Literatura pós-colonial

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<b>Pós-colonialismo e representação feminina na literatura pós - colonial em inglês</b> - DOI: 10.4025/actascihumansoc.v28i1.178

<b>Pós-colonialismo e representação feminina na literatura pós - colonial em inglês</b> - DOI: 10.4025/actascihumansoc.v28i1.178

RESUMO. Analisam-se as personagens femininas nos romances pós-coloniais Crossing the River (1993), de Caryl Phillips; Fruit of the Lemon (1999) e Small Island (2004), de Andrea Levy; Disgrace (1999), de J.M. Coetzee; The Pickup (2001), de Nadine Gordimer; e Purple Hibiscus (2003), de Chimamanda Adichie. O objetivo dessa pesquisa é verificar se, no contexto do status quo do feminismo contemporâneo, há traços comuns e diferenças significativas na representação da mulher feita por autores oriundos de várias comunidades pós -coloniais, que se destacam na literatura pós-colonial escrita em inglês. A metodologia de investigação baseia- se em textos teóricos que discutem poder, voz, agência, alteridade e resistência, desenvolvid a por Ashcroft, Bhabha, Said, Spivak, Todorov e outros. Os resultados mostram que os autores estudados ainda contam com o arcabouço patriarcal para materializar a situação da mulher e descrevem uma luta constante para que a mulher possa ser agente na comunidade representada. Parece que todos os autores revelam que a resistência, a qual abrange uma gama extensa que vai da conscientização duramente adquirida, até uma verdadeira tomada de posição, na condição de agente autônomo, pode ser paradoxalmente caracterizada como positiva, ambígua e cheia de questionamentos. Apesar de grandes avanços na condição de a mulher ser agente, constatam-se os resíduos da herança colonial, o patriarcalismo endêmico nas sociedades africanas e caribenhas, as diásporas contemporâneas e as nuanças oriundas da globalização e da tentativa de supressão do multicultura lismo, os quais os autores pós-coloniais insistem em salientar. Concomitantemente, não deixam de representar o poder feminino em novas rupturas e intervenções pelas quais a mulher surpreende o patriarcado e toma seu lugar autônomo no mundo contemporâneo.
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O legado tradicional africano e as influências ocidentais: a formação da identidade e da moçambicanidade na literatura pós-colonial de Moçambique

O legado tradicional africano e as influências ocidentais: a formação da identidade e da moçambicanidade na literatura pós-colonial de Moçambique

propõe à sua mulher que a vai matar e que lhe vai preparar o túmulo. A mulher não protesta e comporta-se duma maneira muito diferente do que esperaria um leitor europeu, agradecendo ao seu marido a preocupação. Compreende que a proposta do marido resulta do seu amor por ela, já que ele não a quer deixar só no mundo, onde ninguém vai poder a enterrar. Segundo as crenças africanas, não há maior desgraça do que não ter um enterro digno feito pela família. A morte não provoca medo dum africano e é percebida como uma passagem ao outro mundo. O naturalismo e o realismo agudo no conto transforma-se, neste momento, em realismo mágico. As narrativas de Mia Couto e, depois, também de outros escritores moçambicanos como Suleiman Cassamo e Paulina Chiziane, estão cheias dos mortos que falam com os vivos, dos humanos que se transormam em animais, das árvores que conversam com as pessoas e dos feitiçeiros capazes de mudar o rumo da vida humana graças à magia. Para os africanos tudo isso é possível. Por isso os escritores angolanos Pepetela e Henrique Abranches não falam do realismo mágico nas literaturas africanas, deixando este termo à narrativa sul-americana (García Marquez, Carlos Fuentes) e, para a prosa africana, propõem a designação “realismo animalista” (Laranjeira, 1995: 375). Parece-nos justificado constatar que os elementos do realismo animalista presentes em muitas obras dos escritores moçambicanos constituem um reflexo do imaginário transmitido nas narrativas orais. Por isso Lorenço Rosário afirma que “a literatura de tradição oral se encontra refletida na literatura escrita na forma e no conteúdo” (1994: 11).
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Os monstros e a questão racial na literatura pós-colonial brasileira

Os monstros e a questão racial na literatura pós-colonial brasileira

O vampiro Drácula, como estratégia para construção da narrativa, é interpretado aqui como a versão da monstruosidade gótica que se transforma no trickster, construção do texto mágico r[r]

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Mapear os significados contestados da identidade nacional angolana através da literatura pós-colonial

Mapear os significados contestados da identidade nacional angolana através da literatura pós-colonial

É no interior do sapalalo (e do coração) de Alexandre Semedo que habita a estátua Yaka, como a peça principal de seu acervo pessoal de arte africana. Esta africanização da casa colonial funciona como marca evidente do hibridismo e da polissemia cultural que, como nos faz ver Pepetela ao longo do romance, contribuem para a formação da identidade nacional angolana. Como bem observa Laura Cavalcante Padilha (2002, p. 71-72; p. 82), a narrativa encena as negociações de sentido, o encontro dos mundos europeu e africano do qual se originará, em turbulência, a nação angolana. O sapalalo é o espaço intersticial onde as fronteiras dos mundos do colonizador e dos colonizados deliberadamente se confundem. Representação da casa histórico-cultural angolana, implantada no terreno de uma realidade onde já não é possível sonhar com qualquer espécie de volta às origens, mas onde o presente se mescla com reminiscências do passado. É este presente repleto de passado que indica a importância de ressignificar a herança cultural herdada da experiência histórica da colonização para projetar o futuro de Angola independente. Neste sentido, Yaka oferece aos leitores outras chaves, talvez menos óbvias e por isso nem sempre experimentadas, para desvendar o segredo da complexa e multidimensional construção do que podemos chamar angolanidade.
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Resumos de dissertações defendidas no PPGCI da UFPB em 2011 - Parte 1 de 2 :: Brapci ::

Resumos de dissertações defendidas no PPGCI da UFPB em 2011 - Parte 1 de 2 :: Brapci ::

Resumo: Analisa a inclusão de profi ssionais bibliotecários nas Bibliotecas Públicas Municipais da Paraíba como conseqüência da política nacional de implantação e revitalização deste equipamento. Tal política é fomentada por ações do Programa Livro Aberto e do Programa Mais Cultura para Bibliotecas Públicas coordenado pela Diretoria do Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura e pela Fundação Biblioteca Nacional/Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas. Estas ações têm o objetivo de zerar o número de municípios brasileiros sem Bibliotecas Públicas e foram teoricamente caracterizadas como políticas públicas de informação tendo se iniciado em 1932 com a criação do INL. A pesquisa visitou oito municípios nas quatro mesorregiões do estado contemplados com os programas. Entrevistou os Secretários Municipais de Educação e Cultura utilizando posteriormente a técnica da Análise de Conteúdo para explorar o material coletado buscando a confi rmação de hipóteses, levantadas a priori, sobre a inclusão dos profi ssionais bibliotecários nas Bibliotecas Públicas Municipais. O estudo teve três de suas cinco hipóteses confi rmadas. Conclui que as bibliotecas Públicas da Paraíba ainda não possuem em sua maioria o profi ssional bibliotecário e que esta exclusão se verifi ca pela falta de cumprimento dos gestores a respeito da lei 4.084/62, pela escassez dos profi ssionais no interior do estado e pela falta de atrativo fi nanceiro oferecido pelos municípios.
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O reino de Benjamim por um olhar pós-colonial

O reino de Benjamim por um olhar pós-colonial

Nesse sentido, pode-se notar que as atitudes de Benjamim mostram esse aspecto subalterno da identidade do colonizador português, na medida em que vê o Sr. Hegarty, um inglês, branco, com a visão maniqueísta que atribui ao que é bom. Já em relação a Luís e Darci, ambos negros, provindos de ex-colônias portuguesas, atribui a representação colonial, vendo-os de uma forma negativa. Inocência Mata (2006) atenta para o fato de, mesmo após 30 anos do fim do império colonial, o discurso da nação ser o de determinar os africanos residentes em Portugal como os outros. Se esse discurso ainda é presente mesmo passado tanto tempo do fim do império, na situação histórica do texto ele se mostra muito mais forte.
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Desprovincializando a sociologia: a contribuição pós-colonial.

Desprovincializando a sociologia: a contribuição pós-colonial.

Tal esforço de desconstrução dos binaris- mos (coloniais) vem seguindo percursos diversos no âmbito dos estudos pós-coloniais e, pelo menos desde o importante ensaio de Spivak (1988), desfez-se a expectativa de que uma pers- pectiva epistemológica nova surgiria, dando-se voz ao (pós-)colonizado. A autora mostra que é ilusória a referência a um sujeito subalterno que pudesse falar. O que ela constata, valendo-se do exemplo da Índia, é uma heterogeneidade de subalternos, os quais não são possuidores de uma consciência autêntica pré- ou pós-colonial, trata-se de “subjetividades precárias” construídas no marco da “violência epistêmica” colonial. Tal violência tem um sentido correlato àquele cunha- do por Foucault para referir-se à redefinição da idéia de sanidade na Europa de finais do século XVIII, na medida em que desclassifica os conhe- cimentos e as formas de apreensão do mundo do colonizado, roubando-lhe, por assim dizer, a faculdade da enunciação. Assim, no lugar de rei- vindicar a posição de representante dos subalter- nos que “ouve” a voz desses, ecoada nas insur- gências heróicas contra a opressão, o intelectual pós-colonial busca entender a dominação colo- nial como cerceamento da resistência mediante a imposição de uma episteme que torna a fala do subalterno, de antemão, “silenciosa”, vale dizer, desqualificada.
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O campo literário no espaço pós-colonial

O campo literário no espaço pós-colonial

No que diz respeito à rede mundial de computadores, em uma primeira leitura, pode-se argumentar em favor da mesma que esta possibilita que uma quantidade antes impensável de obras digitais esteja à disposição de muitos, e com uma capacidade de armazenamento nunca antes vista, o que é verdade. No entanto, podemos dizer que o mesmo suporte que facilitou a vida de quem gosta de ler Literatura, pela sua dinâmica de informações aceleradas, seguindo o ritmo veloz da modernidade pós-industrial, educa os possíveis novos leitores a textos curtos, de fácil interpretação, o que distanciaria os mesmos, por exemplo, de muitos textos poéticos, cuja leitura requer um certo tempo de fruição. Já os programas de televisão e de rádio, com exceção talvez das rádios e TV educativas, pelo seu compromisso com o consumo fácil e rápido, veem no livro literário um produto de difícil absorção e, portanto, avesso aos interesses dos seus patrocinadores, priorizando, assim, produtos culturais de massa, como afirma Canclini.
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A construção simbólica na nação nos livros escolares no Moçambique PósColonial

A construção simbólica na nação nos livros escolares no Moçambique PósColonial

O pressuposto de pesquisa que achamos razoável para ajudar-nos a perceber a nação moçambicana foi encará-la no nível das construções simbólicas que os próprios moçambicanos têm si mesmos. Em outros termos, optamos pela perspectiva teórica que vê a nação enquanto construção simbólico-imaginada. Assim sendo, a simples pergunta que indaga qual o traço característico do moçambicano, leva-nos a procurar a resposta no imaginário social do país e não nas peculiaridades empíricas ou antropológicas de seus membros. Entretanto, em virtude de Moçambique ter uma pluralidade de grupos étnicos e linguísticos, muitas vezes sem conhecimento mútuo, a consciência nacional passa a ser muito fragmentada (Cahen, 1993), tornando difícil encontrar tal resposta se a questão for colocada individualmente a cada moçambicano. É por isso que optamos por partir do pressuposto defendido por Ngoenha (1998) de que Moçambique é uma nação em formação. Este processo de formação, porém, tem um sentido, ou seja, está repleto de significados. Destarte, nossa pesquisa procurou analisar esse sentido que a nação moçambicana tomava no período pós-colonial, através do sistema de ensino, cuja função, entre muitas outras, era inculcar nas crianças os valores ou a moral da nação em formação (Durkheim, 2008) constituindo portanto, ao nosso ver, um lócus de pesquisa adequado. Aqui, entre os vários instrumentos pedagógicos usados, elegemos os livros escolares como os difusores dessa visão de mundo que se pretendia atribuir à nação moçambicana em formação e que a ela dava um sentido.
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Educação bilíngue nos Estados Unidos: uma possível transição moral para a cidadania global.

Educação bilíngue nos Estados Unidos: uma possível transição moral para a cidadania global.

Este trabalho consiste em um estudo teórico cujo objetivo é investigar a importância de competências interculturais, tais como habilidades de comunicação, para o desenvolvimento de uma educação para a cidadania global. Tem como hipótese a sugestão de que os argumentos contra a educação bilíngue nos Estados Unidos da América (EUA) podem representar indícios da existência de uma transição entre uma abordagem conservadora de cidadania e uma de cidadania global. Para esse fim, uma reflexão teórica sobre os aspectos morais associados a argumentos contra a educação bilíngue e em favor de movimentos English-only dentro do sistema educacional dos EUA, bem como sobre as suas implicações para a cidadania global, será construída por meio de uma análise crítica da literatura produzida na área. Demonstra-se que os argumentos a favor do uso exclusivo do inglês e contra a educação bilíngue parecem reforçar a necessidade de uma reforma educacional baseada tanto na teoria de Adela Cortina (2005) sobre ética mínima, quanto na proposição de Makoni e Pennycook (2007) a respeito da necessidade de uma desinvenção e reconstituição das línguas. Concluiu-se que uma análise crítica dos argumentos contra a educação bilíngue, e em favor movimentos educacionais English-only, parece reforçar a proposta de que os EUA podem estar enfrentando um período de transição entre uma condição de monismo moral para uma de pluralismo moral, ao mesmo tempo em que o pluralismo moral pode ser um pré-requisito para a cidadania global.
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Exploração ou gratidão? Patronagem íntima e a gramática moral das trocas sexuais econômicas entre jovens curtidoras e europeus mais velhos, expatriados, em Maputo – Moçambique.

Exploração ou gratidão? Patronagem íntima e a gramática moral das trocas sexuais econômicas entre jovens curtidoras e europeus mais velhos, expatriados, em Maputo – Moçambique.

Baseando-me na produção feminista pós-colonial amplio os marcos de análise existentes considerando como as trocas sexuais e econômicas das curtidoras com os homens nunca e[r]

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Urbanismo pós-colonial: materializar o imaterial

Urbanismo pós-colonial: materializar o imaterial

No início do século XIX, teve início a abolição Europeia da escravidão, quando se tornou evidente que uma economia de dinheiro, em vez da troca de escravos, e as exportações industriais em grande escala seria melhor servido por trabalho “livre” que poderia comprar bens europeus e entrar num sistema de tributação colonial em que os escravos não pagos não poderiam participar. O sistema de salários para os escravos começou a cortar no sistema mais antigo da escravidão. Como uma nação europeia relativamente pobre em capital, Portugal era lento para fazer essa transição, e a escravidão persistiu até ao século XIX. De forma limitada, houve até um ligeiro aumento no comércio de escravos neste momento na Guiné-Bissau, como a abolição resultou numa escassez relativa da oferta de escravos, forçou assim temporariamente o aumento da procura. Uma empresa de escravos brasileira ainda manteve os seus negócios em Bissau a partir do qual levou a grande parte dos escravos, mas os números anuais caíram para apenas algumas centenas por ano. Apesar da lenta propagação do movimento abolicionista, Portugal agiu com mais frequência na violação das restrições e nos acordos para limitar o comércio de escravos.
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A literatura no Boletim Cultural da Guiné-Portuguesa (1946 a 1973): uma leitura pós-colonial do conto “Tribulações de um balanta”

A literatura no Boletim Cultural da Guiné-Portuguesa (1946 a 1973): uma leitura pós-colonial do conto “Tribulações de um balanta”

ABSTRACT: The article proposes a reading of “Tribulações de um balanta” - a fi ction story published in the Boletim Cultural da Guiné-Portuguesa - to critically analyze both: colonizer imaginary, because it is a characteristic aspect of colonization process, as well as Guinean cultural expression given by this Eurocentric bias. In the analysis of this narrative, it is verifi ed the silencing marks imposed on the Guinean community. On the other hand, despite of a colonial context, the narrative reveals Guinean traditions, beliefs and values that contribute to the formation of ethnic-cultural identity of Guinea-Bissau. In the Bulletin, Guiné-Portuguesa appears as an “invention”, dealing with literature as locals colonizing/domesticate tool through bulletins and literature, positioning itself as an authoritative and legitimate voice to denominate them in this world. This article works with post-colonialist critics, such as: BONNICI T., CANDIDO, Antônio. CÉSAIRE, Aimé. GLISSANT, Edouard. E NAYAR, Pramod K.
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ESTUDOS DE MÍDIA DO ESPORTE E A (RE)PRODUÇÃO DE IDENTIDADES

ESTUDOS DE MÍDIA DO ESPORTE E A (RE)PRODUÇÃO DE IDENTIDADES

Conceitos como raça ou classe empregados de forma determinista em abor- dagens essencialistas têm sido descartados pelos pós-estruturalistas como sendo per- niciosamente fundantes, entretanto, isso pode ter levado os críticos a ignorar aspec- tos do Eu social que podem ser concretizados em relações e locais reais. Por exemplo, teóricas feministas pós-modernas como Judith Butler e Joan Scott alegam que o conceito de identidade exerce uma “violência silenciosa” ao excluir e obliterar gru- pos sociais marginalizados de várias comunidades (1992, p. xiv). Infelizmente, se- gundo argumentam Satya Mohanty (1997), Paula Moya (2000), e Linda Martín Alcoff (2000), essas críticas deslegitimizam todos os relatos de experiências, conhecimento fundamentado e localização social, apesar de a identidade continuar tendo efeitos concretos sobre conhecimento, relações e recursos, e apesar de a identidade conti- nuar sendo um aspecto crucial para a organização política de muitos grupos histori- camente marginalizados. Ampliando essa observação até a nossa área, as categorias de identidades baseadas em nacionalidade, gênero, capacidade, orientação sexual e idade são categorias usadas primordialmente pelos organizadores de grandes even- tos esportivos internacionais e por todas as pessoas envolvidas no ativismo esporti- vo. Portanto, é indispensável que os estudiosos do esporte reconceitualizem uma abordagem não-essencialista de identidade, que levem em consideração as condi- ções materiais, a localização social, os aspectos cognitivos e experienciais da identifi- cação, e que não descartem a identidade. A identidade afeta a agência, a corporificação e as relações sociais. Em termos gerais, a relevância política de identidades reais, argumenta Moya, é superestimada pelas abordagens essencialistas e subestimada pelas abordagens pós-modernistas (2001, p. 5). Da mesma forma, Mohanty lem- bra-nos que as complexidades políticas e epistêmicas das identidades sociais e cultu- rais são reais, mas elas são ignoradas pelo ceticismo da abordagem pós-modernista e pelo essencialismo das políticas de identidade (2000, p. 43).
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A mulher como sujeito subalterno no conto Liberdade Adiada, de Dina Salústio

A mulher como sujeito subalterno no conto Liberdade Adiada, de Dina Salústio

Tais teorias que contemplam, em sua maioria, a figura da mulher de países periféricos, a figura feminina que não teve acesso à educação, que vive em países onde o índice de desenvolvimento humano é baixo e, geralmente, tem muitos filhos, tornando-se prisioneira do lar. Teorias feministas pós-coloniais podem ser utilizadas no estudo da escrita de Dina Salústio, visto que nasceram com a ideia de subverter padrões de raça, cor e gênero. Em sua coletânea Mornas eram as noites, ela traz histórias tensas e breves, sobre mulheres de todos os tipos, histórias de vida, histórias híbridas entre prosa e poesia. Os contos são lidos em uma “sentada”, mas sua brevidade não extingue sua intensidade, como afirma Antônio Manuel Ferreira,
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A LITERATURA AFRICANA PELO VIÉS DO LIVRO DIDÁTICO

A LITERATURA AFRICANA PELO VIÉS DO LIVRO DIDÁTICO

As literaturas africanas de língua portuguesa constituem um material de análise importante para se repensar a pouca circulação desse tipo de literatura no meio acadêmico e nos programas de literatura das escolas do ensino médio brasileiro, principalmente, quando se sabe que grande parte dos docentes de língua portuguesa admite ter dificuldade na abordagem das temáticas voltadas à história da África e às literaturas africanas, seja por conta de uma formação acadêmica incipiente no tratamento desses conteúdos, seja pela falta de material didático específico. Tomo como base essa premissa por ser professora de literatura no ensino médio e por vivenciar a realidade de ausência de propostas didáticas voltadas para esse campo literário e por perceber como o assunto é tratado nos livros didáticos de língua portuguesa.
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A literatura colonial brasileira na história literária de Eduardo Perié

A literatura colonial brasileira na história literária de Eduardo Perié

Entretanto, como sua obra visa à coleta e à crítica dos escritores brasileiros do período colonial, dá prosseguimento ao trabalho, citando um conjunto de três poetas cristãos e suas relações com a Inquisição: Antônio Pereira Sousa Caldas, Frei Francisco de São Carlos e José Elói Otoni. São suas obras que preenchem o período dos anos iniciais do século XIX, até o aparecimento de dois nomes mais importantes, que fecham o ciclo colonial: José Bonifácio de Andrada e Silva e Hipólito José da Costa. Ao mencionar o primeiro, cujo nome enche por si só um período, Perié parece concordar pela primeira vez com Varnhagen, que concede ao patriarca da Independência uma posição singular na história brasileira, e justifica que, pela sua importância, será objeto de estudo no segundo volume da História colonial, reafirmando, novamente, seu propósito de dar continuidade a um projeto mais amplo sobre a literatura do Brasil. É, contudo, ao segundo que dedica sua atenção e elogios. As relações do jornalista brasileiro com o contexto de sua época, a prisão em Portugal por ordens da Inquisição, a fuga do cárcere com o auxílio da Maçonaria e a fundação, em Londres, de um jornal brasileiro em oposição ao governo imperial, tornam Hipólito da Costa uma figura proeminente aos olhos de Perié e responsável pela retomada da vida literária brasileira. A aparição do Correio Brasiliense, em Londres, em 1809, encerra, para o autor da História da literatura nos tempos coloniais, o período da literatura colonial e inaugura o ciclo do Império, pela retomada da discussão das questões nacionais e pelo desenvolvimento da cultura, através da imprensa.
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Decolonialidade e perspectiva negra.

Decolonialidade e perspectiva negra.

Esse primeiro grande discurso que inventa, classiica e subalterniza o outro é tam- bém a primeira fronteira do nascente sistema mundo moderno/colonial. Do ponto de vista políico-ilosóico essa fronteira é estabelecida pelo princípio da “pureza de sangue” na península ibérica – que estabeleceu classiicações e hierarquizações en- tre cristãos, mouros e judeus – e pelos debates teológicos da Escola de Salamanca em torno dos “direitos dos povos”, que deiniu a posição de indígenas e africanos na escala humana (Dussel, 1994). Esse primeiro grande discurso que impôs as pri- meiras diferenças coloniais no sistema mundo moderno/colonial passa, posterior- mente, por sucessivas transformações, tais como o racismo cieníico do século XIX, a invenção do oriental, a atual islamofobia etc.
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CULTURA E LITERATURA NA AMÉRICA-LATINA, O ESPAÇO CULTURAL AMAZÔNICO E A LITERATURA INDÍGENA

CULTURA E LITERATURA NA AMÉRICA-LATINA, O ESPAÇO CULTURAL AMAZÔNICO E A LITERATURA INDÍGENA

Para José Luís Jobim (2013, p. 1) “há diversos modos de ver o passado na história literária”. Vários podem ser, portanto, os princípios empregados nos modos de ver e de compreender o passado. Reconhecendo a validade desse princípio teórico, não podemos negar que, quando falamos de América Latina, tanto da cultura, em geral, quanto da literatura, em particular, fica difícil esquecer que estes são fenômenos que se materializaram como manifestações de uma herança que também remonta às origens da latinidade. Ou seja, difícil, senão impossível, negar a herança da expansão colonial e cultural europeia. A América Latina tem de ser pensada “na condição de herdeira linguística e cultural da Europa, teve sempre suas literaturas entrelaçadas com as do outro lado do Atlântico”. (Perrone-Moisés, 2007, p. 11)
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Ensaio sobre a ciência na transitividade da linha abissal: da crítica social ao pensamento pós-colonial

Ensaio sobre a ciência na transitividade da linha abissal: da crítica social ao pensamento pós-colonial

do referencial (de)colonial permite desvelar os pressupostos ocidentais da ciência moderna e seu discurso hegemônico a serviço de uma visão ideológica e política que pretende demarcar uma linha entre centro e periferia, entre dominadores e seus subalternos. Nesse sentido o conhecimento, saberes e práticas tradicionais dos povos originários e reduzida à condição de pseudociência a qual deve ser ignorada ou se possível suprimida. Para romper com essa lógica é preciso desconstruir o discurso “West/Rest”, conforme destaca Stuart Hall, e avançar para a percepção do outro não mais como o “incompleto”, mas como
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