Jovens e adultos surdos

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Vozes do silêncio : juízos morais de jovens e adultos surdos sobre situações de humilhação

Vozes do silêncio : juízos morais de jovens e adultos surdos sobre situações de humilhação

Este estudo se propõe a uma análise comparativa sobre humilhação entre os juízos de jovens e de adultos surdos. Para tanto, investigamos: 1) exemplos de humilhação que envolve terceiros (HUTER) e/ou vivenciados pessoalmente pelos participantes (HUPES); 2) juízos de representação da realidade (JRR) sobre a reação do participante à humilhação pessoal considerada como a mais importante, tanto no passado e hipoteticamente no presente, quanto no contexto hipotético de não-surdez, no passado; 3) solução de um dilema que contrapõe humilhação no trabalho e sobrevivência da família, com enfoque nos juízos de valor moral (JVM) e nos JRR, e 4) JRR sobre a ação do personagem do referido dilema em contexto de não-surdez. Participaram 12 pessoas surdas, entre 15-25 e 35-45 anos, igualmente divididos quanto ao sexo. Utilizamos o método clínico (Piaget, 1926/s.d.;1932/1994), por meio de língua de sinais, com uma entrevista estruturada e uma semi-estruturada, realizadas individualmente. Os resultados obtidos permitiram verificar que os jovens, mais do que os adultos, mencionaram espontaneamente exemplos de HUTER. Com relação às situações de HUPES, os adultos forneceram uma quantidade maior de respostas do que os jovens. Verificamos que, em relação ao JRR sobre a reação à humilhação considerada como a mais importante, no passado e hipoteticamente no presente, houve uma modificação dos juízos. No passado, as principais respostas referem-se a ‘nenhuma reação’ e ‘fugir ou
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Ensino de física centrado na experiência visual: um estudo com jovens e adultos surdos

Ensino de física centrado na experiência visual: um estudo com jovens e adultos surdos

Este estudo trata de uma pesquisa empírica de cunho qualitativo descritivo, que envolveu a elaboração, condução e análise de uma proposta de ensino de Física para surdos, centrada na experiência visual. A proposta de ensino combina uma seqüência de atividades de Hidrostática, ao nível introdutório, com as estratégias de experimentação, grupos de aprendizagem e comunicação bilíngüe assistida por uma intérprete, em uma perspectiva de educação que visa à inclusão ao conhecimento. O estudo teve como objetivo compreender como essa proposta pode auxiliar aos surdos no desenvolvimento de conceitos físicos relevantes, bem como no desenvolvimento de outros conteúdos importantes ao crescimento integral do ser humano, tendo-se como referência a cultura e a vivência de membros dessa comunidade. A proposta foi elaborada e conduzida centrada na experiência visual, em uma concepção pedagógica construtivista de desenvolvimento humano, fundamentada na teoria sócio-histórica de Vygotsky e na teoria da aprendizagem significativa de Ausubel. Participaram desta pesquisa jovens e adultos surdos integrantes da Associação de Pais e Amigos dos Surdos (APAS), da cidade de Passo Fundo, RS. Os participantes foram atendidos na modalidade de oficina oferecida pela APAS. Como instrumentos de coleta de dados foram utilizados registros escritos dos jovens e adultos surdos em cadernos de atividades, diário de campo do professor, questionários e imagens vídeo filmadas dos episódios da sala de aula. As análises dos resultados foram feitas utilizando-se o método de análise de conteúdo. Para as análises, os jovens e adultos foram categorizados em grupos, a saber: Grupo 1, composto de três alunos, os quais durante sua trajetória educacional freqüentaram classes inclusivas, sem acompanhamento de intérprete, e o Grupo 2, formado por dois alunos que tiveram sua vida educacional mesclada por classes inclusivas com acompanhamento de intérprete e em classe somente freqüentada por alunos surdos, com professores que utilizavam LIBRAS. Os resultados deste trabalho indicam que é possível incluir jovens e adultos surdos ao conhecimento com a utilização de métodos de ensino que privilegiem a experiência visual. Observou-se que os alunos demonstraram a possibilidade de desenvolvimento de conteúdos conceituais com a formulação de conceitos introdutórios da Hidrostática. Demonstraram também conteúdos atitudinais, como: comunicação, auto-estima, socialização, envolvimento, interesse e curiosidade em aprender; e conteúdos procedimentais, como: manuseio adequado do material experimental, realização de medições, observações, verificação de regularidades, comparação e confirmação de hipóteses. Como um dos resultados deste trabalho, foi elaborado um módulo didático contendo a seqüência de atividades de ensino-aprendizagem utilizada para este estudo, o qual poderá ser utilizado por outros professores como apoio ao ensino de surdos.
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“O difícil são as palavras”: representações de/sobre estabelecidos e outsiders na escolarização de jovens e adultos surdos

“O difícil são as palavras”: representações de/sobre estabelecidos e outsiders na escolarização de jovens e adultos surdos

Além dessa realidade comum às minorias lingüísticas, no caso dos surdos, e por extensão do INES, a representação da surdez como patologia, deficiência contribuiu para a invisibilidade da língua de sinais e portanto da existência de um contexto bilíngüe na instituição. Acrescenta-se a esse cenário, a pouca tradição de escolarização bilíngüe no Brasil, mais associada ao chamado bilingüismo de elite relacionado a línguas de prestígio internacional como inglês, francês, alemão. Nesses casos, a aquisição de uma outra língua não representa uma necessidade vital para o aprendiz que já compartilha com seu núcleo familiar de uma língua comum independente da escola e busca na escola bilíngüe acrescentar o domínio de uma língua estrangeira. Não é o caso de modo algum dos surdos, em sua imensa maioria filhos de pais ouvintes 19 , que dependem crucialmente das escolas de surdos para terem a chance de desenvolver uma língua natural, a língua de sinais (Lane, 1992; Quadros, 1997; Sanchez, 1999; Loureiro, 2004). Não são poucos os casos em que crianças ou jovens surdos passam anos sem terem desenvolvido língua alguma. A instituição escolar torna-se fundamental para que, através do contato com outros surdos, os alunos adquiram a língua de sinais. A instituição passa a ter um papel lingüístico duplo: precisa fornecer um contexto de aquisição de língua natural (primeira língua) e oferecer o ensino da língua oral como segunda língua. Embora a língua de sinais circule no INES sendo de algum modo a língua de instrução, isto não tem significado necessariamente assumi-la, já que a quase totalidade dos professores são ouvintes pouco proficientes na língua natural do aluno – a LIBRAS - e essa não é a língua que conta na avaliação escolar e na produção de material didático, o que implica conseqüências preocupantes na escolarização desses alunos.
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Os saberes experienciais da docência em um projeto de ensino não formal de línguas para jovens e adultos surdos na cidade de Goiatuba-GO

Os saberes experienciais da docência em um projeto de ensino não formal de línguas para jovens e adultos surdos na cidade de Goiatuba-GO

Estão em contínua construção de conhecimento, quando fazem cursos de especializações e mestrados, participam de programas de inclusão no Instituto Federal de Goiás, comissão de educação inclusiva do município, entre outras e ainda querem estender voluntariamente este conhecimento para a comunidade excluída da escola e com dificuldade de inserção na comunidade social por causa da língua, que é o caso dos surdos não alfabetizados em Libras e excluídos do ambiente escolar, democratizando assim a educação. Armazenando saberes, enchendo o “reservatório” de saberes ao qual o professor pode recorrer para abastecer-se e prosseguir em sua missão de ensinar.
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Ensino da língua portuguesa como segunda língua para jovens  e adultos surdos: relato de uma experiência

Ensino da língua portuguesa como segunda língua para jovens e adultos surdos: relato de uma experiência

Ao considerar as intervenções linguísticas na constituição do espaço social, retoma-se a ideia de que as relações de sociabilidade são realizadas entre surdos e entre surdos e ouvintes, sendo que entre esses últimos ocorre, na maioria das vezes, a partir da língua escrita. Assim, a Língua Portuguesa torna-se um importante artefato de mediação comunicativa e de convivência social. No entanto, os espaços de aprendizagem da mesma ainda são bastante restritos aos sujeitos surdos, geralmente, devido à falsa prerrogativa de que estes têm dificuldades em sua aprendizagem. Tratando-se da modalidade escrita da Língua Portuguesa, cujo canal de recepção é a via visual, teoricamente, não haveria a interferência da condição auditiva para sua aquisição. Entretanto, os surdos ainda se deparam com obstáculos de cunho linguístico e social. Ao desenvolver práticas de ensino da Língua Portuguesa baseadas exclusivamente em ouvintes, na maioria das vezes, é desconsiderado que esses adquirem o português falado de forma natural e que a modalidade escrita, com particularidades, é a representação gráfica da modalidade oral-auditiva da Língua Portuguesa. No caso dos surdos, eles, ao entrarem em contato com o português escrito, na maioria das vezes, não são familiarizados com a modalidade oral da segunda língua. Ainda, partindo do pressuposto da LIBRAS como primeira língua, a situação dos surdos continua permeada de especificidades, pois, em decorrência de todo o histórico de exclusão social e linguística de não valorização da Língua de Sinais, muitos foram submetidos a práticas comunicativas artificiais que não possibilitaram a apropriação plena da LIBRAS como primeira língua, segundo Lodi e Moura (2006).
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Alfabetização para jovens e adultos surdos: o telefone celular como mediador do ensino da língua portuguesa escrita

Alfabetização para jovens e adultos surdos: o telefone celular como mediador do ensino da língua portuguesa escrita

Há dez anos, falar sobre a inclusão social do surdo, viabilizada pela tecnologia, poderia ser considerado um requinte científico de pouca importância e pouco interesse social, uma vez que, ainda que, na prática do cotidiano, a participação do surdo já viesse a acontecer, oficialmente esse fato podia ser negligenciado, pois, apesar da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) ser a forma de comunicação entre os surdos, a única língua oficial do país ainda era somente a língua portuguesa, ou seja, a língua materna desses sujeitos não era reconhecida enquanto língua oficial. No primeiro semestre do ano de 2002 a comunidade surda pôde ver legislada uma das suas mais insistentes lutas. No dia 24 de abril desse ano a Língua Brasileira de Sinais passou a ser reconhecida como língua oficial da República Federativa do Brasil. No Art. 1º: (ANDRIOLI, VIEIRA E CAMPOS, 2003, p.1794)
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Considerações em torno da política linguística da Libras e da Educação Bilíngue Libras/Língua Portuguesa na Educação de Jovens e Adultos surdos

Considerações em torno da política linguística da Libras e da Educação Bilíngue Libras/Língua Portuguesa na Educação de Jovens e Adultos surdos

Resumo: A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma Modalidade Educativa para pessoas que não tiveram acesso à escolarização nas idades próprias previstas na legislação brasileira. Os surdos brasileiros, também, ingressam tardiamente na escola, ou seja, estão e são (possíveis) alunos da EJA. Mas quais as condições educacionais oferecidas ao jovem e adulto surdo na EJA ofertada nas escolas públicas do nosso país? O que a EJA deve proporcionar aos sujeitos surdos? Este estudo surge a partir destas e de outras inquietações e tem como objetivo apresentar acepções teóricas e legais em torno da EJA para surdos que atendam às deliberações de uma Política Linguística da Libras e da Educação Bilíngue Libras/Língua Portuguesa. Trata-se de um estudo de cunho documental com base na Lei 10.436/02, no Decreto 5626/05 e no Relatório sobre a Política Linguística (PL) de Educação Bilíngue Libras-Língua Portuguesa, além de autores que abordam as questões de Educação de Surdos, da EJA e de políticas linguísticas. Os resultados revelam que a EJA para Surdos deve agregar uma proposta curricular e organizacional que contemple dentre diversas inovações, um ensino bilingue/bicultural que atenda as principais deliberações das Políticas Linguísticas como forma de legitimar a emancipação social e cultural desses sujeitos.
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A inclusão na educação de jovens e adultos no município de Angra dos Reis: Análise da experiência na Escola Municipal de Educação de Surdos

A inclusão na educação de jovens e adultos no município de Angra dos Reis: Análise da experiência na Escola Municipal de Educação de Surdos

A presente pesquisa enfatizou a inclusão do aluno surdo na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Para a sua análise, foi escolhida uma escola no município de Angra dos Reis com experiência na inclusão de jovens e adultos surdos (Escola Municipal de Educação de Surdos) como campo de observação e análise. Para isso, fez-se necessário abordar a escolarização de alunos surdos matriculados em salas de EJA, no contexto desta unidade de ensino, bem como as políticas inclusivas relacionadas à EJA, que contribuíram para a caracterização dos sujeitos existentes em seu espaço. Os resultados do estudo apontam que a EJA tem se transformado em um espaço inclusivo, onde “assegura-se a todos” igualdade. Mas os resultados também demonstram a inequação destes espaços, o que torna o aprendizado ineficiente. Desse modo, a pesquisa aponta alguns desafios que nos levam pensar a escola ideal para a educação dos surdos e para que a EJA possa atender minimamente a diversidade de seus sujeitos.
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As respostas dos adolescentes e dos jovens surdos ao teste de Szondi

As respostas dos adolescentes e dos jovens surdos ao teste de Szondi

Como se pode ver no Quadro 2, as diferenças significativas referem-se exclusiva- mente ao factor e: os jovens adultos surdos tendem a adoptar uma posição mais conformista (e+)[r]

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Educ bilingue e bicultural de criancas e jovens surdos

Educ bilingue e bicultural de criancas e jovens surdos

Ao longo de toda a escolaridade devem ser adotados incentivos à leitura e à escrita, que tornem estas atividades atrativas e reveladoras do seu sentido de utilidade académica, profissional, cultural e lúdica. Os textos devem ser variados e significativos e irem ao encontro dos interesses dos leitores, de forma a despertarem a sua atenção para eles. A motivação para os alunos surdos se interessarem pela leitura e pela escrita é sobretudo instrumental, porque assim têm acesso a informação que lhes interessa e, mais tarde, devem ser consciencializados de que este meio é essencial para que possam evoluir na vida académica e profissional.
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O educador de jovens e adultos e sua formação.

O educador de jovens e adultos e sua formação.

educação e há, inclusive, casos de quem atua na EJA como voluntário. Relatam que tanto os baixos salários quanto o baixo nível de profissionali- zação das ocupações são motivadores para a inserção em outra ocupação. Entre aqueles que, apesar de terem cursado a habilitação, não atuavam na EJA, há relatos que se referem tanto a motivos de ordem pessoal quanto aos relacionados às dificuldades do campo de trabalho. A falta de concur- sos públicos específicos para o educador de jovens e adultos é apontada como uma das maiores dificuldades que os egressos encontram. Outro fator agravante é que grande parte das turmas de EJA está no formato de projetos/programas que têm como característica a baixa remuneração ou ajuda de custo em forma de bolsa, desestimulando a inserção de profis- sionais na área. Nesse sentido, Nóvoa (1995) afirma que “é impossível separar o eu profissional do eu pessoal”. Dados da vida pessoal dos pro- fessores também são relevantes para compreendermos sua trajetória profissional e, em especial, as razões pelas quais não atuaram no campo.
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Educação de Jovens e Adultos (EJA)

Educação de Jovens e Adultos (EJA)

Francisco Aparecido Cordão - O que a Se- cadi/MEC planeja fazer, obviamente em regi- me de colaboração com os órgãos próprios da área da Justiça e das diferentes Unidades da Federação, para dar cumprimento à estra- tégia do PNE que prevê “assegurar a oferta da Educação de Jovens e Adultos, nas etapas de Ensino Fundamental e Médio, às pessoas privadas de liberdade, em todos os estabe- lecimentos penais, assegurando-se formação específica dos professores e das professoras e a implementação de Diretrizes Nacionais em regime de colaboração”?

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A construção da identidade em jovens surdos com implante coclear

A construção da identidade em jovens surdos com implante coclear

Laura – Eu posso só dizer que a escola e a faculdade, relativamente á forma de ensino, as duas não se podem comparar. Aqui na faculdade a matéria segue sempre. Podemos interromper e perguntar, sim, mas não tem nada a ver com a escola. A relação com os professores também é um bocadinho mais distante, não é tão proxima como nas escolas. Nas escolas os professores mostram-se interessados na nossa vida… é diferente. Mas esse interesse pode ajudar a estabelecer uma ligação que ajudará na aquisição do programa. Relativamente aos colegas, é muito diferente, porque aqui temos muitos colegas, na escola acabam por ser sempre os mesmos. É bom, mas é diferente. É um mundo diferente. Também posso acrescentar que, todos os anos, quando o ano letivo começa, caso tenha uma nova intérprete, eu aviso sempre para quando ela gestualizar, não utilizar a glosa [a estudante refere-se à utilização da gramática da língua gestual portuguesa] porque isso baralha-me muito porque como eu percebo bem o português eu sinto que é mais fácil para mim acompanhar o português, ou seja, a língua gestual sem a glosa. Porque eu não considero que a língua gestual seja a minha língua materna. Por isso eu peço sempre à intérprete para não utilizar. Ás vezes ela fica um bocadinho confusa [risos], porque coitada, está habituada a usar, por exemplo “mãe” + “minha”. Neste contexto é fácil, mas agora matéria não dá… e eu sinto a necessidade de acompanhar o português. E isto faz com que eu tenha algum receio... não é bem receio, é uma preocupação que com isto a língua gestual acabe por perder a sua riqueza. Claro que depende dos surdos, mas é uma coisa que eu peço sempre porque aqui o meu objetivo é perceber melhor, não é eu ficar confusa.
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Estratégias de leitura do português usadas por alunos surdos jovens e adultos

Estratégias de leitura do português usadas por alunos surdos jovens e adultos

partir de textos e sua inter-relação com conhecimentos advindos de leituras de outros textos; c) aspectos gramaticais: entendido como o conhecimento, compreensão e uso das regras para construção de textos compreensíveis, ainda que não estejam formatados na norma padrão. Desse modo, as articulações com o texto se darão em direção ao aprimoramento da língua escrita; d) ademais, todos os aspectos devem ser trabalhados e, por isso, estar ancorados numa determinada língua de instrução: a língua de sinais, a qual servirá de base linguística para apropriação de todos os elementos e nuances para o aprendizado da segunda língua, português. Em uma de suas pesquisas, Lebedeff (2006) analisa as práticas e estratégias usadas por uma professora surda na escolarização de jovens e adultos, numa perspectiva que a autora denomina de estratégias e recursos “surdos”, visto ser um espaço em que um professor surdo ensina um grupo de alunos também surdos. Assim, no momento da leitura podem ocorrer: a) A utilização constante do alfabeto manual, de modo que muitas palavras foram soletradas até duas vezes; b) A estrutura de encadeamento: em que o uso da soletração manual é seguido de outros recursos, de maneira que, primeiramente, é realizado o sinal, seguido da apresentação da palavra escrita e, depois, a soletração manual. Em suma, tem-se a seguinte sequência: sinal – palavra – soletração; c) A estrutura sanduíche: a qual aparece pela sequência da realização de: sinal – soletração – sinal; d) Leitura pela língua de sinais para compreensão do todo, seguida da busca pelo significado particular de determinadas palavras que os alunos desejassem conhecer. A autora comenta que esta estratégia denominada de “busca de significado” é antônima da estratégia “ataque às palavras”, na qual se busca uma tradução termo a termo ou palavra por palavra; e) Ajustes relativos aos aspectos semânticos e sintático-semânticos, ou seja, uma leitura por meio do contraste e comparação entre as duas línguas, no que diz respeito às regras gramaticais, léxicos, estruturas frasais, num movimento metalinguístico; f) A exteriorização de procedimentos: compreendida como o diálogo que ocorre entre professor e aluno sobre o texto lido, em relação a palavras e frases não compreendidas, levando-o a uma análise e síntese do texto; g) A explicitação do processo de construção: na qual consiste a explicação em língua de sinais daquilo que foi lido e dialogado anteriormente.
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Os jovens surdos e a comunicação interpessoal via sms

Os jovens surdos e a comunicação interpessoal via sms

92 Deste modo, a escola devia preparar os alunos para esta realidade valorizando também a linguagem codificada que os alunos usam nos ambientes de comunicação virtual, porém, mostrando as diferenças de uso de acordo com o contexto. Assim como uma carta de apresentação a um emprego exige uma linguagem formal e uma conversa no bar, informal, a comunicação na Internet e no SMS precisa de códigos, abreviaturas e sinais mais rápidos e curtos. Os jovens devem estar preparados para interagir com estes novos tipos de linguagem que se apresentam no presente e se reflectem no futuro. Apesar da inclusão, não se pode deixar de lado o ensino da norma padrão, pois a capacidade de descodificar as mensagens na interacção virtual está directamente relacionada com a capacidade de intuição linguística. Deste modo, seria importante um apoio da escola aos alunos surdos no sentido de os fazer compreender as reestruturações paralinguísticas que os ouvintes fazem para codificar e descodificar as mensagens, as regras que utilizam, algumas abreviaturas, siglas e acrónimos; que se tornam incompreensíveis; ao contrário dos smileys e emoticons que à partida são mais acessíveis para os surdos, pois são representações do rosto humano. Este seria um modo de facilitar a interacção por SMS com ouvintes, de explorar as subtilidades destas mensagens escritas e uma forma de valorização pessoal.
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Letramento digital na educação de jovens surdos na Amazônia

Letramento digital na educação de jovens surdos na Amazônia

O presente artigo discute educação, letramento digital e inclusão no processo de aprendizagem de discentes surdos na região Norte, precisamente no município de Belém. O preceito da investigação é de que o conhecimento ultrapassa o universo escolar e compreende habilidades, experiências e competências diversas inseridas na educação informal. A importância do tema se deve à análise intensa dos processos de letramento acontecidos no decorrer da pesquisa e oferece contributos valorosos para educação de discentes surdos. O objetivo do trabalho é analisar a emersão do processo de leitura e escrita, a partir do letramento digital, tendo como principais teóricos Xavier (2007), Kress (2013), Freire (2014), entre outros. Os procedimentos metodológicos utilizados foram revisão bibliográfica e pesquisa participante com abordagem qualitativa, realizada em duas fases — como orienta Trivinos (1987). Na primeira fase, elaborou-se um roteiro de exercícios de observação das habilidades de letramento que os discentes possuíam. Na segunda, foram realizadas oficinas de construção de textos, com o uso do WhatsApp. Cooperaram com o estudo, seis discentes surdos do 5º ano do ensino fundamental de uma escola pública da periferia do município de Belém, com idades entre 12 e 15 anos. Como conclusão, testemunhou-se o avanço na linguagem escrita, o que contribuiu significativamente para o processo de letramento desses discentes. Contrapôs-se, dessa maneira, os inúmeros processos de exclusão e práticas desiguais da realidade desses jovens surdos que se encontram nas escolas públicas.
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Orientação vocacional de jovens surdos no 3º ciclo

Orientação vocacional de jovens surdos no 3º ciclo

o que é que tu queres fazer? E eu disse eu gosto também de informática. Olha boa ideia! Informática, isso é uma profissão do futuro, também ganham bem, podem trabalhar noutros países. Ok! Ok! Vou pensar. Fui para casa, falei com a minha família, com o meu pai com a minha mãe e pedi qual era a opinião deles. Eles disseram que sim que era uma profissão do futuro. E que alguns amigos deles também têm essa profissão e contaram-me como é que era, e que em Angola também há muitos engenheiros e que ganham bem, engenheiros informáticos e que ganham bem. E eu pensei, e fiquei muito interessado. E os meus amigos que têm essa profissão contaram-me como é que é e que gostam muito… E então a minha decisão foi: um dia, fiquei com a minha professora do ensino especial, foi à Escola António Arroio fazer uma visita de estudo, aquilo é uma escola de artes… mas quer dizer eu não gosto nada de artes, eu não gosto de fazer desenhos, não gosto disso. E então os meus colegas tentaram influenciar-me: a António Arroio é bom! A António Arroio é bom! Porque eu tenho colegas lá! E para os surdos é fácil! É só desenhar! E não têm que desenhar muito. Mas eu pensei, eu não quero ser influenciado! O que eu quero mesmo é decidir sozinho e ver quais são mesmo os meus objectivos. Quero fazer a minha escolha. Então se eu conseguisse entrar para um curso de informática, eu gostava, mas artes não é bom. Então não quero mesmo! Vou seguir os meus objectivos e vou para informática. Falei com os meus colegas, falei com o meu director de turma agora, com a minha professora do ensino especial vieram aqui à escola, vieram aqui a Carnide, viemos fazer uma visita de estudo, conheci a escola e fiquei muito admirado, vi quais são os cursos que há, os vários cursos, disseram que também havia informática e eu fiquei muito espantado. Também tinha matemática mas eu também tenho interesse, fui para casa pensar e prepara a minha escolha e escolhi mesmo informática.
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A violência no namoro entre jovens adultos

A violência no namoro entre jovens adultos

Os nossos resultados mostraram que a violência psicológica e a coerção sexual foram, nesta ordem, os tipos de violência mais frequentes entre os jovens, seja na forma de agressão ou vitimização. A maioria dos estudos mostra que a violência psicológica é o tipo de violência mais frequente (63, 64), no entanto, relativamente à coerção sexual, alguns estudos mostram que este tipo de violência tende a ser mais baixo que a prevalência de violência física (63, 65). Os nossos resultados mostram que a coerção sexual é o segundo tipo de violência mais frequente entre os jovens, contudo este resultado já foi observado noutros estudos (66). Esta inconsistência entre os estudos poderá ser explicada pela utilização de diferentes instrumentos de avaliação do comportamento violento e consequentemente pela definição de violência sexual assumida. As táticas de coerção sexual, para além do uso da força e ameaças com armas, incluem formas não físicas de pressão para coagir o parceiro a participar em atos sexuais. Assim, o que poderá explicar esta elevada prevalência de atos de coerção sexual no nosso estudo é o facto de a “insistência” ser a tática mais frequentemente reportada quer por parte das vítimas quer por parte dos agressores [dados não apresentados].Também é conhecido que o período da adolescência ou início da juventude é particularmente vulnerável para a ocorrência de episódios de coerção sexual e isso deve-se às dificuldades no processo de comunicação entre os jovens no contexto de um relacionamento (11).
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Educação de Jovens e Adultos – Hoje

Educação de Jovens e Adultos – Hoje

Durante os anos 80, quando é instituído o processo de redemocratização, a Constituição deu o passo significativo em direção a uma nova concepção de educação de jovens e adultos, sendo bem expressiva a presença de segmentos sociais identificados com a EJA com o propósito de recuperar e ampliar a noção de direito ao ensino fundamental extensivo aos adultos já impressos na Constituição de 1934. Esta orientação é acompanhada pela LDBEN, suprimindo a expressão ensino supletivo, embora mantenha o termo supletivo para os exames. Todavia, trata-se de uma manutenção nominal, já que tal continuidade se dá dentro de uma nova concepção.
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Avaliação da escrita em jovens e adultos

Avaliação da escrita em jovens e adultos

É importante salientar a necessidade de que outros estudos empíricos junto ao público de jovens e adultos e novas estratégias de avaliação possam ser propostos a partir desta pesquisa, seja para grupos, seja para diagnósticos individuais. Sugere-se que estudos de intervenção sejam realizados, para que outras informações sobre a aprendizagem desse público sejam explicitadas, principalmente quanto aos aspectos ortográficos. As informações advindas desses estudos contribuiriam para que novas propostas de atuação em sala de aula fossem conduzidas pelos professores. As diferentes estratégias de avaliação propostas nesse trabalho também podem contribuir para a proposição de outras metodologias de ensino que abordem as dificuldades reais dos alunos. Sugere-se ainda a continuidade das pesquisas que caracterizem a escrita de alunos de público adulto, devido à escassez de trabalhos abordando o tema; a análise da escrita pode indicar novas metodologias e intervenções para o desenvolvimento do trabalho de leitura e escrita com EJA.
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