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A retórica do poder em Dinossauro Excelentíssimo de José Cardoso Pires e El otoño del patriarca de Gabriel Garcia Márquez

A retórica do poder em Dinossauro Excelentíssimo de José Cardoso Pires e El otoño del patriarca de Gabriel Garcia Márquez

12 comparados, não foram considerados para esta dissertação, uma vez que não é nosso propósito elaborar uma revisão crítico-científica do que já foi produzido, no meio académico, literário e jornalístico, sobre tudo o que foi estudado. Assim, estudos sobre o neo-realismo ou o pós-modernismo em José Cardoso Pires, ou o realismo mágico em Gabriel García Márquez, entre outros atinentes temas e assuntos, apesar de constituírem parte do corpus teórico-crítico lido para este estudo, não serão tão citados como outros autores ou trabalhos que julgámos de maior pertinência. De qualquer forma, na obra de Marco Neves (2018), José Cardoso Pires e o Leitor Desassossegado, sobretudo no primeiro capítulo intitulado “Visita à Oficina”, consta um cuidado percurso dos estudos críticos sobre a obra de José Cardoso Pires até à data, articulando os trabalhos ensaísticos, críticos e de teor biográfico. Márcia Hoppe Navarro (1990), Roberto González Echevarría (2003) e José Manuel Camacho Delgado (2016) elaboram, igualmente, uma revisão dos trabalhos críticos sobre a obra de Gabriel García Márquez. Optámos por destacar outras linhas de investigação, da História das Ideias, da Retórica e do Comparatismo, no sentido de contribuir com uma visão renovada sobre as obras, sem querer duplicar ou replicar trabalho, já tão completo e consolidado, feito pelos especialistas mencionados.
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A narrativa de José Cardoso Pires: personagem, tempo e memória

A narrativa de José Cardoso Pires: personagem, tempo e memória

Esta tese sobre José Cardoso Pires segue o percurso do autor como contista e roman- cista. Só assim se pode entender a sua caminhada. O escritor, embora inicialmente tenha revelado afinidades com o neorrealismo, ao longo da sua carreira literária, foi assimilando outras tendências artísticas. A sua obra contém diversos traços do pós-modernismo, tais como os mecanismos da metaficcionalidade, a fragmentação da narrativa, a descrença nos relatos.

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O CANTO DO CISNE NO RETORNO DO EU AO ATO DA ESCRITA Estudo comparativo dos testemunhos de José Cardoso Pires e de José Luis Sampedro

O CANTO DO CISNE NO RETORNO DO EU AO ATO DA ESCRITA Estudo comparativo dos testemunhos de José Cardoso Pires e de José Luis Sampedro

O breve diálogo que reconstituiu na primeira pessoa com Edite, sua esposa, decorre brando, como toda a narrativa, sem peripécias de ansiedade exaltada, algumas vezes num tom distante, de observação omnisciente : “[…] ele ao princípio sabia-se doente ”, mas era “[…] uma impossibilidade com a qual convivia numa aceitação natural. ” Convertida a experiência em recordação, narra então na terceira pessoa os dias de estranheza no mundo dos sentidos e dos sentimentos “[…] a desmemória não só o isolou da realidade objectiva como o destituiu, pode dizer-se, de sentimentos [ …]”(p. 38), narra o isolamento mental (i.e., a mente sem o conhecimento de si) e a consequente ausência de cada nome dos outros e dos lugares: « Eu tenho filhos, não tenho? […] Como é que eles se chamam?». José Cardoso Pires procura identificar-se através do reconhecimento daqueles que participam na sua vida. Sem nomes, sem memória, o autor sente-se fragmentado, usando indicadores de alteridade, de polifonia. ”O universo para onde desertou esse Outro que eu acompanhei com as esvaídas recordações que trouxe dele ou com os relatos da minha mulher e dos amigos que me visitaram era assim.” (p.27)
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As Vozes da Balada. 30º Aniversário de Balada da Praia dos Cães, de José Cardoso Pires

As Vozes da Balada. 30º Aniversário de Balada da Praia dos Cães, de José Cardoso Pires

Uma obra, porém, são também os discursos que sobre ela se acumu- lam, como dizia Augusto Abelaira, esse outro grande contemporâneo de José Cardoso Pires – e antes mesmo da “ansiedade da influência” de Harold Bloom, que inclui a Balada da Praia dos Cães no seu Cânone Ocidental. Ao planearmos este volume comemorativo (e porque de um aniversário se trata, embora pensando igualmente num público mais ge- neralista), optámos por evitar a forma do livro de ensaios e por incluir uma selecção de textos sobre a Balada da Praia dos Cães publicados ao longo dos últimos trinta anos e curtos depoimentos actuais sobre a obra e o autor. Assim, à (canónica) entrevista de António Mega Ferreira na praia do Guincho, seguem-se, por ordem cronológica, as recensões críticas de António-Pedro Vasconcelos (Portugal), Lélia Parreira Duar- te (Brasil), Antonio Tabucchi (Itália), José María Latorre (Espanha), Jacques Fressard (França) e Anthony Hyde (Estados Unidos). Na sec- ção “O Prémio”, surgem os discursos de José Cardoso Pires e de Óscar Lopes (em representação do júri) proferidos aquando da entrega do Pri- meiro Grande Prémio do Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, bem como as declarações de voto dos restantes membros do júri: Álvaro Salema, Jacinto do Prado Coelho, Maria da Glória Pa- drão e Maria Lúcia Lepecki. Na secção “Estudos”, optámos por incluir excertos de teses de doutoramento publicadas em Portugal que consi- derámos reflectir algumas das principais linhas de força ao nível da in- terpretação académica da obra, nomeadamente os trabalhos de Eunice
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O texto desancorado: múltiplos olhares sobre a gênese da escrita em José Cardoso...

O texto desancorado: múltiplos olhares sobre a gênese da escrita em José Cardoso...

A escrita de cunho inovador de José Cardoso Pires novamente se faz perceptível no conto Uma simples flor nos teus cabelos claros, também parte da coletânea intitulada Jogos de Azar. Peculiarmente, o autor aproxima duas narrativas por justaposição, ambas apresentando cenas de relacionamento entre dois casais que, embora inseridos em contextos distintos, revelam a realidade numa focalização interna, a do eu enquanto personagem, que tem dos fatos uma visão limitada pela sua subjetividade e, sobretudo, pela temática do texto: uma situação existencial infrutífera, sugerindo a restrição de horizontes. Eis aqui um jogo de articulação com a trajetória de João e Guida em O Anjo Ancorado.
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A criatividade da infância e sua capacidade de lidar com a morte em José Cardoso Pires e Guimarães Rosa

A criatividade da infância e sua capacidade de lidar com a morte em José Cardoso Pires e Guimarães Rosa

Pretendo aqui falar de quatro crianças personagens, que a meu ver exercitam a sua criatividade num mundo dominado pela lógica e pelo pragmatismo dos adultos: João Janico, do escritor português contemporâneo José Cardoso Pires; a mencionada Brejeirinha, Nhinhinha – “A menina de lá” –, e Zé Boné, de Guimarães Rosa. Creio que os dois autores dedicam especial carinho a essas personagens crianças que são muitas vezes vítimas de violência, mas também vistas como sensíveis, criativas e capazes de lidar com o sofrimento, o medo e a morte. É o que tentarei mostrar nos contos “Os reis-mandados”, de José Cardoso Pires 2 e “Partida do audaz navegante”,
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Balada na praia dos cães de José Cardoso Pires: construção e desconstrução paradigmáticas em um romance de investigação

Balada na praia dos cães de José Cardoso Pires: construção e desconstrução paradigmáticas em um romance de investigação

Pode-se dizer que a realidade, em José Cardoso Pires, não é mimética, reproduzindo totalmente a existência empírica, mas transforma-se de acordo com o “olhar” lançado sobre ela. O livro aqui analisado nos ofereceu uma visão muito particular e interessante sobre, nas palavras de J. C. P., “circunstâncias que projectam o indivíduo para significações do domínio geral” (PIRES, 1983, p. 256), realizando com perfeição e galhardia a dualidade (ou seria melhor dizermos “confluência conflituosa” ou “paralelismo autónomo”?) real-imaginário, o que não é de se espantar. Só não podemos dizer, parafraseando ainda o autor, que algo se trata de mera coincidência. Afinal, como já dissemos, o enigma e o jogo são fundamentais, e cada vírgula pode ter importância fulcral.
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Visualização de CONVERGÊNCIAS ESTÉTICAS ENTRE O RENDER DOS HERÓIS E O DELFIM, DE JOSÉ CARDOSO PIRES

Visualização de CONVERGÊNCIAS ESTÉTICAS ENTRE O RENDER DOS HERÓIS E O DELFIM, DE JOSÉ CARDOSO PIRES

A experiência de José Cardoso Pires na escrita dramatúrgica é vista pelos críticos como uma atividade de momento, passageira. Tanto é que no inventário de autores que escreveram para o teatro, Luiz Francisco Rebello (1984: 8) o inclui ao lado daqueles considerados “ocasionais” ou “por acidente”, tendo o romancista escrito apenas duas peças: O Render dos Heróis (1960) e Corpo-Delito na Sala de Espelhos (1980). Com a publicação da primeira peça, Cardosos Pires inaugura na dramaturgia portuguesa o cariz épico brechtiano, dando novo alento ao teatro tão silenciado pelo regime salazarista:
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O realismo e os "realismos" da obra de José Cardoso Pires

O realismo e os "realismos" da obra de José Cardoso Pires

A quarta tendência da estética cardosiana de feição realista encontrará a sua expressão nas páginas dos romances Balada da praia dos cães e Alexandra Alpha, publicados respectivamente em 1982 e 1987. Isto porque, escritos após a instauração do regime democrático, os dois se apresentam como uma tentativa de se examinar criticamente a história portuguesa mais recente: o primeiro regressa aos anos 60 para fazer a radiografia de um estado social, recorrendo a uma intriga de enigma, e o se- gundo revisita a década de 70 para questionar direta e indiretamente aspectos da so- ciedade do presente. Nesta medida, filiam-se na vertente de um realismo pós-mo- dernista pelo fato de representarem um aproveitamento arquitextual do gênero do romance histórico, entendido no sentido lato, cuja recuperação é comprovada na li- teratura ocidental dos últimos anos. Sem pretender discutir por ora esta questão, in- teressa-nos examinar quais os aspectos literários que situam os romances referidos num lugar à parte relativamente aos outros livros de José Cardoso Pires.
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O discurso não confiável em O Delfim, de José Cardoso Pires

O discurso não confiável em O Delfim, de José Cardoso Pires

Daí a ambiguidade do nome de autor: por um lado ele é a prova do reconhecimento da originalidade, da paternidade; por outro, o seu funcionamento dependerá de uma leitura, do modo como o interpretador entende a assinatura. Voltando para a assinatura do narrador-Escritor, encontramo-la como a tínhamos descrito acima: não mais anônima, mas sob a forma José Cardoso Pires. Essa coincidência entre os nomes do autor suposto e do autor efetivo estabelecida pelo próprio narrador-Escritor sugere a transferência da ficção para o extra-ficcional. Ou por outra: o nome José Cardoso Pires é ficcionalizado. Isso porque o seu funcionamento passa a depender não só dos livros que ele efetivamente escreveu, mas do que o leitor entende daquilo que diz esse autor suposto. Sendo assim, nome José Cardoso Pires está entregue ao nível de confiança do leitor nesse narrador não confiável. Como exemplo, poderíamos citar a oposição entre a nossa leitura e a dos críticos favoráveis à narrativa entrelinhas. Ora, parece já ter ficado claro a diferença entre o funcionamento do nome Cardoso Pires nesse trabalho e nos outros anteriormente comentados. Isso é justificável pelo fato de que “o efeito radical do motivo do autor suposto [é este]: não apenas constrói a ficção de autor, como transforma o autor real em ficção” 31 . À diferença dos romances machadianos, no entanto, aqui o dispositivo de ficcionalização é acionado não apenas no momento da leitura, mas já está explicitado no próprio texto. É o narrador-Escritor que nos dá a medida desse alargamento da ficção para os elementos externos à obra, ou para o “real”, se quisermos. Trata-se, portanto, de um texto “mitológico”, para usar a designação da voz narrativa que lança um olhar sobre a realidade. Mas que real é esse que, agora, é convocado para a ficção? Certamente, não se trata de uma relação que exige que as “verdades inventadas” sejam julgadas a partir de uma verdade totalizante externa, tal como se dá no romance histórico.
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Inventário do romance Alexandra Alpha de José Cardoso Pires

Inventário do romance Alexandra Alpha de José Cardoso Pires

Grande romancista, mas também contista, cronista e ensaísta, este autor apresenta uma trajectória literária marcada pela inquietação e pela deambulação, características que contribuíram para que não se identificasse pessoalmente nem fosse inserido com consenso pelos críticos em nenhum grupo, escola ou movimento estético- literário. O seu primeiro conto, “Salão de Vintém”, publicado na Bloco, antologia de jovens universitários, rapidamente foi apreendido pela PIDE. De facto, foi como contista que José Cardoso Pires iniciou o seu percurso literário, publicando em 1949 em edição de autor o seu primeiro livro, Os Caminheiros e Outros Contos e em 1952, Histórias de Amor, livro que novamente sofreu a apreensão da PIDE, que desta vez deteve o autor durante 3 dias. Ainda que prossiga o seu percurso literário como cronista e ensaísta, mas principalmente romancista, o autor manter-se-á fiel a esta sua primeira vocação, publicando ainda as colectâneas de contos Jogos de Azar em 1963, O Burro- em-Pé em 1979 e a República dos Corvos em 1988. Como ensaísta, Cardoso Pires publicou A Cartilha do Marialva em 1960, onde realiza uma caricatura sobre o provincianismo do regime salazarista e em 1972 a sátira política Dinossauro Excelentíssimo, que provocou uma grande polémica na Assembleia Nacional. Como cronista, o escritor publicou os livros E Agora, José em 1977, Cardoso Pires por Cardoso Pires em 1991, uma espécie de entrevista conduzida por Artur Portela, A cavalo do Diabo em 1994, coletânea que reúne crónicas publicadas anteriormente no jornal Público e Lisboa, Livro de Bordo em 1997, livro que reúne impressões, histórias e passeios nos quais a capital de Portugal é protagonista e cenário. Ainda que não se considerasse um bom escritor na área do Teatro, publicou também a narrativa dramatizada O Render dos Heróis em 1960, levada à cena no Cine-Teatro Império em 1965 e a peça Corpo-Delito na Sala de Espelhos em 1979, uma análise do submundo da polícia política, representada no Teatro Aberto em 1980.
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O IMPERADOR DINOSSAURO E MAIS DOIS REIS MORTOS: PARÓDIA E IRONIA EM “DINOSSAURO EXCELENTÍSSIMO” DE JOSÉ CARDOSO PIRES

O IMPERADOR DINOSSAURO E MAIS DOIS REIS MORTOS: PARÓDIA E IRONIA EM “DINOSSAURO EXCELENTÍSSIMO” DE JOSÉ CARDOSO PIRES

RESUMO: Em “Dinossauro Excelentíssimo”, de José Cardoso Pires, há um protagonista de origem humilde que se aproximanão só com o que se conhece a respeito da vida de Salazar, como também permite a recuperação de um modelo mítico de líder político que seu governo propagava. O ditador se utilizou da crença no retorno do rei salvador, fincada no sebastianismo, a fim de justificar sua forma de governar. A aproximação daquele com a figura do messias, seja um personagem da história portuguesa ou um bíblico, adquire diferentes configurações em “Dinossauro Excelentíssimo”: ela é construída pelo entrelaçamento que se tece, já a partir da infância, entre a vida daquele que viria a ser o futuro imperador do Reino dos Mexilhões e Jesus. Tudo isso se faz de maneira paródica, pois, as aproximações entre as diferentes personagens, são trazidas e quase imediatamente subvertidas. Nosso trabalho investiga de que maneira o uso da paródia à vida de Jesus problematiza a imagem de líder político ideal, propagada no governo de Antônio de Oliveira Salazar. Para isso nos utilizamos das reflexões de Hutcheon (1985, 1991, 2000) e Lourenço (2010) e chegamos à conclusão de que o uso da paródia permitiu a problematização da ideologia salazarista.
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José Cardoso Pires: um delfim da escrita dialéctica e transparente

José Cardoso Pires: um delfim da escrita dialéctica e transparente

Atestando o valor projectivo da palavra e a sua transparência de imagens, vários foram os textos de José Cardoso Pires que conheceram uma adaptação ao cinema ou à televisão. Recordamos A Rapariga dos Fósforos (filme de Luís Galvão Teles, inspirado no conto Dom Quixote, as Velhas Viúvas e a Rapariga dos Fósforos, com interpretação de Orlando Costa e Margarida Carpinteiro e produção Cinequanon, 1973), Uma simples flor nos teus cabelos claros (realização e adaptação de Álvaro Belo Marques, EN, 1974, com direcção de Manuel Tomás, sonoplastia de Fernando Conde e interpretação de Norberto Barroca, Filipe Laféria, Elisa Lisboa, Rui de Carvalho e Manuela Machado), Casino Oceano, (adaptação cinematográfica do conto Weekend, com direcção de Lauro António, interpretação de João Perry e Maria do Céu Guerra, numa produção Lauro António/RTP, Lisboa, 1983) e Ritual dos pequenos vampiros (adaptação e realização cinematográfica de Eduardo Geada do conto homónimo da colectânea Jogos de Azar, com interpretação de Duarte Nuno, Vergílio Castelo e João Franco como protagonistas, numa produção RTP, 1984).
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José Cardoso Pires, O Anjo Ancorado e o Portugal dos anos 50: uma viagem entre estruturas e registos linguísticos

José Cardoso Pires, O Anjo Ancorado e o Portugal dos anos 50: uma viagem entre estruturas e registos linguísticos

Em Cardoso Pires a palavra é, portanto, inicialmente apresentada e depois analisada, elaborada e por fim comentada de um ponto de vista crítico num contexto histórico-cultural. Estes expedientes, num movimento inquieto entre as personagens, entre as personagens e o ambiente social em que vivem e interagem, entre as perso- nagens e o narrador, entre o narrador e o leitor, evidenciam o valor da palavra que varia de acordo com o tom, o sujeito que a utiliza, o momento histórico em que é em- pregue. Cardoso Pires-narrador parece treinar o leitor para uma espécie de conscien- cialização relativamente às palavras e de reconhecimento das variedades linguísticas e das suas funções expressivas de acordo com os contextos em que se inserem. Num passo, refere-se mesmo explicitamente ao “cheiro de certas palavras; ou o sabor delas, que é o mesmo” 45 .
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Análise de desempenho térmico e acústico de unidades habitacionais construídas no conjunto habitacional Benjamin José Cardoso em Viçosa-MG

Análise de desempenho térmico e acústico de unidades habitacionais construídas no conjunto habitacional Benjamin José Cardoso em Viçosa-MG

No governo FHC (Fernando Henrique Cardoso), houve a descentralização da atuação governamental nos setores da habitação, saneamento e infraestrutura. Os estados e municípios ficaram responsáveis pela provisão de habitação enquanto ao governo federal cabiam as funções normativas e reguladoras, exercidas através de medidas provisórias, portarias e instruções normativas da SEPURB (Secretaria de Política Urbana). Os programas criados entre 1995 e 2000 beneficiaram 1.443.169 famílias. Apesar do grande número de famílias atendidas, “[...] a ação da SEPURB caracterizou-se por uma retração do setor institucional” (BRASIL, 2004, p.11): houve uma redução contínua dos quadros técnicos e da sua capacidade de atuação no problema habitacional. Um marco importante desse período, em prol da qualidade das habitações, foi a criação do PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat), com o objetivo principal de aumentar a eficiência de toda a cadeia produtiva da habitação (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2013d).
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Alguns operadores de agulhagem comunicativa (na prosa narrativa de Eça de Queirós e José Cardoso Pires)

Alguns operadores de agulhagem comunicativa (na prosa narrativa de Eça de Queirós e José Cardoso Pires)

O que, portanto, intepessa aqui é que, estando a vivacidade do discurso oral presente no discurso indirecto livre (16), também aí nos aparecem as mesmas "palavras do [r]

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José Cardoso de Araújo Júnior, “A Extensão de Alguns Direitos Fundamentais aos Animais Não-Humanos” - 651

José Cardoso de Araújo Júnior, “A Extensão de Alguns Direitos Fundamentais aos Animais Não-Humanos” - 651

Portanto, em função de sua dignidade e de seu bem-estar, em conformidade com uma nova visão de natureza jurídica dos animais não-humanos, como seres sencientes semelhantes ao ho[r]

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Agrupamento de Escolas General Humberto Delgado Sede na Escola Secundária/3 José Cardoso Pires Santo António dos Cavaleiros

Agrupamento de Escolas General Humberto Delgado Sede na Escola Secundária/3 José Cardoso Pires Santo António dos Cavaleiros

Descritor 2: Reconhecer, dados dois números inteiros de sinal contrário não simétricos, que a respetiva soma é igual ao número inteiro de sinal igual ao da parcela com maior [r]

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Os limites da solidão e do medo nos romances de José Cardoso Pires

Os limites da solidão e do medo nos romances de José Cardoso Pires

Outra peculiaridade a ressaltar no romance de Cardoso Pires é a sua sobriedade, escrito num processo estilístico que se constitui num excelente modelo para as no[r]

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As margens no centro : lugares de desatenção na obra de José Cardoso Pires

As margens no centro : lugares de desatenção na obra de José Cardoso Pires

episódio de A Cidade da Confusão, ou o mundo às avessas, inserido em Aventuras Maravi- lhosas de João sem Medo (1963), de José Gomes Ferreira. Diria que, das vertentes metafísica e política da história de Sábato (no tratamento da paranóia e da vigilância), Cardoso Pires retém sobretudo a dimensão político-cultural, pois nos coloca perante uma seita de «cegos eruditos» que se dedicam ao culto da erudição pela erudição, da pureza da língua, da ordem, da disciplina, da «Regra», em suma. Em sintonia com o conteúdo, a história é narrada em forma de relatório e de requerimento, concluindo com a fraseologia burocrá- tica e típica do regime fascista: «Em nome da Pátria e da Cultura». Neste conto, é também de sublinhar o modo como Cardoso Pires continua o exercício de transmutação dos animais em seres humanos e de animalização destes últimos, criando a imagem de um universo zoomórfico, que, tal como o de Dinossauro Excelentíssimo, facilmente identifi- camos com o de Portugal do Estado Novo. Os cegos desta estranha estranha seita não parecem aqui distinguir-se dos cães que os conduzem e, no conto «Lulu» (também nesta colectânea), há mesmo uma permutação cão-homem levado ao extremo, na sexualidade aberrante da protagonista. Há, aliás, em toda a obra ficcional de Cardoso Pires, uma pro- fusão de cães, cujo significado se torna claro em O Delfim: o cão-servo, submisso e obe- diente, é simultaneamente cão-lobo, predador e polícia, extensão do marialva e da socie- dade marialvista. E, se dúvidas ainda restassem quanto à intencionalidade do privilégio dado aos cães na sua obra, e a sua plurifuncionalidade, elas seriam facilmente dissipadas pelo próprio Cardoso Pires em E agora, José? Nesse livro de difícil catalogação há um verda- deiro tratado sobre cães, na evocação de lendas e mitos em que eles figuram, a par das muitas remissões para a Bíblia e para Heródoto, entre outros livros e nomes aí referidos. Cardoso Pires não só acentua o facto de o cão encarnar, tradicionalmente, o sentido de propriedade, como o de «ocupa[r] um lugar obrigatório de encenação paternalista» 31 . E, mais relevante ainda, ao relembrar-nos como a história do Cristianismo é abundante em cinocéfalos, Cardoso Pires articula de forma não panfletária, nem explicitamente moralista (e moralizante), a ideia de obscurantismo e atraso social com os aspectos mais negativos e irracionais da religião cristã e de mitos que com ela tenham afinidades 32 .
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