Jovens em acolhimento residencial

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Autonomização de jovens em acolhimento residencial: discursos e significados

Autonomização de jovens em acolhimento residencial: discursos e significados

Residencial e o significado que estas tinham tido para eles, para tal foi questionado: “Durante a sua vivência em Acolhimento Residencial, certamente viveu muitas experiências. Recorde um acontecimento ou episódio que seja o mais significativo? Aquele acontecimento que acha que nunca vai esquecer? Pode descrever e explicar porque foi importante para si?”. E, por último, de forma a compreender como os jovens percecionam o processo de autonomização, foi focado todo o processo de preparação para a saída do acolhimento, os objetivos a nível pessoal e profissional, as barreiras antecipadas, os apoios percecionados pelos jovens para esta fase, tal como recursos materiais e suporte social e o nível de comprometimento com os objetivos estabelecidos. Para tal, foi questionado aos jovens: “Em que momento começou a preparar-se para sair do Lar? Como foi fazendo a sua preparação para a saída do Lar? Que pensamentos teve em relação a isto? Como se sentiu? Como reagiu ao longo desse
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Empatia, personalidade e imagens sociais sobre jovens em acolhimento residencial: o papel mediador da dominância social

Empatia, personalidade e imagens sociais sobre jovens em acolhimento residencial: o papel mediador da dominância social

As últimas décadas foram marcadas por uma série de mudanças estruturais e funcionais na área da proteção das crianças e jovens em perigo, refletidas na atual Lei n.º 142/2015, correspondente à terceira alteração à Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo (LPCJP), aprovada pela Lei n.º 147/99 de 1 de setembro. O principal objetivo desta lei passa pela proteção das crianças e jovens em perigo de modo a garantir o seu bem-estar e desenvolvimento integral (artigo 1.º, LPCJP). A presente lei define um conjunto de medidas com vista à proteção das crianças, sendo que estas podem ser executadas em meio natural de vida ou em regime de colocação. Este último abrange, para além do Acolhimento Familiar, o Acolhimento Residencial, anteriormente designado por "Acolhimento Institucional". Esta medida é atualmente definida como a “colocação da criança ou jovem aos cuidados de uma entidade que disponha de instalações, equipamento de acolhimento e recursos humanos permanentes, devidamente dimensionados e habilitados, que lhes garantam os cuidados adequados”. O objetivo do Acolhimento Residencial passa por “contribuir para a criação de condições que garantam a adequada satisfação de necessidades físicas, psíquicas, emocionais e sociais das crianças e jovens e o efetivo exercício dos seus direitos, favorecendo a sua integração em contexto sócio familiar seguro e promovendo a sua educação, bem-estar e desenvolvimento integral” (artigo 49.º da LPCJP, p.7204).
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Jovens em acolhimento residencial: o efeito da auto-representação no sucesso escolar

Jovens em acolhimento residencial: o efeito da auto-representação no sucesso escolar

(matemática, português e média geral) e menos reprovações. Os resultados são congruentes com a literatura, no sentido em que alunos com auto-conceito (Marsh & Martin, 2011) e auto-estima positiva (Aryana, 2010; Mann et al., 2004) apresentam melhores resultados escolares. O fato da dimensão competência influenciar o sucesso escolar, pode ser comparado com os estudos acerca do auto-conceito académico, visto serem constructos parecidos, sendo que, também nestes estudos, os jovens com auto- conceito académico elevado apresentam também maior sucesso escolar, isto é, jovens que se vêem com boas capacidades académicas e mais competentes na escola, apresentam melhores notas (Erten & Burden, 2014; Seaton et al., 2014), como é possível observar nos resultados do presente estudo com a dimensão competência da auto-representação. No que concerne ao terceiro e último objetivo, concluímos que o sexo, a idade, o tempo de acolhimento e o fato do jovem ter sido suspenso/expulso ou não, moderam a relação entre a auto-representação e o sucesso escolar dos jovens em acolhimento residencial, sendo a suspensão/expulsão, a variável que apresenta um efeito moderador em mais dimensões. Deste modo, podemos deduzir que ser-se suspenso ou expulso da escola, pode ter um maior impacto na relação entre a auto-representação e o sucesso escolar dos jovens, que as variáveis individuais e institucionais.
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A procura do sentido nas aprendizagens de crianças e jovens em acolhimento residencial

A procura do sentido nas aprendizagens de crianças e jovens em acolhimento residencial

A intervenção junto de crianças e jovens em acolhimento residencial é a área central deste projeto tendo uma maior ênfase na mediação da relação que os mesmos têm com a escola e o saber escolar. Contextualizando o público-alvo é percetível a quantidade de obstáculos que se encontram entre eles e a escola. Esta apresenta várias funções e hoje encontra em si tantas realidades como desafios. Para estas crianças e jovens surge, inequivocamente, como um espaço de socialização com o grupo de pares sendo a sala- de-aula um complemento ao qual estão obrigados a frequentar. Apesar desta obrigatoriedade, muitas das crianças e jovens apresentavam um elevado absentismo escolar que se traduzia em insucesso. Perante esta realidade optei por intervir nesta área e utilizar o conhecimento escolar como uma ferramenta de acesso à escola e às suas potencialidades, pois é inegável o seu carácter obrigatório. Se as crianças e jovens têm de ir à escola, revela-se mais vantajoso para os mesmos que este seja um percurso dotado de sentido (FERREIRA, 2016).
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Avaliação de necessidades dos jovens em acolhimento residencial: construção e validação de um instrumento

Avaliação de necessidades dos jovens em acolhimento residencial: construção e validação de um instrumento

Segundo o relatório de actividades das Comissões de Protecção a Crianças e Jovens (CNPCJR, 2007), as medidas mais aplicadas em 2006 foram o apoio junto dos pais (79,4%), seguida do apoio junto de outro familiar (9,8%), e logo depois o acolhimento residencial (7,6%). As medidas menos aplicadas são a confiança a pessoa idónea (1,3%), o acolhimento familiar (1,2%) e, por último, o apoio para a autonomia de vida (0,7%). Assim, ao nível das medidas em regime de colocação, o acolhimento residencial é aquela que tem maior expressão em Portugal, sendo esta definida como a “colocação da criança ou jovem aos cuidados de uma entidade, que disponha de instalações e equipamento de acolhimento permanente e de uma equipa técnica, que lhes garantam os cuidados adequados às suas necessidades e lhes proporcionem condições que permitam a sua educação, bem-estar e desenvolvimento integral” (Lei nº147/99, Artigo 49º, Diário da República). Portanto, este serviço, assim como os serviços para crianças e jovens em risco no geral, tem o intuito de colmatar as necessidades identificadas nos seus utilizadores (Little et al., 2004), ainda que manifeste as limitações referidas na introdução, ao nível da sua falta de diferenciação (Zurita e Valle, 1996, citados por Martins, 2004), especificidade (Bullock, Little, e Milham, 1993, Casas, 1993, e Valle, 1998, citados por Calheiros et al., 2005) e eficácia (Colca e Colca, 1996).
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As redes sociais pessoais de crianças e jovens em acolhimento residencial : o papel das fratrias

As redes sociais pessoais de crianças e jovens em acolhimento residencial : o papel das fratrias

12 Também Hegar (2005) apresenta uma série de factores demográficos e situacionais que podem estar associados à probabilidade de os irmãos serem ou não colocados na mesma instituição. Entre estes pode incluir-se: a)o tamanho da fratria (fratrias maiores têm maior probabilidade de serem separadas); b) o leque etário da fratria; c) as necessidades dos irmãos; d) os pais biológicos das várias crianças: nas situações em que os irmãos não partilham os mesmos pais biológicos estes podem querer criar apenas os seus filhos biológicos e não os meios - irmãos destes; e) problemas de comportamento das crianças/jovens: um irmão com problemas de comportamento pode ser mais facilmente retirado; f) políticas e procedimentos organizacionais; g) adequação dos recursos e suportes de colocação e h) regras da instituição que dizem respeito ao número máximo de crianças colocadas.
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A qualidade do acolhimento residencial em Portugal: avaliação da adequação dos serviços às necessidades das crianças e jovens institucionalizados

A qualidade do acolhimento residencial em Portugal: avaliação da adequação dos serviços às necessidades das crianças e jovens institucionalizados

aos defendidos por Del Valle e colaboradores (2012). Neste relatório realizado a pedido do Departamento de Educação é defendido que, antes de mais, as crianças em CA devem ser amadas, felizes, saudáveis, seguras e capazes de se desenvolverem, prosperarem e realizarem o seu potencial. O AR deve valorizar e nutrir cada criança como um indivíduo com talentos, forças e capacidades que podem ser desenvolvidas com o tempo, deve promover relacionamentos positivos, encorajando fortes vínculos entre as crianças e a equipe de cuidadores da CA, com base em atividades empreendidas em conjunto, vida quotidiana compartilhada, rotinas domésticas e não domésticas e limites estabelecidos para o comportamento aceitável. O AR de crianças deve ser ambicioso, alimentando a aprendizagem escolar das crianças e a aprendizagem fora da escola e as aspirações das crianças quanto ao seu futuro. O AR deve estar atento às necessidades das crianças, apoiando as suas necessidades de saúde emocional, mental e física, incluindo reparar os danos anteriores ao acolhimento, aumentar a autoestima e encorajar amizades. O AR deve ser voltado para o exterior, trabalhando com o sistema mais amplo de profissionais que interage e trabalha com cada criança, e com as famílias das crianças e comunidades de origem para manter as relações e entender os problemas do passado. O AR deve ter grandes expectativas face aos cuidadores assumindo-os como membros comprometidos de uma equipe, como decisores competentes e como líderes capazes de dinamizar atividades. Em apoio a isso, as CA devem garantir que todos os cuidadores e diretores técnicos estejam envolvidos em formação contínua que lhes proporcione aprendizagens sobre seu papel e sobre as crianças e famílias com quem trabalham. O AR deve proporcionar um ambiente seguro e estimulante, funcionando em edifícios de alta qualidade, com espaços confortáveis que favoreçam o apoiar e cuidar das crianças e lhes permitam ter privacidade, bem como espaços comuns e espaços exteriores que permitam às crianças serem ativas.
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Acolhimento residencial: uma abordagem relacional

Acolhimento residencial: uma abordagem relacional

De acordo com esta perspetiva, a base segura dos cuidadores potencia uma maior disponibilidade para se relacionarem com os jovens numa atitude empática e responsiva. Todavia, a perceção dos cuidadores face à relação com os jovens associa-se à forma como elaboram as suas vivências emocionais no contexto institucional. As necessidades emocionais dos jovens em acolhimento residencial nem sempre são claras para os cuidadores. Assim, a falta de reconhecimento, a disputa ou comportamentos de confrontação por parte dos jovens podem ser encarados pelos cuidadores inseguros como um ataque pessoal, reduzindo significativamente a sua satisfação e investimento na atividade laboral (Mota & Matos, 2016). Esta questão surge também na linha de novas pesquisas que pretendemos introduzir face à temática, na medida em que o desenvolvimento de sintomatologia psicopatológica (nomeadamente a depressão, ansiedade e somatização) não tem vindo a ser considerada na abordagem aos cuidadores de jovens em acolhimento residencial. Neste sentido, cuidadores com uma vinculação ansiosa tendem a focalizar-se nas suas próprias necessidades e constrangimentos, tornando-se mais apelativos (Collins, Spencer, & Ward, 2010). Por outro lado, os cuidadores com uma vinculação evitante tendem a sentir-se desconfortáveis com a proximidade e interdependência, mostrando-se mais reprovadores nas suas respostas face aos signos de vulnerabilidade dos demais (Ibidem). De acordo com Mikulincer e Shaver (2005), os cuidadores com uma vinculação evitante manifestam dificuldades em lidar de forma direta ou simbólica com a dor ou sofrimento, tendendo a desenvolver uma postura defensiva que os protege face a uma baixa autoestima. Ainda de acordo com os autores, nestes casos a ajuda facilitada pelos cuidadores pode ser vista como uma forma de se sentirem melhor consigo mesmos. Alguns estudos revelam ainda que o cuidado de jovens em risco requer um investimento pessoal significativo, sendo essencial uma estrutura mental saudável e persistente por parte dos cuidadores (e.g. Brannan, Heflinger, & Foster, 2003; Horwitz, Hulburt, & Zhang, 2010). Por conseguinte, cuidadores que apresentam um elevado nível de stresse diminuem a disponibilidade pessoal para dar atenção aos jovens, recorrendo de forma mais significativa a serviços de saúde mental com fim de procurar ajuda para si e para os jovens (Geen, 2003; Timmer, Sedlar & Urquiza, 2004). Estudos recentes sugerem que uma parte significativa de cuidadores de crianças e jovens em situação de risco apresentam critérios de perturbações major como a depressão (Burns et al., 2010; Marcenko, Lyons, & Courtney, 2011). A doença mental dos cuidadores parece manifestar um impacto negativo na capacidade de cuidar, planear e tomar decisões face a crianças e jovens, afetando, em consequência, o processo desenvolvimental dos mesmos (Burns et al., 2010).
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A inteligência emocional e a empatia e a sua relação com a competência para a diversidade multicultural em equipas em acolhimento residencial

A inteligência emocional e a empatia e a sua relação com a competência para a diversidade multicultural em equipas em acolhimento residencial

vez mais se constitui como uma característica das sociedades contemporâneas. Assim sendo, torna-se pertinente estudar as competências para a multiculturalidade em vários serviços como os sociais, de saúde e psicológicos. Sue e colaboradores (1982, 1992) desenvolveram o Modelo Tridimensional das Competências Multiculturais que identifica três componentes: crenças e atitudes (autoconsciência), conhecimento, e competências. Uma vez que existem crianças e jovens em Acolhimento Residencial oriundos de outros países ou de origem migrante, torna-se necessário avaliar as competências das equipas técnicas e educativas que trabalham nestes contextos diariamente e compreender como lidam com a diversidade multicultural presente nas casas de acolhimento (e.g., CAT e LIJ). Neste sentido, o presente estuda procura compreender a relação entre a inteligência emocional e a empatia com as competências para a diversidade cultural no trabalho com as crianças e jovens em situação de acolhimento, assim como se a formação prévia e o contacto anterior com crianças e jovens culturalmente diversos têm alguma relação com as competências multiculturais.
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A escola e a instituição: relações significativas e o autoconceito de adolescentes em acolhimento residencial

A escola e a instituição: relações significativas e o autoconceito de adolescentes em acolhimento residencial

Constatou-se ainda que a qualidade da ligação a figuras adultas significativas se constitui como preditora significativa da qualidade da ligação aos pares. Nesta medida, os resultados sugerem que a ligação afetiva de qualidade desenvolvida com os adultos da instituição pode constituir uma importante fonte de apoio pessoal, recriando nos jovens sentimentos de cuidado e pertença (Mota & Matos, 2016). Estes resultados são consistentes com a literatura ao demonstrarem que experiências relacionais de qualidade com as figuras que rodeiam os jovens em acolhimento residencial são extremamente importantes, pois poderão promover a segurança necessária para que estes se tornem mais recetivos a outras relações e desenvolvam relações de confiança com os pares (e.g., Ahrens et al., 2011; Formosinho, Araújo & Sousa, 2002; Legault, Anawati, & Flynn, 2006; Wekerle, Waechter, Leung, & Leonard, 2007). De referir que este aspeto se transpõe para todas as figuras significativas de afeto, todavia alguns estudos têm vindo a suportar a importância do papel dos professores e funcionários da instituição enquanto fonte de apoio e compreensão para os jovens, podendo funcionar como base segura (e.g., Mota & Matos, 2010, 2014, 2015a). Estudos revelam que os adolescentes dispõem de contextos e figuras relacionais seguras são mais populares no grupo de pares, mostrando-se mais disponíveis para estabelecer novos relacionamentos (e.g., Farineau et al., 2013; Lieberman, Doyle & Markiewicz, 1999; Nickerson, & Nagle, 2005). Estes resultados vão ao encontro dos pressupostos da teoria da vinculação na medida em que os adolescentes que constroem modelos internos dinâmicos seguros e integram uma imagem positiva de si e dos demais procuram a proximidade e similitude de vivências com os pares. Deste modo, poderá assistir- se à transferência de modelos de vinculação dos cuidadores para os pares (e.g., Hazan & Shaver, 1994; Hazan & Zeifman, 1994; Trinke & Bartholomew, 1997; Weiss, 1991), apoiando a ideia do alargamento da rede para cumprimento de funções de vinculação (e.g., Friedlmeier & Granqvist, 2006; Rocha & Matos, 2012). Assim, as relações sociais, nomeadamente, com os pares, evoluem das relações iniciais de vinculação da criança e da capacidade e disponibilidade dos cuidadores para satisfazer as suas necessidades, constituindo a primeira base de segurança. No caso das crianças e dos adolescentes que vivem em instituições, a sua principal rede de apoio passa a ser pessoas não pertencentes à família, nomeadamente, cuidadores e as restantes crianças e adolescentes que habitam o espaço instituição e escola (Ahrens et al., 2011; Legault et al., 2006; Mota & Matos, 2015a, 2015b).
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Acolhimento residencial em Portugal

Acolhimento residencial em Portugal

Em Portugal existem 8000 crianças e jovens em Acolhimento Residencial (AR). O conceito de qualidade AR surge como a adequação das características da casa de acolhimento às necessidades das crianças. Sendo um construto complexo e multidimensional exige diferentes perspetivas e uma avaliação realizada por diversas fontes, assumindo a voz das crianças como a principal referência na aferição da qualidade. A qualidade do AR está intimamente relacionada com o ajustamento psicológico, o bem-estar e a satisfação com a vida das crianças e jovens. Até à atualidade ainda não foi realizada em Portugal uma avaliação da qualidade do sistema de AR. Neste momento está a decorrer um estudo que tem por objetivo aferir a qualidade do AR português através da avaliação das necessidades e do ajustamento psicológico das crianças em AR, da avaliação da qualidade dos serviços prestados pelas CA e da compreensão da relação entre estas duas variáveis. Este simpósio tem como objetivo apresentar alguns resultados emergentes do estudo piloto da investigação de carácter nacional, ainda em curso, que visa aferir a qualidade do sistema Português de AR. Neste sentido, será feita uma breve contextualização do AR em Portugal, seguida da apresentação da metodologia principal que é utilizada para esta avaliação - Sistema de Avaliação Compreensiva do Acolhimento Residencial Português (ARQUA-P). Posteriormente, serão apresentados os dados relativos ao ajustamento psicológico dos jovens que estão em AR, à sua autoestima, bem-estar e felicidade subjetiva, relacionando estas variáveis com a qualidade do AR das CA.
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Acolhimento Residencial e Familiar

Acolhimento Residencial e Familiar

De acordo com esta perspetiva, a base segura dos cuidadores potencia uma maior disponibilidade para se relacionarem com os jovens numa atitude empática e responsiva. Todavia, a perceção dos cuidadores face à relação com os jovens associa-se à forma como elaboram as suas vivências emocionais no contexto institucional. As necessidades emocionais dos jovens em acolhimento residencial nem sempre são claras para os cuidadores. Assim, a falta de reconhecimento, a disputa ou comportamentos de confrontação por parte dos jovens podem ser encarados pelos cuidadores inseguros como um ataque pessoal, reduzindo significativamente a sua satisfação e investimento na atividade laboral (Mota & Matos, 2016). Esta questão surge também na linha de novas pesquisas que pretendemos introduzir face à temática, na medida em que o desenvolvimento de sintomatologia psicopatológica (nomeadamente a depressão, ansiedade e somatização) não tem vindo a ser considerada na abordagem aos cuidadores de jovens em acolhimento residencial. Neste sentido, cuidadores com uma vinculação ansiosa tendem a focalizar-se nas suas próprias necessidades e constrangimentos, tornando-se mais apelativos (Collins, Spencer, & Ward, 2010). Por outro lado, os cuidadores com uma vinculação evitante tendem a sentir-se desconfortáveis com a proximidade e interdependência, mostrando-se mais reprovadores nas suas respostas face aos signos de vulnerabilidade dos demais (Ibidem). De acordo com Mikulincer e Shaver (2005), os cuidadores com uma vinculação evitante manifestam dificuldades em lidar de forma direta ou simbólica com a dor ou sofrimento, tendendo a desenvolver uma postura defensiva que os protege face a uma baixa autoestima. Ainda de acordo com os autores, nestes casos a ajuda facilitada pelos cuidadores pode ser vista como uma forma de se sentirem melhor consigo mesmos. Alguns estudos revelam ainda que o cuidado de jovens em risco requer um investimento pessoal significativo, sendo essencial uma estrutura mental saudável e persistente por parte dos cuidadores (e.g. Brannan, Heflinger, & Foster, 2003; Horwitz, Hulburt, & Zhang, 2010). Por conseguinte, cuidadores que apresentam um elevado nível de stresse diminuem a disponibilidade pessoal para dar atenção aos jovens, recorrendo de forma mais significativa a serviços de saúde mental com fim de procurar ajuda para si e para os jovens (Geen, 2003; Timmer, Sedlar & Urquiza, 2004). Estudos recentes sugerem que uma parte significativa de cuidadores de crianças e jovens em situação de risco apresentam critérios de perturbações major como a depressão (Burns et al., 2010; Marcenko, Lyons, & Courtney, 2011). A doença mental dos cuidadores parece manifestar um impacto negativo na capacidade de cuidar, planear e tomar decisões face a crianças e jovens, afetando, em consequência, o processo desenvolvimental dos mesmos (Burns et al., 2010).
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Do acolhimento à autonomização: competências de vida de jovens institucionalizados

Do acolhimento à autonomização: competências de vida de jovens institucionalizados

escolhas, apesar de os jovens sem contacto com o sistema de acolhimento apresentarem resultados mais altos, não existe uma grande discrepância entre os dois grupos; no entanto, nos restantes três domínios, os jovens ex-institucionalizados apresentaram valores consideravelmente mais baixos revelando pouco conhecimento relativamente às categorias suprarreferidas. Contudo, os jovens que passaram por acolhimento residencial revelam que a transição é uma fase difícil e que se deparam com inúmeros desafios ao longo da transição, demonstrando preocupação sobre “enfrentarem o mundo sozinhos”, enfatizando a rapidez na tomada de decisões sem pensar nas consequências adjacentes. Os jovens que nunca tiveram contacto com o sistema de acolhimento, revelam que a transição para a vida adulta é difícil, no entanto adquirem competências através dos seus pais, irmãos e amigos sobre como lidar com as situações que possam encontrar enquanto vivem de forma independente (Olson, Scherer e Cohen, 2017).
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Stress, avaliação cognitiva e burnout em técnicos sociais das casas de acolhimento residencial

Stress, avaliação cognitiva e burnout em técnicos sociais das casas de acolhimento residencial

Dados publicados no Relatório de Avaliação de Perfil de Risco Psicossocial - A Gestão de Pessoas e Organizações Saudáveis (Cunha, Pereira, & Cunha, 2014) demonstram um aumento do fenómeno burnout entre os anos 2008 e 2013 sendo que, a percentagem em 2008 era de 9%, aumentando para 15% em 2013 e para uma taxa superior a 17% em 2016. Devido a uma variedade de fatores políticos e socioeconómicos, as sociedades desenvolvidas, como é o caso da sociedade Portuguesa, verifica-se uma crescente insatisfação laboral, acabando por se traduzir em elevados níveis de stress no local de trabalho. A área de atuação dos profissionais de apoio à proteção de crianças e jovens ocorre num amplo conjunto de contextos e serviços, tais como Casas de Acolhimento Residencial, Comissões de Proteção a Crianças e Jovens entre outras instituições. Apesar da diversidade de locais de ação destes profissionais, o objetivo de trabalho é comum a todos eles, ou seja, garantir a proteção dos direitos fundamentais das crianças que, por vários motivos, estiveram expostas a condições adversas ao seu desenvolvimento (Cardoso, 2016). Adicionalmente, o trabalho social é uma atividade profissional que se descreve pela interação de situações em dificuldade, na qual o trabalhador terá de perceber a realidade em que está envolvido e intervir (Robertis, 2003).
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A importância de programas de competências parentais para a reunificação familiar de crianças em acolhimento residencial

A importância de programas de competências parentais para a reunificação familiar de crianças em acolhimento residencial

37 Neste projeto de investigação qualitativa a fonte de dados passa por documentos referentes aos programas de formação de competências parentais. Para tal, fez-se uma pesquisa sobre vários programas existentes, dos quais podemos identificar “Espaço da Família - Programa de Formação Parental”; “Escola de Pais – Um Programa de Formação Parental para Famílias de Alto risco ”; “Nova_Mente – Programa de Preservação Familiar e Formação Parental”; “Para Pais sobre Filhos – Um projeto de intervenção com famílias”; “Novas Oportunidades Parentais – A formação parental para pais/cuidadores de crianças e jovens em risco”; “SAFER – Serviço de apoio a famílias em risco”; “Laços, Afetos e Metodologias – Projeto de formação parental”; “Rede de Intervenção na Família – Projeto de Formação Parental” e “Caminhar em Família – Programa de competências parentais durante o acolhimento e a reunificação familiar”. Após a pesquisa efetuada foram selecionados três programas para uma análise mais aprofundada e comparativa, nomeadamente os programas Caminhar em Família, Novas Oportunidades (NOP) e SAFER. A seleção dos programas, embora um pouco aleatória, teve em conta os objetivos dos mesmos e o seu grau de realização. Relativamente ao Caminhar em Família, considerou-se vantajoso analisar um programa que tivesse sido desenvolvido em Espanha e aplicado em Espanha e Portugal (com as devidas adaptações), a fim de perceber e comparar dimensões focadas. Relativamente aos outros dois, NOP e SAFER, considerou-se pertinente a sua análise uma vez que foram desenvolvidos e aplicados em simultâneo e em realidades muito próximas e circunscritas (Sintra e Setúbal), configurando alguma diversidade no que se refere ao âmbito de aplicação, temporalidade e características dos mesmos. Para além disso, os programas NOP e SAFER apesar de considerarem a reunificação, têm como objetivo primordial a Formação de Competências Parentais a fim de prevenir a institucionalização; já o programa Caminhar em Família foca-se na reunificação familiar o que favorece a comparação entre eles percebendo se evidenciam questões muito diferentes e/ou se os parâmetros dos três se complementam facilitando a reunificação familiar.
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UM NOVO OLHAR SOBRE O ACOLHIMENTO RESIDENCIAL

UM NOVO OLHAR SOBRE O ACOLHIMENTO RESIDENCIAL

Apesar de reconhecermos a importância da relação estabelecida connosco assuma outros contornos, julgamos que o corte abrupto desse contato poderá ser também desencadeador de sentimentos de abandono e de afastamento. Ainda a esse respeito, Filipa Alvarez et al referem que «o acompanhamento que a instituição faz após a saída é essencial, no sentido de ter a certeza que a esperança que nasceu durante a estadia não se apague face à primeira tempestade» (2014: 57). De acordo com a nossa experiência, esta situação não se verifica na realidade. Existem, inclusive, práticas de outras CA que colocam obstáculos na prossecução e manutenção de contatos com a nossa CA o que, do nosso ponto de vista, é desproporcional e fomentador de sentimentos de não pertença. Justifica-se um corte se os contatos criarem instabilidade e angústia para a criança. Consideramos que não deve ser regra, mas sim alvo de uma avaliação caso a caso. A experiência que temos de crianças, agora jovens, que mantêm contato com a nossa CA tem-se revelado bastante positiva, na medida em que é reconfortante para eles saberem que podem partilhar connosco as suas experiências, receios e aspirações, tornando-se apaziguador ao invés de castrador. Naturalmente que, no caso das crianças que seguem para adoção, terá de ser a nova família e os Técnicos que os acompanham a fazerem essa apreciação. Resumidamente, a continuidade de contatos depende do entendimento e da conveniência avaliada pela nova casa e pela família. Da parte do CAT Sta. Iria, as crianças sabem que podem, em qualquer altura, contar sempre com a porta aberta.
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O DIREITO À PARTICIPAÇÃO NAS CASAS DE ACOLHIMENTO RESIDENCIAL

O DIREITO À PARTICIPAÇÃO NAS CASAS DE ACOLHIMENTO RESIDENCIAL

Todas as ideias anteriormente apresentadas levam-nos, inevitavelmente, a pensar na questão das dimensões/capacidade das instituições de acolhimento. Atualmente temos ainda instituições de grandes dimensões, como é o caso das duas CAR estudadas. Desejavelmente as CAR deveriam ser projetadas e concebidas para um reduzido número de C/J, ideia também partilhada por Gomes (2010, 87), “os lares de infância e juventude deveriam acolher um número reduzido de crianças” “proporcionando às crianças e jovens que acolhem um ambiente semelhante ao familiar” (Gomes, 2010, 92), ideia que era defendida no Plano DOM. Atualmente, também a lei nos remete para esta leitura, mais concretamente do nº 1 do art.º 53 da LPCJP, ao estabelecer que o funcionamento das CAR deverá proporcionar uma relação afetiva do tipo familiar.
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Práticas profissionais em processos de reunificação familiar: um estudo com profissionais das casas de acolhimento residencial

Práticas profissionais em processos de reunificação familiar: um estudo com profissionais das casas de acolhimento residencial

Na sequência dos factos que têm vindo a ser descritos ao nível do trabalho com a família e a criança/jovem com vista à reunificação familiar, é absolutamente urgente a existência de um plano de ação que, desde o início ao pós-acolhimento, possibilite uma intervenção sistemática e objetiva (Martín, Tomás de Almeida, Cabrera, Miranda, & Rodrigo, 2015; Grupo de Coordenação do Plano de Auditoria Social & CID - Crianças, Idosos e Deficientes - Cidadania, 2006; Montserrat, 2014; Rodrigo et al., 2015; Valle & Zurita, 2007). Este plano precisa de ser revisto e adequado às necessidades e expetativas (Ferreira da Silva, 2001) de cada fase de acolhimento (Balsells et al., 2015; Lietz & Strength, 2011). Vários autores defendem a importância da continuidade deste plano após a reunificação para evitar a reentrada da criança/jovem no acolhimento (Alonso & Menéndez, 2014; Alvarez et al., 2014; Balsells et al., 2015; Sousa et al., 2007), não podendo deixar de ser tidos em consideração os dados estatísticos produzidos anualmente em Portugal que indicam um elevado número de reentradas no sistema de crianças/jovens que deixaram o acolhimento (Instituto da Segurança Social I.P., 2015, 2016), bem como os dados produzidos noutros países como o Reino Unido que apresentam indicadores semelhantes (Balsells et al., 2015).
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As famílias de afeto nas casas de acolhimento de crianças /jovens em perigo

As famílias de afeto nas casas de acolhimento de crianças /jovens em perigo

3 num contexto de acolhimento que procure na comunidade figuras afetivamente disponíveis, com competências para suportar as reações das crianças/jovens, bem como para devolver um ambiente securizante. É de extrema relevância que estas figuras “[…] estejam capazes de acolher toda a revolta e raiva que é exteriorizada, devolvendo-lhes um meio estável de confiança, privilegiando o estabelecimento de ligações afectivas seguras. A segurança interna que estas figuras securizantes traduzem funciona em certa medida como factor protector, o que permite que esses jovens sejam mais capazes de enfrentar as adversidades de forma adaptativa, potencializando por isso o processo resiliente.” (Mota e Matos, 2008: 373). São estas relações afetivas e o contacto com vivências familiares positivas que, segundo Gomes (2010: 60), influenciam na construção da identidade destas crianças e jovens, já que “permitem responder às necessidades de segurança, influenciam o funcionamento do individuo e a construção de modelos de funcionamento interno (representações e expectativas sobre si próprio, sobre os outros e sobre o mundo.”. No entanto, Bravo e Del Valle (2001) relembram que as experiências comunitárias das crianças e jovens em regime de acolhimento residencial são limitadas e diminuem as possibilidades de relacionamentos interpessoais para além dos da casa de acolhimento, como também não promovem um processo de desenvolvimento normal. De modo a configurar a institucionalização, termo que, neste trabalho, a partir deste ponto será substituído por residencialização 4 , como um espaço da comunidade, em Portugal têm surgido alguns projetos, como por exemplo as famílias de afeto e as famílias amigas. Este é um recurso social promovido pelas casas de acolhimento que assenta no ato voluntário de famílias que querem acolher de forma informal crianças e jovens residencializadas aos fins de semana e férias letivas.
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 Tese Entregar Final

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Apresentamos também no anexo ( 2 ) o organigrama actual da Instituição, para podermos perceber melhor o seu modo de funcionamento, as suas áreas e actividades. É composta por 10 Centros de Educação e Desenvolvimento (CED), sendo 2 de Tipo I ( Stª Clara e Stª Catarina ), que se dedicam em exclusivo ao Acolhimento Residencial de crianças e jovens em risco de exclusão social, missão central da Instituição. Outros 6 CED são de Tipo II,( Jacob Rodrigues Pereira, D. Maria Pia. Nª Srª da Conceição, Pina Manique e D. Nuno Álvares Pereira,) dedicam-se à Educação e Formação e um ao Ensino Especial e Reabilitação, o Centro de Educação e Desenvolvimento António Aurélio da Costa Ferreira. Dois CED são de Tipo III, com respostas específicas, um Centro de Educação e Acção Social e um Centro de Educação Agro-Ambiental, situado na Zona de Alcanena/ Santarém. Existe também um Centro Cultural, onde se centralizam as mais importantes actividades culturais realizadas na Instituição. Cada um destes CED tem uma estrutura de gestão composta por um Director e Assessores.
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