Índios da América do Sul - Brasil - Música

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Os Regimes Militares no Brasil e na América do Sul – Historiografia e Perspectivas

Os Regimes Militares no Brasil e na América do Sul – Historiografia e Perspectivas

suposta ação heroica pelo salvamento da nação encontra lugar central. A renovação de enfoques e de perspectivas segue com a renovação historiográfica pela História Conceitual do Político (ROSANVALON, 1995) e pela História Cultural da Política (MERGEL, 2014), que encontram em objetos e manifestações culturais um plano privilegiado para estudar e compreender as dinâmicas sociais do período. É o caso das obras, por exemplo, de Rodrigo Patto Sá Motta e Marcos Napolitano. O primeiro, pesquisando a cultura política comunista (2013) e anticomunista (2002) no país, foi capaz de mapear as diferentes comunidades de sentido que compuseram o espectro social acerca do tema, uma contribuição inestimável para reconhecer e compreender os posicionamentos e as visões de mundo que daí advieram. Motta também acrescentou ao debate sobre o golpe uma análise das charges publicadas na grande mídia brasileira que retratavam Jango e o jogo de poderes pré-1964 (2006) e que apontam para a centralidade da temática da esquerda nas críticas humorísticas ao presidente. A inserção de fontes pictóricas, em especial as charges, ao debate historiográfico ainda é um expediente inovador, no que o estudo do autor se destaca. Por fim, em sua mais recente obra, o historiador examina a dinâmica universitária brasileira no período (2014), vislumbrando a lei da acomodação, antes da adesão completa ou da resistência, como a norma nos campi, tema retratado pela Associação de Docentes da USP no chamado Livro Negro da USP (1979). Napolitano, ao pesquisar a música popular brasileira no período militar (2001), não apenas apontou questões pertinentes acerca da indústria da música no Brasil e de certa permissividade da ditadura com este setor, o que poderia apontar para um projeto modernizante conjugado com um regime conservador, mas também que a MPB, exaltada muitas vezes por sua canção de protesto, é, na verdade, guiada por uma sublimação da violência e para uma catarse da repressão autoritária. A canção de protesto ou de barricada, que buscaria um rompimento estético-lírico com a produção popular brasileira e que seria primariamente representada por Geraldo Vandré, não se desenvolve. Dessa forma, a música não atinge o plano da ação política de resistência, arranhando apenas o plano da conscientização.
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A semiótica no Brasil e na América do Sul: rumos, papéis e desvios

A semiótica no Brasil e na América do Sul: rumos, papéis e desvios

São bons avanços para a conservação do rumo, e que puseram a semiótica para dialogar com os estudos da percepção, com as teorias cognitivas e com as de preocupação estética e corporal. No Brasil, a vertente tensiva teve grande desenvolvimento e trouxe importantes contribuições teóricas à semiótica: ver, por exemplo, os estudos de Ignácio Assis Silva, de Luiz Tatit, de Ivã Carlos Lopes, de Waldir Beividas, de Lúcia Teixeira, de Antônio Vicente Pietroforte, de Renata Mancini, de José Roberto do Carmo Jr., de Ricardo Nogueira de Castro Monteiro, de Álvaro Antônio Caretta, de Márcio Coelho, de Peter Dietrich, principalmente sobre questões estéticas e sensoriais, na literatura, na pintura, na canção brasileira, na música. Além disso, esses estudiosos oferecem disciplinas e orientam pesquisa nessa vertente semiótica. As propostas de Zilberberg sobre a tensividade foram o principal ponto de partida de Luiz Tatit para elaborar um modelo para estudar a canção. Em 1994, publicou Semiótica da Canção, e, a partir dessa primeira pesquisa, desenvolveu trabalho original e pioneiro sobre a canção, tanto pela construção teórica e metodológica de uma semiótica da canção quanto pela análise primorosa da canção popular brasileira. Devem-se mencionar ainda em toda a América do Sul, estudos sobre as paixões discursivas, por exemplo, os estudos sobre a vergonha, de Elizabeth Harkot-de-la-Taille, ou sobre o medo, a vergonha e o ressentimento, de José Luiz Fiorin.
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Narrativas ao Sul: viagem e música em quatro romances de Assis Brasil.

Narrativas ao Sul: viagem e música em quatro romances de Assis Brasil.

De fato, conforme demonstra o estudo histórico de Moreira e Quinteros (2008, p. 233-234), Humboldt e Bonpland seguiram caminhos distintos após sua famosa expedição pela América. Enquanto o primeiro escolheu permanecer na Europa e dar sequência a seus escritos sobre o “Novo Mundo”, local de natureza ainda virgem, à espera dos meios e dos capitais capazes de ali produzir riquezas, o segundo escolheu como lar o continente ainda bastante desconhecido e convulsionado por instabilidades políticas. Segundo os autores, “Bonpland participou neste universo de rivalidades, mas geralmente do lado daqueles que foram derrotados. Isso traduziu-se não só em solidão e empobrecimento material, senão também na não transcendência política de Aimé” (Moreira e Quinteros, 2008, p. 234). Isso se verifica no romance de Assis Brasil, em que a história e a literatura se aproximam apenas na medida necessária à fatura artística da obra. Com efeito, em Figura na sombra, as relações políticas de Bonpland não são privilegiadas pelo foco narrativo, o que contribui para mantê-las à margem da história. Ainda assim, através da ficcionalização dos elementos disponíveis, a obra presta especial atenção à inserção dissonante do botânico no pensamento de sua época. Enquanto Humboldt buscava a precisão e a ordenação do universo, Bonpland atraía-se pelos elementos imprevistos dentro da perfeição do cosmos, como “uma inacreditável borboleta de asas amarelas, pousada na ponta de um calhau negro que emergia da neve. Impossível essa borboleta em tal altitude” (Assis Brasil, 2012, p. 80). Desta borboleta, não falaria a Humboldt, seria um segredo seu, apenas tornado possível pela mão da ficção, que transcende a história e propõe novos significados.
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Índios na história e nas fronteiras do Brasil: perspectivas comparadas entre Amapá e Mato Grosso do Sul

Índios na história e nas fronteiras do Brasil: perspectivas comparadas entre Amapá e Mato Grosso do Sul

RESUMO: O artigo apresenta algumas contribuições aos debates sobre a presença histórica de populações indígenas em fronteiras de Estados nacionais na América do Sul e suas trajetórias. A partir de pesquisas do autor e de outros investigadores, toma-se como ponto de partida os processos vividos por determinados grupos localizados nas fronteiras do Brasil com o Paraguai e a Bolívia (Mato Grosso do Sul) e com a França/ Guyane (Amapá). Pensar historicamente as presenças indígenas nessas fronteiras obriga que pesquisadores revejam conceitos e ferramentas teórico-metodológicas de abordagem, além de uma busca incessante por diálogos interdisciplinares e/ ou transdisciplinares. Tais diálogos se fazem notadamente entre a História e as Ciências Sociais, sobretudo com a Antropologia, constituindo a chamada História dos Índios ou História Indígena. Considerando-se as fronteiras como espaços transnacionais e fluidos, é possível analisar criticamente migrações e outras formas de deslocamentos, além da construção de identidades assumidas e/ ou atribuídas, utilizadas de acordo com as circunstâncias e conforme os contextos em que vivem os atores sociais. As comparações entre os Estados de Mato Grosso do Sul e do Amapá permitem entrever diferenças e similitudes nas situações histórico-sociais de populações indígenas que vivem em fronteiras, sejam essas étnicas, nacionais, etc.
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Alternativas energéticas na América do Sul : a produção de biocombustíveis no Brasil e na Argentina

Alternativas energéticas na América do Sul : a produção de biocombustíveis no Brasil e na Argentina

Consequentemente, algumas considerações devem ser realizadas, a título do estudo de comparação e os resultados discutidos a seguir também podem ser observados no transcorrer desta conclusão. Mas, para fins desta pesquisa, o destaque é que ambos os países são importantes produtores agrícolas e estão entre os principais produtores mundiais e exportadores de commodities. Uma das diferenças refere-se à utilização de energias renováveis na matriz energética dos países estudados. Assim, na Argentina o uso de energias renováveis é relativamente pequeno quando contrastado ao Brasil. No caso do Brasil, as condições ambientais favorecem a presença de algumas energias renováveis, como o caso das hidrelétricas, pois o território brasileiro possui uma grande presença de rios e feições geomorfológicas favoráveis para sua instalação.
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Brasil, Bolívia, hidrocarbonetos e o processo de integração energética na América do Sul

Brasil, Bolívia, hidrocarbonetos e o processo de integração energética na América do Sul

É interessante observar que Lozada governou o país em três momentos distintos, sempre em favor de políticas liberalizantes, pois queria fazer, da Bolívia, um “Estado normal”. Como residiu e estudou por muito tempo nos EUA, nem seu sotaque hispânico foi preservado, o que causava enorme antipatia dos segmentos nacionalistas. Sua identificação com o Consenso de Washington gerou conflitos com os camponeses da COB, principal confederação sindical do país. No segundo governo (2002-2003), depois de duas semanas de protestos contra o plano de exportação do gás boliviano para os EUA por portos chilenos, ele renunciou. Novamente, os protestos sociais foram considerados questão de polícia, porém, uma nova greve policial forçou o governo a colocar as Forças Armadas em ação, deixando novo saldo de trinta mortos. A Bolívia vivia o caos, gerando apreensão tanto na América do Sul como nos EUA e na Europa.
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Brasil, Argentina e América do Sul.

Brasil, Argentina e América do Sul.

Há motivos de sobra para não descuidar da preservação do ajustamento do balanço de pagamentos em conta corrente. As condições internacionais favorá- veis do período 2003-2005 não devem durar para sempre. O comércio mundial crescerá provavelmente em ritmo mais lento, as taxas de juro estão subindo nos Estados Unidos e em outros países, há dúvidas quanto à disponibilidade futura de liquidez externa para mercados “emergentes”. Os graves desequilíbrios fiscais e de balanço de pagamentos dos Estados Unidos são motivo de preocupação cres- cente, representando risco ponderável de desestabilização da economia mundial. Apesar dos resultados comerciais excepcionais e da recuperação das reser- vas internacionais do país, o Brasil não chegou a consolidar a sua posição exter- na. É provável que a balança comercial e o resto do balanço de pagamentos em conta corrente comecem em breve a refletir mais claramente os efeitos pernicio- sos da acentuada valorização cambial ocorrida em 2004 e 2005 . Continuam insu- ficientes as reservas do país, que constituem instrumento indispensável de defesa em situações de desequilíbrio das contas internacionais. O prazo médio da dívida externa é relativamente reduzido, sendo portanto expressivos os vencimentos de principal a cada ano. Além disso, há excessiva liberdade de ingresso e de saída de capitais, problema agravado pela liberalização das normas cambiais em março de 2005 . Tudo isso contribui para tornar a economia suscetível a turbulências cam- biais e financeiras que dificilmente poderão ser acomodadas pelo simples funcio- namento do regime de flutuação cambial.
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A América do Sul em movimento.

A América do Sul em movimento.

Os Estados Unidos continuam a ser a única superpotência, com interesses, objetivos e prioridades em todos as regiões do planeta e grande influência na América Latina. Essa superpotência, contudo, nunca exerceu hegemonia comple- ta — mesmo depois do colapso da União Soviética. Ela opera num mundo que é multipolar e será, provavelmente, cada vez mais multipolar. A influência e o peso relativos dos Estados Unidos tendem a diminuir, em termos econômicos e políti- cos. Na Ásia, temos a emergência de duas nações que souberam preservar a sua autonomia nacional e cujas economias vêm crescendo de forma rápida: a China e a Índia. A Rússia pós-Ieltsin também vem expandindo a sua economia a taxas elevadas e aumentando o seu papel internacional. O Japão superou a sua longa crise econômica. Depois da ampliação para 25 países em 2004, a economia da União Européia passou a ser aproximadamente do tamanho da dos Estados Unidos.
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O horizonte regional do Brasil e a construção da América do Sul (1990-2005)

O horizonte regional do Brasil e a construção da América do Sul (1990-2005)

Quanto à IIRSA, porém, Almeida aponta que essa iniciativa teria sido parcialmente aceita por Lula, que preferiu empregar ações para viabilizar o financiamento bilateral do BNDES a obras de infra-estrutura nos países vizinhos. 122 O embaixador Rubens Ricupero, na mesma linha, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, ao percorrer o tema da integração regional sul-americana, ressaltou que faltava uma dose a mais de espírito de continuidade à diplomacia brasileira 123 . Nenhum dos dois se detém, no entanto, sobre quais teriam sido as razões para essa aceitação apenas parcial da IIRSA nas primeiras luzes do governo Lula.
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Índios do sul e extremo-sul baianos: reprodução demográfica e relações

Índios do sul e extremo-sul baianos: reprodução demográfica e relações

A Comarca do Sul da Bahia, e principal- mente a Comarca de Porto Seguro, marcharia a passos gigantescos para a sua completa ruína e miséria (MS 54). O corte de madeiras é comparado ao vício do jogador que continuamente está per- dendo e que, apesar disso, continua no jogo, na esperança de desforrar-se, quando, pelo contrário, “cada vez mais se arruinão e estragão sua fortuna” (MS 54). Expediente excuso era utilizado para viabilizar a exportação de incalculáveis metros cú- bicos de madeira, ou seja, terras particulares, ricas em pau-brasil, eram contratadas, ao tempo em que, simultaneamente, particulares sem terras e caren- tes de dinheiro avançavam sobre as matas do Esta- do, abatiam as madeiras e transferiam-nas ao mes- mo contratante, que as embarcava como se extraí- das fossem das terras contratadas, particulares, exportando-as para Porto Seguro e o Rio de Janei- ro. A licença concedida pela presidência da Pro- víncia dava lugar à devastação das matas do Esta- do, contra o que se recomendava “um remedio pronto e enérgico para deter a escalada de desgra- ça e miséria da população do Sul da Província” (MS 54). A Vila do Prado, nessa época, quase aban- donara a lavoura, supostamente por causa dos “prejuizos que causarão os indígenas, a ponto de desampararem suas lavouras os fazendeiros pouco abastados” (MS 55), voltando-se para a extração de jacarandá “porque este genero o tapuio não rouba e deixa ao trabalhador a saptisfação de vender o seu
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PINTURAS DE íNDIOS NO BRASIL CE

PINTURAS DE íNDIOS NO BRASIL CE

Neste trabalho, buscamos apresentar uma comparação entre as áreas estudadas, especialmente Alto Sucuriú, Serranópolis e Caiapônia.. 1 - INTRODUÇÃO.[r]

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Variabilidade milenar da Corrente do Brasil e do clima da América do Sul durante...

Variabilidade milenar da Corrente do Brasil e do clima da América do Sul durante...

A Corrente do Brasil (CB) representa o ramo sul da bifurcação da Corrente Sul Equatorial que interage com a margem continental sudeste do Brasil. A temperatura da superfície do mar na região da CB exerce um importante papel no controle da intensidade e posição da Zona de Convergência do Atlântico Sul, um dos principais componentes do Sistema de Monção da América do Sul (SMAS). Tal sistema atmosférico é responsável pela precipitação de verão em grande parte do continente sul-americano, sendo, portanto, uma feição natural de grande importância para o contexto político-econômico nacional e internacional. Além disto, a CB é marcantemente influenciada pela Atlantic Meridional Overturnig Circulation (AMOC), cujas oscilações pretéritas foram responsáveis por mudanças abruptas no clima global. Atualmente, os poucos registros paleoceanográficos disponíveis no sudoeste do Atlântico Sul não permitem uma reconstituição detalhada das mudanças ocorridas na CB durante o último período glacial. Esta Dissertação de Mestrado visou reconstituir a variabilidade da CB ao redor de 32°S durante os eventos Heinrich Stadial (HS) 3 e 2, bem como seus impactos no clima da porção sudeste da América do Sul. Para tanto, foi investigado um testemunho sedimentar marinho coletado na margem continental sul do Brasil sob a influência da CB. Para este testemunho foram produzidos modelo de idades baseado em datações 14 C, análises de isótopos estáveis de carbono e oxigênio, bem como análises de Mg/Ca, ambas em testas de foraminíferos planctônicos e análises de fluorescência de raios-X em amostras de sedimento total. Os resultados mostram que durante os eventos HS (notadamente durante o HS2) ocorreu marcante aumento na taxa de sedimentação bem como nas razões ln(Ti/Ca) e ln(Fe/Ca), e diminuição na composição dos isótopos estáveis de carbono bem como na temperatura e salinidade da superfície do mar. Tais alterações foram relacionadas à desintensificação da AMOC, à intensificação da ressurgência do Oceano Austral e ao fortalecimento do SMAS. A ocorrência de uma estrutura em “w” nos registros dos HSs apresentados aqui, bem como em registros do Atlântico Norte e da América do Sul, sugere que esta estrutura é uma característica do HS2, e possivelmente também do HS3.
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OS ÍNDIOS DO BRASIL  EM PERSPECTIVA HISTÓRICA.

OS ÍNDIOS DO BRASIL EM PERSPECTIVA HISTÓRICA.

emergente campo da História Indígena e do Indigenismo em favor da incorporação dos povos indígenas nas análises sobre o passado brasileiro. N o entanto, as críticas acerca do lugar do[r]

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Os índios e a educação no mundo colonial: fronteira oeste da América portuguesa

Os índios e a educação no mundo colonial: fronteira oeste da América portuguesa

Por esta banda de Mato Grosso, os índios todos, são inclinados à lavoura, e me consta partes que se tem trazidos dos matos, que nas suas terras fazem muito grandes e têm grandes abundâncias de mantimentos mas depois que os mudam alguma coisa se lhe diminue essa diligência senão ficará tão distantes a mais útil era, aldearem-se nas suas mesmas terras; mas esta circunstância, de ficarem tão desviados da comunicação desta vila põe a isso, não pequenas dificuldades para os seus estabelecimentos, e juntamente se perde a utilidade de se povoar com eles (UFMT – NDIHR, 1983, p. 99-100, grifo nosso).
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Repensando o dilema de segurança na América do Sul: o Brasil e os gastos em defesa na região

Repensando o dilema de segurança na América do Sul: o Brasil e os gastos em defesa na região

A ausência de temores de um possível conflito armado na região está relacionada à percepção que os países sul-americanos têm em relação às ameaças internacionais. Neste sentido, é preciso notar que, com o fim da Guerra Fria, as conceituações e percepções sobre segurança internacional adotadas durante o período passaram por reformulações importantes, abrindo espaço para temas além dos aspectos estratégico-militares centrados no Estado, a partir do qual eram produzidas tanto as ameaças a outras Estados quanto as respostas a estas ameaças. Uma vez solucionadas as questões sistêmicas geradas pelo conflito entre as duas superpotências, houve espaço para entendimentos mais amplos e abrangentes, estabelecendo novos limites teóricos na área de segurança internacional e estimulando o aparecimento na agenda de segurança de questões econômicas e ecológicas, em um primeiro momento, e, mais tarde, de questões ligadas ao aumento dos crimes transnacionais.
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A projeção geopolítica do Brasil na América Latina e os desafios da integração sul-americana

A projeção geopolítica do Brasil na América Latina e os desafios da integração sul-americana

Além disso, para Moniz Bandeira, no plano internacional, o Brasil estava “contrariando Washington, com a criação do Banco do BRICS, uma alternativa ao FMI e ao Banco Mundial e o regime de partilha para o pré-sal, que conferiu papel estratégico à Petrobras, deslocando as petroleiras estrangeiras” 374 . Portanto, não foi por acaso que a Petrobras e a presidenta Dilma Rousseff foram espionadas pela NSA, contradizendo o Pentágono que diz que não faz espionagem com interesses econômicos 375 . Esses são alguns indícios de que Washington, evidentemente, busca controlar o aparelho do Estado brasileiro para criar as condições favoráveis à acumulação lucrativa de capital pelos atores geoeconômicos internacionais. Para David Harvey, esse tipo de aparelho de Estado é conhecido como “Estado neoliberal”, pois as suas ações refletem os interesses dos detentores de propriedade privada, dos negócios, das corporações monopolistas transnacionais e do capital financeiro 376 . De acordo com Noam Chomsky, os Estados Unidos estão mais preocupados em construir as condições mais favoráveis para os seus investimentos privados no exterior do que com o funcionamento do regime democrático nos países da América Latina 377 . A queda dos governos de Honduras, do Paraguai e do Brasil demonstra empiricamente essa tese.
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As barreiras para a implantação de concessões florestais na América do Sul: os casos de Bolívia e Brasil

As barreiras para a implantação de concessões florestais na América do Sul: os casos de Bolívia e Brasil

Este trabalho de investigação centra-se sobre os principais obstáculos enfrentados pelas autoridades florestais bolivianas e brasileiras para implantar as concessões florestais na escala inicialmente prevista. O desenvolvimento do trabalho demandou a mobilização de duas correntes teórico-metodológicas. Por um lado, buscou-se um mapeamento dos modos pelos quais os indivíduos e grupos se apropriam e formulam regras para gerir porções de florestas. Por outro lado, a abordagem teórica da sociologia econômica, mais precisamente os trabalhos de Neil Fligstein e sua abordagem política-cultural, forneceu elementos para avaliar o processo de organização social da produção florestal madeireira nas duas regiões estudadas, que depende de quatro fatores: i) os direitos de propriedade, ii) as estruturas de governança, iii) as regras de troca e iv) as concepções de controle. A abordagem política-cultural considera a participação dos atores sociais como governos, empresas e consumidores, entre outros, e os incentivos para ações de cooperação com base nos laços cognitivos que os ligam. O estudo centrou-se na região amazônica de cada país: nas terras baixas bolivianas e, no Brasil, na região da rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163). Isto porque estas regiões são os principais alvos para implantação de concessões florestais. Mostra-se neste estudo que sob um cenário de confusão fundiária, no qual há batalhas por pedaços dos territórios florestais e onde as alianças políticas são forjadas para favorecer outros padrões de uso das terras, a aplicação de concessões florestais em grande escala pode ser inviabilizada ou ficar bastante reduzida. Palavras-chave: gestão de florestas; direitos de propriedade; Amazônia
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Existe uma curva de Kuznets ambiental para a América a América do Sul ?

Existe uma curva de Kuznets ambiental para a América a América do Sul ?

O presente trabalho investigou a hipótese da Curva de Kuznets Ambiental (EKC) com o intuito de verificar se existe uma relação de “U-invertido” entre a emissão de dióxido de carbono e o crescimento econômico para os países da América do Sul no período de 1980 a 2008. A curva estimada considerou algumas variáveis dependentes como o PIB per capita, seu quadrado, seu cubo, abertura econômica para dos países, efeito escala, ou seja, a relação entre PIB real pela área em km 2 , bem como a densidade, razão entre população e área em km 2 .
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As valsas na Europa e na América do Sul

As valsas na Europa e na América do Sul

A coloração instrumental nas valsas é bastante impetuosa parecida com as do seu pai. Mesmo após a morte do ancião Strauss em 1849, o nome Strauss tornou-se sinónimo de mais valsa com a entrada em cena dos outros dois filhos, Josef em 1853 e Eduard em 1859. Nessa altura aparece um novo rival, Gungl. A família Strauss sente de alguma forma a importância deste, e por isso faz contatos de forma a expandir o seu nome para manter a sua reputação e fama internacional. Gungl foi o primeiro dos grandes compositores de valsa a atravessar o Atlântico em 1849 e, durante a década de 1850, conseguiu atingir grandes sucessos internacionais, como Die Hydropaten (1858) e Amoretttentanze (1860). Mas foi com Johann e Josef Strauss durante a década de 1860, que a valsa atinge o pico da perfeição como uma combinação de dança e composição musical, tornando-se símbolo de uma era elegante. Nenhum outro compositor de valsa foi capaz de corresponder de forma consistente à sua forma melódica, ao fluxo da música de introdução através de uma coda ou à forma contrastante dos seus temas.
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A América do Sul como Espaço Geopolítico e Geoeconômico: o Brasil, os Estados Unidos e a China

A América do Sul como Espaço Geopolítico e Geoeconômico: o Brasil, os Estados Unidos e a China

Por fim, há de se mencionar a já citada pressão no campo político-ideológico que vem sendo realizada sobre os emergentes, atribuindo a suas ações um caráter de exploração das nações mais pobres, sob a égide dos “neos” imperialismo e colonialismo. Esta reação, em particular do ocidente centrado em torno da União Europeia e dos Estados Unidos, conta, porém, com um apoio de elites políticas dentro dos emergentes, como no caso do Brasil. Assim, este discurso é muitas vezes incorporado de forma acrítica no debate interno, associado também a qualificações simplistas acerca do regime político dos emergentes: a Rússia seria “autoritária, agressiva, expansionista”, a China “não democrática e autoritária”, o Brasil “hegemônico, amigo de ditadores e corrupto”, a Índia e a África do Sul “desiguais e violentas”, dentre outros exemplos de uma retórica carregada de preconceitos.
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