Mulher - Portugal - Educação - séc. 18

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Guiando almas femininas: a educação protestante da mulher em impressos confessionais no Brasil e em Portugal (1890-1930)

Guiando almas femininas: a educação protestante da mulher em impressos confessionais no Brasil e em Portugal (1890-1930)

, no escolarizado, informal, pero igualmente importante, ya que dialoga con otra necesidad del grupo social en pauta: la educación escolar, letrada. Por tratarse de la difusión de una cultura impresa, balizada por la palabra escrita, exigía un modus operandi diferenciado por parte de este grupo social: la educación formal. Las escuelas de primeras letras, al principio, y los grandes colegios al después, fueron espacios propuestos y criados a fin de que el impreso también pudiera circular, ser leído, divulgado, aprendido. Esta investigación pretende, al fin y al cabo, lanzar una mirada sobre el Protestantismo que, en este contexto de autoafirmación, ha destinado, de cierta forma, un lugar específico a la mujer, forjando una propuesta educativa no formal y diseminada a través de los impresos. Tres modelos han se destacado en la propuesta reformada: la educación cristiana propiamente dicha, la educación doméstica, cuyos referenciales han estado presentes y, por fin, la educación para el espacio público, con énfasis en el ejercicio de la enseñanza. Este trabajo trae aún un breve diálogo entre Brasil y Portugal, pues cuando un periódico, libro o algo semejante era publicado en una de las márgenes del Atlántico, la otra margen por supuesto participaba del hecho, recibiendo la misma publicación o al menos haciendo mención a ella, lo que corroboraba el argumento de la circulación de estos impresos. No solamente una lengua común ha sobrevivido en las dos cuestas marítimas: algunas especificidades protestantes también navegaran por este mar.
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Educação da mulher

Educação da mulher

Os republicanos defendiam a educação da mulher, preconizando o reforço da componente da instrução sobre a vertente da educação. É nesta perspectiva que o município de Lisboa criou, na fase de descentralização do ensino, a Escola Primária Superior Maria Pia (1886), com a missão de formar profissionalmente as alunas, em simultâneo com uma dimensão assistencial que também garantia. O híbrido estatuto desta escola, entre os níveis primário e secundário, foi enquadrado pela discussão sobre a criação do ensino público feminino de nível secundário em Portugal e arrastou-se durante duas décadas; no entanto, em 1906, a escola foi transformada no Liceu Maria Pia, o primeiro liceu feminino português. Este liceu representa a criação da primeira escola feminina de ensino secundário público em Portugal. O primeiro Liceu consagra também um perfil de formação virado preferencialmente para a instrução de conhecimentos aprofundados e um currículo bem mais sólido que o dos colégios tradicionais femininos, que continuavam a ser maioritariamente religiosos. Assim, o ensino oficial define uma orientação política que valoriza a instrução nas escolas públicas, mas não esquece (bem pelo contrário) o ensino da economia doméstica, da costura e lavores. Com a República, o ensino liceal feminino conhecerá a criação de mais dois liceus femininos, um no Porto e outro em Coimbra, que se juntam ao Liceu Maria Pia (NÓVOA & SANTA-CLARA, 2003).
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As árvores ornamentais introduzidas nos jardins de Lisboa: uma perspectiva histórica (séc. 18-19)

As árvores ornamentais introduzidas nos jardins de Lisboa: uma perspectiva histórica (séc. 18-19)

Em Portugal, muitos dos actuais jardins públicos nem sempre serviram apenas para o actual efeito. Alguns deles foram construídos com outros propósitos que vão além do simples passeio, assim como o simples prazer que se tem na contemplação daquilo que a natureza nos oferece. Alguns "jardins" tinham por função a caça, um dos desportos ou lazeres mais apreciados pela nobreza - as tapadas de caça. Outros eram criados para uso científico, como é o caso dos jardins botânicos, referidos no capítulo I, que nasceram da união entre o saber científico (essencialmente medicinal) e a educação. Historicamente anterior a estes últimos, temos o hortus, que foi reaproveitado para outros fins após a extinção das ordens religiosas, responsáveis pela sua criação, manutenção e desenvolvimento.
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Ser imigrante, Ser mulher, Ser mãe: Diáspora e Integração da Mulher São-tomense em Portugal

Ser imigrante, Ser mulher, Ser mãe: Diáspora e Integração da Mulher São-tomense em Portugal

Deste modo, fatores sociais e psicossociais frequentemente induzem uma vulne- rabilidade crescente durante a gravidez (complicações psicopatológicos antes e/ou após o parto - depressão pós-parto, psicose e depressão (Bunevicius et al., 2009; Rumbold et al., 2011) - exacerbada por stressores associados ao processo de migra- ção), pelo que os cuidados de saúde materna e infantil devem ser alvo de especial atenção (Bunevicius et al., 2009; Canavarro, 2001; Martins, Faria, & Lage, 2010). Estudos demonstram que o cortisol proveniente de uma grávida que padeça de al- tos níveis de stress durante a gravidez (e.g. passíveis de serem aumentados através acontecimentos de vida significativos, potencialmente stressantes, de que são exemplo as experiências de migração) tem uma elevada probabilidade de entrar no feto pelas através das trocas placentárias. A passagem excessiva de cortisol para o feto faz com que este sofra uma acentuada e mais rápida maturação, aumentando o risco de um nascimento prematuro, de baixo peso ao nascer (e.g. complicações de restrição de crescimento intrauterino), resultando num desenvolvimento empobrecido do cór- tex pré-frontal e favorecendo problemas de comportamento no futuro (Harutyunyan, 2008). Numa exploração preliminar dos indicadores gerais de saúde disponibilizados para a caracterização das populações migrantes, verifica-se tendencialmente que este contingente apresenta mais complicações sexuais e reprodutivas, os resultados da gravidez tendem a ser empobrecidos (incidência superior de bebés pré-termo e com baixo peso ao nascer), maior mortalidade materna, neonatal e infantil, mais abortos espontâneos, uma maior incidência de depressão pós-parto, seguimento ginecológico irrisório e educação pré-natal precária. (Machado et al., 2007; Carballo, 2009).
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A representação da mulher no jornalismo - uma análise comparativa entre Brasil e Portugal

A representação da mulher no jornalismo - uma análise comparativa entre Brasil e Portugal

gênero. Em A Folha de S. Paulo, 13,18% do total de notícias ainda representam a mulher de forma inferior e desigual, e no jornal “Público”, 7,27%. Ao total, foram 45 notícias. A categoria “feminismo” teve o objetivo de concentrar as notícias que dessem alguma visibilidade ao movimento feminista, seja destacando algum marco histórico ou alguma conquista feminina. Além disso, nesta categoria estariam presentes todas as notícias que dessem visibilidade aos movimentos sociais protagonizados por mulheres em que estivessem reivindicando por seus direitos ou lutando por causas mais justas. No jornal “A Folha de S. Paulo”, 7,27% do total de notícias entraram nesta categoria, e no “Público”, apenas 4%. O número é baixo, mas pode-se considerar um avanço, já que há alguns anos não havia nenhum espaço para este tipo de pauta nos jornais diários. A categoria “discriminação” foi criada com o objetivo de enfatizar as notícias que discriminam as mulheres pelo fato de serem mulheres, além da discriminação pela raça, etnia, religião, sexualidade, classe social etc. No jornal “A Folha de S. Paulo”, 10,45% das notícias se encaixaram nesta categoria. Já no “Público”, 8,18%. Este número é expressivo se levarmos em consideração a quantidade de mulheres que sofre este tipo de preconceito diariamente e não tem seus rostos mostrados e suas histórias ouvidas pela mídia de massa.
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Usos e abusos da Antigüidade Clássica: sobre a apropriação do cinismo grego na descrição contemporânea de distúrbios psíquicos

Usos e abusos da Antigüidade Clássica: sobre a apropriação do cinismo grego na descrição contemporânea de distúrbios psíquicos

dois nomes próprios recorrentes: o do filósofo cínico, Diógenes de Sínope (séc. IV a.C.) e o do biógrafo e historiador da filosofia, Diógenes Laércio (que viveu provavelmente no séc. III d.C.), autor das Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres; na “orelha” do livro, lê-se: “O tratamento cínico do mal-estar do desejo, hoje, não é mais o que era para o sábio da Antigüidade Diógenes Laércio”. Além disso, o estudo refere-se à “sabedoria socrática” para indicar a doutrina de Platão, que Diógenes combateria (p. 157); na verdade, do ponto de vista histórico e segundo a tradição melhor documentada, tanto o platonismo quanto o cinismo têm sua origem no ensinamento de Sócrates; a rigor, não se pode pretender que o pensamento plaônico venha a subsumir o de Sócrates. Enfim, a explicação colhida na Encyclopédie Philosophique Universelle – L’Univers Philosophique, Paris: PUF, t.I, p. 539, para o nome “cínico”, simplifica as coisas, excluindo, por exemplo, a hipótese baseada na denominação do Cinosarges, o ginásio situado na periferia de Atenas, que Antístenes freqüentava; sobre o assunto, podem ser consultadas as seguintes obras: G. Giannantoni, “Antistene fondatore della scuola cinica?” em M.-O. Goulet-Cazé e R. Goulet (eds.), Le cynisme ancien et ses pronlogements, p. 15-34 e M.-F. Billot, “Antisthène et le Cynosarges dans l’Athènes des V e et IV e siècles” em M.-O. Goulet-Cazé e R. Goulet (eds.), op. cit., pp. 69-116.
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Do imaginado ao imaginário : magia, improviso e salvação nas narrativas orais tradicionais e nos discursos de formação da Igreja e da religiosidade católica no Brasil

Do imaginado ao imaginário : magia, improviso e salvação nas narrativas orais tradicionais e nos discursos de formação da Igreja e da religiosidade católica no Brasil

torno de fenômenos meteorológicos (noite, sol, aurora, etc) e, após a dispersão dos indo-europeus, o sentido desses deuses védicos sobreviveria em expressões e provérbios, nascendo os mitos que explicariam tais provérbios (esses autores passam a analisar contos maravilhosos como Chapeuzinho vermelho, O pequeno polegar, Bela adormecida e afins a partir de alegorias que dialogam com os mitos cosmológicos antigos – como, por exemplo, o ato de ser devorado interpretado como simbologia da relação entre céu, estrelas, sol e outros seres astronômicos); 2) Teoria indianista (Theodor Benfey, Emanuel Cosquin) que considera fábulas e contos de animais advindos da panchatantra (coleção de fábulas indianas do séc. III a.C com personagens animais, em verso e prosa). Os contos maravilhosos teriam como centro comum a Índia, onde serviam de parábolas para o ensino de monges budistas. Teriam circulado em pequena proporção antes do séc. X, em função de dificuldades da transmissão oral, e em maior proporção a partir de incursões muçulmanas ao longo dos séculos; 3) Teoria etnográfica (Andrew Lang, em oposição a Max Muller) que questiona a origem do conto a partir do mito, mas sim em sua forma anterior, nascendo em diversos locais, em culturas distintas e distantes geograficamente, cujas características em comum seriam o animismo e o totemismo. Reverberariam, também, vestígios de crenças e práticas (como canibalismo, xamanismo, magia e transformações em animais); 4) Teoria ritualista (Paul Saintyves) que considera os personagens dos contos como uma espécie de lembrança de personagens cerimoniais em ritos populares. As narrativas ilustrariam tratamento que mortais atraem para si segundo seu comportamento (como no conto da Bela adormecida que representaria o ano novo e conflitos entre o novo e o velho); 5) Teoria Marxista (Vladimir Propp, desdobramentos de Propp realizados posteriormente por Alan Dundes, Claude Bremond e Greimas) que prioriza o estudo da morfologia do conto em uma perspectiva estruturalista e formalista. O enfoque se encontra na estrutura da narrativa, de modo a captar as funções das personagens para o desenrolar do enredo, defendendo o conto como matéria da superestrutura, que conteria vestígios de crenças e de rituais primitivos.
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Banca cooperativa e banca comercial em Portugal : performance na primeira década do séc. XXI

Banca cooperativa e banca comercial em Portugal : performance na primeira década do séc. XXI

A cessação dos compromissos creditícios com o Estado, por parte do Banco de Lisboa deu origem, no final dos anos trinta e início dos anos quarenta, à criação de entidades parabancárias, que tinham como objetivo a realização de empréstimos ao Estado. Dentro destas novas entidades é importante destacar uma, a Companhia Confiança Nacional, que apesar dos empréstimos feitos, o Estado nunca amortizou a sua divida para com ela. Tal importância desta Companhia advém do facto de em 1846, por Decreto de 19 de Novembro, ter sido fundida com o Banco de Lisboa, dando origem ao Banco de Portugal. No entanto, a confirmação da sua criação apenas se deu em 1850 pela Lei de 16 de Abril, ficando o Banco de Portugal e o Banco Comercial do Porto com a exclusividade da emissão de notas e moedas no país.
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Em nome da fé : as heresias e sua dimensão política em Portugal e Castela (séc. XIV e XV)

Em nome da fé : as heresias e sua dimensão política em Portugal e Castela (séc. XIV e XV)

Alonso de Espina considera que a atitude dos soberanos visigodos com relação aos judeus é um exemplo a se seguir pelas dinastias ulteriores dos soberanos ibéricos. A perpetuação do modelo visigodo se encontra no código de Leis de Alfonso, o Sábio: Las Siete Partidas (séc. XIII). Alonso de Espina relatava que Alfonso X era “um rei de uma grande saberdoria que havia redigido um código intitulado “As Partidas” pelo qual o reino de Castela era governado (...)”. Ele desejava que os reis, herdeiros de Alfonso X, regessem a administração do reino conforme as disposições editadas neste código. Em efeito, se tal fosse o caso, de todos os Estados cristãos, nenhum poderia igualar-se a Castela. Nós não podemos subestimar, pela compreensão da atitude de Alonso de Espina com relação aos judeus, a importância da disposição prevista na lei acima dita no que concerne ao procedimento judiciário particular pelas imputações de morte ritual, que o rei e seus conselheiros consideravam como fatos estabelecidos, malgrado sua condenação pelo papa Inocência IV. A imputação de morte ritual e de profanação de hóstias, do qual Alonso de Espina acusava os judeus, constituía a pedra angular da atitude que ele adota com relação a eles. Em sua obra, Alonso de Espina se apoia sobre a “lei do reino” (lex regni), esta lei dos antigos soberanos visigodos “que em nossa língua se nomeia: “El furo nizgo” (sic, El fuero juzgo); ele destaca que esta lei previa a pena de morte para todo cristão que retornasse ao judaísmo, em particular para aquele que nascia cristão e no qual se descobria que ele era circuncidado ou que ele observava os costumes dos judeus, ou outras práticas deste gênero”. 296
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Mulher toxicodependente e suas representações: um estudo comparativo entre Brasil e Portugal

Mulher toxicodependente e suas representações: um estudo comparativo entre Brasil e Portugal

Utilizou-se a Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP), a qual é amplamente validada para pesquisas sobre Representações Sociais e permite ter acesso à produção verbal espontânea, bem como a unificação dos universos semânticos consensuais (Nóbrega & Coutinho, 2011). Um estímulo indutor foi utilizado, em que se perguntou aos participantes brasileiros: “O que lhe vem à sua mente quando ouve a expressão “mulher usuária de drogas?”; já no contexto português, utilizou-se a equivalência cultural do termo “mulher toxicodependente”. Para análise, considerou-se as cinco primeiras evocações de cada participante. Além disso, perguntou- se aos entrevistados o sexo, a idade, o curso e a localidade. O tempo médio da aplicação correspondeu a 5 minutos.
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Religião no feminino: experiências da “mulher Kimbanguista” em Portugal

Religião no feminino: experiências da “mulher Kimbanguista” em Portugal

24 espirituais e o culto de domingo. Pelo que pude apurar, em Portugal não existe a possibilidade de realização do culto matinal, devido a factores de ordem contextual (compromissos profissionais e escolares). As tardes espirituais (que também têm um culto breve) visam consciencializar e reforçar o sentido moral e os princípios kimbanguistas nos crentes. O culto geral ao domingo decompõe-se em duas partes distintas: uma primeira parte litúrgica (onde se entoa cânticos lêem salmos, os dez mandamentos e capítulos da Bíblia que servem de base ao sermão, sendo finalizado com a oração do Pai Nosso e um hino final). A segunda parte corresponde à parte social que é composta por vários momentos, onde se fazem anúncios e saudações aos visitantes, convidados, crentes, as autoridades eclesiásticas de acordo com a ordem crescente do seu estatuto. Seguido da palavra do chefe da Igreja (ao nível nacional) ou o seu representante. Após esta intervenção embarca-se no desfile e parada dos fiéis. Quando esta se dá como terminada, em Portugal por norma segue-se, o nsinsani. O nsinsani é uma “competição positiva” entre homens e mulheres com intuito de angariar fundos para a Igreja, onde circulam dois recipientes e duas pessoas representando cada grupo: homens e mulheres. Com intuito de recolher o máximo de dinheiro possível, esta competição desenrola-se entre 20 a 40 minutos num ambiente de convívio e descontracção. Termina com o anúncio do “vencedor”, acompanhado geralmente de palmas e risos (sendo de notar que ao fim, o dinheiro é todo vertido para o mesmo recipiente). Finalizado o nsinsani dá-se a oração final e o fim oficial do culto.
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Sexualidade, Afetividade e Maturidade na Bíblia: tópicos para estudo, debate e leitura de gênero

Sexualidade, Afetividade e Maturidade na Bíblia: tópicos para estudo, debate e leitura de gênero

O homossexualismo é conhecido igualmente nas culturas romana e judaica. No código de ética judaica, o comportamento homossexual era consi- derado um desvio de conduta gravíssimo, sofrendo penalidade capital: “Se um homem se deitar com outro homem como se fosse com uma mulher, ambos cometem uma perversidade e serão punidos com a morte - são réus de morte” (Lv 20,13). Na cultura romana, o apóstolo Paulo faz referência a este estado ético, que, para seus esquemas mentais, era uma afronta ao estado natural:

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A educação da mulher em Lima Barreto

A educação da mulher em Lima Barreto

O que ela procurava em um homem estava ainda indefinido em razão de sua idade, mas de qualquer forma, sabia que não o tinha encontrado, pelo fato de que nenhum rapaz que conhecera tinha lhe chamado atenção. Procurava o heróico e a força de projeção para as grandes causas da humanidade. Talvez nesse perfil de homem estivesse a paixão platônica que Olga sempre aparentou guardar por seu padrinho Policarpo Quaresma. Ele sim, tinha grandes ideais nacionalistas, queria a redenção do Brasil pela educação e agricultura. Mas, casar mesmo, só por curiosidade e hábito de sociedade, uma experiência no sentido de alargar suas relações sociais, talvez as achando limitadas pela influência do pai. A curiosidade e o desdobramento da vida foram a justificativa que a personagem, Ana Serguêievna, do conto russo Uma pequena explicação, deu para o seu casamento: “atormentava-me a curiosidade, eu desejava alguma coisa melhor, porque existe, dizia eu a mim mesma, uma outra vida. Tinha vontade de viver um pouco! Viver e viver...A curiosidade me abrasava...(TCHEKOV, 2005, p. 186).
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Open Educação católica, gênero e identidades: O Colégio Santa Rita de Areia na História da Educação Paraibana .

Open Educação católica, gênero e identidades: O Colégio Santa Rita de Areia na História da Educação Paraibana .

[...] como pessoas de Deus, pois vivenciaram o apostolado franciscano tanto na oração quanto no trabalho pedagógico que a vida lhes requereu. Eram muitíssimo disciplinadas, exigentes, responsáveis e ao mesmo tempo compreensivas com as jovens que tinham sob seus cuidados. Venceram enormes obstáculos para obterem sucesso, sendo o maior de todos, a adaptação à realidade brasileira e nordestina, tão diversa da alemã. Elas foram exemplo para as demais alemãs entre as quais estou incluída, e também para as irmãs brasileiras que hoje honram a sua memória conduzindo o colégio em meio a obstáculos diferentes dos de outrora, mas não menos desafiadores, ocasionados por esta modernidade tão avançada, que dispersa as alunas da introspecção necessária ao aprendizado e ao conhecimento de si. Sobretudo, guardo na memória como professora de música o caráter artístico que ilustrava a nossa educação e que imprimia erudição à formação das jovens, dotando- as de um gosto estético que aderiu a sua personalidade e que até hoje, quando as encontramos constatamos que ainda cultivam (Depoimento da Madre Maria Veneranda Sagstetter, no Parlatório do Colégio João XXIII, 08.04.2010).
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Quotidianos contemporâneos que medeiam o início da vida: conceitos, realidades e desafios

Quotidianos contemporâneos que medeiam o início da vida: conceitos, realidades e desafios

Tomando como ponto de partida a contextualização da sexualidade, da saúde sexual e da saúde reprodutiva nos cuidados de saúde em Portugal, procurou-se aprofundar alguns aspectos específicos de um território em que se cruzam vulnerabilidades, intimidades, autodeterminação, direitos sexuais e reprodutivos, poder, desigualdades e economicismo. Uma das opções tomadas prendeu-se com a definição de conceitos que caracterizam o parto. Através desta, procurou-se percorrer as ideologias que atravessam a prática dos enfermeiros obstetras (que engloba os períodos pré-concepcional, pré-natal, parto e pós-natal) e que se imiscuem nas suas relações com as mulheres e com as suas famílias. Na análise da conceptualização sobre o parto procurou-se ainda revelar algumas lógicas subjacentes aos cuidados prestados e às expectativas criadas acerca dos mesmos. Na realidade portuguesa, do parto medicalizado ao parto normal, evidencia-se com frequência uma posição de supremacia dos profissionais de saúde que parecem saber sempre o que é melhor para aqueles de quem cuidam.
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Engenhos e fazendas de café em Campinas (séc. XVIII - séc. XX).

Engenhos e fazendas de café em Campinas (séc. XVIII - séc. XX).

Parece-nos relevante conhecer que as antigas sedes dos engenhos conservaram-se como habitações após a chegada do café. Preservadas parcialmente, elas sofreram inúmeras intervenções e alt[r]

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Biografia e Gênero: abordagens historiográficas da rainha regente Leonor Teles (Portugal – séc. XIV)

Biografia e Gênero: abordagens historiográficas da rainha regente Leonor Teles (Portugal – séc. XIV)

A ambição de Leonor é um dos traços mais ressaltados pelo cronista e encampados no discurso historiográfico de Benevides. A rainha recusa-se a abrir mão da regência de Portugal, legalmente estabelecida pelo Tratado de Salvaterra como dito anteriormente. Nega-se, segundo o cronista, a associar-se ao Mestre de Avis, que se tornaria o primeiro rei da nova dinastia, e também ao rei de Castela, que reivindicava o trono por ser casado com Beatriz, filha de D. Fernando e Leonor. O propósito da rainha de permanecer regente é interpretado como ambição desmedida pelo cronista. Mais especificamente, fruto da “vontade feminina”. O perigo da vontade feminina é central no texto de Lopes:
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Choderlos de Laclos e a educação das raparigas

Choderlos de Laclos e a educação das raparigas

A marquesa encarna uma categoria particular, a da libertina, que possui um estatuto social singular porque não é o que parece. Ela representa portanto a distância entre a norma social e a realidade vivida. Desde então, ela leva-nos a modificar as nossas categorias de julgamento, a referirmo-nos já não a uma tipologia social, mas à natureza humana, conforme à «filosofia» da libertinagem mundana. Mme de Merteuil determina uma outra distribuição dos papéis, extraída de uma tipologia fisiológica: a mulher racional, a distinguir da mulher sentimental ou Mme de Tourvel, e a rapariguinha sensual, Cécile. Esta repartição remete para a perspectiva inspirada pelas Luzes e mais ainda pela libertinagem. De facto, visto tratar-se de definir a natureza do homem, convém considerá-lo como um organismo biológico e não como um peão pertencendo a uma ordem social.
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De Bash¯o a Leminski: o caso dos haiku de guerra

De Bash¯o a Leminski: o caso dos haiku de guerra

Num colóquio subordinado ao tema “Caim e Abel: família e conflito”, cabe um estudo sobre modos literá- rios de representação da guerra – que é sempre um combate entre homens, uma luta fratricida. O género escolhido é o haiku ou haicai que, entre os seus traços de origem, conta, além da brevidade extrema e da contenção retórica, com uma atenção peculiar às coisas da natureza, à qual não são alheias a atitude con- templativa e pacífica do poeta e monge viandante e, no caso japonês, a filosofia budista. Dir-se-ia, pois, que nada mais refractário à violência da guerra do que o haiku. Não é essa, contudo, a realidade com que depara o estudioso de um género que, sendo japonês de origem, conheceu expansão prodigiosa por todo o mundo ocidental, a partir de finais do século XIX, com inumeráveis cultores nos principais idiomas de matriz europeia. Do japonês Bash¯o (séc. XVII) ao brasileiro Paulo Leminski (finais do séc. XX), passando pelos poetas franceses que combateram nas trincheiras da Primeira Guerra (Julien Vocance, René Maublanc e outros) ou ainda pelos cultores japoneses do género que a seu modo foram vítimas também do segundo grande conflito mundial, o haijin confronta-se, mais vezes do que provavelmente esperaria, com o horror da guerra. E o haiku é uma forma outra, por vezes surpreendente, de o exprimir.
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Metáforas do corpo humano nas ciências da saúde: os mapeamentos conceptuais das estruturas, órgãos e vísceras

Metáforas do corpo humano nas ciências da saúde: os mapeamentos conceptuais das estruturas, órgãos e vísceras

A metáfora CORPO É VEGETAL, apesar de suas especificidades, encontra-se relacionada à metáfora CORPO É TOPOGRAFIA, por estabelecer certas relações paronímicas 18 . Na medida em que as potências europeias colonizavam outros continentes, novas espécies de plantas eram descobertas e, não raro, catalogadas, o que deu início a Botânica. Muitas substâncias vegetais, como o digitálico, foram descobertas nas colônias e utilizadas no tratamento de doenças, o que na Idade Média podia ser confundido com bruxaria. Em outras palavras, a partir do século XV, no âmbito da saúde, o corpo passou a ser metaforizado em termos de VEGETAL, já que a Botânica e a Medicina estavam em pleno desenvolvimento e se intercomunicavam (LYONS & PETRUCELLI, 1997, p. 419). Na atualidade, não são raros enunciados como “Golias irá fazer transplante de órgãos”, “Josiane está no período fértil”, “Roberto está vegetando após o acidente” (ver figura 2-10). Uma evidência a favor dessa metáfora pode ser constatada no livro L'Homme Plante, do filósofo francês Julian de La Mettrie (1709-1751), do início da Idade Moderna. Evidência complementar advém do psicólogo Vigotski, que, na primeira metade do século XX, reconheceu os aspectos hiding da metáfora BOTÂNICA na explicação do desenvolvimento humano.
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