira geral, o poder era vivenciado pela proxi- midade e o alinhamento com os homens, pelo de- sempenho de tarefas reconhecidas como masculi- nas e pelo distanciamento estabelecido em compa- ração a outras mulheres.
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Mídia e identidade de mulheres destituídas: uma discussão metodológica

Mídia e identidade de mulheres destituídas: uma discussão metodológica

A presença de histórias pessoais de sujeitos comuns, muitas delas pertencentes às classes desfavorecidas, estão espalhadas em distintas mídias e são apresentadas median- te distintas estratégias narrativas – diários, autobiografias, memórias, histórias de vida, testemunhos –, compondo documentários, material jornalístico ou mesmo reality-shows. Do nosso ponto de vista, todo esse material precisa ser analisado tendo em vista uma conjugação de fatores socioeconômicos e culturais. Esses fatores estão relacionados com a ampliação do poder de consumo das camadas situadas nos estratos mais inferiores da estratificação social, bem como com sua constituição em alvos da televisão, mas também da imprensa; com mudanças no mercado de bens simbólicos, através da expansão de jornais populares; com alterações no mercado de TV aberta; com a diminuição de custos de produção de programas televisivos desse caráter e, também, com a popularização do uso de aparatos tecnológicos de gravação e reprodução. Com esse objetivo, assumimos localizar tal fenômeno – a visibilidade da vida ordinária de mulheres das classes destituídas na mídia – num determinado contexto histórico, econômico e cultural.
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Antônia sou eu, Antônia é você : identidade de mulheres negras na televisão brasileira

Antônia sou eu, Antônia é você : identidade de mulheres negras na televisão brasileira

Preta, no entanto, tem dificuldades pra encontrar alguém que cuide de Emília. Esta é uma realidade da vida das mulheres das classes pobres, a dificuldade de encontrar alguém que cuide os filhos enquanto trata dos afazeres diários. Enquanto a escola de Emília está fechada, e diante da indisponibilidade da mãe e do ex-marido, Hermano (Fernando Macário) em atender à criança, Preta vê-se obrigada a levar a menina consigo o dia inteiro. A ausência do pai é um tema que também será abordado na série com o relacionamento e as brigas entre Preta e Hermano. Kellner (2001) lembra como as músicas sexistas no rap são um sintoma da hostilidade entre os gêneros. A relação entre Preta e Hermano, de certa forma, reflete tal realidade. Preta, como é frequente às mães na periferia, é sobrecarregada com os cuidados da filha e com a pouca ajuda que recebe do pai da criança. Essa situação, onde a mulher é grande parte das vezes a única responsável pela estrutura e manutenção familiar transforma a figura da mãe em uma autoridade dentro da periferia, sendo comumente exaltada e idealizada (MATSUNAGA, 2006). Embora o sobre-carregamento familiar da mulher não seja a única fonte de conflitos, este é um fator que colabora para a forte tensão existente entre os sexos na comunidade da periferia, e conforme afirma Kellner (2001) mostra a necessidade de haver reestruturação nas relações entre gêneros.
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Entre a guerra e o gênero : memória e identidade de mulheres palestinas em Brasília

Entre a guerra e o gênero : memória e identidade de mulheres palestinas em Brasília

A questão da identidade palestina, nesse âmbito, tem passado por inúmeras ressignificações, sendo fortemente influenciadas pelo contexto político. Como mostra Jardim (2003:234), “é através das anexações de territórios, de redefinições de fronteiras e de porte de passaporte que se torna mais clara a experiência da diáspora, e de quão central e constitutivo de sua identidade política fora o reconhecimento internacional do Estado de Israel” 24 . Trata-se, portanto, de uma identidade que se fortalece e se emancipa pelo outro, seja ele o Britânico durante seu período de colonização, seja o judeu por meio de sua convivência e imposições diárias desde a criação de Israel. O que a autora mostra, ainda, é que as diversas situações internas impuseram diferentes formas de identificação ou auto- identificação, de acordo com o contexto, como, por exemplo, o de “residentes” ou “cidadãos israelenses” (para aqueles que continuaram morando em territórios ocupados e anexados por Israel); refugiados (para os que possuíam residência na Palestina e saíram devido aos conflitos); de jordanianos (para os que permaneceram vivendo na região da Transjordânia); ou mesmo “sem Estado” (para aqueles que após a independência da palestina deixaram de ser considerados cidadãos jordanianos, com a justificativa de que era necessário fortalecer o reconhecimento de um Estado Palestino na Transjordânia). Como analisa Jardim (2003: 239) “há uma multiplicidade de percursos referidos à anexação de territórios e papéis que os legalizam e conferem ou não direitos políticos para os evadidos da Palestina. Os contextos mais próximos de sua aldeia de origem se entrelaçam com direitos e deveres de cidadania ditados por Israel e Jordânia”.
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Afirmação da identidade religiosa e constituição do sujeito político das mulheres de terreiro de Pernambuco

Afirmação da identidade religiosa e constituição do sujeito político das mulheres de terreiro de Pernambuco

“Da mesma maneira que algumas (mulheres) definem pra si a questão principal que é o trabalho na área sindical, outras definem que é o trabalho num partido político, outras definem que é dentro de uma instituição acadêmica, outras definem que é dentro de um movimento específico das mulheres feministas onde elas possam ter a sua crítica, construir novos direitos […], é preciso que essa identidade de mulher de terreiro ela seja afirmada. E hoje eu acho que com o nosso trabalho de afirmação de nossa identidade, hoje nós somos sujeitos políticos. Hoje você pode chegar num lugar e se apresentar: eu sou mulher de terreiro, e ser respeitada enquanto tal. E pra mim, o momento em que essa coisa se manifestou com mais nitidez foi na II Conferência da Mulher aqui de Pernambuco […]. Eu era do Conselho de Direitos da Mulher e nós sugerimos que cinco mulheres de terreiro fossem convidadas com essa identidade. E essa coisa gerou um problema na comissão organizadora porque a Secretária da Mulher, ela, num primeiro momento, ela achou que era legal, então aceitou, junto com toda a comissão organizadora, mas depois ela queria que eu retirasse essa proposição da comissão organizadora porque se convidar mulher de terreiro vai ter que convidar mulher católica, mulher evangélica, tal e de outras confissões religiosas. Aí eu disse: não, eu não retiro. Aí ela dizia que eu nem podia ter feito essa proposição porque as convidadas eram especificidade da Secretária da Mulher. E eu me lembro que eu disse pra ela: se você pode mais, pode menos. Se você acha que pode mais do que a comissão organizadora, então você retira esse convite. Assuma. Eu não.
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Ethos e negritude: cabelo e corpo como símbolos de identidade e autoestima de mulheres afrodescendentes

Ethos e negritude: cabelo e corpo como símbolos de identidade e autoestima de mulheres afrodescendentes

Uma das maneiras de efetivação da pigmentocracia na sociedade brasileira é a constituição dos padrões estéticos que se escondem por trás dos discursos da chamada “boa aparência”, que se fundamenta sob características que são brancas e europeias. É, por vezes, em busca de alcançar, ou, ao menos de se aproximar dessa “boa aparência”, que muitas mulheres negras optam por se submeter a processos de alisamento, a fim de “amenizarem” sua aparência e, assim, acessarem espaços reservados a priori apenas a mulheres brancas. É importante pontuar que esse espaço nem sempre corresponde necessariamente a um espaço físico (um restaurante mais elegante ou uma empresa na qual almejem trabalhar). Trata-se também das zonas situadas no campo do simbólico, ou seja, o território da beleza e do afeto, por exemplo, uma vez que pelo fato de não se inscreverem dentro dos padrões da boa aparência, muitas dessas mulheres, em determinadas situações, sofrem preterimento afetivo. A esse respeito, Sueli Carneiro (1995), em seu artigo intitulado Gênero, Raça e Ascensão Social, esclarece que, no imaginário coletivo masculino, sobretudo no de alguns homens negros, relacionar-se com uma mulher branca pode significar uma estratégia de ascensão social, pois funcionaria como a atitude que serve para coroar a entrada no mundo dos brancos. A autora acrescenta ainda que, por trás da desqualificação estética da mulher negra, em detrimento da suposta valorização estética da mulher branca, está implícita uma lógica machista e racista que, além de perversa, “presta-se somente a ratificar de forma naturalista os preconceitos e estereótipos correntes no imaginário social a respeito das mulheres.” (CARNEIRO, 1995, p. 547).
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Identidade empreendedora de mulheres no Paraná

Identidade empreendedora de mulheres no Paraná

12.000 membros. Dentre outras razões para iniciar as empresas estão: oportunidade de manifestar o potencial criativo, subsistência, desejo de independência, de flexibilidade e forma de rentabilidade nos negócios. As principais barreiras são: divisão doméstica do trabalho, falta de tempo e “exclusão cultural” para as vantagens oferecidas a empreendedores. Na Austrália o percentual de empresas dirigidas em conjunto com o marido representa 58% dos pequenos negócios daquele país (Still & Timms, 2000). Como barreiras de gênero estão a falta de acesso a Networks e falta de mentores; falta de tempo para si, divisão desvantajosa de tarefas domésticas e problema cultural que afetam o seu desempenho. Elas ainda são “invisíveis" na cultura de negócios australiana pela sua pouca representatividade nos órgãos oficiais e associações, como também pela cultura que se manifesta através das seguintes atitudes: mulheres que não suportam outras mulheres; homens de mentalidade estreita; falta de respeito por causa do sexo e a dominação social dos homens na área de negócios (Still & Timms, 2000). As australianas iniciaram empresas por três razões principais: a) necessidade; b) falta de oferta de empregos; c) porque muitas se associaram a outras pessoas em pequenos negócios. Também para ajudar o marido ou a família e para melhorar a qualidade de vida foram motivos encontrados por Benneth e Dann (2000) entre 229 empreendedoras australianas estudadas.
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Identidade e Mudanças - Alfabetização de mulheres adultas,  na comunidade Vietnã, na sala do MOVA

Identidade e Mudanças - Alfabetização de mulheres adultas, na comunidade Vietnã, na sala do MOVA

ao domínio das habilidades de leitura e escrita, gera nessas mulheres sonhos, desejo do novo de vivenciar novas experiências, uma vez que encontraram na alfabetização independência e meios de se imaginar no mundo. Como diz Castoriadis (1922) a linguagem é fundamental para o ser humano comunicar ao mundo o que ele imagina, a linguagem em todas as suas formas é a responsável pela disseminação de ideias. Sendo a fala a mais importante delas, e esta apesar de existir independente das habilidades de seus locutores, e moldada pela palavra escrita e suas regras. Logo a relação dessas mulheres com a palavra depois de alfabetizadas, além de se comunicarem melhor é se imaginar fazendo coisas que antes não era possível. Como elas próprias disseram:
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Meninas negras em mulheres negras: identidade étnico-racial na escola

Meninas negras em mulheres negras: identidade étnico-racial na escola

144 Diretoria. Mas muito depois, eu fui tentar fazer um “reler” dessa relação, lembrar dessas questões, fazer um exercício de memória, e eu lembrei que, por exemplo, o diretor quando eu cheguei na escola, no Senac, era negro, ele é negro, o professor Arabelo do Rosário, é um empresário negro do Espírito Santo. Depois o professor Artênico, que é até o meu colega agora, ele foi um diretor negro que substituiu o professor Arabelo que foi para a Federação do Comércio. E no grupo de administração tinham muitas mulheres negras, que me lembravam o tempo inteiro a minha mãe e minhas tias, aquelas mulheres que saíam para trabalhar, que tinham seu dinheiro no final do mês, que tinham suas roupas, seus projetos de ter uma casa/apartamento na praia... então tudo isso me ajudou, e o grosso da Diretoria do Senac era de mulher, então eu aprendi muito com essas mulheres todas, por isso não tive muitas dificuldades nem com as minhas chefes, que até hoje são minhas amigas... E eu de estágio já passei a ser funcionária, e quando eu olho minha carteira de trabalho eu evoluí de cargo permanentemente, e tudo isso me fortaleceu muito enquanto mulher, me deu condições de estar aqui hoje, porque eu encontrei esse caminho, quando eu saí da universidade, saí do Senac; aí foram outros enfrentamentos, porque aí sim, e na própria universidade foi a coisa dos meus professores me questionarem que sociedade era essa? Que eu acreditava na democracia racial, e então dois professores meus me questionaram, “Mas como você vê essa coisa da democracia?”. Isso era 1988. Estávamos discutindo a constituinte, e então eu saí para fazer uma matéria, e quando eu cheguei no gabinete da Comissão de Justiça e Paz, estavam lendo um documento do Movimento Negro. Daí eu tomei um susto, e caiu a ficha.
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Entre o céu e a terra: questões de identidade cultural em As mulheres de Tijucopapo, de Marilene Felinto

Entre o céu e a terra: questões de identidade cultural em As mulheres de Tijucopapo, de Marilene Felinto

Marilene Felinto - Quando morreu a jornalista Sandra Gomide, escrevi exatamente sobre esse tema na minha coluna da Folha , sobre o sexismo no jornalismo, que acho uma coisa terrível, [r]

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Cinema na panela de barro : mulheres negras, narrativas de amor, afeto e identidade

Cinema na panela de barro : mulheres negras, narrativas de amor, afeto e identidade

Eu sou mãe de seis filhos, as mulheres Deus levou (estão melhor do que eu), tenho quatro filhos homens. Tive um em 52, outro em 53 e outro em 54. Depois, eu fui sendo muito maltratada. Os três em carreirinha, depois desses três filhos eu fui me corrigindo, eu não queria aceitar aquilo, mas eu fui tendo filho assim. Eu sofria, porque eu não queria dar mais para ele. Depois eu encerrei, eu apanhava, mas não dava. Naquela época era duro. Meus parentes nunca souberam, eu apanhei calada. Minha mãe faleceu, eu não conheci minha mãe, eu tinha dois anos. Meu pai arranjou uma senhora para morar com ele e ela me criou. Eu só namorei esse, aparecia e eu não queria, aí quando apareceu esse, ela falava assim: “você que é uma preta dessa, pobre..., vai querer um rico?”. De tudo ela falava. Aí eu me casei, mas eu não sabia nada. Eu não tinha maldade, passou assim oito dias... Eu pensava assim: se eu tivesse minha mãe eu voltava para casa, mas se eu voltava, eles iam dizer que eu não prestava, daí eu não podia fazer nada. Um dia, ele passou na casa de uma senhora que perguntou: “Como foi a lua de mel?” Ele disse: “Não teve lua de mel não”, aí ela falou “pega ela a força”, aí ele me pegou e todas as vezes foi assim, ele me pegava a força, me maltratava, me batia muito... Agora eu estou bem...
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Uma reflexão sobre a formação da identidade feminina em mulheres vítimas de violência doméstica

Uma reflexão sobre a formação da identidade feminina em mulheres vítimas de violência doméstica

É neste ambiente familiar que se pressupõe proporcionar proteção e afeto, onde os traumas são gerados, e na sua maioria, irreversíveis. Além de tornar estas mulheres, “reprodutoras” da violência do mesmo padrão familiar de origem, quando na sua vida adulta na formação de um novo núcleo familiar. A violência doméstica é um fator de risco para o desenvolvimento de problemas psiquiátricos como transtornos: depressivo maior, de personalidade limítrofe (“borderline”), de abuso ou dependência de substâncias psicoativas, comportamento anti-social, do pânico, do estresse pós-traumático. Pode acarretar também problemas médicos somáticos como: gastrointestinais, dores generalizadas, somatizações, hipertensão arterial, doenças cardíacas, problemas ginecológicos e graves conseqüências no campo psicológico como por exemplo, forte sentimento de culpa, auto responsabilização dos ocorridos, sentimento de fracasso, baixa auto-estima, sentimento de desvalorização, e outros.(Heise, 1994: 36)
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Um estudo sobre a identidade das mulheres na obra A Confissão da Leoa, de Mia Couto

Um estudo sobre a identidade das mulheres na obra A Confissão da Leoa, de Mia Couto

A despeito de toda descrença, as águas do rio são sua rota de fuga sempre, mesmo que não o seja dos limites geográficos de Kulumani. Anos atrás, foi ali que conhecera o único homem que amou: o caçador Arcajo Baleiro; na ocasião, eles se despediram “olhando o rio, esse mesmo rio que me serve agora de caminho para me afastar de Kulumani, escapar da família e sair da minha própria vida” (p. 53). Conforme a mãe de Mariamar, “a água arredonda as pedras como a mulher molda a alma dos homens” (p. 54), o que não lhe acontecera, uma vez que no passado (dezesseis anos antes do momento da narração) Arcanjo lhe fugiu, segundo ela, “Podia ter sido comigo. Não foi. Não houve nem amor, nem homem, nem alma”, amargores os quais, juntos a outros que sua alma carrega, a fazem tomar atitudes que aos olhos da comunidade são reprováveis. “O que sucedeu é que, com o tempo, deixei de ter esperas. E quem deixa de ter esperas é porque deixou de viver.”. Por isso foge, tem “medo de ser devorada”, “devorada pelo desejo de ser amada”. O instinto a leva a fugir, pois “mesmo sendo mulher” (p. 55), ela diz ter herdado o faro de caçador que corre na família, nos homens da família, é certo. Conforme ela mesma afirma, em um mundo de sangue e pólvora, as mulheres inventam “silenciosas brincadeiras” (p. 121), com as agruras da vida, aprendeu a “rir para dentro, a gritar sem voz, a sonhar sem sonho”.
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DISSERTAÇÃO_Trabalhada no glamour identidade e consumo de beleza por mulheres da nova classe média

DISSERTAÇÃO_Trabalhada no glamour identidade e consumo de beleza por mulheres da nova classe média

Na estrutura líquida do mundo pós-moderno (Bauman, 2005), o corpo passa a figurar como o principal território de construção identitária (Castro e Padro, 2001). No caso das mulheres, o corpo tende a atuar de maneira ainda mais intensa sob a constituição identitária, em especial, devido à associação culturalmente estabelecida entre beleza e feminilidade (CAMPOS, SUAREZ & CASOTTI, 2006; BORELLI & CASOTTI, 2010). Assim, de forma a atender às expectativas sociais em relação ao próprio sentido do que é ser mulher, além das próprias demandas íntimas advindas de selves particulares, muitas mulheres empreendem uma busca pela beleza e pela própria construção e modelagem da sua identidade feminina, lançando mão, para tanto, do consumo de produtos de beleza. É nesse contexto que se insere o desenvolvimento deste estudo, que tem como foco principal a (re)construção da identidade feminina de mulheres pertencentes à nova classe média, por meio do consumo de produtos de beleza. Para tanto, foi utilizado o método qualitativo, sendo realizadas entrevistas pessoais e em profundidade com 24 mulheres da nova classe média. Pelos resultados, evidencia-se a supervalorização da beleza física, no qual padrões socialmente estabelecidos, rechaçados nos discursos, se revelam como ambições veladas na busca pelas “recompensas da beleza”. Por conseguinte, essas mulheres tendem a investir com frequência na compra de produtos para o embelezamento, que assumem diferentes fontes de significação, inclusive “terapêutica”, no qual os produtos de beleza funcionam como “antídotos contra a tristeza” ou “reparadores de autoestima”. De forma a se apropriar das propriedades especiais presentes em seus produtos de beleza, as entrevistadas destinam parte do seu fim de semana, especialmente o sábado, para investir extensa e ativamente
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Histórias de mulheres negras paraibanas: a construção da identidade negra e afirmação da cidadania

Histórias de mulheres negras paraibanas: a construção da identidade negra e afirmação da cidadania

Nesta pesquisa nos dispomos a analisar a história de vida de mulheres negras paraibanas que estão em certos espaços de poder da sociedade brasileira. Com isso recorremos à história oral e buscamos compreender as suas trajetórias, caminhos e percalços trilhados por elas na Paraíba para obter formação superior em determinadas áreas do conhecimento, além de atentar para a construção da identidade negra entre mulheres negras no século XX na perspectiva de compreender os percursos que fizeram para adquirir sua formação e se inserir no mercado de trabalho em um período em que não havia nenhuma política pública para as populações negras e por conseguinte a inserção dessas mulheres negras com formação superior no mercado de trabalho. No entanto, nos limitamos às mulheres negras que residem na cidade de Alagoa Grande, essas personagens ingressaram na universidade pública em diferentes cursos, se qualificaram e acessaram o mercado de trabalho como professoras. Logo, o nosso interesse é a trajetória de vida delas. Assim buscamos compreender como superaram as barreiras encontradas, sobretudo, o preconceito racial e de gênero e ascenderam socialmente, saindo da condição de marginalizadas e como elas construíram ou não suas identidades de mulheres negras e se afirmaram cidadãs frente às barreiras encontradas e como agiram.
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Protagonistas negras na rede globo: a construção da identidade das mulheres negras no Brasil

Protagonistas negras na rede globo: a construção da identidade das mulheres negras no Brasil

Desde os anos 70 as telenovelas têm apresentado personagens negros de certa projeção social, representados por bons atores, mas que não têm, na trama, história própria, nem família, nem núcleo social: são as personagens soltas. Estão nessa situação uma galeria de padres, juízes, promotores, donos de estabelecimentos comerciais, etc. O início desta pesquisa, como já foi dito acima, elege a novela Pecado Capital, na qual Milton Gonçalves, ator negro consagrado, representa um psiquiatra, com essas características mencionadas. Nas palavras do ator, em depoimento pessoal para a pesquisa, “o primeiro personagem negro de terno e gravata”, mas sem identidade própria, situação que permanece até os anos 90. (COUCEIRO, 2001, p. 92)
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Identidade de gênero :   a (re)significação dos papéis de mulheres e homens na Zona da Mata de Pernambuco

Identidade de gênero : a (re)significação dos papéis de mulheres e homens na Zona da Mata de Pernambuco

A opção por concretizar essa pesquisa na Zona da Mata deve-se a pelo menos dois pressupostos que comprovam a riqueza empírica da região. Num âmbito mais específico, desperta interesse os mecanismos empregados pelo sindicalismo rural para promover a discussão sobre gênero, considerando as nuances de uma dada situação social em que, por causa da tradição patriarcal enraizada desde o tempo da colonização e agora pelo acirramento da crise da cana, as mulheres já não se encontram nos postos de trabalho assalariado, o que leva conseqüentemente à diminuição de sua presença nos próprios sindicatos. De um ângulo mais geral, destaca-se o histórico de lutas por mudanças sociais verificado na região, que pode ser exemplificado tanto pela atuação das ligas camponesas, nas décadas de 50 e 60, cuja herança combativa foi herdada posteriormente pela organização sindical rural, uma das mais bem estruturadas do País. Essa história de resistências cotidianas e lutas organizadas contrasta, entretanto, com uma cultura também presente de submissão diante do autoritarismo, da violência, do paternalismo, das práticas clientelísticas, etc. A vivência desse paradoxo aponta para uma lógica de sobrevivência que implica uma atitude de desconfiança e resguardo frente a novas idéias, lógica essa que parece orientar a apropriação e ressignificação do discurso de igualdade de gênero por homens e mulheres do campo.
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A construção da identidade das mulheres e a luta pela terra no acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio

A construção da identidade das mulheres e a luta pela terra no acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio

As mulheres aqui do Herdeiros, tiveram outras ações na região e no estado, que foram muito significativas, então as mulheres participaram além desse formação mais interna e formação regional, elas participaram do encontro do de março. Então assim teve encontro regional, encontro estadual com luta concreta, as mulheres do Herdeiros participaram de forma intensa e bem comprometidas com a organização, participaram de espaços de formação estadual, na escola de formação de mulheres do estado, algumas companheiras que são do próprio coletivo se inseriram na coordenação estadual, representando a região. Esses são alguns dos vários avanços que a gente foi tendo. Outra questão é a participação das mulheres na FESA – Feira de Economia Solidaria Agroecológica, onde as mulheres organizam suas bancas, suas vendas, tiveram bancas específicas do coletivo de mulheres. Pra além dos grupos de produção do acampamento as mulheres produziram e comercializaram os seus produtos. Essas são algumas das ações que a gente desenvolveu, que foram muito produtivas, inclusive a prova bem concreta de que houve empoderamento, da mulher nesse período em que tiveram acampadas. Primeiro nós tivemos mulheres que assumiram os espaços de coordenação do Movimento. Segundo, na prática o que a gente percebe, é que as mulheres assumiram a agroecologia, como um modelo produtivo, sabendo que a construção da agroecologia, ela é mais efetiva e isso é empoderar, pensar em outras formas de produzir, que vai consolidando a autonomia da família e as mulheres puxam essa discussão na agroecologia e isso é central. Pensando também na qualidade de vida, de alimento para a família, geração de renda. Construir experiências produtivas, construir experiências de comercialização. Se desafiaram a estudar e entender a realidade e agir nessa realidade, a partir desse conhecimento, que elas foram conquistando ao longo desses anos de organização. Quando as mulheres organizam uma ação no 8 de março, de enfrentamento ao agronegócio, de enfrentamento com esta parcela da sociedade, que discrimina os movimentos sociais. Quando elas vão pra rua, organizar a feira, em Quedas do Iguaçu, que teve a participação das mulheres do Herdeiros. Elas estão se empoderando, elas estão assumindo de fato, diferentes espaços da organização. Por exemplo no último 8 de março, foram as mulheres que organizam toda a feira, isso é consolidar sua autonomia, foi uma demonstração para o próprio movimento de que as mulheres são capazes sim.
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Assimetria da identidade interna das mulheres líderes no mundo organizacional: estudo caso em Portugal

Assimetria da identidade interna das mulheres líderes no mundo organizacional: estudo caso em Portugal

Quando nos referimos à assimetria, o indivíduo pode acreditar que as outras pessoas identificam erradamente a sua identidade, quando relacionada com o trabalho, e esta errada perceção pode ter origem em diversos motivos. Pode ser intencionalmente criada, através técnicas de impressões e de autoapresentação para projetar uma imagem profissional desejada, ao invés da real (Goffman, 1959; Leary & Kowalski, 1990; Roberts, 2005), ou pode estar a esconder partes daquilo que realmente é, para se adequar a uma identidade organizacional ou de grupo específico (Alvesson & Wilmott, 2002; Hewlin, 2009). O indivíduo pode, ainda, experimentar uma assimetria não intencional, por norma, os indivíduos acreditam ter uma visão objetiva, racional e precisa do mundo e que os outros partilham dessa mesma visão (Robinson, Keltner, Ward, & Ross, 1995; Ross & Ward, 1996), ou seja, acreditam que os outros os vêem como eles próprios se vêem (Kenny & DePaulo, 1993).
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