Interpretação judicial

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A interpretação judicial como meio juridicamente idôneo de mutação

A interpretação judicial como meio juridicamente idôneo de mutação

A vinculação judicial à lei e a independência pessoal e funcional dos juízes não podem escamotear o fato de que o juiz interpreta a Constituição na esfera pública e na realidade (… in der Öffentlichkeit und Wirklichkeit die Verfassung interpretiert). Seria errôneo reconhecer as influências, as expectativas, as obrigações sociais a que estão submetidos os juízes apenas sob o aspecto de uma ameaça a sua independência. Essas influências contêm também uma parte de legitimação e evitam o livre arbítrio da interpretação judicial. A garantia da independência dos juízes somente é tolerável, porque outras funções estatais e a esfera pública pluralista (pluralistiche Öffentlichkeit) fornecem material para a lei (…Material “zum” Gesetz liefern). 32
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A (in)viabilidade da interpretação judicial criativa pro reo em direito penal : limites e desafios

A (in)viabilidade da interpretação judicial criativa pro reo em direito penal : limites e desafios

O presente trabalho, contudo, não poderá abranger todos esses questionamentos, centrando-se, principalmente, na função interpretativa do magistrado criminal brasileiro. O problema central, que se busca solucionar nesse trabalho, consiste em verificar se é viável, conforme o sistema de direito penal vigente no país, que a interpretação judicial seja também criativa na solução de casos criminais complexos, desde que em benefício do réu. A hipótese inicial é de que é possível esse processo de criação, principalmente em virtude do momento histórico, social e cultural vivenciado hodiernamente. A metodologia de pesquisa é, majoritariamente, revisão bibliográfica, finalizando com a análise de algumas decisões do Supremo Tribunal Federal que se afastaram da norma positiva em benefício de acusados.
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Vínculo empregatício: interpretação judicial do direito fundamental à relação de emprego protegida e seus efeitos

Vínculo empregatício: interpretação judicial do direito fundamental à relação de emprego protegida e seus efeitos

Nesse contexto, a dimensão objetiva dos direitos fundamentais traduz a dogmática jurídica que baliza este estudo, que se traduz em quatro dimensões 175 : primeiro, os direitos fundamentais apresentam caráter de norma de competência negativa, ou seja, limita o poder de atuação estatal, independentemente de o indivíduo recorrer ao Judiciário; segundo, essa dimensão objetiva funciona como critério de interpretação do direito infraconstitucional, com o efeito irradiante dos direitos fundamentais, como acima exposto, devendo haver uma interpretação orientada pelos direitos fundamentais, cuja eficácia é imediata, como já exposto; terceiro, permite, em caso excepcionais, a limitação dos próprios direitos fundamentais quando isso estiver no interesse dos seus próprios titulares, como forma de ponderação quando há conflito entre princípios constitucionais; e quarto, o próprio dever estatal de tutela. Nesse contexto, como já mencionamos, os indícios de subordinação na caracterização clássica/tradicional leva em consideração o tipo de remuneração, rigidez no horário de trabalho, não deter a propriedade dos instrumentos de trabalho e da matéria-prima, sendo esses os elementos indicadores de que a realidade fática, ou o princípio da primazia da realidade insculpido no art. 9º da CLT, é quem deve permear a interpretação judicial acerca da apresentação conjunta desses elementos caracterizadores do vínculo empregatício, justamente porque a decisão que reconhece a relação empregatícia não é constitutiva, mas declaratória, ou seja, reconhece que as parcelas rescisórias já eram devidas à época da quitação, e por isso mesmo sua declaração é imprescritível, conforme previsão contida no § 1º, do art. 11, da CLT, ao estabelecer que disposto no referido artigo não se aplica às ações que tenham por objeto anotações para fins de prova junto à Previdência Social.
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Políticas públicas, interpretação judicial e as intenções do legislador: o ProUni e o “criptoativismo” do Supremo Tribunal Federal

Políticas públicas, interpretação judicial e as intenções do legislador: o ProUni e o “criptoativismo” do Supremo Tribunal Federal

Esse “cripto-ativismo”, ainda que involuntário, foi alimentado pela recusa dos mi- nistros em discutir o que os formuladores da política pública tinham em mente ao criá-la. O que ela visava a promover? Quais os indicadores de que estaria servindo bem ou mal a esses fins? Essas perguntas aparecem na discussão sobre a constitucionalidade da lei que criou o ProUni. Mas nenhuma delas é respondida com referência a elementos concretos, do processo de elaboração dessa política pública, que permitam aferir qual o plano por trás do programa. Sujeito a alguns limites impostos pelo próprio texto legal, no fim das contas, o intérprete pode arbitrar qual a finalidade que ele imagina que o programa deveria servir – um cenário em que dificilmente encontraremos deferência. Em casos assim, se queremos aproximar deferência e declaração de constitucionalidade, a cautela judicial exige que as preocupações concretas dos legisladores que formularam a política pública sejam ao menos levadas em conta na hora de determinar, para fins judiciais, qual a finalidade da norma em jogo.
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A EFETIVIDADE DA TUTELA PENAL DO MEIO AMBIENTE NA SOCIEDADE DO RISCO E A INTERPRETAÇÃO JUDICIAL DA NORMA NO BRASIL  Jônica Marques Coura Aragão

A EFETIVIDADE DA TUTELA PENAL DO MEIO AMBIENTE NA SOCIEDADE DO RISCO E A INTERPRETAÇÃO JUDICIAL DA NORMA NO BRASIL Jônica Marques Coura Aragão

Decisões favoráveis à efetividade penal ambiental.. responsabilização da pessoa jurídica, independente da responsabilização das pessoas naturais. a ela vinculadas. Constata-se que os[r]

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A efetivação dos direitos fundamentais e a interpretação judicial

A efetivação dos direitos fundamentais e a interpretação judicial

RESUMO: O presente artigo trata da efetivação dos direitos fundamentais, mediante a vinculação do poder judiciário à interpretação constitucional, considerando-se como vetor irradiante de sua força para qualquer interpretação a dignidade da pessoa humana. Para tanto, foi trazida a concepção de direitos fundamentais, adotando-se a posição destes derivarem na gênese da dignidade do ente humano. É trazida a imbricação entre as idéias de Constituição e Direitos Fundamentais, para ser afi rmado que estes constituem núcleo material daquela. Os Estados Democráticos modernos, inclusive o Brasil, colocam de forma relevante os direitos fundamentais, no topo das normas constitucionais. No entanto, apesar da previsão constitucional, a efi cácia dos direitos do ente humano somente poderão ser obtidos com a vinculação real do poder judiciário à proeminência destes. A interpretação constitucional, ancorada na posição de supremacia dos direitos fundamentais, é o desafi o atual, pois implica na mudança de visão do intérprete do direito, agora consciente da necessidade ética e humanitária de dizer a lei no caso concreto em conformidade com os direitos fundamentais abrigados na Carta Constitucional, ainda que implique em sobrepor-se à interpretação legal. Essa concepção árdua, possibilitará a efetiva construção de um Estado mais justo, solidário e igual, que é a missão da Constituição Federal, abrigando como pilar de sustentação os direitos fundamentais.
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Nelson Rodrigues Netto, “Mutações Constitucionais: Alteração da Constituição pela Sua Interpretação e a Influência da Sociedade em Rede”

Nelson Rodrigues Netto, “Mutações Constitucionais: Alteração da Constituição pela Sua Interpretação e a Influência da Sociedade em Rede”

Nada obstante tal fato, May-Idles destacam a extrema importância do caráter histórico da interpretação judicial da Constituição dos Estados Unidos, haja vista que não existe qual- quer previsão explícita em seu texto para tanto, e ainda assim, a doutrina do judicial review se estabeleceu desde os primórdios do século XIX, emergindo indubitavelmente em consonância com a concepção dos Founders’ 33 de democracia republicana pela qual as condutas e os abusos de um ramo do poder do Es- tado devem ser reparados pelo judiciário ou prevenido pela atu- ação coordenada das três funções, consagrada na expressão che- cks and balances. 34
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Decisionismo e hermenêutica negativa: Carl Schmitt, Hans Kelsen e a afirmação do poder no ato interpretativo do direito.

Decisionismo e hermenêutica negativa: Carl Schmitt, Hans Kelsen e a afirmação do poder no ato interpretativo do direito.

Nos anos de 1920, Schmitt não aceita mais que todo (stado é (s- tado de Direito justamente devido à possibilidade de uma situação de ex- ceção que objetiva suspender o ordenamento jurídico, enquanto o (stado permanece, até mesmo para realizar o futuro direito. O decisionismo as- sim estabelecido traz às claras uma teoria dualista do (stado e do direito, invertendo o anterior raciocínio de Schmitt sobre a relação entre direito e poder, com o que ele admite que o primeiro deriva-se do segundo, inau- gurando a primazia do político. No entanto, essa é apenas uma das manei- ras de compreender o pensamento de Schmitt nesse momento, existindo entendimento contrário no sentido de que o autor, nos anos de 1920, teria mantido a mesma fundamentação dualista dos anos de 1910. Para essa corrente, a decisão, por exercer um papel mediador, apenas estabelece- ria o conteúdo de uma forma já existente, e assim o direito permaneceria independente do poder. Alexandre Franco de Sá é um dos adeptos dessa ideia, defendendo tal postura por meio da filosofia das ficções de 9aihin- ger, que Schmitt teria utilizado ao longo de sua obra. De qualquer manei- ra, esteja correta a primeira ou a segunda corrente, o certo é que no Sch- mitt dos anos de 1920 há pouco destaque para uma teoria da interpretação judicial, eis que todo seu interesse foi desviado para a discussão sobre a exceção, fenômeno que se radica majoritariamente no campo do Poder (xecutivo.
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BIOÉTICA E POLÍTICA NO ESTADO DO TOCANTINS: DILEMAS ÉTICOS DE JUSTIÇA NA JUDICIALIZAÇÃO DA SAÚDE

BIOÉTICA E POLÍTICA NO ESTADO DO TOCANTINS: DILEMAS ÉTICOS DE JUSTIÇA NA JUDICIALIZAÇÃO DA SAÚDE

Nesta concepção substancial de democracia, os juízes possuem uma grande importância, pois será através da interpretação judicial dos princípios constitucionais que o espaço destinado [r]

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TEORIA DA DECISÃO JUDICIAL  DOS MÉTODOS TRADICIONAIS DE INTERPRETAÇÃO À HERMENÊUTICA FILOSÓFICA  Shary Kalinka Ramalho Sanches

TEORIA DA DECISÃO JUDICIAL DOS MÉTODOS TRADICIONAIS DE INTERPRETAÇÃO À HERMENÊUTICA FILOSÓFICA Shary Kalinka Ramalho Sanches

A palavra hermenêutica vem da figura do semi-deus Hermes; este tinha a função de traduzir para a linguagem dos homens as mensagens dos deuses. Assim, áreas como Direito e Teologia preocuparam-se em melhor reproduzir a vontade de quem legislou. Já no romantismo, Friedrich Schleiermacher não aceitou a divisão estanque das regras e métodos de interpretação para cada área específica (jurídica, a teológica, filosófica, etc) e empreendeu desenvolver uma compreensão em geral – com ele a hermenêutica toma um caráter de universalidade através do método que passa a ser circular, isto é, o intérprete desloca-se da compreensão do todo para a parte e vice-versa - é o chamado círculo hermenêutico. Almejava a compreensão exata daquilo que o autor do texto quis dizer, aos moldes da figura de Hermes. Mas é Martin Heidegger quem abandona a dicotomia kantiana sujeito- objeto e escolhe o homem como ponto central: antes a interpretação, que era puramente de textos, passa a ser agora também de outro objeto – a faticidade, ou seja, do homem histórico.
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INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA NO DIREITO DO CONSUMIDOR

INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA NO DIREITO DO CONSUMIDOR

É preciso distinguir duas espécies de ativismo judicial: há o ativismo judicial inovador (criação, ex novo, pelo juiz de uma norma, de um direito) e há o ativismo judicial revelador (criação pelo juiz de uma norma, de uma regra ou de um direito, a partir dos valores e princípios constitucionais ou a partir de uma regra lacunosa, como é o caso do art. 71 do CP, que cuida do crime continuado). Neste último caso o juiz chega a inovar o ordenamento jurídico, mas não no sentido de criar uma norma nova, sim, no sentido de complementar o entendimento de um princípio ou de um valor constitucional ou de uma regra lacunosa. (GOMES, 2009, online).
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Reformas pró-mercado, rigidez constitucional e revisão judicial: Brasil, Argentina e Uruguai em perspectiva comparada

Reformas pró-mercado, rigidez constitucional e revisão judicial: Brasil, Argentina e Uruguai em perspectiva comparada

A Constituição argentina só pode ser modificada por iniciativa de dois terços dos membros do Congresso, cuja convocação será para o fim específico da alteração constitucional. Cabe ressaltar, no entanto, que essa mesma Constituição trata somente das declarações gerais constitucionais; direitos, garantias e deveres da pessoa; divisão política da nação; e da organização dos poderes. A Argentina se caracteriza pelo índice 3 da classificação de Lijphart (2003). Grosso modo, a Constituição da Argentina não trata de todos os pontos das políticas abor- dadas pelas reformas de Estado (a título de exemplo, o regime econômico e financeiro do país): as reformas de Estado na Argentina são implementadas tanto por reformas constitucionais, como por legislação ordinária, dependendo da matéria. Dessa forma, dado que nem todas as políticas de reformas de Estado apresentam regime especial para sua apro- vação, a questão da revisão judicial torna- se ainda mais importante.
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A Cooperação Judicial no Brasil como uma nova Política Judiciária de efetivo acesso à Justiça  Luiza Berlini Dornas Ribeiro Moreira, Adriana Goulart de Sena Orsini

A Cooperação Judicial no Brasil como uma nova Política Judiciária de efetivo acesso à Justiça Luiza Berlini Dornas Ribeiro Moreira, Adriana Goulart de Sena Orsini

Se ainda fica latente a dúvida sobre a real necessidade de se positivar o instituto da Cooperação Judicial, por se tratar basicamente da colaboração entre Magistrados, o que já poderia ser feito na praxe judicial, a resposta para tal questionamento está na competência jurisdicional, pois se a competência é uma parcela da jurisdição, tem-se que o Magistrado de uma competência territorial ou funcional, não possui competência para atuar fora de seus limites. Sendo assim, a positivação do instituto de Cooperação veio para reforçar a necessidade de simplificação de atos e estimular o diálogo cooperativo entre órgão de um mesmo Poder. É uma nova visão do sistema judicial, ou melhor, é um olhar coletivo, em que resta reconhecida a necessidade de coletivização, do que antes era realizado de forma individual.
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Insolvência versus recuperação : como o SIREVE deixou de ser alternativa ao PER

Insolvência versus recuperação : como o SIREVE deixou de ser alternativa ao PER

A figura do gestor judicial foi extinta com a chegada do CIRE, passando a existir a figura do administrador da insolvência / administrador judicial, que neste trabalho vamos designar por AJ ou AJP, quando se tratar de um administrador judicial provisório. A primeira nomeação deste profissional no processo confere-lhe apenas numa primeira fase, o estatuto de AJP. O AJP é nomeado nos termos do Art.º 52.º do CIRE. Pode este administrador judicial, posteriormente, ser substituído pelos credores nos termos do Art.º 53.º do mesmo diploma legal, que tem assim a possibilidade de nomear outro administrador para prosseguir o processo. O CIRE para por cobro a situações anómalas vividas durante a vigência do CPEREF, estabelece a responsabilidade do AJP/ AI perante o devedor, e bem assim perante os credores da massa insolvente, pelos danos causados ou pela inobservância culposa dos seus deveres.
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FALÊNCIA DA PEQUENA EMPRESA  Ednelson Luiz Martins Minatti

FALÊNCIA DA PEQUENA EMPRESA Ednelson Luiz Martins Minatti

Carlos Roberto Claro em sua dissertação de mestrado sobre recuperação judicial, a sustentabilidade e função social da empresa também contribui para a discussão quando escreve “Efetivamente, necessário que a empresa em dificuldades insanáveis seja retirada de forma compulsória ou voluntária do mercado, imediatamente, até mesmo para evitar que seus problemas sejam transferidos, por assim dizer, para aqueles com os quais pratica atos negociais, ou para os demais concorrentes do setor. Evita-se, com isso, o efeito dominó (ou cascata), que até mesmo poderá criar problemas ao mercado e até mesma as demais empresas competidoras.” (Claro, p. 204).
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A investigação sobre o direito e a justiça

A investigação sobre o direito e a justiça

em Portugal levada a cabo pela equipa de Boaventura de Sousa Santos nos anos 1990 (Santos et al., 1996). Foi prolongada por vários relatórios e livros publicados pelo Observatório Permanente da Justiça Portuguesa (por exemplo Gomes, 2003, Pedroso et al., 2003). Duas outras investigações devem aqui ser mencionadas. Uma é o trabalho sobre o papel dos tribunais durante o regime salazarista (Rosas et al., 2009). Apoia-se numa análise extensiva dos arquivos públicos; dá conta do funcionamento dos tribunais criados pelo regime autoritário deposto pela Revolução de Abril de 1974. A outra é uma investigação sobre a justiça económica, conduzida por conta da Fundação Francisco Manuel dos Santos (Gouveia et al., 2013), baseada num inquêrito por questionáio, em visitas a tribunais de outros países e em entrevistas aprofundadas de representantes das principais categorias profissionais envolvidas na prática da justiça civil ou interessadas no seu funcionamento. Reúne dados sobre o funcionamento efectivo dos tribunais cíveis em Portugal e revela uma apreciação globalmente negativa do sistema judicial por parte dos empresários portugueses. É concluída por um amplo leque de propostas para a reforma do código de processo civil.
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Ativismo judicial no processo de recuperação judicial: uma nova concordata?

Ativismo judicial no processo de recuperação judicial: uma nova concordata?

Continuando como penso devesse ser a estrutura básica da legislação falimentar: se a proposta de renegociação apresentada em assembleia fosse aprovada pela maioria dos credores, a renegociação obrigaria também os credores que votaram vecidos. De certa forma, como passa a ser problema dos credores a sobrevivência da devedora em estado crítico, tem sentido considerá-los uma comunhão de interesses e, em decorrência, submeter todos à vontade da maioria. Embora nem sempre convirjam os interesses dos titulares de preferências e garantias e os dos quirografários, relativamente à recuperação da empresa – os primeiros, tendo em vista a preferência ou garantia titularizada, podem ter seus direitos satisfeitos na liquidação falimentar, enquanto os últimos, muitas vezes, só receberão algum pagamento se o devedor conseguir recuperar-se da crise, pode-se considerar membros de uma comunhão. Se, por outro lado, não fosse aprovada a proposta da devedora, configurar-se-ia o conflito de interesses entre o titular da empresa em crise e seus credores. Instaurar-se-ia, então, o processo judicial, iniciado com a publicação de edital, convidando instituições financeiras a formular oferta pública de aquisição dos créditos. A ideia básica seria criar condições para a operação de um mercado secundário das obrigações da empresa em crise. As instituições financeiras tenderiam a fazer as propostas levando em conta o risco de não realização do crédito, e os credores, por sua vez, ao cederem seus direitos creditícios, sofreriam o prejuízo correspondente ao deságio mas livrar-se-iam do risco da inadimplência e insolvência.
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O Poder Judicial na Constituição de Angola de 2010

O Poder Judicial na Constituição de Angola de 2010

Ainda que assumindo natureza distin- ta, desde logo na sua configuração pública e privada, estas instituições têm em comum o não disporem de poder judicial, embora com este colaborem por distintas formas, sendo a sua participação muito relevante para o seu melhor desempenho.

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A globalização judicial

A globalização judicial

A judicialização crescente das relações internacionais resulta da tendência actual para o aumento da densidade normativa neste domínio, traduzido não apenas no aumento das áreas sujeitas a regulação jurídica internacional, mas também pela substituição do tradicional modelo diádico de resolução de disputas por um modelo triádico, com base em órgãos de tipo judicial, que deve a sua aparição, parcialmente, à crescente interdependência económica. A crescente obrigatoriedade e efectividade das normas internacionais teve também um papel de destaque neste domínio.
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Conciliação judicial

Conciliação judicial

Agora mais ainda, com a positivação contida no art. 5º, LXXVIII, que dispõe que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegura- dos a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”, tornando-se induvidoso que o direito do cidadão ao processo, como método apto à composição do conflito de interesses qua- lificado por uma pretensão resistida, passou a ser recepcionado como um direito subjetivo constitucional, que poderá levar o Estado a indenizar pelo atraso injustificado da prestação jurisdicional.

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