modos de organização do discurso

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Narrar e descrever: modos de organização do discurso no filme narrativo de ficção

Narrar e descrever: modos de organização do discurso no filme narrativo de ficção

É primordial fazer pelo menos uma observação: os modos podem estar todos presentes em um determinado discurso, mas serão mais fortes e destacados conforme a finalidade do projeto de comunicação. Charaudeau (1992, p.645) é o primeiro a admitir que seria “prematuro” propor uma tipologia de textos para enquadrá-los de acordo com o modo de organização utilizado, por exemplo: romance literário – modo narrativo; receita culinária – modo descritivo, embora apresente na página seguinte, a título de ilustração das reflexões, uma grade de correspondência entre alguns tipos de textos e os respectivos modos dominantes. Como o próprio autor esclarece, uma investigação cautelosa de cada caso frequentemente permitirá, em alguma medida, identificar traços de mais de um ou de todos os modos em diferentes gêneros discursivos.
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Texto literário e modos de organização do discurso: uma análise semiolinguística do conto fantástico 'Sonata', de Erico Verissimo

Texto literário e modos de organização do discurso: uma análise semiolinguística do conto fantástico 'Sonata', de Erico Verissimo

Considerando seu marco inicial como sendo o livro Language et discours, de 1983, a semiolinguística estuda, fundamentalmente, a relação que existe entre língua (sistema virtual) e discurso (comunicação concreta). Para isso, promove duas perspectivas que se entrecruzam: a semiótica, que se centra na construção de com base em formas pertencentes a sistemas semiológicos distintos, sob a responsabilidade de um sujeito movido por um princípio de intencionalidade numa dada situação comunicativa; e a linguística, que se refere à estruturação dos diversos níveis de combinação (morfemas, palavras, orações) em uma determinada língua natural, que é, afinal, o sistema mais empregado para se comunicar (CHARAUDEAU, 1995, p. 98).
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AS ESTRATÉGIAS LINGUÍSTICO-DISCURSIVAS E O MODO DE ORGANIZAÇÃO DO DISCURSO FUNK

AS ESTRATÉGIAS LINGUÍSTICO-DISCURSIVAS E O MODO DE ORGANIZAÇÃO DO DISCURSO FUNK

A identidade discursiva, de acordo com Maingueneau (2007), estrutura-se a partir de relações interdiscursivas, que estabelecem uma interação semântica entre os discursos, isto é, um sistema de regras define a especificidade de uma enunciação com base numa coerência “global”, por conseguinte, “não [se] apreende o discurso privilegiando esse ou aquele dentre seus „planos‟, mas integrando-os todos ao mesmo tem po, tanto na ordem do enunciado quanto da enunciação” (op. cit.:75). Essa Semântica Global proposta pelo autor está pautada na análise dos seguintes elementos: intertextualidade, vocabulário, temas, dêixis enunciativa, modos de enunciação e modos de coesão. Quanto ao estudo da Semântica Global, optamos pela análise das restrições semânticas referentes aos planos do vocabulário e do tema.
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Argumentação na publicidade: os modos de organização dos efeitos de verdade

Argumentação na publicidade: os modos de organização dos efeitos de verdade

c) No plano perlocutório – o ato de compra é apenas uma consequência e é precedida de uma estratégia na qual se concentra toda a persuasão publicitária. De acordo com Nicole Everaert-Desmedt, citada por Adam e Bonhomme (1997), o ato ilocutório constatativo é associado a uma intenção perlocutória do tipo fazer-crer, e o ato ilocutório diretivo a uma intenção perlocutória do tipo fazer-fazer. A passagem do crer ao fazer só pode ser assegurada se o sujeito-consumidor potencial entender que o produto apresentado não é falso. O discurso publicitário deve, assim, ser suficientemente credível para suscitar tal crença e, ao mesmo tempo, a ausência de toda refutação do que ele afirma. O bloqueio da refutação se apoia sobre o fato que a condição de sinceridade é juridicamente garantida pela repressão à “falsa publicidade”, enquanto a crença torna-se possível pela manipulação dos desejos profundos dos sujeitos. Vale dizer que o texto publicitário é capaz de transformar um saber sobre o produto em um desejo, uma vez que enunciados constatativos suscitam uma valorização do produto e um desejo de obtê-lo que é acompanhado de um desejo de identificação baseado sobre uma valorização do próprio sujeito, totalmente dependente da aquisição do produto apresentado. (cf. ADAM; BONHOMME, 1997, p.25 32 )
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O PODER DA PERSUASÃO: ANÁLISE DO DISCURSO DE PATRICK CHARAUDEAU NO DISCURSO DE ALOYSIO NUNES

O PODER DA PERSUASÃO: ANÁLISE DO DISCURSO DE PATRICK CHARAUDEAU NO DISCURSO DE ALOYSIO NUNES

Resumo: Este trabalho tem por objetivo empreender uma análise discursiva no discurso proferido pelo Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, em cerimônia de transição de cargo. A análise se passará sob a luz da Teoria de Análise do Discurso de Patrick Charaudeau (1983). Compreendendo que o discurso é altamente estratégico, a principal finalidade é a persuasão do público-alvo. É visto que nesse uso da língua, sob o viés político, as intenções discursivas de um falante tornam-se ainda mais evidentes, demonstrando como a linguagem é capaz de convencer qualquer indivíduo. Dessa forma, tratamos, de forma breve, sobre os modos de organização de discurso argumentativo e os elementos que correspondem ao aspecto metodológico desse arcabouço para identificar os conceitos centrais de cunho intencional utilizadas por Aloysio Nunes.
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Discurso do sujeito coletivo, complexidade e auto-organização.

Discurso do sujeito coletivo, complexidade e auto-organização.

Assim, entendendo-se, da perspectiva da semi- ótica, o “grau zero” do pensamento das coletivida- des como objeto do signo, referente ou virtualida- de, os discursos do sujeito coletivo, por serem de- poimentos coletivos, aparecem como explicações descritivas deste referente que, assim, podem dia- logar com o metadiscurso teórico, que veicula ex- plicações interpretativas do mesmo referente, além de poderem também – mas isso exigiria por certo uma discussão à parte que não cabe neste espaço – “trialogarem” 15 com outros modos ou modalida-

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A representância do passado histórico em Paul Ricoeur: linguagem, narrativa, verdade .

A representância do passado histórico em Paul Ricoeur: linguagem, narrativa, verdade .

suscita nos historiadores, segundo Ricoeur, uma veemente réplica, que transforma em protesto a atestação da realidade que o historiador atribui a uma boa obra histórica. Esse grito pode se aproximar de forma surpreendente do adágio rankeano que propõe narrar os acontecimentos tal como ocorreram realmente. Entretanto, pergunta-se Ricoeur, como evitar que esse movimento conduza a uma ingenuidade epistemológica? Sua resposta: se os modos representativos que supostamente dão forma literária à intencionalidade histórica são questionados, a única maneira de atestar a realidade é recolocar em seu lugar a fase escriturária em relação à explicação/compreensão e a fase documental: “Juntas, escrituralidade, explicação compreensiva e prova documental são suscetíveis de credenciar a pretensão verdade do discurso histórico” (RICOUER 2000b, p. 363). Isso significa que é preciso remeter a arte da escrita da história às técnicas de pesquisa e aos procedimentos críticos que podem trazer o protesto (narrar tal como aconteceu) à forma de atestação transformada em crítica.
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IDEB: O CASO DE SUCESSO DE UMA ESCOLA DO INTERIOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

IDEB: O CASO DE SUCESSO DE UMA ESCOLA DO INTERIOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

[...] não se melhora uma escola simplesmente melhorando seus planos de ação, seu projeto político-pedagógico, suas condições físicas e materiais, suas normas e regulamentos, a organização de seu espaço, etc. Nenhuma melhoria ocorrerá mediante a simples modificação de tais aspectos, tal como se tem observado através de décadas de políticas educacionais orientadas para essas mudanças, sejam isoladas ou em conjunto. Caso não sejam promovidas mudanças nas práticas do cotidiano, mantém- se o “status quo” nas escolas, embora se alterem os discursos oficiais a respeito delas e do seu trabalho. Em vista disso, emerge como relevante, no conjunto das ações para melhorar a qualidade do ensino, conhecer as múltiplas marcas do cotidiano escolar, compreender seus desdobramentos, reconhecer os fatores que mantêm as práticas comuns, dentre outros aspectos. Debruçar- se sobre o cotidiano escolar, com um olhar observador e perspicaz, a fim de que se possa vislumbrar a alma da escola real e concreta é trabalho inerente à direção escolar em sua atuação gestora. Pois é sobre o cotidiano escolar que o diretor atua e a consideração de suas regularidades constitui- se em elemento pelo qual promove a melhoria do desempenho educacional. Por regularidade entende-se a prática ou situação repetida regularmente, sem ter suas regras explicitadas; constitui-se em um modo de fazer cujos interesses e motivações permanecem escondidos e não revelados (Certeau, 2007), portanto, não questionados, mesmo que não contribuindo para a realização dos objetivos educacionais. (LUCK, 2009, p. 128).
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NERA CPP Final Nov 7

NERA CPP Final Nov 7

– Expenditures include changes in electricity generation costs (including allowance costs), energy efficiency costs, and increased natural gas costs for non-electric consumers.. – Expe[r]

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Assédio Moral   Karina da Silva Meneses, Thiago Lima Carneiro

Assédio Moral Karina da Silva Meneses, Thiago Lima Carneiro

Apesar da latente similitude, proveniente da compatibilidade nos processos manjedouros, pode-se encontrar algumas peculiaridades capazes de distinguir estes institutos. A primeira delas diz respeito ao prospector do assédio. Na modalidade de violência organizacional o agente ativo será, na vultosa maioria dos casos, o empregador, seus prepostos ou pessoas que possuam poderes hierárquicos e de organização na empresa, já no concernente ao assédio interpessoal a agressão pode ser oriunda de superior hierárquico ou prepostos da empresa, mas nada impede que o acometimento provenha de colegas de mesma quadratura hierárquica.
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ANEXO 1 – GESTÃO CURRICULAR CONTEXTUALIZADA A PARTIR DOS PROJETOS CURRICULARES DE ESCOLA: DO CURRÍCULO PRESCRITO AO CURRÍCULO IMPLEMENTADO - SÍLVIA DE ALMEIDA

ANEXO 1 – GESTÃO CURRICULAR CONTEXTUALIZADA A PARTIR DOS PROJETOS CURRICULARES DE ESCOLA: DO CURRÍCULO PRESCRITO AO CURRÍCULO IMPLEMENTADO - SÍLVIA DE ALMEIDA

 Os modos de funcionamento e organização da escola e das aulas;  Avaliação do resultado de cada uma das opções do projeto curricular e.. repercussão nas aprendizagens.[r]

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Educ. rev.  vol.29 número4

Educ. rev. vol.29 número4

O uso da etnografia como ferramenta metodológica de pesquisa é apresentado nos três capítulos seguintes da obra. No terceiro capítulo, os autores Carin Klein e José Damico discorrem sobre o uso de estraté- gias etnográficas de investigação para o desenvolvimento de seus estudos de doutorado. Enquanto Klein destaca a análise das ações políticas da Primeira Infância Melhor (PIM/RS), na Vila Getúlio Vargas (Canoas, RS), compreendendo-as como modos de enunciação, educação e regulamenta- ção das condutas de mulheres pobres no exercício da maternidade, Damico analisa as ações do Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania (Pronasci) organizadas no bairro Guajuviras (Canoas, RS). Tais ações são compreendidas pelo autor como modos de governamento da juventude fomentados pelas políticas de segurança pública. Vale referir que, para ambos os autores, a incorporação do método etnográfico em uma investigação está implicada na escolha dos referenciais teóricos, na organização dos problemas, das questões de estudo e dos procedimentos de produção dos dados empíricos. Destacam ainda que a inserção do investigador em relação à realidade pesquisada e as análises por ele cons- tituídas são ações-chave para a realização de pesquisas alinhadas ao méto- do em questão. Ao longo do capítulo, os autores descrevem como se vale- ram, na realização de suas pesquisas, de procedimentos tais como exame de documentos, observação participante, organização de diário de campo, entrevistas e grupos de discussão. Por fim, ambos os autores apresentam ao leitor suas considerações acerca das temáticas estudadas.
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Novos modos de subjetivar: a experiência da organização Mujeres Libres na Revolução Espanhola.

Novos modos de subjetivar: a experiência da organização Mujeres Libres na Revolução Espanhola.

Para essa reflexão, é inevitável retomar Foucault, já que são as suas problematizações e os conceitos que constrói que permitem olhar diferentemente para o passado e elaborá-lo, buscando não o que fomos na origem, a partir da linha da continuidade histórica que legitima o nosso presente, mas perguntando, numa perspectiva genealóg- ica, pelas descontinuidades, pelas diferenças que nos separam dos antepassados. Aliás, foi o que ele próprio fez ao voltar-se para a história da Antigüidade greco-romana, nos volumes 2 e 3 de sua História da sexualidade, em que visa conhecer a maneira como os antigos praticaram outros modos de subjetivação e de formação do cidadão, criando suas “artes da existência”. 3 Vale lembrar que, para esse
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A transformação social no discurso de uma organização do Terceiro Setor

A transformação social no discurso de uma organização do Terceiro Setor

O “nascimento” do Terceiro Setor herdou para si alguns impasses e dificuldades na eleição de seu nome: 1) as múltiplas formas institucionais que o compõe. O Marco Legal 75 e o Mapa do Terceiro Setor 76 tentam padronizar os tipos de organizações que podem compor o Terceiro Setor. 2) A gama de termos utilizados para justificar a inspiração do mesmo (como caridade, filantropia, assistencialismo, mecenato e o ativismo social empresarial). Cada um deles diz respeito a um contexto histórico diferentes, transmitindo a memória de uma longa história de divergências mútuas. Segundo Fernandes (op. cit., p.27), as contradições existentes nos termos estão confluindo para um mesmo ponto, apesar de ainda não estarem fundidas. 3) O tipo de agente e de ação realizada pelas organizações. Não há concordância quanto ao objetivo da ação e meio de atingi-lo. Apenas que é uma finalidade “pública”. Lester Salamon (1996, p.92) 77 aponta que existirem inúmeras formas de praticar tais ações, gerando uma incompatibilidade entre os agentes das diversas organizações, por não quererem ser confundidos entre si. Tentando solucionar e homogeneizar essa questão, o autor adverte para o “risco de permitir que a diversidade feche os nossos olhos para os traços comuns que uma realidade social deve representar” (idem, p.93). 4) O nome adotado para a organização. Há muita confusão entre os nomes das figuras jurídicas, as qualificações perante o Poder Público (por exemplo, OSCIP) e, por fim, o nome dado à organização (por exemplo, ONG, que não é um estatuto jurídico), carregado de ideais.
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O masculino em revista: mídia, discurso e modos de subjetivação afetivos-sexuais

O masculino em revista: mídia, discurso e modos de subjetivação afetivos-sexuais

Na França, uma série de reviravoltas nas formas de produzir conhecimento possibilitou este avanço nos estudos em linguagem. E, como estamos propondo, a arqueologia foucaultiana está na base de muitas destas reconfigurações trazidas para a análise do discurso. Do lado da história, há o que Rago (1995) chamou de um efeito- Foucault, algo que permite situar a arqueologia nos movimentos da nouvelle histoire que possibilitou na retomada da história das mentalidades e das sensibilidades, na trilha aberta por March Bloch e Lucien Febvre, uma escrita da história preocupada com a dimensão interpretativista. Nessa mesma via, ela indica que a arqueologia foucaultiana situa-se no caminho aberto pela nova história e pela escola dos Annales, defendendo “uma postura historiográfica preocupada não mais em revelar e explicar o real, mas em desconstruí- lo enquanto discurso” (RAGO, 1995, p.71). A preocupação de Michel Foucault em muitos momentos foi a de como podemos pensar a atualidade e os modos de subjetivação, como possuindo uma historicidade. Pelo fato de as coisas ditas serem atravessadas por tipos de saber, formas de poder ou biopoder, torna-se um convite ainda mais sedutor tentar enxerg ar ou “descobrir por que e como se estabelecem relações entre acontecimentos discursivos” (FOUCAULT, 2006, p.258).
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Beatriz Maria Soares Pontes Doutora em Geografia Humana pela USP (1983) Professora doutora do Departamento de Geografia da UFRN Endereço profissional: Base de Pesquisa Espaço e Poder, sala 404, campus universitário, Centro de Ciências Humanas Letras e Art

Beatriz Maria Soares Pontes Doutora em Geografia Humana pela USP (1983) Professora doutora do Departamento de Geografia da UFRN Endereço profissional: Base de Pesquisa Espaço e Poder, sala 404, campus universitário, Centro de Ciências Humanas Letras e Art

É neste ponto que as diferenças entre ambas posições surgem mais claramente: para Chayanov, o camponês não tende a ultrapassar um limite fixado por certas necessidades e do qual depende o grau de exploração de sua força de trabalho; se há um excedente, o equilíbrio se restabelece mediante uma redução, no ano seguinte, do desgaste de energia. Para Marx, quanto mais o camponês estiver imerso nas relações de mercado, novas necessidades serão criadas continuamente e todo o excedente em forma de dinheiro poderá ser utilizado de várias formas. Para Chayanov, o camponês é um “conservador” e para Marx um “jogador oportunista”. Para Chayanov, a economia camponesa é um modo de produção no mesmo nível que os modos de produção escravista ou capitalista; para Marx, a produção mercantil simples nunca chega a constituir-se num modo de produção dominante e como tal pode estar presente e desenvolver-se sob diferentes modos de produção.
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DISCURSO E HISTÓRIA NA MÍDIA: MODOS DE ENUNCIAR O SUJEITO QUILOMBOLA EM VÍDEOS DO YOUTUBE

DISCURSO E HISTÓRIA NA MÍDIA: MODOS DE ENUNCIAR O SUJEITO QUILOMBOLA EM VÍDEOS DO YOUTUBE

Essa problemática nos impulsionou a escrever uma tese (SOUSA, 2020) acerca da constituição do sujeito quilombola na mídia impressa, a partir de enunciados do Jornal O Estado do Maranhão, na qual verificamos que esse sujeito, ao ser objeto de discurso do jornalismo, não é autorizado a falar nesse espaço discursivo. Fenômeno semelhante foi verificado por nós ao assistirmos a uma série-documentário lançado em 2019 pela plataforma de streaming Netflix, chamado Guerras do Brasil. O segundo episódio dessa série-documentário é dedicado às Guerras de Palmares, travadas pelos colonizadores contra os escravizados que fugiram para a região da Serra da Barriga, no atual estado de Alagoas, no século XVII. Nessa série, trata-se exclusivamente do Quilombo de Palmares, sem situar as comunidades quilombolas do presente e sem dar voz aos sujeitos que as habitam na atualidade.
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A outra língua em um filme hollywoodiano: um espaço destinado ao estrangeiro em "Nova...

A outra língua em um filme hollywoodiano: um espaço destinado ao estrangeiro em "Nova...

O filme The birth of a nation, da fase do cinema mudo, pode ser considerado uma das mais conhecidas e polêmicas produções na cinematografia hollywoodiana. Sua trama, dividida em duas partes, gira em torno da Guerra Civil e da Reconstrução nos Estados Unidos. Seu caráter polêmico, especialmente para um espectador da atualidade, pode ser constatado já a partir do cartaz de promoção da obra (FIGURA 4) mostrando um membro da organização Ku Klux Klan 13 montado em um cavalo em um típico gesto de quem luta por uma causa. A popularidade do filme se deve portanto não apenas às inovações técnicas que o diretor David W. Griffith introduziu, mas também pela abordagem racista que faz com que a maior parte dos comentários acerca da obra reserve sempre um espaço para contemplar sua negatividade: “probably the most racist major movie of all time” (LOEWEN, 1995:18); “a partisan and intolerant film” (HOFSTADTER et al, 1976:552). Embora o filme tenha recebido inúmeras críticas já na época de seu lançamento, poderíamos argumentar que, em tempos atuais, com as preocupações relativas à valorização de atitudes politicamente corretas, um trecho falado ou escrito que ousasse afirmar que “the white men were roused by a mere instinct of self- preservation... until at last there had sprung into existence a great Ku Klux Klan, a veritable empire of the South, to protect the Southern country” seria provavelmente censurado, uma vez que celebra uma organização caracterizada por ideologias que se opõem fundamentalmente aos direitos humanos por discriminar com veemência um certo grupo étnico e agir criminosamente com ataques a pessoas negras e execuções de muitas dessas pessoas. Nota-se que a imagem construída para o outro aparece no enunciado como um pressuposto, pois afirmar que os brancos agem pelo instinto com o intuito de se protegerem faz aparecer um outro que ameaça e destrói a harmonia entre a comunidade branca, e que portanto deve ser combatido. Enfatizar que se trata de um “mero instinto de auto-preservação” por parte dos brancos do “país sulista” (e aqui notamos que a nação americana é representada como dividida) anula qualquer possibilidade de atribuir as motivações do combate ao outro a questões políticas, por exemplo.
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“Brasileiro não lê”. Os sentidos da falta de leitura: uma abordagem discursiva

“Brasileiro não lê”. Os sentidos da falta de leitura: uma abordagem discursiva

Esse procedimento tem como efeitos: 1. um discurso da falta, ou seja, uma constante frustração entre o ideal de leitor que se pretende e o leitor que se forma/ que se tem; 2. a não-democratização da leitura, visto que são sustentados sentidos de que a leitura consiste em atividade para uma minoria de privilegiados, considerados eruditos que sabem apreciar as ―boas obras,‖ marca linguística que aponta para um modelo estabelecido pelo outro, europeu, estrangeiro 6 .

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