Literatura - Resenhas

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Eis a pergunta que permite ao texto ver a relação nascente entre a rapariga e o falcão, figura que surge da vontade de mudança, poderosa força propulsora de livros futuros: “que aliança se irá formar entre uma mulher que esconde o seu repto, uma ave de rapina e um texto de rapto?” (p. 248). Aossê, “um pequeno falcão sem sinal corporal de ave de rapina”(p. 241), é o vector da Quimera. Pressentindo que a literatura está a morrer e que os seis hóspe- des “aspiram a um futuro sem dor desconhecida”, Aossê toma uma “decisão absolutamente radical __________ transformar o seu poema no receptáculo de vários futuros, um poema que, sendo quimérico, abra o humano para a prática jubilosa do imprevisível”: “decide cho- car uma vontade nova e absolutamente surpreendente”. O poeta compreendeu que “o texto tem várias vozes”, o que lhe permite vários futuros possíveis, mas não entendeu que, “no momento da montagem, ele não se cala, pura e simplesmente torna-se inaudível”. Aossê “via nos planos dos livros futuros”, enquanto a escrevente vai “vendo o que o texto quer dizer, alterando a ordem cronológica das folhas, por vezes, escritas com muitos anos de diferença, relacionando e desrelacionando extractos e fragmentos, tentando perceber os seus diversos tons de voz porque o texto não tem uma maneira única de se dizer, / está todo escrito, mas precisa de ser montado” (p. 264-265).
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Resenhas

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A primeira parte do ensaio, intitulada “Estética e realidade no neo-realismo”, ilumi- na, em visão tanto panorâmica quanto abrangente, algumas das polêmicas que se trava- ram, no âmbito da literatura e no palco cultural português, a partir do final da década de 30. Tendo o cuidado de evidenciar que os teóricos do movimento se dividiam entre os que ra- dicalizavam o pressuposto de que a literatura era reflexo e os que optavam por um pensa- mento mais flexível sobre as relações entre ficção e realidade, e que uns e outros se iguala- vam ao atribuírem à arte o sentido de veículo de desmistificação e de efetiva transformação da cena social, o A. argumenta que eles não conseguiram clareza na distinção entre o modo de produção do objeto artístico e sua consecução prática. Através de uma argumentação só- lida e questionadora, expõe as contradições e os equívocos de um movimento detentor, co- mo qualquer outro, de fracassos e sucessos, e focaliza suas motivações ideológicas, temáti- cas e crítico-literárias e as díades tradutoras e traidoras de suas “boas intenções”: dogmatis- mo/fragilidade teórica, compatibilidade/incompatibilidade entre engajamento político e for- malismo artístico, eficácia/frustração do empenho didático das obras em face do tema-alvo das mesmas e do caráter de mercadoria do objeto livro. Com rigor metodológico, o A. obser- va que o neo-realismo, ao defrontar-se com a cultura que pretendia combater foi por ela en- volvido, pois só soube investigar o real a partir de verdades apriorísticas, desconhecendo que o poder revolucionário da arte consiste na capacidade, que lhe é peculiar, de ultrapas- sar o codificado pela invenção de outras possibilidades de experiência e vivência da realidade. A segunda e a terceira partes do livro são dedicadas à construção do sentido no ro- mance Barranco dos cegos e se desenvolvem a partir do reconhecimento de que tal obra ilustra mudanças processadas pelo desenvolvimento histórico e diferenças na concepção de literatura do romancista Alves Redol que, como a do próprio Movimento, evoluiu da prag- mática ideológica ao empenho artístico. A segunda parte, intitulada “A ficção da realida- de”, está subdividida em quatro capítulos em que se investigam as forças simbólicas com que se efetiva a construção social da realidade no romance. Para tanto o A. busca seu opera- dor teórico em Thomas Luckmann e Peter Berger, explorando “as instituições” e “os níveis LIMA, Francisco Ferreira. Do inventário à invenção Do inventário à invenção Do inventário à invenção Do inventário à invenção Do inventário à invenção; Redol e o neo-realismo. Feira de Santana: UEFS, 2002. 180p. Coleção Literatura e Diversidade Cultural 7.
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A construção da crítica em resenhas produzidas por alunos.

A construção da crítica em resenhas produzidas por alunos.

Alguns autores dizem que a resenha deve ser feita por especialistas, visto que eles é que teriam conhecimento suficiente para avaliar, comentar, comparar um livro ou filme. Isso é bastante coerente. Afinal, apenas um especialista poderia comparar uma obra com outras do mesmo autor ou de autores diferentes. Só um especialista teria autoridade para a crítica. Então, por que a resenha de um livro de literatura brasileira é pedida para um aluno que não é especialista, e talvez nunca o seja? Por ser um exercício acadêmico e político. Souza e Carvalho (1999) corroboram, afirmando que as recensões variam na forma e no conteúdo de acordo com a qualificação do seu autor (p. 55), utilizando recensão como sinônimo de resenha crítica. Outra justificativa é que nem sempre foi assim.
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Sobre resenhas científicas

Sobre resenhas científicas

Zuccala e Van Leeuwen (2011), em seus estudos empíricos nas áreas de história e literatura, igualmente revalorizam o exercício das resenhas e as tipificam em duas formas: aquelas de tipo 1, que referenciam apenas o livro analisado; e as de tipo 2, que servem-se também de outras fontes científicas. Esses mesmos estudos revelam que, enquanto as de tipo 1 são mais comumente publicadas, as de tipo 2 contam com maior potencial analítico.

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Nesse ponto, é importante compreender a diferença de sua proposta em relação às leituras que pensam a literatura enquanto representação. Nestas, pressupõe-se a todo momento, em Grande Sertão, a noção de representação, mesmo se contraditória, da unidade e identidade de uma referência à realidade histórico, política e social do país; da unidade de um indivíduo, mesmo se problemático; da unidade de um estilo ou de uma língua, sua adequação e verossimilhança, mesmo se mesclada. Já a leitura de Han- sen aponta todo o tempo para a dissolução, no romance de Rosa, da representação, da identidade, das unidades, da adequação e da verossimilhança. Pensada como aconteci- mento, apresentação, e não como re-presentação, a literatura age nos efeitos que cria, e é sempre uma atuação que é ética, uma decisão que é política, uma efetuação, ainda mais no caso de Rosa, de uma utopia – fazer falar um “indizível”, um impensável, atra- vés da reiteração de um princípio negativo que opera dissolvendo as certezas e as múl- tiplas interpretações. Por isso, ao fazer a crítica das leituras críticas, Hansen mostra co- mo suas determinações tentam abarcar ou conter o indeterminado. Pode-se então com- preender melhor sua estratégia ou política de intervenção.
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Está aí mais um aspecto que revela o universo multifacetado de Ana Hatherly: seu trabalho fronteiriço com as artes plásticas reunido em volumes como o acima mencio- nado, e em Mapas da imaginação e da memória (Moraes Ed., 1973), O escritor (1973), Hand Made – obra recente (C.A.M./Fundação Calouste Gulbenkian, 2000), entre ou- tros. Do mesmo modo, ressaltamos a sua atividade de ficcionista, sendo o romance O Mestre (Arcádia, 1963; Quimera, 1995) o mais conhecido, tendo sido fruto de algumas teses sobre literatura portuguesa no Brasil. Para finalizar, Ana Hatherly começou a es- crever porque teve sua carreira musical interrompida; depois exerceu a atividade de crí- tica de música em vários jornais portugueses e também trouxe grande contribuição aos estudos literários com suas investigações no campo da arte barroca, sendo o seu traba- lho de maior importância entre nós o seu livro A experiência do prodígio: bases teóri- cas e antologia de textos-visuais portugueses dos séculos XVII e XVIII (Lisboa: Impren- sa Nacional/Casa da Moeda, 1983).
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O comentário do excepcional crítico português reconhece uma realidade que, muitas vezes, os portugueses parecem ignorar: a existência de leitores brasileiros da maior qualidade que têm se dedicado a estudar, a compreender e a divulgar a literatu- ra portuguesa, por acreditarem na paixão da escrita sem fronteiras e na importância do conhecimento de uma literatura de língua portuguesa que, sendo outra, é nossa também. Por outro lado, sendo uma obra publicada em Portugal, há o risco de circu- lação restrita no Brasil, pelas muitas dificuldades, infelizmente, que envolvem a co- mercialização de livros estrangeiros. Oxalá a editora Angelus Novus, que vem se fir- mando no panorama editorial português como responsável por uma coleção de pu- blicações das mais competentes e renovadoras, na área de literatura, teoria e crítica, consiga abrir espaço para veiculação de seus títulos no circuito universitário brasi- leiro, especialmente deste que muito poderia contribuir, entre nós, para o aumento de estudos e pesquisas sobre a poesia portuguesa.
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A BIGB é a única bibliografia brasileira sobre o assunto, apresentando um arranjo pouco prático, e um critério de inclusão subjetivo, que ultrapassa a área que deveria abranger. O método utilizado objetivou solucionar os proble- mas causados pelo arranjo, tendo sido incluídos apenas os trabalhos publicados em seriados. A análise da literatura, incluindo 1836 trabalhos e 285 seriados, feita através de tabelas e gráficos, evidenciou uma distribuição tipo Zipf, levando, entre outras, às seguintes conclusões: a Geologia, no Brasil, é um campo em latente desenvolvimento; não há um conjunto de seriados constituindo um núcleo expressivo, nem dispersão da literatura — mas um esforço pouco rentável quanto à inclusão, na BIGB, de seriados de baixa produção e de seriados estrangeiros já incluídos em outras biblio- grafias. A criação de um banco de periódicos é sugerida, como solução à parte dos problemas demonstrados. LMF
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A organização retórica de resenhas acadêmicas

A organização retórica de resenhas acadêmicas

A análise de gêneros textuais voltada para gêneros socialmente situados dentro da prática familiar, escolar, profissional ou acadêmica constitui um rompimento com a abordagem tradicional, que privilegia o estudo de gêneros da literatura ou da retórica clássica. O presente trabalho investiga um gênero textual socialmente representativo nos ambientes escolar e acadêmico: a resenha, considerada em duas de suas modalidades: a) como gênero produzido por estudantes, no cumprimento de tarefas escolares no contexto de um curso de graduação em Teologia (aqui denominadas resenhas de aluno – RA); e b) como gênero produzido por escritores proficientes, também na área de Teologia (aqui denominadas resenhas de especialistas – RE). Ambas as modalidades de resenha, aqui tomadas como objeto de estudo, são consideradas “acadêmicas”, por serem gêneros que encontram seu contexto retórico privilegiado no interior do ambiente acadêmico. As resenhas RA, por se configurarem como um instrumento de introdução ao diálogo acadêmico no processo de ensino e aprendizagem do referido curso de graduação, e as resenhas RE, por serem produzidas, em geral, por professores de seminários e faculdades teológicas e publicadas em periódicos dirigidos à comunidade acadêmica formada por professores e alunos de instituições de ensino teológico.
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RESENHAS EDIÇÃO 22 — Outubro Revista

RESENHAS EDIÇÃO 22 — Outubro Revista

Assim, os revolucionários africanos não são retratados como meros apêndices de um processo que se decidiu na metrópole, mas agentes decisivos da própria crise do Estad[r]

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Resenhas Bibliográficas: Sustentabilidade: O Que É, O Que Não É.

Resenhas Bibliográficas: Sustentabilidade: O Que É, O Que Não É.

Boff afirma que as estratégias que aplicam os poderosos (entende-se por governos e empresas), existem para tentar salvar o sistema financeiro e não para salvar a civilização e garanti[r]

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A TESSITURA DE RESENHAS CRÍTICAS NO CURSO DE ENFERMAGEM

A TESSITURA DE RESENHAS CRÍTICAS NO CURSO DE ENFERMAGEM

Esta atividade de socialização de resenhas críticas - produzidas por acadêmicos da 7ª fase de Enfermagem da Unoesc Xanxerê - objetiva dar visibilidade ao conhecimento construído a partir da esfera da sala de aula: em encontros presenciais e, também, com os desafios impostos pela Covid- 19, em aulas on-line, mediadas pela tecnologia, transpondo as paredes da Universidade, ao alcance da comunidade acadêmico-científica. No componente de Produção Textual solicitou-se a leitura de artigos científicos da área de Enfermagem, buscando ampliar o repertório de leitura dos acadêmicos e estabelecer diálogo intertextual com a ementa. A publicação ora proposta contribui com a disseminação do conhecimento produzido na Unoesc e com a qualificação dos acadêmicos deste curso.
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O texto "Improviso em abismo para homenagem", de Italo Moriconi, estabelece uma produtiva r e l a ç ã o entre os romances Em Liberdade, de Silviano Santiago, e Respiração Arti[r]

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RESENHAS EDIÇÃO 21 — Outubro Revista

RESENHAS EDIÇÃO 21 — Outubro Revista

“A resposta de Berman pode ser elucidativa da recepção que seu livro teve no Brasil de meados dos anos 1980, ao destacar as ideias de experiência cotidiana, de liberdade individual, de[r]

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RESENHAS EDIÇÃO 20 — Outubro Revista

RESENHAS EDIÇÃO 20 — Outubro Revista

Ao sugerir que compreendamos "a ideologia burguesa como a negação da subjetividade operáriil' nosso autor refaz os passos de Marx e Engels numa difícil dialética que se esforça em [r]

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RESENHAS EDIÇÃO 19 — Outubro Revista

RESENHAS EDIÇÃO 19 — Outubro Revista

O desafio de ler Gramsci aparece, assim, como sugere Bianchi, como o desafio de assumir a provisoriedade da obra do marxista sardo, condição plenamente assumida pelo autor d'o labora[r]

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RESENHAS EDIÇÃO 17 — Outubro Revista

RESENHAS EDIÇÃO 17 — Outubro Revista

É curiosa essa defesa política da gestão da prefeita Erundina em São Paulo (2006, p. 217 e 224), ambos criticados por Davis, pois Maricato considera a crítica de Davis “pouco circuns- [r]

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A distribuição das informações em resenhas acadêmicas

A distribuição das informações em resenhas acadêmicas

Por sua vez, os estudantes, ao produzirem uma resenha, nem sempre a encerram com a recomendação da obra para um certo público. A razão para esse procedimento de alunos e alunas certamente tem a ver com o propósito comunicativo da produção das resenhas solicitadas pelo professor. Embora a orientação normativa imposta aos estudantes para guiá- los na execução da tarefa estabelecesse que eles deviam indicar “a quem se destina” a obra (ver Anexo A), como membros legítimos da comunidade de estudantes, eles sabiam que “recomendar” fugia ao propósito comunicativo de um texto produzido para ser lido unicamente pelo professor. Não havia um público receptor a quem fosse necessário recomendar a leitura das obras que geraram as resenhas. O professor com certeza já as lera e certamente não esperava dos alunos uma recomendação de leitura. No entanto, chama a atenção o fato de que os professores e professoras demonstram não perceber o equívoco, ao definirem as normas para os estudantes. Como os estudantes bem percebem, e fazem refletir na construção de seus textos, o propósito comunicativo de uma resenha acadêmica, produzida como tarefa escolar, expressa-se em termos de descrever e avaliar criticamente uma certa obra para submissão ao professor. Para executar esse procedimento, a “recomendação” é
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