Movimentos sociais populares

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O direito enquanto práxis contra-hegemonia e a luta pela terra na perspectiva dos movimentos sociais populares

O direito enquanto práxis contra-hegemonia e a luta pela terra na perspectiva dos movimentos sociais populares

A democracia liberal criou uma cidadania passiva, de baixa intensidade, baseada na “privatização do bem público por elites mais ou menos restritas, na distância crescente entre representantes e representados e em uma inclusão política abstrata feita de exclusão social” (SANTOS, 2003, p. 32). O professor argentino Daniel Delgado (apud WOLKMER, 2001a, p. 92-94) cita possíveis causas para a crise do sistema representativo: constante descumprimento de programas políticos (as promessas não cumpridas); corrupção da classe político-partidária e dos agentes do poder público; declínio de setores sociais; as demandas tornam-se cada dia mais complexas e específicas; influência dos meios de comunicação. Sofre de um problema de insuficiência em dar resposta aos reclamos da “qualidade da democracia”, trazendo em seu bojo um grave paradoxo: quanto mais se estende, mais ocorre degradação das práticas democráticas.
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Movimentos sociais na contemporaneidade.

Movimentos sociais na contemporaneidade.

Na primeira década deste milênio, fortaleceram-se as ONGs e entidades do terceiro setor – que antes serviam apenas de apoio aos movimentos sociais populares. Estes últimos enfraqueceram-se e tiveram de alterar suas práticas, ser mais propositivos – participando dos projetos das ONGs – e menos reivindicativos ou críticos. No Brasil, o número de manifestações nas ruas diminuiu e a relação inverteu-se: as ONGs tomaram a dianteira na organização da população, no lugar dos movimentos. Esse processo se aprofundou quando surgiu outro ator social relevante no cenário do associativismo nacional: as fundações e organizações do terceiro setor, articuladas por empresas, bancos, redes do comércio e da indústria, ou por artistas famosos, que passaram a realizar os projetos junto à população, em parcerias com o Estado. Apoiados por recursos financeiros, privados e públicos (oriundos dos numerosos fundos públicos criados) e por equipes de profissionais competentes – previamente escolhidos não por suas ideologias, mas por suas expe- riências de trabalho –, essas organizações passaram a trabalhar de forma diferente de como os movimentos sociais atuavam até então. O terceiro setor passou a atuar com populações tidas como vulneráveis, focalizadas, grupos pequenos, atuando por meio de projetos, com prazos determinados. Novos conceitos foram criados para dar suporte às novas ações, tais como responsabilidade social, compromisso social, desenvolvimento sustentável, empoderamento, protagonismo social, economia social, capital social etc. Esse cenário resulta em inúmeras ações cidadãs, citadas anteriormente, como as cooperativas de material reciclável no Brasil (o país é um dos campeões na reciclagem de latas, papel e papelão). Projetos sociais organizam cooperativas de recicladores e grandes eventos como o Festival Lixo e Cidadania (Belo Horizonte, 2007, 2009), apresentando os “resultados” de tais ações.
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MOVIMENTOS SOCIAIS E REIVINDICAÇÕES POPULARES EM TORNO DAS EMPRESAS DE TRANSFORMAÇÃO MINERAL EM BARCARENA: um estudo da atuação das associações de moradores e trabalhadores rurais

MOVIMENTOS SOCIAIS E REIVINDICAÇÕES POPULARES EM TORNO DAS EMPRESAS DE TRANSFORMAÇÃO MINERAL EM BARCARENA: um estudo da atuação das associações de moradores e trabalhadores rurais

A autora coloca que o tema dos movimentos sociais populares, embora tenha frustrado o prognóstico libertador e transformador de muitas análises, deram origem a um expressivo campo ético-político, com importantes rebatimentos na política brasileira. No período corrente, os movimentos populares que se espalham pelo país, pressionam a um posicionamento das organizações políticas ante as reivindicações do povo nos rumos da economia e da política. O povo assim, passa a ser visto como uma clientela ativa, que não se deixa manipular, não mais como massa amorfa e subordinada, mas como autônoma e independente, como sujeito propositivo em busca de políticas alternativas em busca de direitos humanos e sociais e predisposto à participação continuada. “O Estado deveria ser negado, as hierarquias quebradas e tudo teria de vir“ de baixo para cima. Agora, em nome da diluição da dicotomia dirigente-dirigido, todos deveriam participar integralmente do processo de tomada de decisões” (DOIMO, 1995: 124).
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Movimentos sociais na contemporaneidade

Movimentos sociais na contemporaneidade

Na primeira década deste milênio, fortaleceram-se as ONGs e entidades do terceiro setor – que antes serviam apenas de apoio aos movimentos sociais populares. Estes últimos enfraqueceram-se e tiveram de alterar suas práticas, ser mais propositivos – participando dos projetos das ONGs – e menos reivindicativos ou críticos. No Brasil, o número de manifestações nas ruas diminuiu e a relação inverteu-se: as ONGs tomaram a dianteira na organização da população, no lugar dos movimentos. Esse processo se aprofundou quando surgiu outro ator social relevante no cenário do associativismo nacional: as fundações e organizações do terceiro setor, articuladas por empresas, bancos, redes do comércio e da indústria, ou por artistas famosos, que passaram a realizar os projetos junto à população, em parcerias com o Estado. Apoiados por recursos financeiros, privados e públicos (oriundos dos numerosos fundos públicos criados) e por equipes de profissionais competentes – previamente escolhidos não por suas ideologias, mas por suas expe- riências de trabalho –, essas organizações passaram a trabalhar de forma diferente de como os movimentos sociais atuavam até então. O terceiro setor passou a atuar com populações tidas como vulneráveis, focalizadas, grupos pequenos, atuando por meio de projetos, com prazos determinados. Novos conceitos foram criados para dar suporte às novas ações, tais como responsabilidade social, compromisso social, desenvolvimento sustentável, empoderamento, protagonismo social, economia social, capital social etc. Esse cenário resulta em inúmeras ações cidadãs, citadas anteriormente, como as cooperativas de material reciclável no Brasil (o país é um dos campeões na reciclagem de latas, papel e papelão). Projetos sociais organizam cooperativas de recicladores e grandes eventos como o Festival Lixo e Cidadania (Belo Horizonte, 2007, 2009), apresentando os “resultados” de tais ações.
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Movimentos Sociais e Participação Política

Movimentos Sociais e Participação Política

Resumo: As elei¸c˜oes presidenciais que ocorreram em outubro de 2014 abriram um leque de temas para serem estudados. A inquieta¸c˜ao veio do fato de que os termos “direita” e “esquerda” n˜ao sa´ıam dos discursos de alguns universit´arios que debatiam sobre estas elei¸c˜oes. Esta pesquisa contou com dois momentos. Na pesquisa bibliogr´afica, foi feita uma revis˜ao dos conceitos centrais desta pesquisa segundo Anthony Downs (1999), Dalmo de Abreu Dallari (1985), Norberto Bobbio (1995), dentre outros. Na segunda parte, a emp´ırica, foram elaborados question´arios fechados dirigidos aos universit´arios do curso de Ciˆencias Sociais. Percebeu-se com as leituras que, apesar de o conceito de ideologia estar no campo ideal, abstrato, ele pode, ainda hoje, ser problematizado em discuss˜oes pol´ıticas. Entretanto, ´e preciso ressaltar que existe a necessidade de conhecer as teorias cl´assicas e modernas, pois s˜ao elas que d˜ao alicerce e embasamento para os debates atuais. Foi constatado, a partir do levantamento dos dados emp´ıricos, que um grande n´ umero de estudantes do curso de Ciˆencias Sociais se baseia em senso comum, o que se torna contradit´orio, visto que a grade curricular do curso oferece aprofundamentos nas tem´aticas estudadas. Por ser um campo onde todos tˆem voz e falam o que desejam, da forma como desejam, a internet, ao mesmo tempo em que se torna ferramenta na democracia participativa, se torna um elemento perigoso, posto que associar a teoria com o senso comum est´a bastante interligado com o crescimento exacerbado do uso deste media.
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A disputa pelo direito à saúde na contemporaneidade: uma análise da defesa de interesses nas Plenárias Nacionais de Conselhos de Saúde, Entidades e Movimentos Sociais e Populares

A disputa pelo direito à saúde na contemporaneidade: uma análise da defesa de interesses nas Plenárias Nacionais de Conselhos de Saúde, Entidades e Movimentos Sociais e Populares

levantamentos bibliográficos, presentes em todas as etapas da investigação, contemplando as categorias centrais da pesquisa tomadas para análise a luta pelo direito à saúde as garantias para sua efetivação. A pesquisa encontrou trinta e duas ações destacadas em audiências, debates, notas de apoio, recomendações, resgates históricos, resoluções, cartas, diagnósticos, manifestos e manifestações que apresentaram as categorias da luta pelo direito à saúde e a defesa de interesses. São apresentados como principais resultados a continuidade das agendas de lutas pela efetivação do direito à saúde nas plenárias, destacados como interesses na defesa da política de saúde, em três agendas de lutas, tais como: financiamento da saúde pública, gestão da política de saúde e privatização da saúde. A análise documental foi utilizada como técnica de pesquisa e para a discussão dos resultados e interpretação, foi utilizado Bardin (1997). A pesquisa se torna relevante por levantar uma discussão quanto à luta em defesa dos direitos diante dos ataques aos direitos conquistados e materializados na Política Pública de Saúde do Sistema Universal de Saúde no Brasil a partir de 1988. Compreende-se que a defesa de interesses, para além dos Conselhos de Saúde, encontra-se presente nas Plenárias Nacionais de Conselhos de Saúde, Entidades e Movimentos Sociais e Populares, situada no bojo da sociedade capitalista. A defesa se materializa através das lutas pelo do direito à saúde universal, integral e equânime. Os resultados contribuem na compreensão das ações de lutas das plenárias, nas agendas de interesses em favor dos usuários, possibilitando uma maior capacidade de discussão e de embate na defesa dos interesses pelo direito à saúde universal.
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Globalização neoliberal e lutas populares no Haiti :  crítica à modernidade, sociedade civil e movimentos  sociais no estado de crise social haitiano

Globalização neoliberal e lutas populares no Haiti : crítica à modernidade, sociedade civil e movimentos sociais no estado de crise social haitiano

Lembramos também, como indicado no capítulo anterior, que os camponeses haitianos foram expulsos do direito à posse de terra na manhã da Revolução. Alguns conseguiram algumas parcelas, sobretudo, nas montanhas. Porém, pouco a pouco, foram expulsos, especialmente durante a primeira invasão do século XX, pelos Estados Unidos, em 1915. Temos sublinhado o aumento rápido da população das cidades, sobretudo, de Porto-Príncipe. As populações camponesas, quando deixam o campo para as cidades, não têm lugar para morar. Em geral, essas pessoas se encontram nos bidonvilles, correspondentes às favelas brasileiras. As mais miseráveis passam a morar nas beiras de rios, de canais... até na beira do mar, como se observa diariamente em Porto-Príncipe. Nos tempos de furacões, essas pessoas são as primeiras – às vezes, as únicas – vítimas sociais de um fenômeno da natureza. Fica assim compreensível que o Estado grandon-burguês haitiano não vê interesse em proteger a vida dessas pessoas. Nem o meio ambiente, cuja lógica do capital precipitou a degradação. Assim se mede a imensidão da hipocrisia das organizações da dita sociedade civil que, em um país onde a maioria não tem emprego e aquele/aquela que tem, recebe um salário diário de menos de 2 dólares, vêm pretendendo sensibilizar o povo com mensagens do tipo: “Não cortem as árvores, não joguem lixos sobre a calçada se querem viver num ambiente saudável”. Cabe destacar também que o lixo não é coletado no Haiti.
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Educação popular, movimentos sociais e cursinhos populares: uma análise pelo espaço

Educação popular, movimentos sociais e cursinhos populares: uma análise pelo espaço

As aulas públicas em locais como o Largo da Memória, a Rua do Carmo (antiga Rua da Boa Morte), e a Igreja dos Enforcados (na Liberdade), empreendidas pela UNEafro, buscam recuperar a memória da cidade por meio da denúncia dos usos que esses espaços tinham até o fim da escravidão. Já a Rede Emancipa de Cursinhos Populares desenvolve ações espaciais que confrontam operações urbanas autoritárias por administrações municipais antipopulares, desenvolvendo sarais culturais com música, poesia e educação, como se dá, periodicamente, na Praça Elis Regina, bairro do Butantã, na cidade de São Paulo, com significativa participação da população dos arredores, a qual assumiu a defesa da referida praça a partir das ações desenvolvidas pela Rede Emancipa de Cursinhos Populares.
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Movimentos sociais e práticas educativas

Movimentos sociais e práticas educativas

Os movimentos sociais, como tema central de uma reflexão sobre as mudanças sociais e políticas, representam um objeto que atravessa diversos campos de força e espaços simbólicos de significação e dão suporte à trama da vida social. Essa transversalidade por várias dimensões da vida social, bem como sobre os vários tipos de luta e de movimentos sociais, aqui sumariamente arrolados, permite-nos afirmar, que o saber social processa-se na própria experiência de vida, sem lugares específicos para sua transmissão, isto é, vive-se o ensinar e o aprender, não necessariamente vinculados à escola, embora não se possa dela prescindir. Cabe, ainda, destacar que a luta pela escola pública nos anos 1980 constituiu-se como plataforma de luta dos movimentos sociais, ou seja, emerge como desejo de uma escola vinculada às necessidades e aos desafios da luta pelas transformações sociais mais amplas do país. Nesse sentido, o movimento social é, ao mesmo tempo, um conflito social e um projeto cultural articulado por força de interesses e necessidades que permitem a emergência de sujeitos sociais coletivos. Isto porque os movimentos sociais podem ser considerados como índices da democracia real, ou como potência dela, para viabilizar o quadro das liberdades e da humanização dos homens, à medida que modificam as relações sociais e, portanto, as de poder nas suas várias formas.
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Gramsci e os movimentos populares: uma leitura a partir do caderno 25.

Gramsci e os movimentos populares: uma leitura a partir do caderno 25.

De fato, embora perpassados por fragilidades e ambiguidades, dos atuais mo- vimentos populares emerge uma conotação de fundo: não se limitam a combater o neoliberalismo, a “regulamentar” o capital, a promover ações voltadas a “amenizar” a pobreza e as desigualdades com um modelo superado de desenvolvimento, mas se organizam local e mundialmente com a intenção de romper com o capitalismo e construir um projeto alternativo de sociedade e de civilização. Inúmeras atividades desencadeadas pela Via Campesina, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), as organizações in- dígenas, a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), o Grito dos Excluídos, o Fórum Social Mundial (FSM), a Rede Jubileu Sul, o Fórum Social das Américas, a Assembleia Popular, a Marcha Mundial das Mulheres, a Consulta Popular, o Mo- vimento Unifi cado dos Negros, as pastorais sociais, mobilizações de estudantes, práticas de educação popular, protestos, consultas e plebiscitos (Alca, Vale, Tarifas energéticas, Petróleo, Ficha limpa, Propriedade da terra, Clima, entre outros), reve- lam uma atuação de primeira linha das forças populares no âmbito da sociedade civil. Suas mobilizações, para além de uma “espontaneidade” esporádica, são cons- tituídas por uma grande capacidade político-organizativa em conexão com partidos e sindicatos e chegam a catalisar consideráveis setores das periferias, dos morros, do campo, das cidades, desempregados e precarizados que não se sentem incluídos no restrito círculo da produção, nem representados pela democracia liberal e pelas organizações políticas tradicionais. Com suas formas de fazer política, tais movi- mentos sinalizam que: “A nova construção só pode surgir de baixo, enquanto toda uma camada nacional, a mais baixa econômica e culturalmente, participe de um fato histórico radical que envolva toda a vida do povo” (Q 6, §162, p. 816).
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DSS7114 - Classes Sociais e Movimentos Sociais

DSS7114 - Classes Sociais e Movimentos Sociais

O conteúdo programático será desenvolvido através de aulas expositivas e dialogadas. Leituras e debates sobre bibliografia indicada, rodas de conversa. Exibição de vídeos, filmes e documentários. Pesquisa bibliográfica e elaboração de trabalhos, produção textual e diálogo/debate com profissionais do Serviço Social e lideranças que atuam nos movimentos sociais.

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Internet e movimentos populares: um modelo global de dados em painel

Internet e movimentos populares: um modelo global de dados em painel

Nos últimos anos, o mundo vem assistindo a um maior número de mobilizações sociais, que ocorrem em todo o espectro de regimes de governo e níveis de desenvolvimento econômico: de países tradicionalmente democráticos e desenvolvidos, a países em desenvolvimento sob regimes autoritários. Tais mobilizações vêm ocorrendo simultaneamente a uma expansão acelerada das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), mais notadamente o avanço da Internet e dos telefones celulares (ITU, 2014; CETIC, 2013), tornando mais rápido e fácil o acesso e difusão de informações sem o intermédio dos meios de comunicação de massa tradicionais; há os que defendem que o contexto de cada nação é o grande responsável por tais manifestações, enquanto outros citam a importância tanto das TIC quanto dos fatores contextuais como influenciadores. O objetivo desta pesquisa é identificar as variáveis explicativas da ocorrência de protestos, considerando aspectos tecnológicos, sociais e políticos, por meio da construção de modelos utilizando dados em painel. Para tal são utilizados dados do Banco Mundial, Fórum Econômico Mundial e ITU, desenvolvendo uma amostra de 124 países. O resultado desta análise revela que o percentual de usuários de Internet influencia positivamente a ocorrência de protestos e que países desenvolvidos possuem maior a chance de apresentarem manifestações.
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Movimentos de mulheres, movimentos feministas e participação de mulheres populares: processo de constituição de um feminismo antissistêmico e popular

Movimentos de mulheres, movimentos feministas e participação de mulheres populares: processo de constituição de um feminismo antissistêmico e popular

“Vim para mudar a realidade do campo e não ser forçada a ir para a cidade”. “Vim para reivindicar terra, água e direitos, a gente sofre muito com a seca, não tem água nem pra plantar nem pra beber”. “Vim para lutar pela permanência da lei de aposentadoria para a trabalhadora rural”. “Vim em busca de uma proposta da presidenta para pessoas do campo que vivem da reforma agrária”. “Vendemos muitas coisas para poder pagar o ônibus e vir atrás dosnossos direitos”. “Vim para conhecer outros movimentos, expor meus produtos e fortalecer a luta”. “Vim para lutar pelo reconhecimento do trabalho das agricultoras”. “Vim para representar meu acampamento, estou há sete anos acampada”. “Vim porque fui escolhida dentro do movimento social das ribeirinhas”. “Vim porque não quero mais continuar chorando por ver tanta violência”. “Vim porque é preciso ter coragem, aqui é bonito, mas nada chega à base”. “Vim porque uma só andorinha não faz verão”. “Vim porque anseio ver as mulheres terem liberdade, justiça e dignidade”. “Vim para lutar pelas margaridas que sofrem agressão”. “Vim para gritar pelos direitos de todas aquelas que não puderam vir”. “Vim para prestigiar uma mulher que deu a vida pela nossa luta”. “Vim porque, se a gente não se manifestar, quem vai interferir por nós? Os homens?”. “Vim porque onde moro as mulheres não têm os mesmos direitos que os homens”. “Minha mãe veio nas marchas anteriores e me incentivou a vir nesta”. “Vim porque achei importante, não é para mim, é para meus netos”. “Vim para conhecer o movimento Margarida; eu sabia que era uma flor, e não uma mulher batalhadora”. “Essa marcha é história, aqui me sinto forte”. “A gente luta pela vida” (Mulheres trabalhadoras do campo e da floresta, entrevistadas na Marcha das Margaridas) (IPEA, 2013, p. 7).
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A Igreja Católica De Natal e os Movimentos Populares (1960-1965).

A Igreja Católica De Natal e os Movimentos Populares (1960-1965).

Este trabalho é uma colaboração à Historiografia Regional e ao mesmo tempo surgiu de uma necessidade sentida por melhores informações à respeito da Igreja Católica no Brasil e sua par[r]

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Das mobilizações às redes de movimentos sociais.

Das mobilizações às redes de movimentos sociais.

Nesta perspectiva teórica, a sociedade civil, embora configure um campo composto por forças sociais heterogêneas, representando a multiplicidade e diversidade de segmentos sociais que compõem a sociedade, está preferencialmente relacionada à esfera da defesa da cidadania e suas respectivas formas de organização em torno de interesses públicos e valores, incluindo-se o de gratuidade/altruísmo, distinguindo-se assim dos dois primeiros setores acima que estão orientados, também preferencialmente, pelas racionalidades do poder, da regulação e da economia. É importante enfatizar, portanto, que a sociedade civil nunca será isenta de relações e conflitos de poder, de disputas por hegemonia e de representações sociais e políticas diversificadas e antagônicas. Às vezes, também, a sociedade civil é tratada como sinônimo de “terceiro setor”, mas isso não é adequado e comporta certa ambigüidade. O termo “terceiro setor” tem sido empregado também para denominar as organizações formais sem fins lucrativos e não-governamentais, com interesse público. A sociedade civil inclui esse setor, mas também se refere à participação cidadã num sentido mais amplo. Pode-se, portanto, concluir que a sociedade civil é a representação de vários níveis de como os interesses e os valores da cidadania se organizam em cada sociedade para encaminhamento de suas ações em prol de políticas sociais e públicas, protestos sociais, manifestações simbólicas e pressões políticas. Esses níveis, presentes na sociedade brasileira, na atualidade, podem ser genericamente tipificados da seguinte maneira:
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O intelectual engagé dos movimentos sociais

O intelectual engagé dos movimentos sociais

coletiva (Wieviorka, 2010). Como resultado, Stuart Hall (2003) salienta que todos estes movimentos, para além de constituírem “o nascimento histórico do que veio a ser conhecido como a política de identidade — uma identidade para cada movimen- to” (ibid.: 45) —, refletem igualmente “[…] o enfraquecimento ou o fim da classe po- lítica e das organizações políticas de massa com ela associadas, bem como sua fragmentação em vários e separados movimentos sociais” (ibid.: 44). Não obstante, uma panóplia de cientistas sociais assume que este avanço excessivo das subjetivi- dades contribuiu para um atrofiamento e esvaziamento da esfera pública: enquan- to que Z. Bauman (2000 [1999]: 71) ataca o excessivo hedonismo impulsionado pelo culto do eu que deu origem a uma agenda pública que se afigura com uma “colcha de retalhos de anseios pessoais”, Offe (apud Bauman 2000 [1999]: 113) mantém que estes NMS “estão longe de ter desenvolvido um esboço mesmo de programa para a transformação social com o mesmo grau de consistência e abrangência dos movi- mentos sociopolíticos anteriores”.
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Movimentos sociais: concetualizações e materializações

Movimentos sociais: concetualizações e materializações

Os Novíssimos Movimentos Sociais surgem após a eleição de George W. Bush e a invasão militar ao Iraque, caracterizados maioritariamente por uma posição antiguerra. Este processo revela algumas semelhanças com os movimentos de alter- globalização, cuja origem foi o movimento antiguerra do Vietname 10 , que precipitou uma crise no sistema hegemónico transnacional, na época suplantado pela condição de superpotência norte-americana. Gramsci, seguindo Marx e antecipando Bourdieu 11 , reconheceu este contexto de crise como uma condição necessária para desfazer a doxa que é talvez a característica mais saliente da bem-enraizada hegemonia 12 (Bourdieu, 1992). Na formulação de Gramsci, a crise orgânica é um elemento fundamental na criação de um novo modelo hegemónico. Neste tipo de crise, as estruturas e práticas que constituem e reproduzem uma ordem hegemónica caem num desuso crónico e visível, surgindo espaço para a criação de um novo terreno de disputa política e cultural, bem como a possibilidade (mas apenas a possibilidade) de transformação social (Carrol, 2010). Os movimentos sociais transnacionais assumiram uma vertente global com o aparecimento da crise norte-americana, em 2008, e a sua expansão à Europa, criando divisões dentro da própria classe hegemónica, o que causou uma crise de legitimação e autoridade ao modelo neoliberal vigente (Robinson, 2005). Os novos movimentos sociais enquadram-se num contexto de austeridade, o que potencia a crise da classe hegemónica e a sua fratura, nomeadamente ao nível do status social,
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MOVIMENTOS SOCIAIS E EDUCAÇÃO AMBIENTAL

MOVIMENTOS SOCIAIS E EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Ao se debruçar sobre a presença e o significado dos movimentos sociais no cenário brasileiro atual, Gohn (op.cit.), destaca uma marcante diferença se comparados com aqueles da década de 70 e 80. Nessas décadas a diversidade de ações, calcadas em necessidades variadas da população convergia para um caráter de contraposição ao Estado, governado por uma ditadura. Nos anos 90, delineia-se um novo cenário. A sociedade como um todo aprendeu a organizar e a reivindicar seus direitos de cidadania, a partir da constatação da qualidade de não-cidadãos que são na prática. Ela tem sido auxiliada pela nova base jurídico-constitucional construída a partir de 1988, com a nova Carta Magna do país. Entretanto, existe um clima de descrença generalizado na política, nos políticos e nos organismos estatais. Hoje, são novos os tipos de movimentos, novas demandas, novas identidades, novos repertórios. São movimentos multiclassistas. movimentos que lutam pelas diferenças étnicas, culturais, religiosas. Atuam em redes e alguns deles ultrapassam fronteiras da nação, como o de antiglobalização.
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A agenda global dos movimentos sociais.

A agenda global dos movimentos sociais.

site próprio e lista de discussão, o Observatório da Saúde armazena todas as produções do seu relatório alternativo. As publicações contam com o auxílio de um grupo sul-africano financiado pela Fundação Rockefeller, denominado Global Equity Gauge Alliance, além de uma ONG religio- sa de Londres denominada Medact. A Declara- ção de Cuenca conclamou todos os povos para que essa produção de conteúdo se descentrali- zasse cada vez mais entre trabalhadores da saúde de todas as partes do mundo. A partir de Cuen- ca, este movimento teve contato com militantes da causa da terra, defesa dos povos andinos, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Ter- ra, sindicatos e ativistas de movimentos antiglo- balização, entre outros. Então a Assembleia se abriu à América do Sul e aqui se encontrou com o Fórum Social Mundial.
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LEGISLATIVO MUNICIPAL E MOVIMENTOS SOCIAIS

LEGISLATIVO MUNICIPAL E MOVIMENTOS SOCIAIS

, outorgar poderes ou estabelecer privilégios e prerrogalivas conflitantes com os preceitos da Constilttição Federal e com os dispositivos da respectiva Constituição Estadual.[r]

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