Militância política

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Limites e possibilidades da militância política em um movimento social rural de mulheres.

Limites e possibilidades da militância política em um movimento social rural de mulheres.

Resumo: Em um contexto de lutas de gênero, nas últimas três décadas, diferentes movimentos sociais rurais de mulheres contribuíram para a produção e reconhecimento da trabalhadora rural como sujeito político de direitos. Neste artigo, com o objetivo de analisar limites e possibilidades da militância política em um movimento social rural de mulheres, articulam-se os temas lutas de gênero e subjetividades. Para tanto, são retomadas e ampliadas reflexões apresentadas em pesquisa que fundamentou a tese de doutorado, realizada no período de 2006-2010. As informações empíricas que possibilitaram a elaboração da referida pesquisa foram obtidas por meio das pesquisas documental e etnográfica, com a realização de entrevistas, o acompanhamento e a observação de atividades desenvolvidas por um movimento social rural de mulheres em três municípios da Região Sul de Santa Catarina. O processo de envelhecimento feminino e a aposentadoria, os modelos locais de agricultura, o êxodo expressivo de parcelas da população rural, a não inserção e a participação restrita de mulheres mais jovens em atividades locais do movimento se apresentam como condições de possibilidade na análise dos limites da militância política.
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DE GÊNERO, RELIGIÃO E MILITÂNCIA POLÍTICA:  MULHERES METODISTAS E RESISTÊNCIA À DITADURA  CIVIL-MILITAR NO BRASIL

DE GÊNERO, RELIGIÃO E MILITÂNCIA POLÍTICA: MULHERES METODISTAS E RESISTÊNCIA À DITADURA CIVIL-MILITAR NO BRASIL

A contestação do regime político vigente não foi o único argumento utilizado para reprimir as mulheres participantes de movimentos de resistência. Os depoi- mentos daquelas que foram perseguidas pelo governo testificam que seus torturadores as torturavam também porque não estavam cumprindo seu pa- pel como mulheres, papel este entendido como o de “boas filhas, esposas e mães”, e também de “boas religiosas”. Os limites da casa seriam o espaço possível e autorizado para as mulheres. Sair da casa, tomar as ruas e levan- tar a voz contra a ordem estabelecida provoca anomia e demanda controle. Essa atitude das mulheres desmontou a fórmula do feminino domesticado, tão cara à ordem estabelecida. Contrariando os intentos reguladores do go- verno, elas tiveram uma importante agência política nesse período. Além de participarem de manifestações contra o governo militar, de apoiarem fugitivos, sejam eles seus parentes ou não, e de ajudarem com infraestru- tura, as mulheres participaram também de organizações que confrontaram o governo ditatorial brasileiro. Elas participaram da Aliança Libertadora Nacional (ALN), do MR-8, do PCdoB, do PCBR, da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), da VAR-Palmares, da Organização Revolucionária Marxista Política Operária (POLOP) e do Comando de Libertação Nacio- nal (COLINA).
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SECONDINO TRANQUILLI OU IGNAZIO SILONE: DA MILITÂNCIA POLÍTICA À ATIVIDADE LITERÁRIA

SECONDINO TRANQUILLI OU IGNAZIO SILONE: DA MILITÂNCIA POLÍTICA À ATIVIDADE LITERÁRIA

A esses três momento identificados por D’Eramo poderia ser acrescentado um quarto que vem à luz junto às comemorações do centenário de nascimento do autor, em 2000. A publicação do livro L’informatore: Silone, i comunisti e la polizia de Dario Biocca e Mauro Canali é o marco de uma discussão iniciada em 1996 que aponta Silone como um informante da polícia política fascista (OVRA). Os documentos levantados por Biocca e Canali são assinados por Silvestri, identificado como mais um pseudônimo do autor de Fontamara. Desde esse primeiro livro de acusação, tantos outros já foram publicados e vários intelectuais também já se pronunciaram em defesa de Silone, como Norberto Bobbio, Indro Montanelli e Giuseppe Tamburranno. A tese defendida por Biaocca e Canali não se sustenta, apesar de os autores demonstrarem todo um processo de pesquisa e de busca de documentação em arquivos do estado italiano. Essa polêmica indevida, todavia, trouxe à tona novamente o nome e a obra de Silone e comprova que os dados de uma história recente, como é o período fascista, devem ser tratados com cautela.
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A cobertura jornalística das greves gerais de 2017:  paradigma de protesto ou militância política

A cobertura jornalística das greves gerais de 2017: paradigma de protesto ou militância política

O movimento feminista e o de trabalhadores rurais são casos relevantes a se observar: antes mesmo das greves gerais de abril e junho, o movimento feminista já havia convocado para o dia da mulher, 8 de março de 2017, uma greve geral de mulheres que tinha como mote a rejeição das reformas de Temer, com destaque para as consequências específicas que estas tinham sobre as jornadas de trabalho da população feminina e rural. O Manifesto – Movimentos de Mulheres Contra a Reforma da Previdência Social Convocam Lutas para o Mês de Março de 2017, por exemplo, reuniu distintas vertentes da militância feminista e se opunha veementemente à equiparação do tempo de contribuição à previdência entre homens e mulheres e trabalhadores rurais e urbanos. O argumento de que essas parcelas da população são mais vulneráveis e encaram rotinas de trabalho mais extensas passou longe de qualquer conhecimento dos espectadores e leitores dos grandes meios de comunicação (Amb, 2017). Por outro lado, o posicionamento oficial do governo federal foi amplamente coberto pelos jornais.
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Ação política, transformação social e reconstrução de identidades: um olhar a partir do feminismo para a militância das mulheres rurais nos movimentos sociais

Ação política, transformação social e reconstrução de identidades: um olhar a partir do feminismo para a militância das mulheres rurais nos movimentos sociais

A presente pesquisa teve como principal objetivo identificar e analisar as transformações ocorridas nas dimensões da identidade e na posição de sujeito das mulheres rurais que exercem militância política em movimentos sociais rurais no Ceará. Buscou também apreender se a vinculação ou aproximação com o feminismo, seja como ideologia/visão de mundo, teoria ou movimento social, constitui um diferencial para a mudança de posição de sujeito das mulheres militantes, contribuindo para que estas sejam mais autônomas, tanto nos movimentos em que militam como em sua vida cotidiana no âmbito das relações familiares. A análise concentra-se nas experiências de mulheres militantes de três movimentos sociais: Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste – MMTR/NE, Movimento Sem Terra – MST e Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais – MSTTR. Analisa também as experiências de mulheres rurais que não militam em movimentos de forma a poder identificar e problematizar diferenças e semelhanças entre os dois grupos, constatando ou não se a militância política provoca transformações significativas nas dimensões da identidade e nas práticas cotidianas das mulheres militantes. São conceitos-chave neste estudo: identidade, sujeito, transformação social e militância. Esta reflexão toma como base os princípios epistemológicos, teóricos e metodológicos das Teorias Feministas e do Marxismo. Para dar contar de apreender melhor o objeto de estudo, adotou-se como procedimento metodológico a pesquisa qualitativa, numa abordagem feminista, colhendo os dados empíricos através de entrevistas coletivas (grupo focal) e individuais, observação participante, bem como a análise de documentos. As conclusões indicam que a militância política em movimentos sociais, ainda que não seja suficiente para constituir as mulheres como sujeitos plenos de si, contribui de forma significativa para que estas mulheres ajam e se coloquem em suas vidas, política e privada, com mais autonomia
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Portugal, entre colonialismos e fascismos, na visão de Fernando Rosas

Portugal, entre colonialismos e fascismos, na visão de Fernando Rosas

História muito marcada pelo preconceito medievalista e conservador, pela História Moderna, no sentido mais conservador do termo e referido ao Antigo Regime, e o curso de História era completamente desinteressante. E como eu tive, a seguir ao 25 de Abril, um investimento forte na militância política, militância política profissional, primeiro na clandestinidade e depois na luta política que se seguiu à Revolução, voltei a ter tempo de me dedicar a esses assuntos, sem dúvida foi para a História de Portugal, cuja História Contemporânea estava a despertar, em grande parte pela obra de jovens investigadores formados em Paris, em Londres e em outros países europeus, e que traziam essas novidades e essa nova historiografia para Portugal. Até então, a nossa História do século XX era completamente desconhecida. E, portanto, eu fui para História para em certo sentido responder a esta pergunta que a minha vida de militância política trazia: como foi possível durar, por quase meio século, uma ditadura como a salazarista? Essa foi a interrogação de base que me levou a desencadear os estudos sobre a História do Estado Novo português, da qual eu fui dos primeiros investigadores.
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Rev. Estud. Fem.  vol.26 número1

Rev. Estud. Fem. vol.26 número1

Buscando aliar aspectos teóricos à militância política atual, o capítulo “Ditaduras, marcas e permanências”, de Ana Maria Veiga, relaciona aspectos da pesquisa histórica desenvolvida no Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que estuda as redes de informação e de circulação de discursos e de teorias entre feministas do Brasil e Argentina entre 1970 e 1985, ao “Levante do Bosque” ocorrido recentemente no campus Florianópolis da UFSC. A autora chama a atenção em seu texto/manifesto como os conceitos de gênero e de liberdade devem ser constantemente revisados na sociedade para que a repressão não ocupe seu antigo lugar de poder institucionalizado. As permanências durante os períodos observados pela autora nos fornecem um importante panorama do quanto as discussões teóricas e a militância/ mobilização devem estar aliadas no combate às várias formas de opressão que nos rondam cotidianamente.
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Trajetória e Ação Educativa do Jornal A Plebe (1917-1927)

Trajetória e Ação Educativa do Jornal A Plebe (1917-1927)

“Criada como instrumento das greves de 1917” (Khoury, 1988, p. 8), A Plebe foi marcada, no seu primeiro ano de existência, pela militância política sustentada no anarco - sindicalismo. Seus editores, Edgar Leuenrouth e Florentino de Carvalho, fizeram veicular no periódico, principalmente artigos que conclamavam o operariado à mobilização política e à sindicalização. A ordem era fazer greves, boicotar a produção, boic otar o consumo de determinados produtos, lutar por melhores salários, pela diminuição da jornada de trabalho. Enfim, em 1917 a luta, a formaç ão do trabalhador, a constituição da sociedade ácrata passavam ou deveriam passar diretamente pelos sindicatos. O jornal, editado em quatro páginas, dedicava a terceira apenas para os anúncios de greve e mobilização do operari ado.
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Open Por uma hegemonia sobre a loucura: Invenções e lutas de saberes pela insanidade em Campina Grande  dos anos 60 aos dias atuais

Open Por uma hegemonia sobre a loucura: Invenções e lutas de saberes pela insanidade em Campina Grande dos anos 60 aos dias atuais

Além desses fatores referentes à discussão teórica e ao surgimento de uma militância política reformista, temos também outros fatores responsáveis para o surgimento[r]

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Educação, militantismo católico e filosofia no Brasil.

Educação, militantismo católico e filosofia no Brasil.

O mesmo modo de acesso ao internacional — ao Instituto Superior de Filosofia, na Universidade Católica de Louvain, onde realizou sua tese de dou- torado — foi utilizado por José de Anchieta Corrêa, ex-presidente da SEAF. O filósofo entrou nos movimentos católicos de esquerda quando fazia seus estu- dos secundários no Colégio Estadual de Belo Horizonte, fortemente influenci- ado por Frei Matheus Rocha. Após o desmantelamento da JUC e da AP, tendo participado da fundação desta última, ele foi condenado e ficou preso durante quase um ano até conseguir exilar-se na Bélgica e estudar na Universidade Católica de Louvain (UCL), em 1966. Contou, para tanto, com a ajuda de uma bolsa de estudos da própria instituição da UCL, cedida graças aos religi- osos envolvidos no trabalho de militância política.
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Anarquismo em papel e tinta: imprensa, edição e cultura libertária

Anarquismo em papel e tinta: imprensa, edição e cultura libertária

dimensão de fonte-documento-memória 7 e abrindo-se espaço para a discussão dos periódicos anarquistas enquanto objeto de conhecimento. O peso que se dá aos jornais, entretanto, não deve sugerir que eles possam ser autonomizados. Ao contrário, são sempre fruto do desejo e do trabalho coletivo dos militantes libertários que aspiram à inserção social. Tomando na devida conta a indissociabilidade entre forma e conteúdo do impresso (o texto jamais existe isolado de sua materialidade), pretende-se explorar o conteúdo dessa imprensa sem, no entanto, poupar atenção às questões atinentes ao aspecto material dos impressos e à compreensão de que a significação de um texto se modifica à medida que mudam os dispositivos através dos quais ele é dado a público (CHARTIER, 1996; 1998b). Dessa forma, ao lado da investigação sobre o conteúdo dos jornais, nos perguntamos porque, por quem e como são feitos os jornais, discutindo as condições materiais de sua produção, as formas de sustentação dessa imprensa, a questão da periodicidade, circulação e recepção, relacionando esses aportes com os traços específicos da cultura política anarquista.
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Domingos Arouca: um percurso de militância nacionalista em Moçambique.

Domingos Arouca: um percurso de militância nacionalista em Moçambique.

Tendo em conta a evidência de que a unidade da FRELIMO esteve permanentemente ameaçada ao longo da luta contra o colonialismo, o momento em que o dr. Arouca retornou a Moçambique reunia condições de fato propícias à emergência de uma nova liderança política, nomeadamente de alguém que personificasse os interesses da linha nacional-independentista não revolucionária ou não marxista. Para tanto, pesava também o fato de que, em 1973, com a situação militar crescentemente desfavorável às Forças Armadas portuguesas, deu-se o início de um intenso processo de negociações políticas cujo desfecho veio a ser o golpe de Estado do 25 de Abril e os acordos para a transição para a independência (sob a liderança da FRELIMO), assinados em 7 de setembro de 1974. Na historiografia oficial, este processo, que resultou na declaração da independência a 25 de junho de 1975, é celebrado por meio de várias datas comemorativas. Contudo, muitos aspectos das negociações e atores envolvidos na constru- ção do projeto da independência jazem no esquecimento.
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Imaginários coloniais: propaganda, militância e “resistência” no cinema

Imaginários coloniais: propaganda, militância e “resistência” no cinema

O aniversário dos quarenta anos das independências africanas é o pretexto para analisar como é que o colonialismo português tem sido imaginado através da imagem em movimento. Nesta edição da revista Comunicação & Sociedade, a reflexão proposta pelos ensaios reunidos sob o título Imaginários coloniais: propaganda, militância e “resistência” no cinema é um contributo para o conhecimento dos homens e mulheres imaginados através do cinema pelo (pós-)colonialismo durante e após o Estado Novo (1926-1974).

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A igreja católica no processo de formação da classe trabalhadora

A igreja católica no processo de formação da classe trabalhadora

Minha hipótese é que, em primeiro lugar, a Igreja é contaminada no embate que trava na sociedade com os segmentos populares e os trabalhadores; depois, que a ditadura se instala para abafar os movimentos populares decorrentes dos embates políticos gerados pelos novos espaços da política, a Igreja se faz um desses espaços; em terceiro lugar, mesmo com a ditadura militar, novos espaços políticos são criados principalmente por se restringir, controlar ou se extinguir os espaços anteriores do fazer política, mas que esses novos espaços têm uma nova conformação por comportar segmentos da Igreja, dos partidos de esquerda e trabalhadores das mais diversas categorias. Martins (1984), ao apreciar as Comunidades Eclesiais de Base, o faz não as caracterizando como espaços da política de classes, não no sentido clássico, mas como espaços em que, se a política de classes está presente, não é ela que dá o tom, o que une e unifica a todos é a questão da justiça, da pobreza e da cidadania. Para dar conta de toda a riqueza explicativa de Martins esse espaço seria insuficiente, assim, ao escolher o trecho abaixo, o faço certo de que restringi a sua explicitação da ação das Comunidades Eclesiais de Base e da sua importância no contexto das lutas políticas e sociais que emergem nos anos de 1980. Martins fala da categoria explicativa pobre, eleita pelas CEBs para dar conta de todas as categorias que lutam por seu espaço político de expressão:
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Carmen Silva Silvia Camurça

Carmen Silva Silvia Camurça

Todo movimento social tem uma causa, suas idéias prin- cipais e sua forma de demonstrar suas posições, como, por exemplo, o jeito de fazer manifestação de rua, o modo como se reúne, como congrega pessoas novas, a maneira de divulgar suas idéias, como desenvolve a formação de sua militância etc. O uso das cores é um bom exemplo do modo diferente como cada movimento faz as coisas. No movimento sindical da CUT e no MST é o vermelho que prevalece; o movimento LGBT usa o arco-íris, o pessoal do movimento ecológico está sempre usando verde nos seus materiais; para o feminismo é o lilás.
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Opin. Publica  vol.23 número1

Opin. Publica vol.23 número1

Os fatores distintivos mais imediatos de uma forma ou de outra de recrutamento quanto à origem são renda/patrimônio e formação/ocupação profissional. Em partidos nos quais predomina o recrutamento democrático, devemos esperar membros de classes sociais e profissionais que vão desde aqueles com níveis menores de renda e escolaridade até os que têm níveis médios-altos com formação superior e os profissionais liberais. Esses partidos tenderão a ter bem mais indivíduos das classes baixa, média- baixa e média-média em suas fileiras, tanto na base como nas posições mais elevadas da organização. Por outro lado, em partidos nos quais predomina o recrutamento plutocrático, especialmente para sua elite, devemos encontrar um número mais elevado de membros das classes média-alta e alta, com níveis de formação superior e atuação no mundo empresarial, muitos sendo proprietários de empresas de médio e grande porte ou profissionais que atuam nessas esferas corporativas. Podemos esperar que um partido que privilegia recrutamentos plutocráticos reserve a maioria, se não a totalidade, de suas posições de direção e representação aos indivíduos oriundos das classes média-alta e alta, designando as funções de militância e de atividade burocrática aos recrutados de forma democrática, mas com um quadro reduzido de filiados na base.
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Trajetória de vida de intelectuais negros (as) : contribuição para a educação das relações étnico-raciais

Trajetória de vida de intelectuais negros (as) : contribuição para a educação das relações étnico-raciais

A pesquisa aqui apresentada está inserida no contexto de implantação do Parecer CNE/CP/003/2004 que visa a atender os propósitos da indicação CNE/CP 6/2002, que regulamenta a Lei 10.639/2003. O objetivo é contribuir com a educação das relações étnico-raciais tornando conhecidas e valorizadas as experiências de vida e as contribuições de intelectuais negros (as); experiências estas consideradas patrimônio da comunidade negra. As referências teóricas da investigação trazem discussões sobre intelectuais, intelectuais negros (as), discriminação racial, valorização da cultura de origem africana, educação patrimonial, memória de intelectuais negros (as), patrimônio cultural. A questão de pesquisa que norteia o estudo é: Que processos educativos presentes na trajetória de vida de pessoas negras as formam intelectuais negros (as)? Procuro saber, por meio dos relatos de situações vividas por intelectuais negros (as), colaboradores (as) da pesquisa, como foram se formando intelectuais, como superaram obstáculos e como se constituíram profissionais na sociedade sem, contudo, perderem de vista, sua origem étnico-racial e sua cultura de raiz africana. Na atividade de registrar a trajetória de vida de intelectuais negros (as) busquei observar os processos educativos que se desenvolveram nas suas práticas profissionais, de militância no contato com as pessoas que os cercam seja na família, no trabalho ou na comunidade entre outros ambientes. Nos relatos orais de vida, colhidos em entrevistas semi-estruturadas, busco identificar significados da experiência de se tornar um (a) intelectual negro (a). A análise dos dados foi feita sob a forma de descrição compreensiva com base na Fenomenologia, nesse processo, busco destacar processos educativos de que os (as) colaboradores (as) da pesquisa participaram em diferentes espaços de suas vidas: trabalho, família, comunidade. Nesses espaços os (as) intelectuais negros (as), construíram significados e representações de suas vidas. Construíram sua história e junto com sua comunidade de destino, reconstruíram e reconstroem a história do povo negro brasileiro. Suas experiências de vida revelam valores culturais, familiares, morais que orientaram suas vidas. Apontam possíveis caminhos de superação da discriminação racial e conquista de espaços de luta e denúncia. Incentivam aos mais jovens a continuarem a luta negra em busca de igualdade e justiça para seu povo negro.
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Pedro Augusto Motta: Militância Libertária e bo de Fogo

Pedro Augusto Motta: Militância Libertária e bo de Fogo

universal. As imagens parecem querer desenhar uma alegoria na mente do leitor, semelhante a algumas ilustrações publicadas no próprio jornal A Plebe. Apresenta em traços de luz o Primeiro de Maio, a data simbólica que ficou registrada no calendario da historia revolucionária do proletariado universal, tido como uma angustiosa lembrança e viva manifestação de revolta contra o despotismo da sociedade capitalista–burgueza. Denuncia os crimes da burguesia com a morte dos Mártires de Chicago, acusando o despotismo na sociedade presente. Como em outros artigos libertários sobre o Primeiro de Maio, o militante procura estabelecer os marcos da memória dos Mártires de Chicago, lutadores que teriam se sacrificado pelas ideias redentoras, inscrevendo na conjuntura de sua época essa memória, como uma ferramenta de luta e símbolo da resistência do operariado mundial. Opera a atualização da recordação do grande feito proletário da batalha pelas oito horas ao contexto concreto das lutas de seu tempo. Um tempo, tal como o da Tragédia de Haymarket, marcado pela exploração, pela dominação, por toda a sorte de opressões, como no caso dos imigrantes italianos nos Estados Unidos, Sacco e Vanzetti – presos e condenados a pena de morte devido à sua militância operária –, na perseguição e fechamento de associações operárias em São Paulo. Um tempo que, mais do que nunca, requeria a ação consciente dos trabalhadores para a luta infatigável pela Sociedade Futura.
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Tempos de leveza e liquidez : as revoluções cotidianas da militância contemporânea

Tempos de leveza e liquidez : as revoluções cotidianas da militância contemporânea

Os movimentos sociais da contemporaneidade lutam contra a devastação da globalização, que esmaga as culturas locais, buscando a construção de um novo ser humano, que não é apenas marionete do mercado. Além disso, estes movimentos reivindicam ética na política, exercendo um papel vigilante e chamando a atenção da população para o bem público. Quanto à autonomia, os movimentos sociais de hoje, diferentemente daqueles da década de 80, não entendem que ter autonomia é ser contra tudo e todos, dando as costas ao Estado. Ao contrário, acreditam que é preciso exercer a autonomia, sim, mas com projetos estratégicos. Atualmente, torna-se importante ser flexível, saber negociar, aliar a crítica à proposição de novas formas de agir, interferindo nas políticas públicas e apontando caminhos para a construção de uma nova realidade social (Gohn, 2003). A capacitação torna-se fundamental nesse novo cenário, o que faz com que os movimentos sociais cada vez mais invistam na formação de seus militantes, que muitas vezes chegam às universidades. Ser bem representado em fóruns, debates e nas negociações com a iniciativa pública é um novo desafio aos movimentos sociais.
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